Sua Majestade, O Bardo

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Valença, Bahia, Brazil
Escritor, autor do livro "Estrelas no Lago" (Salvador: Cia Valença Editorial, 2004) e coautor de "4 Ases e 1 Coringa" (Valença: Prisma, 2014). Graduado em Letras/Inglês pela UNEB Falando de mim em outra forma: "Aspetti, signorina, le diro con due parole chi son, Chi son, e che faccio, come vivo, vuole? Chi son? chi son? son un poeta. Che cosa faccio? scrivo. e come vivo? vivo."
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segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Último Suspiro

Último Suspiro

Salvador, 04 de setembro de 2000

Deitada na laje fria de mármore,
Teus seios brilhavam a luz do luar.
E tuas formas seminuas, lânguidas,
Resvalam pelos mantos de cetim.

De teu torso níveo, tua tez macia,
Entrevia uma seara fremente
No qual a Vida ainda vegetava
Em luxuriosos desejos e amores.

Teu hálito de canela rescindia
Enquanto meus lábios juntavam-se
Aos teus em um beijo funéreo.

Pouco depois, o teu corpo arfava
Em pecaminosos espasmos e gozos
Que lhe sugavam u’a última gota vital.

Poema em Bossa Nova

Poema em Bossa Nova
(após ouvir Vinícius de Moraes)

Salvador, 03 de janeiro de 2003

A lua nasce em Ipanema
Com as ondas embalando a praia.
O Sol se despede do mar
E o violão, por enquanto, ensaia
Na sala um lamento novo,
Tranqüilo, aguardando o olhar
Que queria ser um beijo.

O ar se enche de ternura
E um velho amigo
Conta suas amarguras
Na mesa boêmia do bar.
A vida tem destas coisas:
Na falta da voz divina de Edith Piaf,
Ainda temos um verso de Vinícius
para consolar.

A lua continua lá fora, companheira,
E um violão se une ao piano.
E quando um samba carioca,
Pela noite, distante no morro, toca;
É porque existe um coração apaixonado
Que sofre por seu amor.
E onde tem um coração solitário,
Existe um copo de cachaça e uma trova,
Existem litros de poesia e melancolia,
Existe um pouco de Bossa Nova.

Bossa boa, canção nova pelo ar
Que caminha solitária em Ipanema,
Que faz do sofrimento uma paisagem,
Do amor e da boemia uma viagem
E da Vida, um brejeiro poema.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Drummondiana


Drummondiana


Valença, 01º de março de 2000


Depois do amor, sonhar!
E sonhando, indo pelas nuvens… amar!
Mas amar não dois corpos
Numa cama mecânica de cobre,
. Mecânicos gestos,
. Mecânico falar,
. Mecânico gozo.
É AMAR –sentido vulcões–
Tocar orquestras de trovões,
Aspirar à suavidade do mel;
Galgar a profundidade do éter,
Ouvir as doces fragrâncias do azul.
Pele a pele, boca a boca;
Quero unir em um abraço cósmico
O aleph e o ômega de teu corpo
Em espasmos de prazer,
E glórias profundas,
E coloridos orgasmos de jasmins.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Jardim de Quimeras

Jardim de Quimeras

Salvador, 22 de fevereiro de 2001

“Ó imensas quimeras do Desejo”
Carnal e Místico – Cruz e Souza

Na esperança de ser eterno e imortal
Tranquei-me numa das torres da catedral.
Sonhei as glórias espartanas,
O solene desejo que me inflama:

Ser o conquistador do mar oriental
Ou o possuidor do ouro fatal.
Ter as asas de pégaso, a cama,
Os rubis das praias de Trapobana.

E afogando-me neste turbilhão
Deixei crescer as tristes heras
Que circundaram todo o meu coração.

Perdidas as horas das forças primeiras,
Meus sonhos… Estes se transformaram
No meu secreto jardim de quimeras.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

O Lobisomem

O Lobisomem
(para Professora Rosângela Figueiredo)

Salvador, 18 de maio de 2002

O poeta é um lobisomem solitário
Que vaga pelas sesmarias desertas
Em noite de tempestades e fagulhas.

Tuas garras devoram as entranhas da terra
A procura de um pouso e de uma lua.
Teus versos são tua fome canina,
Tua poesia, a ânsia pela glória.
Tu edificas paulatinamente teus livros
Passo a passo para saciar teu ventre,
Enquanto cada vez mais a glória foge
Tantalicamente de teus lábios.

Tu vagas, então, solitário,
Pelas campinas em flor,
A procura de um pouso.
O corpo, dilacerado, pede descanso.
Morto, o corpo deseja o fim
Mas tua alma ordena: Prossiga, persevere!

Pobre poeta! Pobre lobisomem solitário
Que caminhas pelo ermo
E de existir sem termo.
Tua maldição, contudo, é a redenção da humanidade.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Farol do Desejo (Aquele Beijo...)








Farol do Desejo (Aquele Beijo...)
http://www.camarabrasileira.com/sens08-025.htm




Foi numa noite de chuva
Que beijei teus lábios úmidos.
Tu estavas tímida, e timidamente,
Desabrochavas tua feminilidade em nosso ninho.
As gotas de chuva, lá fora, entoavam
Uma sinfonia em cada pétala
De rosa que elas beijavam.
E o beijos que tu me davas,
E o calor das taças de vinho,
E o silêncio confidente da lareira
E o fogo de teu corpo fremente
Incendiava irreversivelmente meu corpo,
Conduzindo minha língua
Pelo teu umbigo macio,
Pelos teus lábios maternais,
Pelos teus seios luminosos,
Pelo teu pescoço ebúrneo
Até chegar a tua face e boca marota.



Nossos corpos nus entraram em curto-circuito
E atingimos a comunhão
Dos corpos e dos orgasmos.
E em nossos lábios,
Recindia a saudade daquele primeiro beijo.

quarta-feira, 26 de março de 2008

O Farol e o Mar

O Farol e o Mar

(à Srta. Eridan Santiago Matos)

As ondas e o penhasco se abraçavam com volúpia
Enquanto o farol, impassível, mirava o infinito.
Gigante de granito e eletricidade; guarda imortal
Das tormentas, das trevas, dos ventos e das marés;
O farol resplandecia.

As sereias e os tritões ascendiam as ardentias nas vagas
E as estrelas no horizonte conversavam com o farol.
Os peixes, melancólicos, passeavam pelas sendas do oceano.
O orvalho e a maresia se confundiam plenamente.
O mar estava calmo.

O mar, a natureza o criou líquido. E criado,
Mãe e berço foi dos seres vivos e da própria Vida.
O farol, os homens o planejaram e ergueram sólido
Para a proteção e guarda das rotas e das naus.
Mas ambos eram um só.

O farol, com sua luz intermitente, ao mar beijava
E o mar, com suas ondas macias, acariciava seus alicerces.
Ao farol, o mar devia sua segurança e proteção.
Ao mar, o farol devia sua existência e função.
Ambos se amavam.

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

Assim como na natureza é a vida e o amor,
Quando duas almas diferentes se encontram.
Tese e antítese, ambos se complementavam;
E juntos, constróem sua existência conjunta,
Em perfeita síntese.

(publicado nos livros "Estrelas no Lago" e "Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos - vol. 08")

quarta-feira, 5 de abril de 2006

Walpurgisnachstraun

Salvador, 31 de outubro de 2002

“Figures dance around and aroundto
drums that pulse out echoes
of darknessmoving to the pagan sound
(…)
I can see a light in the distance
Trebling in the dark cloak of night.
Candles and lanterns are dancing, dancing
A waltz on All Soul’s Night”

All Soul’s Night – Loreena McKennet

“Aqui afloram brumas, ali há exalações,
Surgem chamas do fumo, ardentes fluorescências.
Corta o ar um filete de luz em evoluções, (…)”
Fausto, 1ª parte – Goethe

Eu vejo luzes dançando nos pauis,
Fogos bailando céleres na escuridão.
As bruxas passeiam pelo mágico luar
Na Noite de Todas as Almas.

As corujas, os morcegos, gatos e leprechauns
Dançam em espiral em volta do caldeirão.
Os lêmures saem de seus túmulos negros
Na Noite de Todas as Almas.

Virgens desmaiam em transe em volta da fogueira,
Ogros surgem em meio aos vapores espectrais.
Duendes e bruxas e fadas celebram o Sabat
Na Noite de Todas as Almas.

Druidas colhem o agárico mágico em pleno Samh’in,
Cisnes encantados se metamorfoseiam em donzelas
Para amar e amar os jovens poetas enamorados
Na Noite de Todas as Almas.

Fogueiras de espíritos crepitam na clareia alva
E a lua cheia se embriaga com vinhos e tambores.
Sortilégios e demônios são evocados nas brumas
Durante a Noite de Todas as Almas.

Sombras e fantasmas surgem nas paredes
Do velho Henge; as chamas azuis, os incensos
Formam pilares da sagrada sabedoria de outrora
Na Noite de Todas as Almas.

Minh’alma vagueia livre, livre pela floresta,
Em conjunto com unicórnios, fadas e centauros.
Entrego-me a orgia inebriante dos sentidos
Na Noite de Todas as Almas.

Cinjo minha fronte co’os louros dos antigos bardos,
Sigo indolente entre os braços e os seios das bruxas,
Sinto fluir em meu corpo o doce feitiço pagão
Da Noite de Todas as Almas.

Sigo sozinho dentre as frias brumas na florestas,
Cantando meus versos bucólicos e lascivos,
Evocando deuses esquecidos, antigas magias
Durante a Noite de Todas as Almas.

Bruxas e Feiticeiros continuam dançando
Até que o sol surja no alto horizonte. Cansados,
Todos nós ficamos esperando a próxima
Noite de Todas as Almas.

Princesa Hebréia

Princesa Hebréia

"Como és bela, graciosa,
amada, cheia de encantos!
Teu porte se parece com o da palmeira,
de que teus seios são os cachos."
Cântico dos Cânticos 6,4;7,7-8 – Salomão

Princesa, filha de Sion, que lânguida descansa
Ao pé da velha fonte de Siloé.
Teus olhos nacarados encantam
O peregrino que veio além de Gaza
Para descansar a sombra de teus pés.

Princesa formosa, filha de Salomão, sou
O triste peregrino que veio do Poente,
O filho dos reis exilados de Tartessos,
Sou o teu escravo apaixonado,
Apaixonado pela filha morena do Oriente.

Ah, cândida filha de Israel! Por ti
Derrubaria dez mil muralhas de Jericó
Com minhas mãos nuas. Lutaria contra
Um exército de Golias, para o teu amor
Conquistar, filha de Abraão, Isaac e Jacó.

Por ti, serei poeta e guerreiro, tecelão
E imperador para ti agradar, princesa
De Jerusalém. Enamorei-me pelo sorriso
Teu, pelo teus cabelos negros e lisos,
Pela tua doçura recheada de Graça e Beleza.

Teu colo é refúgio do sol inclemente,
Teus lábios frescos tem o doce rubor
Do vinho distante. Beijá-los é sentir
A melodia etérea das harpas do David,
é sentir da brisa do crepúsculo o frescor.

As filhas de Moab e Edon são belas
E lascivas. É mui rica, suave e poderosa
A filha do faraó do Alto e Baixo Nilo.
Porém, Javé te fez ainda mais linda e rica.
Fez-te encantadora e inda mais virtuosa.

Princesa, filha de Salomão, que em Siloé
Refresca-as e repousa do sol de verão.
Como peregrino do teu amor venho
Para entregar meu coração a mais bela
Das mais belas princesas, filha do Rei de Sião.

Promontório da Aurora

Promontório da Aurora

(para Professor Jorge Aguiar)

Salvador, 27 de junho de 2002

Quem dantes ousou dobrar
O negro Promontório da Aurora,
O sombrio colosso que adentra as ondas
Como um tritão impávido, vencedor,
Que volta para triunfar novamente?
Ah! Negro promontório da aurora,
Última galáxia entre Deus e o desconhecido,
Tua sombra nos banha, com a doce promessa
De um futuro grandioso, sublime…
Tua pele de granito e ferocidade beija
O calor das furiosas vagas, o deus–tormenta,
Qu’inda guarda do velho Adamastor
O orgulho sagrado e os tesouros
Para aquele que ousar vencê-lo.
Tua espada – cometa que arrancaste do firmamento –
É a tua cólera soberba, teu desafio impertinente
Que ganha o infinito e vai atiçando
Nos homens a chama divina,
A centelha única, flamejante,
O qual impele a humanidade
A galgar os abismos e – a juntar-se a Deus…
Quem dantes ousou ultrapassar
O velho promontório, a muralha de tormentas
Que o Destino colocou na imensidade?
Não se iludam os que crêem ser fácil a empresa.
O sombrio penedo de quimeras
Sabe guardar suas lendas.
Tem que ter n’alma a fibra de um Vasco da Gama
Ou a perseverança de um Colombo ou Elcano.
Vários os que ficaram amaldiçoados
A ter suas naves, com as velas pandas,
A cruzar eternamente o promontório por subestimá-lo!
Vários foram os capitães que encontraram
Nos escolhos pontiagudos
Como presas do demônio o último
Porto de suas naves naufragadas
Por não serem dignos de enfrentá-lo!
Quantos marinheiros dormem no ventre de tuas ondas
– Colosso imaculado da Aurora, Cabo último da terra –
Por serem pigmeus ante a tua grandeza?
E quantos mais ousarão a ti desafiar
Para ser o dono de teu poder,
Para ser o senhor de tua glória e de teu ouro,
Que guardas em tuas entranhas?
Quantos, sublimes rochedo da aurora? Quantos?
Feliz daquele que te vencer, Colosso do fim do mundo!

quarta-feira, 2 de novembro de 2005

Ninfas e Sátiros

Ninfas e Sátiros
Salvador, 28 de março de 2000



É noite. A Lua encobre o céu e a terra
Com seu negro, veludoso pálio cintilante,
Incrustado de soberbos diamantes;
Iluminando o palco p’ra lasciva festa.

****
Dos cantos do bosque, bailavam formosas
Ninfas de talhes belos e perfeitos.
Corpos nus resvalavam seios bem feitos,
Dançavam ao som de flautas vaporosas.

****
Chegando este nobre cortejo à clareira,
Encontravam-se co’os sátiros já em transe,
Com seus falos imensos e latejantes.

****
O prazer de Vênus, à todos, incendeia.
Iniciava-se os mistérios: A volúpia regia;
A paixão inflamava e imperava a orgia.

segunda-feira, 17 de outubro de 2005

Absynthum

Absynthum
Salvador, 25 de fevereiro de 2002
Teu aroma doce, verde esmeralda rico,
É o convite a orgia.
Teus lábios inebriantes, de quente hálito
São o fogo dos deuses.
São o jogo mortal do prazer e da carne
E do silêncio, onde
O fetiche demoníaco das almas
Inflama a mente, queimando os olhos:
Ilusões tecendo a doce poesia trágica,
Mágica da verde estrela absinto…

Cântico de Amor de um Ausente

Cântico de Amor de um Ausente
Valença, 05 de fevereiro de 1996
Ao meu amor serei fiel e atento,
Guarda-lo-ei preso em meu coração.
Tê-lo-ei vivo n’alegria e no tormento,
Tu és minha eterna emoção.
***
Viva e ardente será a tua lembrança,
Que mesmo distante, se faz presente.
Mantenho cálida e acesa a esperança
De não ti ser mais ausente.
***
Assim, quando maior for a saudade,
Mais viva e forte é a minha fidelidade,
Amada Valença, querida cidade.

Elegia ao Deus Pã

Elegia ao Deus Pã
Salvador, 04 de abril de 2000

"………Bosques, desencantai-vos…
Fontes do ermo, chorai que é morto o Grande Pã!…
"
A Morte de Pã - Manuel Bandeira
Quando as hostes celestes, nos céus da Palestina
Cantaram o advento do Cristo Nazareno;
Um grande gemido ouviu-se lá no porto d’Athenas.
O grão deus Pã, senhor d’Arcádia, estava morto!
***
As belezas que existiam na nobre Antiguidade,
Os vários sonhos doirados do velho paganismo,
A poesia e a arte dos helenos e dos romanos,
Tudo acabou! Cristo nasceu, porém Pã está morto!
***
Morreram todas as hamadríadas e os faunos,
Morreu a Alegria e toda a potência do Viver.
A Terra, em profusão chora: O deus Pã está morto!
***
Florestas de cruzes e imensas catedrais brotam
Na terra como sementes boas e fecundas.
Entretanto, o grande Deus, O Rei Pã está morto!

Canto para Avalon

Canto para Avalon
Menção Especial Bahia, Concurso Iararana de Poesia 2001


Salvador, 22 de janeiro de 2000

Uma ilha esquecida nas brumas,
Um paraíso perdido no lago.
Lá gostaria de morar

Uma ilha misteriosa e encantada,
Uma ilha governada por fadas.
Lá gostaria de ficar.

Uma ilha de sonhos e segurança;
Eterno repouso do sangue ancestral.
Lá gostaria de viver.

Ilha secreta de eterna música,
Terra dos celtas e das magias - Avalon!
Lá onde irei morrer.

Cântico dos Lírios

Cântico dos Lírios
(Menção Especial Bahia, Concurso Iararana de Poesia 2001)

Valença, 26 de agosto de 1996


Se tu não fosses de meu irmão,
Um buquê de lírios colhidos do coração
A ti ofertaria;
Mas a agonia
Que me maltrata e devora
Minha mais doce e bela aurora,
Desfaz minha alma em prantos
Pequenos e amargos cantos.

Os Lírios, então dormem escondidos
Numa estufa de opacos e finos vidros.
Os campos,
Em prantos
Secam em triste e amarga solidão
Pelos solitários lírios do coração.
Jazendo em ênea torre, perdendo o brilho,
Eis que sufocados ficam os teus lírios,
Lírios que sofrem pelo teu amor,
Entorpecendo-me em medo e dor.

Vaqueiro das Palavras no Sertão sem Fim

Vaqueiro das Palavras no Sertão sem Fim
Ao colega José Inácio Vieira de Mello
Salvador, 24 de setembro de 2002
Poeta, tu trazes em teus versos
O sabor solar do sertão sem fim,
Como o vaqueiro que conduz
Suas reses morro abaixo.
De cada torrão de terra,
De cada flor de mandacaru,
Tua poesia brota como água rara, água fresca
Que reascende o verde
No sertão árido das palavras.
***
Legítimo descendente da viola cabocla,
F ilho e irmãos dos cordéis,
Corre em teu estro a força
Das toadas da caatinga.
Tu carregas para a cidade à beira mar
O Sol nacarado do pastor
De nuvens e canções.
***
Poeta, traga as chaves dos Códigos do Silêncio
E nos mostre os poemas que habitam
Na lama e no coração.
Decifre-nos os abismos do espelhomem,
mulherva-doce.
Vai, vaqueiro das palavras, vai.
Vai e siga pelas veredas literárias
Do doce sertão de rabiscos sem fim,
E colha o poente escarlate do sucesso.

Biblioteca do Bardo Celta (Leituras recomendadas)

  • Revista Iararana
  • Valenciando (antologia)
  • Valença: dos primódios a contemporaneidade (Edgard Oliveira)
  • A Sombra da Guerra (Augusto César Moutinho)
  • Coração na Boca (Rosângela Góes de Queiroz Figueiredo)
  • Pelo Amor... Pela Vida! (Mustafá Rosemberg de Souza)
  • Veredas do Amor (Ângelo Paraíso Martins)
  • Tinharé (Oscar Pinheiro)
  • Da Natureza e Limites do Poder Moderador (Conselheiro Zacarias de Gois e Vasconcelos)
  • Outras Moradas (Antologia)
  • Lunaris (Carlos Ribeiro)
  • Códigos do Silêncio (José Inácio V. de Melo)
  • Decifração de Abismos (José Inácio V. de Melo)
  • Microafetos (Wladimir Cazé)
  • Textorama (Patrick Brock)
  • Cantar de Mio Cid (Anônimo)
  • Fausto (Goëthe)
  • Sofrimentos do Jovem Werther (Goëthe)
  • Bhagavad Gita (Anônimo)
  • Mensagem (Fernando Pessoa)
  • Noite na Taverna/Macário (Álvares de Azevedo)
  • A Casa do Incesto (Anaïs Nin)
  • Delta de Vênus (Anaïs Nin)
  • Uma Espiã na Casa do Amor (Anaïs Nin)
  • Henry & June (Anaïs Nin)
  • Fire (Anaïs Nin)
  • Rubáiyát (Omar Khayyam)
  • 20.000 Léguas Submarinas (Jules Verne)
  • A Volta ao Mundo em 80 Dias (Jules Verne)
  • Manifesto Comunista (Marx & Engels)
  • Assim Falou Zaratustra (Nietzsche)
  • O Anticristo (Nietzsche)