Sua Majestade, O Bardo

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Valença, Bahia, Brazil
Escritor e Professor de Literaturas Anglófonas. Autor do livro "Estrelas no Lago" (Salvador: Cia Valença Editorial, 2004) e coautor de "4 Ases e 1 Coringa" (Valença: Prisma, 2014). Licenciado em Letras/Inglês pela UNEB-Campus Salvador. Falando de mim em outra forma: "Aspetti, signorina, le diro con due parole chi son, Chi son, e che faccio, come vivo, vuole? Chi son? chi son? son un poeta. Che cosa faccio? scrivo. e come vivo? vivo."

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

🚨 Bahia é o seu novo SmartMatch, decida agora se gosta dela

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Bahia é o seu novo SmartMatch. Venha vê-la.

Bahia
Bahia, 30
Vive em Salvador
Quer conhecer homens dos 35 aos 45 anos
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Ricardo
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terça-feira, 27 de setembro de 2016

⚡️ Saiba mais sobre Marcelo Barreto, o seu SmartMatch

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Marcelo Barreto é o seu novo SmartMatch. Venha vê-lo.

Marcelo Barreto
Marcelo Barreto, 35
Professor do 2º ciclo
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E POSSÍVEL SER HOJE UM INTELECTUAL SEM CONHECER A LITERATURA AFRICANA CONTEMPORANEA?

É POSSÍVEL SER HOJE UM INTELECTUAL SEM
CONHECER A LITERATURA AFRICANA CONTEMPORÂNEA?



Salvador, 26 de setembro de 2016 (23h49)

Ricardo Vidal
Escritor, mestrando em Crítica Cultural 
(UNEB campus II). Membro da AVELA

Conversando com uma de minhas professoras no mestrando, perguntei-la se seria possível passar incólume por autores como Mia Couto, Agualusa ou Pepetela. Ela me respondeu que, se quiser ser levado a sério no meio intelectual, mais cedo ou mais tarde teria que ler algo deles. Mas, na verdade, fiz isso como um comentário maroto, ao observar o nosso zeitgeist, o espírito de nossa época. Da mesma forma que a leitura de Michel Foucault, Giles Deleuze e Giorgio Agámben são indispensáveis para quem quer participar do debate universitário contemporâneo; torna-se importante a leitura da obra dos autores africanos contemporâneos. Mas o que se significa esse novo olhar atlântico?

Por um lado, essa produção literária que vem do continente negro mostra a força das letras cujos povos passaram recentemente por um processo de descolonização. Nomes como o de Leopold Sèdar Sénghor do Senegal (que foi membro da Academia Francesa e correspondente da Academia Brasileira de Letras), Paulina Chiziane de Moçambique e Ondjaki de Angola mostram que a literatura desses países já está dando os primeiros frutos, apresentando beleza e engenho que não fica a de dever às literaturas de outros países. Por isso que estão sendo traduzidos e analisados nas universidades. São textos que possuem musculatura literária e agarram o leitor, trazendo a África real dos povos africanos, com seus mistérios, cruezas e maravilhas.

Por outro lado, mostra que o polo literário mudou sua relação. Já não é mais a relação consumidora Norte-Sul, com os países europeus e da América Anglo-Saxônica vendendo seus produtos culturais para os mercados consumidores da América Latina. No caso do Brasil, a relação Sul-Sul, entre nós brasileiros e os PALOPs (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa), é o início de uma relação de interação e troca cultural entre ex-colônias de Portugal. Se para os africanos, o contacto com o Brasil é uma forma de aprender com o irmão-que-deu-certo no processo de descolonização, para o Brasil é uma forma de redescobrir sua própria História e abrir o caminho para o futuro, com novos parceiros, tanto econômicos como culturais.

Esse interesse já se reflete na docência de ensino médio, em que os autores africanos contemporâneos já começam a frequentar as salas de aulas , inclusive como conditio sine qua non para entrar nos cursos superiores, através dos vestibulares e do ENEM, como “Mayombe”, de Pepetela, que recentemente foi selecionado para compor um dos maiores vestibulares do país, o da FUVEST. Da mesma forma que citações de Mia Couto aparecem nas redes sociais; ainda que de forma oblíqua, nossos alunos já estão se familiarizando com esses autores.

Assim, voltando à pergunta que deu origem ao texto, é impossível que alguém que queira se passar por um intelectual no Brasil sem que conheça esse outro literário que é a África Contemporânea. Axé!

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Rapsodia Valenciana opus 49

Rapsódia Valenciana opus 49

Salvador; 29 de agosto de 2016 (22h27)

Esse cheiro de peixe
Que de mim exala
Mesmo quando uso
Chanel nº 5
Valença – Carollini Assis

Toda a Valença é, portanto, um tear,
E, em seu pano grosso de aspecto rudimentar,
Amparo, a Bordadeira, virá aplicar fibra
Têxtil – Cadu Oliveira

Cruzo a ponte
Chego no cais,
Saudade me atrai…
Caminho pela graça
Paro na praça
Urbis, Vila Operária
Valença Una – Adriano Pereira

I
Vem, minhas ninfas do Rio Una, vem!
Traga-me a poesia de suas águas
Como o sal que tempera os mariscos.
Traga os poemas que nascem nas ruas
E rasgam a aurora vermelha como esperança.

Vem, minhas ninfas do Rio Una, vem.
Vem como amante, vem como mãe
Vem como uma azul canção selvagem
Quero-te uma etérea balada cósmica
Que acorde as estrelas com sua música.

Vem, minhas ninfas do Rio Una, vem!
Quero-te cantar esse rio de águas negras
E essas colinas da Madona do Amparo
– seios que desenham o vale de Valença.
Quero-te como poesia e fogo, sonho e mar.

II
Minha cidade de Valença, o sol te banham
Durante um rubro amanhecer atlântico.
Desperta suas casas com um sorriso
De raio de sol fulgídio quase um beijo.

A rua Marquês fervilha, fervilha as pontes.
Fervilha o Jardim Novo com as sombras
De teus sobrados se desvanecendo como
Uma memória perdida em algum sótão.

Valença é o Tento cheirando a peixe e sal,
È o Novo Horizonte rasgando sua malha.
Valença é a Vila de operárias abelhas tecendo
A manhã com dendê e algodão e cantos.

Valença são seus jardins sempre reformados
E suas velhas ruas tortas. É a Bolívia e Jacaré.
É a Graça de Nossa Senhora que nos Amparai,
Amém. É Pitanga, Jambeiro e Dendezeiro.

III
Gosto de me perder em suas artérias,
Sentir o perfume de cravo e do guaraná.
Gosto de costurar a trama de suas ruas:
Ruas do Leite e do Siri sem Molho, Triana.
Quero passear na alegre Praça da Bandeira,
Descansar sossegado na Orla do Rio Una.

IV
Valença, sonho do varão Sebastião,
Tua história é um carrossel épico.
O Barão e o Conselheiro confabulando
Nos corredores do Imperial Senado!
A fábrica primaz de tecidos e urdiduras
A Recreativa hospitaleira cheia de náufragos.
Valença coberta de sangue aimoré,
De pecados e glórias, semente da paz.
Valença um grito insano no infinito!

V
Valença, meu farol no universo, termino
Esse canto grosseiro com o desejo

De seres grandes, dentre as grandes do Brasil.

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Benditas Palavras Mal Ditas

Benditas Palavras Mal Ditas

Salvador, 25 de agosto de 2016 (02h15)


Carollini Assis, jornalista valenciana da TV Aratu, estreia na literatura com um livro de título provocante: “O Livro das Palavras Mal Ditas”. O leitor desavisado pode estranhar que uma novata nas belas letras traga ao público um livro com palavras mal ajambradas, sem cuidado, ditas de forma má. Puro artifício de uma escritora que entra de forma vigorosa no mundo das letras, que já pega o leitor pela goela e o faz sucumbir com um texto direto e lírico, como no poema DEUS: “Escreveu para mim / um livro / cheio de equívocos”.
Com prefácio de Orlando Senna e palavras de Gustavo Felicíssimo (editor da obra e escritor) e de Marcus Vinícius Rodrigues, o livro é composto de poemas curtos, alguns de uma leveza e sagacidade que parece um haikai, mas que acertam em cheio no ponto de deslocar os significados das palavras, tirando a crosta que o senso comum recobre-as e fazer luzi-las com significados novos. Às vezes, os títulos aparecem como verbetes de um dicionário particular, no qual as palavras aparecem de forma saborosa e sensual no texto – como no poema UNA: “Memória do rio / nas veias da cidade / lasciva”.
E já que aparece a palavra lasciva, eis que uma característica se destaca nesse livro: o erotismo. Mas não o erotismo que beira a pornografia masculinizada (e o que a pornografia se não o erotismo alheio, como diz o escritor e cineasta francês Alain Robbe-Grillet?), é o erotismo lírico e curto, da sensibilidade de mulher moderna -  ou seja, um erotismo que sabe ser direto, mas sem perder a ternura jamais. Esse erotismo se dá nos fragrantes de prazer, na bendita precisão de uma polaroide. O tema é tratado com a leveza que o tema requer, às vezes com um pouco de graça, como no poema FOME: “Colheu um dedo / no pé do meu corpo / e chupou”.
Bendito seja esse livro de palavras ditas com graça e galhardia!
Carollini Assis é natural de Valença, Bahia. É formada em jornalismo pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), especialista em roteiros para TV e Vídeo. Estão no prelo mais dois livros: “A Santa que geme nas estações” (contos eróticos) e “Produção: entre a comunidade e a televisão”, sobre produção em telejornalismo.

Livro das Palavras Mal Ditas
Editora Mondrongo
Bahia, 2016
72 páginas.
Capa e Editoração de Ulisses Góes

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

domingo, 31 de julho de 2016

Notas do Reino de Jambom XVI - Novo peregrinar

Há tempos que o Reino de Jambom voltou a ficar distante, perdido nas brumas. Agora, um novo peregrinar de R Vidal faz com que sua casa seja a estrada entre três novas cidades. Seu castelo está a sua espera.

************

Na ficção da vida civil, Alagoinhas, Valença e Salvador. Um mestrado e nada mais

terça-feira, 21 de junho de 2016

Politicando I - Bolsonaro como reu

Há coisas que são divergências ideológicas, como desejar uma economia regulamentada pelo mercado ou um estado desenvolvimentista que vise o bem estar social. Outra coisa é saber quais são os limites mínimos da civilização. Esse foi o motivo que o nazismo, com seu programa de genocídio foi banido da arena política. Por isso, seria bom os bolsominions entenderem que seu deputado "idolatrado" MERECE ser julgado por apologia ao estupro e, provado que ele cometeu um crime (como está na cara), deve pagar. Não há nada de perseguição política. Apenas entendem que a liberdade de expressão tem por limites o bom senso e a civilização.

terça-feira, 14 de junho de 2016

Soneto do Jasmim

Soneto do Jasmim

Salvador, 14 de junho de 2016 (01h45)


Um doce aroma recorda minha aurora,
Quando o jasmim a noite brinca com a brisa.
É um cheiro mágico, do tempo de outrora,
Que minha fronte afaga, queima e alisa.

Ele chega de mansinho, sem demora,
E vai alojando seu império e harmoniza.
Abre-se então uma sutil caixa de Pandora,
Pois no final uma tristeza se concretiza.

Tudo era lembrança e nada mais sobrou.
Somente resta uma vã e tola esperança
De acreditar que se vive mais uma trova.

Ah, jasmim doce que me acompanhou
Como um elfo guardião das lembranças!

Serve para avisar que o Tempo não volta.

Edelweiss

Edelweiss

Salvador, 14 de junho de 02h01 / 02h08


Venha, minha pequena flor, venha
Refletir a neve como um prisma.
Seja o encanto alpino, a musa diminuta
Que das alturas impera garbosa
E soberana na simplicidade.

Quisera eu ter halo branco de candura,
Ser esse pirata branco na montanha.
E quando uma criança se refletir nas pétalas,
O sorriso dela ecoaria suavemente
Como melodia nas montanhas.

Venha, venha, pequeno Edelweiss,
Diamante botânico perdido nas rochas,
Seja minha rainha, minha musa,
Seja a canção que sempre sonhei
E nunca cantei na minha vida.


Rosas dos 16 de Maio

Rosas dos 16 de Maio

Salvador, 14 de junho de 2016 (02h19)

Não te calaram. Nem te calariam
As patas dos cavalos e explosões.
Na altivez da juventude havia rosas,
Rosas que iriam mudar o mundo
E enfrentariam o último coronel da Ditadura.


segunda-feira, 16 de maio de 2016

15 anos essa tarde: 16 de Maio na UFBA



Hoje, 16 de maio de 2016, faz 15 anos que participei da Invasão da UFBA. O contexto? Estávamos nos anos finais da Era FHC e houve um escândalo político: alguns senadores tiveram acesso aos votos secretos no painel do Senado. Dentre eles, Toninho Malvadeza. A oposição baiana, de esquerda, estava exigindo sua cassação por quebra do decoro parlamentar. A Bahia era governado pelo carlismo e, sinceramente, não sabíamos por quanto tempo teríamos mudanças dentro do Palácio de Ondina.

Lembro-me bem, pois era (ainda) estudante de Jornalismo na FACOM-Ufba e estagiava na assessoria de imprensa do Sintsef (Sindicato dos Servidores Públicos Federais no Estado da Bahia). Era também filiado (como ainda sou) ao PT, o que me dava mais ânimo para ir a essa manifestações. 

O clima estava pegando fogo. No dia 10, houve uma manifestação. O Engraçado que tinha ido ver minha então namorada e de lá iria para o estágio. Não sei os servidores federais estavam em greve (creio que sim, devido a conjuntura neoliberal). Então vi uma manifestação no Campo Grande. Logo vi os dirigentes do Sintsef e fui escalado para fotografar a passeata. Mas essa não foi uma passeata qualquer - havia uma pequena cisão no comando. De um lado, o PC do B queria seguir o trajeto de sempre e terminar na Praça Municipal. Outro grupo queria fazer a manifestação em frente a casa de ACM, na Graça. Comunistas, Petistas, Trotskistas, Anarquistas (os antepassados no Black Blocs, com a cara escondida) discutiam em cima do Mini-Trio principal, até que os manifestantes que estavam na rua fizeram valer sua vontade e fizeram os carros de som mudarem de direção. O recado não seria dado ao prefeito-pau-mandado, mas ao próprio Cabeça Branca. Foi quando a tropa de choque trancou a passagem nos Aflitos. Depois de um momento de tensa e falsa trégua, a PM começou a lançar bombas para dispersar. Claro que a manifestação correu até a Praça da Piedade e de lá fez seu protesto. Quem pensou que isso iria amedrontar esses jovens se enganou.

A minha geração ainda foi criada ouvindo os ecos dos anos 1960, alguns se lembravam da redemocratização, carregávamos um pouco da chama do Impeachment de Collor. E o clima na cidade era que ainda precisávamos tirar um resto de entulho autoritário. Alguns, talvez trazia nos olhos uma nostalgia do passado e uma coisa no coração por não ter uma causa pelo qual lutar - não como foi a luta contra a Ditadura Militar ou o Maio de 1968 na França. Eu me sentia um pouco assim e muitos colegas de militância (no ardor do 20 e poucos) talvez pudessem está sentindo algo parecido. 

Foi por isso que no dia 16 de maio se armou "A Passeata". A organização fora "secreta" (?) e o trajeto só seria dito na hora. Lembro-me que minha turma de comunicação pegou um ônibus com demais manifestantes lá no campus de Ondina. Eu, fui a paisana como estudante e procurei fugir da turma do sindicato, porque queria está não a trabalho, mas por consciência própria. Então, na manhã, concentramo-nos na frente da Reitoria da UFBA. A jararaca começou a andar e logo no Campo Grande virou. Estávamos alegre, seguindo pelas ruas do Canela e voltamos para a UFBA. Era uma manhã ensolarada. A ideia era ir por dentro do campus do Canela e chegar no Largo da Graça. Vendo hoje, pergunto-me se fomos ingênuos ou tivemos excesso de autoconfiança para achar a PMBA não estaria lá, nos esperando - aliás, sabíamos que a UFBA, como área federal, não era juridição da PMBA e sim, da DPF. E assim foi. Durante o meio dia o Vale estava claramente dividido: de um lado do viaduto, toda a Tropa de Choque, os cavalarianos, blindados, K9. Do outros, estudantes, servidores públicos, políticos, professores. De novo a mesma tensa tranquilidade. Foi engraçado ver uma roda de capoeira no meio do viaduto, como a dizer: "paz, paz, estamos na Bahia!". Até que, no meio da tarde, manifestação avançou: havia uma liminar exigindo a retirada da PMBA do campus da UFBA e o compromisso da manifestação seguir para Barra. Quando o carro da Polícia Federal chegou, que alegria! E que cena inusitada: estudantes batendo palmas para (uma das) polícia! Alguns subiram até a Faculdade de Direito para comemorar. Foi quando a tempestade chegou de repente.

Covardemente, a PMBA começou  disparar contra os estudantes e o caos se implantou! As vidraças da faculdade foram destruídas por uma turba que procurava abrigo contra a arbitrariedade. Sangue. Fumaça. Calor. Guerra.

Mas quem esperava pegar os jovens desprevenidos se iludiu: a batalha se instalou no Vale. Claro que foi desigual: rojões, coquetéis molotovs e uma pequena barricada de fogo contra bombas de efeito moral e de gás lacrimogênio e bala de borracha. Mas todos aguerridos, ninguém disposto a arredar um milímetro ao adversário.

Eu fique observando tudo dentro da Escola de Administração. Pateticamente, ainda tentei avisar ao sindicato que eu não iria ao estágio, porque estava preso na manifestação, devido à ação da repressão... Mas resisti. Conseguir ir até a faculdade de educação, peguei uma nuvem de gás lacrimogênio. E de lá tentávamos continuar a luta. Só no final da tarde, os restos de manifestantes que ainda estavam por lá se reagrupou e fez uma passeata até a Câmara Municipal de Salvador. Eu ainda consegui ir à reunião do Conselho Universitário da UFBA, no qual forçou o então reitor Heonir Rocha (tido como amigo de ACM) a tomar uma decisão. 

Cheguei em casa quase meia-noite, mãe e namorada preocupadas comigo.

O resto é História: ACM renunciou e voltou eleito para o senado. Mas não ganhou assim. Morreu vendo seu candidato derrotado pelas mesmas forças que o combateram nesse 16 de maio.

*     *     *     *     *     *     *     *     *     *     *     *     *     *     *     *     *

Valeu a pena? Algumas namoradas depois, não sei o que dizer dos dias de hoje. 02 anos depois desses eventos elegemos Lula presidente e 06, Jacques Wagner assumia o governo do estado. 13 anos depois, vejo jovens abraçando alienadamente a causa direitista e o PT ser alijado do governo da república via um golpe parlamentar. Pode dar uma sensação de melancolia, uma clima de "o sonho acabou". Mas quando os jovens que lutam contra o golpe, quando vejo que a Bahia ainda é governo pelo meu partido, fico com a sensação de dever cumprido - fiz a minha parte para que o meu país pudesse ser democrático!

sábado, 16 de abril de 2016

Balada da Estudante Solitaria

Balada da Estudante Solitária

Salvador; 12 de abril de 2016

Teus óculos escondem tua beleza leonina.
Tu arrumas teus cabelos longos, enquanto
Vai ajeitando a papelada na mesa em caos.
Tuas mãos correm o lápis pelo caderno,
Mas o que salta aos olhos são seus seios
De mulher menina, ninfa fada, sereia,
Os olhares convergem para ti – rainha
Juvenil e distraída da sala de estudos.
Eu me perderia em teus lábios de beija-flor,
Procuraria o mel em mistérios.
Decoraria o Aleph dos pergaminhos
E estudaria tua formosura nas telas.
Ah, estudante solitária e distraída,
Perdida em meio às suas anotações,
Quisera eu ser seu professor e fazer
A tabuada da multiplicação das espécies.
Quisera ensinar-lhe a genética na prática,
Os poetas dos Infernos das Bibliotecas!
Entre as Galáxias do Cinturão de Órion,
Repetíramos os ritos de Gaia e Priapo.
Mas tu estás distraída e distraída
Não vês meus ávidos olhos,
Olhos sedentos de um lobo mau…

O que esperar de domingo dia 17 de abril?

Amanhã a democracia brasileira viverá sua prova de fogo. Mas, qualquer que swja o resultado, terá um gosto amargo: Primeiros, as instituições sairão apequenadas. Quem acredita no STF ou no Congresso Nacional? Dilma ganhando, teremos um governo em eterna minoria. Dilma caindo, cairemos na convulsão social, pois a resistência popular não aceitará o desgoverno de usurpadores. Fiel as minhas convicções, repito o mantra‪#‎NãoVaiTerGolpe‬! Mas o mais sensato é dizer ‪#‎Oremos‬!

terça-feira, 15 de março de 2016

Balada do Condor Baiano

Balada do Condor Baiano
(para Antônio Frederico de Castro Alves​)

Salvador; 08 de março de 2016 (23h24)

Castro Alves del Brasil, tú para quién cantaste?
Para la flor cantaste? Para el agua
cuya hermosura dice palabras a las piedras?
 (……………………………………)
-Canté para los esclavos, ellos sobre los barcos
como el racimo oscuro del árbol de la ira
viajaron, y en el puerto se desangró el navío
dejándonos el peso de una sangre robada.
(……………………………………)
-Cada rosa tenía un muerto en sus raíces.
La luz, la noche, el cielo se cubrían de llanto,
los ojos se apartaban de las manos heridas
y era mi voz la única que llenaba el silencio.
Castro Alves del Brasil – Pablo Neruda

Castro Alves (sem ser casto, mas gigante),
Para quem cantaste teus poemas?
Não foram apenas os olhos de Moema
Ou para relembrar do canto da ema.
Tua sombra se projeta bem distante.
Pequenino que mirava o horizonte,
Sabia que arte vinha de outra fonte,
Era da mesma têmpera de Anacreonte.

Dos sertões agrestes de Curralinho
Levantou voo jovem baiano condor.
Abriu as asas em máximo esplendor
De poeta audaz, altaneiro cantor.
E com seus cabelos em desalinho,
Aos colegas de farra, ele assombrava,
Às moçoilas em flor, ele encantava,
A todos os desmandos, ele denunciava.

Tua voz era o ribombar do trovão,
Refletia os sonhos da juventude.
Era voz da desgraçada negritude,
Sem perder estro, arte e virtude.
Era lava bruta de fogoso vulcão
Que acendia a chama republicana,
Sem s’esquecer dos beijos da baiana
Ou perder a doçura sul-americana.

Ah, Castro Alves, excelso poeta!
Com mão cheia poemas tu semeaste
Como sementes de firmes hastes
A vencer séculos e tempestades.
Tua aura de tribuno, boêmio e esteta
Já venceu a implacável eternidade.
E se hoje nos reunimos com saudade,
É pra celebrar suas nobres qualidades.

Evoê, Condor Castro Alves, Evoê!
Emocione como emocionou Neruda!
Emocione como quem, da pedra bruta
Tirou as mais belas flores do amarelo ipê.

quarta-feira, 2 de março de 2016

terça-feira, 1 de março de 2016

Soneto da Sereia de Botero

Soneto da Sereia de Botero

Baía de Todos os Santos (F/B Maria Bethânia); 1º de março de 2016 (18h51)

A beleza dos gestos, tentação final
Beiços carnudos rubros sem nada que sobre,
Agitados quadris loucura sem igual

Mulher - Mustafá Rosemberg

Sob a luz noturna do farol escarlate,
      Surge do mar uma sereia renascentista.
            Seios ebúrneos e doces, face de ametista,
                  Que enfeitiçava a todos: marujos e vates.

                  Reclinada como deusa no velho quebra-mar,
            Cantava cavatinas, canções e delírios,
      Sua voz trazia o olor mágico dos lírios
Nascidos nas ondas de um novo cantar.

Ah, sereia, de um sonho de Botero, nascida!
            Como não desejar seus primores luxuriosos?
Como não se apaixonar por essa fofa beldade?

            Surge assim, como uma ninfa oferecida,
Para saciar do poeta os sonetos gozosos
            A serem escritos com prazer e suavidade.

P:.

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Amor em Escala COMcreta

Amor em Escala COMcreta

Salvador; 27 de fevereiro de 2016 (00h57)

Elieci, me dá cafuné!
M________quero teus beijos
E_____________de rosa-mulher

D................Quero teus lábios
Á................ e uma cama na varanda!

C................Quero,
A................u
R................e
I..................r
N................o teu amor como orquídea astral
H
O................quero como poema si-deral

Quero como poema que nunca tenha escrito antes.
E que os cantores fiquem (des)concertados
        Com essas (mel)o-dias selvagens
Que só existem nas Estrelas Alfas
                           de uma galáxia muito, muito distante…


P:.

Biblioteca do Bardo Celta (Leituras recomendadas)

  • Revista Iararana
  • Valenciando (antologia)
  • Valença: dos primódios a contemporaneidade (Edgard Oliveira)
  • A Sombra da Guerra (Augusto César Moutinho)
  • Coração na Boca (Rosângela Góes de Queiroz Figueiredo)
  • Pelo Amor... Pela Vida! (Mustafá Rosemberg de Souza)
  • Veredas do Amor (Ângelo Paraíso Martins)
  • Tinharé (Oscar Pinheiro)
  • Da Natureza e Limites do Poder Moderador (Conselheiro Zacarias de Gois e Vasconcelos)
  • Outras Moradas (Antologia)
  • Lunaris (Carlos Ribeiro)
  • Códigos do Silêncio (José Inácio V. de Melo)
  • Decifração de Abismos (José Inácio V. de Melo)
  • Microafetos (Wladimir Cazé)
  • Textorama (Patrick Brock)
  • Cantar de Mio Cid (Anônimo)
  • Fausto (Goëthe)
  • Sofrimentos do Jovem Werther (Goëthe)
  • Bhagavad Gita (Anônimo)
  • Mensagem (Fernando Pessoa)
  • Noite na Taverna/Macário (Álvares de Azevedo)
  • A Casa do Incesto (Anaïs Nin)
  • Delta de Vênus (Anaïs Nin)
  • Uma Espiã na Casa do Amor (Anaïs Nin)
  • Henry & June (Anaïs Nin)
  • Fire (Anaïs Nin)
  • Rubáiyát (Omar Khayyam)
  • 20.000 Léguas Submarinas (Jules Verne)
  • A Volta ao Mundo em 80 Dias (Jules Verne)
  • Manifesto Comunista (Marx & Engels)
  • Assim Falou Zaratustra (Nietzsche)
  • O Anticristo (Nietzsche)