Pergaminhos Diários do Castelo

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Sua Majestade, O Bardo

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Ricardo Vidal
Valença, Bahia, Brazil
Escritor e fotógrafo (amador). Autor do livro "Estrelas no Lago" (Salvador: Cia Valença Editorial, 2004). Formação em Letras/Inglês pela UNEB-Campus Salvador. Falando de mim em outra forma: "Aspetti, signorina, le diro con due parole chi son, Chi son, e che faccio, come vivo, vuole? Chi son? chi son? son un poeta. Che cosa faccio? scrivo. e come vivo? vivo."
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Torre dos Ventos

Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

Torre de Lagrimas

Torre de Lágrimas

Salvador; 29 de julho de 2009. (04h20)

Porque meus olhos não acreditavam em fadas,
As rosas e os jasmins deixaram de me cantar poemas
E as fadas nunca mais perfumaram a alvorada.

Porque meu coração não confiava no meu amor,
As trevas devoraram minhas alegrias e sonhos,
Deixando secos de beijos os meus lábios sem sabor.

Por incredulidade, meu jardim ficou deserto de fadas…

Por desconfiança, meu coração exilou meu amor…

Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

Requiem Anos 80

Dois amigos se encontram numa mesa de bar. naturalmente, de gerações diferentes. Um está com I-pod repleto de músicas de A-ha e The B-52s e cujo deenho lembra um walkman antigo. O ouro está normal, apresentando a idade que ele realmente tem.

- Olá! como vai, OutraGeração?
- Eu vou bem, 80X. Soube da novidade? Michael Jackson acabou de falecer...
- Mentira! Isso não pode acontecer...
-Pois é... Ele morrreu!!!
Não.. Isso só pode ser brincadeira... Eu posso acreditar que o sonho acabou, que Margaret Thatcher estava certa, que John Lennon morreu ou o fim das utopias esquerdistas com a queda do Muro de Berlim... Mas a morte de Michael Jackson eu ainda não tenho cabeça para assimilar...
- Como não, 80.X? Até parece que você que não tem 40 anos completos... Olha, não sei se você... mas pessoas morrem. Todas, sem excessão, um dia morrem...
- É que com Michael Jackson é diferente... Ele, assim como Madonna, Prince, Indiana Jones, os Goonies... eles todos eram meus ídolos de juventude. Tudo bem... Deu para agüentar a morte de Frank Sinatra e de Paulo Autram, por exemplo. Afinal, eles já estavam velhos. Agora, Michael... Sinceramente, eu ainda não acredito que Renato Russo morreu... juro que eu já me esbarrei com ele diversasvezes depois daquela notícia de 1996 (ou 1997). E ainda espero que a Legião Urbana volte e grave um LP novo...
- ??????
- É mesmo. Olha, a questão é a seguinte: Quando certos ídolos morrem, eles mostram que já envelhecemos, que também teremos fim. Talvez, para quem viveu a euforia revolucinária dos anos 60 ou foi veterano daSegunda Guerra Mundial, a morte não pese muito. Ela estava perto. Mas para minha geração, a geração X... Quem viveu os anos 80, esta geração que não sabia dizer para que veio e que ainda parece meio infantil, bebês cangurus que moram com os pais ainda que tenham 30 anos, que aos 40 anos de idade fica neste saudosimo eletrônico "Você se lembra do Conga ou das músicas da Blitz?" ou "Se lembra de seriados como Esquadrão Classe A, Spectreman e Manimal", uma geração cuja utopia social era ser yuppie e ouvir The B-52s...Talvez a geração que mais radicalizou a eterniação da juventude exatamente por não saber aonde ir quando estivessem maduros; ouvir a morte de grande ídolo é ser obrigado que já somos mais jovens e que ocupamos o lugar de nossos pais. Já não podemos jogar mais pedras porque somos vidraças que nosos filhos e filhas querem quebrar. Sempre fosse assim...
- Também não precisa ser dramático, 80.X...
- Não é drama não, Outrageração... Apenas um pouco de filosofia barata. Acho que cheguei na idade em que eu posso me dar a esse direito. Vocês também não dizem que a sua geração foi melhor? Quem vocês viveram a história? Que suas bandas são as melhores e que eu estou sendo saoudosista? É o peso da idade que eu sentimos...
- Acho que você bebeu Grapete demais e misturou isso com muito bala Dulcora e Diplink. Bem, vejo que está quando seu notebook corporativo. O que está vendo.
- Nada de mais: baixando série completa do desenho do He-man. Lá em casa já tenho a série completa dos Thundercats e de She-Ra. Espero ainda baixar os Mp3 do disco Thriller. Deste modo euresguardo meu Long Play original.
- Legal! Garçom, traga outro Grapette sabor uva para mim e algumas balas Dulcora. E aumente o som do DVD com os melhores momentos do Xou da Xuxa...

Terça-feira, 16 de Junho de 2009

Entrevista - site do CBjE

1 - Quem é você?

Meu nome completo é José Ricardo da Hora Vidal, mas como nome literário uso "Ricardo Vidal". Sou fotógrafo amador e escritor, natural de Valença (Bahia), nascido em 20 de abril de 1978 (portanto já estou nas casas dos 30). Sou alto, magro, uso óculos, tenho cabelo e olhos castanhos e não sou fã de esportes. Há um fundo de verdade quanto à lenda sobre minha paixão pelos livros - minha biblioteca pessoal possui quase mil volumes e está em contínua expansão. Em 2009 eu concluirei a Licenciatura em Letras (Inglês) pela Universidade do Estado da Bahia e pretendo seguir a carreira acadêmica até o pós-doutorado em Literatura. Fui ex-aluno de jornalismo da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (mas não conclui o curso). Como neto de gallego, possuo dupla nacionalidade - o que curiosamente resultou que eu tivesse um outro sobrenome, Gonzalez Sousa. Tenho orgulho de minhas origens familiares: sou bisneto de Maestro Barrinha (autor do hino de minha cidade), sobrinho-neto de Antonio Sereia (benfeitor e mecenas de minha cidade), sobrinho de poetas inéditos (Valdo Sousa da Hora e Ivanice Conceição) e primo do artista plástico Junior da Hora. Minha família paterna possui vocação para música; e a materna, para desenho – dons que eu não herdei plenamente (acho que eu escrevo para compensar a falta de vocação para estas artes). Gosto de filosofia, literatura, fotografia, política, história, ufologia, erotismo, paleontologia, astronomia e arte. Detesto quiabo, caruru, músicas da Jovem Guarda, racismo e fundamentalismos religiosos e políticos. Socialista democrático convicto, orgulhosamente filiado ao PT, nas eleições européias voto no PSOE e admiro Che Guevara e o presidente Lula. E termino aqui meu perfil.

2 - Quantos e quais livros você publicou e/ou participou?

Até hoje, eu só publiquei um livro de poema, "Estrelas no Lago" (2004).

Contudo já participei dos seguintes livros

a) "Quase Escritores" (1994), meu debut, numa antologia organizada pelo Educandário Paulo Freire.

b) "Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos" volumes 08, 10 e 34 - pela CBJE

c) "Antologia de Contos de Autores Contemporâneos" volume 01 - pela CBJE

d) "Panorama Literário Brasileiro" 2004 e 200/ - pela CBJE

e) "Sensualidade em Verso e Prosa" 2007 - pela CBJE

f) "Antologia de Contos Fantásticos" volume 10 - pela CBJE

g) "Livro de Ouro do Conto Brasileiro" 2009 - pela CBJE

Além disso, tenho obra dispersa na revista Iararana, nos jornais "Valença Agora" e "Costa do Dendê" e no meu blog "Castelo do Bardo Celta" [www.bardocelta.blogspot.com].

Até o final do ano de 2009 pretendo publicar meu livro de contos e/ou meus artigos sobre ensino da língua inglesa e literatura.

3 - O que já ganhou com a literatura?

Dinheiro foi muito pouco, quase nada. Contudo, no meu currículo, consta um terceiro lugar (menção especial Bahia) no concurso nacional de poesia da revista literária Iararana em 2002 e duas menções honrosas nos concursos de poesia da Academia de Letras no Recôncavo e uma moção de aplauso da Câmara Municipal de Valença. Também por duas vezes meus poemas foram selecionados pela CBJE para compor o "Panorama Literário Brasileiro" (2004 e 2007).

4 - Como surgiu seu interesse pela poesia/literatura?

Desde criança eu gostava muito de ler. Minha mãe diz que me alfabetizei muito rápido… Meus pais, apesar de não serem intelectuais, tinham uma pequena biblioteca em casa, composta basicamente de alguns romances e contos de Júlio Verne, Alexandre Dumas Pai, Mark Twain, Oscar Wilde e Emílio Salgari. Todavia, o fato deles não cultivarem muito o espírito (prova disso é que nunca tivemos livros de poema ou de filosofia em casa) fez com meus primeiros interesses intelectuais se voltassem as ciências - especialmente História e Astronomia. Quando muito, dava vazão à minha criatividade tentando desenhar revistas em quadrinhos - experiência não muito frutífera, por sinal. O bichinho da poesia só veio dar as caras, timidamente, através dos poucos poemas de meu tio Valdo, que eu li ainda criança.

O verdadeiro encontro com a Literatura foi entre a oitava série ginasial e o primeiro ano Científico, com as aulas de Português de profa. Dinalva Teles. Com ela eu aprendi a tomar gosto pela prosa de ficção e pelo teatro, além de decifrar os labirintos da poesia. Aprendi a desvendar o brilho élfico das palavras e como esculpir universos com parágrafos. A existência de uma boa biblioteca do colégio onde estudei o segundo grau, junto com as aulas de literatura com profa. Rosângela Góes, de história e filosofia com prof. Jorge Aguiar e de redação com profa. Josiene – juntamente com a base de leitura que eu já possuía fez com eu naturalmente seguisse a senda literária.

Deste modo, quando eu entrei na Faculdade de Comunicação da UFBA aos 18 anos, minha intenção de seguir a carreira de escritor já estava sedimentada. Em resumo, praticamente minha vida girou entre livros, acho eu já estava no meu destino…

5 - Como você define a relação da sua vida com a sua obra?

Pergunta difícil... Sinto que a maior tentação de um escritor é escrever uma autobiografia disfarçada, meio para exorcizar fantasmas pessoais, meio para idealizar a própria vida. Às vezes me pego (principalmente nos contos) enxertando um pouco de minha vida, de minhas vivências, de minhas leituras e de meus sonhos. Mas isso não ocorre sempre. Há um conto inédito meu que é ambientado em Paris, embora até hoje eu nunca tenha pisado por lá. Da mesma forma que escrevi poemas "fingindo sentimentos" que não sentia - como no caso de "Farol do Desejo" e "Cântico dos Lírios", publicados pela CBJE. Eu diria que minha vida e minha obra andam juntas, algumas vezes tangenciam-se, mas não sempre se confundem.

6 - Quais são seus autores preferidos?

Nove autores eu considero fundamentais: oito homens - Göethe, Omar Khayyam, Fernando Pessoa(s), Castro Alves, Manuel Bandeira, Vinicius de Moraes, Karl Marx e Friedrich Nietzsche - e uma rainha, Florbela Espanca. Estes eu costumo ler mais amiúde e com constância. Não obstante, há "épocas" em minha vida em que um escritor mexe comigo. Na adolescência eu achava Álvares de Azevedo um rei. Depois houve um período só de Olavo Bilac, uma época que imperava de filosofia grega clássica, outra em que eu era vidrado em ficção científica do século XIX. Atualmente, estou na fase da literatura erótica feminina contemporânea: Anaïs Nin, Ana Ferreira, Catherne Millet...

Agora, independente do autor, alguns livros eu tenho um carinho especial e constituem minha biblioteca mínima: "Fausto”, “Sofrimentos do Jovem Werther", "Assim falou Zaratustra", "Manifesto Comunista", "20 mil léguas submarinas", "Estrela da Vida Inteira", "Rubayyat", “Contos e Lendas Orientais, de Malba Tahan” e "Mensagem".

7 - Como você conheceu a CBJE e qual tem sido a importância dela na sua vida como poeta/escritor?

Conheci a CBJE pela internet. Demorei, lendo direito o site, até tomar coragem e enviar um texto em 2004: meu poema "O Farol e o Mar".

A CBJE é importante na vida como escritor é exatamente pelas portas que ela abriu e ainda abrem. Através dos concursos regulares eu pude publicar meus textos, com a certeza que os mesmos sairão numa edição caprichada e com boa circulação. Também me permitiu entrar em contactos com autores contemporâneos, como Bruna Longobucco e Andressa Le Savoldi.

Costumo recomendar a CBJE para os amigos que estão começando na Literatura e para quem quer conhecer um pouco do que há de novo sendo produzido em literatura brasileira contemporânea.

8 - Que conselho você daria a quem está começando?

Embora eu me considere dentre os que estão começando, eu diria o seguinte:

a) LEIA SEMPRE E CADA VEZ MAIS! Não existe um escritor que não seja um grande leitor.

b) APRENDA A DECANTAR SEU TEXTO. Escreva, corrija, guarde por um tempo e leia seu texto. Assim fica mais fácil ver se o texto está bom ou não, e/ou quais emendas são necessárias.

c) PARTICIPE DE CONCURSOS. É um bom modo de testar seu texto, ver se ele realmente tem futuro ou era apenas um exercício de ego.

d) OUSAR. Se quiser mesmo ser escritor, deve perder a timidez e mostrar sua produção para os outros. Quem escreve procura, no fundo, ser lido pelos outros.

e) LEIA "CARTAS A JOVEM POETA", de Rilke. Não procure fórmulas neste livro, apenas indicações para outros vôos.

Acho que para começar estas dicas estão de bom tamanho.

9 - Ping-Pong Final

uma cor - verde, em todas as matizes.

uma flor - Jasmim.

uma estação - Outono

uma palavra - Cultura ("Não me amarra, dinheiro não, mas a cultura...")

uma comida - pizza toscana do Restaurante Casa Verde, em Valença.

um lugar - Valença/Bahia, minha cidade natal

uma viagem - Uma só? Três: Roma, Paris e Santiago de Compostella.

uma música - "Che Gellida Manina", ária de Rodolfo na ópera "La Boheme"

um filme – “Sociedade dos Poetas Mortos”. Nem precia dizer o porquê…

um livro – difícil… “Fausto”, “Mensagem”, “Rubayyat” e “Sofrimentos do Jovem Werther”

uma qualidade pessoal - Gostar de estudar.

um defeito pessoal – são tantos…

uma paixão - meus livros.

uma frustração - não saber tocar um instrumento musical nem desenhar e pintar bem

um sonho - ganhar o prêmio Nobel de Literatura. Acho que o povo da minha cidade iria gostar da notícia

um desejo - ser eterno como os poemas de Homero...

Terça-feira, 9 de Junho de 2009

Pontinhos Brilhantes


Uma vez, li uma da crônicas de Eliana Mara Chiossi (Humor e sacanagem é igual a coçar, basta começar), em que num dado momento, falava das piadas dos pontinhos. O que é um pontinho amarelo tocando viloão? è um "Cheetos Buarque"...
Pensando nisso, inventei duas piadas-homenagens para Eliana, cujo sorriso é encantador:

01) O que é um ponto brilhante na literatura?
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Adivinharam?
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pensem mais um pouco
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Já sabem a reposta?
É Eliana Mara escrevendo um poema...


02) E o que é um ponto brilhante na frente do computador?

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Esta não é difícil...
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A resposta é simples:

Eliana Mara escrevendo uma crônica havaiana no computador.

Sei que este post não tem a graça das crônicas de Elana... Fica aqui então como homenagem a uma amiga...

E antes que me esqueça: dia 18 de junho, é o lançamento do livro dela, "Fábulas Delicadas", na livraria LDM

Domingo, 7 de Junho de 2009

Fabulas Delicadas - de Eliana Mara Chiossi



Quem já leu as "Crônicas Havaianas", na revista eletrônica Verbo 21, sabe que os textos de Eliana Mara Chiossi são deliciosos. Divertidos, gostosos, maravilhosos. Mas o que podia espera de uma doutora em letras, poetisa, cronista, blogueira (conferira o blog "O mundo tem inscrições sempre abertas") - enfim, uma escritora de mão cheia e pessoalmente linda? Diante disso, a leitura dos eu livro "Fábulas Delicadas" torna-se leitura obrigatória. O lançamento, na Bahia, é dia 18 de junho, quinta-feira, das 18h00 às 20h30, na livraria LDM (Praça da Piedade). Eu estarei lá, com certeza (e cerveja)!!!

Sexta-feira, 22 de Maio de 2009

16 de maio de 2001, oito anos depois


Quando comecei no movimento estudantil secundarista, lá na minha cidade de Valença nos idos de 1994, ficava sonhando com a década de 1960. Bem, para nós, militantes, o movimento estudantil possuia então duas referências claras: Os cara-pintadas de "Fora Collor" e a resistência à Ditadura Militar.

Sobre o "Fora Collor" não era preciso comentários - era algo recente, o gatilho que acendeu o gosto por política estudantil. Já a resitência à Ditadura Militar... Essa tinha o gosto da mitologia. 1968... Passeata dos Cem Mil... O Congresso da UNE em Ibiúna... Os estudantes que optaram participar da luta armada... Visto sob o prisma da história, parecia feitos ciclópicos e aqueles que tombaram na luta pela democracia, eram horados como mártires. Admito que sentia inveja daqueles que enfrntaram a polícia, a tropa de choque, que continuava na luta mesmo que sob a mira dos torturadores. Para piorar, os livros que retratavam aquela época era sedutores: "O que é isso, companheiro?","1968- o ano que não terminou", "Lamarca - O Capitão da Guerrilha".

Não sei... Achava que o fato de vivermos uma democracia tirava um pouco desta alegria, porque podíamos andar com bandeiras vermelhas do socialismo ou bandeiras negras do anarquismo, cantar a "Internacional" ou "Para não dizer que não cantei das flores" sem a sensação do proibido. às vezes, tinha até a impressão de que os policiais militares que iam na frente organizando o trânsito para passagem da manifestação, também cantavam baixinhos estes hinos esquerdistas. Tudo indicava que a minha geração não enfrentaria a polícia, nem sentiriamos o cheiro do gás lacrimogênico, muito menos haveria uma história para contar. Tudo seguirá anormalidade democrática: Passeata pelas principais ruas da cidade com escolta da polícia, panfletagem, carro de som, comício no final da passeata, em frente a um orgão público ou em uma praça principal. Após a caminhada cívica, todos se dispersariam ordeiramente, alguns iriam para boêmia da esquerda festiva, outros partiriam para as intermináveis reuniões de esquerda, com seus "capa-pretas" fazendo análises e mais análises de conjutura... Sinceramente, emsmo eu sendod e esqeurda, às vezes essa rotina era chata! às vezes sonhava com um pouco de ação.

E esta ação chegou com as "Jornadas do Maio Baiano", de 2001. Para recordar, o senador baiano "Toinho Malvadeza" (que agora deve dar ordens ao Diabo, no Inferno), viola o Painel Eletrônico do Senado, abrindo uma crise política no governo FHC. 10 de maio de 2001: após alguns ministos de vacilação de alguns dirigentes (ligados ao PC do B), a passeata que seguia em direção à Praça Muncipal muda de rumo para o Edifício Stella Maris - residência do senador, para realziar uma lavagem simbólica da política baiana. Na altura da Casa di Itália, a tropa de choque da PM Baiana tranca o acesso. E do alto de carro de som, quando eu fotografava para o SINTSEF, a polícia militar lança uma bomba de gás lacrimogênico e inicia o tumulto. Seria essa a bomba que daria adeus a inocência de minha geração? Não, como vi depois. 16 de maio de 2001. Nova passeata. Desta vez, o estrategema era singelo: usar a próprio campus da UFBA (àrea federal que "teoricamente" a PM Baiana não poderia entrar) como via de acesso ao apartamento de Toinho Malvadeza. O que se viu naquele dia é que a PM da Bahia deixou de ser um instrumento de segurança para ser um bando de jagunços de um "coroné". Desrespeitando a lei, invadiu um território federal, ignorou uma ordem judicial entregue por policias federais (acho que foi a única vez que vi estudantes esquerdistas batendo palmas para um corpo policial), atacou estudantes indefesos e destruiu patrimônio alheio. O que me lembro? Barulho de bombas, fumaça, uma tentativa de resistência dos estudantes, eu saindo pelo fundo da Escola de Administração para chegar à Faculdade de Pedagogia, os olhos ardendo, uma diretora do SINTSEF me ajundando a colocar água e deixando eu ficar na biblioteca da FACED para minimizar o ardor. Mais tarde, os estudantes se reorgizando em passaeta para um ato de desagravo, a visão dos entãos deputados Jaques Wagner e Pinheiro recém-chegados de Brasília atravessando a multidão, alguns estudantes da UFBA (eu entre eles) voltando para reitoria e forçando Heonir Rocha a tomar uma atitude drástica. Nâo vi do 17 de maio, porque queria descanso. Quando Malvadeza renunciou, participei ainda do 31 de maio, como fotógrafo do SINTSEF. Dessa passeata de 31 de maio que mais tarde descobri que há imagens minha no filme "Maio Baiano" de Carlos Pronzato.
Relembrar isso tudo, oito anos depois, é ver as ironias: ACM faleceu, sendo derrotado em vida. Jacques Wagner é governador da Bahia, Pinheiro é Secretário de Planejamento. César Borges, então governador e pau-mandado de ACM, agora é senador e dar um apoio discreto à Lula e Wagner. Hoje, trabalho na Secretaria de Educação, cujo 04ª andar eu acompanho a manifestações dos estudantes. Mas antes de mais nada, já não sinto mais inveja da década de 60, nem do Maio de 1968. Já tive minha aventura, uma história para contar. E, principalmente, não há nada melhor que viver num regime socialista-democrático, em todos podem fazer sua passeata sem medo da repressão. E no final, passar em algum bar ou participar nas intermináveis reuniões de esquerda, com suas longas análises de conjuntura.
Viva a Democracia!

Maiores informações: http://pt.wikipedia.org/wiki/Passeata_de_16_de_maio

Palestra na Academia de Letras da Bahia - Renata Belmonte


"Intimidade e Confissões na literatura feminina", com a participação de minha querida escritora Renata Belmonte. Se a mesa já de peso, imaginem ainda com a presença de Renata? Farei de tudo para estar lá. E convido os leitores deste blog para também estarem lá

Domingo, 17 de Maio de 2009

Vestigios Poeticos e Existenciais de Renata Belmonte


Disponível no site da revista "Verbo 21"
http://www.verbo21.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=412&Itemid=141

maio de 2009

Vestígios Poéticos e Existenciais de Renata Belmonte

Ricardo Vidal*


Uma cama. Um vestido. Um livro. Três indícios de um sonho. Três flagrantes de uma vida. Três momentos que resumem os questionamentos da personagem-título de “Vestígios da Senhorita B”, o mais recente livro lançado por escritora Renata Belmonte pela coleção “Cartas Bahianas”. Mas quem será a misteriosa senhorita B, do qual se lê vestígios de poesia e existência?

As 50 páginas do livro dentro da capa em formato de envelope contam a história da protagonista, conhecida apenas pelas letras “R” e “B”. A narrativa não-linear apresenta três capítulos soltos, em que a autora mergulha poeticamente na alma da personagem, devassando suas angustias e a dialética de amadurecimento, ao contrapor a busca pela afirmação da sua existência com a realidade cotidiana e prática.

A história é narrada em primeira pessoa, o que leva a uma dúvida: seria a Senhorita B a própria Renata Belmonte? As letras que a identificam são as mesmas que compõe as iniciais da autora. A história também parece indicar flagrantes reais da vida da própria autora, tornando a obra numa espécie de ficção autobiográfica. Mas o livro vai mais além deste exercício. Os três instantâneos da vida da personagem conduzem o leitor pelos labirintos da existência humana e lança luz sobre questões mais profundas como solidão, sentimento de culpa e a busca da identidade. Renata Belmonte parecer retomar um pouco a questão de Jean Paul Sartre, de que a existência precede a essência: o ser humano é jogado na vida e depois molda sua personalidade ao longo de sua vida. E uma personalidade sensível como é a Senhorita B sabe que esta tarefa é difícil: há a dialética da vida, com seus meandros e armadilhas, com suas contradições que não admite conceitos absolutos. Pelo contrário, o ser humano aparece mesclado, onde anjos e demônios convivem numa mesma pessoa confusa. Assim, numa noite de São João perdida na infância, B experimenta a inocente crueldade infantil misturada com um sentimento de culpa. O amor não chegará puro na noite de debutante – deixará uma mácula para o resto da vida. Diante destes fatos que a senhorita B se constrói como ser humano, a “mulier sapiens” que reflete sobre suas fragilidades e ainda assim não deixa de sonhar – mesmo que o sonho seja efêmero.

Mas a construção da identidade como mulher se dá em meio a tormentas. E este turbilhão de lembranças se reflete nas curvas no texto – este reinventa as palavras e redireciona a sintaxe, fazendo que o mesmo ganhe ares de poema em prosa – como se pode observar nas palavras iniciais do livro “Com a mala cheia de insultos, ela guardou as dores do mundo e vestiu um poema barato”. E os capítulos, apesar de seguirem uma ordem cronológica clara (infância, 15 anos, início da juventude), estão soltos, como se contos fossem (o que não seria estranho, considerando que os dois livros anteriores de Renata são de contos). Pode-se lê-lo fora da ordem, e ainda assim o resultado final é o mosaico do amadurecimento de B. Mosaico que se fecha com blog e no curta-metragem homônimos.

“Vestígios da Senhorita B” é um livro cativante, poético e experimental que retrata a busca poética e existencial de uma jovem na busca de seu lugar no mundo. É a mesma busca que todos nós, seres humanos, fazemos e que também deixamos vestígios neste longo estradar da vida e que nunca se sabe a que destina…

*O autor mantém o blogue: www.bardocelta.blogspot.com

Quinta-feira, 14 de Maio de 2009

Noticias do Reino de Jambom - O Vazio (twittado)


O Castelo do Bardo, no Reino do Jambom, está vazio. Sua torre de Menagem está sem alma, sem livros voando entre prateleiras, nem passos noturnos de um pensador. Onde está R Vidal? Ele viajou para a Bienal Nacional de Livros e depois tomou um navio, um cruzeiro pelas nuvens. AnaC foi vista em seus braços, dizem as gaivotas que enviam este avigrama. Estaria a visitar sua prima Rosa Ana, Duquesa das Rías de Vigo? Não se sabe... A única certeza é que o castelo ainda é a residência do Bardo Celta.
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Na ficção da vida civil, meu novo trabalho está me ocupando o tempo. Responsabilidade. Nos raros momentos, um novo post twittado...

Quarta-feira, 29 de Abril de 2009

Bienal do Livro da Bahia - um post quase twittado



Mais tarde, com calma, comento a 09ª Bienal de Livros da Bahia...
Quanto a foto,entrada do Café Literário do dia 19 de abril, quando Antonio Calloni e Zé Inácio V. de Melo falaram da poesia nos tempos de internet.

Bienal do Livro da Bahia 2009 - Fotos

Fotos da Praça de Cordel e Poesia, 24 de abril de 2009
(09ª Bienal de Livro da Bahia)
João de Morais Filho, Ricardo Vidal (EU, de camisa azul), Nuno Gonçalves e José Inácio Vieira de Melo
Nuno Gonçalves, Ana Carolina Rocha e EU, logo depois da apresentação.


José Inácio Vieira de Melo e EU, conversando após o recital


Momento da leitura do meu poema "O Beijo"


Posando junto ao banco da "Praça", tendo ao fundo cordis de Edmar Vieira, Franklin Maxado, Zezão Castro, Wladimir Cazé et caterva...


Além da leitura e declamação de poemas, houve bate-papos, capitaneados por Zé Inácio V. de Melo


Junto ao meu livro "Estrelas no Lago"
Mais leitura de poemas na Praça


Mais uma vez, a Literatura Valenciana mostrou se força e presença no cenário artístico baiano

Ricardo Vidal brilha na Bienal de Livro da Bahia

Ricardo Vidal brilha na Bienal de Livro da Bahia

(A Voz da Região)


No dia 24 de abril, o valenciano Ricardo Vidal foi um dos poetas presentes na Praça de Cordel e Poesia. Juntamente com os poetas João de Morais Filho e Nuno Gonçalves, Ricardo Vidal leu seus e falou de sua obra durante a 09ª Bienal de Livro da Bahia, que ocorreu entre os dias 17 e 26 de abril, no Centro de Convenções, na cidade de Salvador.


Durante o evento Ricardo Vidal leu alguns dos poemas presentes no seu livro “Estrelas no Lago”. Dentre os poemas de Ricardo Vidal foram lidos “Cântico dos Lírios” e “Canto para Avalon” (premiados pela revista Iararana em 2002 e publicados na França e Hungria), “O Beijo” (escolhido como um dos melhores poemas publicados pela Câmara Brasileira de Jovens Escritores em 2007), “O Lobisomem” e “Sete Benções”, uma homenagem à Valença que possui como epígrafe um verso da escritora Macária Andrade.



Na platéia que prestigiou a apresentação do trio de jovens poetas, alem do público que visitava a Bienal, estava alguns dos nomes importantes da literatura baiana contemporânea, como Lita Passos (da Academia de Letras do Recôncavo), Franklin Maxado (da Academia Feirense de Letras), Edmar Vieira e Elizeu Paranaguá.


A Praça do Cordel e Poesia era um dos momentos culturais da 09ª Bienal de Livro da Bahia, que reunia os principais poetas e cordelistas baianos. A praça ficou sobre a curadorria do poeta José inácio Vieira de Melo. Nos 10 dias que durou o evento, participaram da Praça de Cordel e Poesia a nova geração da poesia baiana, como Ricardo Vidal, Wladimir Cazé, João de Morais Filho e Fabrícia Miranda, cordelistas como Franklin Maxado e nomes consagrados, como Damário Dacruz, Ruy Espinheria e Maria da Conceição Paranhos.



(assessoria de comunicação - Ricardo Vidal)

Quinta-feira, 16 de Abril de 2009

Fragmentos de um diario - trabajo Y literatura

  1. Depois de alguns ano de inatividade (vivendo quase que como o heterônimo Alváro de Campo), voltei a trabalhar. Sinto-me um pouco enferrujado, mas acho que é questão de tempo, para que me acostume à rotina. Uma coisa é certa: quanto ao dinheiro vou guardar para minha viagem a Paris e publicar outro livro - além de pagar minha previdência privada, o plano de saúde e a inscrição como editor na Biblioteca Nacional. Livros, sou obrigado a comprar menos porque já não tenho mais lugar no quarto.
  2. Falando em literatura, minha vida literária não está tão mal assim: Dia 24 de abril (pouo depois do meu aniversário), estarei na Praça do Cordel e da Poesia (09ª Bienal do Livro), apresentando meus poemas; A Ocupação Cultural em Valença é um sucesso; e, bem, este ano, com o salário, dá para publicar outro livro meu. 
  3. Da Espanha, recebo a notícia de que os angue é mais denso que a água. Milagres da internet.
  4. Minha monografia? Ela está em curso... Em breve ela sai do forno.
  5. Na próxima vez, continuo meu monólogo de Narciso...

Quarta-feira, 1 de Abril de 2009

Bienal do Livro da Bahia 2009 - Programacao

Programação para 9ª Bienal do Livro da Bahia
PRAÇA DE CORDEL E POESIA

COORDENAÇÃO E CURADORIA: José Inácio Vieira de Melo

Dia 17 (sexta-feira)
18h - POESIA
Inaê Sodré, Cleberton Santos e Raiça Bomfim
19h 10min - CORDEL
Antonio Barreto e Franklin Maxado
20h 20min - POESIA
Edgar Velame, Ivan Maia e Jackson Costa

Dia 18 (sábado)
18h - POESIA
Fabrícia Miranda
, Júlio Lucas e Leonam Oliveira
19h 10min - CORDEL
Paraíba da Viola&Leandro Tranquilino
20h 20min - POESIA
Antonio Brasileiro e Ruy Espinheira Filho

Dia 19 (domingo)
18h - POESIA
Antonio Naud Júnior
, Rita Santana e Idmar Boaventura
19h 10min - CORDEL
NOVOS CORDELISTAS DA BAHIA:
Carlos Neves, Creusa Meira, José Olívio, Maysa Miranda, Rogério Snatus e Tarcísio Mota
20h 20min - POESIA
Martha Galrão, Marcus Vinícius Rodrigues e Nívia Maria Vasconcellos

Dia 20 (segunda-feira)
18h - POESIA
Emanuel Mirdad, Sérgio Silva e Wesley Correia
19h 10min - CORDEL
Carlos Alberto, Davi Nunes, Pardal do Jaguaribe e Lucas de Oliveira
20h 20min - POESIA
Adriano Eysen, Eliana Mara Chiossi e Walter César

Dia 21 (terça-feira)18h - POESIA
MOVIMENTO POETRIX:
Goulart Gomes, Hércio Afonso, Jussara Midlej, Lílian Maial, Marco Bastos, Marilda Confortin, Oswaldo Martins, Pedro Cardoso, Regina Lyra, Reneu Berni e Sandra Mamede
19h 10min - CORDEL
GRUPO CONCRIZ:
Caroline Brito, Edmar Vieira, Gina Alves, Hermann Henrique, Ivana Karoline Machado, Marcelo Nascimento, Mateus Machado, Pablo Sá e Vitor Nascimento Sá
20h 20min - POESIA
Maria da Conceição Paranhos e Luis Antonio Cajazeira Ramos

Dia 22 (quarta-feira)
18h - POESIA
Bernardo Almeida, Fabrício de Queiroz e Max da Fonseca
19h 10min - CORDEL
Palito&Braz
20h 20min - POESIA
Damário Dacruz, Lita Passos e Wladimir Cazé

Dia 23 (quinta-feira)
18h - POESIA
Georgio Rios, Paulo André e Thiago Lins
19h 10min - CORDEL
Jotacê Freitas, Sergio Bahialista&Gutemberg
20h 20min - POESIA
Elizeu Moreira Paranaguá e Vânia MeloHerculano Neto

Dia 24 (sexta-feira)
18h - POESIA
João de Moraes Filho, Nuno Gonçalves e RICARDO VIDAL
20h 20min - POESIA
Kátia Borges e Mayrant Gallo

Dia 25 (sábado)
18h - POESIA
André Galvão, Mônica Menezes e André Guerra
19h 10min - CORDEL
Caboquinho&João Ramos
20h 20min - POESIA
Cardan Dantas, Paulo Pedro Pepeu e Washington Queiroz

Dia 26 (domingo)
18h - POESIA
Heber Sales, Priscila Fernandes e Moacir Eduão
19h 10min - CORDEL
NOVOS CORDELISTAS DA BAHIA:
Gilmara Cláudia, João Augusto, José Walter Pires, Alemão do Ceará, Tolstoi e Zezão Castro
20h 20min - POESIA
Carla Visi e Sapiranga

Segunda-feira, 23 de Março de 2009

Abaixo-Assinado (#3958): PELA APROVACAO URGENTE DA PEC 150

Caros leitores e leitoras do BLOG

Recebi por e-mail um informe, sobre um abaixo-assinado pedido a aprovação urgente da PEC 150, que fixa um percentual mínimo do Orçamento do estado brasileiro para ser investido em cultura. o link de acesso é: http://www.abaixoassinado.org/abaixoassinados/3958.

Como Humanista e Escritor, este é um tipo de projeto que não posso me furta de apoiá-lo. Considerando o fato de que, através do meu blog, eu exerço os meus direitos inalienáveis de expressão cultural, de pensamento e de informação; além das responsabilidades (principalmente sociais) que estes direitos implicam, conclamo a todos vocês, caros leitores a co-assinarem este documento. O texto dele eu o coloco abaixo, para que você conhecer bem o que está se propondo.

Agradeço desde já a sua participação desta cruzada cidadã, cívica e cultural.

Ricardo Vidal

Está na hora de unir esforços pela sensibilização dos nossos representantes em Brasília para a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional - PEC 150/03, que determina a vinculação de 2% dos recursos do Orçamento da União, 1,5% dos estados e 1% dos municípios à preservação do patrimônio cultural brasileiro e à produção e difusão da cultura nacional. União terá ainda que dividir 50% de sua cota da Cultura com as outras unidades da Federação - 25% com os estados e 25% com os municípios.

Como forma de valorização do patrimônio cultural e desenvolvimento da produção e da economia da cultura em nosso país essa vinculação, que já ocorre em outras áreas como saúde e educação, precisa ser adotada imediatamente no Brasil.

PROPOSTA DE EMENDA À CONSTITUIÇÃO Nº DE 2003

(Do Srs. PAULO ROCHA , GILMAR MACHADO, ZEZEU RIBEIRO,FÁTIMA BEZERRA e outros)

Acrescenta o art. 216-A à Constituição Federal, para destinação de recursos à cultura

As Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, nos termos do § 3º do art. 60 da Constituição Federal, promulgam a seguinte Emenda ao texto constitucional:

Art. 1º É acrescentado o art. 216-A à Constituição Federal, com a seguinte redação:

"Art. 216-ª A União aplicará anualmente nunca menos de dois por cento, os Estados e o Distrito Federal, um e meiopor cento, e os Municípios, um por cento, da receita resultante de impostos, compreendida a proveniente detransferências, na preservação do patrimônio cultural brasileiro e na produção e difusão da cultura nacional.

§ 1º - Dos recursos a que se refere o Caput, a União destinará vinte e cinco por cento aos Estados e ao Distrito Federal, e vinte e cinco por cento aos Municípios.

§ 2º - Os critérios de rateio dos recursos destinados aos Estados, ao Distrito Federal, e aos Municípios serão definidos em lei complementar, observada a contrapartida de cada Ente.

Art. 2º Esta Emenda entra em vigor na data de sua publicação.

JUSTIFICAÇÃO

A exemplo do que já ocorre nas áreas de educação e saúde, a valorização da cultura nacional depende de um decisivo e continuado apoio governamental . Esta é também a regra no resto do mundo, ou, pelo menos, nos países em que a cultura é considerada como um valor a ser preservado e promovido No nosso caso, em particular, o financiamento do Estado tem outra importante função, qual seja a se equalizar o acesso e democratizar os benefícios dos produtos culturais, disseminando-os entre os segmentos excluídos da sociedade. Estas manifestações não podem ser inteiramente privatizadas, e as pessoas de baixa renda ou da periferia não podem ser simplesmente excluídas. Nem se pode admitir que a cultura seja apenas um acessório. A cultura tem que ser entendida como espaço de realização da cidadania, da superação da exclusão social e como fato econômico, capaz de atrair divisas para o país e, internamente, gerar emprego e renda. Assim compreendida, a cultura se impõe, desde logo, no âmbito dos deveres estatais. É um espaço onde o Estado deve intervir. Mas não segundo a velha cartilha estatizante, mas como um formulador de políticas públicas e estimulador da produção cultural A opção para o atendimento a esta necessidade reside na vinculação de receitas - apenas tributárias, apenas de impostos - aplicando parte delas e transferindo outra para os demais Entes, possibilitando, inclusive, a adoção de programas nacionais, sob a forma de participação conjunta. Por estas razões, espero o amplo e decidido apoio de meus Pares.

Deputado Paulo Rocha (PT/PA), Deputado Gilmar Machado (PT/MG), Deputado Zezeu Ribeiro (PT/BA), Deputada Fátima Bezerra (PT/RN)

LINK http://www.abaixoassinado.org/abaixoassinados/3958

Domingo, 22 de Março de 2009

Fragmentos de um diario - o choro de Nietzsche


Hoje, noite de sábado para domigo, fiquei sozinho em casa. Meus pais foram um encontro de motos em Alagoinhas e meu irmão caçula caiu na farra e até agora não voltou. Fiquei só, com o apartamento todo para mim. Meu reino, meu castelo, meu domínio. 

Quem apostou que eu fiquei o tempo todo na frente do computador se enganou. Liguei a máquina e deixei-a baixando algumas músicas pelo e-mule. Não haveria ninguém para me perguntar irritantemente "Quem deixou o computador ligado sozinho, desperdiçando energia?". Deixei a máquina e fui ler. Abri um anuário para reciclar meus conhecimentos... Mas tarde, fui para o quarto dos meus pais, liguei a TV a cabo e qual foi minha surpresa que vi na tela "Quando Nietzsche chorou". Caramba! Adorei o filme! Ainda estou em estado de êxtase, ao ver neste encontro fictício de Nietzsche e Dr. Breuer o nascimento da psicanálise, citações do "Assim Falou Zaratustra"(como a do chicote, para tratar as mulheres), trechos de músicas clássica, reconhecer certos personagens como Lou Andreas von Salomé ou o ator Bem Cross (que fez o papel de Abraham em "Carruagens de Fogo"). Faz tempo que eu não assistia na TV um filme que me surpreendesse tanto e me deixasse pensando depois e excitasse minha mente.

Bem, falo deste excitamento porque uma outra coisa me veio a mente: quanta vezes eu fico alienado sobre lançamento de filmes e livros. Claro que eu sabia do livro - que vi vendendo nas livrarias e estava nas listas dos mais vendidos - e de que foi lançado em filme. Também dou o desconto de que este filme, ao que parece, só saiu em vídeo. Mesmo assim, eu me espanto quando vejo que várias obras artísticas boas passam desapercebidas pelo meu nariz! Claro que ha aí um ponto a se considerar: o ambiente onde vivo atualmente não seria o mais fecundo a novidades intelectuais. O que esperar de uma rotina em que um pai vem empre com a mesma conversa de carros , uma mãe que só comenta sobre BBB ou os programas de fofocas da TV e um irmão que passa quase que a semana toda calado? O que esperar de uma casa não há assinatura de jornal e/ou revista impressa, em que e possa ler as resenhas dos cadernos culturais? Incrível como eu perco muitos debates ou só dou conta de um livro ou um filme muito tempo depois de lançado! E ainda assim, para algumas pessoas eu pareço antenado, o que me permite ser um imã de Trimalciões - há sempre um conhecido que, tentando se passar por intelectualizado, vem sempre para perto de mim e fala asneiras como o porquê de "O Código da Vinci" ou "Operação Cavalo de Tróia" serem fatos reais corajosamente reveleados pelos autores - ou que tal livro de auto-ajuda é uma pérola de sabedoria e iluminação, superior a todos os escritors de Freud, Marx,Goëthe e Nietzsche...

Mudemos de assunto... Quantas vezes a Natureza é permitido criar um novo Nietzsche, um novo Van Gogh ou um novo Fernando Pessoa por geração? Quantas vezes os grandes gênios são aqueles que passam desapercebidos e que estão lutando pelo seu lugar ao Sol? Sempre me pego pensando nisso. Um poucopor vaidade, talvez, mas fico imaginando: será que algum conhecido meu está fadado a isso, a ser um gênio incompreendido que nasceu póstumo? Será que não tive nenhum professor na adolescência ou colega de universidade que no futuro será lembrando como um pensador revolucionário , um cientista visionário, um artista fundandor de tendências? Ou falando dos outros eu queria falar de mim?

Mas esqueçamos disto. O importante é sentir meu espírito livre, descobrir que muitos fatos da vida são humanos, demasiadamente humanos, e estão a espera de uma aurora, além do bem e do mal, que traga a gaia ciência do andarilho e sua sombra que irá explicar o nascimento da tragédia no espírito da música. Deste modo, ao presenciaria o crepúsculos dos ídolos. Assim falou Zarastutra.

Bem, fica o convite para reler as obras do Nietzsche. Numa época em que vive-se o ocaso das mulheres-frutas ou se aguarda a próxima celebridade ou factóide que alimente os jornais, livros como "o Anticristo", "Ecce homo" e "Assim falou Zaratutra" são um refúgio para espíritos realmente livres...

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Um P.S. importante: terminar minha resenha sobre o livro de Renata Belmonte... O tempo urge!

Sábado, 21 de Março de 2009

Noticias do Reino de Jambom - Srta B

Renata Belmonte e Állex Leila, 17 de março de 2009
Noite de autógrafos e lançamento dos livros
"Vestígios da Senhorita B" e "O Sol que achuva apagou"

Terça-feira passada foi festa no reino de Jambom: Senhorita B chegou de viagem. Numa visita rápida, mostrou os vestígios por onde passou. Um vestido. Uma cama. Um livro... R Vidal ficou feliz em ver sua e-amiga... De seu Castelo, lançou fogos saudando sua amiga.


Já na ficção da vida civil, a noite de autógrafos na livraria "Tom do Saber" foi ótima!!! Além do lugar ser super-agradável (indicação para o "Café Bombom"), foi bem rever Renata Belmonte. O livro dela, "Vestígios da Senhorita B" é envolvente na sua escrita. Minha e-amiga, obrigado pela lembrança no final do livro e sucesso!!!


01) INDICAÇÃO DO BARDO: Leia o livro, assitam ao curta e acompanheem o blog "Vestígios da Senhorita B". Multimídia da mais alta qualidade.

02) INDICAÇÃO DO BARDO: Leia o livro "O Sol que a chuva apagou", de Állex Leila.

Segunda-feira, 16 de Março de 2009

Rio Una em Soneto

Rio Una em Soneto[1]

Valença; 13 de março de 2009

Rio Una de negros sonhos
Que se esvai pelo infinito,
Procuro em teu espelho
Um poema azul já perdido.

Rio Una guardião e barco ébrio
Que pela tua luz esquecida
Guarda as lágrimas do passado
De uma cidade, da razão, perseguida.

Rio Una amigo, pai e fundador,
Rio Una de portos, amores e adeuses,
Rio Una de lares, fogos e saudades.

Rio Una meu futuro sorridente,
Rio Una sátiro lírico e surreal,
Sensual como um soneto fremente

*******************************
[1] Poema escrito como resultado da Oficina de Introdução a Poética e Métrica, ministrada por Geraldo Maia. Centro de Cultura de Valença, tarde de sexta-feira 13 de março de 2009, 03ª Edição da Ocupação Cultural.

Segunda-feira, 9 de Março de 2009

Que venha as flores - Ricardo Vidal e Adriano Pereira

Que venham as flores

Ricardo Vidal e Adriano Pereira

Felizmente, muito se tem falado sobre a “Ocupação Cultural”, iniciativa que surgiu e se mantêm simplesmente pela vontade de se fazer algo por Valença e pela nossa Cultura.
Cansamos de reclamar da falta de opções sem fazer nada. Deixamos a comodidade dos braços cruzados para assumir os riscos de se realizar o projeto – que felizmente está frutificando rápido. Usando uma linguagem “contemporânea”, resolvemos ser “pro-ativos”. Se for pra reclamar, que outros reclamem do que fazemos. Mas, não ficaremos lamentando, sem fazer nada!
A OCUPAÇÃO CULTURAL surgiu como uma provocação. Ocupar espaços. Ocupar o tempo. Preencher vazios… Quais vazios? Vazio de Gente. Vazio de Beleza. Vazio de Sensações. Vazio de Cultura. Ocupar a mente com o belo. Ocupar a vida com a arte. Ocupar os espaços públicos com o povo. Ocupar sem culpas aquele lugar que é nosso de direito.
O que pretende então a ocupação? Todas as artes sem censura. Todas as falas e sons sem medo. Todas as visões sem dogmas. Todos os movimentos sem divisões. Todas as imagens sem vergonha. Pretende que arte seja parte do cotidiano de nossa Valença.
No momento falta-nos tempo e espaço para analisar e descrever a grandeza que tem sido cada ocupação. Daremos apenas uma descrição sumária para quem ainda não participou entenda o funcionamento e se sinta convidado a comparecer.
A “Ocupação Cultural” acontece quinzenalmente as sextas, no Centro de Cultura, a partir das 18 horas. O espaço é aberto gratuitamente para declamação de poesias, performances, números de dança, música, exibição de curtas-metragens ou qualquer atividades artística. Todos os artistas estão convidados para expor seu trabalho durante a Ocupação Cultural.
Convidamos também a população valenciana que venha prestigiar as apresentações dos nossos artistas. Chame seus amigos, colegas, namorada, família… Abandone o poluído ambiente (infestado pelo som dos carros, música de qualidade duvidosa e feiúra) e venha deliciar-se, divertir-se, curtir uma conversa agradável, beber e degustar (em ambos os sentidos – uma vez que a cantina do Centro também estará aberta, servindo petiscos). O ambiente é para todas as idades.
Nesta sexta-feira, 13 de março, serão homenageados especialmente os baianos Castro Alves e Glauber Rocha. E contaremos com a presença do poeta soteropolitano Geraldo Maia.
Como falamos acima, outro dia analisaremos o que aconteu. Limitamo-nos a confirmar que todos que comparecem à OCUPAÇÃO CULTURAL, têm saído renovados e rejuvenescidos, querendo mais e dispostos à retornar.
Agradecemos o apoio recebido e reforçamos o convite para que todos venham conferir!
E “pra não dizer que não falei das flores”, parodiando Vandré: “Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”!

Sexta-feira, 6 de Março de 2009

LANCAMENTOS: Cartas Bahianas 17-marco2009






Para quem gosta de boa literatura e queria se interar do que tem bom sendo produzido pelos baianos de hoje, dia 17 de março é a data. Entre as 19h e 22h, na livraria Tom do Saber, serão lançados os livros "Vestígios da Senhorita B." (Renata Belmonte) e "O sol que a chuva apagou" (Állex Leilla), como parte da série "Cartas Bahianas".

Renata Belmonte é baiana de Salvador, escritora formada em Direito. É autora dos livros de contos "Femininamente" e "O que não há de ser". Edita o blog "Vestígio da Senhorita B" - parte do projeto que também inclue o livro e vídeo homônimos. Állex Leilla é baiana de Bom Jesus da Lapa, escritora com Mestrado em Letras. É autora do livros "Obscuros", "Urbanos" (contos) e "Henique" (Romance). Edit o "blog de Allex Leila". Ambas participaram da antologia "Outras Moradas".

Imperdível! Tanto os blogs como as autoras!

Biblioteca do Bardo Celta (Leituras recomendadas)

  • Revista Iararana
  • Valenciando (antologia)
  • Valença: dos primódios a contemporaneidade (Edgard Oliveira)
  • A Sombra da Guerra (Augusto César Moutinho)
  • Coração na Boca (Rosângela Góes de Queiroz Figueiredo)
  • Pelo Amor... Pela Vida! (Mustafá Rosemberg de Souza)
  • Veredas do Amor (Ângelo Paraíso Martins)
  • Tinharé (Oscar Pinheiro)
  • Da Natureza e Limites do Poder Moderador (Conselheiro Zacarias de Gois e Vasconcelos)
  • Outras Moradas (Antologia)
  • Lunaris (Carlos Ribeiro)
  • Códigos do Silêncio (José Inácio V. de Melo)
  • Decifração de Abismos (José Inácio V. de Melo)
  • Microafetos (Wladimir Cazé)
  • Textorama (Patrick Brock)
  • Cantar de Mio Cid (Anônimo)
  • Fausto (Goëthe)
  • Sofrimentos do Jovem Werther (Goëthe)
  • Bhagavad Gita (Anônimo)
  • Mensagem (Fernando Pessoa)
  • Noite na Taverna/Macário (Álvares de Azevedo)
  • A Casa do Incesto (Anaïs Nin)
  • Delta de Vênus (Anaïs Nin)
  • Uma Espiã na Casa do Amor (Anaïs Nin)
  • Henry & June (Anaïs Nin)
  • Fire (Anaïs Nin)
  • Rubáiyát (Omar Khayyam)
  • 20.000 Léguas Submarinas (Jules Verne)
  • A Volta ao Mundo em 80 Dias (Jules Verne)
  • Manifesto Comunista (Marx & Engels)
  • Assim Falou Zaratustra (Nietzsche)
  • O Anticristo (Nietzsche)

Galeria do Castelo - Gustav Klimt

Galeria do Castelo - Pinup Girls

Galeria do Castelo - Vintage Art

Galeira do Castelo - Arte Japonesa