Sua Majestade, O Bardo

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Valença, Bahia, Brazil
Escritor e Professor de Literaturas Anglófonas. Autor do livro "Estrelas no Lago" (Salvador: Cia Valença Editorial, 2004) e coautor de "4 Ases e 1 Coringa" (Valença: Prisma, 2014). Licenciado em Letras/Inglês pela UNEB-Campus Salvador. Falando de mim em outra forma: "Aspetti, signorina, le diro con due parole chi son, Chi son, e che faccio, come vivo, vuole? Chi son? chi son? son un poeta. Che cosa faccio? scrivo. e come vivo? vivo."

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Outono II


Valença, 20 de maio de 2012 (06h08)

Treze rosas, treze tílias, treze edelweiss
Eu te ofereço dentro de um arco-íris,
Para que os jardins amanheçam doces
Nesta sinfonia de desejos que teu coração
Entoa quando nos amamos em nosso leito.

Treze risos, treze sonhos, treze beijos
Eu enfeito tua boca ávida de amor,
Enquanto treze estrelas dançando
Seu último brilho antes do amanhecer
Encontrar-nos enlaçados em nosso leito.

Treze vinhos, treze orgasmos, treze suspiros
As fadas espalham como orvalhos róseos
Que os marimbondos de fogo fecundam
Os sonhos carmim do luar macio de Rivendell,
Que irá nos cobrir suavemente em nosso leito.

Treze versos, treze canções, treze valsas
Esta Lua soberana tocará em seu violino
Sideral, quando os cometas trazem o cetim
Da poeira das estrelas cadentes, que irá
Ninar a fria noite de outono em nosso leito….

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Resolução


Valença, 17 de maio de 2012 (03h28)

Ao norte, a Ordem;
Ao sul, a cerca.
E eu, aqui, preso.
Ao norte, o Muro;
Ao sul, a certeza.
E eu, aqui, em silêncio.
Ao norte, a acomodação;
Ao sul, a mediocridade.
E eu, aqui, enclausurado.
No horizonte o desejo,
A possibilidade, o talvez…
E eu, aqui, parado.

Eu quero os trezes orgasmos,
O fogo perene, a liberdade!
Romper os grilhões do tédio,
Eu quero a ambição,
De voar na imensidão.
Eu quero estar dentre as estrelas,
Galgar o Mons Olympus,
Quero tocar o Sol com meus lábios,
Quer até (se for o caso do acaso)
Tombar com as asas de Ícaro,
Mas construir meus caminhos
Com os meus passos…

Nasci para ser Gigante
E conquistar os astros.
Ser ao Adamastor de granito
De minhas tormentas.
Ser o Senhor de minhas sendas,
O imperador de meu destino,
E autor da minha epopéia.

Sei que aqui
Também há a ternura,
Também há cobertura,
Também há a abertura.
Mas prefiro correr o risco
E ir atrás de minha lenda.
Que seja o rio ou o mar,
Que seja o deserto ou a serra,
Que seja a rosa ou espinho,
Que seja mesmo até a não-rosa!
Mal mas meu, com minhas mãos
Quero plantar as léguas
Que deslumbrarei meu caminho
E fundarei meus mils horizontes!


Não adianta o muro.
Não adianta a cerca,
Não adianta as grades,
Não adianta nem mesmo a seca,
Meus olhos estão firmes
E só sei que minh’alma
É livre e quer o além…

E mesmo que no Norte
Haja a Ordem ou a Certeza.
Mesmo que no Sul
Esteja o muro ou o Não
Sei que aqui não ficarei enclausurado.
Peregrino de meus sonhos,
Continuarei livre
E andando
E andando
E andando…

Canção do Sabiá


Valença, 17 de maio de 2012 (03h07)

Sabiá, jasmim alado do jequitibá,
Triste é o teu canto só na janela.
Tristes são teus bemóis, teu dó, teu fá,
Triste é o horizonte azul que esfacela
Distante, por detrás do vidro cor de âmbar.

Sabiá, tua cantilena é de saudades
Sinceras do velho e doce sertão.
Saudades de quem sonha a liberdade,
De voar alto, tão alto na imensidão,
Que toda alegria se resumiria nesta verdade.

Ah, meu sabiá amigo que te quero bem.
Dou-te abrigo, dou-te comida, dou-te carinho,
Dou-te até orquestra sem te cobrar um vintém!
Para que aqui se sintas em teu próprio ninho
E não te preocupes com tormenta que vem…

Mas, sabiá, sei que tua alma não nasceu
Para ficares em claustro ou ambiente mesquinho.
Tuas asas querem mais, querem o céu que é teu,
E muito mais que o velho e pequeno ninho…
Sabiá, para ti que o céu foi criado por Deus.

Por isso sabiá, olhe pela janela, para o horizonte.
As janelas estão abertas para teu vôo, sabiá!
Aproveite a oportunidade! Não te escondes
Em meio ao teu triste e ranzinza cantar.
Voe! Alto e veloz, voe feroz como pterodonte!

Voe como o albatroz! Voe como a águia ou o condor!
Do alto de teus talentos seja o alado profeta
Que transforma em melodia a alheia dor.
Dos corações apaixonados seja o estafeta,
Seja o alquimista a transmutar solidão em amor.

Sabiá, tu que nasceste para servir a Beleza,
Esqueça teu gueto de lamúrias e vá saudar
Tua liberdade. Para trás deixe a tristeza
Enterrada no passado e com teu cantar
Ilumine as trezes luas que regem a Natureza.

Segue livre teu caminho, meu doce sabiá,
Segue teu vôo em busca de tua estrela.
Mas não s’esqueça de quem ouvir cantar
Triste, com os olhos perdidos através da janela
De quem te admira por detrás do vidro cor de âmbar.

Descompasso


Valença, 10 de maio de 2012 (23h30)

No fundo eu sou uma criança e um ogro,
Labirinto onde se perdeu o homem maduro
E cujo coração parte-se com mil fagulhas.
Sou dois dragões de gelo e fogo a se degladiar
No horizonte impossível das rosas,
E cujos relâmpagos queimam inocentemente
Os jasmins que tanto amei no outono.
Trago nas palavras
Uma doçura que fere
E uma faca que afaga.

Sou um Gigante de vidro que desmorona
Com a primeira brisa do outono
E corta cegamente sem sentir a dor alheia.
Gigante, tu nunca fostes domado
E ainda vive como se um Jardim do Éden
Existe-se alhures no Himalaia.
Sabe que tuas pegadas esmagam
E que, quando tu queres, esmagam mesmo!
Mas nem sempre esmagas por quereres…
Ah, Gigante de vidro e vulcão,
Criança que perdeu o bonde na infância!

Labirinto de idades e emoções,
Assim meu coração corre pelos anos,
Lua e Sol que nunca se reconciliam
E a cada estação vai criando eclipses.
A cada estação vai moldando as fases
E neste vai e vem de emoções,
Meu coração. ele gira e gira e gira. E girando,
Pendem sobre o infinito a criança e o ogro…

terça-feira, 8 de maio de 2012

Outono


Valença, 02 de maio de 2012

Trezes estrelas brilham no outono,
Enquanto meus olhos deliram no horizonte.
Outono! Estação dos sonhos. Estação dos beijos…
Treze fogueiras acesas no infinito
Inscrito quando as folhas caem frias
Como o vento moleque nas campinas,
Que brinca com o sorriso morno e estelar
De tuas faces vermelhas.
Teus sonhos de feli(cidade)
São como frutos
Doces que explodem suas delícias
Numa fogueira perdida no outono.
Ah, como meus olhos crispam como pirilampos
Quando a noite cai como treze notas musicais,
Treze canções escarlates,
Treze beijos de quimeras,
No meio do horizonte sereno da madrugada…

Biblioteca do Bardo Celta (Leituras recomendadas)

  • Revista Iararana
  • Valenciando (antologia)
  • Valença: dos primódios a contemporaneidade (Edgard Oliveira)
  • A Sombra da Guerra (Augusto César Moutinho)
  • Coração na Boca (Rosângela Góes de Queiroz Figueiredo)
  • Pelo Amor... Pela Vida! (Mustafá Rosemberg de Souza)
  • Veredas do Amor (Ângelo Paraíso Martins)
  • Tinharé (Oscar Pinheiro)
  • Da Natureza e Limites do Poder Moderador (Conselheiro Zacarias de Gois e Vasconcelos)
  • Outras Moradas (Antologia)
  • Lunaris (Carlos Ribeiro)
  • Códigos do Silêncio (José Inácio V. de Melo)
  • Decifração de Abismos (José Inácio V. de Melo)
  • Microafetos (Wladimir Cazé)
  • Textorama (Patrick Brock)
  • Cantar de Mio Cid (Anônimo)
  • Fausto (Goëthe)
  • Sofrimentos do Jovem Werther (Goëthe)
  • Bhagavad Gita (Anônimo)
  • Mensagem (Fernando Pessoa)
  • Noite na Taverna/Macário (Álvares de Azevedo)
  • A Casa do Incesto (Anaïs Nin)
  • Delta de Vênus (Anaïs Nin)
  • Uma Espiã na Casa do Amor (Anaïs Nin)
  • Henry & June (Anaïs Nin)
  • Fire (Anaïs Nin)
  • Rubáiyát (Omar Khayyam)
  • 20.000 Léguas Submarinas (Jules Verne)
  • A Volta ao Mundo em 80 Dias (Jules Verne)
  • Manifesto Comunista (Marx & Engels)
  • Assim Falou Zaratustra (Nietzsche)
  • O Anticristo (Nietzsche)