Sua Majestade, O Bardo

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Valença, Bahia, Brazil
Escritor, autor do livro "Estrelas no Lago" (Salvador: Cia Valença Editorial, 2004) e coautor de "4 Ases e 1 Coringa" (Valença: Prisma, 2014). Graduado em Letras/Inglês pela UNEB Falando de mim em outra forma: "Aspetti, signorina, le diro con due parole chi son, Chi son, e che faccio, come vivo, vuole? Chi son? chi son? son un poeta. Che cosa faccio? scrivo. e come vivo? vivo."
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sábado, 18 de abril de 2015

A ambiguidade narrativa em Dom Casmurro

A ambiguidade narrativa em “Dom Casmurro

  O enredo de Dom Casmurro, de Machado de Assis, centra-se em uma dúvida: Capitu traiu ou não seu esposo Bentinho com Escobar, melhor amigo dele? O Bruxo do Cosme Velho escreveu uma história tão ambígua que não há como se ter uma certeza absoluta – motivo pelo que o “Julgamento de Capitu” tornou uma espécie de “hit” entre as avaliações de Literatura no Ensino Médio. Contudo, a grandeza dessa obra transcende à questão da “culpabilidade ou inocência” de Capitu, pois essa grandeza está na própria ambiguidade em que foi construída a história.

  Quando Machado de Assis escreveu seu famoso romance, o tema do adultério estava em voga: Madame Bovary, de Gustave Flaubert; Ana Karênina, de León Tolstói e O Primo Basílio, de Eça de Queiroz aparecem como uma pequena amostra de como o tema foi, como reação às histórias de “Amores Românticos”, em que as agruras passadas apenas solidificarem um amor eterno, fiel e sincero a ser recompensado no final. Os escritores realistas contrapõem a perspectiva de que o relacionamento amoroso pode ser mais complexo, com a possibilidade de o amor possa ser finito, infiel e com lapsos de dissimulações. A rotina do casamento mostra que nem tudo são flores – antes, existem espinhos que ferem e fantasma da dúvida se apresenta como terror frequente, como pode ser visto nos três romances supracitados. Contudo, em todos eles existe uma certeza: a mulher foi infiel e por isso - condenada. É diante dessa constante que Machado de Assis apresenta um diferencial, ao apresentar outro prisma ao tema.

  A resposta ao amor romântico que Machado de Assis apresenta não é um relato de uma mulher que, devido à frustração do casamento, se envolve numa extraconjugal que levará a condenação moral. Dom Casmurro se apresenta como uma história do ciúme de tal proporção que se levanta a suspeita de uma traição. O narrador, Bentinho Santiago velho e ressentido, rememora os fatos de sua juventude que levaram ao namoro, casamento e separação de Capitu, procurando a todo custo em condená-la de forma obsessiva. O leitor MUITO DESAVISADO é então levado a concluir que Capitu é culpada, através da leitura superficial do romance.

  Em uma leitura mais atenta, no entanto, percebe-se a parcialidade como a história é contada: Em nenhum momento se ouve a fala independente dos demais personagens (já mortos quando a história é contada – principalmente Escobar e Capitu, principais envolvidos nessa trama). Outro fato é que o velho Bentinho não apresenta provas concretas, apenas suposições forjadas na interpretação pessoal que ele faz dos fatos (como no caso da aparente semelhança entre Escobar e seu filho Ezequiel). E se juntar, no final, um personagem-narrador cujo caráter é de uma pessoa ressentida, dominada pelas mulheres e sem grandes referências masculinas para forjar seu ego e que é assombrados pelos seus fantasmas da dúvida (como pode-se se observar nos primeiros capítulos, onde se descreve a atual casa do Dom Casmurro e nos detalhes, estão os bustos de grandes homens da histórias que foram traídos), chega-se a situação de que ESSA versão da história, não corresponde totalmente à “verdade dos fatos” e que, portanto, poderia se descartar juridicamente do auto do processo contra Capitu. 

  Ora, descartar essa narrativa não inocenta simplesmente Capitu - e esse é o golpe de mestre que o autor dá aos seus leitores, ao não apresentar uma resposta definitiva sobre o tema. Machado de Assis mostra que, de toda essa putativa querela da culpabilidade ou inocência da personagem feminina, sobrou apenas um texto soberbo de ficção centrada na ambiguidade narrativa.

  Desse modo, percebe-se Machado de Assis justifica sua condição de grande escritor brasileiro, ao retomar o velho tema da traição para criar uma obra-prima sobre o tema do adultério, cuja análise mais superficial está em condenar ou não Capitu. Em contrapartida, a História e a Literatura já deu se veredito a esse romance machadiano, ao elencá-lo como uma aula de como escrever um romance deliciosamente ambíguo.

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Fogo de Beltane

Fogo de Beltane

Valença; 1º de fevereiro de 2015 (04h19)

O bardo dança em volta da estrela cristalina,
Vendo faíscas e fogos saltitando na escuridão.
Sortilégios ele entoa na sua cornamusa ferina,
Enquanto seus versos conquistam a imensidão.

Noite de mistérios quentes como uma turmalina
Colhida nalgum templo perdido no Hindustão,
Beltane é tempo de fogueira sagrada e feminina,
Quando poesia e magia, sobre o luar, se unirão.

O bardo rouba a música de cada esfera celestial,
Desafia todos os cometas com seu cantar fremente,
Com suas estrofes faz serenar ventanias e trovões.

E o bardo dança e delira! Vibra com força marcial,
Rompendo cada fibra de suas entranhas ardentes,
Para fustigar os deuses com o mel de suas canções.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Soneto dos Neutrinos

Soneto dos Neutrinos
(para meus amigos Guga Borges e Suzana Andrade)

Valença; 19 de janeiro de 2015 (21h01)

No coração de alguma estrela, pulsos eletromagnéticos
Rompem uma artéria quântica. E dela, um neutrino
Vagabundo atravessa a fotosfera na velocidade da luz
E começa a vogar calmo pelas curvas do espaço-tempo.

Passeia entre píons e gluínos, elétrons e gravitinos,
Dança boleros cósmicos com as demais subpartículas.
É simples energia concentrada alternando a Gravidade
E a Força Fraca como motor de sua nano-existência.

Os neutrinos não são animados pelas ilusões humanas,
Não se acham o único centro privilegiado da Criação,
Não se prendem à hipocrisia pequeno-burguesa, nem
São mesquinhos e egoístas como aristocratas decadentes.

Os neutrinos apenas prosseguem sua cavalgada espacial,
Sem pensamentos, sem sentimentos e sem sofrimentos.

P:.

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Soneto Navegante

Soneto Navegante

Baia de Todos os Santos; 29 de dezembro de 2014

Mãe Iemanjá, em teu leito um barco branco
Passeia como uma pluma massageando
Teus azuis e tuas vagas. É doce encanto,
De sereias venusianas aquífero acalanto.

Nele vejo meu sonho galáctico como veleiro,
Dentre ondas de neutrinos vogando ligeiro,
A procurar na eternidade d'um porto passageiro
Para descansar este meu coração guerreiro.

Quero esquecer que na terra existem detritos
Mentais, preconceitos e galimatias rasteiras,
Maculando a Existência como triste afronte.

Pois o mar e o céu são dois gigantes infinitos,
Territórios onde quero fincar minha bandeira
E fundar meus impérios par’ além do horizonte.


P:.

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Dos livros valencianos que Valenca ignora

Dos livros valencianos que Valença ignora

Valença; 25 de novembro de 2014 (20h08)

Eu reorganizava minha biblioteca quando me deparei com um problema maquiavelicamente agradável: a quantidade de livros de autores do Baixo Sul crescera de tal forma que não cabem mais em uma prateleira de literatura baiana. Tinha que organizar uma prateleira específica para os autores de minha terra. 
Em uma análise superficial, alguém poderia creditar o fato a atual fase alvissareira, em que os autores de nossa terra têm publicado muitos livros em um período muito curto de tempo: algo como um novo livro a cada seis meses. Só em 2015 Valença viu o lançamento de oito novos livros, cinco dos quais compõe a “Coleção do Baixo Sul”. Contudo, como me referi antes, isso é uma análise superficial, pois a outra fonte de “novas” aquisições para minha biblioteca foi o garimpo nos sebos e são desses livros que eu gostaria de falar mais amiúde. Depois de horas e horas na frente do computador, conseguir achar algumas raridades de cair o queixo. Vejamos algumas:
Do Conselheiro Zacarias (cujo bicentenário de nascimento comemora-se no ano que vem) conseguir comprar duas obras: um volume com a coleção completa de seus discursos parlamentares e o seu tratado político “Da natureza e limites do poder moderador”. Seus discursos comprovam o porquê de ter recebido comentários favoráveis de Machado de Assis e Humberto de Campos: uma verdadeira aula de como debater política em alto nível, mesmo nos ataques cáusticos aos adversários. Sua obra-prima ajuda a entender não apenas o que se passou no meio do segundo reinado, como qual era mentalidade de parte da elite brasileira da época.
Igualmente interessantes são os escritos de Fábio Luz. Como o romancista, “Elias Barrão” e “Chica Maria” (1915) mostram um autor que analisa a realidade social do Brasil do início do século XX com a pena de um poeta na prosa. Mas o que esperar do erudito crítico literário que escreve “A Paisagem no Conto, na Novela e no Romance” (1922)? Basta dizer que, no último, nosso conterrâneo cita obras indianas e polonesas com a intimidade de quem conhece profundamente a literatura do mundo. Pena que é cada vez mais difícil achar seus outros livros – como suas obras-primas “Ideólogo” e “Os Emancipados”.
Durante as manhãs que passei no Memorial da Câmara (e nisso fico grato das boas conversas que tive com Janete Vomeri) descobri a indicação de três tesouros: a fotocópia do “Esboço Histórico do Município de Valença” (1918), de Manoel de Cunha Lopes e Vasconcelos; os poemas de Elmano Amorim e a prosa de Galvão de Queiroz (o jornalista, não o marechal - apesar de homônimo). De Elmano pude adquirir a edição autografada do “Luar de Agosto” (1967). Do jornalista (Inocêncio) Galvão de Queiroz consegui comprar seus livros infantis “Os Sinais Misteriosos” e “O pinguim que veio do frio”, além das suas traduções de “As alegres noites de Mont-Martre” de Maurice Dekobra e “A Besta Humana” de Émile Zola. Sei que há mais livros e traduções de Galvão de Queiroz (como os seus livros de contos “Caíva” e “Um punhal no coração”) e espero ter um golpe de sorte de acha-los nas poeiras de algum sebo… Golpe de sorte que me levou a “A Synthese Universal”, de Dr. Aristides Galvão de Queiroz. O livro de Aristides (de quem tenho dúvidas ainda se ele é tio ou tio-avô do jornalista) é um douto comentário sobre a Razão e a Fé, resgatando o papel da religião na sociedade. Consegui a edição original de 1880, com dedicatória a S.A.I Conde D’Eu. 
Fascinantes também são os livros do médico valenciano Prof. Alício Peltier de Queiroz: “A frigidez sexual da mulher” (1961) e “O problema clínico do retro-desvio uterino” (1943); o ensaio “Em busca de uma constituição: esboço de um ensaio de política objetiva” (1972) do ex-prefeito Admar Braga Guimarães e os dois volumes que compõe “Compêndio Narrativo do Peregrino das Américas”, de Nuno Marques Pereira. Esse autor teria nascido em Cairu no meado do século XVIII e escreveu o embrião do romance e da filosofia brasileira. Atualmente a Academia Brasileira de Letras edita esse livro, como parte da coleção Afrânio Peixoto.
É com um misto de admiração e tristeza que vejo quantos livros excelentes foram produzidos por valencianos (naturais ou adotados). Admiração em ver que a produção editorial de nossa terra é muito rica e possui uma tradição que até ajuda a explicar porque vivemos esse período de supernova literária. Mas é com tristeza que, descubro o quanto a nossa história e nossa memória tem sido negligenciada aqui em Valença. Diante dessa triste constatação, fica a suspeita: quais outros autores de nossa terra estão aí, esperando o momento para serem descobertos e, quiçá, serem reeditados?

domingo, 19 de outubro de 2014

Quase Escritores, 20 anos depois

Quase Escritores, 20 anos depois
(para minhas alunas e poetisas Tanile e Mayse, com o desejo de nunca parem no "quase")

Valença, 19 de outubro de 2014 (00h39)

   Estou no meu escritório ouvindo as músicas de Rose Azevedo enquanto olho para as estantes de minha biblioteca. Na prateleira que dediquei à literatura de minha terra, dentre as obras de Zacarias de Góis e Vasconcelos, Fábio Luz, Galvão de Queiroz e meus confrades e confreiras da AVELA, está um livro de capa azul e título ousado: Quase Escritores. E fico pensando quantas águas passaram por debaixo da ponte nos últimos vinte anos que separam o lançamento desse livro e o momento que escrevo essa crônica.
   O livro em questão surgiu por iniciativa de minha mestra e confreira Rosângela Góes, como parte da Literarte – festival artístico promovido pelo Educandário Paulo Freire, no já distante ano de 1994 e que, além do lançamento do livro, houve uma palestra de abertura com Araken Vaz Galvão, exposição de trabalhos de artes dos alunos e um recital que se finalizou com um coral de professores e alunos e um “pocket-show” da professora Rose Azevedo. A antologia em questão era resultado de um concurso literário interno em que os alunos podiam inscrever até dois textos. Relembro-me desses fatos porque, dentre os textos escolhidos para o livro, está minha crônica “Saudades” (texto baseado em uma redação escrita por mim quando estudei a então oitava série do 1º Grau no Colégio Social de Valença, sob a orientação de profa. Dinalva Teles). Fora o meu primeiro texto publicado em livro e por isso, eterno motivo de orgulho. 
   Mas, ao lado de minha alegria pessoal, existe uma coisa que me deixa, não sei por que, reflexivo: o título nos anunciava com uma ousadia ímpar. Quase ES-CRI-TO-RES. Aqueles “aborrescentes” e “crionças” estavam sendo alçada a condição de futuros colegas de Castro Alves, Jorge Amado e Dias Gomes que apenas davam o primeiro passo, mas poderia se esperar vôos audazes nos futuro. Quiçá, poderiam ser eles um possível foco de renovação literária para nossa cidade - acaso eles cultivassem o hábito da escrita criativa e perseverassem no desejo de editarem mais e mais textos seus. No entanto, o que aconteceu foi que praticamente esses “quase escritores” passaram ao largo da trilha de Cervantes. São hoje profissionais de saúde, professores e advogados cujas mãos deixaram de empunhar a pena de Camões e a lira de Virgílio. Alguns sequer devem ter em casa uma cópia do livro ou se lembram dos textos que publicaram. E quanto as letras valencianas, elas vieram se renovar sim - mas pelas mãos de algumas das professoras que tão entusiasticamente proclamavam a admiração pelos primeiros textos de seus jovens participantes da antologia. 
   Por isso que fico até tentando a perguntar a profa. Rosângela: Cadê esses quase escritores hoje? Por que não vemos mais textos deles publicados? Será que valeu a pena, ao final das contas, o esforço ter publicado esse livro, quando vemos que praticamente ninguém mais seguiu a carreira literária? No entanto, minha intuição me adverte que, se algum dia que lhe fizer pessoalmente essa pergunta, a resposta estará na ponta da língua, nos versos de Pessoa: “Tudo vale a pena / se a alma não é pequena”. E alguns desses resultados estão aí: Vinte anos depois, a jovem professora que realizara o pocket-show gravou seu CD: Dom – Rose Azevedo se mostrou nele uma inspirada cantora e compositora. Um dos alunos que participou da antologia se formou em Cinema pela Universidade Federal Fluminense – Alan Barros  Nogueira atualmente escreve roteiro de filmes no Rio de Janeiro. E mais outro, que participou tanto do livro como do coral de alunos e professores, esse sim realmente virou escritor – Ricardo Vidal ganhou vários prêmios literários, publicou seu próprio livro e tornou-se o jovem confrade de suas mestras dentro da Academia. 
   As sementes artísticas lançadas por professoras Rosângela, Perpetinha e Raimundinha, de alguma forma, frutificaram. E quantas mais ainda irão frutificar?

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Farol dos Titas

Farol dos Titãs
(sobre um quadro de Junior da Hora)

Baia de Todos os Santos, 20 de dezembro de 2011 (21h49)

O manto negro da noite se estende
Como uma volúpia canibal sobre o voraz mar.
Eis que o farol rompe distante,
Mensageiro mastodôntico da ordem e do lar.

Teus olhos luminosos perscrutam
Como lanças trágicas para além do horizonte.
E as estrelas, no alto da noite,
Responde a estes fachos com risos e rimas.

Gigante de granito e ferro,
O farol está em pé com uma sentinela,
Ao largo da velha baia,
Gritando com sua luz sobre os perigos da vida.

Ah, titã solitário no seu orgulho!
Quem me dera que eu fosse sereno como tu!
Apesar das ondas serem navalhas
Nos teus pés, nada te impede de mirar a imensidade…

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Lua de Agosto

Lua de Agosto

Valença; 10 de agosto de 2014 (23h23)

Êsse luar que sôbre mim derrama
Diafaneidades e arrebatamentos (…)
Luar de Agôsto – Elmano Amorim

Por detrás das árvores do velho ginásio
Surge a Lua Gentil (vinda de um paraíso complexo),
Trajada com toda sua celeste majestade.
Surge como uma princesa prateada cingida de pérolas,
Subindo vagarosamente a escada de estrelas,
Puxando seu veludo negro e cobrindo o dia que fenece;
E o Sol, no extremo horizonte oposto,
Descansa de mais uma jornada de trabalho…
Lua que é super, soberba, sapiental;
Traz no gosto dos Agostos um tempero mais forte:
Sua tiara celestial se mostra mais formosa e cheia…
Diana Tropical, Tríplice Hécate dos poemas, 
Você aparece na janela de minha casa como convidada
E é quem reina nas minhas rimas cósmicas,
Com suas rosas marmóreas perdidas entre siderações,
Suave Luar de um Agosto infinito…

domingo, 25 de maio de 2014

Canção do Farol Mudo

Canção do Farol Mudo

Valença; 24 de maio de 2014 (03h59)

Sobre um sol ruivo na imensidão,
Meu farol se calou.
Cansou da indiferença das ondas
E teimosia das Naus.
Nos novos códigos de seu silêncio,
Resolveu-se se rebelar:
Será um falo iracundo no horizonte,
Zombando da vida,
Enquanto sorrir ternamente para as estrelas…


terça-feira, 29 de abril de 2014

Ode Patetica

Ode Patética

Ricardo Vidal
Salvador, 11 de setembro de 2003 
Meu coração é uma bandeira desfraldada
Em cima do infinito,
Que brada um grito aflito
Ao senhor dos céus, das terras e dos abismos.

É uma quimera suja solta no espaço-tempo,
A voar lenta e louca,
Com sua voz rude e rouca,
Pelas planícies sublimes de meus paroxismos.

É uma pantera a devorar tebanas esfinges,
Que se encontram perdidas
E jazendo esquecidas
Dentre os cometas arcanos da negra Alvorada.

Seja o que for, meu coração: tu, somente tu, 
Semente ou quimera,
Estandarte ou pantera,
Irás me acompanhar insigne até o misterioso Nada… 

sábado, 19 de abril de 2014

Rondó Marinho

Rondó Marinho

Vera Cruz, 15 de janeiro de 2014

Vamos ver o mar nesta manhã clara, ardente,
Veja com que carinho a praia quer beijar.
Elegante se forma em onda sorridente
Opulento, pomposo, na areia debruçar.
Noivado no Mar – Mustafá Rosemberg

O sorriso da sereia amanhece nas ondas,
Conduzindo o meu saveiro pela selvagem baía.
Sereias de pele de coral e olhos felinos,
Seus encantos são o farol negro onde deito meu cansaço,
São as pérolas raras que colho no sol nascente
Desse horizonte azul e morno tão puro.
Meu saveiro pescou no oceano mágico
De teus lábios um coração de raro coral
E, como um búzio de guerra de Krishna,
Anuncio nele, aos quatros ventos, o seu império.
Sereia, ao negro toque do agogô ancestral,
Quero navegar entre teus orgasmos felinos
E como meu tridente eu te levarei ao infinito.


Lições de Abril: revolução portuguesa e ditadura brasileira

Lições de Abril: revolução portuguesa e ditadura brasileira

Valença; 19 de abril de 2014 (00h56)

Duas datas em abril marcam profundamente a história política recente do Brasil e de Portugal, e que, nesse ano de 2014, leva a muitas reflexões sobre a importância de se construir uma democracia social e forte. Nessa sexta, dia 25, os portugueses comemoram os 40 anos da Revolução dos Cravos. E no primeiro de abril passados, os brasileiros relembraram os 50 anos do golpe que derrubou o governo constitucional de João Goulart e implantou a Ditadura Militar.
Em ambas as datas, a participação dos militares foi determinante para decidir o futuro político da nação. Mas, se no Brasil, a ação dos generais e almirantes levou a uma ditadura longeva e sanguinária; em Portugal aconteceu o inverso: o Movimento das Forças Armadas (MFA), formados majoritariamente por capitães, abriu o caminho para que o sol da democracia plural e republicana volta-se a nascer nas terras lusitanas.
Dez anos separam os dois fatos ocorridos. Em 1964, o crescente apoio popular para as reformas de base proposta por Jango, para o avanço necessário de nossas instituições democráticas encontrou forte resistência dos setores conservadores da sociedade brasileira. Assim, contando com suporte financeiro dos Estados Unidos, esses setores conspiraram com a nata do generalato e do almirantado brasileiro para a derrubada do presidente. Em 31 de março ocorreu a movimentação das tropas e no dia seguinte o Congresso Nacional declarou vaga a presidência da república (diga-se de passagem, de forma ilegal, haja vista que o presidente ainda se encontrava em território nacional). E, curiosamente, no dia da mentira, os golpistas declaram vitoriosa a (pseudo) Revolução “Redentora”. O resultado foram 25 anos de regime de exceção, com arrocho salarial, suspenção dos direitos humanos mais elementares, torturas, mortes e exílio de patriotas.
Já em 1974, os portugueses encontravam-se em um momento de crise. As torturas e a perseguição política, isolamento internacional, estagnação econômica e a guerra colonial na África levavam ao enfraquecimento do Estado Novo salazarista (regime fascista surgido em 1933, sucedendo a Ditatura Nacional surgida em 1926). Em resposta a essa situações, capitães reunidos no MFA deslocaram suas tropas durante a madrugada de 25 de abril para ocupar os pontos estratégicos de Lisboa. E durante todo dia, quando a população soube do levante, também aderiu à causa dos militares. Como sinal do caráter pacífico da revolução, passou-se a distribuir cravos vermelhos para os soldados, que os levavam dentro dos canos das espingardas. O governo ditatorial praticamente caiu sem resistência (exceto uma escaramuça por parte da política, os demais setores da burocracia ditatorial aceitaram apáticos à mudança de chefia da nação) e nos dois anos seguintes (conhecido como “Período Revolucionário em Curso”), Portugal viveu um rico período de liberdade e reorganização do Estado, com respeito a pluralidade ideológica. Houve a adoção de políticas sociais e democráticas avançadas, que culminaram, dentre outras coisas, no processo de independência em Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe. Dois anos depois, com a entrega da Constituição de 1976, os militares discretamente saíram da cena política, retornando à condição constitucional de servidores públicos no setor da defesa da república.
Diante desses dois fatos históricos, salta aos olhos o contraste na atuação das duas Forças Armadas. A doutrinação autoritária que os generais brasileiros conduziram o Brasil para três décadas perdidas em avanços sociais, com o sucateamento da educação, a falta de liberdade da ação sindical e a instalação de clima de terrorismo de Estado, que resultou em torturas e mortes de patriotas brasileiros que não concordaram com o regime de exceção. E sequelas desse período ainda hoje nós sentirmos, não apenas com a dificuldade da instalação das Comissões da Verdade (cuja apuração dos crimes cometidos pelo Estado visa à necessária pacificação histórica da nossa sociedade). A falta de educação política, aliados ao fisiologismo, à corrupção, ao personalismo ainda gracejam como câncer no nosso cenário político, são os frutos que ainda colhemos devido à Ditadura Militar.
Em contrapartida, os militares portugueses perceberam que seu papel profissional de servir na defesa do Estado implicava, em última análise, na defesa das liberdades e do bem estar do povo. Destituiu uma ditadura, quando era necessária, sem se apossar do poder para gerar outra quimera. No chamado Período Revolucionário em Curso, tiveram a sabedoria de permitir que a pluralidade ideológica voltasse a aflorar no seio da sociedade portuguesa, permitindo que tanto conservadores de diversos matizes, democrata-cristãos, liberais, socialistas e comunistas de todas as tendências pudessem participar no processo da elaboração de uma nova norma constitucional. E, evitando cair na tentação de monopolizar o poder, souberam sair de cena com serenidade, voltando a cumprir sua função primária de defesa.
Essa é a grande lição que o Abril de 2014 deixa: A democracia com justiça social ainda é o melhor regime que uma sociedade pode viver e, como valor perene, deve ser preservado. Conquistas como a entrada de Portugal na União Europeia e as atuais políticas sociais implantadas no Brasil só foram possível durante os períodos em que Democracia floresceu nos dois países. E mesmo que escândalos e crises possam ocorrer, devemos lutar para não ocorra novas intervenções militares na vida política nacional. Tanto no Brasil como em Portugal, o mais se precisa é de cravos vermelhos florindo em abundância, para adornar e fortalecer a Democracia.

Ricardo Vidal
Escritor e Professor, especialista em Estudos Literários pela UFBA. Membro da Academia Valenciana de Educação, Letras e Artes.

terça-feira, 11 de março de 2014

Odalisca Celeste

Odalisca Celeste

Valença; 11 de março de 2014 (04h04)

Quero, no meio de um serralho nas Arábias,
Ser teu sheik beduíno a vogar pelos oásis,
Cavalgar dentre as dunas de tua pele macia
E beijar minha odalisca de tez de tâmara.

Dentre sedas e mistérios, incensos e djins,
Quero deitar minha cabeça em teus seios
E entoar uma canção para os teus sorrisos
Nascerem como uma explosão de estrelas.

E com o luar doce a azul dentre as palmeiras,
Decifrarei os arabescos dos teus anelos pretos,
Poema que teus beijos acendem no horizonte.

Pérola circassiana a resplandecer nas galáxias,
Quero teus orgasmos felinos para que possa
Escrever teu nome nos pilares eternos d’aurora.


sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Soneto Nordestino de Sete Cabecas

Soneto Nordestino de Sete Cabeças

Valença; 21 de setembro de 2014 (00h41)

Pérola de cabelos de Avôhai dançando nas nuvens
E com olhos misteriosos de um frevo-mulher,
Perco-me nos labirintos dos seus anelos e miragens,
Carregados de um sertão de avatares e mistérios.

Procuro nas curvas de tua feminilidade um sonho
Doce, como eternas ondas de sorriso matutino,
Passando para além de um horizonte tristonho
E fundando carinhos verdes, de sol cristalino.

Nessa peleja com o dono do céu eu faço essa canção
Torta, mas de sincero afeto admirado de um poeta,
Armo a hipérbole de meus versos com riscos no chão.

A beira-mar eu galopo nesse martelo sincopado,
Ramalhando meus elogios como o Touro de Creta,
Para dizer-te que és a musa maior a acender meu fado.

sábado, 28 de setembro de 2013

Soneto Forjado

Soneto Forjado

Valença, 16 de agosto de 2013 (18h37)

Como um soneto negro e metálico,
Escavo a aurora dentro da lama.
E como diamantes, cravo estrelas
Que irão romper os horizontes.

Como um soneto forjado no aço,
Cosendo esperanças no veludo,
Trago moldado na seda iônica
Os mistérios da poesia nua e pagã.

Como um soneto antropofágico,
Redescubro os olhos e as almas,
Que fundiram as poesias da esferas.

Como um soneto, explodo as artes
E irradio suas fagulhas pelos corações,

Acendendo estéticas e a revoluções…

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Balada do Anjo Exterminador

Balada do Anjo Exterminador

Valença, 13 de julho de 2013

Não sei o que querem os arcanjos,
com suas asas de morfina e éter
E que pregam a Inquisição.
Só sei o que quer a Vida,
Só sei o que quer a Alma
(no seu cortejo carnavalesco)
aprendeu nas crônicas tupi-guarani de Galvão :
pequenos príncipes sem malícias,
os asteroides de plumas e alegrias,
as meretrizes doiradas e apaixonadas
os deuses revolucionários forjados nas ruas.
Quer o sacrossanto orgasmo ébrio das fadas
e o Sol noturno dos Elfos e Centauros.
Quer uma poesia nova e dura 
feita do vinho azul da Lua Nova,
Quer banquetes e bacanais sob as palmeiras,
Quer os sonetos ctônicos de Mustafá,
Quer o Labirinto do Fauno buñuelesco,
(caminhos doces e tortuosos no horizonte)
em que Minotauro já nasça derrotado.
Arcanjo de asas de morfina,
derrubem de teus pórticos esta Inquisição hipócrita
e faça no Hipódromo de Constantinopla
outra revolução mágica da esquerda sexual.
Façamos da Vida um teatro sem Vampiros,
com Índios galgando o Monte Castelo
para que as flechas derrubem a Mentira.
Arcanjos, arcanjos nossos de cada dia,
libertemos esse Lobisomem da Aurora
e deixe-o devastar a sociedade burguesa.
O Mundo precisa de novos jardins vermelhos
onde floresçam treze estrelas rubras e rosas biancas.
Arcanjo, deixe que meu coração lavre as valas
e, como um Mayakóvsky reencontrado nos Trópicos,
plantarei mais treze auroras, mais treze epifanias
nas searas furta-cor de Valença,
para que o rio Una, com suas ninfas filhas de Beauvoir,
distribua minhas bençãos e visões,
e como um Leviatã feroz e vingador,
o rio Una esmague Impérios e Dogmas.
Arcanjo profano de asas de Morfina e Éter,
é com a Aurora vermelha de treze Estrelas
que quero fundar uma novo sonho,
o sonho escarlates das Utopias nunca vencidas
E vencedora de todas as Inquisições e Hipocrisias....

domingo, 7 de julho de 2013

Balada dos Mestres

Balada dos Mestres

Valença, 19 de dezembro de 2012

Poesia de todas as noites
nativas,
nervosas,
navegantes;
Poesia de todos os erários
errantes,
erráticos, 
rastejantes;
Poesia nossa e necessária, 
fortuita,
roubada de um anelo de Zé Inácio,
furtada de uma canção de Vínicius
Que se transforma numa
Elegia eleita de Drummond,
és pedra perene em todos os caminhos de Bilac. 
Poesia noite grande, noigrandes,
sem matéria, sem métrica, sem messe
Nesses campos augustos 
e haroldos de Pignatári.
Poesia bandeira, 
poesia www.castro.alves.ba
que é colhida madura e jovem,
como um soneto de Mustafá 
rosembergueando
dentre as moças em flor-fada.
Poesia arlequim, prismática;
Poesia exponencial de Fernando, o Pessoa(s)
- heterônimo cíclico e ciclópico 
que reina em campos caeiros - 
É no hermetismo galego-lusitano 
da Bela Flor Espanca
que se nutrem luxuriosamente
os Otávios & Motas & Amálias & Grimaldis.
Poesia prosaica, poética prosa
Que Vaz como um Galvão arakenesco,
É a fada verde que encanta a morte
Em perpétuo socorro alfrediano-neto
Nessa viagem sem fim e sem volta
da Poesia sempre, infinita poesia.... 

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Labirinto de Estrelas

Labirinto de Estrelas
(Para Maurício Sena, engenheiro e visionário e Kadu, advogado e revolucionário)

Valença; 30 de maio de 2013 (02h32 AM)

Noite de sonhos em espiral,
Onde uma gaita élfica sintoniza
A poesia etérea dos sonhos,
Que canta a filosofia em êxtase
E fala das melodias de Avalon.
É a poesia selvagem dos bardos,
É a lua lancinante e cheia,
É a alegria do vinho novo
Colhido na alma das montanhas,
É o canto secular e místico
Que cruza a clave de Sol
E ilumina o sidéreo chão das aves,
Poesia surreal e feminina,
Canção nômade dos espaço.
Canta este barco ébrio e lúcido
Das fadas punk e bossa nova,
Canta este doce amargo das sendas
E crava como um Leviatã antigo
O doce caminhar legionário
Na canção ímpar das esferas;
Nesta Estação saborosa dos Temperos
E canção ardente e sutil dos desejos.
E como Pitágoras, no seu Olimpo,
Traça com o compasso das estrelas
O justo hemisfério das verdes acácias
Sobre as colunas de Boaz e Jachin,
Descreve o mistério assimétrico
Que se constrói o universo negro da Existência…

terça-feira, 14 de maio de 2013

Doces sao as Ondas


Doces são as Ondas


Baía de Todos os Santos; 01º de maio de 2013

Doces são as ondas no mar dos sonhos,
Quando em teus olhos o crepúsculo nasce.
Sim, minha amada, doces são estas vagas,
Beijos de canela dado por um estrela adamantina.
E nelas navego como um almirante louco
A procura de teus cantos de sereia.
São nestes beijos que eu naufrago sem temor, 
Filha de Neptuno com dentes de pérola.
Desfraldemos os lençóis que recobrem as ondas
Em meio ao balanço da nau sobre nosso sonhos.
E em meio aos elementos em fúria nos amemos.
Que o mar em ressaca entre com nosso orgasmo
E um lua tímida nasça em meio aos nossos beijos.
Sereia e farol, doces são estas vagas
Quando em teus olhos descubro o Amor.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Rosa Bianca


Rosa Bianca
(per tutte le muse che ha incantato me e mi ha sedotto)

Valença; 26 de abril de 2013 (01h40)


Todas as rosas desabrocharam em meio as estrelas
E delas, mil aquarelas romperam os mares.
Todas as rosas perfumaram de branco as camas
E nelas os ritos de Vênus se fizeram presente.
Todas as rosas marcaram a fogo e paixão minha pele,
E Príapo encontrou-se com a mãe Gaia.
Todas as rosas romanas nasceram brancas e morenas
E floresceram tropicais e vermelhas como
As ninfas às margens do Tibre, Arno, Tejo, Minho e Una.
Todas as rosas são lembranças de barricadas,
E teus desejos inflamaram os orgasmos telúricos
E mil auroras rasgaram as revoluções,
Fizeram-se filhas de Beauvoir e Kollontai,
Riscaram as ruas e com teus úteros acenderam fogueiras,
Como sacerdotisas de uma admirável mundo novo.
E nelas os homens perceberam as belezas de tuas ideias,
Fizeram-se brinquedos e os bacanais fundaram nações.
Todas as rosas possuem gosto de gozo e de saudades.
E quando olhamos os espelhos, nenhum espinho
Aparece, só a sombra galvânica da felicidade.
Todas as rosas brancas são carinhos e filmes chineses,
São mistérios e luxúrias, alegrias e lágrimas.
Todas as rosas não formam jardins, mas futuro.
São torres marxistas que no escuridão
Destroem dogmas e fundam utopias.
E nestas rosas brancas e sanguíneas que resido meus versos,
Comunhão de corpos e orgasmos infinitos de saudades…

Biblioteca do Bardo Celta (Leituras recomendadas)

  • Revista Iararana
  • Valenciando (antologia)
  • Valença: dos primódios a contemporaneidade (Edgard Oliveira)
  • A Sombra da Guerra (Augusto César Moutinho)
  • Coração na Boca (Rosângela Góes de Queiroz Figueiredo)
  • Pelo Amor... Pela Vida! (Mustafá Rosemberg de Souza)
  • Veredas do Amor (Ângelo Paraíso Martins)
  • Tinharé (Oscar Pinheiro)
  • Da Natureza e Limites do Poder Moderador (Conselheiro Zacarias de Gois e Vasconcelos)
  • Outras Moradas (Antologia)
  • Lunaris (Carlos Ribeiro)
  • Códigos do Silêncio (José Inácio V. de Melo)
  • Decifração de Abismos (José Inácio V. de Melo)
  • Microafetos (Wladimir Cazé)
  • Textorama (Patrick Brock)
  • Cantar de Mio Cid (Anônimo)
  • Fausto (Goëthe)
  • Sofrimentos do Jovem Werther (Goëthe)
  • Bhagavad Gita (Anônimo)
  • Mensagem (Fernando Pessoa)
  • Noite na Taverna/Macário (Álvares de Azevedo)
  • A Casa do Incesto (Anaïs Nin)
  • Delta de Vênus (Anaïs Nin)
  • Uma Espiã na Casa do Amor (Anaïs Nin)
  • Henry & June (Anaïs Nin)
  • Fire (Anaïs Nin)
  • Rubáiyát (Omar Khayyam)
  • 20.000 Léguas Submarinas (Jules Verne)
  • A Volta ao Mundo em 80 Dias (Jules Verne)
  • Manifesto Comunista (Marx & Engels)
  • Assim Falou Zaratustra (Nietzsche)
  • O Anticristo (Nietzsche)