Sua Majestade, O Bardo

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Valença, Bahia, Brazil
Escritor e Professor de Literaturas Anglófonas. Autor do livro "Estrelas no Lago" (Salvador: Cia Valença Editorial, 2004) e coautor de "4 Ases e 1 Coringa" (Valença: Prisma, 2014). Licenciado em Letras/Inglês pela UNEB-Campus Salvador. Falando de mim em outra forma: "Aspetti, signorina, le diro con due parole chi son, Chi son, e che faccio, come vivo, vuole? Chi son? chi son? son un poeta. Che cosa faccio? scrivo. e come vivo? vivo."

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Rosa Bianca


Rosa Bianca
(per tutte le muse che ha incantato me e mi ha sedotto)

Valença; 26 de abril de 2013 (01h40)


Todas as rosas desabrocharam em meio as estrelas
E delas, mil aquarelas romperam os mares.
Todas as rosas perfumaram de branco as camas
E nelas os ritos de Vênus se fizeram presente.
Todas as rosas marcaram a fogo e paixão minha pele,
E Príapo encontrou-se com a mãe Gaia.
Todas as rosas romanas nasceram brancas e morenas
E floresceram tropicais e vermelhas como
As ninfas às margens do Tibre, Arno, Tejo, Minho e Una.
Todas as rosas são lembranças de barricadas,
E teus desejos inflamaram os orgasmos telúricos
E mil auroras rasgaram as revoluções,
Fizeram-se filhas de Beauvoir e Kollontai,
Riscaram as ruas e com teus úteros acenderam fogueiras,
Como sacerdotisas de uma admirável mundo novo.
E nelas os homens perceberam as belezas de tuas ideias,
Fizeram-se brinquedos e os bacanais fundaram nações.
Todas as rosas possuem gosto de gozo e de saudades.
E quando olhamos os espelhos, nenhum espinho
Aparece, só a sombra galvânica da felicidade.
Todas as rosas brancas são carinhos e filmes chineses,
São mistérios e luxúrias, alegrias e lágrimas.
Todas as rosas não formam jardins, mas futuro.
São torres marxistas que no escuridão
Destroem dogmas e fundam utopias.
E nestas rosas brancas e sanguíneas que resido meus versos,
Comunhão de corpos e orgasmos infinitos de saudades…

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Comentario sobre o poema anterior

Faz tempo que eu não via uma tempestade em Valença, durante a madrugada. Sentia saudades quando estas chuvas aconteciam na minha infância, quando minha mãe, com medo, vinha para o meu quarto chamar a mim e meu irmão para ficarmos todos juntos no quarto de meus pais.
Assim, agora que voltei a minha cidade e estando sozinho agora na casa e sem medo, restava-me ver a fúrias dos elementos através da janela semi-cerrada. Água da chuva, fogo dos raios, o vento em espiral, a terra tremendo diante das trovoadas demoníacas, tudo era um espetáculo lindo, feérico, divino e maravilhoso. Mesmo que um ou outro respingo bate-se em minha cara, nada impedia de ver esta orquestra nervosa e - por isso mesmo, encantadora.
Claro que isso não iria passar em branco: haveria de transformar essas imagens em poesia...

Nau dos meus 35 Anos


Valença; 17 de abril de 2013 (04h38)

Storms have come!
rains wash the earth away
Dark skies fall down
into another day.
Storms in Africa II - Enya

Um som longínquo cavernoso e oco 
Rouqueja, (...) 
Troveja, estoura, atroa; (...)
.........................
Enquanto a noite pesa sobre os mares. 
A Tempestade - Gonçalves Dias

A nau de minha vida 
Acaba de chegar ao cabo do fim do universo.
O Mostrengo se posta ante a metade do caminho
E, para mostrar seu império,
Risca o céu com a primeira fagulha.
E outra fagulha o arco celeste risca
E mais outra, e outra, e outra,
Nesta noite marinha e plúmbea.…
O céu se incendeia em relâmpagos.
Então, atabaques celestes explodem,
Dando ritmo ao balé louco dos elementos.
O vento, em espiral, turva a chuva
Com rodopios negros de um cisne escuro.
A minha nau de minha vida,
Solitária sentinela de sal, sonhos e silêncios,
Enfrenta a muralha de trovões que ardem em bemóis.
O vento, com tua mão tirânica,
Conduz a orquestra de elementos em fúria
Como um martelo ameaçando os marinheiros.
A chuva chicoteia
E as gotas caem 
Como pérolas pesadas.
Mas nada irá impedir a marcha da minha vida!
E então a procela, cansada, dá-se por satisfeita.
O Mostrengo sorrir secretamente diante da audácia,
E abre passagem pelo teu império,
Deixando passar a nau de minha vida…

Biblioteca do Bardo Celta (Leituras recomendadas)

  • Revista Iararana
  • Valenciando (antologia)
  • Valença: dos primódios a contemporaneidade (Edgard Oliveira)
  • A Sombra da Guerra (Augusto César Moutinho)
  • Coração na Boca (Rosângela Góes de Queiroz Figueiredo)
  • Pelo Amor... Pela Vida! (Mustafá Rosemberg de Souza)
  • Veredas do Amor (Ângelo Paraíso Martins)
  • Tinharé (Oscar Pinheiro)
  • Da Natureza e Limites do Poder Moderador (Conselheiro Zacarias de Gois e Vasconcelos)
  • Outras Moradas (Antologia)
  • Lunaris (Carlos Ribeiro)
  • Códigos do Silêncio (José Inácio V. de Melo)
  • Decifração de Abismos (José Inácio V. de Melo)
  • Microafetos (Wladimir Cazé)
  • Textorama (Patrick Brock)
  • Cantar de Mio Cid (Anônimo)
  • Fausto (Goëthe)
  • Sofrimentos do Jovem Werther (Goëthe)
  • Bhagavad Gita (Anônimo)
  • Mensagem (Fernando Pessoa)
  • Noite na Taverna/Macário (Álvares de Azevedo)
  • A Casa do Incesto (Anaïs Nin)
  • Delta de Vênus (Anaïs Nin)
  • Uma Espiã na Casa do Amor (Anaïs Nin)
  • Henry & June (Anaïs Nin)
  • Fire (Anaïs Nin)
  • Rubáiyát (Omar Khayyam)
  • 20.000 Léguas Submarinas (Jules Verne)
  • A Volta ao Mundo em 80 Dias (Jules Verne)
  • Manifesto Comunista (Marx & Engels)
  • Assim Falou Zaratustra (Nietzsche)
  • O Anticristo (Nietzsche)