Sua Majestade, O Bardo

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Valença, Bahia, Brazil
Escritor e Professor de Literaturas Anglófonas. Autor do livro "Estrelas no Lago" (Salvador: Cia Valença Editorial, 2004) e coautor de "4 Ases e 1 Coringa" (Valença: Prisma, 2014). Licenciado em Letras/Inglês pela UNEB-Campus Salvador. Falando de mim em outra forma: "Aspetti, signorina, le diro con due parole chi son, Chi son, e che faccio, come vivo, vuole? Chi son? chi son? son un poeta. Che cosa faccio? scrivo. e come vivo? vivo."

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Cronica - Uma camisa vermelha como a Revolucao

Uma camisa vermelha como a Revolução
(Nostalgias das utopias)

Salvador, 19 de junho de 2015 (23h48)


Vi e comprei essa camisa em uma feira (não se era de "artesanatos internacionais" ou de "cultura estrangeira") no Shopping da Bahia (ex-Shopping Iguatemi). Eram várias - Espanha, Índia, Bolívia, Turquia, Na barraca da Rússia, anunciava-se as bonecas matrioskas (ok! deveria ter comprado uma), mas o que mais me encantou foi a memoriabilia da antiga União Soviética: broches e quepes do Exército Vermelho, cantis com broches evocando os Kolkhozes e Konsomol. Tinha coisas da Rússia atual? Tinha. Mas o que me encantava era o período em que Moscou era a referência (ainda que torta) para quem acreditava na utopia de se criar uma sociedade melhor, mais solidária e mais fraterna. E pensei amargamente se hoje ainda existe lugar para as utopias

Só que a história solapou essa utopia: Aquele que fora o primeiro país a se declarar socialista marxista acabou. Em seu lugar sugiram vários países capitalistas, no qual a Rússia se levanta com a sucessora da antiga força internacional (mas não dos sonhos). Dos poucos países que sobraram oficialmente socialistas, já não se existe mais esse elã ideológico. A China, que poderia sucedê-lo como nova pátria do socialismo, já abriu de mão (na prática) dessas doutrinas - e com ela puxou o pequeno e lendário Vietnam. Cuba resiste, mas os sinais de mudanças significativas no regime em breve se operaram. A Coréia do Norte é uma caricatura onde, sintomaticamente, o Juche tomou o lugar do marxismo-leninismo como religião de estado.

Nos demais países, a esquerda cambaleia, tentando tomar seu caminho. Ás vezes acerta, às vezes não. O Eurocomunismo não vingou como terceira alternativa. Pior, a "terceira via" que se surgiu no seio da socialdemocracia européia caminhou mais para direita, quase se tornando um social-neoliberalismo que condenou à morte o Estado de Bem-Estar Social. Antigos movimentos de libertação nacional, como o sankarismo em Burkina Faso, Lumumbismo no Congo Democrático ou o Sandinismo na Nicarágua perderam suas forças. A America do Sul, como parte do acerto de contas histórico, está ensaiando uma doutrina, um Socialismo do Século XXI, mas não se sabe ainda o que é - haja visto os diversos caminhos que se tem passado, ora mais ao centro como Kichnerismo, ora mais ao esquerda com o Bolivarianismo. E esse casamento de socialismo que se pretenda democrático e com liberdade tem se mostrado um parto difícil, principalmente pelas violentas reações da oposição conservadora interna. Mesmo quando se joga o jogo institucional (como no caso do Brasil), às vezes aparece esse desânimo e uma frustração com o ser humano - como se não vale-se mais a pena em lutar pelas mudanças, mesmo quando os frutos estão aí para quem quiser ver sem os antolhos da grande mídia.

Então, por que comprar essa camisa e pensar em utopias? Talvez porque ela ainda representa um sonho que nunca deve morrer. Vi a história acontecer com a queda do muro de Berlim, a estagflação e a onda neoliberal nos anos 90, a formação dos grandes blocos econômicos e alvorecer do fundamentalismo religioso provocando uma guerra de civilizações. E esse "admirável mundo novo" onde grassa o capitalismo selvagem, pretensamente liberal, não merece nenhum admiração. As crises constantes, a contestação de alguns direitos básicos, os problemas ambientais e o aprofundamento das desigualdades sociais mostram esmorecer no sonho é entregar o mundo a uma nova barbárie que não se pode admitir.

No entanto, existe uma luz nos fim do túnel dos céticos. As edições dos Fóruns Sociais Mundias, a eleição de Lula dando um novo alento; Chavez, Mujica, Bachelet e Morales reconfigurarem em vermelho a América do Sul; o surgimento e ascensão do Syriza na Grécia trouxeram um alento. E lembra que ainda existem muitos sonhos que precisam se tornar reais - nem que seja pela nostalgia de se acreditar em mundo melhor...

Biblioteca do Bardo Celta (Leituras recomendadas)

  • Revista Iararana
  • Valenciando (antologia)
  • Valença: dos primódios a contemporaneidade (Edgard Oliveira)
  • A Sombra da Guerra (Augusto César Moutinho)
  • Coração na Boca (Rosângela Góes de Queiroz Figueiredo)
  • Pelo Amor... Pela Vida! (Mustafá Rosemberg de Souza)
  • Veredas do Amor (Ângelo Paraíso Martins)
  • Tinharé (Oscar Pinheiro)
  • Da Natureza e Limites do Poder Moderador (Conselheiro Zacarias de Gois e Vasconcelos)
  • Outras Moradas (Antologia)
  • Lunaris (Carlos Ribeiro)
  • Códigos do Silêncio (José Inácio V. de Melo)
  • Decifração de Abismos (José Inácio V. de Melo)
  • Microafetos (Wladimir Cazé)
  • Textorama (Patrick Brock)
  • Cantar de Mio Cid (Anônimo)
  • Fausto (Goëthe)
  • Sofrimentos do Jovem Werther (Goëthe)
  • Bhagavad Gita (Anônimo)
  • Mensagem (Fernando Pessoa)
  • Noite na Taverna/Macário (Álvares de Azevedo)
  • A Casa do Incesto (Anaïs Nin)
  • Delta de Vênus (Anaïs Nin)
  • Uma Espiã na Casa do Amor (Anaïs Nin)
  • Henry & June (Anaïs Nin)
  • Fire (Anaïs Nin)
  • Rubáiyát (Omar Khayyam)
  • 20.000 Léguas Submarinas (Jules Verne)
  • A Volta ao Mundo em 80 Dias (Jules Verne)
  • Manifesto Comunista (Marx & Engels)
  • Assim Falou Zaratustra (Nietzsche)
  • O Anticristo (Nietzsche)