Sua Majestade, O Bardo

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Valença, Bahia, Brazil
Escritor e Professor de Literaturas Anglófonas. Autor do livro "Estrelas no Lago" (Salvador: Cia Valença Editorial, 2004) e coautor de "4 Ases e 1 Coringa" (Valença: Prisma, 2014). Licenciado em Letras/Inglês pela UNEB-Campus Salvador. Falando de mim em outra forma: "Aspetti, signorina, le diro con due parole chi son, Chi son, e che faccio, come vivo, vuole? Chi son? chi son? son un poeta. Che cosa faccio? scrivo. e come vivo? vivo."

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Convivencia Academica


Convivência Acadêmica
(Ou, por que todos os cursos superiores
possuem sempre uma “diretoria” de alunos
)

Salvador, 22 de dezembro de 2011 (04h56 AM)

Para professoras Sonia Simon, Janaina
Weissheimer, Adelaide Oliveria, Undira
Fratel
e Igor Rossoni; e meus colegas
das “Diretorias” da Graduação (César,
 Antonio e Cristiano
) e da Especialização
 (Rudval, Roberta, Micheli, Vandelma,
Nabucodonossor, Dagoberto, Joelma e Rebecca
)



Dezembro de 2011, 2012 já está mostrando suas primeiras sombras, com esta mistura de esperança e ansiedade. Para mim, 2012 será a minha volta para casa. Fecho um ciclo e começo outro como professor. E parafraseando Goulart Gomes, se o meu terço que delira exulta em felicidades, o que meu outro terço que pondera tenta administrar aquelas perdas naturais de uma transição.
Como não existem (ainda) filiais da “Subway” e do “Rei do Mate” em Valença, já me dei por conformado. As visitas às Livrarias “Saraiva” e “Cultura” eu posso compensar com a internet. Contudo, se há algo que meu coração sentirá pesar serão as reuniões de “Diretorias” que eu deixarei de ir.
Para quem freqüentou um curso superior pensando além do diploma, sabe que as reuniões de “Diretoria” são os momentos mais pujentes daquilo que a educação superior pode melhor oferecer a alguém. É a Convivência Acadêmica, aquele doce exercício de intercâmbio de vivências, sensações, experiências e leituras ocorridas no ambiente acadêmico e que servem para o nosso crescimento humanístico.
Dito assim, dicionariescamente, pareço que estou complicando o conceito de aula. A aula é convivência acadêmica também. Mas transcende os limites da aula. É menos que a freqüência impecável e fria do que alguns calorosos bate-papos na cantina. É menos que um currículo sólido de que simples e sinceras trocas de impressões sobre textos. Pode ser os círculos de amizade que se leva pela vida. Mas pode ser também apenas laços de fraternidade formados em efêmeras rodas de conversas. Ele está no contínuo fluxo de saberes compartilhado que o ambiente da academia propicia, no tráfego de idéias dinâmico de conceitos. Deste modo que a aprendizagem se faz como algo coletivo, mais leve e menos doloroso: as angústias são compartilhadas da mesma forma que as descobertas. Um exemplo disso é quando penso que melhor do que respostas prontas, lá eu posso encontrar um cardápio de opções e bibliografias que eu possa digerir e regurgitar posteriormente como novo conhecimento.
Para mim, o mais gostoso da universidade nem sempre estava na aula em si, porém na possibilidade de conversar com o professor na cantina. Ou então, depois da aula, reunia eu com meus colegas (quiçá numa mesa de bar) para alguns minutos de prosa. Era um segundo tempo da aula, mais livre. Às vezes, até mais divertido. Era um momento de se aprofundar um tópico. Ou tratar de outro ponto mais interessante. Ou ainda, complementar aquilo que os limites formais de uma aula não permitiam. Ou o melhor de tudo, tratar o mesmo assunto, só que por um viés: profano, reverente, brincalhão, alternativo, irreverente, pervertido, intimista, crítico. Certa vez, fui tirar uma dúvida com uma professora no corredor. A conversa boa e fluida, cheia de digressões infinitivamente pessoais coordenados com esclarecimentos referentes aos tópicos que eu iria abordar em minha apresentação, esta conversa se prolongou que em determinado momento a professora me lembrou que eu perdia mais da metade da aula de outra professora. Sinceramente, eu não me considerei perdendo nada – ganhei mais com aquela conversa animada.
Como corolário desta convivência acadêmica está na formação da “diretoria”. É aquele grupo de colegas (às vezes, também com participação professores) que são formados por afinidades e levam o convívio para além da sala de aula. Pode parecer pretensiosa esta nomenclatura, mas reconheço que ela possui uma razão de ser: muitas vezes é quem mexe com o curso, direcionando e trazendo vida e cor para as aulas. E se ela se destaca então, aí mesmo que a coisa pega fogo! Lembro-me da “Diretoria” do meu tempo de graduação. Às vezes amados, às vezes invejados, fomos tidos como protegidos de uma professora, mas era o grupo mais cobiçado em se fazer parte nos seminários pela fama de apresentar bons trabalhos. Trabalhos estes que nos davam trabalho fazer, pois implicavam em se encontrar depois da aula, reuniões aos sábados, domingos e feriados e (principalmente) muitas horas secando a boca com reflexões e análises para se chegar a um produto final. Mas todo o suor gasto não nos incomodava porque fazíamos tudo de forma leve. Era a bendita convivência acadêmica que tornava a pesquisa e o estudo superior agradáveis.
Por isso que lamento um pouco aqueles que fazem, um curso superior apenas pensando no diploma. Engoliram a seco e deixaram de lado o molho que tempera a vida acadêmica. Por isso que se sentem irritados com um curso aparentemente indigesto. Mas se esta foi a escolha feita, aceitemo-la como legítima.
De minha parte, fico feliz em ter aproveitado esta convivência acadêmica nestes meus anos de graduação e especialização. Isso que eu levarei para Valença em 2012, além das lembranças e das amizades feitas. E sempre que possível, darei um jeito de participar de algumas destas reuniões de “Diretoria”. Afinal, haverá sempre novas experiências, sensações, conhecimentos e leituras a partilhar…

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Milagre da Multiplicação

Então a história seria esta: Acordaria, tomaria um banho na banheira e iria para o computador. Nesta hora haveria o milagre da multiplicação: um de mim mesmo faria pesquisa acadêmica sobre erotismo feminino e daria aula de literatura para garantir o emprego na universidade. Outro de mim leria os jornais e livros e depois escreveria ficção para garantir o contrato com a editora. Um outro de mim seria meu relações públicas e agendaria palestras e as aparições em eventos para garantir o meu nome na mídia. E no final na noite, todos se fundiriam em um só corpo e dormiria como uma estátua esquecida no jardim...

Biblioteca do Bardo Celta (Leituras recomendadas)

  • Revista Iararana
  • Valenciando (antologia)
  • Valença: dos primódios a contemporaneidade (Edgard Oliveira)
  • A Sombra da Guerra (Augusto César Moutinho)
  • Coração na Boca (Rosângela Góes de Queiroz Figueiredo)
  • Pelo Amor... Pela Vida! (Mustafá Rosemberg de Souza)
  • Veredas do Amor (Ângelo Paraíso Martins)
  • Tinharé (Oscar Pinheiro)
  • Da Natureza e Limites do Poder Moderador (Conselheiro Zacarias de Gois e Vasconcelos)
  • Outras Moradas (Antologia)
  • Lunaris (Carlos Ribeiro)
  • Códigos do Silêncio (José Inácio V. de Melo)
  • Decifração de Abismos (José Inácio V. de Melo)
  • Microafetos (Wladimir Cazé)
  • Textorama (Patrick Brock)
  • Cantar de Mio Cid (Anônimo)
  • Fausto (Goëthe)
  • Sofrimentos do Jovem Werther (Goëthe)
  • Bhagavad Gita (Anônimo)
  • Mensagem (Fernando Pessoa)
  • Noite na Taverna/Macário (Álvares de Azevedo)
  • A Casa do Incesto (Anaïs Nin)
  • Delta de Vênus (Anaïs Nin)
  • Uma Espiã na Casa do Amor (Anaïs Nin)
  • Henry & June (Anaïs Nin)
  • Fire (Anaïs Nin)
  • Rubáiyát (Omar Khayyam)
  • 20.000 Léguas Submarinas (Jules Verne)
  • A Volta ao Mundo em 80 Dias (Jules Verne)
  • Manifesto Comunista (Marx & Engels)
  • Assim Falou Zaratustra (Nietzsche)
  • O Anticristo (Nietzsche)