Sua Majestade, O Bardo

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Valença, Bahia, Brazil
Escritor e Professor de Literaturas Anglófonas. Autor do livro "Estrelas no Lago" (Salvador: Cia Valença Editorial, 2004) e coautor de "4 Ases e 1 Coringa" (Valença: Prisma, 2014). Licenciado em Letras/Inglês pela UNEB-Campus Salvador. Falando de mim em outra forma: "Aspetti, signorina, le diro con due parole chi son, Chi son, e che faccio, come vivo, vuole? Chi son? chi son? son un poeta. Che cosa faccio? scrivo. e come vivo? vivo."

quarta-feira, 30 de agosto de 2006

O Beijo

O Beijo

(Para Fabíola)

Salvador, 30 de agosto de 2006 (04h30)

Como um sol da meia noite
O teu beijo brilhou nos meus lábios
Como uma sinfonia de supernovas.
Meus olhos fecharam
Para sentir neste beijo teu,
Beijo de Fada,
Beijo de Sereia
O beijo que as deusas deram quando nasceu
O Amor dentre as rosas.
Então a aurora serenou:
Amor, Tesão, Sexo, Paixão, Vida;
Foi neste beijo que descobri
Os mistérios da Criação.

sábado, 26 de agosto de 2006

Tempos de Reforma

Tempos de Reforma

Salvador, julho de 2003

Estamos em tempos de reforma. Reformas da previdência. Reforma tributária. Reforma política. Contudo, além das reformas governamentais, o movimento sindical precisar realizar uma reforma conceitual de sua práxi, que supere os modelos ultrapassados de luta e os adeqüe aos novos tempos.

O sindicalismo brasileiro ainda segue os modelos de lutas e organização utilizados no Velho Mundo no início de século passado. Inspirados na perspectiva revolucionária de mudança social (que levaram os comunistas ao poder na Rússia em 1917 e na China em 1949), o movimento sindical brasileiro continua seguindo a linha de luta econômica e de confrontação, que tem na greve o momento máximo de ação e (auto) afirmação. Na Europa Ocidental, desde a década de 60, com a vitória da socialdemocracia e o surgimento do “eurocomunismo”, o movimento sindical passou da perspectiva revolucionária para a conciliação e harmonia de classe, visando manter o “Estado de Bem-Estar Social” (Wellfare State).

Contudo, este modelo revolucionário ganhou sobrevida no Brasil com a Ditadura Militar, que impediu a ação livre dos trabalhadores nas décadas de 60 e 70. Como conseqüência desta repressão, o modelo de movimento sindical contestatório explodiu com maior vigor na década de 80. Deste período, surgiu nomes memoráveis como os de Jair Meneghelli, Olívio Dutra e Luís Inácio Lula da Silva – atual presidente da república.

Só que hoje, os tempos são outros. Não existe mais uma Ditadura sanguinária contra quem lutar. O Muro de Berlim caiu para a esquerda, sepultando em seus escombros a União Soviética e o sonho da conquista (imediata e revolucionária) do poder pelos trabalhadores. Paralelamente, viu-se o avanço avassalador da nova ordem capitalista, com o rótulo de neoliberalismo. Com ele, vieram as privatizações, Globalização, Estado Mínimo (atualmente revisto como Mínimo de Estado), desregulamentação e das perdas de direito trabalhistas.

Também, deve se considerar que os avanços da Telemática (cuja maior criação é a Internet) criaram uma nova racionalidade de mundo. A informação tornou-se uma mercadoria importante e vital no mundo dos negócios. A possibilidade de se falar com o mundo dentro do sossego do lar é vivida por todos os internautas, que através dos e-mails, websites, downloads e chats, disseminam livremente informações que antes teriam grandes dificuldades de chegarem ao grande público. Assim, organizações sociais (como empresas e sindicatos) cada vez mais precisam ter um site ou um e-mail para contato, para não correr o risco de perderem a vez para as demais organizações, que já estão conectadas com a nova realidade.

Novas demandas sociais surgiram em um cenário mundial novo. Hoje, não é só o campo econômico que unicamente mobiliza a população. Questões como direitos das mulheres, discriminação racial, causa ambientalista e dos homossexuais e transgêneros (GLS) entraram na pauta da discussão da sociedade. O Fórum Social Mundial exemplifica este novo quadro de atuação: diversificado, interligado e global.

Diante disso, que o sindicalismo deve mudar seus paradigmas. Não só a discussão por salários que deve animar as ações sindicais. Tão importante quanto construir greves e passeatas, os sindicatos deveriam investir em novas frentes de contestação, como a luta para democratizar a comunicação, a defesa dos direitos das minorias e a participação ativa em causas alternativas como a preservação do meio-ambiente ou a prevenção de doenças.

Como exemplos desta nova forma de luta, o movimento sindical já deveria: 1) Ter um “Jornal Sindical Nacional”, comparável à Folha de São Paulo ou Jornal do Brasil, para veicular notícias de interesse geral, mas com uma cobertura diferenciada a que se é dado pela “grande” impressa. 2) Transformar as sedes sindicais em espaços culturais alternativos, com apresentações de teatro e música, bibliotecas públicas e ser agente produtor de debates e seminários abertos à população, que discutam a realidade por outros ângulos. 3) Apresentar novos modelos (eficientes) de educação popular, que visem conscientizar, formar e informar um novo cidadão. 4) Realizar com mais intensidade campanhas de prevenção de doenças, que normalmente ocorram dentro da classe, mesmo que não decorrente totalmente do exercício da profissão 5) Atuar em… tantas coisas mais, em que o céu é o limite.

As possibilidades de lutas e atuações sociais são infinitas e cabe aos sindicalistas a criatividade de se fazerem inserir neste novo quadro mundial. Se não, correram o risco de perderem o bonde da História e se tornarem velhas peças de museus, como hoje são os títulos de nobrezas, as deuses da antiga Grécia e a coroa imperial usada por Dom Pedro II.

quarta-feira, 16 de agosto de 2006

Less than a Pearl: A Brief Essay about Short-Stories.

Less than a Pearl
A Brief Essay about Short-Stories.
(ensaio entregue como parte da avaliação na disciplina "Conto
em Língua Inglesa", ministrada pela profa. Sônia M. D. Simon
)

Salvador, 15 de agosto de 2006

Less than a pearl in a sea of stars” – Roma Ryan and Enya

By the common sense, Short-Story is a brief narrative in prose which is less than a pearl. A novel may be a diamond as big as the Ritz – never a short-story; it will have all the characteristics of a novel, however in a small scale: the time will be briefer and plot will have few events. But, how long must the short-story be? Or, is the size the only characteristic that determinates a short-story? What must other characteristics have a short-story?

About how long (or short) could be a short-story, we have different statements. Looking up the definition of Cambridge Advanced Dictionary (2nd Ed.), the short-story will have about 10,000 words in length. A group of authors prefers to determine the size of a short-story in 7,500 words; other group, in 15,000. In another word, a short-story would have 05 pages so far and the story has only chapters. But we have long short-story that have 10, 15, up to 30 pages!!! For example these long short-stories we have “Financing Finnegan” by Scott Fitzgerald that has about 10 pages, “Boule de Suif” by Guy de Maupassant that has about 33 pages and “O Alienista” by Machado de Assis that has about 38 pages. In another case, there is short-story that has less than half a page, as some texts of Inácio de Loyolla Brandão and Evandro Affonso Ferreira (Grogotó’s author). The number of pages does not determinate how short a short-story is. As Edgar Allan Poe said, this size of short-story will be the one you can read in one sit.

If the size is not an exact answer about short-story, we need to see other characteristics. In general, a short-story is a narrative as the play, the soap-opera, the myth, the novel, the fable, the news story and some chronicles. The short-story has an action or event that happens with a group of characters, in a defined place during a fragment of time. The specific point is HOW I do this narrative if I want to write a short-story. Some authors (like Cortázar) understand that the short-story must be a Polaroid, a frame of the reality portrayed in a small narration. Others writers (like Poe) think that short-story’s specificity is in your effect. Or better, in an economy of literary ways which an author use the minimum of writing’s resources to goal a maximum of effect. All these approaches give some clues and clarify the question. A short-story is cutting of the reality that the author needs to be economic with his/her pen. It can be completed indicating three more: Exactitude, Lightness and Quickness. These characteristics are used with the same meaning used by Ítalo Calvino in “Six Memos for the Next Millennium”: First, short-story must be light as agile and unforeseen jump. Its plot needs to be agile if it wants be a Polaroid. The short-story may be condensed or soft in its plot, but, always agile. Second, a short-story must be quick in your reading, like a sudden fulguration. So, the reader may read the story in one reading. Last, the short-story’s language must be the most precise and may translate all the faces of thought and imagination. So, with this language, a short-story can have the economy of literary ways.

So, a short-story may be defined as a brief, light, quick and precise narrative in prose that has one and single effect. A story is less and perfect than a peal in the sea of Literature.

Reference

GOTLIB, Nádia Batella. Teoria do Conto. 10ª ed. São Paulo: Ática, 2004 (Série Princípios).
CALVINO, Ítalo. Seis propostas pra o novo milênio. Apud. GOMES, Goulart. Poetrix: uma proposta pra o novo milênio. Iararana, Salvador: Aleiton Fonseca e Carlos Ribeiro, Ano VI, nº. 09, p. 72, ago. 2006.

(agradecimentos a profa Sílvia Sousa ao me ajudar na correção do texto em inglês)

sexta-feira, 4 de agosto de 2006

Um escritor em crise - parte 02 (fragmentos de um diário)

Meus dias passam calmos e normais: vou a faculdade de Letras, faço meus exércícios (ás vezes... sendo sincero, raramente), ajudo (sempre) os meus colegas, namoro. Não sou de sair e divirto-me navegando na internet. Poderia dizer que é um programa normal? Não de todo. Semana passada eu escrevi um poema - deposi de meses e meses sem produzir uma linha sequer.....

Esta entressafra poética pode ser sentida no meu blog: praticamente um ou dois textos nos últimos meses. Eu fico chateado - afinal, dedico minha vida a ser um escritor profissional. Mas como eu posso ser um escritor profissional se no Brasil a litertura é reduzida a um mero exercício de diletantismo? Se eu preciso estudar pra ter 'uma profissão séria' que banque os momentos de delírios líricos? Isso pra não falar das infindáveis desculpas e discussões sobre o acesso dos novos escritores no mercado editorial.

Estou perserverando: Leio continuamente. Aproveito os debates nas aulas de literatura pra aprimorar meus conhecimentos. Acompanho, pelo orkut, os debates da comunidade "Escritores - Teoria Literária". Reflito. Bem, só não produzo. Para que eu possa escrever melhor, tenho deixado de escrever! Paradoxo.

Bem, não queria deixar que o mês de agosto não tive um texto novo no meu blog. Vai este depoimento. Entre de férias em breve. Se eu tomar coragem, eu espero escrever o artigo sobre o Conselheiro Zacarias e mando pralgum jornal de minha terra. Sei que santo de casa não faz milagres, mas é preciso começar por algum lugar. E é melhor coneguir algum sucesso na província a ser um total fracasso. Tchau. Câmbio e desligo!

Canção das Bundas

Canção das Bundas

(um poeminha safado)

Salvador, 13 de julho de 2000 (00h23)

A bunda, que engraçada,
Está sempre sorrindo, nunca é trágica

Carlos Drummond de Andrade

As nádegas são mais que bundas,
São grandes sinos de macio bronze
No bailado balançar brejeiro
Da baiana, que passa na rua.

De nada as nádegas têm de lúdico.
É ninho inocente e luxurioso,
Que nadam na malícia pueril
Que nasce de sua imagem lunar.

Flutuam, antes, nos sonhos sonsos
Do marujo que tem sede de terra,
Do mancebo que desperta pro desejo,
Das várias cabeças varonis.

Que, vendo o badalar do traseiro,
Procuram o desejo ou o amor
E acaba se rendendo as graças
Do balançar de uma bunda.

(Podem, nas alturas do busto,
Confabular os sensuais seios:
‘E nós, frutos da vida, onde
Entramos neste belo mosaico’)

Sinceramente, o que me agrada
Mesmo, é o conjunto brejeiro,
Da bunda que rebola, da boca
Que provoca, do seio que se insinua,
Da nuca sedosa, macia e nua
Gosto corpo feminil inteiro…

Biblioteca do Bardo Celta (Leituras recomendadas)

  • Revista Iararana
  • Valenciando (antologia)
  • Valença: dos primódios a contemporaneidade (Edgard Oliveira)
  • A Sombra da Guerra (Augusto César Moutinho)
  • Coração na Boca (Rosângela Góes de Queiroz Figueiredo)
  • Pelo Amor... Pela Vida! (Mustafá Rosemberg de Souza)
  • Veredas do Amor (Ângelo Paraíso Martins)
  • Tinharé (Oscar Pinheiro)
  • Da Natureza e Limites do Poder Moderador (Conselheiro Zacarias de Gois e Vasconcelos)
  • Outras Moradas (Antologia)
  • Lunaris (Carlos Ribeiro)
  • Códigos do Silêncio (José Inácio V. de Melo)
  • Decifração de Abismos (José Inácio V. de Melo)
  • Microafetos (Wladimir Cazé)
  • Textorama (Patrick Brock)
  • Cantar de Mio Cid (Anônimo)
  • Fausto (Goëthe)
  • Sofrimentos do Jovem Werther (Goëthe)
  • Bhagavad Gita (Anônimo)
  • Mensagem (Fernando Pessoa)
  • Noite na Taverna/Macário (Álvares de Azevedo)
  • A Casa do Incesto (Anaïs Nin)
  • Delta de Vênus (Anaïs Nin)
  • Uma Espiã na Casa do Amor (Anaïs Nin)
  • Henry & June (Anaïs Nin)
  • Fire (Anaïs Nin)
  • Rubáiyát (Omar Khayyam)
  • 20.000 Léguas Submarinas (Jules Verne)
  • A Volta ao Mundo em 80 Dias (Jules Verne)
  • Manifesto Comunista (Marx & Engels)
  • Assim Falou Zaratustra (Nietzsche)
  • O Anticristo (Nietzsche)