Sua Majestade, O Bardo

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Valença, Bahia, Brazil
Escritor e Professor de Literaturas Anglófonas. Autor do livro "Estrelas no Lago" (Salvador: Cia Valença Editorial, 2004) e coautor de "4 Ases e 1 Coringa" (Valença: Prisma, 2014). Licenciado em Letras/Inglês pela UNEB-Campus Salvador. Falando de mim em outra forma: "Aspetti, signorina, le diro con due parole chi son, Chi son, e che faccio, come vivo, vuole? Chi son? chi son? son un poeta. Che cosa faccio? scrivo. e come vivo? vivo."

segunda-feira, 14 de maio de 2007

Experiências

Experiências

Salvador, 14 de maio de 2007.

Bem, querem que eu faça uma redação sobre minhas experiências nesta entrevista de emprego. Como não definiram limite de linhas, espero nem cansar nem parecer muito ambicioso com o texto.

No plano de vida profissional, minhas experiências profissionais são poucas: Trabalhei dois anos no IBGE. Mais tarde fiz estágio em assessoria de imprensa sindical como repórter, produtor, fotografo, diagramador, redator e revisor. Nas horas vagas eu fazia alguns bicos como fiscal de prova, fotógrafo, e diretor de arte, de domingo a domingo, onde fui o diretor de arte e braço-direito. Para finalizar, fiz curso de manutenção de computador (que nunca usei), fiz curso de comunicação instrumental pelo CEFET (antes mesmo de entrar na faculdade), participei de encontros na área de jornalismo e de Letras. E tenho conhecimento de línguas estrangeiras e sou autodidata em computador, especialmente a arte gráfica.

Mais as minhas maiores e melhores experiências – e que deveram ser úteis neste meu novo emprego – foram as que tive como ser humano. Já brinquei e brincando, eu criei meus reinos e castelos. Tive amigos – poucos, mas bons. Não subi em árvores, mas subi no guarda-roupa quando tinha seis anos pra comer sozinho uma caixa de bombom. Também aprendi a amar os estudos e os livros, pois não dói, descansa, diverte e é o maior tesouro que eu tenho na vida. E sempre eu tenho mais vontade em aprender, sem se cansar – e ensinar aos outros sempre eu puder, sem me fatigar.

Aprendi que incomoda muito quando os outros menosprezam nosso valor. Contudo, com um pouco de tempo e perseverança, os mesmos que nos menosprezaram serão os primeiros a reconhecer e divulgar as nossas qualidades. Aprendi também que não devo me deixar levar simplesmente pelo meio. Quando criança achava que nunca falaria com uma celebridade – quem diria que eu conversaria e faria parte da própria história, conversando de igual pra igual com ministros, deputados, intelectuais, escritores famosos e até com a filha de Che Guevara? Que ganharia prêmios de poesia e teria meus versos guardados em bibliotecas da Europa? Que eu escreveria livros e seria eu mesma uma celebridade para outras pessoas? No ginásio, eu dizia para todos que eu queria arqueólogo (como Indiana Jones) quando todos queriam ser médicos ou advogados. Todos riram de mim. E aprendi que da mesma forma que é duro nadar contra o rebanho, também é mais gratificante quando você faz as coisas certas com identidade e acaba triunfando. Com isso aprendi que devo acreditar nos sonhos, pois eles podem se tornar realidade. Aprendi também que eu não devo fazer uma faculdade pensando primeiro em dar uma satisfação pra sociedade – é um primeiro sinal de que sua vida terminará num fracasso. Aprendi que nestas horas o melhor é refletir muito e deixar um pouco o coração decidir. Depois que eu mudei para curso de Letras tudo melhorou pra mim e sei que serei um grande profissional na minha área. Porque a coisa que eu faço eu o faço com amor e colocado tudo de melhor de mim para que tudo ocorra certo.

Também essa história com meus colegas ensinou-me que devemos ter cuidado com os outros dizem. O importante é vermos o que ocorre em nossa volta, mas é importante olharmos pra nós mesmos. Aprendi que as coisas não são uniformes e as melhores oportunidades são nichos de mercados que ninguém percebe porque não estão no “mainstream”. E se nesses nichos couber minha personalidade, é aí que eu encontrarei o sucesso. Um sucesso não se restringirá a mim, mas a todos que estão em minha volta. Aprendi que não é o egoísmo a mola mestra do progresso, mas a responsabilidade social e felicidade pessoal.

Aprendi que a melhor maneira de estragar todo um trabalho em equipe é querer agir sozinho e no depois culpar os outros pelo fracasso. Trabalhar bem equipe é ter generosidade em auxiliar o próximo e ter humildade em pedir ajuda – deste modo, tudo dará certo no final. Aprendi o quanto vale ser um bom profissional. Mas isso não quer dizer eu deva abdicar de minha vida pessoal. Bons profissionais sabem que a vida está muita além de escritório e que existem ambições maiores do que o lucro e o cargo: ver um crepúsculo com alguém querido ou dormir tranqüilamente, sem preocupações, por exemplo. Lembrou do Conto de Natal, de Charles Dickens? Então saberá do que eu estou dizendo

Aprendi que não basta apenas a obedecer cegamente. Nem apenas a rebelar sem causa. Aprendi (as duras penas) que o importante é ter bom senso. Às vezes tudo não passa de uma questão de ponto de vista de como se resolver uma coisa e que maioria quer, no fundo, o melhor para todos. Aprendi que é difícil aceitar o diferente, mas que não é impossível. E é despindo-se dos pré-conceitos que veremos as diferenças são poucas e há possibilidade de vivermos em harmonia é maior. Aprendi que devo ceder sem perder a dignidade e que devo lutar sem ser vingativo.

Aprendi que eu não sou tão perfeito que possa me passar incólume do “Poema em Linha Recta” de Fernando Pessoa e não venha a cometer um erro homérico que desmanche num segundo todo um castelo que eu demorei a construir numa vida. E é nesta hora que eu devo ser em mente a lição do “Eclesiastes” do poema “Se…” de Rudyard Kipling. Parecem difíceis e são difíceis de por em prática quando temos um coração ferido. Mas só tenho esta vida e eu ainda quero aprender muito mais, ter mais experiência e nestes textos temos algumas dicas.

Não sei se aprendi a amar, mas isso é algo que estamos sempre aprendendo. Só sei que amei, chorei, sorri, sofri, dei a volta por cima, sofri de novo, fiz sofrer, voltei a amar, usei de todos os truques (surpreender com chuvas de rosas, deixar um poema dedicado para ela e escondido na sua bolsa, entregar um anel dentro de uma fruta) para conquistar uma mulher e continuo seguindo em frente na esperança de fazer a coisa certa.

Bem, este é um sumário muito simples e resumido de minhas experiências. Não tive muitas e me pergunto que possa, no fundo, ter vivido a mais bela vida (com exceção dos santos). Num mundo competitivo do mercado de trabalho, o grande diferencial que eu possa dar, com estas minhas experiências é a minha humanidade, a vontade de ajudar e realizar um bom trabalho..

quinta-feira, 3 de maio de 2007

Balada do Poeta Morto

Balada do Poeta Morto

Salvador, 08 de junho de 2003 (23h14/23h53)

Que cantar assim eu mais
Não sei, não posso, não devo.
Cantar como canta os deuses (vencidos)
Na nau azul da misericórdia;
Cantar com o coração desnudo
E romântico, puro como Sir Galahad
Em frente ao Sancto Graal de Cristo Nosso Senhor.

O mundo já não é mais dos poetas.
É da velocidade catatônica dos escritórios,
Do velho Futurismo reacionário de Marinetti,
É dos Gigabytes e dos Terawatts da mediocridade,
É da cifra de milhões de dólares e euros para guerras,
É do ouro luzindo falso no horizonte…

As amadas condessas da Lua já não amam
Os poetas jovens e apaixonados.
Amam os frios engenheiros e seus cálculos,
Seus castelos de pedra, cimento e números;
Os engenheiros que as traem com amantes
Enquanto as condessas mofam sozinhas no lar.
As Dulcinéias abandonaram o Burgo de Toboso
Para estudarem ciências jurídicas
E ganharem fama nos casos de divórcios
Entre a Musa e os Casanovas de subúrbios.

Meu olhar vergasta a planície cinza de Tebas:
Em que sonho eu te perdi,
Nobre ilha de Avalon?
Em que brumas eu me perdi de minha feliz pátria,
Pátria infeliz da poesia última de Ossian?
Em que escritório eu perdi
O navio para a ilha Barataria,
Último exílio de Don Quixote e Sancho Pança,
Fausto e Mefistófeles, Don Juan e Child Harold,
Ahasverus, Frankenstein, Gilgamesh e Werther?
Só sobrou a última quimera alada
A consolar-me nas profundas da noite sem luar
Com paraísos artificiais e mortais;
Eu – peregrino numa noite sem lua;
Eu – acaso da poesia, perdido nos trópicos;
Eu – filho deposto da cidadela de Tartessos desaparecida…

Em um turbilhão, ficarei odara,
Ficarei em êxtase.
Ah, se eu pudesse cantar,
Como cantei em meus dias felizes!
Quando nas margens de um riacho n’Arcádia,
As hamadríadas e a s fadas surgiam
Sensuais das moitas verdejantes,
Para coroar-me aedo junto ao Deus Pã…
Cantar como cantei, numa noite de tempestades e mistérios,
Os versos negros e ébrios
Da juventude romântica e condoreira…
Quando, do alto dos contra-fortes do Aconcágua,
Sonhei ser Napoleão sem Waterloo,
Sonhei ser Alexandre transpondo o Rio Ganges,
Sonhei ser o príncipe perfeito e sem mácula
– possuidor dos mistérios dos dragões
e dos tesouros das Minas de Ofir –
Que iria conquistar o castelo sanguíneo
Do amor de minha condessa amada.

Ah! Mas o mundo – O Mundo!
Velho invejoso a resmungar baixinho,
Não pertence aos jovens poetas!
Pertencem aos Economistas Alquimistas,
Na sua eterna ilusão de gerar ouro pelo chumbo;
E quanto mais procuram número perfeito,
Mais o ouro canta falso nas nuvens.
Pertencem aos homens robôs dos escritórios
Que servem de energia para a Matrix escondida
Que rege a reino da real ilusão.
O mundo pertence ao arauto das desgraças,
Aos magos que na caixa de cristal elétrico
Noticiam o crime nosso de cada dia
E com seus olhos infernais julgam
E condenam com azedume a imagem
Dos Cérberos selvagens forjados
Nos estaleiros deste mundo sem futuro.
E assim, cada manhã nasce mais plúmbea nas cidades sem horizontes,
E o mundo vai caminhando para sua extinção gradual,
Em passos lentos e seguros para o caos.

Não, o mundo não é mais dos poetas.
O coração das musas não é mais dos poetas
A felicidade não é mais do poeta.
O luar doirado e sangüíneo não é mais dos poetas.
E por isso, eu – que sou poeta –
Não mais vivo.
Não mais devo cantar
Não mais chorar posso…

Cidade de Valença - Poetrix

Salvador, 02 de setembro de 2005.
Cidade de Valença
Feliz e amada cidade,
Sonhos de minha infância
E de minha felicidade.

Biblioteca do Bardo Celta (Leituras recomendadas)

  • Revista Iararana
  • Valenciando (antologia)
  • Valença: dos primódios a contemporaneidade (Edgard Oliveira)
  • A Sombra da Guerra (Augusto César Moutinho)
  • Coração na Boca (Rosângela Góes de Queiroz Figueiredo)
  • Pelo Amor... Pela Vida! (Mustafá Rosemberg de Souza)
  • Veredas do Amor (Ângelo Paraíso Martins)
  • Tinharé (Oscar Pinheiro)
  • Da Natureza e Limites do Poder Moderador (Conselheiro Zacarias de Gois e Vasconcelos)
  • Outras Moradas (Antologia)
  • Lunaris (Carlos Ribeiro)
  • Códigos do Silêncio (José Inácio V. de Melo)
  • Decifração de Abismos (José Inácio V. de Melo)
  • Microafetos (Wladimir Cazé)
  • Textorama (Patrick Brock)
  • Cantar de Mio Cid (Anônimo)
  • Fausto (Goëthe)
  • Sofrimentos do Jovem Werther (Goëthe)
  • Bhagavad Gita (Anônimo)
  • Mensagem (Fernando Pessoa)
  • Noite na Taverna/Macário (Álvares de Azevedo)
  • A Casa do Incesto (Anaïs Nin)
  • Delta de Vênus (Anaïs Nin)
  • Uma Espiã na Casa do Amor (Anaïs Nin)
  • Henry & June (Anaïs Nin)
  • Fire (Anaïs Nin)
  • Rubáiyát (Omar Khayyam)
  • 20.000 Léguas Submarinas (Jules Verne)
  • A Volta ao Mundo em 80 Dias (Jules Verne)
  • Manifesto Comunista (Marx & Engels)
  • Assim Falou Zaratustra (Nietzsche)
  • O Anticristo (Nietzsche)