Sua Majestade, O Bardo

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Valença, Bahia, Brazil
Escritor e Professor de Literaturas Anglófonas. Autor do livro "Estrelas no Lago" (Salvador: Cia Valença Editorial, 2004) e coautor de "4 Ases e 1 Coringa" (Valença: Prisma, 2014). Licenciado em Letras/Inglês pela UNEB-Campus Salvador. Falando de mim em outra forma: "Aspetti, signorina, le diro con due parole chi son, Chi son, e che faccio, come vivo, vuole? Chi son? chi son? son un poeta. Che cosa faccio? scrivo. e come vivo? vivo."

domingo, 19 de julho de 2015

SOS PATRIMONIO HISTORICO DE VALENÇA

SOS PATRIMÔNIO HISTÓRICO DE VALENÇA

Salvador, 19 de julho de 2015 (20h10)

Ricardo Vidal, Escritor.
Especialista em Estudos Lingüísticos
e Literários pela UFBA. Membro da AVELA. 
Blog: www.bardocelta.blogspot.com

Nesse mês de Julho, dois sobrados antigos de Valença se tornaram notícias: a demolição do que pertenceu ao finado Aloísio Evangelista da Fonseca na Rua Comendador Madureira e o desmantelamento daquele onde funcionou a Casa Pernambucana, na Praça da Independência. Com isso, nossa cidade perdeu mais dois prédios do nosso já muito desfalcado patrimônio histórico e cultural e entra novamente na contramão do desenvolvimento – principalmente como cidade “turística” (sic). E está mais do que na hora da Prefeitura e da Câmara de Vereadores darem um basta nesse crime de lesa-pátria.

Refiro-me como crime de lesa-pátria o descaso e a rapina contra o nosso patrimônio que estamos sendo submetidos. Todos os povos e cidades desenvolvidos sabem que os primeiros passos para se ter um futuro próspero é conhecer e preservar seu passado, sua memória histórica. Roma, Paris, Buenos Aires e Pequim só são as cidades pujantes de hoje (metrópoles modernas e respeitadas no mundo) porque souberam preservar os marcos do seu passado.  E ninguém se engane: são prédios     arquicentenários como a Cidade Proibida e a Fonte de Trevi que atraem os turistas. Mas essa preservação não se dá apenas pelo turismo. Conhecer o próprio passado através de monumentos é o primeiro passo para se e levar a auto-estima da cidade e fazer sua população batalhar pelo progresso. Não existe romano ou portenho que não se encha de orgulho quando discorre sobre a história de sua cidade. E quem conhece REALMENTE a história de Valença da Bahia (por sinal, muito riquíssima e de fazer inveja a muita cidade grande do estado) AMA nossa cidade.

Mas preservar um patrimônio não significa deixá-lo intocado e “morto”, nem impedir a chegada de novos prédios e empreendimentos para nossa cidade. Como lembrou meu confrade acadêmico Francisco Neto (em mensagem no Facebook), preservar significar da um uso social ao patrimônio. È conservá-lo e fazê-lo um local urbanisticamente “vivo” dentro da cidade, seja como prédio comercial, seja como centro cultural – como no caso da Galeria dei Ufizzi, antigo prédio administrativo transformado em museu na cidade de Florença. E quando aos novos empreendimentos, Valença dispõem de muitos terrenos que se constituem em novas fronteiras imobiliárias, a exemplo do Novo Horizonte. Construir nesses locais (em lugar de demolir o centro) ajudar a fazer crescer nossa cidade – como o bom senso e a prática em demonstrado no mundo afora.

Devido a esse valor ESTRATÉGICO do patrimônio histórico para o desenvolvimento que se faz necessário uma ação mais enérgica e pró-ativa do poder público. Neste caso é que vemos o descaso e a inépcia da Prefeitura e da Câmara de Vereadores de Valença em relação a esse setor.  Até agora não se viu uma ação concreta da Prefeitura no que se tange a conservação e preservação de nosso prédio histórico – seja com campanhas de conscientização, seja com investimentos diretos. Pelo contrário, em junho passado ocorreu à mutilação da fachada do Theatro Municipal promovido por um funcionário da própria prefeitura. Por outro lado, caberia nossa Câmara Municipal seguir o exemplo de Fortaleza e aprovar uma Lei Municipal de Tombamento, incentivando a prática da preservação do patrimônio histórico, mesmo dentre os particulares. Espera-se que, com a próxima da próxima eleição municipal, tanto a prefeita como os vereadores façam algo para corrigir essa mancha que atrapalhará os votos dos que querem se reeleger.

Diante dos fatos, torna-se urgente que o povo e o poder público valenciano (nem que seja por interesse eleitoreiro) abrace a causa da preservação do nosso patrimônio, através de ações concretas e enérgicas. Isso se quiser termos mesmo cidade viva do qual falar…

Biblioteca do Bardo Celta (Leituras recomendadas)

  • Revista Iararana
  • Valenciando (antologia)
  • Valença: dos primódios a contemporaneidade (Edgard Oliveira)
  • A Sombra da Guerra (Augusto César Moutinho)
  • Coração na Boca (Rosângela Góes de Queiroz Figueiredo)
  • Pelo Amor... Pela Vida! (Mustafá Rosemberg de Souza)
  • Veredas do Amor (Ângelo Paraíso Martins)
  • Tinharé (Oscar Pinheiro)
  • Da Natureza e Limites do Poder Moderador (Conselheiro Zacarias de Gois e Vasconcelos)
  • Outras Moradas (Antologia)
  • Lunaris (Carlos Ribeiro)
  • Códigos do Silêncio (José Inácio V. de Melo)
  • Decifração de Abismos (José Inácio V. de Melo)
  • Microafetos (Wladimir Cazé)
  • Textorama (Patrick Brock)
  • Cantar de Mio Cid (Anônimo)
  • Fausto (Goëthe)
  • Sofrimentos do Jovem Werther (Goëthe)
  • Bhagavad Gita (Anônimo)
  • Mensagem (Fernando Pessoa)
  • Noite na Taverna/Macário (Álvares de Azevedo)
  • A Casa do Incesto (Anaïs Nin)
  • Delta de Vênus (Anaïs Nin)
  • Uma Espiã na Casa do Amor (Anaïs Nin)
  • Henry & June (Anaïs Nin)
  • Fire (Anaïs Nin)
  • Rubáiyát (Omar Khayyam)
  • 20.000 Léguas Submarinas (Jules Verne)
  • A Volta ao Mundo em 80 Dias (Jules Verne)
  • Manifesto Comunista (Marx & Engels)
  • Assim Falou Zaratustra (Nietzsche)
  • O Anticristo (Nietzsche)