Sua Majestade, O Bardo

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Valença, Bahia, Brazil
Escritor e Professor de Literaturas Anglófonas. Autor do livro "Estrelas no Lago" (Salvador: Cia Valença Editorial, 2004) e coautor de "4 Ases e 1 Coringa" (Valença: Prisma, 2014). Licenciado em Letras/Inglês pela UNEB-Campus Salvador. Falando de mim em outra forma: "Aspetti, signorina, le diro con due parole chi son, Chi son, e che faccio, come vivo, vuole? Chi son? chi son? son un poeta. Che cosa faccio? scrivo. e come vivo? vivo."

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Rapsodia Valenciana opus 49

Rapsódia Valenciana opus 49

Salvador; 29 de agosto de 2016 (22h27)

Esse cheiro de peixe
Que de mim exala
Mesmo quando uso
Chanel nº 5
Valença – Carollini Assis

Toda a Valença é, portanto, um tear,
E, em seu pano grosso de aspecto rudimentar,
Amparo, a Bordadeira, virá aplicar fibra
Têxtil – Cadu Oliveira

Cruzo a ponte
Chego no cais,
Saudade me atrai…
Caminho pela graça
Paro na praça
Urbis, Vila Operária
Valença Una – Adriano Pereira

I
Vem, minhas ninfas do Rio Una, vem!
Traga-me a poesia de suas águas
Como o sal que tempera os mariscos.
Traga os poemas que nascem nas ruas
E rasgam a aurora vermelha como esperança.

Vem, minhas ninfas do Rio Una, vem.
Vem como amante, vem como mãe
Vem como uma azul canção selvagem
Quero-te uma etérea balada cósmica
Que acorde as estrelas com sua música.

Vem, minhas ninfas do Rio Una, vem!
Quero-te cantar esse rio de águas negras
E essas colinas da Madona do Amparo
– seios que desenham o vale de Valença.
Quero-te como poesia e fogo, sonho e mar.

II
Minha cidade de Valença, o sol te banham
Durante um rubro amanhecer atlântico.
Desperta suas casas com um sorriso
De raio de sol fulgídio quase um beijo.

A rua Marquês fervilha, fervilha as pontes.
Fervilha o Jardim Novo com as sombras
De teus sobrados se desvanecendo como
Uma memória perdida em algum sótão.

Valença é o Tento cheirando a peixe e sal,
È o Novo Horizonte rasgando sua malha.
Valença é a Vila de operárias abelhas tecendo
A manhã com dendê e algodão e cantos.

Valença são seus jardins sempre reformados
E suas velhas ruas tortas. É a Bolívia e Jacaré.
É a Graça de Nossa Senhora que nos Amparai,
Amém. É Pitanga, Jambeiro e Dendezeiro.

III
Gosto de me perder em suas artérias,
Sentir o perfume de cravo e do guaraná.
Gosto de costurar a trama de suas ruas:
Ruas do Leite e do Siri sem Molho, Triana.
Quero passear na alegre Praça da Bandeira,
Descansar sossegado na Orla do Rio Una.

IV
Valença, sonho do varão Sebastião,
Tua história é um carrossel épico.
O Barão e o Conselheiro confabulando
Nos corredores do Imperial Senado!
A fábrica primaz de tecidos e urdiduras
A Recreativa hospitaleira cheia de náufragos.
Valença coberta de sangue aimoré,
De pecados e glórias, semente da paz.
Valença um grito insano no infinito!

V
Valença, meu farol no universo, termino
Esse canto grosseiro com o desejo
De seres grandes, dentre as grandes do Brasil.

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Benditas Palavras Mal Ditas

Benditas Palavras Mal Ditas

Salvador, 25 de agosto de 2016 (02h15)


Carollini Assis, jornalista valenciana da TV Aratu, estreia na literatura com um livro de título provocante: “O Livro das Palavras Mal Ditas”. O leitor desavisado pode estranhar que uma novata nas belas letras traga ao público um livro com palavras mal ajambradas, sem cuidado, ditas de forma má. Puro artifício de uma escritora que entra de forma vigorosa no mundo das letras, que já pega o leitor pela goela e o faz sucumbir com um texto direto e lírico, como no poema DEUS: “Escreveu para mim / um livro / cheio de equívocos”.
Com prefácio de Orlando Senna e palavras de Gustavo Felicíssimo (editor da obra e escritor) e de Marcus Vinícius Rodrigues, o livro é composto de poemas curtos, alguns de uma leveza e sagacidade que parece um haikai, mas que acertam em cheio no ponto de deslocar os significados das palavras, tirando a crosta que o senso comum recobre-as e fazer luzi-las com significados novos. Às vezes, os títulos aparecem como verbetes de um dicionário particular, no qual as palavras aparecem de forma saborosa e sensual no texto – como no poema UNA: “Memória do rio / nas veias da cidade / lasciva”.
E já que aparece a palavra lasciva, eis que uma característica se destaca nesse livro: o erotismo. Mas não o erotismo que beira a pornografia masculinizada (e o que a pornografia se não o erotismo alheio, como diz o escritor e cineasta francês Alain Robbe-Grillet?), é o erotismo lírico e curto, da sensibilidade de mulher moderna -  ou seja, um erotismo que sabe ser direto, mas sem perder a ternura jamais. Esse erotismo se dá nos fragrantes de prazer, na bendita precisão de uma polaroide. O tema é tratado com a leveza que o tema requer, às vezes com um pouco de graça, como no poema FOME: “Colheu um dedo / no pé do meu corpo / e chupou”.
Bendito seja esse livro de palavras ditas com graça e galhardia!
Carollini Assis é natural de Valença, Bahia. É formada em jornalismo pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), especialista em roteiros para TV e Vídeo. Estão no prelo mais dois livros: “A Santa que geme nas estações” (contos eróticos) e “Produção: entre a comunidade e a televisão”, sobre produção em telejornalismo.

Livro das Palavras Mal Ditas
Editora Mondrongo
Bahia, 2016
72 páginas.
Capa e Editoração de Ulisses Góes

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Biblioteca do Bardo Celta (Leituras recomendadas)

  • Revista Iararana
  • Valenciando (antologia)
  • Valença: dos primódios a contemporaneidade (Edgard Oliveira)
  • A Sombra da Guerra (Augusto César Moutinho)
  • Coração na Boca (Rosângela Góes de Queiroz Figueiredo)
  • Pelo Amor... Pela Vida! (Mustafá Rosemberg de Souza)
  • Veredas do Amor (Ângelo Paraíso Martins)
  • Tinharé (Oscar Pinheiro)
  • Da Natureza e Limites do Poder Moderador (Conselheiro Zacarias de Gois e Vasconcelos)
  • Outras Moradas (Antologia)
  • Lunaris (Carlos Ribeiro)
  • Códigos do Silêncio (José Inácio V. de Melo)
  • Decifração de Abismos (José Inácio V. de Melo)
  • Microafetos (Wladimir Cazé)
  • Textorama (Patrick Brock)
  • Cantar de Mio Cid (Anônimo)
  • Fausto (Goëthe)
  • Sofrimentos do Jovem Werther (Goëthe)
  • Bhagavad Gita (Anônimo)
  • Mensagem (Fernando Pessoa)
  • Noite na Taverna/Macário (Álvares de Azevedo)
  • A Casa do Incesto (Anaïs Nin)
  • Delta de Vênus (Anaïs Nin)
  • Uma Espiã na Casa do Amor (Anaïs Nin)
  • Henry & June (Anaïs Nin)
  • Fire (Anaïs Nin)
  • Rubáiyát (Omar Khayyam)
  • 20.000 Léguas Submarinas (Jules Verne)
  • A Volta ao Mundo em 80 Dias (Jules Verne)
  • Manifesto Comunista (Marx & Engels)
  • Assim Falou Zaratustra (Nietzsche)
  • O Anticristo (Nietzsche)