Sua Majestade, O Bardo

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Valença, Bahia, Brazil
Escritor e Professor de Literaturas Anglófonas. Autor do livro "Estrelas no Lago" (Salvador: Cia Valença Editorial, 2004) e coautor de "4 Ases e 1 Coringa" (Valença: Prisma, 2014). Licenciado em Letras/Inglês pela UNEB-Campus Salvador. Falando de mim em outra forma: "Aspetti, signorina, le diro con due parole chi son, Chi son, e che faccio, come vivo, vuole? Chi son? chi son? son un poeta. Che cosa faccio? scrivo. e come vivo? vivo."

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Fragmentos - Ceticismo e Esperanca

Não sei o que aconteceu, mas, olhando estas manifestações que acontecendo no Brasil, fico numa sensação estranha entre o ceticismo e a esperança.
O veterano do movimento estudantil e militante socialista que sou fica feliz em ver as manifestações. Na origem elas são justas e a repressão em São Paulo foi desproporcional. Bem, o resultado é que todo mundo (pelo menos, a maioria) passou para o lado dos manifestantes. E o uso das redes sociais para aglutinar/inflamar o movimento está correto. Sim, dá vontade de pegar a bandeira, desenhar cartaz e ir pra rua. Isso alimenta a esperança de que estamos mudando o país e o mundo.
Mas...
Vou ser sincero: protestar contra o que mesmo? São tantas bandeiras (algumas contraditórias), que fazem com que uma pessoa mais madura e crítica desconfie do que está acontecendo. O "filho da puta" (sem querer ofender as prostitutas com isso) do Marcos (in)Feliciano  ("# Marcos Feliciano não me representa!" só para não esquecer) aproveitou a cortina de fumaça levantada pelo gás lacrimogêneo que aprova a famigerada e mentirosa "cura gay". Ok! Nas manifestações o povo grita "Fora Feliciano!", "Contra o Estatuto do Nascituro!" e "Contra a cura gay!". E daí? Mesmo assim foi aprovado essa vergonha na Comissão de Direitos (?) Humanos (??) e Minorias (???) sem que o povo de Brasília estive no Congresso Nacional pressionando. E se for ao plenário, daqui a vários meses? O povo estará lá para se opor e fazer pressão? Não basta ocupar às ruas quando deixamos calhordas como este deputadozinho do PSC aprovar uma insanidade dessa. O povo está gritando contra a PEC do Ministério Público, mas será que está PEC realmente é justa ou apenas favorece para que o MP extrapole suas incumbências constitucionais? Sobre este assunto falo como amador, apenas com base no olhar crítico que me reservo ao direito de ter. O povo culpa Dilma e Alckmin. Será que são tão parecidos assim? O povo está contra a Copa do Mundo. Agora? Será que ela é tão ruim assim? Ou é apenas o velho discurso do-contra da 'coxinha' pequeno burguesa? E na mesma situação que se quer o fim das tarifas e universalidade nos transportes públicos, aparece alguém na multidão defendendo o Jair 'Bostanaro' para presidente! (Desculpem-me, mas ele e (in)Feliciano são dois deputados que não consigo respeitar e levar a sério). Grita-se contra a corrupção? Mas não é a mesma pessoa que molha a mão do guarda para escapar da blitz da Lei Seca no Trânsito? É quando menos nos deparamos, vemos um direita aplaudindo uma manifestação "de esquerda". Pensemos sobre estes fatos...
Essa infinidade de discursos e palavras de ordem fazem com que destile o um pouco de amargo ceticismo. Será que não estamos vendo um pouco de mimetismo nisso não? Estão corretos em dizer que a questão toda não é apenas pelos R$0,20. Ok! Mas, afinal de conta, então é pelo que? Cada a pauta mínima de reivindicações? Será que o Gigante realmente acordou ou é mais um esqueleto que uma geração está criando para guardar no armário (como é a lembrança dos "Cara-Pintadas" e o "16 de Maio" de minha geração)? Pergunto-me porque ano que vem será ano de eleição? Será que nomes como (in)Feliciano, Bostanaro e muito do baixo clero da Câmara dos Deputados serão reeleitos? Será que a Direita Religiosa vai ganhar espaço com o discurso falacioso do Deus, Pátria e Família? Preocupa-me quando já se começam a reclamar da presença de bandeiras partidárias no meio da manifestação... Melhor dizendo, estou vendo muita euforia nas manifestações, mas a falta de um foco, que, futuramente, pode levar a um certo fracasso do movimento, por não mudar radical a essência da política oligárquica, paternalista e excludente que existe no Brasil. Hoje estão nas ruas reclamando, mas nas urnas, será que os manifestantes irão votar no status quo que engessa hoje a atual administração democrática-popular do país? Ou que, num plebiscito, se deixa influenciar por um discurso irracional e emotivo para aprovar a Pena de Morte?
Ir para ruas é um ato político sim. Defendo! Liberdade de expressão e de opinião! Mas as passeatas não são apenas a diversão, o carnaval politizado. Também tem o momento sério e chato da reflexão e sinto falta disso. É como se uma certa lição do Maio de 68 ainda não foi devidamente aprendida: revoluções se fazem com ações de massas e ideias claras! O grito pelo grito em si, o ser contra o governo sem uma proposta alternativa é inócuo. É triste, mas é a realidade. Charles de Gaulle (nitidamente um líder conservador, no que pese sua atuação contra o Nazi-Fascismo na II Grande Guerra) voltou fortalecido depois das barricadas dos desejos, exatamente por os jovens só tinha isso - o desejo de mudança, sem saber o que. O Fora Collor tirou um presidente, mas manteve o esquema que o apoiava. E é este esquema que hoje mantem cativo qualquer projeto popular e de esquerda que queria mudar o Brasil pela via institucional, seja ele o PCB, o PT, o PDT, o PSB, o PSTU, o PC do B, o PSOL ou o PCO.
Sei que o final é amargo. Já vi várias "explosões sociais" no Brasil foram gatilho de mudanças anda a passos lentíssimos. Veja o caso de Collor, eleito para o Senado Federal e o resultado do #forasarney. Enquanto ficarmos somente no espontaneísmo das passeatas, sem uma contra-ideologia de esquerda que unifique e dê uma direção a esta ira santa das ruas, as coisas continuaram como sempre estão: Feudos inquebráveis nos meios de comunicação social, coronéis se perpetuando no poder, arrivistas se equilibrando entre discursos com palavras pseudo-progressistas para expressarem clichês que escondem ideias conservadoras, inércia e desilusão. O que me impede de aderir ao mais claro pessimismo é que, ainda assim, sempre há um broto que teima em nascer no solo árido e pedregoso, 10 anos depois do Impeachment de Collor, Lula foi eleito presidente do Brasil. Hoje temos Dilma. A Esperança já venceu o Medo, uma vez. Quem sabe, não vence de novo?

Biblioteca do Bardo Celta (Leituras recomendadas)

  • Revista Iararana
  • Valenciando (antologia)
  • Valença: dos primódios a contemporaneidade (Edgard Oliveira)
  • A Sombra da Guerra (Augusto César Moutinho)
  • Coração na Boca (Rosângela Góes de Queiroz Figueiredo)
  • Pelo Amor... Pela Vida! (Mustafá Rosemberg de Souza)
  • Veredas do Amor (Ângelo Paraíso Martins)
  • Tinharé (Oscar Pinheiro)
  • Da Natureza e Limites do Poder Moderador (Conselheiro Zacarias de Gois e Vasconcelos)
  • Outras Moradas (Antologia)
  • Lunaris (Carlos Ribeiro)
  • Códigos do Silêncio (José Inácio V. de Melo)
  • Decifração de Abismos (José Inácio V. de Melo)
  • Microafetos (Wladimir Cazé)
  • Textorama (Patrick Brock)
  • Cantar de Mio Cid (Anônimo)
  • Fausto (Goëthe)
  • Sofrimentos do Jovem Werther (Goëthe)
  • Bhagavad Gita (Anônimo)
  • Mensagem (Fernando Pessoa)
  • Noite na Taverna/Macário (Álvares de Azevedo)
  • A Casa do Incesto (Anaïs Nin)
  • Delta de Vênus (Anaïs Nin)
  • Uma Espiã na Casa do Amor (Anaïs Nin)
  • Henry & June (Anaïs Nin)
  • Fire (Anaïs Nin)
  • Rubáiyát (Omar Khayyam)
  • 20.000 Léguas Submarinas (Jules Verne)
  • A Volta ao Mundo em 80 Dias (Jules Verne)
  • Manifesto Comunista (Marx & Engels)
  • Assim Falou Zaratustra (Nietzsche)
  • O Anticristo (Nietzsche)