Sua Majestade, O Bardo

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Valença, Bahia, Brazil
Escritor e Professor de Literaturas Anglófonas. Autor do livro "Estrelas no Lago" (Salvador: Cia Valença Editorial, 2004) e coautor de "4 Ases e 1 Coringa" (Valença: Prisma, 2014). Licenciado em Letras/Inglês pela UNEB-Campus Salvador. Falando de mim em outra forma: "Aspetti, signorina, le diro con due parole chi son, Chi son, e che faccio, come vivo, vuole? Chi son? chi son? son un poeta. Che cosa faccio? scrivo. e come vivo? vivo."

domingo, 28 de setembro de 2008

Declaração de Voto - Salete Lucena



Salete é um poema especial nesta eleição. É um poema de luta, de esperança e de alegria. É um poema em que Política rima como Seriedade, Ética rima com Democracia, Justiça Social rima com Desenvolvimento Sustentável. Salete é a voz da dona de casa, do estudante, do professor, do cristão, do negro, do jovem, do trabalhador, do intelectual, do povo na Câmara de Vereadores. Salete é uma mulher revolucionária que “tem graça, tem gana”, tem sonho sempre e “possui a estranha mania de ter fé na vida” porque traz consigo valores firmes para construir uma Valença Cidadã e Democrática, com as bênçãos de Deus. Por tudo isso que meu voto é para Salete!

Como vivemos num páis democrático, fica aqui minha declaração de voto e apoio a candidatura de Salete Lucena para Vereadorea de Valença.

O Quarto de Soeiro Suarez

O Quarto de Soeiro Suarez

Salvador; 30 de junho de 2008.

“A vida segue sempre em frente
O que se há de fazer...”
O CadernoToquinho/Mutinho

Primário

Quando Soeiro era criança, seu quarto era imenso. Era um reino encantado e sua casa era um mundo enorme.

Seu guarda-roupa era uma montanha mágica e misteriosa sempre com novos lugares a serem explorados. Sua mãe tinha medo dos perigos desta montanha, que algum desabamento pudesse soterrá-lo. Mas quem iria convencer a criança Soeiro sobre perigos se nesta montanha havia tesouros mágicos no topo a serem descobertos e cavernas maravilhosas onde pudesse se esconder?

Neste reino de fadas e fantasias havia uma cômoda onde ficavam seus brinquedos e uma estantezinha onde ele guardava seus desenhos infantis. Na parede as histórias eram contadas pelos quadros da Disney. Em cima de cama os elfos sorriam e as bruxas voavam num móbile feito pelo seu pai. O tapete era uma planície de aventuras, em que as almofadas de bichinhos serviam como colinas móveis para as batalhas com os soldados de borracha.

Claro que noite seu reino tinha seus fantasmas e suas sombras e seus medos. Havia algo na escuridão e no silêncio que pareciam evocar vampiros e monstros. Por isso que, muitas vezes, quando acordava no meio da noite, corria desesperado pelos longos corredores da casa para dormir na cama de seus pais.

De todos os lugares o melhor era sua cama. Era seu veleiro de pirata predileto que usava para navegar na imaginação. Com um cabo de vassoura fazia um mastro. A tripulação eram bonecos de plásticos. E com eles, Soeiro estivera na ilha Baratária de Dom Sancho Pancho e navegara junto com o capitão Ahab a procura de Moby Dick. Lutara contra o Capitão Gancho na Terra do Nunca e ainda ajudara a resgatar o professor Pierre Arronax quando este fugia do Nautilus. Algumas vezes Soeiro chegou até a pular a janela do quarto para enterrar tesouros no quintal. E quando estava com sono, deixava seu navio vogando suave pelo Luar. E assim, como o Barão Munchausen, velejava pelo Mare Nubium[1],[2], Lacus Spei[3] e Sinus Iridum[4].

Ginásio

E foi numa dessas viagens que Soeiro aportou na pré-adolescência. O quarto poderia parecer grande, mas já não era tão encantado assim.

A cômoda e a estantezinha forma substituída pela escrivaninha (onde ficavam seus livros paradidáticos) e pelo criado-mudo. Não havia mais o móbile de elfos sorrindo e bruxas voando, porém um móbile de foguetes de cartolina, que o próprio Soeiro fizera na escola. O tapete era o lugar onde não poderia deixar o par de tênis sujo e as almofadas serviam esporadicamente como armas para guerrinhas com o irmão caçula. Nas paredes, os quadros da Disney que não empoeiravam de velho foram transferidos para um pequeno sótão da casa de praia da família Suarez.

O guarda-roupa encolhera e virara uma colina sem muita importância. Não havia tesouros mágicos no topo, mas o lugar onde ficavam os últimos brinquedos que ainda lhe divertia. Quanto às antigas cavernas, viram cofres onde escondia algumas revistas em quadrinhos – contrabando proibido. Também as noites já não causavam mais sustos (exceto quando algum barulho vinha de fora e pudesse sugerir um ladrão…).

Não queria ser confundido como criança, mas ainda estava longe de ser adulto. Isso Soeiro sentia quando suas tias ainda o mimavam com apertos nas bochechas e falando com aquela voz de quem está falando com um bebezinho. Também não gostava quando alguém ralhava com ele, dizendo os “não pode” de crianças: não pode ouvir isso, não pode assistir aquilo, não é horário de criança ficar acordado… Mas quem poderia controlar o sono dele? Depois os melhores filmes passavam a noite depois da novela…

Já a cama… esta ainda era um veleiro. Mas um veleiro diferente de outros anos. Já não tinha o mastro de cabo de vassoura nem tripulação. Como Soeiro já não era mais capitão pirata, sua antiga embarcação tomava ares de navio-fantasma. Diria até que se assemelhava ao Holandês Voador ou ao Mary Celeste. Talvez o correto fosse dizer que sua cama se transformará no castelo de popa, o refúgio do capitão. Ainda assim, isso não impedia de continuar visitando Sancho Pança, Capitão Nemo e Simbad através dos livros. E quando Morfeu e o João Pestana vinham mais tarde, Soeiro ainda vogava para a Lua. Só que desta vez ela ia para outros lugares como o Oceanus Procellarum[5], Mare Crisium[6] e Lacus Temporis[7].

Colegial

E o tempo foi passando pelos mares…

Então Soeiro acordou. Era adolescente. E o quarto encolhera. Não era tão grande nem tão pequeno. Só que ele começava a se sentir um pouco abafado dentro dele.

Também já não era mais o seu antigo reino encantado. Era a parte de casa onde Soeiro poderia respirar um pouco de privacidade e curtir na solidão os sofrimentos e as perplexidades causados pelas mudanças que seu corpo sofria.

Nas paredes só havia pôsteres das bandas “Queen” e “The B-52’s” e dos filmes “Sociedade dos Poetas Mortos” e da trilogia “Indiana Jones”, colados com fita crepe. Já não tinha mais tapete, nem móbile e muito menos almofadas de bichinhos – havia dois pufes onde ele jogava seu corpo cansado. Ganhara uma televisão com DVD e um computador (que fora do pai) para seus trabalhos. O guarda-roupa era um guarda-roupa eternamente desarrumado cujas portas ele transformara numa galeria da revista Playboy. Também escondia suas primeiras revistas pornôs, junto com as revistas de super-heróis. Quantos aos brinquedos… somente os soldados de chumbo ficavam perfilados no criado-mudo, como um enfeite antigo, quase mofado.

Decisivamente Soeiro estava em outra estação, vibrava em outra sintonia. Festas, Baladas, os primeiros beijos, novas responsabilidades. Tinha algo que lembrava o romantismo de Werther e a rebeldia de James Dean nas suas ações.

Só a cama que aparentemente não mudara. Continuava sendo seu refúgio. Era lá onde Soeiro gostava de ler seus romances de Júlio Verne e Alexandre Dumas, os contos de Caio Fernando Abreu e os quadrinhos da Marvel de Detetive Comics. Também era lá onde chorava suas brigas com seus pais e, de vez em quando, provava solitariamente à noite os primeiros prazeres adultos. E assim dormia, esquecendo que o barco continuava sua viagem, atravessando o Lacus Luxuriae[8], Lacus Timoris[9] e Mare Imbrium[10].

Universidade

Então um dia (outro dia mágico) Soeiro acordou. Era jovem, atingira a maioridade. E seu quarto ficou pequeno e sua casa o asfixiada.

Suas paredes eram prateleiras e mais prateleiras com sua biblioteca. Como estudara Letras Vernáculas, seus romances foram incorporados ao acervo técnico. No criado mudo ficava seu aparelho de som e na escrivaninha atulhava com CDs de música clássica e de Bossa Nova, junto com o retrato da namorada. No maleiro do guarda-roupa, algumas caixas escondiam seu passado: os soldados de chumbos, os desenhos infantis, algumas revistas pornográficas, os vários cadernos de escolas e as fotocópias encadernadas da faculdade.

A velha porta era seu escudo para evitar as inevitáveis discussões com sua família. A velha harmonia da infância virava agora nunca cruenta disputa geográfica, onde os filhos e os pais precisavam sempre demarcar seus territórios e seus momentos. Todos intuíam que isso era chato e deixava a mamãe Suarez triste (já que ela primava pela união da casa). Contudo, Soeiro também precisava de seu espaço; viver sua vida segundo seus ditames, não pelos preconceitos de seus pais. Por mais que ele tentasse ser freudiano para suportar sua vida, a sua formação meio sartreana meio marxista o impelia a querer mais e mais do que simplesmente um quarto pequeno de Rodion Raskólnikov. Ele se sentia um Julien Sorel vestido de vermelho e negro, um Dr. Fausto que lera Nietzsche pronto a conquistar o mundo. Isso seus pais poderiam entender, quando ficavam implicando com ele por conta dos gastos com o telefone???

Por isso que ele sentia necessidade de sair daquele quarto pequeno. Mas iria para onde??? E o que ele iria depois da formatura?? E ele iria mesmo abandonar seu ninho? Então ele procurava sua cama, para meditar e solucionar seus problemas.

Com muito custo que sua cama agora era de casal (com jeito coube no quarto) e de vez em quando sua namorada dormia com ele. E durante a noite, Soeiro vagava (inconscientemente, porque já não se esperaria que um futuro Doutor ficasse brincando de Capitão Gancho numa cama), ora pela Sinus Asperitatis[11], ora pelo Lacus Solitudinis[12]. Às vezes passava pela Sinus Concordiae[13], Sinus Roris[14], Lacus Oblivionis[15] ou Lacus Odii[16]. Todavia, muitas das vezes encalhava apenas no Palus Somni[17], como quem deixa o Tempo levar as mágoas para chegar a algum porto no Sinus Sucessus[18].

Casamento

E assim chegou a grande noite. Soeiro dormiria pela última vez no seu quarto. Já não era menor nem maior. Tinha o mesmo tamanho que sempre teve, desde sua infância. Ou melhor, estava mais vazio. Não tinha móbiles, nem biblioteca, nem reino ou escrivaninha. Apenas uma cama velha, de criança, que sua mãe armou (Será para os netinhos passarem o dia com a avó, justificava-se ela). Já havia alguns meses que Soeiro se mudara para sua casa nova. Contudo, não sei por qual saudosismo, ele resolveu passar aquela noite lá. E como alguém que reencontrava um antigo tesouro, ele entrou no seu navio pirata. Mas não visitou nenhum pântano, lago ou mar da Lua. Apenas dormiu como um anjo barroco, perdido nas nuvens…

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[1] Todos os nomes latinos aqui referidos são acidentes selenográficos, mais precisamente os “Mares” da Lua.
[2] Mar das Nuvens.
[3] Lago das Esperanças
[4] Baía do Arco-Íris
[5] Oceano das Tormentas
[6] Mar das Crises
[7] Lago do Tempo
[8] Lago da Luxuria
[9] Lago do Medo ou do Pavor
[10] Mar das Chuvas
[11] Baía da Aspereza
[12] Lago da Solidão
[13] Baía da Harmonia
[14] Baía do Orvalho ou do Orvalho ou da Lágrima
[15] Lago do Esquecimento
[16] Lago do ódio ou do Rancor
[17] Pântano do Sono
[18] Baía do Sucesso

Iara-Mirim

Iara-Mirim

Salvador; 21 de dezembro de 2004 (à noite)

Não sei quem me contou, só sei que o conto me foi contado assim como eu estou te contando agora.

Pedrinho Malagueta era um menino arteiro e ardido como uma pimenta malagueta, de tanta traquinagem que ele fazia no Arraial do Bom Sossego. Esperto como o jabuti das lendas dos bugres, ágil como um sagüi das matas e teimoso como um jegue; Pedrinho só parava quando fazia uma arte que deixasse até o Tinhoso de cabelo em pé e o fizesse andar desconfiado depois. Mas apesar disso, todos o acabavam perdoando no final, pois ele tinha um coração de ouro, como o de um anjinho barroco no altar na capelinha. Seu problema era a teimosia…

Pois bem, era uma tarde ensolarada e a brisa que vinha serena e fresca para relaxar trouxe consigo o Tião Mascate. Como dificilmente alguém vinha para aquelas bandas da serra, sua chegada era motivo de festa e alvoroço no arraial – principalmente para gurizada.

Assim, logo depois que o mascate falou com o senhor vigário e armou sua tendinha na praça, Tião se sentou debaixo do umbuzeiro e começou a picar o fumo enquanto via cair o crepúsculo rubro dentre as cumeeiras alaranjadas e violetas da serra. Era como uma senha para as crianças deixarem seus folguedos e se acomodarem quietinhas em torno de viajante, de modo de ouvir suas histórias e causos.

Tião era um exímio contador, como os poetas da antiga Grécia. Falava de reinos distantes e de princesas encantadas. Falava de cidades em que as pessoas moravam que nem formigas em casas mais altas que um morro e de carroças que andavam sozinhas, sem cavalo ou burrinho. Falava da Europa de mil castelos e das Arábias de desertos sem fim. Falava das maravilhas das ciências e dos mistérios da fé. Falava de bicho e de gente – e também de assombração! Tião contava com gosto como montou numa Mula sem Cabeça e de como surrou um Lobisomem. E principalmente, de como quase casou com a Uiara que vivia no ribeirão que nascia ao pé da serra vizinha ao arraial. E como as crianças gostassem mais desta história, Tião punha mais tempero nela. Contava e exagerava na beleza da cabocla, de cabelos lisos e negros que nem a asa da graúna, de voz suave e límpida como o canto de sabiá e das lágrimas de diamante que ela verteu quando ele partiu. Tião terminou comovido o causo, mas respirou fundo e advertiu para nenhum menino tentasse procurá-la, pois lembrou que a Uiara sempre afogava quem se apaixonassem por ela.

Mas para Pedrinho o conselho lhe era surdo. Seus olhinhos brilhavam que nem dois mboitatás numa noite de lua nova. Talvez por esta ficando um homenzinho e o coração estivesse a ser picado por um bichinho novo, talvez por pura teimosia infantil de moleque arteiro e ardido, só sei que Pedrinho queria porque bem queria ver a tal moça do ribeirão. Queria tocar a cabeleira negra e lisa, queria ouvir sua voz suave e límpida. E embora Tião não tivesse dito, não duvido que Pedrinho sonhasse com os lábios rubros de beijos doces que nem o mel da jataí.

Sua cabecinha começou a maquinar uma de suas. Pediu para Tião contar de novo como e quando encontrou a Uiara. Claro que Tião contou alegre, mas no final, como a desconfiar de Pedrinho (já conhecia das artes do menino) perguntou o porquê do interesse. Pedrinho desconversou com uma risada sonsa e saiu a dar cambalhotas e piruetas. Como já a noite tivesse chegado e a história tivesse se acabado, as crianças foram seguindo as estripulias de Pedrinho, deixando o mascate em paz.

Mas tarde Tião foi ter com o velho Quincas Pimenta, pai de Pedrinho. Como já prevendo uma diabrura, foi preveni-lo. Desconfiou dos olhinhos brilhando que nem mboitatás. Quincas depois contou para Constança, sua esposa, que contou também o senhor vigário, pois assim haveria de mais gente para tentar por juízo em Pedrinho. O vigário conseguiu que Pedrinho confessasse seu desejo pela Uiara do ribeirão. Aí todos tentaram demover ele dessa idéia. Tião lhe contou causos e mais causos de homens que morreram afogados. Quincas prometeu uma boa sova caso ele fosse de noite ver a tal Uiara. O Vigário deu conselho e lembrou do fogo do inferno para quem se envolve com estas assombrações. Constança apelou para as lagrimas maternas. Finalmente, Pedrinho só teve sossego quando prometeu que não iria mais sair naquela noite. Os adultos, por precaução, passaram a vigiá-lo. Foi uma noite, duas, três, passou a semana e nada de Pedrinho fazer de suas artes para ver a sereiazinha. Tião acabou partindo com suas mercadorias. Quincas cuidava da roça e Constança fiava em casa. Pedrinho ia para escola e fazia suas pequenas travessuras, mas não falava mais na Uiara. Passou outra semana, e outra, no final, passou um mês.

Mas Pedrinho era ardido demais! Fez todos esquecerem a história para ele por seu plano em prática. Quando todos já estavam nas suas camas dormindo e roncando, quando o arraial era só sossego e silêncio, Pedrinho se levantou de sua cama, foi andando pé ante pé e devagarinho abriu a janela de seu quarto. E como menino useiro e vezeiro, pulou a janela e se esgueirou como uma sombra pela escuridão, até um tronco caído de jequitibá, onde ele havia guardado um lampião, um facão e um colar de continhas, tudo preparado de véspera para seu encontro com a Uiara.

Tudo pronto, ele entrou mata adentro e dentre os troncos, trilhava tranqüilo e traquino pelo arvoredo. A lua seguia alta como uma coroa prateada rodeado pelo manto de cetim negro do firmamento. O luar abria o caminho enquanto o lampião espantava as demais assombrações. Uma ou outra coruja passava com seu pio agourento. O coração de Pedrinho era um misto de medo infantil e valentia de adolescente. Duas léguas depois ele chegava a seu destino.

Ainda de longe deu para ver o espelho prateado da lagoa onde nasce o ribeirão. Pedrinho apagou seu lampião e deixou os olhos de acostumarem com a escuridão. Aconchegou-se perto de uma goiabeira conhecida sua e ficou a assobiar uma modinha que ouvira a alguns dias de seu pai. Nas mãos segurava o colar de continhas. Assobiou uma, duas, três canções que conhecia e nada da Uiara aparecer. Já estava quase desistindo quando surgiu de dentro da lagoa uma indiazinha bela.

Não era mulher feita como falava Tião, porém uma menina quase adolescente – como Pedrinho. Estava nua, usando apenas com uma pulseira de contas, um cordão cheio de muiraquitãs cingindo a cintura e um pingente de penas que se aninhava em seus seios. Ela nadou um pouco nas águas até chegar às margens e se sentou numa pedra negra. Ajeitada como uma rainha brejeira, ela colocou uma rosa na cabeleira e ficou a cantar. Era um solfejo terno, como de um sanhaço enamorado.

Pedrinho ficou a olhar, até que depois de alguns minutos tomou coragem e timidamente passou a assobiar, acompanhando a canção da cunhantã. A Uiara, bem brejeira, continuou sua canção de costa para Pedrinho, como se não houvesse mais ninguém nas cercanias. De simples acompanhamento passou a um dueto, em que o assobio do menino respondia aos solfejos da menina e vice-versa. Finda a ópera tapuia, a uiara se virou e acenou para o nosso herói. Ele saiu de seu esconderijo com seu presente.

A uiara ficou apaixonada pelo rapazote de cabelos ruivos como uma arara-pitanga, rosto suave como um anjinho barroco e de olhos escuros e brilhantes como mboitatás. Pedrinho também se apaixonara pela iara-mirim de cabelos negros e lisos, de lábios rubros e olhos lindos como muiraquitãs. Tião não havia mentido quanto à beleza da tapuia.

Assim que Pedrinho chegou perto, deu-lhe o colar de continhas. A Iara-mirim deu-lhe em troca um dos seus muiraquitãs, que colocou como pingente. Depois de trocados os presentes, os lábios dos dois se tocaram num beijo singelo, primeiro beijo de amor. Olhos fechados e lábios quentes, corpos se enlaçando no abraço infantil. Ficaram assim por alguns minutos, até quando se ouviu um alvoroço enorme e tochas vindo em direção da lagoa.

Foi tudo muito rápido. De uma hora para outra a Iara-mirim sumiu na lagoa e os pais de Pedrinho Malagueta mais alguns moradores do arraial chegaram ao ribeirão. Quincas ainda deu um puxão de orelha no menino. Dizia seu Quincas: Menino, mas não lhe disse para você ter cuidado com Uiara? E se ela tivesse pegado você e o levasse agora para o fundo do rio? Mas, não sei se por milagre ou por arte já calculada, Pedrinho inventou uma desculpa qualquer que lhe fez escapar de um bom castigo. Todos voltaram para o arraial. Pedrinho passou a mão no bolso e viu que o muiraquitã estava lá, como lembrança daquele beijo caboclo.

Agora, o engraçado é que, enquanto no mundo dos homens havia essa alvoroço todo, lá no ribeirão, lá no reino encantado das Mães d’Água, Botos, Paranamaias e Ipupiaras, a Iara-mirim também recebia sua bronca da Uiara-Mãe: Iara-mirim arteira e ardida, eu já não te falei para evitar de se encontrar com os homens da superfície? E se eles te fizessem mal e a levasse para ficar presa no aquário, como atração de circo?

Compadre, eu não sei como souberam deste detalhe. Só sei que foi assim que aconteceu. E acabou!

A Noite do Poeta

A Noite do Poeta

Valença; 01º de janeiro de 2005

“Para isso que somos feitos:
Para lembrar e sermos lembrados
Para chorar e fazer chorar
(…)
Por isso que temos braços longos para os adeuses
……………………………

Assim será a nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
(…)
……………… ver
A noite dormir em silêncio.

Não há muito que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez, de amor”
Poema de NatalVinícius de Moraes

“Para isso que somos feitos, para amar e ser amado”. Era nisso que meditava Aurélio quando voltava da festa. “Seria este o verso do Poetinha? E se fosse, teria dito ele só para os simples mortais ou também incluíram os poetas que vivem no Olimpo?”. Lá fora, o luar era silêncio e dúvidas.

A festa chegou inesperada. Num minuto Aurélio atendia o telefonema e no outro já adentrava na Kombi bege com alguns ex-colegas em direção ao clube de praia na cidade vizinha. Sua chegada era aguardada por todos, que queriam falar com o ilustre escritor. As mocinhas (algumas nem tanto) estavam alvoroçadas a espera de um autógrafo e quem sabe dançar com ele. Dos homens, Aurélio ouviu discursos e mais discursos, enaltecendo seu brilho e talento e relembrando os já distantes anos de colégio.

Aurélio não deixou de sentir certo gosto doce de ironia naquela festa: Ele, que sempre fora apupado por não ser um desportista, que tinha gostos estranhos como música clássica, sempre o preterido da turma; agora era o homenageado. Ao contrário dos demais colegas que arrastam uma existência reumática de herdeiro de pequenos negócios domésticos, bacharéis de província ou chefes subalternos de repartições públicas; Aurélio se tornou Doutor-professor de universidade federal, escritor famoso, cronista de jornal importante, capa de revista e entrevistado na TV – em suma, a única verdadeira celebridade naquela festa. Já que estava ali, aproveitou para se divertir e esquecer sua solidão olímpica. Bebeu, dançou, contou anedotas, tirou fotos. E já que era estranha e sinceramente amado por todos naquele recinto, passou a querer bem a todos eles, seus antigos carrascos escolares e atuais vassalos.

Porém, o mais estranho nisso tudo era o fato dele está ali, naquela festa. Aurélio sempre fora avesso a esses sentimentalismos e sua estada na cidade natal naquele fim de ano devia-se somente a sua querida avó enferma. Veio incógnito, pois queria sossego. Evitou sair pelas ruas. E além de dois ou três primos, só ligou avisando de sua chegada para uma velha amiga, Margot…

“Margot! Só poderia ser dela esta idéia!” Pensou Aurélio já meio ébrio. Fora dela o telefona do convite. Margot fora uma antiga paixão, um amor de adolescência, um primeiro alumbramento de jovem face aos mistérios do bicho mulher. Fora sua voz doce que o fez largar sua noite de estudos para estar ali. E ela fora a sua acompanhante desde a van até o salão, era sua guia naquela balbúrdia e seu anjo da guarda ao lhe lembrar os nomes de rostos já esquecidos. Ela estava linda no tomara-que-caia de seda negra com brocados prateados de inspiração chinesa. Usava um discreto colar de prata com um pingente de turmalina negra, numa rima ao seu corpo moreno e levantino.

Ela estava muito animada e parecia que não queria desgrudar de seu amigo. Já se passaram muitos anos que os dois pombinhos não se encontravam. Aurélio lhe contava suas aventuras na Europa, detalhes de sua vida de solteiro “dandy” e bastidores da vida cultural. Margot contava causos de sua vida de enfermeira-chefe do hospital da cidade vizinha e suas viagens pelo Brasil. Parecia até um casal de namorados…

Pareciam. E Aurélio ainda guardava no sótão do seu peito algo do primeiro amor, algo que nunca fora concretizado e que talvez seja o motivo que o levara a se expatriar de sua cidade natal. Percebeu, contudo, que havia algo de diferente nela. O olhar de Margot não trazia mais a melancolia de uma inglesa romântica. Antes, eram dois mboitatás a luzir nos pauis de uma noite sem luar. Esposo e filhos Margot não tinha para alegria de Aurélio. Porém ela usava uma aliança no dedo, que ele preferiu ignorar para o bem de sua ilusão.

A festa já começava a chegar ao fim. A banda tocava músicas cada vez mais lentas e o salão fora tomado por casais. Aurélio, sob efeito dos Syrah e dos Cabernet Sauvignon do Vale do São Francisco sentia-se mais corajoso para seguir em frente. Aproveitou para chamar Margot, que também já estava mais acesa, e foram dançar juntinhos. “Seria agora o momento de resolver de vez sua solidão e começar o namoro?” Já na quinta dança, corpos juntinhos, compasso lento de tema de amor, Aurélio olhou ternamente no fundo dos olhos cintilantes e aproximou suavemente seu lábio ao dela. Seria agora que…

Um pigarro interrompeu definitivamente seus sonhos. Era Judith, a garota mais bela e desejada do colégio, que tantos pecados encheu os corações de seus colegas. E em lugar do disputado Aurélio, era Margot quem convidava para dançar. As duas dançaram apaixonadamente. E trocaram beijos na boca e carinhos discretamente lascivos no salão. Seus olhares quentes denunciavam o amor sincero e mútuo.

Se para todos isso já era normal para Aurélio fora uma triste surpresa que procurou disfarçar com autógrafos e fotos. “Por que ela não contara? No final das contas, passara tanto tempo longe da vida de sua cidade natal?”. Não procurou explicações. Também evitou escândalos (e como poderia?) – afinal, não haveria mal nenhum em ela se apaixonar por outra pessoa.

Aproveitou esse momento de solidão para observar as outras pessoas. Seus ex-colegas não se casaram com nenhuma beleza espetacular. Muitos já não tinham as formas de atletas de outrora nem levavam a vida de glamour que Aurélio se acostumara nos salões literários internacionais. Mas eram felizes e amavam sinceramente seu colega famoso. E seu único amor que teve em toda vida era a mais feliz das convidadas, vivendo apaixonadamente com outra mulher. Quanto a ele, só lhe restava a glória de ser solteiro e célebre.

Na volta, quando todos estavam cansados, ele pode contemplar as duas dormindo juntas no fundo da Kombi. A mão delicada de Judith estava sobre o seio formoso de Margot, como a indicar posse afetiva e efetiva e excitamento pela tórrida noite de amor que as duas poderiam ter mais tarde, no aconchego de seu lar. Aurélio, só lhe cabia meditar melancolicamente. “Seria para isso que somos feitos? Pois é, meu caro Vinícius, os poetas foram feitos para sofrer no Olimpo. Aos demais mortais foi dada apenas a dúbia esperança de viverem na ilusão de amar...”

Memórias de um Boliche Denunciado

Memórias de um Boliche Denunciado

Último domingo de novembro, o primeiro de férias da nossa turma do curso de Letras com Inglês da UNEB. Depois de um semestre duro de projetos e mais projetos de pesquisas, seminários em cima de seminários sobre a literatura anglo-irlandesa de expressão pré-céltica; tratados sobre tratados acerca de lingüística gerativista aplicada ao processo de aquisição de terceira língua altaico mongol em uma comunidade de surdo-mudos indianos da ilha de Papua Nova Guiné; alguns alunos (desculpe-me a força do hábito, Profª. Cristina, eu deveria falar em "educandos") resolvemos quebrar a estafa com uma singela partida de boliche.

Confirmada a partida, na noite anterior eu procurei informar-me na internet sobre o funcionamento o jogo, as regras, as técnicas de lançamento da bola (bem, eu só conhecia o jogo pelos desenhos dos Flintstones). Quanto ao preparo físico... Deixei por conta de vintes levantadas de copos de cerveja com os amigos, em um bar próximo de casa. Afinal, o único esporte que eu pratico é o halteroCOPIsmo... Em suma, sentia-me super-tera-hiper-mega-preparado para jogar.

Da turma de uns trinta e poucos colegas encontrei-me com três. Bem, já foi um começo rever parte da turma nas férias. Marcamos a partida no Boliche em Brotas. Cheguei cedo - somente me atrasei em trinta e cinco minutos de meu "apertamento" em Campinas de Brotas até o Brotas Center. Clarice e Kátia já estavam fazendo uma concentração tática na lanchonete em frente, malhando bastante, comendo salgadinhos e tomaando sorvetes. Não demorou muito para chegar Mauro e entrarmos no Boliche.

Jogamos três boas partidas. Clarice, que já havia treinado antes, daria uma boa técnica de um futuro time de Boliche dos estudantes de Letras da UNEB. Volta e meia derrubava todos os pinos da pista, o que lhe garantia uma boa pontuação. Kátia e Mauro se revelaram bons jogadores. Mauro, eu colocaria na posição de artilheiro em nosso futuro time: Venceu as duas partidas, a primeira com 64 pontos, contra 48 da segunda colocada (fui o último, com 26 pontos). Kátia jogava com graça e firmeza - candidata forte a capitã do nosso futuro time, "English Letras UNEB Bowling Club". Quanto a Ricardo...

Eu fui um show à parte... em trapalhadas! Na primeira vez em que lancei a bola caí de cara no chão. Meus tiros foram precisos! Em acertar as bolas nas canaletas e não marcar nenhum ponto (não sei porque isso acontecia toda vez que usei a técnica "Flintstones" de correr nas pontas dos pés e lançar a bola com toda força no final). Bem, meu vexame teria sido menor se nas últimas jogadas eu não tivesse acertado a bola em minhas pernas, o que não só me fez cair na pista como acabei jogando minha bola na pista ao lado. Alvo de risada do Boliche inteiro, eu vi que minha posição no time é de "cartola", ou seja, só devo ficar assistindo as partidas, nunca jogando!

Durante a noite nossos professores foram muito bem lembrados. Cada pino era batizado com o nome das matérias e dos trabalhos que fizemos ao longo do semestre. Como foi relaxante derrubá-los e compensarmos aquela nota baixa ou o cansaço trabalhoso de ter preparado aquele seminário! Fora isso, ainda nos embriagamos com muito suco de laranja...

Mas entre mortos e feridos, se salvaram todos e nos divertimos bastante naquela tarde. Apesar de ter meus braços até agora doendo, devido aos esforços de jogar uma bola mais pesada que eu, espero que tenha outras partidas de boliche com os colegas da turma. Até lá, eu continuarei malhando, levando minhas taças de vinhos e meus copos de cerveja...

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Fragmentos de um diário - novas notícias de Jambom

No reino de Jambom, o escritor R Vidal acompanha sua colega de profissão, a "Senhorita B", através do telescópio, a partir da sua janela de seu sobrado. No determinado momento ela entra numa sombra e desaparece, deixando poucos vestígios de seu desaparecimento. Às vezes ela se depara com estes mistérios: escritores desaparecendo em meio à sombras. Sua única reação foi soltar um longo suspiro... Só resta esperar pela sua volta à Blogtopia para daqui a alguns meses.

Enquanto isso, na minha vida civil, aguardo a chegada de alguns livros para finalziar minha monografia. Infelizmente, precisarei adiá-la para o próximo semeste, por conta do atraso do meu cronograma. Fico até envergonhado de dizer isso para minha orientadora. Todavia, é preferível ficar ums emestre a mais na faculdade e escrever uma boa monografia a entregar um trabalho chifrin. Fora isso, falta ainda escrever o relatório de estágio IV e entregar os últimos trabalhos da disciplina "Tecnologia Aplicada ao Ensino de Inglês". Aprovado sei que estou. A questão agora é terminar com nota 10,0 na média final. Espero que minha apresentação sobre Blogs conte como ponto a favor.

Lendo o blog de Renata Belmonte, li seu posts mais recente, anunciando "férias do bloguiverso" por conta das atividades do grupo de pesquisa. Bem, poderia dizer que isso é um consolo e lembrar que todos os escritores não vivem imersos em literatura, que possuímos outros momentos fora da produção literária. É triste, mas é a vida civil que temos de viver.

No reino de Jambom que a história seria outra: R Vidal fecharia o livro da ficcção da vida civil e iria se deitar com sua musa isabel. Outro dia ele procuraria a Senhorita B e voltaria a comentar os livros e os aiatolás culturais. Quem sabe, ele apresentaria a ela suas idéias sobre as histórias da Sociedade do Cruzeiro???

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Sete anos depois 11-9

Eu ainda me lembro onde e comoe stava quando vi a notícia dos atentados de 11 de setembro: Tinha acabado de acordar (não havia aula de jornalismo naquela manhã), sequer tinha me levado. Apenas estava na minha cama, envolto na minha coberta, e liguei a televisão do meu quarto. Só não me lembro se na hora que liguei a televisão já estava ou não na cena das torres do WTC em chamas com o primeiro atentado. Fiquei o resto da manhã toda vendo aquilo. mais tarde, fui para o estágio do SINTSEF - onde continuei acompanhando o noticiário através da intenet. Copiei algumas notícias, ainda desencontradas (coitado e do pequeno e inexpressivo Exército Vermelho Japonês, apontado como autor dos atentados!!!!), sabendo que estes é dos raros momentos que podemos dizer: "Fui testemunha ocular da história".


O que se seguiu já é conhecido: O EUA via a guerra e o idiota do George W. Bush aproveita o momento para figurar como líder (que nunca foi) de um país pasmo pela surpresa. O Império Norte-Americano faz guerra contra Afeganistão e o Iraque. Saddan Hussein pagou o pato com a vida e o governo afegã do Talibã é convenientemente deposto em nome da democracia. Michael Moore faz sucesso com seu documentário "Fahrenheit 9/11", desmascarando a farsa Bush.



Também ficou clara mensagem de que o EUA perdeu a inocência de que seria imune de um ataque militar-político-guerrilheiro-terrorista-etc. Para quem passou duas guerras mundiais quase que ileso (01*) e se orgulhar de ter um dos mais famosos serviços secretos, os ataques de Al-Qaeda representou o fim do sonho de que a "América" (ou seja, os EE.UU.) era um solo inviolável, que ninguém atacaria a casa dos norte-americanos. Curiosamente, acho que também foi o único momento que o sentimento anti-americano foi visto como algo universlmente negativo. (Afinal, eram vítimas civis e inocentes que morreram de forma bárbara e desumana)



Mas o que ficou disso tudo, sete anos depois??? Acreditar que o governo norte-americano revisasse sua política imperialista era ser utópico demais. Pelo contrário, inicialmnte recrudeceu a diplomacia do canhão. Para os republicanos, foi a tábua de salvação para um governo que começou desacreditado e com suspeitas de fraudes. Para Bush Jr., serviu como camuflagem para sua inépcia - inclusive favorecendo sua posterior reeleição. Todavia, como o Iraque surgiu como uma espécie de novo Vietnã (menos inglório, seja dita da verdade), um vitória de Pirro que veio junto com os outros problemas que Bush Jr. não soube resolver, não é a tóa que Barack Obama surge como a grande aposta democrata nesta eleição. Será que a poeria dos escombros do WTC já baixou o suficiente nos corações norte-americanos??? Só no final do ano saberemos disso...



Tavez o que ficou do 11 de setembro, sete anos depois, foi apenas a sensação de ter visto um grande evento evento histórico (tal qual foi a queda do Muro de Berlim), dois filmes melosos sobre o vôo 93 da United Airlines, a retomada do movimento pacifista - que estava meio esquecido com o fim da Guerra Fria e um novo paradigma de vilão nos romances de espionagens: o fundamentalista radical muçulmano, para substituir o "perigoso comunista soviético" e "o nazista sanguinário do passado".



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01* - Talvez o Japão seja o único páis que conseguiu ferir o solo dos EUA durante uma guerra em 1942, através dos ataques ao Oregon (bombardeio do Fort Stevens em 21/07/1942 e o "Lookout Air Raid" de 09/09/1942) e o ataque a Ellwood de 23/02/1942.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Pescador de Melodias

Pescador de Melodias
(Para Dorival Caymmi)


Salvador; 04 de setembro de 2008

Serenai! Ondas, serenai!
Hoje a jangada não partiu
E a preguiça está muda na praia.
O violão está de luto
Porque o pescador de melodias
Navegou par’além do horizonte
E s’encontrou com a Estrela Marinha
No silêncio das lágrimas de sal.
Serenai! Ondas, serenai!
Ao fogo-fátuo está quieto no mangue,
As sereias estão tristes nos recifes.
Já não há mais canção
Para s’enamorarem.
O pescador de melodias dorme
Embalado pela maré do luar.
Mais tarde ele encantará as estrelas
Com suas modinhas praieiras.
Serenai! Ondas, serenai!
Serenais porque o pescador de melodias
Deitou-se na eternidade
E só de lá ouviremos suas canções.
Lá, só de lá da eternidade.

Fragmentos de um diário - minha terra e a política

Faz um bom tempo que eu fico mais de quinze dias em Valença. E como a cidade ficou mais divertida e interessante com a eleição, aproveitei para participar do carnaval das eleições (tudo bem, aqui é um blog de literatura, mas não dá para deixar de falar em eleições municipais). Candidato a prefeito, este ano, eu não tenho - as escolhas este ano são entre o menos pior, o piorzinho que está na base aliada Wagner e Lula, o pior de todos e o can&%$#lh@ que impôs sua candidatura. Apenas tenho a certeza de votar em Salete Lucena. No mais, certas coisas lá são de morrer de rir: 01) Inauguração de semáforo!!! Para quê???? Nem o prefeito poderia participar de algo tão... eleitoreiro... 02) Candidato a reeleição entrar com bloco de candidatura no meio do bloco da prefeitura no cortejo do 07 de setembro... Cláudio Queiroz, assim não dá!!! Usar a prefeitura para fazer campanha de reeleição. 03) Um candidato a prefeito dizer que é "excluído da pobreza" no meio do bloco do "Grito dos Excluídos"!!! "Tio" Ramiro, isso é demag&*$@ das grossa!!! Você estava no meio dos "excluídos da riqueza" que você representa. Olha o que fala....

No mais, encontrei o livro de poesia de Profa. Rosângela Góes, "Coração na Boca". Em breve escreverei a resenha do livro.

Biblioteca do Bardo Celta (Leituras recomendadas)

  • Revista Iararana
  • Valenciando (antologia)
  • Valença: dos primódios a contemporaneidade (Edgard Oliveira)
  • A Sombra da Guerra (Augusto César Moutinho)
  • Coração na Boca (Rosângela Góes de Queiroz Figueiredo)
  • Pelo Amor... Pela Vida! (Mustafá Rosemberg de Souza)
  • Veredas do Amor (Ângelo Paraíso Martins)
  • Tinharé (Oscar Pinheiro)
  • Da Natureza e Limites do Poder Moderador (Conselheiro Zacarias de Gois e Vasconcelos)
  • Outras Moradas (Antologia)
  • Lunaris (Carlos Ribeiro)
  • Códigos do Silêncio (José Inácio V. de Melo)
  • Decifração de Abismos (José Inácio V. de Melo)
  • Microafetos (Wladimir Cazé)
  • Textorama (Patrick Brock)
  • Cantar de Mio Cid (Anônimo)
  • Fausto (Goëthe)
  • Sofrimentos do Jovem Werther (Goëthe)
  • Bhagavad Gita (Anônimo)
  • Mensagem (Fernando Pessoa)
  • Noite na Taverna/Macário (Álvares de Azevedo)
  • A Casa do Incesto (Anaïs Nin)
  • Delta de Vênus (Anaïs Nin)
  • Uma Espiã na Casa do Amor (Anaïs Nin)
  • Henry & June (Anaïs Nin)
  • Fire (Anaïs Nin)
  • Rubáiyát (Omar Khayyam)
  • 20.000 Léguas Submarinas (Jules Verne)
  • A Volta ao Mundo em 80 Dias (Jules Verne)
  • Manifesto Comunista (Marx & Engels)
  • Assim Falou Zaratustra (Nietzsche)
  • O Anticristo (Nietzsche)