Sua Majestade, O Bardo

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Valença, Bahia, Brazil
Escritor e Professor de Literaturas Anglófonas. Autor do livro "Estrelas no Lago" (Salvador: Cia Valença Editorial, 2004) e coautor de "4 Ases e 1 Coringa" (Valença: Prisma, 2014). Licenciado em Letras/Inglês pela UNEB-Campus Salvador. Falando de mim em outra forma: "Aspetti, signorina, le diro con due parole chi son, Chi son, e che faccio, come vivo, vuole? Chi son? chi son? son un poeta. Che cosa faccio? scrivo. e come vivo? vivo."

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Soneto Beduino

Soneto Beduíno
(para o mestre Mustafá Rosemberg)

Valença; 24 de fevereiro de 2015 (05h25)

A noite de Kadr vale mais do que mil meses. 3
Nela, os anjos e o espírito descem, pela ordem
de seu Senhor, com todos Seus decretos. 4
Ela é a paz até o romper da aurora. 5
Kadr 97: 3-5 – Alcorão (tradução de Mansour Challita)

Vejo um cavalheiro que se afasta na bruma da noite
Rubái 158 – Omar Khayyam

O simum assobia entre as tamareiras d’oásis,
Suavemente colorindo de preces o Levante.
O Sol pardo cai solenemente detrás das dunas,
Enquanto uma noite de paz cobre o horizonte.

O beduíno, banhado a face pelo luar argênteo,
Descortina com seus olhos afiados a imensidão.
De êxtase, fé e alegria sente queimar seu sangue.
Então monta seu corcel para singrar os ventos.

Branco albornoz dança sob a lua do Ramadã,
Enquanto o cavalheiro vence léguas d’estrelas,
Sentindo a poesia sublime escrita na Criação.

Sheik de si mesmo nessa cavalgada selvagem,
Ele descobre poemas em cada beijo da brisa,
Em cada grão de areia, descobre ele mistérios.

P:.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Cancao do Dique de Tororo

Canção do Dique de Tororó

Valença; 18 de fevereiro de 2015 (03h50 AM)

I
Axé, querido Dique de Tororó!
Espelho d’água, Ilha de verde
No meio da selva de concreto,
Quantos mistérios e segredos
Eu beberia em suas águas negras?
E lá os orixás residem majestosos,
Como reis e rainhas dessa cidade
De todas as deidades e santos.

Axé, querido Dique de Tororó!
Peço licença para o Senhor Exu, 
Que ele abra todos os caminhos
Dessa difícil estrada da poesia
E me permita esse meu cantar
Colhida nas notas da gaita galega.
Axé, Mestre Exu! Laroiê, Laroiê!


II
Eu fui para o Dique de Tororó,
Beber água, não achei… Achei
Uma Iemanjá morena e tropical
Que me pescou com um doce beijo 
Apimentado e por ela me enfeiticei.

A Lua foi para o Dique de Tororó,
E nas águas morena ela se banhou! 
Saiu morena e vaidosa como Oxum.
Do luar fez uma tiara de prata e encantos
E com as estrelas e pulsares ela enfeitou.

E nas margens do Dique de Tororó,
Ela passeou, entregando, qual musa,
Seus beijos para os boêmios e poetas.
Eu estava entre os eleitos naquela noite,
Elevando-me da massa ignara e obtusa.

Era noite calma no Dique do Tororó
Quando, com chama e volúpia pagãs,
Minha musa eu beijei. Era gostoso ver
Passar enlouquecida a estéril vida civil
Enquanto a musa me crismava seu ogã.

O Tempo passou no Dique de Tororó
E chegou a hora da Lua morena partir.
Subiu num cometa, rumo à imensidão.
E desde então canto pelas noites de Luar
Para ver minha musa eterna, no céu, sorrir.

Eu fui para o Dique de Tororó,
Beber água, não achei… Achei
Uma Iemanjá morena e tropical
Que me pescou com um doce beijo 
Apimentado e por ela me enfeiticei.


III
A cornamusa galega segue chorosa,
É hora de dizer adeus aos Orixás!
A escuridão se confunde com o asfalto,
E as luzes e buzinas furiosas lembram
Que já não mais tempo para poesia.
Mas as águas ancestrais de Tororó 
Continuam pulsando sua força e axé,
Como uma ilha de paz e tranquilidade
Na agitada metrópole ensandecida.

Nas Margens do Tororo

Nas Margens do Tororó

Salvador; 22 de outubro de 2001

O meu amor chorou. Suas lágrimas
Chegaram às águas negras de Tororó.
A escuridão se confundiu com o asfalto,
Os carros zuniam em exames.
Meu amor chorou. A cidade corria
Na hora melancólica do rush
Como uma manada de elefantes em fúrias.
Mas o meu amor chorou de solidão…

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Canto Peruano

Canto Peruano

Valença (Kiosk de Pelegrini); 03 de fevereiro de 2015 (10h50)

Luana, bella como una luna,
Vem como uma sereia do Pacífico
Filha divina de Manco Capac,
É o Sol inca que viaja e encanta,
Cavalgando as nuvens de flores,
Para reinar, qual sublime Coya
Que conduz as virgens no Acllahuasi
Luana, bella como una estrella,
Teus olhos negros são pérolas
Raras nascidas em Tahuantinsuyu
E teu sorriso, carrossel de diamantes,
Ilumina a noite dourada sobre Cuzco.
Os vulcões, gigantes dos Andes,
Cantam sua fúria ardente e mágica,
Enquanto a Condor voga pelos ventos
De tua cabeleira negra e macia.
Esses são os encantos peruanos,
Segredos que se revelam no Rio Una,
E que os ojos de Luana traduzem.

NOTAS
MANCO CAPAC – FUNDADOR E PRIMEIRO IMPERADOR INCA.
COYA – IMPERATRIZ, ESPOSA LEGÍTIMA E MÃE DO HERDEIRO DO IMPÉRIO INCA.
ACLLAHUASI – CASA DAS “VIRGENS DO SOL”(MOÇAS DESTINADAS AO SERVIÇO RELIGIOSO).
TAHUANTINSUYU – NOME QUE ERA CONHECIDO O IMPÉRIO INCA EM SUA LÍNGUA NATAL.
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domingo, 1 de fevereiro de 2015

Fogo de Beltane

Fogo de Beltane

Valença; 1º de fevereiro de 2015 (04h19)

O bardo dança em volta da estrela cristalina,
Vendo faíscas e fogos saltitando na escuridão.
Sortilégios ele entoa na sua cornamusa ferina,
Enquanto seus versos conquistam a imensidão.

Noite de mistérios quentes como uma turmalina
Colhida nalgum templo perdido no Hindustão,
Beltane é tempo de fogueira sagrada e feminina,
Quando poesia e magia, sobre o luar, se unirão.

O bardo rouba a música de cada esfera celestial,
Desafia todos os cometas com seu cantar fremente,
Com suas estrofes faz serenar ventanias e trovões.

E o bardo dança e delira! Vibra com força marcial,
Rompendo cada fibra de suas entranhas ardentes,
Para fustigar os deuses com o mel de suas canções.

Biblioteca do Bardo Celta (Leituras recomendadas)

  • Revista Iararana
  • Valenciando (antologia)
  • Valença: dos primódios a contemporaneidade (Edgard Oliveira)
  • A Sombra da Guerra (Augusto César Moutinho)
  • Coração na Boca (Rosângela Góes de Queiroz Figueiredo)
  • Pelo Amor... Pela Vida! (Mustafá Rosemberg de Souza)
  • Veredas do Amor (Ângelo Paraíso Martins)
  • Tinharé (Oscar Pinheiro)
  • Da Natureza e Limites do Poder Moderador (Conselheiro Zacarias de Gois e Vasconcelos)
  • Outras Moradas (Antologia)
  • Lunaris (Carlos Ribeiro)
  • Códigos do Silêncio (José Inácio V. de Melo)
  • Decifração de Abismos (José Inácio V. de Melo)
  • Microafetos (Wladimir Cazé)
  • Textorama (Patrick Brock)
  • Cantar de Mio Cid (Anônimo)
  • Fausto (Goëthe)
  • Sofrimentos do Jovem Werther (Goëthe)
  • Bhagavad Gita (Anônimo)
  • Mensagem (Fernando Pessoa)
  • Noite na Taverna/Macário (Álvares de Azevedo)
  • A Casa do Incesto (Anaïs Nin)
  • Delta de Vênus (Anaïs Nin)
  • Uma Espiã na Casa do Amor (Anaïs Nin)
  • Henry & June (Anaïs Nin)
  • Fire (Anaïs Nin)
  • Rubáiyát (Omar Khayyam)
  • 20.000 Léguas Submarinas (Jules Verne)
  • A Volta ao Mundo em 80 Dias (Jules Verne)
  • Manifesto Comunista (Marx & Engels)
  • Assim Falou Zaratustra (Nietzsche)
  • O Anticristo (Nietzsche)