Sua Majestade, O Bardo

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Valença, Bahia, Brazil
Escritor e Professor de Literaturas Anglófonas. Autor do livro "Estrelas no Lago" (Salvador: Cia Valença Editorial, 2004) e coautor de "4 Ases e 1 Coringa" (Valença: Prisma, 2014). Licenciado em Letras/Inglês pela UNEB-Campus Salvador. Falando de mim em outra forma: "Aspetti, signorina, le diro con due parole chi son, Chi son, e che faccio, come vivo, vuole? Chi son? chi son? son un poeta. Che cosa faccio? scrivo. e come vivo? vivo."

domingo, 25 de maio de 2014

Canção do Farol Mudo

Canção do Farol Mudo

Valença; 24 de maio de 2014 (03h59)

Sobre um sol ruivo na imensidão,
Meu farol se calou.
Cansou da indiferença das ondas
E teimosia das Naus.
Nos novos códigos de seu silêncio,
Resolveu-se se rebelar:
Será um falo iracundo no horizonte,
Zombando da vida,
Enquanto sorrir ternamente para as estrelas…


Canção do Ninho de Amor

Canção do Ninho de Amor

Valença; 21 de maio de 2014 (21h23)

Sou um ninho de amor, cheio de estrelas,
O sonho cósmico que fecunda as mentes.
Deixo correr meu estro:
Serei um sátiro em meio às ninfas
E em uma cama sobre as galáxias
Repetirei os ritos flambados da Criação.

Sou um ninho de amor entre cometas,
Alcova ctônica onde descubro os mistérios.
Corro meus poemas altaneiros
Como uma lança turquesa lançada no infinito
E explodo minhas paixões e delírios
Através dos oceanos de orquídeas selvagens.

Sou um ninho de amor,
E Eros é o deus de minha alma,
Que transforma em alquimia
Todos os sonhos e desejos e estrelas…
Pois o poeta nutre-se do amor das esferas.


Balada Amarga

Balada Amarga

Valença; 24 de maio de 2014 (03h48)

Hoje o meu estro mergulhou em um oceano de amargura
E passou descrê na Humanidade. Sim, virei descrente…
Não há como olhar as estrelas sem ficar com vergonha de nós:
Vergonha de nossos pensamentos,
Vergonha de nossa mesquinhez,
Vergonha de nosso sorriso impróprio,
Vergonha de nosso choro contido,
Vergonha ter termos vergonha…
Penso, se acaso pudéssemos cavalgar um poema
E dar um giro nesse carrossel de cometas
Que são nossos sonhos, veríamos o verdadeiro tamanho
Que é a nossa humanidade…
Ah, como penso na riqueza dos exoplanetas
E no silêncio quântico da matéria escura!
Como penso na arte como a décima dimensão da matéria!
Como penso na filosofia como a quinta-essência do Tempo!
E tudo que ser humano possui é a sua pequenez.
E é gozado ver a contradição: Pegamos nossos foguetes
Para construir um universo de paz e ambições nobres
No qual espelhamos as nossas falhas…

Sim, musa, meu estro está ácido como a atmosfera de Vênus
E meus olhos amargos censuram a cretinice da ex-amada.
Sei que também tenho meus momentos de vilania,
Sei que também sou humano, demasiadamente humano nos meus erros…
E não me vanglorio quando rasgo a seda da realidade
E confesso que minhas quimeras moram no infinito.
E de lá do infinito ergo castelos de cristais e poeira,
Zarpo numa espaçonave de chocolate
E marinheiro de minhas dores, cravo minha bandeiras
Nos territórios perdidos da palavra ignota.
Sim, musa estelar com voz de uirapuru
E cabelo negro de uma Cleópatra hollywoodiana,
Sei que minha canção é um delta sideral do Okavango,
Bebeu nas fontes de Bandeira e Morais,
É filho bastardo de Nietzsche e das flores,
E que em nada há de ser sublime ou divina na sua pequenez.
Sei que a província é amada por ser meu exílio,
Meu eterno refúgio das sombras onde lanço minha nau.
Mas eu quero ser um Napoleão das páginas em branco.
Vestir a roupa de Átila e cruzar esse território de dragões,
Devastando as consciências tranquilas e as hipocrisias.
Quero ser o cataclismos do “coxinhas” cegos
A desafinar o coro dos conformados.
E com sabre de minha lira, farei cair em si
E desesperar e descabelar e descentrar
Tanta vida esnobe e vazia na Teia Mundial.

Mas não há como ser uma Poliana jogando o jogo do contente,
Quando todos os dias uma Sheherazade carnívora
Vomita sua virulência farisaica no ventilador.
Não, quando o rebanho insiste em nos levar para direita,
Por o Grande Irmão assim o quer por capricho.
Então minha crítica procura o cosmo para refúgio,
Na esperança de que um buraco-negro

Possa levar-me a um novo Big Bang…

domingo, 18 de maio de 2014

Canção a Moda Tatiba

Canção a Moda Tatiba
(para meus amigos Taciano e Isamara)

Valença; 17 de abril de 2014

Quero todos os temperos dessa vida
Misturado com centauros e estrelas,
Para que eu possa comer num banquete.
Quero todos os vinhos sentimentais
Derramados no cristal do olhar,
Para acompanhar meu petit gateau.
Quero todos os sabores e sonhos,
Todos os aromas e auroras,
Todos os pratos e poemas,
Reunidos numa única estação poesia.

              Quero degustar, dentre galáxias,
              As fadas verdes e o alecrim dourado
              Que nascem além do luar vermelho.
              Quero as papilas encantadas
              Com as novas alquimias tatibas.

Quero temperar com música a mocidade
E no meio da boa boemia, rasgar
O horizonte como um carrossel de delícias.
Quero fecundar o paladar com surpresas,
E no jambalaya, embriagarei o olhar.
Quero mojitos como cometas cubanos
Preenchendo o céu de veludo flambado,
Salpicado de pérolas e sorrisos.
Ah! Mágica Estação de delícias!
É com essas especiarias singulares
Que seguirei a vida como menestrel dos sabores…


Soneto a Moda Tatiba

Soneto a Moda Tatiba
(para meus amigos Taciano e Isamara)

Valença; 17 de abril de 2014

Com alho eu tempero o mistério
Que fará do prato uma sinfonia.
E com o curry, entro em sintonia
Para que o guisado fique feérico.

O molho, no fogo, acerta o ponto. Pronto!
Baila magistralmente o camarão na panela,
Dourando o abacaxi com sonhos de canela.
O segredo do jambalaya? Esse não conto…

A noite ganha novos aromas e sabores,
Quando chegam os namorats enamorados.
E o filé alto (que delícia!) convida ao pecado,

Os vinhos formam um caleidoscópio de olores
E o mojito lunar completa essa doce alquimia

De tempero e arte dessa singular Estação Poesia.

Biblioteca do Bardo Celta (Leituras recomendadas)

  • Revista Iararana
  • Valenciando (antologia)
  • Valença: dos primódios a contemporaneidade (Edgard Oliveira)
  • A Sombra da Guerra (Augusto César Moutinho)
  • Coração na Boca (Rosângela Góes de Queiroz Figueiredo)
  • Pelo Amor... Pela Vida! (Mustafá Rosemberg de Souza)
  • Veredas do Amor (Ângelo Paraíso Martins)
  • Tinharé (Oscar Pinheiro)
  • Da Natureza e Limites do Poder Moderador (Conselheiro Zacarias de Gois e Vasconcelos)
  • Outras Moradas (Antologia)
  • Lunaris (Carlos Ribeiro)
  • Códigos do Silêncio (José Inácio V. de Melo)
  • Decifração de Abismos (José Inácio V. de Melo)
  • Microafetos (Wladimir Cazé)
  • Textorama (Patrick Brock)
  • Cantar de Mio Cid (Anônimo)
  • Fausto (Goëthe)
  • Sofrimentos do Jovem Werther (Goëthe)
  • Bhagavad Gita (Anônimo)
  • Mensagem (Fernando Pessoa)
  • Noite na Taverna/Macário (Álvares de Azevedo)
  • A Casa do Incesto (Anaïs Nin)
  • Delta de Vênus (Anaïs Nin)
  • Uma Espiã na Casa do Amor (Anaïs Nin)
  • Henry & June (Anaïs Nin)
  • Fire (Anaïs Nin)
  • Rubáiyát (Omar Khayyam)
  • 20.000 Léguas Submarinas (Jules Verne)
  • A Volta ao Mundo em 80 Dias (Jules Verne)
  • Manifesto Comunista (Marx & Engels)
  • Assim Falou Zaratustra (Nietzsche)
  • O Anticristo (Nietzsche)