Sua Majestade, O Bardo

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Valença, Bahia, Brazil
Escritor e Professor de Literaturas Anglófonas. Autor do livro "Estrelas no Lago" (Salvador: Cia Valença Editorial, 2004) e coautor de "4 Ases e 1 Coringa" (Valença: Prisma, 2014). Licenciado em Letras/Inglês pela UNEB-Campus Salvador. Falando de mim em outra forma: "Aspetti, signorina, le diro con due parole chi son, Chi son, e che faccio, come vivo, vuole? Chi son? chi son? son un poeta. Che cosa faccio? scrivo. e come vivo? vivo."

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

cronica - escritores que não escrevem

Ainda pouco, quando despedia-me de mais fim de semana, encontrei no Orkut uma comunidade que se chamava: "Escritores que não escrevem". Logo me lembrei de uma matéria da Playboy, feita ou ilustrada por Alan Sieber sobre uma das edições na FLIP (Festa Literária Internacional de Parati), em que havia uma charge sobre a exiguidade de páginas dos novos autores*. Achei curiosa esta comunidade exatamente porque estou terminando minha monografia e fiquei algum tempo sem escrever meus poemas. Sentia-me como um escritor que não escreve. Mas, vejamos alguns fatos:
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Uma comunidade dessa parece paradoxal, mas não deixa de desnuda o que ocorre com a internet. O fato de termos na internet uma ambiente comunicacional (ainda) focado na escrita, que não possue "gatekeeper" para a circulação de informação, faz com as pessoas, usando os blogues, sintam-se livres para escrever. Nisso que se proliferam poetas, contistas, cronistas e outros gêneros de "escritores" em uma proporção aparentemente maior que outros tempos. Diferente de a trinta, quarenta anos atrás, em que as dificuldades técnicas de editar um texto em papel fazia com que muitos autores fossem "eternamente" inéditos; hoje, toda e qualquer pessoa que queira publicizar o seu texto todo para (literalmente) todo o mundo, pode fazê-lo. Basta, para tanto ter acesso a internet e usar as ferramentas gratuítas disponíveis. Não importa se o texto for apenas uma linhas, poucas palavras ou simplesmente raso.
Mas que está na pauta? Microcontos, fanfics, nanopoemas e minicronicas. Nada de grande monta ou pretensões. E as refêrencias praticamente se prendem a uma cultura cyberpop: o blockbuster do momento, o hit musical top five da web-estação e disponível para download, E-zines da galera, o viral ou o hoax que sempre volta em corrente de e-mails, o blogue ou twitter do momento. Às vezes, até o best-seller da semana serve como referência, que gera novos blogues, home-pages e comunidades. Esta literatura sem texto não precisa ser teclada (o atual equivalente do escrever) conhecendo a língua portuguesa com segurança - o internês (consiso e telegráfico) para que, com siglemas e contrações, os textos nasçam na tela do computador - pelo menos, é o que se pode observar na maioria.
Isso significa que a nova geração de escritores é raca, comparada as anteriores? E creio que não. Claro, há muito de mediocridade, pastiches e lixo sendo jogado na rede. E da mesma forma que alguns blogueiros não podem ser considerar "jornalistas" de fato (apesar de agirem como se fossem e aí cabe ao público saber separá o joio do trigo e não comprar gato por lebre), muitos des ses "escritores que não escrevem"não podem sequer a aspirarem a ser autores de pulp-fiction. São neo-diletantes, amadores que aproveitam a facilidade da internet para se fazerem ouvir. Porém, e aí está o grande barato da internet: descobrir e ler ótimos autores que, sem outros meios, talvez estaria hoje no limbo de eternos inéditos e poderiam morrer esquecidos.
Felizmente (apesar de haver hoje méios técnicos para tanto), muitos dos escritores que não escrevem, realmente não aspiram a serem editados em livros. E as árvores que não foram abatidas agradecem. Só sendo muito diletante ou tendo alguma qualidade é que dão o salto qualitativo da tela para página e produzem literatura.
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Talvez a vertentes da discussão não seria essa, da "não-literatura na internet". O papo seria: afinal, o que é o escritor?
Escritor é quem escreve algo com algum que a mais. O escritor é o artista, enquanto o escriba é o artesão. E como o texto escrito foi o suporte por excelência do artista da mimesis pela palavra, escritor... escreve! Livros, no sentido gutembergiano da expresso: códice encardenado, páginas enumeradas, capa, racionalidade linear, editados e reproduzidos quando o papel recebe a tinta presente nos relevos dos tipos. Mesmo sendo concretistas e fazendo brincadeiras gráficas com a página, ainda sim o texto só texto quando as palavras seguem a fila indiana na folha de papel. Mas isso é no sentido tradicional da palavra.
E as mudanças tecnológicas? No Brasil, há autores de telenovelas estão na mesma qualidades de autores clássicos. Como esquecer que Dias Gomes, imortal da ABL, também escreveu textos antólogicos da teledramaturgia. Igualmente, medalhões como Machado de Assis, José de Alencar e Alexandre Dumas escreviam folhetins, e como folhetins surgiram livros com "Iracema". Se pensarmos bem, por melhor que se possa ser uma novelização, uma obra como "Vamp", "Que rei sou eu?" e "Roque Santeiro" são boas porque foram para TV e uso o que a linguagem da TV poderia dar.
E o que impediria de surgir na internet uma literatura que só funcione neste ambiente? Eliana Mara editou (muito bem, por sinal) seu livro "Fábulas Delicadas" (favor ler resenha abaixo) a partir do seu blogue. E muitos blogueiros aspiram a verem suas obras no papiro, encardenado, como um bom livro. Mas não seram todos que podem fazer a migração intersemiótica. Digo assim: E quem escreve no Twitter? E blogues como "Te dou um dado"? É como pensar nos cronistas, articulistas ou em alguns poetas cujos textos estão dispersos na imprensa: escrevem sim, não estão no formato livro.
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Na verdade, o chavão é inevitável: estamos no auge de uma revolução em andamento e fato de vivermos ela agora, a proximidade não nos permiter ter ainda uma visão de conjunto.
Lembro-me agora das aulas de André Lemos, sobre Comunicação e Tecnologia, FACOM/UFBA. Hoje, a idéia do livro como códice está tão cristalizada que esquecemos dos pergaminhos enrolados e das tábuas de argila. Para nós, escrita, alfabeto e códice impresso estão tão interligados que parecem que surgiram juntos. E estamos falando de tecnologias distintas no tempo. E por isso que uma comunidade no Orkut, de "escritores que não escrevem", possam parecer estranha. E que no fundo, seus objetivos estão anos-luz de distância desta crônica. E qual a charge de Alan Sieber, é um humor sobre um fato que não é tão relevante assim: o texto da Tábua de Esmeralda é realmente pequeno. Contudo, deuses nasceram e morreram às margens do rio Nilo e o texto continua vivo, portador de uma beleza esotérica e perene e ainda seguirá por séculos intrigando a mente do homem. E um dos texto mais lidos de Karl Marx é um manifesto com menos de 50 folhos. Será que um dos autores com livros magros nãoe stão fadados a serem os clássicos de outras gerações?
*Como não achei a imagem na internet, fica descrição da cena: em uma mesa de bar, três "escritores estreantes" comentam o tamanho de seus livros. geralmente não alcançando mais do que 100 páginas. Lembro-me também que no texto, havia o comentário de ue livro com mais de 300 página era artigo em extinção...

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Fabulas delicadas em tempos de blogues

Ricardo Vidal

Escritor, formado em Letras (Inglês) pela UNEB/Salvador.



O escritor italiano Marinetti, no início do século passado, imaginou que a literatura do futuro teria na velocidade seu valor central. No mundo do futuro tudo é rápido e os textos se-riam telegráficos e bruscos como uma facada, em que a poesia diria o máximo com o mínimo de palavras. Isso parece se confirmar atualmente com a internet e os celulares. A necessidade de se passar à informação em tempo real criou novas formas minimalistas de literatura (como indrisos, poetrix e microcontos), que se adequam a esta nova linguagem seca e instantânea. Deste modo, haveria ainda espaço para uma literatura mais suave? Para a escritora Eliana Ma-ra Chiossi, a resposta é sim, como pode se ler no seu livro de estréia, «Fábulas Delicadas».

«Fábulas Delicadas» (editora Escrituras) é uma coletâneas de 107 textos em prosa (pu-blicados originalmente em blogues), divididos em nove sessões reunidas em um volume de 112 páginas. Os textos se constituem em um único parágrafo, onde Eliana narra e disserta so-bre fulgazes instantes capturados pela sua escrita feminina e contemporânea. Oficialmente, e-les estão catalogados como contos, mas a riqueza das expressões aliada com a suavidade com que a autora trata os temas os colocam próximos aos poemas em prosas de Charles Baudellai-re e Raul Pompéia.

Nos seus textos, a brevidade da narrativa não significou o surgimento de cortes cinema-tográficos secos, onde as idéias são lançadas rapidamente nos papel – como em «Pau Brasil», de Oswald de Andrade, e «Martim Cererê», de Cassiano Ricardo. Pelo contrário, delicada-mente Eliana conduz o leitor pelos textos do livro, em que concisão da palavra é como um ri-acho que serenamente encontra sua foz. Sua poesia é fluida e macia, mesmo quando trata de temas fortes (como em “Cenário” e “Face”). Aliás, a fluidez de sua escrita acaba refletindo nas imagens recorrentes ao campo semântico da água: rio, chuvas e ondas. Exemplo disso são os textos “Arquipélago” (‘Este rio destemperado e provisório, enchente e charco’) e “Embar-que” (‘Água tão cristalina, água convicta: sou uma mulher sozinha’).

Nesta linguagem diáfana o lírico convive com o humor, o místico, a saudade e a refle-xão, bem ao gosto da escrita feminina. Exemplo disso é o texto “Proprietária”, no qual Eliana fala de Jesus Cristo como alguém próximo e humano, quase uma criança pura similar ao me-nino Jesus descrito por Fernando Pessoa / Alberto Caeiro em “O Guardador de Rebanho” e di-ferente do Cristo crucificado institucionalmente nos altares. Como ela diz: ‘Jesus é Cristinho e é meu. Já ajustamos nossos idiomas. Ele sabe que eu o entendo’.

Com uma linguagem envolvente, «Fábulas Delicadas», de Eliana Mara, é um livro arre-batador, que traz instantes de suavidade e poesia em meio ao caos frenético da vida urbana.

Eliana Mara é escritora e professora universitária (Ufba e Uefs) paulistana radicada na Bahia, doutora em Estudos Literários Mantém o blogue “O mundo tem inscrições sempre a-bertas” (www.inscricoessempreabertas.blogspot.com) . Assina a sessão ‘Crônica Havaianas’, na revista literária digital “Verbo21” (www.verbo21.com.br).



Salvador, 27 de abril de 2010 (madrugada)

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

No Reino de Jambom - reflexoes

No reino de Jambom, a noite chega para encerrar mais um domingo. o escritor R Vidal vê a sua escrivaninha predileta com papeis bagunçados. Confundessem projetos de mestrado, literatura e trabalhos de comunicação. Por isso que ele se levanta agora e vai para a janela. Procura no horizonte alguma resposta para uma pergunta que não sabe ainda qual é. Sente angústia - o relógio na praça mostra que o tempo voa. Mas o que ele poderá fazer, a não ser amanhã correr entre o novo cartaz para o Ministério e a leitura de mais um capítulo de Genette?
Enquanto, na ficcção da vida civil, só há trabalho, estudos e concurso. Ano que vêm acontecerá a Bienal e um novo livro de poesia urge de ser lançado...

Biblioteca do Bardo Celta (Leituras recomendadas)

  • Revista Iararana
  • Valenciando (antologia)
  • Valença: dos primódios a contemporaneidade (Edgard Oliveira)
  • A Sombra da Guerra (Augusto César Moutinho)
  • Coração na Boca (Rosângela Góes de Queiroz Figueiredo)
  • Pelo Amor... Pela Vida! (Mustafá Rosemberg de Souza)
  • Veredas do Amor (Ângelo Paraíso Martins)
  • Tinharé (Oscar Pinheiro)
  • Da Natureza e Limites do Poder Moderador (Conselheiro Zacarias de Gois e Vasconcelos)
  • Outras Moradas (Antologia)
  • Lunaris (Carlos Ribeiro)
  • Códigos do Silêncio (José Inácio V. de Melo)
  • Decifração de Abismos (José Inácio V. de Melo)
  • Microafetos (Wladimir Cazé)
  • Textorama (Patrick Brock)
  • Cantar de Mio Cid (Anônimo)
  • Fausto (Goëthe)
  • Sofrimentos do Jovem Werther (Goëthe)
  • Bhagavad Gita (Anônimo)
  • Mensagem (Fernando Pessoa)
  • Noite na Taverna/Macário (Álvares de Azevedo)
  • A Casa do Incesto (Anaïs Nin)
  • Delta de Vênus (Anaïs Nin)
  • Uma Espiã na Casa do Amor (Anaïs Nin)
  • Henry & June (Anaïs Nin)
  • Fire (Anaïs Nin)
  • Rubáiyát (Omar Khayyam)
  • 20.000 Léguas Submarinas (Jules Verne)
  • A Volta ao Mundo em 80 Dias (Jules Verne)
  • Manifesto Comunista (Marx & Engels)
  • Assim Falou Zaratustra (Nietzsche)
  • O Anticristo (Nietzsche)