Sua Majestade, O Bardo

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Valença, Bahia, Brazil
Escritor e Professor de Literaturas Anglófonas. Autor do livro "Estrelas no Lago" (Salvador: Cia Valença Editorial, 2004) e coautor de "4 Ases e 1 Coringa" (Valença: Prisma, 2014). Licenciado em Letras/Inglês pela UNEB-Campus Salvador. Falando de mim em outra forma: "Aspetti, signorina, le diro con due parole chi son, Chi son, e che faccio, come vivo, vuole? Chi son? chi son? son un poeta. Che cosa faccio? scrivo. e come vivo? vivo."

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Noticias do Reino de Jambom - Halloween


No Reino de Jambom, o Castelo do Bardo está em festa! Noite de Halloween, o escritor R. Vidal aproveita a data para se divertir e lembrar suas origens celtiberas. Toca gaita gallega, dança, está fantasiado como o vingador de "V de Vendetta", se diverte com seus convidados. Musa Isabel está linda, de fada Titânia. Outros escritores, artistas e intelectuais amigos brincam na festa do castelo.

Na ficção a vida civil, a sala está vazia e calma. Os últimos dias de férias antes do retorno à monografia de conclusão de curso.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Green Eyes

Green Eyes

Salvador; July 02nd 2008

Your green eyes is a lighthouse,
A sweet lighthouse of Dreams
That I find golden treasures
In your smile of the fairy.
Your green eyes is a constellation
Of diamonds of fire and ice,
A constellation of Beauty.
In you’re your green eyes I find
The magic song of Sirens,
The song where I travel
Among clouds of Serenity
In the lands of Moon.

domingo, 26 de outubro de 2008

Carmagedon 02 e a Filosofia Contemporânea

Carmagedon 02 e a Filosofia Contemporânea
(Uma tentativa de Ensaio Filosófico)

Pode um simples jogo de computador servir como gatilho para uma análise filosófica? Sinceramente acho difícil que um jogo como “Paciência (Solitaire)” ou “Freecell” possa levar alguém a refletir sobre John Locke, Averróis ou Pitágoras – até porque sua extrema simplicidade chega a ser irritante. Contudo, um jogo violento e controverso como “Carmagedon 02 – Carpocalypse Now” possui vários elementos intrigantes que podem invocar alguns conceitos e problemas debatidos pela filosofia contemporânea – principalmente aqueles evocando pela tríade germanófona que definiu a civilização ocidental no século XX.

Para situar-se diante dos pontos que serão levantados neste ensaio, é preciso primeiro conhecer o jogo em questão. Pelo título, observam-se alguns trocadilhos infames e divertidos – Carmagedon, nome da franquia, é uma junção de Car (Carro em inglês) e Armagedon, a camppo da batalha do Juízo Final segundo a Bíblia. Na mesma linha, Carpocalypse Now, além de reforçar a brincadeira entre Carros e o Fim do Mundo, também é uma paráfrase ao famoso filme de guerra de Francis Ford Coppola – como a deixar claro que o ambiente será de plena selvageria. Com este nome, percebe-se que o jogo não será tão inocente assim… E ele não é mesmo. É uma corrida de demolição cujo um dos atrativos está no atropelamento de pedestres. O jogo é composto de fases de quatros corridas, das quais as três primeiras o jogador começa com um tempo limitado que será ampliado à medida que ele destrói os carros e/ou atropele os pedestres (o que também implica em recebimento de créditos). A última corrida fase é um desafio, com provas específicas. Em todas as corridas, há também acessórios e caixas que são recolhidas e que podem dar mais crédito, tempo ou alguma habilidade ao carro. O jogador vencerá a corrida destruindo os demais corredores ou concluindo o trajeto. Para completar o quadro de humor negro, dentre os carros de corridas, existem desde referências à cultura pop contemporânea (carros como DeLorean, da série “De Volta para o Futuro”; March 10, da série “Speed Race” ou um Cobra pilotado por Silvester Stallion) como puras gozações, como correr com uma ceifadira, um ônibus envenenado, um trator de construção de estrada ou até um avião Stuka; além de “eastereggs[1]” nas caixinhas.

Como se pode perceber pela descrição, o jogo longe do politicamente correto. Indo na contramão das campanhas educativas de paz no trânsito, o jogo visivelmente parte do princípio que o piloto do carro deve dirigir perigosamente como uma suicida. Isso é melhor percebido com as duas formas de se vencer as corridas ordinárias: aquele que simplesmente completar as voltas ganha menos ponto contra aquele que se dispuser a ser um gladiador motorizado que parte para a destruição do carro adversário. Da mesma forma, a quantidade de tempo inicial não é suficiente para completar a corrida, obrigando ao jogador a periodicamente atropelar alguns pedestres. Determinados tipos de manobras, como esmagar o pedestres na parede ou bater de frente com um outro corredor, são recompensados como bônus. Da mesma forma, os veículos competidores ganham “modificações” na lataria para que melhor possa desempenha sua função de briga/atropelamento. Carros com serras, hélice ou longas lanças afiadas para aumentar seu arsenal destrutivo[2].

Tendo a meta que o jogo tem, com o realismo da violência (como exibição do sangue ou a cenas de corpos humanos sendo esquartejados durante alguns atropelamentos), mais as alegações de mensagens subliminares de inspirações demoníacas e/ou pornográficas, naturalmente que o jogo fosse proibido nalguns países (Brasil, e.g.). Só que isso não impediu que as pessoas (principalmente os jovens) clandestinamente tivessem acesso e que fosse jogado pelos computadores a fora.

Ora, alguém pode está se perguntado agora: Como um jogo moralmente questionável e ilegal pode servir de inspiração para a filosofia, principalmente para debater filosofia contemporânea? Pois é exatamente nas características controversas, no humor negro e na vitória politicamente incorreta que se encontram elementos para se discutir acerca dos pensamentos de Sigmund Freud, Karl Marx e Freidrich Niezstche. Questões como “pulsão de morte”, a “exploração no modo capitalista de produção” e “amor fati” encontram presentes nos frames do jogo, como será demonstrado ao longo deste ensaio.

Um primeiro ponto de contacto entre o jogo e a filosofia contemporânea é com o austríaco Sigmund Freud. Ela é primeira a se destacar, não pela aparentemente óbvia situação de corredor usar a potência do carro como mecanismo de substituição de sua impotência (erótica?) em relação á vida. Na verdade, a agressividade com o que o jogador e entrega à corrida para destruir seus adversários leva a observar como a Pulsão da Morte (ou Thanatos) está presente na nas vidas do seres humanos como motivador da existência. A corrida suicida do jogador é levada a cabo como a mostrar que o “ódio” e a “agressividade” podem ajudar a se chegar a algum objectivo. Desde o momento da largada, a corrida em Carmagedon se dar para conseguir a destruição do oponente. Comumente, os carros já começam um batendo-se nos outros, fazendo manobras de ataques e defesa, já tentando, logo no início tirar os concorrentes da jogada. Mesmo que o jogador não queira, ele acabando entrando na roda-viva de agressividade na medida em que ele precisa evitar possíveis emboscadas. Pode ser que numa curva ou em qualquer outro momento do trajecto ele possa se deparar com outro carro que irá se jogar contra ele, obstruir sua passagem ou tentar joga-lo em algum campo de explosivos. Fechadas e choques tornam-se constante ao longo da corrida. E as próprias situações colocadas pelo jogo, como a necessidade de mais créditos e tempo ou que a pontuação obtida com a destruição de carros é maior que a simplesmente obtida com a conclusão da corrida, faz com que a direção agressiva seja a opção natural para o jogador.

A conseqüência disso está numa corrida em que todos correm para todos os lados, como a representar a quebra da circulação de energia. Já não existe mais tráfego no jogo, uma vez que a conclusão das voltas da corrida é o que menos interessa. O andar a esmo pelo ambiente da corrida, com suas bifurcações, derivações e perdições em que se faz a coleta de caixinhas ou um ocasional encontro com um oponente nada mais faz do que camuflar a imobilidade do indivíduo dentro do jogo (e por que não dizer, também na vida). É como se isso fosse a metáfora dos momentos em que o ser humano, ao sentindo que a vida é uma luta inglória, não sobrasse mais nada a fazer exceto voltar a imobilidade do pó, ao estado inanimado. No fundo o corredor em círculos sem chegar a lugar nenhum – o que não deixa de sugerir uma sensação de imobilidade – só resta ao jogador liberar sua agressividade mais instintiva. Então a morte surge (aparentemente) como o único fim deste círculo – o que não deixa de representar a realidade. Ao final de conta, não é morte o destino final da vida? Assim, os pedestres do jogo que vão sendo repetidamente atropelados complementam a idéia da corrida suicida, revelando ao jogador que a morte é também parte da vida e que outros sentimentos (mesmo aqueles considerados negativos), além do prazer, da generosidade e do amor guiam o ser humano para seu destino.

Só que os bólidos de Carmagedon podem levar para outro caminho filosófico. Um detalhe que não pode ser esquecido no jogo é que, ao longo da corrida, os pontos se convertem em créditos, que jogador pode converter em melhorias para o veículo ou na aquisição de um modelo melhor. O resultado da destruição dos oponentes e nos atropelamentos é no acumulo “material”, que simbolicamente é representado na ascensão representada na posse de um veículo mais potente ou destruidor. Olhando por esse prisma, não seria natural evocar Karl Marx e interpretar o jogo como uma metáfora da exploração capitalista? Não como exemplo de luta de classes sugerida pelo Barbudo de Triers. Mas a corrida como metáfora da desumanidade e a fetichização no modo de produção capitalista.

Os competidores, com seus carros, seriam os membros da classe dominante (Burguesia? Senhores feudais? Escravocratas? Qualquer identidade é possível) se destacando do restante do tecido social. A corrida seria uma representação do jogo político vivido por essa elite. Destruir o carro inimigo seria eliminar um oponente da luta pela hegemonia social e do controle da superestrutura. Só que nesta disputa há o consumo de suprimentos (representado pelo relógio em constante contagem regressiva) que deve ser obtido principalmente pela exploração da classe trabalhadora, representado pelos atropelamentos dos pedestres. Para qual resultado? Acúmulo de crédito, que deveram ser investidos em melhorias ou na comprar de veículos mais potentes! A passividade dos pedestres – que se limitam apenas a caminharem ou numa eventual e ineficaz fuga de um dos carros competidores nada mais mostra que a alienação que os mesmos sofrem. Vítimas da exploração, os pedestres não se revoltam, só existindo assim para serem sacrificados pelos corredores, ou seja, a elite dominante que se diverte na sua corrida. O que não deixaria de acontecer na vida real: quantas vezes os oprimidos forem “atropelados” ao longo da história, nas “corridas” em busca do poder? Não seria Carmagedon um simulacro das Guerras do Ópio ou das campanhas militares no Iraque promovidos pela família Bush?

Se a exploração desumana se encontra explícita nesta observação, ela também evidencia o processo de fetichização nas relações sociais. Os pedestres, que a rigor, deveriam ser considerados seres humanos vivos, passam a dimensões de coisas. São meros meios de obtenção de créditos, mediante o sacrifício representando pelos atropelamentos. Em compensação, o carro do competidor ganha mais valor. De mero veículo para completar as voltas, o carro é a armadura que protege e a arma que fere. Vale mais do que a vida alheia. E o aparecimento, ao longo da corrida, de carros mais velozes ou com maior capacidade de destruição torna-os motivos de cobiça. Como no final de cada corrida, é dada a possibilidade de comprar algum dos veículos, alguns modelos passam a ser motivos de fetiches do jogador e sua posse passa a representar mais que a possibilidade do meio de transporte. Torna-se a própria força e a certeza da vitória.

Outro aspecto é a existência de um mecanismo no jogo que permite que o jogador, se assim o preferir, voltar a correr uma mesma corrida, podendo acumular mais créditos. Deste modo, o que poderia levar apenas a uma passagem automática de fase para a se tornar uma repetição de corridas visando apenas o acúmulo “material” de créditos. Já não importa a finalidade da riqueza acumulada – parece demonstrar o jogo. O que fica, ao final, é a impressão de que no capitalismo, solto de um controle social, limita-se a ganância e ao uso indiscriminado de qualquer meio para a acumulação de capital – mesmo que isso implique no sacrifício da vida humana.

Se o jogo Carmagedon aponta-se um outro rumo? E se a corrida fosse um exercício moral, no qual o jogador deve-se mostrar sua vontade de potência? As corridas não deixam apresentar questões da filosofia nietzschiana quanto a ética que merecem ser observados.

O senso-comum, fundado na moralidade judaico-cristã, costuma identificar a força como algo ruim. O carro, como símbolo da força, não deveria ser usado para tal. Aliás, só por ser forte o carro seria a representação do mal. Mas, se a vida dotou o forte com a força, não seria absurdo que não se manifeste como tal? Se o carro é forte, não deveria mostrar que é o mais veloz, que destrói mais – mesmo que isso implicasse no atropelamento/aniquilamento do mais fraco? Não quer dizer que os pedestres, no jogo, manifestem sua “moral de rebanho” e critiquem os corredores! (o que poderia ser até engraçado), todavia, a questão de fundo do jogo, numa perspectiva nietzschiniana seria observar esta questão da moral do senhor. O ser humano dotado de habilidade, de força (representada pelos carros) é quase que convidado pela natureza a manifestar suas habilidades. Da mesma forma como um leão caça uma presa como parte da condição natural, o homem deveria manifestar suas potencialidades, sua força, sua vontade de potência. È como o início do diálogo do Bhagavad-Gita: estando Árjuna triste com a batalha fraticida de Kuru, Krishna lembra-o da sua condição de guerreiro, dizendo que a impotência “não condiz com quem não conhece o valor da vida, e ela não o levará aos planetas celestiais, mas à infâmia e à desonra”[3].

Assim, no jogo, os combates entre carros nada mais são do o “Amor Fati”, um dizer sim ao destino e a luta nada mais serviria do permitir o florescimento do “além-do-homem”. Seria a metáfora do ser humano superando cada vez mais sua existência. O jogador é convidado pelos seus competidores não a simplesmente ser o mais rápido. Os choques e os combates, com os carros empurrando, batendo-se de frente ou jogando contra os obstáculos apresentação como parte do jogo. Os constantes assédios belicosos dos outros carros mostram o pior caminho é fugir à luta. Apenas retarda a derrota certa. Então a opção mais acertada é dar combate ao inimigo. Em lugar de temer o destino (como o rebanho), deve amá-lo, embriagar-se com a vontade de potência que impeliu a Humanidade a sair de meros macacos nus e predadores e chegar aos atuais estágios de civilização. A recompensa em caso de vitória seria materializada nos créditos que permitiriam melhorar tanto a resistência, velocidade e estabilidade do veículo como na aquisição de um modelo melhor. Seriam as batatas ganhas pelo vencedor, segundo o personagem Quincas Borba, criada pelo Bruxo do Cosme Velho.

Cabe aqui, contudo uma observação: embora Carmagedon 02 o resultado final resulte no aniquilamento dos adversários, a luta para Nietzsche não possui este caráter. Antes, ela deve implicar no domínio do oponente, para ressaltar o forte possa superar suas capacidades. Associar a luta e o “amor fati” de Nietzsche com o aniquilamento (como os nazi-fascistas fizeram na Segunda Guerra Mundial) é cair em equívoco, tal como chamar Aristóteles de neo-platônico. Tendo em mente este aspecto, a corrida de demolição em Carmagedon 02, com os carros mostrando sua força (mesmo em cima dos pedestres), como um alegre aceite a capacidade de lutar e de se superar frente aos problemas do destino. Em lugar de ficar culpando os outros pelo fracasso (como em escravo no rebanho), o jogador deve ser o senhor de destino e encarar a luta como condição de ir muito mais além da sua condição humana.

Vendo o jogo pelas ópticas supracitadas, o jogo amoral com atropelamento de pedestres mostrar ser um interesse exercício de filosofia em que se compreende, em nível fenomenológico, das principais correntes de pensamento que influenciaram o século XX (e por que não dizer, ainda explica muitas coisas no início do Terceiro Milênio). Só que há ainda sobra mais uma questão filosófica, de cunho mais prático. Seria de bom alvitre liberar o jogo? Apesar de ele permitir estes vôos filosóficos, não deve se perder de vista a sua violência e que há o risco de deseducar (para um adolescente ou um jovem) quanto ao trânsito. Numa mente em formação, como mostrar que aparentemente é legal ou bom na ficção do jogo, não é permitido na vida real por conta das conseqüências trágicas? No jogo, efetivamente não existem problemas sérios com a “morte” porque, inicialmente não há “vida humana” que se perde. Os carros, aos acidentes, tudo não passa de simulação. No jogo, o erro pode ser consertado, reiniciando a partida. Na vida humana, como ela é vivida na realidade, uma morte não pode ser simplesmente revertida ou o resultado de um atropelamento real pode deixar marcar para o resto de uma vida. Sendo assim em abonar a censura (coisa por si só inaceitável), considerar a limitação do acesso ao jogo para pessoa mais maduras é a saída ética mais razoavelmente aceitável.

Completando a volta da corrida, o ensaio retorna a primeira questão: Pode um simples jogo de computador servir como gatilho para uma reflexão filosófica? Sim, quando a mente humana está aberta a aventura do conhecimento e queria transcender sua existência. Mesmo num jogo polêmico como é Carmagedon 02 – Carpocalypse Now, permite as pessoas a compreender melhor o pensamento de gigantes como Marx, Freud e Nietzsche – o que no fundo, representar conhecer um pouco sobre este grande mistério que é o ser humano…


Salvador, 24 de outubro de junho de 2008 (02h30/07h41)

[1] Dentre eles; a sensação de se dirigir sobre efeito de drogas psicodélicas; possibilidade de o carro lançar raios contra os pedestres, modo pinball – em que o carro, a cada batida forte pode ser lançado como uma bola de pinball pelos cantos; os pedestres ficarem gigantes, anões ou com as cabeças maiores que o corpo, etc…

[2] Logo na primeira fase, um dos carros mais pitorescos pela suas modificações é uma empilhadeira cuja frente foi substituída por uma guilhotina. Outra que poderia ser citada são o Cobra de Silvester Stallion, com hélices de avião e o DeLorean, com suas várias lanças frontais.

[3] Tradução de Rogério Duarte - “Bhagavad Gita, Canção do Divino Mestre” (Companhia das Letras, 1998). Claro, salientado que os objectivos espirituais e pacifistas propostos nos ensinamentos de Krishna ao discípulo Árjuna passam bem distantes da selvageria de Carmagedon.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Technology as a Tool of Education: Between the Techno-Utopia and Technorealism

Technology as a Tool of Education: Between the Techno-Utopia and Technorealism

(Ensaio apresentado na UNEB, para disciplina "Tecnologia Aplicada ao Ensino de Língua Inglesa")

Technology needs to be used inside the classroom. In principle, nobody will deny this idea because it is logical and historically coherent. If the evolution of technology was important part in the construction of Humanity’s history, it is natural that a Human Being uses the technology as part of the educational process. But, when someone advances in the question and starts to think about advantages and disadvantages about a broad use of the technology, the debate between techno-utopians and technophobes shows that more reflection is needed.

By the technophobe perspective, the use of technology has more disadvantages than advantages because the technology (especially electronic-based) is a kind of Pandora’s Box or Mephistopheles and the people must be careful. But, this critical viewpoint has a problem when it is confronted with the technology means.

The fast development of machines and hardware in the last two decades created a mistake in the common sense: all discussions about technology involve only computer and internet. The cause of this “confusion” is the fast and fantastic development of IT and telecommunication had in these years. However, it can not lose track of the fact that technology go beyond the computer. It includes since the complex machines (as a space shuttle) until simple tool (as a tomahawk) or techniques. This notion is more clear when translates the nuclear word τέχνη / techne, that means “Craft” or “Art”. So, “Writing” and “Alphabet” are technologies too, despite the old age… They highlight a curious point: All educational process is derived of a technology – the technique of codifying ideas using an organized set of letters – alphabet and/or writing. So, how is it possible only seeing disadvantages in the use of technology in the Education, according to technophobes? It is oxymora!

Well, looking from this point of view, there is an invitation to be a techno-utopian and only the advantages of a massive use the technology in the classroom (especially the internet and computer): Increase the students’ motivation, provide real-time information, reach many kinds of learning forms (audiovisual, kinesthetic, etc) and teach the students how to select information and change it into knowledge. All is true when the technologies are a TOOL of learning. The problem is when the technology loses this position and turns into the GOAL of learning . According David Shenk: “The art of teaching cannot be replicated by computers, the Net, (…). These tools can, of course, augment an already high-quality educational experience. But to rely on them as any sort of panacea would be a costly mistake.”

Thus, the conclusion is that technology has a broad definition which involves simple tools and complex machines. So, the discussion is not only seeing if only the use of technology has advantages or disadvantages; however, it is how the technology is used, if the technology is used as a tool or as a goal.

Bibliography
ELLUL, Jacques. “A técnica e o desafio do século”. Rio de Janeiro: Paz e Terra; 1968.
SHENK, David. “Principles of technorealism”. Acessado em em 01º de outubro de 2008, às 07h27.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Editora carioca publica em outubro dois textos de escritor valenciano





Editora carioca publica em outubro
dois textos de escritor valenciano





O poema “Farol do Desejo (Aquele Beijo...)”, e o conto “Iara-mirim” ambos de autoria do escritor valenciano Ricardo Vidal, foram escolhidos pela editora carioca Câmara Brasileira de Jovens Escritores (CBJE) para integrar as antologias “Sensualidade em prosa e verso 2008” e “Antologia de Contos Fantásticos vol. #17”. Os livros estão à venda no site da editora e fazem partem do programa de incentivo da editora aos escritores contemporâneos.




Para o conto “Iara-mirim”, até então inédito, Ricardo Vidal foi procurar inspiração nas lendas indígenas e no folclore brasileiro para compor a aventura do travesso Pedrinho Pimenta no seu encontro com a filha da Uiara. Escrito numa linguagem fluida, o conto conserva um ritmo próximo da oralidade, como que se a estória já nascesse pronta se narrada na varanda de casa ou no terreiro de uma fazenda. Já no poema “Farol do Desejo (Aquela Beijo...)”, publicado anteriormente no livro “Estrelas no Lago”, Ricardo Vidal mostra a poesia de um momento íntimo entre uma mulher e seu companheiro, sem cair na vulgaridade. Nos dois textos ficam evidente algumas das marcas de estilo de Ricardo Vidal: a sutileza no tratamento do tema, a linguagem poética e a noite como cenário dos eventos.




Esta escolha dupla consolida a carreira fulgurante de Ricardo Vidal na literatura, já que é a quinta vez que um texto dele é escolhido pela CBJE para participar de suas antologias. Em 2004 o conto “Retrato de Família” e os poemas “O Farol e o Mar” e “Cântico dos Lírios” foram publicados nas antologias de contos e poemas da CBJE, sendo que o “Cântico dos Lírios” foi também premiado como um dos melhores poemas publicados naquele ano pela CBJE. A dose se repetiu em 2007, com o poema “O Beijo”, também escolhido como um dos melhores do ano.




ESCRITOR E FORMANDO. Além dos textos publicados pela editora carioca CBJE, Ricardo Vidal participou da antologia “Quase Escritores”, que reunia os textos dos alunos do Educandário Paulo Freire. Também publicou seu livro de poemas “Estrelas no Lago” e mantém o blog “Castelo do Bardo Celta” (www.bardocelta.blogspot.com). Com 30 anos completados ame abril do corrente ano, ele já ganhou três menções honrosas nos concursos literários (duas da Academia de Letras do Recôncavo e uma revista Iararana).




Ricardo Vidal é natural de Valença e estudou o Colégio Social de Valença e no Educandário Paulo Freire. No final deste ano, ele se gradua em Letras/Inglês pela Universidade de Estado da Bahia - campus Salvador, com uma monografia sobre o voyeurismo e erotismo nos contos da escritora franco-americana Anaïs Nin.

A Voz da Regiao. http://www.avozdaregiao.com.br/ver.php?manchete=2525

CBJE publica dois textos de Ricardo Vidal

CBJE publica dois textos de Ricardo Vidal

O poema “Farol do Desejo (Aquele Beijo...)”, e o conto “Iara-mirim” ambos de autoria do escritor valenciano Ricardo Vidal, foram escolhidos pela editora carioca Câmara Brasileira de Jovens Escritores (CBJE) para integrar as antologias “Sensualidade em prosa e verso 2008” e “Antologia de Contos Fantásticos vol. #17”. Os livros estão à venda no site da editora e fazem partem do programa de incentivo da editora aos escritores contemporâneos.

Esta escolha dupla consolida a carreira fulgurante de Ricardo Vidal na literatura, já que é a quinta vez que um texto dele é escolhido pela CBJE para participar de suas antologias. Em 2004 três textos dele foram publicados nas antologias de contos e poemas da CBJE, sendo que o “Cântico dos Lírios” foi também premiado como um dos melhores poemas publicados naquele ano pela CBJE. A dose se repetiu em 2007, com o poema “O Beijo”, também escolhido como um dos melhores do ano.

Além dos textos publicados pela CBJE, Ricardo Vidal participou da antologia “Quase Escritores”, que reunia os textos dos alunos do Educandário Paulo Freire. Também é autor do livro “Estrelas no Lago” e do blog “Castelo do Bardo Celta” (www.bardocelta.blogspot.com). Ele ganhou três menções honrosas nos concursos literários. Ricardo Vidal é natural de Valença e estudou o Colégio Social de Valença e no Educandário Paulo Freire. No final deste ano, ele se gradua em Letras/Inglês pela Universidade de Estado da Bahia - campus Salvador.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

In Taberna


In Taberna


29 de julho de 1996


A dream that was not at all a dream
Darkness - Lord Byron.


— Passava lá fora, a chuva caía a cântaros, a tempestade era medonha, entrei. Boa noite, senhores! Se houver mais uma taça na vossa mesa, enchei-a até às bordas e beberei convosco
Bertram - Álvares de Azevedo.


O vinho faz do poeta um príncipe e do príncipe um poeta
Verso árabe citado em Macário - Álvares de Azevedo.


(Prólogo - Fala do Autor)
(Estava chovendo cântaros rubros,
Parecia que Deus abrira sua vinha.
Vários jovens vejo à sono solto
Cantando os sonhos que me convinha
)
………………………………………………………………


(Idealista Rico)
Dizem ser o dinheiro
Um mal necessário ...
Oras bolas - carambolas!!!!!
Por que não o fazem um bem fútil?
………………………………………………………………


(Esteta Helênico)
Pega-te furtivamente este verso
Escreva-te uma galante pena,
Dei-lhe um belo título:
- Eis um grande poema
………………………………………………………………


(Médico de Coimbra)
Zombaste Bocage, meu caro Bocage
De toda a medicina.
Mas do que valeria sua vida
Se o esculápio não cumprisse sua sina??
………………………………………………………………


(Realista mas Honrado)
Ventos, Chuvas e Trovões
Terremotos, Incêndios e Tufões;
Mas quem agüentaria, Caro barão,
Ter em chamas o próprio coração????
………………………………………………………………


(Apaixonado Incorrigível)
Quem é a sombra
Que mo aparece a noite?
É um anjo do amor?
Ou o demônio de mia desgraça?
A virgem de meus sonhos?
Ou a música perdida da infância?
É só uma barata .......... POOF!!!!!!!!!
………………………………………………………………


(Um Poeta Medievalista)
Traga-me papel e tinta; caneta e café,
Um grande poema estar surgindo...
Um soneto sobre algum copo de vinho,
Uma epigrama sobre a noite com u’a mulher!
………………………………………………………………


(Um Francês da Quartier Latin)
Je suis fleur du amour,
Coeur orange du Vie, Soleil.
Poetè, Je mangè emocion,
Glorie, tout le musique macabre,
Je — feèrique passion
Pour une femme.

Je suis flame du monde:
Je suis…

Je suis le Noir,
Je suis le Rein.
………………………………………………………………


(Velho Libertino)
Beije todas as fadas
Enquanto fores jovem e vigoroso
Beba toda a juventude
Para não reclamares quando estiveres idoso.
………………………………………………………………


(Nosso Padre, Bêbedo)
Khayyam, Epicuro, Bocage, Anacreonte:
Em quer ares estiveram antes
Para nos darem lições tão brilhantes?
………………………………………………………………


(Sincero, com um guarda)
Não entendo o porquê das mulheres dizerem hoje
Não existir, dentre os homens um só cavalheiro?
Quando fazemos uso da boa etiqueta
Somos acusados de atacar co’o falo guerreiro
………………………………………………………………


(Inglês, dentre amigos)
Three things I need:
A full bottle of wine;
A good book of poems
And a hot kiss of virgin.
………………………………………………………………


(Espanhol, nascido nas Américas)
Besame ahora, angelito negro;
El tiempo vuela como un caballo.
Después, yo estuviere viejo en mío aposento...
Y tu, veleidosa, amases otro señorito.
………………………………………………………………


(Outro Francês, este contemporâneo do 9Termidor)
Lumière du ma vie, soleil noir.
Tu es la fleur du un coeur poètique,
Tu es la fèe du une poèse romantique
- Musique divine in blanc soir.
………………………………………………………………


(O Bruxo Solitário)
Bruxas e fadas, Elfos e duendes;
Tenhas Robim Goodfellow por companheiro
Quando a floresta estiver em festa,

Tenhas Mefistófeles por conselheiro
Quando o coração estiver em chamas,

Tenhas Vênus por amante
Quando tua alcova arder em desejo;

Mas não tenhas a cabeça nos pés,
Não tenhas pedras no coração
Quando estiveres amando em teu leito.
………………………………………………………………


(Rapaz Italiano)
Buona sera, casta signorina.
Come stai, bella madona?
Come stai, fiore della vita mia.


Bongiorno, calda nostagia.
Dove stai, il mio dolce amore?
Dove stai, sogno del gioventù?


Gellida mattina, dove stai mia fiore?
………………………………………………………………


(Espírito Latino)
Copulo ergo sum.
In seacula seaculorum,
Carpe diem. Carpe diem.
Post Nubila, Phoebus.
………………………………………………………………


(Arauto do Mago)
Cante o vento a boa-nova,
Espalhe a brisa pelos prados
A notícia que agora brado:
Estão Oberon e Titânia em amor profundo.
(Sei agora que perto estamos do fim do mundo).
………………………………………………………………


(Outro Inglês)
Go away, go away mad
Horse in sea’s wind ...
Go after, go after sad
Darkness - go and leave-me!
Go and leave-me!
………………………………………………………………


(Estudante da Sorbone)
Seios duros e glúteos arrebitados
Beijos lascivos e corpos mulatos
Nada como gozares a juventude fresca
Antes que esta profana fonte esteja seca.
………………………………………………………………


(Revolucionário, dentre outros conspiradores)
Liberdade - Voe alto, Revolução,
Detenham as lavas do vulcão!
Liberdade - Lema da Juventude;
Abra tuas asas na mais alta amplitude.
………………………………………………………………


(Nobre de antiga estirpe)
Sua Majestade el-rei mandou avisar:
Precisa-se de domador de fera
Corajoso, louco e bonito para casar
Com a princesa - graciosíssima megera.
………………………………………………………………


(A Romantic Poet)
I sleep in river of my heart.
The moonlight kiss me, love me.
The butterfly drink my dreams.
I die! I lie! I am the black spleen.
………………………………………………………………


(Cantor de Ópera, cínico)
Baixe seus olhos, Orgulho!
O mundo não passa de uma canção:
Coros de catástrofes, Allegro de saparias
E quartetos solitários em teu leviano coração.
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(Filosofo Sóbrio)
Taberneira! Traga-me mais vinho!
Não se afoga coração sem a loucura,
Não se fica bêbedo sem o espírito
E a morte não tem meio melhor
De levar alguém à sepultura.
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(O Autor, já com sono)
Morto de sono, durmo com Morfeu.
O vapor do narguilé chama-me à cama.
Sonhos de volúpia e paixão
Dilui-se todos, findou-se a trama;
Era tudo uma triste ilusão.

Biblioteca do Bardo Celta (Leituras recomendadas)

  • Revista Iararana
  • Valenciando (antologia)
  • Valença: dos primódios a contemporaneidade (Edgard Oliveira)
  • A Sombra da Guerra (Augusto César Moutinho)
  • Coração na Boca (Rosângela Góes de Queiroz Figueiredo)
  • Pelo Amor... Pela Vida! (Mustafá Rosemberg de Souza)
  • Veredas do Amor (Ângelo Paraíso Martins)
  • Tinharé (Oscar Pinheiro)
  • Da Natureza e Limites do Poder Moderador (Conselheiro Zacarias de Gois e Vasconcelos)
  • Outras Moradas (Antologia)
  • Lunaris (Carlos Ribeiro)
  • Códigos do Silêncio (José Inácio V. de Melo)
  • Decifração de Abismos (José Inácio V. de Melo)
  • Microafetos (Wladimir Cazé)
  • Textorama (Patrick Brock)
  • Cantar de Mio Cid (Anônimo)
  • Fausto (Goëthe)
  • Sofrimentos do Jovem Werther (Goëthe)
  • Bhagavad Gita (Anônimo)
  • Mensagem (Fernando Pessoa)
  • Noite na Taverna/Macário (Álvares de Azevedo)
  • A Casa do Incesto (Anaïs Nin)
  • Delta de Vênus (Anaïs Nin)
  • Uma Espiã na Casa do Amor (Anaïs Nin)
  • Henry & June (Anaïs Nin)
  • Fire (Anaïs Nin)
  • Rubáiyát (Omar Khayyam)
  • 20.000 Léguas Submarinas (Jules Verne)
  • A Volta ao Mundo em 80 Dias (Jules Verne)
  • Manifesto Comunista (Marx & Engels)
  • Assim Falou Zaratustra (Nietzsche)
  • O Anticristo (Nietzsche)