Sua Majestade, O Bardo

Minha foto
Valença, Bahia, Brazil
Escritor e Professor de Literaturas Anglófonas. Autor do livro "Estrelas no Lago" (Salvador: Cia Valença Editorial, 2004) e coautor de "4 Ases e 1 Coringa" (Valença: Prisma, 2014). Licenciado em Letras/Inglês pela UNEB-Campus Salvador. Falando de mim em outra forma: "Aspetti, signorina, le diro con due parole chi son, Chi son, e che faccio, come vivo, vuole? Chi son? chi son? son un poeta. Che cosa faccio? scrivo. e come vivo? vivo."

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Livro das Sombras (Elegia)

Livro das Sombras (Elegia)

Valença; 19 de setembro de 2014 (2h41)

As fogueiras de Beltane estão apagadas
E a lua, tríplice mãe, esconde-se nas sombras.
Nada vejo mais além de trevas e tristezas
Calçando o caminho calcário do Calvário.
Não vejo jasmins orientais florescendo,
Nem a camomila forrando minha passagem.
Não vejo centauros cantando dentre as árvores,
Nem ninfas bailando lascivas dentre estrelas.
A estrada é solitária e cheia de espinhos,
E é por ela que tenho que aprender a andar,
Caso queria chegar ao meu templo interior.

Então minhas lagrimas iluminam a face minha,
E com elas eu faço meus filtros e sortilégios.
Faço minhas alquimias sentimentais e tempero
Com o vinho novo de meus versos secos
A pedra filosofal de um sol negro no orvalho.
Tento redescobrir o homúnculo que fui
E dentro da redoma, reconstruir o Golem
Que me ressuscite como um Lobisomem.

Ah, poesia triste como uma brisa no inverno,
Tu és meu Golem, minha Alquimia negra,
A panaceia universal dos corações rasgados!
É em ti que devo segurar minha alma
E subir numa escada prateada de nuvens,
Ser um arcanjo sem asas e sem pudor.
Mas a estrada continua lá, triste e espinhosa.
E é nela que devo continuar meu estradar,
Sem fé, sem sorrisos, sem consolo, sem mais nada…

Farol dos Titas

Farol dos Titãs
(sobre um quadro de Junior da Hora)

Baia de Todos os Santos, 20 de dezembro de 2011 (21h49)

O manto negro da noite se estende
Como uma volúpia canibal sobre o voraz mar.
Eis que o farol rompe distante,
Mensageiro mastodôntico da ordem e do lar.

Teus olhos luminosos perscrutam
Como lanças trágicas para além do horizonte.
E as estrelas, no alto da noite,
Responde a estes fachos com risos e rimas.

Gigante de granito e ferro,
O farol está em pé com uma sentinela,
Ao largo da velha baia,
Gritando com sua luz sobre os perigos da vida.

Ah, titã solitário no seu orgulho!
Quem me dera que eu fosse sereno como tu!
Apesar das ondas serem navalhas
Nos teus pés, nada te impede de mirar a imensidade…

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Elegia Amarga

Elegia Amarga

Valença; 12 de setembro de 2014 (04h01)

“Tudo, tudo é tão fútil e tão inútil!”
Os corvos agourentos cantam lá fora,
Como um eterno never more a tornar
Cinzento meu horizonte de utopias.
Não encararei quasares sorridentes,
Para que eles não ouçam minha toada
Amarga, fruto de uma lira muda
E de uma pena seca e paralítica.
Deixo que as quimeras recolham
Minhas lágrimas de fel e sangue,
De olhos cansados e vencidos
Pela mediocridade do rebanho,
Pelos zurros escondidos na pele do leão,
Pelo telejornal arrotando desesperanças,
Pelo banco roubando minhas alegrias,
Pela mídia arrochando mau gosto.
E tendo a Tristeza como companheira,
Minha elegia corre como um rio noturno,
Feito de lágrimas amargas de sangue,
Que as quimeras escondem dos quasares,
Enquanto um never more lúgubre
Entoado por corvos agourentos lembra
Que tudo, tudo é tão fútil e tão inútil…

Biblioteca do Bardo Celta (Leituras recomendadas)

  • Revista Iararana
  • Valenciando (antologia)
  • Valença: dos primódios a contemporaneidade (Edgard Oliveira)
  • A Sombra da Guerra (Augusto César Moutinho)
  • Coração na Boca (Rosângela Góes de Queiroz Figueiredo)
  • Pelo Amor... Pela Vida! (Mustafá Rosemberg de Souza)
  • Veredas do Amor (Ângelo Paraíso Martins)
  • Tinharé (Oscar Pinheiro)
  • Da Natureza e Limites do Poder Moderador (Conselheiro Zacarias de Gois e Vasconcelos)
  • Outras Moradas (Antologia)
  • Lunaris (Carlos Ribeiro)
  • Códigos do Silêncio (José Inácio V. de Melo)
  • Decifração de Abismos (José Inácio V. de Melo)
  • Microafetos (Wladimir Cazé)
  • Textorama (Patrick Brock)
  • Cantar de Mio Cid (Anônimo)
  • Fausto (Goëthe)
  • Sofrimentos do Jovem Werther (Goëthe)
  • Bhagavad Gita (Anônimo)
  • Mensagem (Fernando Pessoa)
  • Noite na Taverna/Macário (Álvares de Azevedo)
  • A Casa do Incesto (Anaïs Nin)
  • Delta de Vênus (Anaïs Nin)
  • Uma Espiã na Casa do Amor (Anaïs Nin)
  • Henry & June (Anaïs Nin)
  • Fire (Anaïs Nin)
  • Rubáiyát (Omar Khayyam)
  • 20.000 Léguas Submarinas (Jules Verne)
  • A Volta ao Mundo em 80 Dias (Jules Verne)
  • Manifesto Comunista (Marx & Engels)
  • Assim Falou Zaratustra (Nietzsche)
  • O Anticristo (Nietzsche)