Sua Majestade, O Bardo

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Valença, Bahia, Brazil
Escritor e Professor de Literaturas Anglófonas. Autor do livro "Estrelas no Lago" (Salvador: Cia Valença Editorial, 2004) e coautor de "4 Ases e 1 Coringa" (Valença: Prisma, 2014). Licenciado em Letras/Inglês pela UNEB-Campus Salvador. Falando de mim em outra forma: "Aspetti, signorina, le diro con due parole chi son, Chi son, e che faccio, come vivo, vuole? Chi son? chi son? son un poeta. Che cosa faccio? scrivo. e come vivo? vivo."

quarta-feira, 19 de abril de 2006

Lamentos do Velho Druida

Lamentos do Velho Druida

Salvador, 30 de janeiro de 2000

“Estrela do crepúsculo (…) O que procura teu olhar na charneca?”
Verso ossiânico citado por Goethe em Werther.


(O Choro do Druida)

Oh! Grande mal se abatera na terra!
Não mais se acende as fogueiras de Beltane;
Não mais se colhe o visco dos carvalhos!
É o fim de Avalon!!

As velhas pedras, a hera se faz dona!
Não mais meus irmãos se reúnem
E saúdam a Grande Deusa Mãe!
É o fim de Avalon!!

Oh, mãe Morgana! Oh!, grande Merlim!
Onde estão as vossas forças, o vosso poder?
A ilha se perderas nas brumas para sempre!
É o fim de Avalon!!


IIº

(Oisím)

O velho bando já não mais se reúne
Debaixo do antigo carvalho.
Não mais o Fianna Éireann
Se encontram nas charnecas.

Oisím, onde se encontra Fingal?
De Ryno? De Alpim?
Onde se encontram os nossos irmãos?
A nossa Alegria?

O que foi feito de nossa Vida?



IIIº

(Cromlech)

Venho ao sagrado círculo de pedra;
De ancestrais tradições.
Sobre este antigo, velho cromlech
Coberto de hera,
Trago minhas parcas oferendas
A grã Deusa.

Venho ao sagrado e antigo henge
Trazer meu presente.
“Não mais os bardos se reúnem
“No Samh’in.
“Não mais, não mais se ateia
“O sacro fogo.

“O povo se esquecera dos vossos favores,
“Ó grande Deusa!
“Não mais se lembram dos feitos
“De Fingal e Oísin.
“Esqueceram o estandarte do dragão
“E de Excalibur.”

Venho, sob a luz da velha lua,
À esquecida
Mesa das minhas ancestrais tradições
E queridas visões
E pedir a velha e ignota deusa
A minha ida à Avalon.

Martelo dos Ídolos (Nietzscheniana opus 10)

Martelo dos Ídolos

(Nietzscheniana opus 10)

Salvador, 15 de maio de 2001

Meus versos são como tambores de guerra no tempo e na Realidade,
Martelando todos os ídolos e crenças;
Todas as Verdades e Dogmas;
Todos os Deuses e Filosofias.

Meu canto é dinamite no Parnaso,
Destruindo todos os conceitos.
Implodindo sonetos metrificados.
Dilacerando carnes de criança e corações.
Descartando todas as iniqüidades na poesia.
Não haverá de restar mias nada!

. . Só uma túnica inconsútil
. . Que envolverá a Vida
. . E lhe dará uma nova
. . aurora…

terça-feira, 18 de abril de 2006

Um Soneto ao Dous de Julho

Um Soneto ao Dous de Julho

02 de julho de 1996

…………………………
Uma voz se elevou clara e divina
Eras tu - liberdade peregrina
Esposa do porvir - Noiva do Sol! (…)

Eras tu que, com os dedos ensopados
No sangue dos avós mortos na guerra,
Sagravas livre a nova geração.
Tu que erguias………………………
……………………………………………
Um trapo de bandeira - n’amplidão.
Ode ao Dois de Julho - Castro Alves


Salve, Ilustre Povo da Bahia
Em sua festejada data.
Nunca da batalha, de medo fugia,
Em seu peito a coragem nunca falta.

Desconhecida lhe é a Cobardia,
Sua sede de Liberdade nunca se mata.
No Pirajá, um novo porvir surgia,
A melodia da Independência era cantada.

Dois de Julho, sobre as ruas da liberta cidade
Uma nova geração de bravos agora trilha,
Co’o archote de quem não teme a sorte.

Dois de Julho, fulge o sol forte;
Sobre os patriotas mortos brilha
O novo porvir, o porvir da Liberdade.

sexta-feira, 7 de abril de 2006

Balada Militar para Maiakóvisky

Balada Militar para Maiakósvy

00h42 Salvador, 23 de maio de 2003

Valente soldado,
Levante e vá!
O Brasil espera que cada um
Cumpra o seu dever.
Pegue sua pá e construa cidades,
Redes de computador
E semeei cultura
Pelo país afora.

Com teus braços
Edifique firme
Saber e Nação.
Pegue um livro e leia.
Discuta o que não entender.
Escreva se discordar.
Promova assaltos
Ao sábio cristalizado
E derrube (pré)conceitos.
O Brasil te espera.
Que cada um cumpra com o seu dever.

Se ti pedirem
que pegue em armas
que destrua barragens,
que mate o inimigo,
que aniquile inocente;
Esqueça! Desobedeça!
Ignoro este absurdo!
Finja-se de surdo!
Tu és um ser humano,
Não uma máquina.
Soldado – lembre-te:
O Brasil espera
Que cada um
Cumpra o seu dever:
O de fazer da pátria-mãe,
Um paraíso terreno…

quarta-feira, 5 de abril de 2006

Canção de Valença

Canção de Valença

7 de novembro de 1994

‘Minha terra tem palmeiras
Onde canta o sabiá.
As aves que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá’
Canção do Exílio — Gonçalvez Dias.

Valença tem camarão e dendezeiros
E a exuberante Serra do Abiá.
O rio Una, Candengo, Guaibim
- Só em Valença posso encontrar.

Valença, a decidida,
Das cidades é a mais garrida.
Terra deveras, assaz bela,
Única e divina aquarela.
Sírius na miríades de estrelas.

De suas plagas receberam
As reses primevas que formaram
Nosso nacional rebanho.
Nos tempos de antanho,
Fora tu, Valença decidida,
A Terra mãe de nossos
Imperiais estadistas.

Rogo-te Madona do Amparo!
Não me deixe dormir a campa,
Sem que reveja tua sacra colina,
O Guaibim e seu mar,
As morenas e a Serra do Abiá.

Walpurgisnachstraun

Salvador, 31 de outubro de 2002

“Figures dance around and aroundto
drums that pulse out echoes
of darknessmoving to the pagan sound
(…)
I can see a light in the distance
Trebling in the dark cloak of night.
Candles and lanterns are dancing, dancing
A waltz on All Soul’s Night”

All Soul’s Night – Loreena McKennet

Aqui afloram brumas, ali há exalações,
Surgem chamas do fumo, ardentes fluorescências.
Corta o ar um filete de luz em evoluções, (…)”
Fausto, 1ª parte – Goethe

Eu vejo luzes dançando nos pauis,
Fogos bailando céleres na escuridão.
As bruxas passeiam pelo mágico luar
Na Noite de Todas as Almas.

As corujas, os morcegos, gatos e leprechauns
Dançam em espiral em volta do caldeirão.
Os lêmures saem de seus túmulos negros
Na Noite de Todas as Almas.

Virgens desmaiam em transe em volta da fogueira,
Ogros surgem em meio aos vapores espectrais.
Duendes e bruxas e fadas celebram o Sabat
Na Noite de Todas as Almas.

Druidas colhem o agárico mágico em pleno Samh’in,
Cisnes encantados se metamorfoseiam em donzelas
Para amar e amar os jovens poetas enamorados
Na Noite de Todas as Almas.

Fogueiras de espíritos crepitam na clareia alva
E a lua cheia se embriaga com vinhos e tambores.
Sortilégios e demônios são evocados nas brumas
Durante a Noite de Todas as Almas.

Sombras e fantasmas surgem nas paredes
Do velho Henge; as chamas azuis, os incensos
Formam pilares da sagrada sabedoria de outrora
Na Noite de Todas as Almas.

Minh’alma vagueia livre, livre pela floresta,
Em conjunto com unicórnios, fadas e centauros.
Entrego-me a orgia inebriante dos sentidos
Na Noite de Todas as Almas.

Cinjo minha fronte co’os louros dos antigos bardos,
Sigo indolente entre os braços e os seios das bruxas,
Sinto fluir em meu corpo o doce feitiço pagão
Da Noite de Todas as Almas.

Sigo sozinho dentre as frias brumas na florestas,
Cantando meus versos bucólicos e lascivos,
Evocando deuses esquecidos, antigas magias
Durante a Noite de Todas as Almas.

Bruxas e Feiticeiros continuam dançando
Até que o sol surja no alto horizonte. Cansados,
Todos nós ficamos esperando a próxima
Noite de Todas as Almas.

Princesa Hebréia

Princesa Hebréia

"Como és bela, graciosa,
amada, cheia de encantos!
Teu porte se parece com o da palmeira,
de que teus seios são os cachos."
Cântico dos Cânticos 6,4;7,7-8 – Salomão

Princesa, filha de Sion, que lânguida descansa
Ao pé da velha fonte de Siloé.
Teus olhos nacarados encantam
O peregrino que veio além de Gaza
Para descansar a sombra de teus pés.

Princesa formosa, filha de Salomão, sou
O triste peregrino que veio do Poente,
O filho dos reis exilados de Tartessos,
Sou o teu escravo apaixonado,
Apaixonado pela filha morena do Oriente.

Ah, cândida filha de Israel! Por ti
Derrubaria dez mil muralhas de Jericó
Com minhas mãos nuas. Lutaria contra
Um exército de Golias, para o teu amor
Conquistar, filha de Abraão, Isaac e Jacó.

Por ti, serei poeta e guerreiro, tecelão
E imperador para ti agradar, princesa
De Jerusalém. Enamorei-me pelo sorriso
Teu, pelo teus cabelos negros e lisos,
Pela tua doçura recheada de Graça e Beleza.

Teu colo é refúgio do sol inclemente,
Teus lábios frescos tem o doce rubor
Do vinho distante. Beijá-los é sentir
A melodia etérea das harpas do David,
é sentir da brisa do crepúsculo o frescor.

As filhas de Moab e Edon são belas
E lascivas. É mui rica, suave e poderosa
A filha do faraó do Alto e Baixo Nilo.
Porém, Javé te fez ainda mais linda e rica.
Fez-te encantadora e inda mais virtuosa.

Princesa, filha de Salomão, que em Siloé
Refresca-as e repousa do sol de verão.
Como peregrino do teu amor venho
Para entregar meu coração a mais bela
Das mais belas princesas, filha do Rei de Sião.

Promontório da Aurora

Promontório da Aurora

(para Professor Jorge Aguiar)

Salvador, 27 de junho de 2002

Quem dantes ousou dobrar
O negro Promontório da Aurora,
O sombrio colosso que adentra as ondas
Como um tritão impávido, vencedor,
Que volta para triunfar novamente?
Ah! Negro promontório da aurora,
Última galáxia entre Deus e o desconhecido,
Tua sombra nos banha, com a doce promessa
De um futuro grandioso, sublime…
Tua pele de granito e ferocidade beija
O calor das furiosas vagas, o deus–tormenta,
Qu’inda guarda do velho Adamastor
O orgulho sagrado e os tesouros
Para aquele que ousar vencê-lo.
Tua espada – cometa que arrancaste do firmamento –
É a tua cólera soberba, teu desafio impertinente
Que ganha o infinito e vai atiçando
Nos homens a chama divina,
A centelha única, flamejante,
O qual impele a humanidade
A galgar os abismos e – a juntar-se a Deus…
Quem dantes ousou ultrapassar
O velho promontório, a muralha de tormentas
Que o Destino colocou na imensidade?
Não se iludam os que crêem ser fácil a empresa.
O sombrio penedo de quimeras
Sabe guardar suas lendas.
Tem que ter n’alma a fibra de um Vasco da Gama
Ou a perseverança de um Colombo ou Elcano.
Vários os que ficaram amaldiçoados
A ter suas naves, com as velas pandas,
A cruzar eternamente o promontório por subestimá-lo!
Vários foram os capitães que encontraram
Nos escolhos pontiagudos
Como presas do demônio o último
Porto de suas naves naufragadas
Por não serem dignos de enfrentá-lo!
Quantos marinheiros dormem no ventre de tuas ondas
– Colosso imaculado da Aurora, Cabo último da terra –
Por serem pigmeus ante a tua grandeza?
E quantos mais ousarão a ti desafiar
Para ser o dono de teu poder,
Para ser o senhor de tua glória e de teu ouro,
Que guardas em tuas entranhas?
Quantos, sublimes rochedo da aurora? Quantos?
Feliz daquele que te vencer, Colosso do fim do mundo!

Biblioteca do Bardo Celta (Leituras recomendadas)

  • Revista Iararana
  • Valenciando (antologia)
  • Valença: dos primódios a contemporaneidade (Edgard Oliveira)
  • A Sombra da Guerra (Augusto César Moutinho)
  • Coração na Boca (Rosângela Góes de Queiroz Figueiredo)
  • Pelo Amor... Pela Vida! (Mustafá Rosemberg de Souza)
  • Veredas do Amor (Ângelo Paraíso Martins)
  • Tinharé (Oscar Pinheiro)
  • Da Natureza e Limites do Poder Moderador (Conselheiro Zacarias de Gois e Vasconcelos)
  • Outras Moradas (Antologia)
  • Lunaris (Carlos Ribeiro)
  • Códigos do Silêncio (José Inácio V. de Melo)
  • Decifração de Abismos (José Inácio V. de Melo)
  • Microafetos (Wladimir Cazé)
  • Textorama (Patrick Brock)
  • Cantar de Mio Cid (Anônimo)
  • Fausto (Goëthe)
  • Sofrimentos do Jovem Werther (Goëthe)
  • Bhagavad Gita (Anônimo)
  • Mensagem (Fernando Pessoa)
  • Noite na Taverna/Macário (Álvares de Azevedo)
  • A Casa do Incesto (Anaïs Nin)
  • Delta de Vênus (Anaïs Nin)
  • Uma Espiã na Casa do Amor (Anaïs Nin)
  • Henry & June (Anaïs Nin)
  • Fire (Anaïs Nin)
  • Rubáiyát (Omar Khayyam)
  • 20.000 Léguas Submarinas (Jules Verne)
  • A Volta ao Mundo em 80 Dias (Jules Verne)
  • Manifesto Comunista (Marx & Engels)
  • Assim Falou Zaratustra (Nietzsche)
  • O Anticristo (Nietzsche)