Sua Majestade, O Bardo

Minha foto
Valença, Bahia, Brazil
Escritor e Professor de Literaturas Anglófonas. Autor do livro "Estrelas no Lago" (Salvador: Cia Valença Editorial, 2004) e coautor de "4 Ases e 1 Coringa" (Valença: Prisma, 2014). Licenciado em Letras/Inglês pela UNEB-Campus Salvador. Falando de mim em outra forma: "Aspetti, signorina, le diro con due parole chi son, Chi son, e che faccio, come vivo, vuole? Chi son? chi son? son un poeta. Che cosa faccio? scrivo. e come vivo? vivo."

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Requiem para a Musa Primeira

Réquiem para a Musa Primeira
(Para Karina Ribeiro Mendes, in memoriam)

Salvador, 25 de dezembro de 2015 (22h49)

Quisera ainda te dar um canto novo
Para enfeitar teu sorriso irradiante;
Quisera ainda te dar uma orquídea
De estrelas para perfumar tua alegria;
Quisera ainda te dar, minha musa primeira,
Mais um soneto que falasse de teu olhar;
Como quisera ainda te falar uma palavra apenas…

Mas já não há mais sorrisos, nem olhar ou alegria.
Já não há mais sonetos, nem cantos ou orquídeas.
Há apenas a lembrança de ti – ainda que distante,
Nunca fora esquecida.

Hoje tu és uma pulsar sorridente no céu
A dançar um carrossel mágico dentre cometas.
Será um arcanjo doce de um poema galáctico,
Ouvirei no firmamento infinito teu riso
Como uma prece embalando teus familiares.

Sei que estará lá, eternamente como uma musa,
Encantando os querubins com sua graça brejeira.
Sei que reencontrará teus entes queridos
Que já cruzaram o misterioso Oriente Eterno.
Sei que será sempre um farol na tristeza
Que embalará os corações náufragos na saudade.

Segue, musa primeira, tua derradeira estrada
Dentre esses mistérios que temperam a vida.
Segue que o manto de nossas lágrimas traz
Cosidos teus olhar, tua alegria, teu sorriso,
Como lembrança inesquecível de foste,

.                                           musa primeira de meus poemas.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Falena

Falena

Salvador, 2011 (?)

Foi assim:
Não houve conhaque de centauros
Nem beijo de fada.
Não houve pote de leprechaun
Nem sinfonia de elfos.
E muito menos orgasmos de Afrodite.

De repente,
Não mais que de um rápido repente,
A lua cheia rasgou a tormenta
E com a chuva tocou uma harpa.
Um luar certeiro
Iluminou o lodo urbano
E de dentro de uma crisálida
Um poema novo nascia como uma pérola…

Semente do Universo

Semente do Universo

Valença; 02 de agosto de 2014 (03h03)

Vou a Marte pelos caminhos venéreos,
Cruzando uma planície de nebulosas
Como um sagitário sedento por luxúria. 
E como uma quimera gótica em perdição, 
Escrevo meus versos como tradução,
Do silêncio melodioso das esferas.
E assim eu contemplo, de meu farol galáctico,
Os bailes e contradanças da Vida,
Percebendo que o Amor (e não o Tempo)
É a verdadeira semente de universo…

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Programa "Hora do Turismo" - Bicentenario do Cons Zacarias

Programa "A Hora de Turismo", de 31 de outubro de 2015 - rádio Clube de Valença. Mesa redonda com Roque Campelo e eu, para fala do valenciano Zacarias de Góis e Vasconcelos.




terça-feira, 10 de novembro de 2015

Entrevista a TV Guaibim - Bicentenario do Conselheiro Zacarias -

Bicentenário do Conselheiro Zacarias - 2015


Entrevista dada à TV Guaibim, no dia 08 de novembro de 2015

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

As varias faces do Conselheiro Zacarias

As várias faces do Conselheiro Zacarias

Valença; 04 de novembro de 2015 (02h32)

Prof. Ricardo Vidal – escritor, especialista em Estudos Linguísticos e Literários pela UFBA. Membro da Academia Valenciana de Educação, Letras e Artes (AVELA)

.   Nesse dia cinco de novembro de 2015, o Brasil reverencia a memória do ilustre valenciano Zacarias de Góis e Vasconcelos. Afinal, comemora-se nesse dia o bicentenário de nascimento do Conselheiro Zacarias. Mas, quem é essa figura que o Estado do Paraná enaltece como fundador e que na sua cidade natal a memória passa quase em brancas nuvens? Falar do conselheiro é falar de um personagem multifacetado e que representa o que de melhor a cidade de Valença legou para o Brasil.
.   Zacarias nasceu no sobrado na Praça da Triana (no sobrado onde funcionou o Fórum) em 1815, filho do Capitão Antônio Bernardo de Vasconcelos e irmão – dentre outros – de Conselheiro João Antônio (futuro presidente do Superior Tribunal Federal e governador da Paraíba). Fez parte da mesma geração dos Barões de Jequiriçá e de Uruguaiana – de quem foi amigo e correligionário político dentro do Senado.
.   Zacarias foi um político e um estadista. Foi governador das províncias de Sergipe, Piauí e Paraná – do qual foi o virtual fundador. Também foi conselheiro de estado e ministro da Marinha, da Fazenda, da Justiça e dos Negócios do Império. Por três vezes foi primeiro-ministro do Império do Brasil nos anos de 1862, 1864 e 1866. Salienta-se que só o Duque de Caxias e o Marquês de Olinda repetiram tal façanha. De sua passagem como primeiro ministro destaca-se o início da fase vitoriosa do Brasil na Guerra do Paraguai.
.    Também foi deputado estadual, federal e senador vitalício do Império. E na sua atuação de parlamentar destacou-se pela oratória ferina e certeira durante os debates. Como escreveu Machado de Assis, na crônica O Velho Senado: “[Zacarias] tinha a palavra cortante, fina e rápida. (…) Quando se erguia, era quase certo que faria deitar sangue a alguém”.
.   Igualmente foi jurista, no melhor sentido da palavra. Foi professor de Direito em Olinda aos 25 anos e, como advogado especializado em direito canônico, coube a ele defender os bispos Dom Vital e Dom Macedo Costa durante a Questão Religiosa de 1870 – conflito envolvendo o Império Brasileiro e a Santa Sé sobre a maçonaria. Dessa forma, conseguiu que os prelados citados saíssem da prisão.
.   Zacarias também foi escritor, autor de obra sobre direito constitucional e política. É dele a obra mais importante do liberalismo brasileiro: “Da Natureza e Limites do Poder Moderador”. Nela, Zacarias faz uma análise sobre constituição imperial e defende que o poder do imperador deveria ser mais limitado, de modo que o Gabinete de Ministro pudesse agir com mais autonomia. Também foi autor do “Manifesto do Centro Liberal”, “Programa do Partido Liberal” e “Questões Políticas”.
.   Contundo, ao falar desse gigante valenciano, que foi estadista, político, orador, advogado, professor e escritor, há o homem de trajes elegantes e sóbrios, vaidoso na indumentária, católico fervoroso e de inteligência rápida, ferina e certeira. Nas crônicas de Machado de Assis e no livro “Brasil Anedótico” de Humberto de Campos, pululam histórias (algumas engraçadas) que ilustram bem o caráter do Conselheiro Zacarias. 
.   Pela sua grandeza, Zacarias de Góis e Vasconcelos serve como um grande exemplo para o povo de nossa cidade de Valença, que precisa conhecer mais desses grandes nomes que brilham na história do Brasil.

Bibliografia:
ASSIS, Machado de. O Velho Senado. Brasília, Senado Federal: 1989.
CAMPOS, Humberto de. O Brasil Anedótico. Rio de Janeiro, W. M. Jackson: 1945.
OLIVEIRA, Cecília Helena de Salles. Zacarias de Góis e Vasconcelos. São Paulo, Editora 34. 2002. Coleção Formadores do Brasil.
OLIVEIRA, Edgard Otacílio da Silva. Valença: Dos Primórdios à Contemporaneidade. 2ª edição. Valença, Editora FACE. 2009.
QUEIROZ, Alexandre Muniz. Carta datilografada para André. São Paulo, 8 de fevereiro de 1995. Cópia xérox do original em poder do autor da crônica.
VARGAS, Túlio. O Conselheiro Zacarias. Curitiba, Grafipar. 1977.
VASCONCELOS, Zacarias de Gois. Da Natureza e Limites do Poder Moderador. Brasília, Senado Federal. 1978.
VASCONCELOS, Zacarias de Gois. Perfis Parlamentares (Discursos). Brasília, Câmara dos Deputados. 1979.

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

O Sim e o Nao

O Sim e o Não

Salvador, 09 de agosto de 1997

Amo-te: flor da epopéia,
Serena fada da paixão.
Não te amo - comoção
De bravos cataclismos.

Amo-te: fina arte,
Delicadezas e salão.
Não te amo - desejo
Impuro do caixão.

Amo-te: borboleta
De primaveras tardias,
Lânguido sonho de verão.
Não te amo, ígneo dragão.

Amo-te: Vênus helênica,
Vôo alto de inspiração.
Não te amo - fogo,
Lavas e furacão.

Amo-te: diáfana ninfa,
Paz do Espírito, Elisabete.
- Doce arcanjo da saudade.

Não te amo, Solidão.

terça-feira, 22 de setembro de 2015

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Polaroid Barroca 2015

 Polaroid Barroca 2015
(para Luana Figueiredo)

Salvador; 24 de abril de 2015 (03h38)

Que falta nesta cidade?................Verdade
Que mais por sua desonra?...........Honra
Falta mais que se lhe ponha..........Vergonha.


O demo a viver se exponha,
Por mais que a fama a exalta,
numa cidade, onde falta
Verdade, Honra, Vergonha.
Gregório de Matos

Anda mole ou dura?……………… Prefeitura!
É Federal ou Estadual?…………… Municipal!
Mais dorme do que pensa?……… Valença!

Vergonhosa reticência,
O Demo diz sem alarde,
Quando se fala a verdade
Da Prefeitura Municipal de Valença

Quando falta a razão?…………… Educação!
E o que foge do ataúde?………… Saúde!
Falta-lhe a sorte?………………… Transporte

Acenda meu velho archote,
Cansado estou a procurar,
E aqui vejo sempre faltar
Educação, Saúde e Transporte!

O que manda no coração?……… Retidão!
E deseja a nossa cidade?………… Vontade!
E não perca na lavagem?………… Coragem!

Só pode ser sacanagem
O que anda aqui muito a faltar
Dentre aquele que quer governar:
Retidão, Vontade e Coragem!

Quem são os devedores?………… Vereadores!
E se mostra imperfeita?………… Prefeita!
E bagunçam os armários?……… Secretários!

Tremam os rosários,
Não se mostraram a altura
Quem comanda a loucura:
Vereadores, Prefeita e Secretários!

Quem está numa boa?…………… A coroa!
E Quem fica a gritar?…………… O altar!
Andam juntos e amigados?……… Separados!

Triste é o nosso fado
Pois quem manda, não se mostra!
E o que não se ver nessa palhoça
É a coroa e o altar separados!

Fica parado ou corre? Não morre
Onde se tenha fiança? A Esperança!
Anda inerte e calado? Ver tudo mudado!

Otimismo marrento e desabusado
Eu tenho na minha pobre e querida cidade
Pois a diante dos desmando e calamidades
Não morre a esperança de ver tudo mudado.
-->
-->

Na Noite de Nossos Corpos… (revisado)

 Na Noite de Nossos Corpos…  (revisado)

Salvador, 28 de agosto de 2000

Vendo o teu corpo no espaço  
 Assim como fada,  
 Assim como anjo  
No qual teus olhos cálidos  
Expiram o desejo, paixão, luxúria  
E espasmos flutuantes se desdobram 
Como fogo avassalador nos lábios.  
Tuas formas fremem ante o palor  
Do pejo que ascende o vulcão da volúpia,  
E recende o hálito de teus seios.  
Teus lábios teus lábios vorazes  
Roubam-me as forças primevas da Terra.  
E o Gênesis repete os ritos:  
O Beijo! O Toque! O Ato!  
Tua mão passeia por meu torso  
Como o beduíno cavalga no oásis  
Com o albornoz ao vento.    
E com minha palmeira pulsátil,  
Introduzo-me em tua gruta.  
Na noite de teus cabelos,  
 Nossas línguas  
–Doudas cometas lúbricos–  
Gozam o prazer, o orgasmo telúrico  
Que devasta a cama  
E semeia horizontes em nossos corpos.  
E assim, singela,  
 Assim como uma fada;  
Assim como um anjo  
 Ou uma hetaira  
 Da acrópole de Athenas  
 Repouso em teus braços,  
    E no teu colo adormeço  
Na noite de prazer e paixão  
 De nossos corpos.
-->

domingo, 19 de julho de 2015

SOS PATRIMONIO HISTORICO DE VALENÇA

SOS PATRIMÔNIO HISTÓRICO DE VALENÇA

Salvador, 19 de julho de 2015 (20h10)

Ricardo Vidal, Escritor.
Especialista em Estudos Lingüísticos
e Literários pela UFBA. Membro da AVELA. 
Blog: www.bardocelta.blogspot.com

Nesse mês de Julho, dois sobrados antigos de Valença se tornaram notícias: a demolição do que pertenceu ao finado Aloísio Evangelista da Fonseca na Rua Comendador Madureira e o desmantelamento daquele onde funcionou a Casa Pernambucana, na Praça da Independência. Com isso, nossa cidade perdeu mais dois prédios do nosso já muito desfalcado patrimônio histórico e cultural e entra novamente na contramão do desenvolvimento – principalmente como cidade “turística” (sic). E está mais do que na hora da Prefeitura e da Câmara de Vereadores darem um basta nesse crime de lesa-pátria.

Refiro-me como crime de lesa-pátria o descaso e a rapina contra o nosso patrimônio que estamos sendo submetidos. Todos os povos e cidades desenvolvidos sabem que os primeiros passos para se ter um futuro próspero é conhecer e preservar seu passado, sua memória histórica. Roma, Paris, Buenos Aires e Pequim só são as cidades pujantes de hoje (metrópoles modernas e respeitadas no mundo) porque souberam preservar os marcos do seu passado.  E ninguém se engane: são prédios     arquicentenários como a Cidade Proibida e a Fonte de Trevi que atraem os turistas. Mas essa preservação não se dá apenas pelo turismo. Conhecer o próprio passado através de monumentos é o primeiro passo para se e levar a auto-estima da cidade e fazer sua população batalhar pelo progresso. Não existe romano ou portenho que não se encha de orgulho quando discorre sobre a história de sua cidade. E quem conhece REALMENTE a história de Valença da Bahia (por sinal, muito riquíssima e de fazer inveja a muita cidade grande do estado) AMA nossa cidade.

Mas preservar um patrimônio não significa deixá-lo intocado e “morto”, nem impedir a chegada de novos prédios e empreendimentos para nossa cidade. Como lembrou meu confrade acadêmico Francisco Neto (em mensagem no Facebook), preservar significar da um uso social ao patrimônio. È conservá-lo e fazê-lo um local urbanisticamente “vivo” dentro da cidade, seja como prédio comercial, seja como centro cultural – como no caso da Galeria dei Ufizzi, antigo prédio administrativo transformado em museu na cidade de Florença. E quando aos novos empreendimentos, Valença dispõem de muitos terrenos que se constituem em novas fronteiras imobiliárias, a exemplo do Novo Horizonte. Construir nesses locais (em lugar de demolir o centro) ajudar a fazer crescer nossa cidade – como o bom senso e a prática em demonstrado no mundo afora.

Devido a esse valor ESTRATÉGICO do patrimônio histórico para o desenvolvimento que se faz necessário uma ação mais enérgica e pró-ativa do poder público. Neste caso é que vemos o descaso e a inépcia da Prefeitura e da Câmara de Vereadores de Valença em relação a esse setor.  Até agora não se viu uma ação concreta da Prefeitura no que se tange a conservação e preservação de nosso prédio histórico – seja com campanhas de conscientização, seja com investimentos diretos. Pelo contrário, em junho passado ocorreu à mutilação da fachada do Theatro Municipal promovido por um funcionário da própria prefeitura. Por outro lado, caberia nossa Câmara Municipal seguir o exemplo de Fortaleza e aprovar uma Lei Municipal de Tombamento, incentivando a prática da preservação do patrimônio histórico, mesmo dentre os particulares. Espera-se que, com a próxima da próxima eleição municipal, tanto a prefeita como os vereadores façam algo para corrigir essa mancha que atrapalhará os votos dos que querem se reeleger.

Diante dos fatos, torna-se urgente que o povo e o poder público valenciano (nem que seja por interesse eleitoreiro) abrace a causa da preservação do nosso patrimônio, através de ações concretas e enérgicas. Isso se quiser termos mesmo cidade viva do qual falar…

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Cronica - Uma camisa vermelha como a Revolucao

Uma camisa vermelha como a Revolução
(Nostalgias das utopias)

Salvador, 19 de junho de 2015 (23h48)


Vi e comprei essa camisa em uma feira (não se era de "artesanatos internacionais" ou de "cultura estrangeira") no Shopping da Bahia (ex-Shopping Iguatemi). Eram várias - Espanha, Índia, Bolívia, Turquia, Na barraca da Rússia, anunciava-se as bonecas matrioskas (ok! deveria ter comprado uma), mas o que mais me encantou foi a memoriabilia da antiga União Soviética: broches e quepes do Exército Vermelho, cantis com broches evocando os Kolkhozes e Konsomol. Tinha coisas da Rússia atual? Tinha. Mas o que me encantava era o período em que Moscou era a referência (ainda que torta) para quem acreditava na utopia de se criar uma sociedade melhor, mais solidária e mais fraterna. E pensei amargamente se hoje ainda existe lugar para as utopias

Só que a história solapou essa utopia: Aquele que fora o primeiro país a se declarar socialista marxista acabou. Em seu lugar sugiram vários países capitalistas, no qual a Rússia se levanta com a sucessora da antiga força internacional (mas não dos sonhos). Dos poucos países que sobraram oficialmente socialistas, já não se existe mais esse elã ideológico. A China, que poderia sucedê-lo como nova pátria do socialismo, já abriu de mão (na prática) dessas doutrinas - e com ela puxou o pequeno e lendário Vietnam. Cuba resiste, mas os sinais de mudanças significativas no regime em breve se operaram. A Coréia do Norte é uma caricatura onde, sintomaticamente, o Juche tomou o lugar do marxismo-leninismo como religião de estado.

Nos demais países, a esquerda cambaleia, tentando tomar seu caminho. Ás vezes acerta, às vezes não. O Eurocomunismo não vingou como terceira alternativa. Pior, a "terceira via" que se surgiu no seio da socialdemocracia européia caminhou mais para direita, quase se tornando um social-neoliberalismo que condenou à morte o Estado de Bem-Estar Social. Antigos movimentos de libertação nacional, como o sankarismo em Burkina Faso, Lumumbismo no Congo Democrático ou o Sandinismo na Nicarágua perderam suas forças. A America do Sul, como parte do acerto de contas histórico, está ensaiando uma doutrina, um Socialismo do Século XXI, mas não se sabe ainda o que é - haja visto os diversos caminhos que se tem passado, ora mais ao centro como Kichnerismo, ora mais ao esquerda com o Bolivarianismo. E esse casamento de socialismo que se pretenda democrático e com liberdade tem se mostrado um parto difícil, principalmente pelas violentas reações da oposição conservadora interna. Mesmo quando se joga o jogo institucional (como no caso do Brasil), às vezes aparece esse desânimo e uma frustração com o ser humano - como se não vale-se mais a pena em lutar pelas mudanças, mesmo quando os frutos estão aí para quem quiser ver sem os antolhos da grande mídia.

Então, por que comprar essa camisa e pensar em utopias? Talvez porque ela ainda representa um sonho que nunca deve morrer. Vi a história acontecer com a queda do muro de Berlim, a estagflação e a onda neoliberal nos anos 90, a formação dos grandes blocos econômicos e alvorecer do fundamentalismo religioso provocando uma guerra de civilizações. E esse "admirável mundo novo" onde grassa o capitalismo selvagem, pretensamente liberal, não merece nenhum admiração. As crises constantes, a contestação de alguns direitos básicos, os problemas ambientais e o aprofundamento das desigualdades sociais mostram esmorecer no sonho é entregar o mundo a uma nova barbárie que não se pode admitir.

No entanto, existe uma luz nos fim do túnel dos céticos. As edições dos Fóruns Sociais Mundias, a eleição de Lula dando um novo alento; Chavez, Mujica, Bachelet e Morales reconfigurarem em vermelho a América do Sul; o surgimento e ascensão do Syriza na Grécia trouxeram um alento. E lembra que ainda existem muitos sonhos que precisam se tornar reais - nem que seja pela nostalgia de se acreditar em mundo melhor...

terça-feira, 26 de maio de 2015

Indrisos e Poetrix - Novos caminhos na poesia atual

Indrisos & Poetrix: Novos caminhos na poesia atual

Salvador, 29 de abril de 2015 (21H38) 

Quando se fala em literatura contemporânea, o senso comum afirma que o século XX (e por tabela, o terceiro milênio) é caracterizado pelo declínio do soneto, rondó, terza rima, balada e outros poemas de forma fixas. Todavia, isso não significou sua “morte”. Novas formas de expressão poética têm surgidos, principalmente na virada do século, para atender as novas demandas estéticas da contemporaneidade. Nesse ponto que vale a pena conhecer um pouco desses novos formatos, como o indriso e o poetrix – nascidos da nova realidade gerada pela estética minimalista e pela atual “Idade Mídia”. 

O Poetrix nasce na Bahia, em 2001, pelas mãos de Goulart Gomes. Surge derivado do Haicai – milenar forma poética japonesa que se caracteriza por ser um terceto (estrofe de três versos) de 17 sílabas, sem título e exprimindo um estado da natureza. Goulart Gomes cria um novo terceto composto de 30 sílabas poéticas, exige um título (para complementar o significado do poema) e com mais autonomia no campo temático do que o haicai tradicional. Como exemplo dessa forma, segue um poema de Goulart Gomes:

PESSOIX
um terço de mim, delira
um terço de mim, pondera
outro terço, ah!, quem dera!

Do Poetrix surgiram o duplix e triplix (dois ou três poetrix que são encadeados), grafitix (poetrix associados a uma imagem, formando um todo poético), concretix (poetrix escrito dentro da estética da poesia concreta), dentre outras variações. Esse novo poema ganhou gosto dentre parte dos novos poetas, dando origem ao MIP / Movimento Internacional Poetrix (http://www.movimentopoetrix.com/), além de um rico material teórico sobre o próprio poetrix e, por tabela, o fazer poético.

Já o Indriso nasce na Espanha em 2001, pela pena de Isidro Iturat (poeta e professor de literatura espanhola, atualmente residente no Brasil). Iturat faz uma atualização do soneto, criando um poema cuja estrutura é dois tercetos e dois monósticos (estrofe de um verso), com total liberdade de rimas e sílabas poéticas e de temática aberta. Como exemplo, há o poema DECEPÇÃO, de Sílvia Mota:

Não me decepciono aos versos mentirosos,
nem aos beijos sem gosto,
nem aos orgasmos solitários no meu corpo...

Pouco importam, se da tua nudez
protejo a pureza do meu coração
e na insipidez da tua saliva exalto meu sabor.

Decepcionam-me teus gestos insensíveis...

Teus olhares de desprezo ao próximo...

Segundo Isidro Iturat, além de ser um poema de leitura rápida, o indriso se caracteriza, simbolicamente, como uma trindade duplicada, dando vazão simbólica ao subconsciente. Também tem se disseminado (ainda que timidamente) na poesia brasileira.

Essas novas formas que surgem para o novo milênio, mostrando novas possibilidades para a poesia. E fica o convite aos poetas de Valença para usar novas formas de expressões, novas formas de versejar, dando continuidade ao velho ofício de transformar em versos as emoções e os estados do ser humano.

Farol de Amarguras

Farol de Amarguras

Salvador, 26 de maio de 2015 (00h37)

Em uma noite de quimeras negras,
Não quero luzes sobre minha fronte.
Quero ser um farol mudo e zombeteiro 
– Velho gigante orgulhoso e altaneiro 
A desafinar cinicamente o horizonte!

Quero deixar o doce oceano em paz,
Com suas ondas, sereias e tormentas.
Suas ardentias não dizem das alegrias
Das naus perdidas e nem as calmarias
Trazem canções para animar as sendas.

O que incomoda é a imensidão escura!
Sem estrelas alfas com quem dialogar,
O farol é triste! Sem nenhum sentido
Torna-se sua luz – olhar sempre perdido
Inutilmente, a algum parceiro, encontrar.

Por isso eu-farol sou delírio em faíscas
E nervosamente cavalgo essas nuvens
Que tudo cobrem e dilacero indiferente
Cetro e Altar; Coroa, Crenças e Tridentes,
Tudo reduzir a pó, limalhas e penugens.

Rasgarei o velho véu da mediocridade
Com minhas luzes, afugentarei quimeras.
E assim, quando vier despontar a aurora,
Talvez reencontre a minha paz d’outrora
Nas velas pandas dalguma nova caravela.

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Soneto Melico

Soneto Mélico

Salvador, 04 de maio de 2015 (21h22)

Canção! Escrevo-te como inspiração,
Como chama fugidia na madrugada.
Escrevo-te como um soneto concreto,
Feito de sal, suor e temperado aço!

Desmonte-te em iâmbicos e dáctilos,
Vou remoendo cada peça com graxa,
Na poeira das estrelas – para depois 
Remontar os versos como máquinas!

E dentro da melopeia insone das flores,
Quando traduzo as metáforas em visões,
A melodia nasce e cresce como tufão!
A poesia (não duvides) é puro ritmo.

É quimera solta nas brumas da aurora, 
Força bruta dos todos os Elementais.

sábado, 18 de abril de 2015

Renascimento do Girassol

Renascimento do Girassol

Salvador, 02 de abril de 2015 (01h49)

Girassol que se solta, como estrela semente,
Das entranhas, trevas úmidas da mãe Terra,
Renasce como carrossel, como flor, regenera
A dor para refazer-se em beijo resplandecente.

Renasce como ave, como novo astro cadente
Que corta o horizonte e expulsa a besta-fera,
E que sonha intimorato a alegria que encerra
Como farol sereno a acalmar a nossa mente.

Girassol, tu és o renascimento da natureza,
És o beijo inocente que vence a velha Lua
E recicla nossa coragem incansavelmente.

Cante tua canção de quem vence a dureza
E ainda continua firme como estrela de rua,
A renascer como esperança, eternamente…

A ambiguidade narrativa em Dom Casmurro

A ambiguidade narrativa em “Dom Casmurro

  O enredo de Dom Casmurro, de Machado de Assis, centra-se em uma dúvida: Capitu traiu ou não seu esposo Bentinho com Escobar, melhor amigo dele? O Bruxo do Cosme Velho escreveu uma história tão ambígua que não há como se ter uma certeza absoluta – motivo pelo que o “Julgamento de Capitu” tornou uma espécie de “hit” entre as avaliações de Literatura no Ensino Médio. Contudo, a grandeza dessa obra transcende à questão da “culpabilidade ou inocência” de Capitu, pois essa grandeza está na própria ambiguidade em que foi construída a história.

  Quando Machado de Assis escreveu seu famoso romance, o tema do adultério estava em voga: Madame Bovary, de Gustave Flaubert; Ana Karênina, de León Tolstói e O Primo Basílio, de Eça de Queiroz aparecem como uma pequena amostra de como o tema foi, como reação às histórias de “Amores Românticos”, em que as agruras passadas apenas solidificarem um amor eterno, fiel e sincero a ser recompensado no final. Os escritores realistas contrapõem a perspectiva de que o relacionamento amoroso pode ser mais complexo, com a possibilidade de o amor possa ser finito, infiel e com lapsos de dissimulações. A rotina do casamento mostra que nem tudo são flores – antes, existem espinhos que ferem e fantasma da dúvida se apresenta como terror frequente, como pode ser visto nos três romances supracitados. Contudo, em todos eles existe uma certeza: a mulher foi infiel e por isso - condenada. É diante dessa constante que Machado de Assis apresenta um diferencial, ao apresentar outro prisma ao tema.

  A resposta ao amor romântico que Machado de Assis apresenta não é um relato de uma mulher que, devido à frustração do casamento, se envolve numa extraconjugal que levará a condenação moral. Dom Casmurro se apresenta como uma história do ciúme de tal proporção que se levanta a suspeita de uma traição. O narrador, Bentinho Santiago velho e ressentido, rememora os fatos de sua juventude que levaram ao namoro, casamento e separação de Capitu, procurando a todo custo em condená-la de forma obsessiva. O leitor MUITO DESAVISADO é então levado a concluir que Capitu é culpada, através da leitura superficial do romance.

  Em uma leitura mais atenta, no entanto, percebe-se a parcialidade como a história é contada: Em nenhum momento se ouve a fala independente dos demais personagens (já mortos quando a história é contada – principalmente Escobar e Capitu, principais envolvidos nessa trama). Outro fato é que o velho Bentinho não apresenta provas concretas, apenas suposições forjadas na interpretação pessoal que ele faz dos fatos (como no caso da aparente semelhança entre Escobar e seu filho Ezequiel). E se juntar, no final, um personagem-narrador cujo caráter é de uma pessoa ressentida, dominada pelas mulheres e sem grandes referências masculinas para forjar seu ego e que é assombrados pelos seus fantasmas da dúvida (como pode-se se observar nos primeiros capítulos, onde se descreve a atual casa do Dom Casmurro e nos detalhes, estão os bustos de grandes homens da histórias que foram traídos), chega-se a situação de que ESSA versão da história, não corresponde totalmente à “verdade dos fatos” e que, portanto, poderia se descartar juridicamente do auto do processo contra Capitu. 

  Ora, descartar essa narrativa não inocenta simplesmente Capitu - e esse é o golpe de mestre que o autor dá aos seus leitores, ao não apresentar uma resposta definitiva sobre o tema. Machado de Assis mostra que, de toda essa putativa querela da culpabilidade ou inocência da personagem feminina, sobrou apenas um texto soberbo de ficção centrada na ambiguidade narrativa.

  Desse modo, percebe-se Machado de Assis justifica sua condição de grande escritor brasileiro, ao retomar o velho tema da traição para criar uma obra-prima sobre o tema do adultério, cuja análise mais superficial está em condenar ou não Capitu. Em contrapartida, a História e a Literatura já deu se veredito a esse romance machadiano, ao elencá-lo como uma aula de como escrever um romance deliciosamente ambíguo.

terça-feira, 31 de março de 2015

Aboio

Aboio

Baía de Todos os Santos (FB Ana Nery); 16 de julho de 2012

Eira boi! Vou trazendo minha boiada!
E pelo aboio dos meus versos
Vou conduzindo o rebanho pela estrada! Ooiiá!

É o aboio dos meus cantos
Que pelos estranhos encantos
Ou pelos danosos desencantos
Vou cantando para meu rebanho,
Que segue essas verdes veredas,
Atento para não perder a poesia
Que rege encantando os meus dias. Ooiiá!

Na verônica de outros vates,
Aprendi a fazer minhas canções
E colhendo versos nos chapadões,
Ouvindo dos vaqueiros ancestrais
Os aboios e toadas primordiais
Para levar longe a minha manada! Ooiiá!

Lágrimas e mandacarus
Caminham como fantasmas;
E cavalos de fogos cruzam
A senda de minhas palavras,
Para fazer este meu aboio!
Desse meu sertão sem fim,
Desse mundo sem porteira,
Caminho dentre canções,
Para na cidade trigueira,
Que na beira do mar verdeja,
Para então tocar minha viola,
Minha vida e minhas mágoas. Ooiiá!

Eira boi! Vou trazendo minha boiada!
E pelo aboio dos meus versos
Vou conduzindo o rebanho pela estrada! Ooiiá!

domingo, 29 de março de 2015

Soneto para Elly

Soneto para Elly
(para Elieci Pereira)

Valença; 29 de março de 2015 (18h56)

Em meio às flores e às borboletas do jardim,
Ouvindo as sinfonias de sabiás e bem-te-vis,
Sentindo a brisa marota realizar traquinagens
Enquanto atravessa suavemente as folhagens;

Vendo gnomos ignotos vigiarem secretamente
Os ensaios que os pirilampos de fogo e trovão
Realizam para as fadas faceiras e elfos fogosos
Enquanto o orvalho amadurece nos carvalhos;

Vejo que tu és a rainha de copas que seduz,
És o arcanjo meigo de anelos de puro ouro
Que faz dos logaritmos uma sonata de luz.

És o farol cândido dentre minhas dúvidas,
Matematicamente encontrando a justa razão
Trigonométrica da equação de meu coração.
P:.

Olhos de Marmore

Olhos de Mármore

Salvador; 28 de julho de 1996

Sobre as tristezas da selva de concreto, 
Meus olhos inundavam-se em rios. 
Meu tamborim pulsa choroso no peito 
Ao som de um coração metálico distante
d D
i   I
s    S
t      T
a       A
n         N
t            T
e             E
Eu, estrangeiro em uma terra estrangeira, 
Afogo-me na solidão das multidões 
Sem o fogo de teu olhar de ressaca. 
Procuro dentre beijos secos e duros 
E na solidão lunar um farol onde aportar. 
Quero teu farol, nele encontra meu descanso. 
Preciso deste bálsamo para curar a solidão 
Que me devora (embora, ASSIM não quisera) 
Implacável, como uma indomável quimera.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Soneto Beduino

Soneto Beduíno
(para o mestre Mustafá Rosemberg)

Valença; 24 de fevereiro de 2015 (05h25)

A noite de Kadr vale mais do que mil meses. 3
Nela, os anjos e o espírito descem, pela ordem
de seu Senhor, com todos Seus decretos. 4
Ela é a paz até o romper da aurora. 5
Kadr 97: 3-5 – Alcorão (tradução de Mansour Challita)

Vejo um cavalheiro que se afasta na bruma da noite
Rubái 158 – Omar Khayyam

O simum assobia entre as tamareiras d’oásis,
Suavemente colorindo de preces o Levante.
O Sol pardo cai solenemente detrás das dunas,
Enquanto uma noite de paz cobre o horizonte.

O beduíno, banhado a face pelo luar argênteo,
Descortina com seus olhos afiados a imensidão.
De êxtase, fé e alegria sente queimar seu sangue.
Então monta seu corcel para singrar os ventos.

Branco albornoz dança sob a lua do Ramadã,
Enquanto o cavalheiro vence léguas d’estrelas,
Sentindo a poesia sublime escrita na Criação.

Sheik de si mesmo nessa cavalgada selvagem,
Ele descobre poemas em cada beijo da brisa,
Em cada grão de areia, descobre ele mistérios.

P:.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Cancao do Dique de Tororo

Canção do Dique de Tororó

Valença; 18 de fevereiro de 2015 (03h50 AM)

I
Axé, querido Dique de Tororó!
Espelho d’água, Ilha de verde
No meio da selva de concreto,
Quantos mistérios e segredos
Eu beberia em suas águas negras?
E lá os orixás residem majestosos,
Como reis e rainhas dessa cidade
De todas as deidades e santos.

Axé, querido Dique de Tororó!
Peço licença para o Senhor Exu, 
Que ele abra todos os caminhos
Dessa difícil estrada da poesia
E me permita esse meu cantar
Colhida nas notas da gaita galega.
Axé, Mestre Exu! Laroiê, Laroiê!


II
Eu fui para o Dique de Tororó,
Beber água, não achei… Achei
Uma Iemanjá morena e tropical
Que me pescou com um doce beijo 
Apimentado e por ela me enfeiticei.

A Lua foi para o Dique de Tororó,
E nas águas morena ela se banhou! 
Saiu morena e vaidosa como Oxum.
Do luar fez uma tiara de prata e encantos
E com as estrelas e pulsares ela enfeitou.

E nas margens do Dique de Tororó,
Ela passeou, entregando, qual musa,
Seus beijos para os boêmios e poetas.
Eu estava entre os eleitos naquela noite,
Elevando-me da massa ignara e obtusa.

Era noite calma no Dique do Tororó
Quando, com chama e volúpia pagãs,
Minha musa eu beijei. Era gostoso ver
Passar enlouquecida a estéril vida civil
Enquanto a musa me crismava seu ogã.

O Tempo passou no Dique de Tororó
E chegou a hora da Lua morena partir.
Subiu num cometa, rumo à imensidão.
E desde então canto pelas noites de Luar
Para ver minha musa eterna, no céu, sorrir.

Eu fui para o Dique de Tororó,
Beber água, não achei… Achei
Uma Iemanjá morena e tropical
Que me pescou com um doce beijo 
Apimentado e por ela me enfeiticei.


III
A cornamusa galega segue chorosa,
É hora de dizer adeus aos Orixás!
A escuridão se confunde com o asfalto,
E as luzes e buzinas furiosas lembram
Que já não mais tempo para poesia.
Mas as águas ancestrais de Tororó 
Continuam pulsando sua força e axé,
Como uma ilha de paz e tranquilidade
Na agitada metrópole ensandecida.

Nas Margens do Tororo

Nas Margens do Tororó

Salvador; 22 de outubro de 2001

O meu amor chorou. Suas lágrimas
Chegaram às águas negras de Tororó.
A escuridão se confundiu com o asfalto,
Os carros zuniam em exames.
Meu amor chorou. A cidade corria
Na hora melancólica do rush
Como uma manada de elefantes em fúrias.
Mas o meu amor chorou de solidão…

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Canto Peruano

Canto Peruano

Valença (Kiosk de Pelegrini); 03 de fevereiro de 2015 (10h50)

Luana, bella como una luna,
Vem como uma sereia do Pacífico
Filha divina de Manco Capac,
É o Sol inca que viaja e encanta,
Cavalgando as nuvens de flores,
Para reinar, qual sublime Coya
Que conduz as virgens no Acllahuasi
Luana, bella como una estrella,
Teus olhos negros são pérolas
Raras nascidas em Tahuantinsuyu
E teu sorriso, carrossel de diamantes,
Ilumina a noite dourada sobre Cuzco.
Os vulcões, gigantes dos Andes,
Cantam sua fúria ardente e mágica,
Enquanto a Condor voga pelos ventos
De tua cabeleira negra e macia.
Esses são os encantos peruanos,
Segredos que se revelam no Rio Una,
E que os ojos de Luana traduzem.

NOTAS
MANCO CAPAC – FUNDADOR E PRIMEIRO IMPERADOR INCA.
COYA – IMPERATRIZ, ESPOSA LEGÍTIMA E MÃE DO HERDEIRO DO IMPÉRIO INCA.
ACLLAHUASI – CASA DAS “VIRGENS DO SOL”(MOÇAS DESTINADAS AO SERVIÇO RELIGIOSO).
TAHUANTINSUYU – NOME QUE ERA CONHECIDO O IMPÉRIO INCA EM SUA LÍNGUA NATAL.
.

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Fogo de Beltane

Fogo de Beltane

Valença; 1º de fevereiro de 2015 (04h19)

O bardo dança em volta da estrela cristalina,
Vendo faíscas e fogos saltitando na escuridão.
Sortilégios ele entoa na sua cornamusa ferina,
Enquanto seus versos conquistam a imensidão.

Noite de mistérios quentes como uma turmalina
Colhida nalgum templo perdido no Hindustão,
Beltane é tempo de fogueira sagrada e feminina,
Quando poesia e magia, sobre o luar, se unirão.

O bardo rouba a música de cada esfera celestial,
Desafia todos os cometas com seu cantar fremente,
Com suas estrofes faz serenar ventanias e trovões.

E o bardo dança e delira! Vibra com força marcial,
Rompendo cada fibra de suas entranhas ardentes,
Para fustigar os deuses com o mel de suas canções.

Biblioteca do Bardo Celta (Leituras recomendadas)

  • Revista Iararana
  • Valenciando (antologia)
  • Valença: dos primódios a contemporaneidade (Edgard Oliveira)
  • A Sombra da Guerra (Augusto César Moutinho)
  • Coração na Boca (Rosângela Góes de Queiroz Figueiredo)
  • Pelo Amor... Pela Vida! (Mustafá Rosemberg de Souza)
  • Veredas do Amor (Ângelo Paraíso Martins)
  • Tinharé (Oscar Pinheiro)
  • Da Natureza e Limites do Poder Moderador (Conselheiro Zacarias de Gois e Vasconcelos)
  • Outras Moradas (Antologia)
  • Lunaris (Carlos Ribeiro)
  • Códigos do Silêncio (José Inácio V. de Melo)
  • Decifração de Abismos (José Inácio V. de Melo)
  • Microafetos (Wladimir Cazé)
  • Textorama (Patrick Brock)
  • Cantar de Mio Cid (Anônimo)
  • Fausto (Goëthe)
  • Sofrimentos do Jovem Werther (Goëthe)
  • Bhagavad Gita (Anônimo)
  • Mensagem (Fernando Pessoa)
  • Noite na Taverna/Macário (Álvares de Azevedo)
  • A Casa do Incesto (Anaïs Nin)
  • Delta de Vênus (Anaïs Nin)
  • Uma Espiã na Casa do Amor (Anaïs Nin)
  • Henry & June (Anaïs Nin)
  • Fire (Anaïs Nin)
  • Rubáiyát (Omar Khayyam)
  • 20.000 Léguas Submarinas (Jules Verne)
  • A Volta ao Mundo em 80 Dias (Jules Verne)
  • Manifesto Comunista (Marx & Engels)
  • Assim Falou Zaratustra (Nietzsche)
  • O Anticristo (Nietzsche)