Sua Majestade, O Bardo

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Valença, Bahia, Brazil
Escritor e Professor de Literaturas Anglófonas. Autor do livro "Estrelas no Lago" (Salvador: Cia Valença Editorial, 2004) e coautor de "4 Ases e 1 Coringa" (Valença: Prisma, 2014). Licenciado em Letras/Inglês pela UNEB-Campus Salvador. Falando de mim em outra forma: "Aspetti, signorina, le diro con due parole chi son, Chi son, e che faccio, come vivo, vuole? Chi son? chi son? son un poeta. Che cosa faccio? scrivo. e come vivo? vivo."

domingo, 25 de maio de 2014

Balada Amarga

Balada Amarga

Valença; 24 de maio de 2014 (03h48)

Hoje o meu estro mergulhou em um oceano de amargura
E passou descrê na Humanidade. Sim, virei descrente…
Não há como olhar as estrelas sem ficar com vergonha de nós:
Vergonha de nossos pensamentos,
Vergonha de nossa mesquinhez,
Vergonha de nosso sorriso impróprio,
Vergonha de nosso choro contido,
Vergonha ter termos vergonha…
Penso, se acaso pudéssemos cavalgar um poema
E dar um giro nesse carrossel de cometas
Que são nossos sonhos, veríamos o verdadeiro tamanho
Que é a nossa humanidade…
Ah, como penso na riqueza dos exoplanetas
E no silêncio quântico da matéria escura!
Como penso na arte como a décima dimensão da matéria!
Como penso na filosofia como a quinta-essência do Tempo!
E tudo que ser humano possui é a sua pequenez.
E é gozado ver a contradição: Pegamos nossos foguetes
Para construir um universo de paz e ambições nobres
No qual espelhamos as nossas falhas…

Sim, musa, meu estro está ácido como a atmosfera de Vênus
E meus olhos amargos censuram a cretinice da ex-amada.
Sei que também tenho meus momentos de vilania,
Sei que também sou humano, demasiadamente humano nos meus erros…
E não me vanglorio quando rasgo a seda da realidade
E confesso que minhas quimeras moram no infinito.
E de lá do infinito ergo castelos de cristais e poeira,
Zarpo numa espaçonave de chocolate
E marinheiro de minhas dores, cravo minha bandeiras
Nos territórios perdidos da palavra ignota.
Sim, musa estelar com voz de uirapuru
E cabelo negro de uma Cleópatra hollywoodiana,
Sei que minha canção é um delta sideral do Okavango,
Bebeu nas fontes de Bandeira e Morais,
É filho bastardo de Nietzsche e das flores,
E que em nada há de ser sublime ou divina na sua pequenez.
Sei que a província é amada por ser meu exílio,
Meu eterno refúgio das sombras onde lanço minha nau.
Mas eu quero ser um Napoleão das páginas em branco.
Vestir a roupa de Átila e cruzar esse território de dragões,
Devastando as consciências tranquilas e as hipocrisias.
Quero ser o cataclismos do “coxinhas” cegos
A desafinar o coro dos conformados.
E com sabre de minha lira, farei cair em si
E desesperar e descabelar e descentrar
Tanta vida esnobe e vazia na Teia Mundial.

Mas não há como ser uma Poliana jogando o jogo do contente,
Quando todos os dias uma Sheherazade carnívora
Vomita sua virulência farisaica no ventilador.
Não, quando o rebanho insiste em nos levar para direita,
Por o Grande Irmão assim o quer por capricho.
Então minha crítica procura o cosmo para refúgio,
Na esperança de que um buraco-negro

Possa levar-me a um novo Big Bang…

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