Sua Majestade, O Bardo

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Valença, Bahia, Brazil
Escritor e Professor de Literaturas Anglófonas. Autor do livro "Estrelas no Lago" (Salvador: Cia Valença Editorial, 2004) e coautor de "4 Ases e 1 Coringa" (Valença: Prisma, 2014). Licenciado em Letras/Inglês pela UNEB-Campus Salvador. Falando de mim em outra forma: "Aspetti, signorina, le diro con due parole chi son, Chi son, e che faccio, come vivo, vuole? Chi son? chi son? son un poeta. Che cosa faccio? scrivo. e come vivo? vivo."

domingo, 11 de novembro de 2012

Bicentenario Esquecido do Barao


Bicentenário Esquecido do Barão

Ricardo Vidal, escritor e professor.
Especialista em Estudos Linguísticos e Literários pela UFBA.

Valença, 11 de novembro de 2012


Na primeira quinzena de novembro foi pródiga em oferecer motivos de orgulho para Valença. Além da festa de Nossa Senhora do Amparo no dia 08, no dia 10 comemora-se o seu aniversário, quando foi elevada a condição de Industrial Cidade. Contudo, o que poucas pessoas sabem é que dois ilustres valencianos também nasceram nesta época: Conselheiro Zacarias e Barão de Uruguaiana, sendo que o Barão comemoraria este ano o bicentenário de seu nascimento.
Ângelo Muniz da Silva Ferraz, Barão com grandeza de Uruguaiana, nasceu na então Vila do Sagrado Coração de Jesus de Nova Valença em 03 de novembro de 1812. Formado em Sciências Jurídicas e Sociaes pela Faculdade de Direito de Olinda (mãe da atual Universidade Federal de Pernambuco), o Barão de Uruguaiana foi maçom, magistrado, juiz e político. Como magistrado, foi promotor público em Salvador e juiz em Jacobina. Como político, foi deputado provincial e geral, presidente da Província do Rio Grande do Sul (1857-1859), senador do Império Brasileiro, Conselheiro de Estado e Ministro da Fazenda e da Guerra, além de Presidente do Conselho de Ministro (cargo equivalente a de primeiro-ministro) em 1859. Começou sua carreira política no Partido Conservador (e por este partido assumiu a presidência do conselho de ministro entre 1859 e 1861). Mais tarde, aderiu à Liga Progressista, tornando-se correligionário do seu conterrâneo conselheiro Zacarias de Góis e Vasconcelos. Posteriormente os dois passaram a participar do Partido Liberal. Foi agraciado com Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo, Comendador da Imperial Ordem de Cristo, Dignitário da Imperial Ordem da Rosa e o titulo nobiliárquico em 1866 e veio a falecer em Petrópolis em 1867. Em 1891, o município catarinense de Angelina recebeu este nome em homenagem ao Barão de Uruguaiana.
Durante a Guerra do Paraguai, foi ministro da Guerra em um dos gabinetes do conselheiro Zacarias, chegando-se a se indispor com o Duque de Caxias, comandante-chefe do exercito brasileiro. Nesta condição, foi ajudante-de-ordem do imperador Dom Pedro II e participou da rendição do general paraguaio Estigarribia na cidade de Uruguaiana, assinando a nota de rendição e entregando a espada do general derrotado ao imperador brasileiro. Tal fato esta imortalizado em uma gravura que hoje compõe o acervo da pinacoteca da Câmara Municipal de Valença.
Como ministro da Fazenda (cargo que acumulou com a presidência do conselho de ministros), O Barão de Uruguaiana lutou por uma política de economia, através do desenvolvimento das rendas internas e aduaneiras. Sua gestão junto às finanças nacionais se se caracterizou pelos seguintes atos: criação da Secretaria de Agricultura, Comércio e Obras Públicas; organização das Caixas Econômicas; regulamentação dos bancos de emissão e do meio circulante; introdução da tomada de contas dos responsáveis perante a Fazenda Nacional; obrigatoriedade de concurso para ingresso no serviço público.
Pela importância histórica deste filho de Valença, é lastimável que este ano não ocorreu um único ato comemorativo em nossa cidade em sua homenagem. Contudo, considerando que próprio aniversario de Valença, oxalá que a próxima gestão tenha mais sensibilidade para com nossa historia e cultura e venha se lembrar que em 05 de novembro de 2015 será a vez do Bicentenário do Conselheiro Zacarias…

Bibliografia:
OLIVEIRA, Edgard Otacílio da Silva. Valença: dos primórdios a contemporaneidade. Salvador: Secretaria de Turismo e Cultura, 2006. (col. Cidades da BAHIA)
SITE DO MINISTÉRIO DA FAZENDA: acessado em 11 de novembro de 2012, às 19h34.
SITE DO SENADO FEDERAL: acessado em 11 de novembro de 2012, às 19h45.

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  • Revista Iararana
  • Valenciando (antologia)
  • Valença: dos primódios a contemporaneidade (Edgard Oliveira)
  • A Sombra da Guerra (Augusto César Moutinho)
  • Coração na Boca (Rosângela Góes de Queiroz Figueiredo)
  • Pelo Amor... Pela Vida! (Mustafá Rosemberg de Souza)
  • Veredas do Amor (Ângelo Paraíso Martins)
  • Tinharé (Oscar Pinheiro)
  • Da Natureza e Limites do Poder Moderador (Conselheiro Zacarias de Gois e Vasconcelos)
  • Outras Moradas (Antologia)
  • Lunaris (Carlos Ribeiro)
  • Códigos do Silêncio (José Inácio V. de Melo)
  • Decifração de Abismos (José Inácio V. de Melo)
  • Microafetos (Wladimir Cazé)
  • Textorama (Patrick Brock)
  • Cantar de Mio Cid (Anônimo)
  • Fausto (Goëthe)
  • Sofrimentos do Jovem Werther (Goëthe)
  • Bhagavad Gita (Anônimo)
  • Mensagem (Fernando Pessoa)
  • Noite na Taverna/Macário (Álvares de Azevedo)
  • A Casa do Incesto (Anaïs Nin)
  • Delta de Vênus (Anaïs Nin)
  • Uma Espiã na Casa do Amor (Anaïs Nin)
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