Sua Majestade, O Bardo

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Valença, Bahia, Brazil
Escritor e Professor de Literaturas Anglófonas. Autor do livro "Estrelas no Lago" (Salvador: Cia Valença Editorial, 2004) e coautor de "4 Ases e 1 Coringa" (Valença: Prisma, 2014). Licenciado em Letras/Inglês pela UNEB-Campus Salvador. Falando de mim em outra forma: "Aspetti, signorina, le diro con due parole chi son, Chi son, e che faccio, come vivo, vuole? Chi son? chi son? son un poeta. Che cosa faccio? scrivo. e come vivo? vivo."

sábado, 26 de agosto de 2006

Tempos de Reforma

Tempos de Reforma

Salvador, julho de 2003

Estamos em tempos de reforma. Reformas da previdência. Reforma tributária. Reforma política. Contudo, além das reformas governamentais, o movimento sindical precisar realizar uma reforma conceitual de sua práxi, que supere os modelos ultrapassados de luta e os adeqüe aos novos tempos.

O sindicalismo brasileiro ainda segue os modelos de lutas e organização utilizados no Velho Mundo no início de século passado. Inspirados na perspectiva revolucionária de mudança social (que levaram os comunistas ao poder na Rússia em 1917 e na China em 1949), o movimento sindical brasileiro continua seguindo a linha de luta econômica e de confrontação, que tem na greve o momento máximo de ação e (auto) afirmação. Na Europa Ocidental, desde a década de 60, com a vitória da socialdemocracia e o surgimento do “eurocomunismo”, o movimento sindical passou da perspectiva revolucionária para a conciliação e harmonia de classe, visando manter o “Estado de Bem-Estar Social” (Wellfare State).

Contudo, este modelo revolucionário ganhou sobrevida no Brasil com a Ditadura Militar, que impediu a ação livre dos trabalhadores nas décadas de 60 e 70. Como conseqüência desta repressão, o modelo de movimento sindical contestatório explodiu com maior vigor na década de 80. Deste período, surgiu nomes memoráveis como os de Jair Meneghelli, Olívio Dutra e Luís Inácio Lula da Silva – atual presidente da república.

Só que hoje, os tempos são outros. Não existe mais uma Ditadura sanguinária contra quem lutar. O Muro de Berlim caiu para a esquerda, sepultando em seus escombros a União Soviética e o sonho da conquista (imediata e revolucionária) do poder pelos trabalhadores. Paralelamente, viu-se o avanço avassalador da nova ordem capitalista, com o rótulo de neoliberalismo. Com ele, vieram as privatizações, Globalização, Estado Mínimo (atualmente revisto como Mínimo de Estado), desregulamentação e das perdas de direito trabalhistas.

Também, deve se considerar que os avanços da Telemática (cuja maior criação é a Internet) criaram uma nova racionalidade de mundo. A informação tornou-se uma mercadoria importante e vital no mundo dos negócios. A possibilidade de se falar com o mundo dentro do sossego do lar é vivida por todos os internautas, que através dos e-mails, websites, downloads e chats, disseminam livremente informações que antes teriam grandes dificuldades de chegarem ao grande público. Assim, organizações sociais (como empresas e sindicatos) cada vez mais precisam ter um site ou um e-mail para contato, para não correr o risco de perderem a vez para as demais organizações, que já estão conectadas com a nova realidade.

Novas demandas sociais surgiram em um cenário mundial novo. Hoje, não é só o campo econômico que unicamente mobiliza a população. Questões como direitos das mulheres, discriminação racial, causa ambientalista e dos homossexuais e transgêneros (GLS) entraram na pauta da discussão da sociedade. O Fórum Social Mundial exemplifica este novo quadro de atuação: diversificado, interligado e global.

Diante disso, que o sindicalismo deve mudar seus paradigmas. Não só a discussão por salários que deve animar as ações sindicais. Tão importante quanto construir greves e passeatas, os sindicatos deveriam investir em novas frentes de contestação, como a luta para democratizar a comunicação, a defesa dos direitos das minorias e a participação ativa em causas alternativas como a preservação do meio-ambiente ou a prevenção de doenças.

Como exemplos desta nova forma de luta, o movimento sindical já deveria: 1) Ter um “Jornal Sindical Nacional”, comparável à Folha de São Paulo ou Jornal do Brasil, para veicular notícias de interesse geral, mas com uma cobertura diferenciada a que se é dado pela “grande” impressa. 2) Transformar as sedes sindicais em espaços culturais alternativos, com apresentações de teatro e música, bibliotecas públicas e ser agente produtor de debates e seminários abertos à população, que discutam a realidade por outros ângulos. 3) Apresentar novos modelos (eficientes) de educação popular, que visem conscientizar, formar e informar um novo cidadão. 4) Realizar com mais intensidade campanhas de prevenção de doenças, que normalmente ocorram dentro da classe, mesmo que não decorrente totalmente do exercício da profissão 5) Atuar em… tantas coisas mais, em que o céu é o limite.

As possibilidades de lutas e atuações sociais são infinitas e cabe aos sindicalistas a criatividade de se fazerem inserir neste novo quadro mundial. Se não, correram o risco de perderem o bonde da História e se tornarem velhas peças de museus, como hoje são os títulos de nobrezas, as deuses da antiga Grécia e a coroa imperial usada por Dom Pedro II.

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