Sua Majestade, O Bardo

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Valença, Bahia, Brazil
Escritor, autor do livro "Estrelas no Lago" (Salvador: Cia Valença Editorial, 2004) e coautor de "4 Ases e 1 Coringa" (Valença: Prisma, 2014). Graduado em Letras/Inglês pela UNEB Falando de mim em outra forma: "Aspetti, signorina, le diro con due parole chi son, Chi son, e che faccio, come vivo, vuole? Chi son? chi son? son un poeta. Che cosa faccio? scrivo. e come vivo? vivo."
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terça-feira, 16 de junho de 2009

Entrevista - site do CBjE

1 - Quem é você?

Meu nome completo é José Ricardo da Hora Vidal, mas como nome literário uso "Ricardo Vidal". Sou fotógrafo amador e escritor, natural de Valença (Bahia), nascido em 20 de abril de 1978 (portanto já estou nas casas dos 30). Sou alto, magro, uso óculos, tenho cabelo e olhos castanhos e não sou fã de esportes. Há um fundo de verdade quanto à lenda sobre minha paixão pelos livros - minha biblioteca pessoal possui quase mil volumes e está em contínua expansão. Em 2009 eu concluirei a Licenciatura em Letras (Inglês) pela Universidade do Estado da Bahia e pretendo seguir a carreira acadêmica até o pós-doutorado em Literatura. Fui ex-aluno de jornalismo da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (mas não conclui o curso). Como neto de gallego, possuo dupla nacionalidade - o que curiosamente resultou que eu tivesse um outro sobrenome, Gonzalez Sousa. Tenho orgulho de minhas origens familiares: sou bisneto de Maestro Barrinha (autor do hino de minha cidade), sobrinho-neto de Antonio Sereia (benfeitor e mecenas de minha cidade), sobrinho de poetas inéditos (Valdo Sousa da Hora e Ivanice Conceição) e primo do artista plástico Junior da Hora. Minha família paterna possui vocação para música; e a materna, para desenho – dons que eu não herdei plenamente (acho que eu escrevo para compensar a falta de vocação para estas artes). Gosto de filosofia, literatura, fotografia, política, história, ufologia, erotismo, paleontologia, astronomia e arte. Detesto quiabo, caruru, músicas da Jovem Guarda, racismo e fundamentalismos religiosos e políticos. Socialista democrático convicto, orgulhosamente filiado ao PT, nas eleições européias voto no PSOE e admiro Che Guevara e o presidente Lula. E termino aqui meu perfil.

2 - Quantos e quais livros você publicou e/ou participou?

Até hoje, eu só publiquei um livro de poema, "Estrelas no Lago" (2004).

Contudo já participei dos seguintes livros

a) "Quase Escritores" (1994), meu debut, numa antologia organizada pelo Educandário Paulo Freire.

b) "Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos" volumes 08, 10 e 34 - pela CBJE

c) "Antologia de Contos de Autores Contemporâneos" volume 01 - pela CBJE

d) "Panorama Literário Brasileiro" 2004 e 200/ - pela CBJE

e) "Sensualidade em Verso e Prosa" 2007 - pela CBJE

f) "Antologia de Contos Fantásticos" volume 10 - pela CBJE

g) "Livro de Ouro do Conto Brasileiro" 2009 - pela CBJE

Além disso, tenho obra dispersa na revista Iararana, nos jornais "Valença Agora" e "Costa do Dendê" e no meu blog "Castelo do Bardo Celta" [www.bardocelta.blogspot.com].

Até o final do ano de 2009 pretendo publicar meu livro de contos e/ou meus artigos sobre ensino da língua inglesa e literatura.

3 - O que já ganhou com a literatura?

Dinheiro foi muito pouco, quase nada. Contudo, no meu currículo, consta um terceiro lugar (menção especial Bahia) no concurso nacional de poesia da revista literária Iararana em 2002 e duas menções honrosas nos concursos de poesia da Academia de Letras no Recôncavo e uma moção de aplauso da Câmara Municipal de Valença. Também por duas vezes meus poemas foram selecionados pela CBJE para compor o "Panorama Literário Brasileiro" (2004 e 2007).

4 - Como surgiu seu interesse pela poesia/literatura?

Desde criança eu gostava muito de ler. Minha mãe diz que me alfabetizei muito rápido… Meus pais, apesar de não serem intelectuais, tinham uma pequena biblioteca em casa, composta basicamente de alguns romances e contos de Júlio Verne, Alexandre Dumas Pai, Mark Twain, Oscar Wilde e Emílio Salgari. Todavia, o fato deles não cultivarem muito o espírito (prova disso é que nunca tivemos livros de poema ou de filosofia em casa) fez com meus primeiros interesses intelectuais se voltassem as ciências - especialmente História e Astronomia. Quando muito, dava vazão à minha criatividade tentando desenhar revistas em quadrinhos - experiência não muito frutífera, por sinal. O bichinho da poesia só veio dar as caras, timidamente, através dos poucos poemas de meu tio Valdo, que eu li ainda criança.

O verdadeiro encontro com a Literatura foi entre a oitava série ginasial e o primeiro ano Científico, com as aulas de Português de profa. Dinalva Teles. Com ela eu aprendi a tomar gosto pela prosa de ficção e pelo teatro, além de decifrar os labirintos da poesia. Aprendi a desvendar o brilho élfico das palavras e como esculpir universos com parágrafos. A existência de uma boa biblioteca do colégio onde estudei o segundo grau, junto com as aulas de literatura com profa. Rosângela Góes, de história e filosofia com prof. Jorge Aguiar e de redação com profa. Josiene – juntamente com a base de leitura que eu já possuía fez com eu naturalmente seguisse a senda literária.

Deste modo, quando eu entrei na Faculdade de Comunicação da UFBA aos 18 anos, minha intenção de seguir a carreira de escritor já estava sedimentada. Em resumo, praticamente minha vida girou entre livros, acho eu já estava no meu destino…

5 - Como você define a relação da sua vida com a sua obra?

Pergunta difícil... Sinto que a maior tentação de um escritor é escrever uma autobiografia disfarçada, meio para exorcizar fantasmas pessoais, meio para idealizar a própria vida. Às vezes me pego (principalmente nos contos) enxertando um pouco de minha vida, de minhas vivências, de minhas leituras e de meus sonhos. Mas isso não ocorre sempre. Há um conto inédito meu que é ambientado em Paris, embora até hoje eu nunca tenha pisado por lá. Da mesma forma que escrevi poemas "fingindo sentimentos" que não sentia - como no caso de "Farol do Desejo" e "Cântico dos Lírios", publicados pela CBJE. Eu diria que minha vida e minha obra andam juntas, algumas vezes tangenciam-se, mas não sempre se confundem.

6 - Quais são seus autores preferidos?

Nove autores eu considero fundamentais: oito homens - Göethe, Omar Khayyam, Fernando Pessoa(s), Castro Alves, Manuel Bandeira, Vinicius de Moraes, Karl Marx e Friedrich Nietzsche - e uma rainha, Florbela Espanca. Estes eu costumo ler mais amiúde e com constância. Não obstante, há "épocas" em minha vida em que um escritor mexe comigo. Na adolescência eu achava Álvares de Azevedo um rei. Depois houve um período só de Olavo Bilac, uma época que imperava de filosofia grega clássica, outra em que eu era vidrado em ficção científica do século XIX. Atualmente, estou na fase da literatura erótica feminina contemporânea: Anaïs Nin, Ana Ferreira, Catherne Millet...

Agora, independente do autor, alguns livros eu tenho um carinho especial e constituem minha biblioteca mínima: "Fausto”, “Sofrimentos do Jovem Werther", "Assim falou Zaratustra", "Manifesto Comunista", "20 mil léguas submarinas", "Estrela da Vida Inteira", "Rubayyat", “Contos e Lendas Orientais, de Malba Tahan” e "Mensagem".

7 - Como você conheceu a CBJE e qual tem sido a importância dela na sua vida como poeta/escritor?

Conheci a CBJE pela internet. Demorei, lendo direito o site, até tomar coragem e enviar um texto em 2004: meu poema "O Farol e o Mar".

A CBJE é importante na vida como escritor é exatamente pelas portas que ela abriu e ainda abrem. Através dos concursos regulares eu pude publicar meus textos, com a certeza que os mesmos sairão numa edição caprichada e com boa circulação. Também me permitiu entrar em contactos com autores contemporâneos, como Bruna Longobucco e Andressa Le Savoldi.

Costumo recomendar a CBJE para os amigos que estão começando na Literatura e para quem quer conhecer um pouco do que há de novo sendo produzido em literatura brasileira contemporânea.

8 - Que conselho você daria a quem está começando?

Embora eu me considere dentre os que estão começando, eu diria o seguinte:

a) LEIA SEMPRE E CADA VEZ MAIS! Não existe um escritor que não seja um grande leitor.

b) APRENDA A DECANTAR SEU TEXTO. Escreva, corrija, guarde por um tempo e leia seu texto. Assim fica mais fácil ver se o texto está bom ou não, e/ou quais emendas são necessárias.

c) PARTICIPE DE CONCURSOS. É um bom modo de testar seu texto, ver se ele realmente tem futuro ou era apenas um exercício de ego.

d) OUSAR. Se quiser mesmo ser escritor, deve perder a timidez e mostrar sua produção para os outros. Quem escreve procura, no fundo, ser lido pelos outros.

e) LEIA "CARTAS A JOVEM POETA", de Rilke. Não procure fórmulas neste livro, apenas indicações para outros vôos.

Acho que para começar estas dicas estão de bom tamanho.

9 - Ping-Pong Final

uma cor - verde, em todas as matizes.

uma flor - Jasmim.

uma estação - Outono

uma palavra - Cultura ("Não me amarra, dinheiro não, mas a cultura...")

uma comida - pizza toscana do Restaurante Casa Verde, em Valença.

um lugar - Valença/Bahia, minha cidade natal

uma viagem - Uma só? Três: Roma, Paris e Santiago de Compostella.

uma música - "Che Gellida Manina", ária de Rodolfo na ópera "La Boheme"

um filme – “Sociedade dos Poetas Mortos”. Nem precia dizer o porquê…

um livro – difícil… “Fausto”, “Mensagem”, “Rubayyat” e “Sofrimentos do Jovem Werther”

uma qualidade pessoal - Gostar de estudar.

um defeito pessoal – são tantos…

uma paixão - meus livros.

uma frustração - não saber tocar um instrumento musical nem desenhar e pintar bem

um sonho - ganhar o prêmio Nobel de Literatura. Acho que o povo da minha cidade iria gostar da notícia

um desejo - ser eterno como os poemas de Homero...

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Farol do Desejo (Aquele Beijo...)








Farol do Desejo (Aquele Beijo...)
http://www.camarabrasileira.com/sens08-025.htm




Foi numa noite de chuva
Que beijei teus lábios úmidos.
Tu estavas tímida, e timidamente,
Desabrochavas tua feminilidade em nosso ninho.
As gotas de chuva, lá fora, entoavam
Uma sinfonia em cada pétala
De rosa que elas beijavam.
E o beijos que tu me davas,
E o calor das taças de vinho,
E o silêncio confidente da lareira
E o fogo de teu corpo fremente
Incendiava irreversivelmente meu corpo,
Conduzindo minha língua
Pelo teu umbigo macio,
Pelos teus lábios maternais,
Pelos teus seios luminosos,
Pelo teu pescoço ebúrneo
Até chegar a tua face e boca marota.



Nossos corpos nus entraram em curto-circuito
E atingimos a comunhão
Dos corpos e dos orgasmos.
E em nossos lábios,
Recindia a saudade daquele primeiro beijo.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Editora carioca publica em outubro dois textos de escritor valenciano





Editora carioca publica em outubro
dois textos de escritor valenciano





O poema “Farol do Desejo (Aquele Beijo...)”, e o conto “Iara-mirim” ambos de autoria do escritor valenciano Ricardo Vidal, foram escolhidos pela editora carioca Câmara Brasileira de Jovens Escritores (CBJE) para integrar as antologias “Sensualidade em prosa e verso 2008” e “Antologia de Contos Fantásticos vol. #17”. Os livros estão à venda no site da editora e fazem partem do programa de incentivo da editora aos escritores contemporâneos.




Para o conto “Iara-mirim”, até então inédito, Ricardo Vidal foi procurar inspiração nas lendas indígenas e no folclore brasileiro para compor a aventura do travesso Pedrinho Pimenta no seu encontro com a filha da Uiara. Escrito numa linguagem fluida, o conto conserva um ritmo próximo da oralidade, como que se a estória já nascesse pronta se narrada na varanda de casa ou no terreiro de uma fazenda. Já no poema “Farol do Desejo (Aquela Beijo...)”, publicado anteriormente no livro “Estrelas no Lago”, Ricardo Vidal mostra a poesia de um momento íntimo entre uma mulher e seu companheiro, sem cair na vulgaridade. Nos dois textos ficam evidente algumas das marcas de estilo de Ricardo Vidal: a sutileza no tratamento do tema, a linguagem poética e a noite como cenário dos eventos.




Esta escolha dupla consolida a carreira fulgurante de Ricardo Vidal na literatura, já que é a quinta vez que um texto dele é escolhido pela CBJE para participar de suas antologias. Em 2004 o conto “Retrato de Família” e os poemas “O Farol e o Mar” e “Cântico dos Lírios” foram publicados nas antologias de contos e poemas da CBJE, sendo que o “Cântico dos Lírios” foi também premiado como um dos melhores poemas publicados naquele ano pela CBJE. A dose se repetiu em 2007, com o poema “O Beijo”, também escolhido como um dos melhores do ano.




ESCRITOR E FORMANDO. Além dos textos publicados pela editora carioca CBJE, Ricardo Vidal participou da antologia “Quase Escritores”, que reunia os textos dos alunos do Educandário Paulo Freire. Também publicou seu livro de poemas “Estrelas no Lago” e mantém o blog “Castelo do Bardo Celta” (www.bardocelta.blogspot.com). Com 30 anos completados ame abril do corrente ano, ele já ganhou três menções honrosas nos concursos literários (duas da Academia de Letras do Recôncavo e uma revista Iararana).




Ricardo Vidal é natural de Valença e estudou o Colégio Social de Valença e no Educandário Paulo Freire. No final deste ano, ele se gradua em Letras/Inglês pela Universidade de Estado da Bahia - campus Salvador, com uma monografia sobre o voyeurismo e erotismo nos contos da escritora franco-americana Anaïs Nin.

A Voz da Regiao. http://www.avozdaregiao.com.br/ver.php?manchete=2525

CBJE publica dois textos de Ricardo Vidal

CBJE publica dois textos de Ricardo Vidal

O poema “Farol do Desejo (Aquele Beijo...)”, e o conto “Iara-mirim” ambos de autoria do escritor valenciano Ricardo Vidal, foram escolhidos pela editora carioca Câmara Brasileira de Jovens Escritores (CBJE) para integrar as antologias “Sensualidade em prosa e verso 2008” e “Antologia de Contos Fantásticos vol. #17”. Os livros estão à venda no site da editora e fazem partem do programa de incentivo da editora aos escritores contemporâneos.

Esta escolha dupla consolida a carreira fulgurante de Ricardo Vidal na literatura, já que é a quinta vez que um texto dele é escolhido pela CBJE para participar de suas antologias. Em 2004 três textos dele foram publicados nas antologias de contos e poemas da CBJE, sendo que o “Cântico dos Lírios” foi também premiado como um dos melhores poemas publicados naquele ano pela CBJE. A dose se repetiu em 2007, com o poema “O Beijo”, também escolhido como um dos melhores do ano.

Além dos textos publicados pela CBJE, Ricardo Vidal participou da antologia “Quase Escritores”, que reunia os textos dos alunos do Educandário Paulo Freire. Também é autor do livro “Estrelas no Lago” e do blog “Castelo do Bardo Celta” (www.bardocelta.blogspot.com). Ele ganhou três menções honrosas nos concursos literários. Ricardo Vidal é natural de Valença e estudou o Colégio Social de Valença e no Educandário Paulo Freire. No final deste ano, ele se gradua em Letras/Inglês pela Universidade de Estado da Bahia - campus Salvador.

domingo, 28 de setembro de 2008

Iara-Mirim

Iara-Mirim

Salvador; 21 de dezembro de 2004 (à noite)

Não sei quem me contou, só sei que o conto me foi contado assim como eu estou te contando agora.

Pedrinho Malagueta era um menino arteiro e ardido como uma pimenta malagueta, de tanta traquinagem que ele fazia no Arraial do Bom Sossego. Esperto como o jabuti das lendas dos bugres, ágil como um sagüi das matas e teimoso como um jegue; Pedrinho só parava quando fazia uma arte que deixasse até o Tinhoso de cabelo em pé e o fizesse andar desconfiado depois. Mas apesar disso, todos o acabavam perdoando no final, pois ele tinha um coração de ouro, como o de um anjinho barroco no altar na capelinha. Seu problema era a teimosia…

Pois bem, era uma tarde ensolarada e a brisa que vinha serena e fresca para relaxar trouxe consigo o Tião Mascate. Como dificilmente alguém vinha para aquelas bandas da serra, sua chegada era motivo de festa e alvoroço no arraial – principalmente para gurizada.

Assim, logo depois que o mascate falou com o senhor vigário e armou sua tendinha na praça, Tião se sentou debaixo do umbuzeiro e começou a picar o fumo enquanto via cair o crepúsculo rubro dentre as cumeeiras alaranjadas e violetas da serra. Era como uma senha para as crianças deixarem seus folguedos e se acomodarem quietinhas em torno de viajante, de modo de ouvir suas histórias e causos.

Tião era um exímio contador, como os poetas da antiga Grécia. Falava de reinos distantes e de princesas encantadas. Falava de cidades em que as pessoas moravam que nem formigas em casas mais altas que um morro e de carroças que andavam sozinhas, sem cavalo ou burrinho. Falava da Europa de mil castelos e das Arábias de desertos sem fim. Falava das maravilhas das ciências e dos mistérios da fé. Falava de bicho e de gente – e também de assombração! Tião contava com gosto como montou numa Mula sem Cabeça e de como surrou um Lobisomem. E principalmente, de como quase casou com a Uiara que vivia no ribeirão que nascia ao pé da serra vizinha ao arraial. E como as crianças gostassem mais desta história, Tião punha mais tempero nela. Contava e exagerava na beleza da cabocla, de cabelos lisos e negros que nem a asa da graúna, de voz suave e límpida como o canto de sabiá e das lágrimas de diamante que ela verteu quando ele partiu. Tião terminou comovido o causo, mas respirou fundo e advertiu para nenhum menino tentasse procurá-la, pois lembrou que a Uiara sempre afogava quem se apaixonassem por ela.

Mas para Pedrinho o conselho lhe era surdo. Seus olhinhos brilhavam que nem dois mboitatás numa noite de lua nova. Talvez por esta ficando um homenzinho e o coração estivesse a ser picado por um bichinho novo, talvez por pura teimosia infantil de moleque arteiro e ardido, só sei que Pedrinho queria porque bem queria ver a tal moça do ribeirão. Queria tocar a cabeleira negra e lisa, queria ouvir sua voz suave e límpida. E embora Tião não tivesse dito, não duvido que Pedrinho sonhasse com os lábios rubros de beijos doces que nem o mel da jataí.

Sua cabecinha começou a maquinar uma de suas. Pediu para Tião contar de novo como e quando encontrou a Uiara. Claro que Tião contou alegre, mas no final, como a desconfiar de Pedrinho (já conhecia das artes do menino) perguntou o porquê do interesse. Pedrinho desconversou com uma risada sonsa e saiu a dar cambalhotas e piruetas. Como já a noite tivesse chegado e a história tivesse se acabado, as crianças foram seguindo as estripulias de Pedrinho, deixando o mascate em paz.

Mas tarde Tião foi ter com o velho Quincas Pimenta, pai de Pedrinho. Como já prevendo uma diabrura, foi preveni-lo. Desconfiou dos olhinhos brilhando que nem mboitatás. Quincas depois contou para Constança, sua esposa, que contou também o senhor vigário, pois assim haveria de mais gente para tentar por juízo em Pedrinho. O vigário conseguiu que Pedrinho confessasse seu desejo pela Uiara do ribeirão. Aí todos tentaram demover ele dessa idéia. Tião lhe contou causos e mais causos de homens que morreram afogados. Quincas prometeu uma boa sova caso ele fosse de noite ver a tal Uiara. O Vigário deu conselho e lembrou do fogo do inferno para quem se envolve com estas assombrações. Constança apelou para as lagrimas maternas. Finalmente, Pedrinho só teve sossego quando prometeu que não iria mais sair naquela noite. Os adultos, por precaução, passaram a vigiá-lo. Foi uma noite, duas, três, passou a semana e nada de Pedrinho fazer de suas artes para ver a sereiazinha. Tião acabou partindo com suas mercadorias. Quincas cuidava da roça e Constança fiava em casa. Pedrinho ia para escola e fazia suas pequenas travessuras, mas não falava mais na Uiara. Passou outra semana, e outra, no final, passou um mês.

Mas Pedrinho era ardido demais! Fez todos esquecerem a história para ele por seu plano em prática. Quando todos já estavam nas suas camas dormindo e roncando, quando o arraial era só sossego e silêncio, Pedrinho se levantou de sua cama, foi andando pé ante pé e devagarinho abriu a janela de seu quarto. E como menino useiro e vezeiro, pulou a janela e se esgueirou como uma sombra pela escuridão, até um tronco caído de jequitibá, onde ele havia guardado um lampião, um facão e um colar de continhas, tudo preparado de véspera para seu encontro com a Uiara.

Tudo pronto, ele entrou mata adentro e dentre os troncos, trilhava tranqüilo e traquino pelo arvoredo. A lua seguia alta como uma coroa prateada rodeado pelo manto de cetim negro do firmamento. O luar abria o caminho enquanto o lampião espantava as demais assombrações. Uma ou outra coruja passava com seu pio agourento. O coração de Pedrinho era um misto de medo infantil e valentia de adolescente. Duas léguas depois ele chegava a seu destino.

Ainda de longe deu para ver o espelho prateado da lagoa onde nasce o ribeirão. Pedrinho apagou seu lampião e deixou os olhos de acostumarem com a escuridão. Aconchegou-se perto de uma goiabeira conhecida sua e ficou a assobiar uma modinha que ouvira a alguns dias de seu pai. Nas mãos segurava o colar de continhas. Assobiou uma, duas, três canções que conhecia e nada da Uiara aparecer. Já estava quase desistindo quando surgiu de dentro da lagoa uma indiazinha bela.

Não era mulher feita como falava Tião, porém uma menina quase adolescente – como Pedrinho. Estava nua, usando apenas com uma pulseira de contas, um cordão cheio de muiraquitãs cingindo a cintura e um pingente de penas que se aninhava em seus seios. Ela nadou um pouco nas águas até chegar às margens e se sentou numa pedra negra. Ajeitada como uma rainha brejeira, ela colocou uma rosa na cabeleira e ficou a cantar. Era um solfejo terno, como de um sanhaço enamorado.

Pedrinho ficou a olhar, até que depois de alguns minutos tomou coragem e timidamente passou a assobiar, acompanhando a canção da cunhantã. A Uiara, bem brejeira, continuou sua canção de costa para Pedrinho, como se não houvesse mais ninguém nas cercanias. De simples acompanhamento passou a um dueto, em que o assobio do menino respondia aos solfejos da menina e vice-versa. Finda a ópera tapuia, a uiara se virou e acenou para o nosso herói. Ele saiu de seu esconderijo com seu presente.

A uiara ficou apaixonada pelo rapazote de cabelos ruivos como uma arara-pitanga, rosto suave como um anjinho barroco e de olhos escuros e brilhantes como mboitatás. Pedrinho também se apaixonara pela iara-mirim de cabelos negros e lisos, de lábios rubros e olhos lindos como muiraquitãs. Tião não havia mentido quanto à beleza da tapuia.

Assim que Pedrinho chegou perto, deu-lhe o colar de continhas. A Iara-mirim deu-lhe em troca um dos seus muiraquitãs, que colocou como pingente. Depois de trocados os presentes, os lábios dos dois se tocaram num beijo singelo, primeiro beijo de amor. Olhos fechados e lábios quentes, corpos se enlaçando no abraço infantil. Ficaram assim por alguns minutos, até quando se ouviu um alvoroço enorme e tochas vindo em direção da lagoa.

Foi tudo muito rápido. De uma hora para outra a Iara-mirim sumiu na lagoa e os pais de Pedrinho Malagueta mais alguns moradores do arraial chegaram ao ribeirão. Quincas ainda deu um puxão de orelha no menino. Dizia seu Quincas: Menino, mas não lhe disse para você ter cuidado com Uiara? E se ela tivesse pegado você e o levasse agora para o fundo do rio? Mas, não sei se por milagre ou por arte já calculada, Pedrinho inventou uma desculpa qualquer que lhe fez escapar de um bom castigo. Todos voltaram para o arraial. Pedrinho passou a mão no bolso e viu que o muiraquitã estava lá, como lembrança daquele beijo caboclo.

Agora, o engraçado é que, enquanto no mundo dos homens havia essa alvoroço todo, lá no ribeirão, lá no reino encantado das Mães d’Água, Botos, Paranamaias e Ipupiaras, a Iara-mirim também recebia sua bronca da Uiara-Mãe: Iara-mirim arteira e ardida, eu já não te falei para evitar de se encontrar com os homens da superfície? E se eles te fizessem mal e a levasse para ficar presa no aquário, como atração de circo?

Compadre, eu não sei como souberam deste detalhe. Só sei que foi assim que aconteceu. E acabou!

quarta-feira, 26 de março de 2008

O Farol e o Mar

O Farol e o Mar

(à Srta. Eridan Santiago Matos)

As ondas e o penhasco se abraçavam com volúpia
Enquanto o farol, impassível, mirava o infinito.
Gigante de granito e eletricidade; guarda imortal
Das tormentas, das trevas, dos ventos e das marés;
O farol resplandecia.

As sereias e os tritões ascendiam as ardentias nas vagas
E as estrelas no horizonte conversavam com o farol.
Os peixes, melancólicos, passeavam pelas sendas do oceano.
O orvalho e a maresia se confundiam plenamente.
O mar estava calmo.

O mar, a natureza o criou líquido. E criado,
Mãe e berço foi dos seres vivos e da própria Vida.
O farol, os homens o planejaram e ergueram sólido
Para a proteção e guarda das rotas e das naus.
Mas ambos eram um só.

O farol, com sua luz intermitente, ao mar beijava
E o mar, com suas ondas macias, acariciava seus alicerces.
Ao farol, o mar devia sua segurança e proteção.
Ao mar, o farol devia sua existência e função.
Ambos se amavam.

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

Assim como na natureza é a vida e o amor,
Quando duas almas diferentes se encontram.
Tese e antítese, ambos se complementavam;
E juntos, constróem sua existência conjunta,
Em perfeita síntese.

(publicado nos livros "Estrelas no Lago" e "Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos - vol. 08")

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Fragmentos de um diário - Pré-Balanço do ano

Será que Papai Noel ainda vai me dar algum presente neste natal? Eu acho difícil que ele venha ainda me dar mais alguma coisa, uma vez que nestes últimos meses se sucederam vários eventos prazerosos na minha vida pessoal.

Bem, já em setembro eu ganhei um quadro do pintor Junior da Hora. Um quadro belíssimo de um jovem mestre valenciano. Depois, vieram a publicações de alguns artigos no jornal Valença Agora - artigos que falam de minha cidade e que mereçaram bons comentários do poeta valenciano Ângelo Paraíso Martins (http://paraisomartins.zip.net). E neste mês de novembro fui agraciado com dois prêmios: O primeiro, no dia 10, a Câmara Brasileira de Jovens Escritores escolheu meu poema "O Beijo" para a integrar a antologia "Panorama Literário Brasileiro 2007/2008 - As 150 melhores poesias do ano". Ontem, dia 26 de novembro, o Sr. Almir de Oliveira, presidente da Academia de Letras do Recôncavo, liga para minha casa avisando que o meu poema "Feitiço da Lua" ganhou a menção honrosa no Concurso de Poesia da Academia. E, Last, but not least, pude trocar mensagens com minha amiga cabo-verdiana Margarida Fontes, autora do blog Os Momentos (http://odiaquepassa.blogspot.com/) e com o jovem poeta valenciano Aécio Flávio - talento que esyá revelando na minha terra. Isso paar não falar com as conversas que tive com o meu amigo Martiniano Costa, atual presidente da CUT-Bahia.

São coisas pequenas e grandes, na verdade, coisas pessoais cuja única importância só diz respeito pra mim, mas não me deixa de me alegrar. Bem, falo isso, pois meu meio de ano foi péssimo: um crise na minha vida amorosa levou a uma depressão psicológica, que pensei que eu não poderia esperar de mais nada de bom para este ano. agora, olhando retrospectivamente, comecei o ano nas nuvens, quando vivi meu idílio amoroso, logo após o meu aniversário eu atravessei meu inferno astral e agora aqui estou eu comemorando minhas recentes conquista na minha carreira literária, que a bem da verdade andava hibernando nestes dois últimos anos. Isso para confirmar um aquele verso "A vida vem em ondas, como o mar".

Bem, isso é pra me lembrar qure ano vêm é o ano de minha formatura na UNEB, ano de eleições municipais, ano que eu devo me preparar para mestrado me Literatura. Ano que devo também pensar em publicar mais um livro meu -afinal, a profissão que euescolhi para minha vida é a de Escritor. E isso eu não irei renunciar nunca!

Era só isso que eu gostaria de dizer por agora. E espero que Papai Noel não se esqueça do meu presente de Natal - vários livros para minha biblioteca, dentro os quais, o mais novo de Bruna Surfistinha (hehehehehe)

sábado, 10 de novembro de 2007

LEMOS & RELEMOS - Valença Agora 131

LEMOS & RELEMOS - Arte, Gente, Empresas e Negócios.
ricardolemosarte@hotmail.com

FRASE DA SEMANA: “A minha proposta no PT é unificar o partido aqui em Valença” (Ruy Lima – Candidato a Presidente do PT)
NOTA de RICARDO VIDAL: Tem meu apoio no PED-PT de 02 de dezembro de 2007

VALENCIANO DENTRE OS MELHORES POETAS DE 2007

O escritor valenciano Ricardo Vidal, 29 anos, foi escolhido pela Câmara Brasileira dos Jovens Escritores (CBJE) como um dos 150 melhores poetas publicados em 2007 e participará da antologia Panorama Literário Brasileiro 2007. O livro será lançado em dezembro próximo, na sede da editora, na cidade do Rio de Janeiro. O texto escolhido de Ricardo Vidal foi o poema “O Beijo”, publicado em março deste ano, no volume 34 da Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos. O poema estreou no jornal Valença Agora, na edição de 21 de fevereiro deste ano.

QUEM É O AUTOR. Ricardo Vidal também já ganhou prêmios literários. Em 2002, foi o terceiro lugar (menção especial) no Concurso Nacional de Poesia da revista Iararana. Na ocasião, três de seus poemas foram publicados na oitava edição da revista, que também foi lançada na Europa, nas cidades de Paris (França) e Budapeste (Hungria). No ano passado, foi menção especial no II Concurso de Poesia da ALER com o “Soneto da Solidão”.
José Ricardo da Hora Vidal nasceu em Valença em 1978. Estudou no Colégio Social e no Educandário Paulo Freire (EPF). Na época em que foi aluno do EPF, participou ativamente do movimento estudantil. Foi dos fundadores da UMES-VA, chegando a Diretor de Imprensa no biênio 1994-1995. Mora em Salvador desde 1996, contudo visita a cidade regularmente. Atualmente está quase concluindo o curso de Letras/Inglês da UNEB, após ter estudado Jornalismo na UFBA – curso que abandonou, faltando três semestres para a formatura.
Ricardo Vidal é bisneto do maestro Barrinha (autor da música do Hino de Valença), sobrinho-neto de Antônio Sereia (benfeitor de Valença e construtor do Estádio Municipal de Valença), sobrinho do poeta Valdo da Hora e primo do pintor Junior da Hora e do vereador Zé da Hora. É filho de Antonio José Conceição Vidal e de Vilma da Hora Vidal.

Fonte: http://www.valencaagora.com/x/b/bs.php?bl=1&menu=274

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

E-mail da CBJE, anunciando a publicação do meu poema na Antologia

Panorama Literário Brasileiro 2007/2008‏
De: Antologias (antologias@camarabrasileira.com)
Enviada: quinta-feira, 8 de novembro de 2007 14:26:04
Para: Ricardo Vidal (bardocelta@hotmail.com)

Câmara Brasileira de Jovens Escritores
A casa do novo autor brasileiro - Fundada em 29 de dezembro de 1986
Rua Crundiúba 71/201F - Rio de Janeiro/RJ
http://www.camarabrasileira.com/


Os melhores poemas de 2007

Prezado poeta,
José Ricardo da Hora Vidal (20/04/1978) - Salvador/BA.
Estudante/Escritor
Poema: "O Beijo"

É com satisfação que informamos que o seu poema "O Beijo" foi selecionado para compor a Edição Histórica do Panorama Literário Brasileiro 2007/2008, com lançamento previsto para o dia 5 de dezembro de 2007.

Nesta edição, excepcionalmente, estamos reunindo 150 poetas brasileiros contemporâneos que tiveram suas obras indicadas pela Comissão de Avaliação da CBJE e aprovadas pelos Grupos de Leitura especialmente criados para este fim.

Veja detalhes do processo seletivo e os nomes de todos os poetas que estão sendo publicados, em: http:///

Especificações da obra:
Livro no formato 14x21cm - 170pp - Miolo em papel offset 90g
Capa em policromia, plastificada, com orelhas, fino acabamento
Com ISBN e Código de Barras
Capa: Paola Benvenutti
Produção visual: Alexandre Campos

Centenas de exemplares distribuídos para mais de 400 Bibliotecas Públicas do país.
RESERVE JÁ O SEU EXEMPLAR!!!

Saiba que para nós é motivo de orgulho e satisfação ter você com personagem desta Edição Histórica, que no seu quarto ano consecutivo registra a realidade mais autêntica da arte poética brasileira nos anos 2.000.

Cordiais saudações,
Gláucia Helena / Pres. Conselho de Administração
Georges Luiz / Editor

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Comentário do Autor: É hoje que eu não durmo por causa d'alegria. Quanto falta para eu ganhar o Prêmio Nobel de Literatura???

VALENCIANO DENTRE OS MELHORES POETAS DE 2007

VALENCIANO DENTRE OS MELHORES POETAS DE 2007

O escritor valenciano Ricardo Vidal, 29 anos, foi escolhido pela Câmara Brasileira dos Jovens Escritores (CBJE) como um dos 150 melhores poetas publicados em 2007 e participará na antologia Panorama Literário Brasileiro 2007. O livro será lançado em dezembro próximo, na sede da editora, na cidade do Rio de Janeiro. O texto escolhido de Ricardo Vidal foi o poema “O Beijo”, publicado em março deste ano no volume 34 da Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos. O poema estreou no jornal Valença Agora, na edição de 21 de fevereiro deste ano.

“Foi uma grata surpresa quando recebi a notícia, pois a mensagem chegou quando eu es-tava aqui em Valença, festejando a Lavagem do Amparo. Só vim saber da indicação dois dias depois, quando eu retornei pra Salvador” – declarou Ricardo Vidal. Esta é a segunda vez que Ricardo Vidal participa do Panorama Literário Brasileiro. Em 2004, seu poema “Cântico dos Lírios” foi escolhido, depois deste poema ter sido publicado no volume 10 da Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos, após ter sido um dos três poemas que ganharam o terceiro lugar no Concurso promovido pela revista Iararana em 2002.

O Panorama Literário Brasileiro, segundo as palavras dos editores, “é um documento histórico, que é editado no seu quarto ano consecutivo”. Foram avaliados todos os trabalhos inscritos para as seletivas da CBJE durante este ano. Os membros do Conselho Editorial da CBJE escolhe-ram os poemas, sendo também ouvida a opinião dos leitores. O volume terá 170 páginas e cerca de 400 exemplares serão destinados às Bibliotecas Públicas do país. A lista completa dos demais selecionados está disponível na internet, no endereço www.camarabrasileira.com/panorama2007-2008.htm.

CARREIRA DE SUCESSO. Com este honraria, a bibliografia de Ricardo Vidal ganha o oitavo volume. Pela CBJE, o jovem escritor publicou poemas e contos na Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos (volumes 08, 10 e 34), Antologia de Contos de Autores Contem-porâneos (volume 01) e Panorama Literário Brasileiro (edições de 2004 e 2007). Pelo Educan-dário Paulo Freire, participou do livro Quase Escritores. Em 2004 lançou seu primeiro livro, Es-trelas no Lago. Além dos livros, Ricardo publicou seus textos em websites, jornais e revistas. Ri-cardo Vidal também assina um weblog, Castelo do Bardo Celta (http://www.bardocelta.blogspot.com/), além de possuir uma página no website da CBJE (www.camarabrasileira.com/ricardovidal.html).

Ricardo Vidal também já ganhou prêmios literários. Em 2002, foi o terceiro lugar (menção especial) no Concurso Nacional de Poesia da revista Iararana. Na ocasião, três de seus poemas foram publicados na oitava edição da revista, que também foi lançada na Eu-ropa, nas cidades de Paris (França) e Budapeste (Hungria). No ano passado foi menção especial no II Concurso de Poesia da ALER com o poema “Soneto da Solidão”.

QUEM É O AUTOR. José Ricardo da Hora Vidal nasceu em Valença em 1978. Estudou no Colégio Social e no Educandário Paulo Freire (EPF). Na época em que foi aluno do EPF, participou ativamente do movimento estudantil. Foi dos fundadores da UMES-VA, chegando a Diretor de Imprensa no biênio 1994-1995. Mora em Salvador desde 1996, contudo visita a cidade regularmente. Atualmente está quase concluindo o curso de Letras/Inglês da UNEB, após ter estudado Jornalismo na UFBA – curso que ele abandonou faltando três semestres para a formatura.

Ricardo Vidal é bisneto do maestro Barrinha (autor da música do Hino de Valença), sobrinho-neto de Antônio Sereia (benfeitor de Valença e construtor do Estádio Municipal de Valença), sobrinho do poeta Valdo da Hora e primo do pintor Junior da Hora e do vereador Zé da Hora. É filho de Antonio José Conceição Vidal e de Vilma da Hora Vidal.

Fonte: A Voz da Região: http://www.avozdaregiao.com.br/ver.php?manchete=491 (em 08-out-2007)

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Boa Notícia

Acabo de retornar de Valença, onde passei um bom final de semana. E agora, ao receber a notícia, por E-mail, de que a Câmara Brasileira de Jovens Escritores (CBJE) escolheu meu poema "O Beijo" como um dos melhores de 2007, passando a integrar o Panorma Literário Brasileiro 2007/2008. Nem sei se irei dormor, depois dessa. É o segundo poema meu que foi escolhido para participar desta antologia. O primeiro foi o poema "Cântico dos Lírios", que depois de ser premiado pela Revista Iararana, também foi publicado no "Panorama Literário Brasileiro 2004/2005". Segue a lista com os vencedores

Lançamento: Dezembro de 2007
Prazo de reservas até 15 de novembro de 2007
Saiba como fazer suas reservas em http://www.camarabrasileira.com/p2a.htm

ALGUNS AUTORES SELECIONADOS (A lista no total tem 150 pessoas)
Bruna Longobucco (10/04/1978) - Belo Horizonte/MG. Graduada em Comunicação Social; bacharelanda em Direito. Poema: "Para compor um novo enredo" (recomendo entrar no site dela: www.brunalongobucco.com
Débora Villela Petrin (10/01/1966) - São Paulo/SP. Publicitária. Poema: "Coração"
Fábio Selva Stelzer (31/10/1979) - Castelo/ES. Zootecnista. Poema: "A Primavera de Praga"
Ivandilson Amado Santos (14/12/1958) - Alagoinhas/BA. Aposentado. Poema: "Felicidade"
José Ricardo da Hora Vidal (20/04/1978) - Salvador/BA. Estudante e Escritor. Poema: "O Beijo" - EU

quarta-feira, 30 de agosto de 2006

O Beijo

O Beijo

(Para Fabíola)

Salvador, 30 de agosto de 2006 (04h30)

Como um sol da meia noite
O teu beijo brilhou nos meus lábios
Como uma sinfonia de supernovas.
Meus olhos fecharam
Para sentir neste beijo teu,
Beijo de Fada,
Beijo de Sereia
O beijo que as deusas deram quando nasceu
O Amor dentre as rosas.
Então a aurora serenou:
Amor, Tesão, Sexo, Paixão, Vida;
Foi neste beijo que descobri
Os mistérios da Criação.

terça-feira, 10 de janeiro de 2006

Retrato de Família

Salvador, 09 de maio de 2003 (20h48)

.O apartamento ficava em um típico conjunto de classe média. Não era grande, nem pequeno – era médio, com seus três quartos e a cozinha ampliada com a demolição da dependência de empregada. Cada quarto tinha um aparelho de televisão (mais um na cozinha) e na sala, uma enciclopédia empilhada no chão fazia a vez de mesa para o telefone. Era um apertamento normal de uma família normal – com direito a contas a pagar e dois automóveis. Lá vivia a família Sousa. Um pai, uma mãe e um casal de filho – o varão era o mais velho e a caçula, a filha.

.O filho primogênito, R, nós o encontramos agora de frente para a janela de seu quarto. A janela estava aberta, a noite era de outono e o vento constante, fino e frio anunciava em assovios sua presença. R Sousa olhou para o chão de andares abaixo e olhou para o céu de andares acima. Olhou para o infinito horizonte de uma cidade grande e horrorosa.

.Seu coração estava triste, chorava sangue muito. Seus olhos estavam banhados de melancolia e desengano.

.Em sua escrivaninha, seus escritos careciam de arrumação e denunciavam seu gosto por literatura e filosofia. Livros e manuscritos subiam em pilhas, alternando paráfrases de Goethe com máximas de Nietzsche, estudos sobre Schopenhauer e Sartre com versos de Dante e Lorde Byron.

.R contemplava o infinito escuro da noite. Em que pensava ele, neste momento? O que ele pretendia fazer neste instante?

.R pensava na sua família, na sua pobre e medíocre família.

.Pensava em seu pai, F, contabilista aposentado. F vivia sua vida de pacato cidadão comum, de quem começou a trabalhar logo que concluiu o segundo grau. Embora fosse esperto e um dos melhores alunos de sua turma, F não fez vestibular. Tentou uns cinco concursos para o serviço público para as áreas das mais díspares (com motorista da SUCAM e restaurador do IPHAN), mas não passou. Empregou-se em uma empresa média de serviços, onde ganhava razoavelmente bem. Podia até para viajar no fim do ano, com seu velho carro, mas nunca tinha dinheiro para comprar livros que não fossem precisar para escola. Aliás, achava um desperdício pagar RS 11,90 por volume de Homero ou Machado de Assis, se com esse dinheiro ele comprava pão para a família durante uma semana ou a santa gasolina do tão importante carro.

.R pensava também em sua mãe, J, dona de casa e ex-normalista. Sua pobre mãe, cujo único divertimento era a televisão. Não se cansou até colocar vários aparelhos pela casa. Mesmo que os olhos estivessem presos nas tarefas domesticas, a TV estava ligada, para que J pudessem saber da última fofoca de Leão Lobo e Márcia Goldsmith, das dicas de casa e cozinha de Ana Maria Braga e Claudete Troiano, dos casos de ADN de Ratinho, as pseudonotícias de Datena. E ela dizia orgulhosa que pela TV, ficava super informada do mundo, muito mais do que tivesse lido. Livro ela não tinha tempo para ler…

.R pensava na sua irmã caçula, S, que já tinha um carro e que nunca pegava em um livro. Queria porque queria entrar no curso de Enfermagem, mas não havia jeito ou maneira que a convencessem de ler algum dos clássicos de literatura que eram pedidos no vestibular. O motivo evocado era singelo e convincente: No cursinho, ela decorava os macetes e os resumos, o que lhe dava mais tempo para se dedicar às matérias específicas. E depois, (SE e) quando passar, de que adiantará os versos e os romances de autores mortos para o exercício de sua profissão?

.R pensava na sua vida. Pensava quando criança ele foi um dos primeiros na classe. Pensava quando era sempre chamado para fazer ajudar nas peças e nos recitais na escola. Pensava nas redações premiadas, que ornavam o ginásio no fim do ano. Pensou nos versos que figuraram na antologia ditada pelo colégio. Pensou nas notas altas que tirou em toda sua vida escolar. Pensou no teste de aptidão que fez e lhe indicou a trilha das Letras. Pensou também na tristeza da família, quando R optou pelo curso de Psicologia, em lugar de um curso mais nobre com Medicina ou Arquitetura (desejo de sua mãe melodramática), ou mais rentável, como Informática ou Economia (vontade de seu pai pragmático). Pensou e penou estes anos em que fazia uma faculdade sem estímulo e era assediado a fazer qualquer concurso público que lhe desse qualquer salário de quatro a cinco dígitos. Pensou nas horas em que ficava sozinho durante a noite, em seu quarto, ouvindo música clássica e escrevendo seus contos queridos, seus poemas maduros e suas peças teatrais inconclusas, como único consolo para sua alma. Pensou nas brigas que teve com seu pai, quando R trocou uma inútil carteira de habilitação por uma importante máquina de datilografia.

.R pensava na contradição que foi sua vida. E com o coração amargurado, olhou para o chão de andares abaixo e para o céu de andares acima. Olhou para o infinito horizonte escuro da cidade. Volveu o pescoço e contemplou seu quarto, cujas quatro paredes era uma única estante repleta de livros, livros, revistas, fascículos e mais livros. Sentiu em sua face o vento frio e constante do outono. Fechou os olhos e refletiu nos passos que iria dar naquele momento.

. com os olhos fechados, viu na miríade dos séculos as estrelas apaixonadas de Olavo Bilac, as quimeras íntimas de Florbela Espanca, o barco ébrio de Arthur Rimbaud. Viu a praga que sua família era para o mercado editorial. Viu várias famílias vivendo pequenos dramas iguais ao seu – de um jovem se recusar a seguir a alienante e alienada mediocridade da vida moderna. Viu uma legião de seres humanos vegetando na ilusão de terem nas mãos o carro do ano. Viu (com carinho e ternura) as mulheres que passaram em sua vida, que aceitavam serem musas mas recusavam a serem amantes.

.E com os olhos fechados, R subiu no parapeito da janela e colocou uma perna para fora. Seu coração batia acelerado. Sentou-se devagar. O vento zunia um réquiem amigo. Um sino funeral alhures replicava baixinho. Respirou fundo, colocou a outra perna para fora e…



……………………………………………………



.Termino aqui o meu retrato de família. Sinceramente, não sei o que R fez. Não sei se ele pulou pela janela do décimo andar ou se seu espírito voou para as estrelas na cauda de algum poema. Não me lembro de ter ouvido choro de mãe ou grito de irmã. Não sei se S passou no vestibular ou se leu algum livro. Creio que seus pais continuam seguindo a sua vida normal: J assistindo Ratinho e Datena e F pagando em dias as contas da casa para mais tarde passear de automóvel – mas não tenho certeza de nada disso.

.Em todo caso, se o leitor ou a leitora quiser rezar para que Deus ilumine a alma de R, a ovelha negra queria ser um artista livre-pensador, peço que reze também para que iluminem a família Sousa também – afinal, ninguém merecia uma maldição dessa…

**************************************

Conto revisto. Edição original publicada na "Antologia de Contos de Autores Contemporâneos - vol. 01 - Rio de Janeiro: CBJE, 2004" http://www.camarabrasileira.com/cs14.htm

quarta-feira, 2 de novembro de 2005

Fragmentos de um diário

Vale pelo registro: Dia 17 de outubro, meu poema "Da Profissão do Professor" é lido pela profa. Rita Angélica Luz (coordenador do Curso de Letras da UNEB-Campus 01) durante a aula magna de abertura do semetre 2005-01 para os calouros do curso de Letras.

Dia 19 de novembro deverei receber o prêmio "Menção Honrosa" do II Concurso de Poesia da Academia de Letras do Recôncavo.

Resultado - minha carreira consta com as seguintes premiações: crônica Saudades inclusa no volume "Quase Escritores 1994"(editado pelo Educandário Paulo Freire), resultado no concurso literário organizado pelo colégio onde cursei o segundo grau; 03º Lugar / menção Especial Bahia (certificado e poema publicado na edição #08 da revista) do Concurso Iararana de Poesia, promovido pela revista literária Iararana [o detalhe que esta mesma edição foi lançada em Paris/FR e Budapeste/HU]; poema Cântico dos Lírios publicado no "Panorama Literário Brasileiro2004/2005" - seleção dos melhores poemas publicados nas antologias organizadas pela Câmara Brasileira de Jovens Escritores durante o ano; finalmente, o poema Soneto da Solidão é escolhido, como menção honrosa, para integrar o livro de poemas resultante do segundo concurso de poesia da Academia de Letras do Recôncavo.

Quanto tempo falta para eu ganhar o Prêmio Nobel de Literatura?

segunda-feira, 17 de outubro de 2005

Cântico dos Lírios

Cântico dos Lírios
(Menção Especial Bahia, Concurso Iararana de Poesia 2001)

Valença, 26 de agosto de 1996


Se tu não fosses de meu irmão,
Um buquê de lírios colhidos do coração
A ti ofertaria;
Mas a agonia
Que me maltrata e devora
Minha mais doce e bela aurora,
Desfaz minha alma em prantos
Pequenos e amargos cantos.

Os Lírios, então dormem escondidos
Numa estufa de opacos e finos vidros.
Os campos,
Em prantos
Secam em triste e amarga solidão
Pelos solitários lírios do coração.
Jazendo em ênea torre, perdendo o brilho,
Eis que sufocados ficam os teus lírios,
Lírios que sofrem pelo teu amor,
Entorpecendo-me em medo e dor.

Biblioteca do Bardo Celta (Leituras recomendadas)

  • Revista Iararana
  • Valenciando (antologia)
  • Valença: dos primódios a contemporaneidade (Edgard Oliveira)
  • A Sombra da Guerra (Augusto César Moutinho)
  • Coração na Boca (Rosângela Góes de Queiroz Figueiredo)
  • Pelo Amor... Pela Vida! (Mustafá Rosemberg de Souza)
  • Veredas do Amor (Ângelo Paraíso Martins)
  • Tinharé (Oscar Pinheiro)
  • Da Natureza e Limites do Poder Moderador (Conselheiro Zacarias de Gois e Vasconcelos)
  • Outras Moradas (Antologia)
  • Lunaris (Carlos Ribeiro)
  • Códigos do Silêncio (José Inácio V. de Melo)
  • Decifração de Abismos (José Inácio V. de Melo)
  • Microafetos (Wladimir Cazé)
  • Textorama (Patrick Brock)
  • Cantar de Mio Cid (Anônimo)
  • Fausto (Goëthe)
  • Sofrimentos do Jovem Werther (Goëthe)
  • Bhagavad Gita (Anônimo)
  • Mensagem (Fernando Pessoa)
  • Noite na Taverna/Macário (Álvares de Azevedo)
  • A Casa do Incesto (Anaïs Nin)
  • Delta de Vênus (Anaïs Nin)
  • Uma Espiã na Casa do Amor (Anaïs Nin)
  • Henry & June (Anaïs Nin)
  • Fire (Anaïs Nin)
  • Rubáiyát (Omar Khayyam)
  • 20.000 Léguas Submarinas (Jules Verne)
  • A Volta ao Mundo em 80 Dias (Jules Verne)
  • Manifesto Comunista (Marx & Engels)
  • Assim Falou Zaratustra (Nietzsche)
  • O Anticristo (Nietzsche)