Sua Majestade, O Bardo

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Valença, Bahia, Brazil
Escritor e Professor de Literaturas Anglófonas. Autor do livro "Estrelas no Lago" (Salvador: Cia Valença Editorial, 2004) e coautor de "4 Ases e 1 Coringa" (Valença: Prisma, 2014). Licenciado em Letras/Inglês pela UNEB-Campus Salvador. Falando de mim em outra forma: "Aspetti, signorina, le diro con due parole chi son, Chi son, e che faccio, come vivo, vuole? Chi son? chi son? son un poeta. Che cosa faccio? scrivo. e come vivo? vivo."

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

A propósito de um quadro

Salvador, 07 de novembro de 2007.

Caro Mestre Junior da Hora



Gostaria de ter dito estas palavras em viva voz, para expressar a minha gratidão pelo belíssimo quadro que me mandaste. Mas, como é a vida: no dia em que eu pude viajar pra terrinha, acabou que não nos encontramos. (Ah, já estou sabendo do novo emprego – felicidades e sucesso). Por isso, uso do espaço do meu blog para mandar-te esta mensagem e tornar público o meu agradecimento pelo presente.



Agradeço de coração o soberbo presente que me mandaste. Ele é magnífico! Maravilhoso!! Quimérico!!! Feérico!!!! Como dizem os ingleses, “Terrific”!!!!! É uma jóia que eu coloquei no meu quarto, junto com meus livros. Sabendo o quanto gosto dos meus livros, então tu já entendeste que pus o teu quadro dentre as coisas eu mais prezo e amo neste mundo.



Fiquei encantado com o jogo de claro/escuro entre as tintas azuis e brancas, em que noite e luz aparecem numa rima forte, rara, brincando com os contrastes. E o que falar da composição? Bem equilibrada, com o farol ocupando um terço lateral e emanando luz para direita, o reflexo turvo do farol nas ondas da praia e as árvores por detrás do farol, feitas com pinceladas expressionistas. As texturas ficaram interessantes, principalmente aquelas decorrentes do uso da espátula – como o telhado vermelho da casa e o contorno do farol. Outro ponto digno de nota foi ter posto as imagens fortes (diria até, as mais ricas em cores) na esquerda – exatamente onde nós ocidentais começamos a leitura. Depois de se concentrar nas figuras e nos símbolos expressos, a mente pode seguir em devaneios para direita, onde a luz caminha para o branco. Na esquerda encontramos as mensagens, a noite azulada, os vermelhos e os laranjas quentes da construção, o verde fugaz da mata – verde nervoso que também pode para uma fogueira (estaríamos falando na devastação da natureza?) – o farol ereto e rijo, másculo e poderoso a indicar os caminhos; enquanto na direita deixamos o branco, a reflexão, a serenidade. Aliás, é este contraste entre uma esquerda forte a irromper para o mundo toda uma gama de falas e conceitos e sentimentos que me fascinou no quadro. Pena que eu não conheça mais sobre artes plásticas para melhor expressar minhas impressões sobre este teu quadro. Caro Junior da Hora, tu és um mestre nas artes e por isso eu te saúdo: “Evoé, Grande Pintor, Evoé!”.



Depois que recebi teu quadro (imagine, uma belíssima pintura de um mestre!), minha mente ficou em ebulição. Minha mão coça em fazer um poema ou uma crônica. E com certeza, meu próximo livro terá a pintura na capa. Outra possibilidade é aproveitar a pintura num pôster. Nossa avó Valdete com certeza ficaria felicíssima em ver um pôster como esse: um quadro do neto artista plástico junto com um poema do neto escritor. Se, por um lado, admito que eu seja egoísta o suficiente para guardar com carinho a pintura original pra a visão de alguns eleitos, eu também creio que uma cópia deva ser acessível para a admiração dos outros – como todos os seus quadros, caro primo. Idéias não faltam!!! Qualquer coisa que eu fizer, tu serás o primeiro a saber e a ter uma cópia.



Sabes que eu sou teu fã incondicional. Agradeço de coração o presente e te garanto que este quadro será o primeiro de minha coleção. E outras pinturas eu irei comprar na tua mão no futuro, pois a ti desejo o mesmo sucesso de Picasso, Dalí, Goya, El Greco, Velásquez, Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti, Portinari, Ticiano, Rafael Sanzio, Giotto, Botticelli, Hieronymus Boch, Van Gogh, Gauguin, Renoir, Toulouse-Laucret e Klint.



Um abraço fraterno do teu primo,



Ricardo Vidal

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