Sua Majestade, O Bardo

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Valença, Bahia, Brazil
Escritor, autor do livro "Estrelas no Lago" (Salvador: Cia Valença Editorial, 2004) e coautor de "4 Ases e 1 Coringa" (Valença: Prisma, 2014). Graduado em Letras/Inglês pela UNEB Falando de mim em outra forma: "Aspetti, signorina, le diro con due parole chi son, Chi son, e che faccio, come vivo, vuole? Chi son? chi son? son un poeta. Che cosa faccio? scrivo. e come vivo? vivo."

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Memorial Academico de Ricardo Vidal


Memorial Acadêmico – José Ricardo da Hora Vidal

1 “No descomeço era o verbo. / Só depois é que veio o delírio do verbo”

Eugênio Evtuchenko publicou sua Autobiografia Precoce quanto tinha 30 anos. Não escrevera o autor dos poemas “Estação Zima” e “Babi Yar” certamente estas memórias com a intenção de pleitear uma vaga no mestrado em alguma universidade soviética. Lembro-me deste fato, pois (além de gostar muito deste livro) aqui estou eu, com 33 anos de idade, escrevendo este memorial como requisito parcial para seleção do mestrado em Literatura e Cultura do Instituto de Letras da Universidade Federal da Bahia (ILUFBA), onde pretendo continuar minha pesquisa sobre Erotismo e Literatura Feminina Contemporânea. 

Por isso me apresento: Meu nome é José Ricardo da Hora Vidal. Sou escritor, licenciado em Letras (Habilitação em Língua Inglesa e Literaturas) pela Universidade do Estado da Bahia / campus 1 – com uma monografia sobre o erotismo e o voyeurismo no conto “Marianne”, de Anaïs Nin. Nasci em 20 de abril de 1978, na minha querida cidade de Valença (Bahia). Atualmente estou cursando da Especialização em Estudos Linguísticos e Literários no ILUFBA, onde estou escrevendo minha monografia sobre representações eróticas em três contos de Anaïs Nin.

2 Pena, Papel; Compasso Não!

Sou o primogênito de uma família de dois filhos. Meus pais cursaram até o nível médio: meu pai é formado em Contabilidade e Científico e minha mãe, em Magistério (embora nunca tenha exercido a profissão). Meus pais não tiveram uma formação erudita para que fossem intelectuais. Contudo, eles souberam o valor do estudo na vida de ser humano e fizeram o que estavam nas condições deles propiciar uma boa formação para eu e meu irmão, o que levou a nós dois hoje, termos concluído a graduação em nível. 

Do pré-escolar ao curso Científico, foi Valença que me deu régua e compasso. Na verdade, seria mais correto dizer que me deu Pena e Papel, uma vez que eu nunca fui muito bom em matemática… Conclui o ginásio no Colégio Social de Valença em 1992. Apesar de, durante o primário eu ser considerado um bom aluno, com notas altas, o meu ginásio estava entre o bom e o razoável: As boas notas em História e Geografia compensava as notas medianas em Matemática. Foi nesta época que eu estudei Inglês em um curso particular. As aulas eram ministradas por uma norte-americana reside na região, “Misses Nancy”. Eu gostava das aulas e, sendo eu neto de espanhol e vendo meu pai falar inglês e francês que eu passei a alimentar do desejo de aprender idiomas. Fiz o curso científico no Educandário Paulo Freire entre os anos de 1993 e 1995, onde me destaquei nas disciplinas de Literatura em Língua Portuguesa, História, Geografia e Filosofia (enquanto Física e Matemática continuavam a ser meu calcanhar de Aquiles…). Nesta época, passava a maior parte do meu recreio lendo os livros da biblioteca, motivo pelo qual ganhei, no ano de minha formatura, o prêmio “Aluno Destaque 1995” como o leitor mais assíduo. Também foi durante o curso Científico que fiz minha estréia como escritor: publiquei a crônica “Saudades” na antologia “Quase Escritores 94”, de textos de alunos do Educandário Paulo Freire. Até então, vale ressaltar, eu jamais precisei repetir uma série de meus anos de estudos. Também nesta época eu fui co-fundador e Diretor de Imprensa da União Municipal dos Estudantes Secundaristas de Valença (UMES-VA) e do Grêmio Estudantil Olga Benário Prestes (GEOBP), dos estudantes do Educandário Paulo Freire.

Ainda em casa, com a biblioteca modesta de meu pai (cerca de 50 volumes que ele comprou ainda na juventude), eu aprendi amar os livros. Através dela que eu entrei em contato os romances e contos de Júlio Verne, Alexandre Dumas (pai), Oscar Wilde, Mark Twain, Louisa May Alcott, Charles Dickens, Emílio Salgari, H.G. Wells e Orígenes Lessa. Mais tarde, quando eu cursava o ginásio, meus pais compraram as Enciclopédias “Didática de Informação e Pesquisa Escolar” (EDIPE) e “Barsa”, sendo que, da última, compraram durante anos as edições do “Livro do Ano” e “Ciência e Futuro” – livros que eu li e reli durante minha adolescência. Como não havia livros de poesia e teatro em casa, até os meus quinze anos eu orientei minhas leituras para o campo da História, Mitologia Greco-Romana e Dinossauros. Nesta época que sonhava em trabalhar como arqueólogo (uma “arqueologia” que, na minha então mente infantil, também incluiria Paleontologia e Paleografia…), para desespero de minha mãe, que não via com bons olhos a idéia de eu ser professor. Foi com a minha entrada no curso Científico (e, conseqüente, com o início das aulas de Literatura Brasileira e Filosofia) que comecei a mudar o rumo dos meus interesses. Foi a época em que eu li, através da biblioteca do meu colégio, Machado de Assis, José de Alencar, Goethe, Castro Alves, Álvares de Azevedo, Bernardo Guimarães, Fernando Pessoa, um volume de contos de Edgar Allan Poe, “Inocência” de Visconde de Taunay, “Cândido” de Voltaire, “As viagens de Gulliver” de Jonathan Swift, “Frankenstein” de Mary Shelley, “A Volta do Parafuso” de Henry James, “A insustentável leveza do ser” de Milan Kundera, e os paradidáticos sobre sexualidade, política, história, Oriente Médio e astronomia. Também a partir dos quinzes anos que eu comecei a ler com assiduidade a revista “Playboy” – e foi com as reportagens sobre comportamento humano que eu, mais tarde, passei a me interessar sobre o tema Erotismo e Cultura. 

No segundo semestre de 1995 eu fiz um curso de Comunicação Instrumental pelo recém-criado campus Valença do então Centro Federal de Educação Tecnológica da Bahia (CEFET/BA). Nesta época eu estava perto de concluir o ensino médio e iria me inscrever para fazer o vestibular. Inicialmente eu fiquei em dúvida: Por um lado, havia meu interesse e minha vontade de estudar História. Por outro lado, eu fizera um teste vocacional que apontava para Letras. E, indiretamente havia a cobrança de meus pais para eu escolhesse uma carreira universitária que fosse economicamente “rentável” (Pela vontade de minha mãe eu teria me formado em Direito…). Diante do impasse e motivado pelo curso que fizera no CEFET, resolvi escolher um curso que poderia ser a “síntese dialética” disso tudo: um curso superior onde eu pudesse de alguma forma estudar ao mesmo tempo História, Política, Literatura e Artes, e que tivesse de algum prestígio social (pelo menos, para minha família). Por que eu, ingenuamente, inscrevi-me para dois vestibulares em Comunicação: Jornalismo na UFBA e Relações Públicas na UNEB. Sobre a escolha das universidades, há uma coisa engraçada a contar: Meu pai só deixou fazer eu me inscrever nos vestibulares de universidades públicas por elas serem gratuitas, e não pela excelência do ensino…

3 Pernas e Cabeça na Academia

3.1 FACOM feita a facão
Concluí o ensino médio em 1995. Em 1996, aos 18 anos de idade, eu entrava para o curso de Jornalismo na Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (Facom/Ufba), que naquela época ainda ficava no campus Canela. Entre na segunda lista, para cursar o segundo semestre. E assim, estudei lá até o primeiro semestre de 2003, sem, contudo, concluir o curso. 

Às vezes, eu penso na minha experiência como “faconiano” como uma comédia de erros: Em primeiro lugar, tinha uma visão muito romântica e idealizada em relação ao jornalismo e que estava a centenas de milhares de trilhões de anos-luz de distância da realidade. Em segundo lugar, a falta em mim de perfil não só para o curso em si, para toda e qual área de ciências aplicadas. Em terceiro lugar, eu entrei numa época em que a Faculdade de Comunicação estava em plena ebulição, com a implantação do doutorado em Comunicação e Cultura, da nova habilitação em Produção em Comunicação e Cultura, reforma curricular e lutando por uma infra-estrutura melhor para o curso, uma vez que o prédio azul do campus Canela já não mais atendia às necessidades da faculdade. Em quarto lugar, Entrei com um escore baixo e, sem ter tido habilidade em melhorar minhas notas nos primeiros semestres, eu não conseguia vaga para muitas disciplinas-chave do curso e assim acabou criando uma gargalho que dificultava o avanço no curso. E, last, but not least, minha família se mudou para Salvador junto comigo e, sem terem vivência tanto acadêmica como em uma cidade grande, deram várias conselhos e orientações equivocadas (involuntariamente, seja dita a verdade). A verdade é que acabei fazendo um curso irregular, em que alternavam boas notas em “Oficina de Fotografia”, “Temas Especiais em Fotojornalismo” e “Programação Visual”, notas medianas em “Oficina de Assessoria de Comunicação” e “Comunicação e Política” e o completo fracasso em “Semiótica” e “Comunicação e Tecnologia”. Em decorrências das notas baixas, acabei abandonando o desejo de fazer parte de algum grupo de pesquisa dentro da universidade. E admito que, a um determinando ponto do curso, eu continuei a estudar jornalismo mais por teimosia de simplesmente terminar o curso do que realmente ou convicção de que eu ainda gostava do curso. E foi assim que, melancolicamente abandonei o curso no final do primeiro semestre de 2003, sem fazer os exames finais das disciplinas eu que estava cursando no momento, e nem comparecendo à matrícula no outro semestre. Foi uma das decisões mais difíceis que eu tomei na minha vida, pois teria que admitir um fracasso meu, exatamente, no terreno que eu me considerava bom.

Bem, falando assim eu posso parecer amargo e que estou carregando na impressão negativa dos anos que estudei na Facom, como se eles fossem apenas de infortúnio e tristeza. Contudo, ele não o foi apenas um mar amargo de lágrimas. Também houve seus momentos luminares, contribuíram para minha formação pessoal humanística. Eu soube tirar proveito das ofertas de disciplinas optativas e do próprio corpo docente da UFBA. Eu enriqueci minhas leituras, ampliando meu leque de autores. Foi quando comecei a ler Friedrich Nietzsche, Karl Marx, Vinícius de Moraes, Manuel Bandeira, Willian Shakespeare, Luiz Gama, Florbela Espanca, João Ubaldo Ribeiro, Umberto Eco (Ensaios e ficção), “Alcorão” (na tradução de Mansour Chalitta, anos antes da novela global “O Clone” trazer a cultura árabe para os holofotes da indústria cultural), “Bhavagad Gita” (tanto na tradução de Rogério Duarte como na de Bhaktivedanta Swami Prabhupada), A “Epopéia de Gilgamseh”, “História” de Heródoto, “Rubayyat” de Omar Khayyam, e Homero. Também comecei a ler meus primeiros livros eróticos, como o “Teresa Filósofa”, “O Amor Natural” de Carlos Drummond de Andrade, “O Amante de Lady Chatterley” de D.H.Lawrence, “Fire” de Anaïs Nin, “Ars amatoria” de Ovídio e “As Ligações Perigosas” de Choderlos de Laclos. Lia naquela época como um curioso, um amador que realmente ama a literatura e descobria um filão que, para mim, ainda era desconhecido.

Olhando para estes anos que se distanciam de minha vida, sinto que chega a hora dos noves-fora: Entrei imaturo na faculdade, saindo direto de aconchego da vida interiorana para o caos cosmopolita da capital do estado. Entrei na cova dos leões e demorei a aprender sobre a lide acadêmica, como não se perder nos meandros da universidade. Considero que eu entrei também em um período de turbulências – a faculdade onde estudava entrava em um período de expansão intelectual e física; o debate sobre o modelo neoliberal da gestão Fernando Henrique Cardoso / Paulo Renato fez com a comunidade universitária acirrasse os ânimos e respondesse com greves longas, o meu próprio processo de amadurecimento, onde tive que confrontar meu antigo aprendizado com os novos caminhos que minha vida tomava. 
Acredito que tive lucro nos meus anos de faconiano, em que fui abrindo a facão pela estrada tortuosa de minha vida: Não me formei jornalista, mas aprendi sobre narrativa jornalística. Descobrir que a minha vocação está na Área de Letras e para lá eu deveria migrar a minha vida acadêmica. Sedimentei em alguns campos do conhecimento e abrir os horizontes para outros. Estudei fotografia, porque eu gostava; e aprendi programação visual, que ainda hoje me é útil na minha vida pessoal (inclusive no ponto de vista pessoal). A minha passagem pelo jornalismo também facilitou meu entendimento sobre o novo campo da educomunicação. Também participei de dois eventos acadêmicos. Se a teimosia em continuar um curso que já não mais me agrada pode ser um defeito, a obstinação em querer sempre aprender e assim enfrentar as dificuldades imposta pode ser uma virtude no ensino superior. Foi o meu momento de crescimento pessoal e amadurecimento, em que eu me sentia realmente preparada para prosseguir nos estudos universitários. 

3.2 O idílio unebiano
Se mais de sete semestres como estudante eu servir ao Jornalismo, embora minha vocação era por outra área do conhecimento e só ela a lógica apontava onde eu deveria estudar, meti-me (tal e qual ao Jacob bíblico) a novamente submeter ao vestibular e assim servir por mais outros tantos semestres a um novo curso, pois, para tão curta vida, tão longa é a arte. Final de 2003 eu inscrevi-me em duas universidades estaduais. Letras/Inglês na UNEB Campus 1; Letras/Francês na UEFS. Nas duas eu passei em boas colocações: Primeiro lugar em Feira de Santana, segundo lugar para Salvador. Como eu já morava aqui, preferir estudar Inglês na UNEB. 

A princípio, pensei que vivia um deja-vù: O curso que eu entrei também passava por reforma curricular em que se abolia a habilitação dupla. No caso, que optara pelo curso noturno de Letras deveria estudar só Língua Inglesa e suas literaturas. Pensei que era karma. Segui em frente. Respirei fundo. Gritei meu alea jacta est e cruzei meu Rubicón particular e hoje pelo responder como César respondeu posteriormente aos senadores: Veni, vidi, vici! A experiência que tive na Facom, com seus os erros e acertos, ajudou-me a prevenir as armadilhas e fazer o curso com tranqüilidade e proveito, como se eu navegasse com mar de almirante e céu de brigadeiro. Em primeiro lugar, comecei fazendo um pequeno planejamento quanto a curso, enxergar quais disciplinas poderiam dificultar meu avanço e quais eu deveria extrair mais conhecimento para minha trajetória. Naturalmente, meu interesse maior estava no campo da Literatura, depois Tradução; sem, contudo, descuidar da parte de Lingüística e Didática

Naturalmente, minhas leituras nestes anos foram mais orientadas para autores anglo-americanos (principalmente os norte-americanos, como os contos Scott Fitzgerald, Ernest Hemingway, Sylvia Plath e a prosa de Anaïs Nin) e a literatura baiana contemporânea (José Inácio Vieira de Melo, de quem fui colega na Facom; Renata Belmonte, Állex Leila e Eliana Mara). Também passei a ler com mais atenção obras de crítica literária e cultural, como Antoine Compagnon, Silviano Santiago, Camille Paglia e Nelly Richard.

Graduei-me com a monografia “O Olhar de Marianne: um estudo sobre o voyeurismo em um conto de Anaïs Nin”, orientada pela professora Sônia Simon. Nela, eu discuto erotismo (sobre a visão de Alberoni e Octavio Paz), voyeurismo e exibicionismo (sob a óptica da psicanálise) narrativos da norte-americana Anaïs Nin, durante o segundo semestre letivo de 2009. O gênesis desta monografia começa ainda no primeiro semestre, com um pequeno comentário da professora Conceição Reis, numa aula sobre o medievo lusitano, sobre o fato de que as cantigas satíricas (marcadas pelo conteúdo erótico) eram pouco estudadas em relação às cantigas líricas. Concomitantemente, ocorreu lançamento de vários livros de temática erótica e de autoria feminina (como pode ser observado nas matérias de Ruth de Barros na revista “Playboy ”, Carlos Freire no jornal “Faro de Vigo ” e Simone Esmanhotto na revista “Cláudia ”). Quando eu comparei estes fatos com a leitura do prefácio de livro “Delta de Vênus” de Anaïs Nin, em que ela reflete sob o fato de que até então (década de 30 do século passado) não havia uma tradição feminina de literatura erótica ; notei que este seria um bom campo a ser estudado. E durante toda a graduação fui aprofundando minhas leituras em autores eróticos, como Ana Ferreira, Catherine Millet, os libertinos franceses (Marquês de Sade, Crebillion Fills, etc), Rachel Kramer Bussel, Tristan Taormino, Hilda Hilst e as novas autoras da chamada “Literatura de Prostituição”: Paula Lee, Vanessa de Oliveira, Raquel Pacheco, Diablo Cody e Brooke Magnani (sob o nome “Le Belle de Jour”), paralelamente eu fui lendo os teóricos, como Georges Bataille, Octávio Paz, Michel Foucault e Francesco Alberoni. Este último, com sua tese, de que homens vivenciam o erotismo de forma descontínua e as mulheres, de forma contínua, mostrou-me o que tinha o meu instrumental para a análise literária destas obras, o que culminou na minha monografia e na vontade de desdobrar estas pesquisas na pós-graduação.

3.3 Passos Seguintes…
Em maio de 2010 colei o grau de Licenciado em Letras.  Pensava em entrar logo no mestrado, quando minha orientadora sugeriu que eu fizesse, primeiro, uma especialização.

Ainda no segundo semestre de 2010, matriculei-me como aluno especial da disciplina “Teorias da Narrativa”, do Programa de Pós-graduação em Literatura e Cultura da UFBA. Fui mais com a intenção de aprofundar meus conhecimentos teóricos com narrativas para que eu melhor pudesse balizar o meu futuro projeto de mestrado. No final de 2010, soube que o curso de especialização em Estudos Lingüísticos e Literários da UFBA abrira inscrição. Inscrevi-me e desde abril deste ano que eu estou cursando as disciplinas finais do curso. Optei em seguir a área de Literatura, onde apresentarei uma monografia sobre representações eróticas em dois contos da escritora paulista Ana Ferreira. Paralelamente à especialização, estou cursando, como aluno especial, as disciplina “Literatura e Psicanálise”, no Programa de Pós-graduação em Estudos da Linguagem da UNEB – campus 1 e “Estudos da Narrativa”, do Programa de Pós-graduação em Literatura e Cultura da UFBA.

4 O hoje é dia de… atividades acadêmicas complementares! 

Além das aulas que assistir, eu participei de algumas atividades acadêmicas complementares, para melhor minha formação acadêmica e profissional.

Na Facom, participei como ouvinte do I COMBAHIA - Encontro sobre Novas Tecnologias de Comunicação, promovido pela FACOM 1997 e do I Congresso da REDECOM Bahia, promovido pela Rede de Escolas de Comunicação da Bahia em 2002. No primeiro evento, a discussão voltasse mais para uma internet ainda incipiente, ainda dominada pelas home-pages. Uma discussão interessante foi fotografia, quando se falava das montagens fotográficas. Já o segundo evento foi um congresso que reunia todas as faculdades de comunicação do estado da Bahia. Participei como ouvinte, mas como parte da disciplina “Oficina de Assessoria de Comunicação,” em que nós, estudantes, estávamos ajudando a assessorar o evento. 

Já no curso de Letras, participei como ouvintes dos seguintes eventos: Seminário de Cultura e Letra de Música, promovida pela UFBA em julho de 2006; Jornada de Estudos Canadenses, promovido pelo Núcleo de Estudos Canadenses (NEC) da UNEB em abril de 2008, I Seminário de Estágio de Letras da UNEB (SELETRAS), promovido pelo curso de Letras da UNEB em julho de 2008; 1º Fórum Baiano de Educação Especial, promovido pela Secretaria de Educação do Estado da Bahia (SEC) em setembro de 2008; videoconferência “Agora a História é outra: Consciência Negra na Educação da Bahia”, promovido pela SEC em novembro de 2008; “I Seminário Internacional Enlaçando Sexualidade", promovido pelo Núcleo de Estudos de Gêneros e Sexualidades Diadorim (NUGSEX DIADORIM) da UNEB, em julho de 2009. No SELETRAS, eu apresentei a comunicação oral “Sob o Signo de Toth: uso e tipos de textos no ensino da língua inglesa”, como resultado do meu trabalho na disciplina “Estágio I”. Nele, eu comparava o uso e os tipos de textos na rede estadual de ensino com um curso de língua inglesa.

Como membro da comissão organizadora, participei da Aula Temática “Literatura e Cultura Afro-Descendente, Negra e Africana” ocorrida na UNEB em abril de 2008 e da “II Videoconferência de Educomunicação”, organizada pela Coordenação de Novas Mídia e Tecnologias | Educomunicação da SEC, em julho de 2009. No primeiro, contamos a participação de Jaime Sodré Oliveira e José Carlos Limeira como palestrantes sobre literatura negra e cultura de matrizes africanas no Brasil, e de Tonho Matéria, que fez uma apresentação de toque de atabaque. Na segunda, Terezinha Fróes e Ismar Soares como palestrantes sobre Educomunicação, que é um campo multidisciplinar que traz para Educação alguns elementos da Comunicação Social, como a autoria na produção do conhecimento e empoderamento do aluno através do uso das tecnologias da comunicação para fins didáticos.

Durante o período em que curso a especialização, participei como ouvinte do “Curso Jorge Amado / I Colóquio de Literatura Brasileira”, co-promovido pela Academia de Letras da Bahia e pela Fundação Casa de Jorge Amado, em agosto de 2001; do “Curso Castro Alves / VI Colóquio de Literatura Baiana”, promovida pela Academia de Letras da Bahia em setembro de 2011 e do “II Seminário Internacional Enlaçando Sexualidade”, promovido pelo NUGSEX DIADORIM, em setembro de 2011. Neste último, eu apresentei a comunicação oral “O olhar de Marianne: Um estudo sobre o voyeurismo no conto de Anaïs Nin”, originária da minha pesquisa para a monografia de conclusão de curso.

Destes eventos que participei, o que mais contribuíram foram os Seminários Internacionais “Enlaçando Sexualidade”, em que pude entrar em contatos que as discussões sobre Erotismo, Cultura e Estudos de Gêneros. No primeiro, participei do enlace “Literatura, Comunicação e Mídia”, com discussões sobre autoria e representação feminina nas artes, pornografia feminista, sexualidade e mídia, etc. No segundo, participei do enlace “A produção artística de autoria feminina: escrita de mulher em foco”, em que se discutiu erotismo e literatura feminina, relação entre gênero e raça, subjetividade feminina na literatura, etc.

5 Carteira Assinada e contratos de trabalho

Basicamente, minha vida profissional está ligada ao serviço público. Comecei a trabalhar, oficialmente, em 2 de fevereiro de 2008, em regime de contrato temporário, na Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Lá, ocupei as funções de agente de pesquisa (nível médio) na Superintendência Estadual de Pesquisas Industriais, sendo posteriormente transferido para Centro de Processamento de Dados. Trabalhei lá durante dois anos (até janeiro de 2000), tempo máximo legal para minha permanência como servidor público lotado neste órgão. 

Três meses após ter terminado meu primeiro emprego, fui chamado para estagiar na assessoria de imprensa no Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Federal no Estado da Bahia (SINTSEF-BA). Fiquei lá de abril de 2000 até a primeira quinzena de janeiro de 2003. Neste período, ganhei experiência em redação de textos jornalísticos (press-releases, notícias e textos para o website), editoração, fotojornalismo e assessoria de comunicação. Nesta época, fui co-criador (junto com Marcílio Rocha Ramos, na época, meu supervisor) da logomarca e do projeto gráfico do jornal “AaZ”. Também publiquei neste jornal duas matérias de literatura: uma sobre Patativa do Assaré e um perfil do Machado de Assis como servidor público. Também fiquei co-responsável pelo boletim diário Via Direta. Nesta época que eu ganhei experiência como programador visual.

Depois que sair do SINTSEF-BA, fiquei sem trabalhar até 2009. Aproveitei o tempo para me dedicar aos estudos no curso de Letras. Quando já estava na fase final da graduação, escrevendo a minha monografia, voltei a trabalhar na Secretaria de Educação do Estado da Bahia (SEC). Convidado por Marcílio Rocha Ramos, que na época era coordenador Novas Mídias e Tecnologias | Educomunicação, eu fui trabalhar na implantação do projeto “Cinemação”: que era a produção de vídeos educacionais feitos pelos próprios alunos, usando telefones celulares, aplicando a metodologia de Paulo Freire das rodas de culturas. Lá fiquei de abril à setembro de 2009, com o cargo de Coordenador IV (Técnico em Educação).  Nesta época, fiz a arte da capa do DVD “TV Pendrive – Monitor Educacional” e fui um dos co-organizadores da II Videoconferência de Educomunicação da SEC.

Em setembro de 2009, fui convidado para trabalhar na Assessoria de Comunicação da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (SESAB), no núcleo de designer gráfico. Pedi demissão do meu cargo na SEC e assumir minhas funções na SESAB em outubro de 2009. Fiquei responsável pela arte dos materiais gráfico (panfletos, faixas, cartazes, logomarcas, banneres, etc.), elaboração de peças para internet (como ilustração das notícias e dos banneres eletrônicos), a diagramação do 2ª edição do boletim impresso “Você” e elaboração do boletim eletrônico semanal “Infosaúde”. Em agosto de 2001 eu pedi demissão, para que eu pudesse me dedicar exclusivamente para seleção do mestrado.

6 Colhendo os meus frutos: produção em C, T & A e Concursos

Desde adolescente que eu gosto de escrever. Resultado direto de minha paixão pela leitura e com um pouco de influência de meu tio Valdo Sousa da Hora, que era poeta e ator (amador), comecei a escrever meus primeiros versos aos 16 anos. Nesta mesma idade, como mencionado anteriormente, publiquei o meu primeiro texto, “Saudade” no livro “Quase Escritores”, antologia organizada pelo Educandário Paulo Freire da produção literária dos seus alunos e lançado na 1ª Literarte (Festival de Literatura e Artes). 

Em 2002, ganhei a Menção Especial (para autores baianos) no Concurso Iararana de Poesia, concurso nacional promovida pela revista “Iararana” de literatura, cultura e crítica. Como parte do prêmio, meus poemas “Entardecer no Inverno”, “Canto para Avalon” e “Cântico dos Lírios” foram publicados na 8ª edição da revista, que foi lançada também em Paris e Budapeste. No mesmo ano, o jornal valenciano “Costa do Dendê” publicou o poema “Entardecer no Inverno”.

Em 2004, lancei independentemente o meu primeiro livro de poesia, “Flores no Lago”. Além dos textos, eu fiz a foto e a arte da capa e editoração do livro. No mesmo ano, a Câmara Brasileira de Jovens Escritores (CBJE), na cidade do Rio de Janeiro, publicou meu conto na “Antologia de Contos de Autores Contemporâneos” e poemas nos 8° e 10° volumes da “Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos”. “Cântico dos Lírios”, que viria a ser republicado pela CJBE no “Panorama Literário Brasileiro 2004 POESIA”, em que reúne os 100 melhores poemas publicados no ano.

Pela CBJE, os seguintes textos meus foram publicados nas seguintes antologias: 34° e 56° volumes da “Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos”, dois volumes da “Sensualidade em prosa e verso”, “Livro de Ouro do Conto Brasileiro”, “Novos Talentos do Conto Brasileiro” e o 17° volume da “Antologia de Contos Fantásticos”. Os poemas “O Beijo”, “Sangue das Vinhas” foram republicados, respectivamente, “Panorama Literário Brasileiro 2007 POESIA” e “Panorama Literário Brasileiro 2009 POESIA”, dentre os melhores poemas do ano.

No ano de 2010, participei da antologia “Novos Valencianos”, organizada por Araken Vaz Galvão, que reuni a nova geração de escritores da cidade de Valença, que despontou no projeto “Ocupação Cultural”: sarau multimídia e oficina de idéia que acontece mensalmente nessa cidade desde março de 2009.

Em 2009, eu publiquei o texto “Vestígios Poéticos e Existenciais de Renata Belmonte” na revista eletrônica “Verbo21”, em que faço a resenha do romance “Vestígios da Senhorita B”. E desde 2007 que eu colaboro esporadicamente com poemas, artigos e resenhas para o jornal “Valença Agora”. E mantenho um blogue, chamado “Castelo do Bardo Celta”, que está no ar desde outubro de 2011, onde eu publico meus contos, poemas, artigos, crônicas e outros textos…

Além do prêmio Iararana, ganhei três menções honrosas (2005, 2007 e 2009) no Concurso de Poesia da Academia de Letras do Recôncavo, sendo que os meus poemas premiados foram publicados em mini-antologias, em que reuniam os dez melhores poemas de dez autores participantes do concurso. E em decorrência de em 2009, ter ganhado a menção especial no Concurso da ALER e de um dos poemas ter sido escolhido para o “Panorama Literário Brasileiro 2009 POESIA”, a Câmara Municipal de Valença deu-me uma Moção de Aplauso.

Além disso, acrescenta-se na minha lista de produção as duas comunicações orais “Sob o Signo de Toth: uso e tipos de textos no ensino da língua inglesa” e “O olhar de Marianne: Um estudo sobre o voyeurismo no conto de Anaïs Nin”, a monografia de conclusão de curso, “O olhar de Marianne: Um estudo sobre o voyeurismo no conto de Anaïs Nin”, três relatórios de estágio supervisionado (apresentados como requisito parcial apara avaliação nas disciplinas) e meus livros inéditos: “Flores do Outono”, “Sombras do Luar”, “Brumas do Lago”, Torre de Quimeras (livros de poesia), “Peregrino en una Noche sin Luna” (de poemas em espanhol e inglês), “Prosas Bárbaras” (miscelânea de ensaios, crônicas e artigos), “Polígonos – contos e estórias” (contos) e “As Corujas de Frei Ethereld” (peça de teatro).

Atualmente pleiteio uma vaga para aluno regular de mestrado pela Instituto de Letras da Universidade Federal da Bahia, no Programa de Pós-Graduação em Literatura e Cultura, com o intuito de ampliar e difundir mais a temática sobre Erotismo e Literatura Feminina Contemporânea, desmistificando assim o preconceito e estimulando maiores estudos sobre essa questão. Sempre fui um apaixonado pelos livros e pelo estudo, e com possível re-ingresso na Academia, desta vez no Curso de Mestrado permitirá aprimorar ainda e galgar novos espaços no ambiente social. 

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Praça de Cordel e Poesia - Bienal do Livro 2011



AS DIVERSAS FACES DA POESIA NA 10ª BIENAL DO LIVRO DA BAHIA

          A Praça de Cordel e Poesia vem com todo o ímpeto e com todo o encanto que são característicos da linguagem poética. Nesta edição, contempla, mais uma vez, as diversas faces da poesia baiana contemporânea, além de apresentar ao público alguns poetas de outros estados e até de outro país.
          Poetas consagrados, como Ruy Espinheira Filho e Luís Antonio Cajazeira Ramos, e jovens estreantes, como Vanny Araújo e Darlon Silva, estarão na Praça da Poesia recitando seus versos.  Representando a cultura popular, estarão presentes cordelistas de grande valor, como é o caso de Antonio Barreto, Jotacê Freitas e Franklin Maxado.

          Ao todo serão 86 artistas da palavra que farão, ao longo das dez noites de bienal, um grandioso espetáculo. A cada noite, a partir das 18 horas, acontecerão três sessões de poesia. Cada uma com dois ou três artistas e com duração de 50 minutos.

          A ligação da poesia com a música também será explorada. E a palavra cantada ecoará através da voz e da emoção das cantoras Flávia Wenceslau e Lane Quinto, e de outros intérpretes e compositores.
          De Portugal para a Praça da Poesia, virá o poeta Luís Serguilha. E de outros rincões do Brasil, estarão presentes os poetas paulistas Mariana Ianelli e Luiz Roberto Guedes, o paraibano Babilak Bah, o mineiro Ronaldo Cagiano e os pernambucanos Ivan Maia e Wellington de Melo – nomes que abrilhantarão ainda mais esse grande encontro poético que, certamente, proporcionará ao público da Bienal do Livro da Bahia momentos de beleza e de pura magia.

José Inácio Vieira de Melo
Coordenador e curador da Praça da Poesia
Poeta, jornalista e produtor cultural


PROGRAMAÇÃO DA PRAÇA DE CORDEL E POESIA
DE 28 DE OUTUBRO A 06 DE NOVEMBRO DE 2011


28/10 (sexta-feira)

18 horas
Clarissa Macedo
Manuela Barreto
Vanny Araújo

19 horas
Daniela Galdino
Edmar Vieira
Rita Santana

20 horas
Douglas de Almeida 
Walter Cesar


29/10 (sábado)

18 horas
Georgio Rios
Marcia Tude
Ricardo Thadeu

19 horas
Franklin Maxado (cordelista)
Sapiranga (cantador)

20 horas
Luís Antonio Cajazeira Ramos
Ruy Espinheira Filho


30/10 (domingo)

18 horas
Daniel Farias
Emmanuel Mirdad
Fabrício de Queiroz Venâncio

19 horas
Elizeu Moreira Paranaguá
Iolanda Costa
Martha Galrão

20 horas
Antonio Barreto (cordelista)
Babilak Bah


31/10 (segunda-feira)

18 horas
Bernardo Almeida 
Moacir Eduão
Ronaldo Cagiano

19 horas
Clotilde Ribeiro
Lita Passos
Nívia Maria Vasconcellos
Wesley Correia

20 horas
Everton Lima
Flávia Wenceslau (cantora)
Gabriel Gomes


01/11 (terça-feira)

18 horas
Caio Rudá Oliveira
José Ricardo Vidal
Vânia Melo

19 horas
Inaê
Luís Serguilha
Mayrant Gallo

20 horas
Adriano Eysen
Aleilton Fonseca
Sandro Ornellas


02/11 (quarta-feira)

18 horas
Gibran Sousa
Lidiane Nunes
Raiça Bomfim

19 horas
Carlos Barbosa
Claudina Ramirez
Marcus Vinicius Rodrigues

20 horas
Lane Quinto (cantora)
Luís Pimentel
Luiz Roberto Guedes


03/11 (quinta-feira)

18 horas
Alexandre Coutinho
Darlon Silva
Priscila Fernandes

19 horas
Ana Cecília de Sousa Bastos
Goulart Gomes
Mônica Menezes

20 horas
Alberto Lima (cordelista)
Maviael Melo (cordelista)
Tina Tude


04/11 (sexta-feira)

18 horas
André Guerra
Gildeone dos Santos Oliveira
Wellington de Melo

19 horas
Ângela Vilma
Hélio Alves Teixeira (cordelista)
Júlio Lucas

20 horas
Cleberton Santos
João Vanderlei de Moraes Filho
Vladimir Queiroz


05/11 (sábado)

18 horas
Edson Oliveira
Érica Azevedo
Karina Rabinovitz

19 horas
Fabrícia Miranda
Ivan Maia
Lívia Natália

20 horas
Mariana Ianelli
José Inácio Vieira de Melo


06/11 (domingo)

18 horas
Fabrício Brandão
Max Fonseca
Vitor Nascimento Sá

19 horas
Edgar Velame
Marcos Peralta
Tiago Oliveira

20 horas
Mariana Ianelli
Jotacê Freitas(cordelista)
Amadeu Alves (músico)
Fabrício Rios (músico)

sábado, 22 de outubro de 2011

Pausa Literaria - fragmentos de um diario

Estou escrevendo muito. E na área literária. Porém, são meu memorial e meu anteprojeto para seleção do Mestrado em Literatura e Cultura da UFBA. Assim que puder, volto a escrever meus poemas e contos...

sábado, 15 de outubro de 2011

domingo, 9 de outubro de 2011

Aniversario do Blogue

Mês de outubro, sexto ano do blog "Castelo do Bardo Celta" no ar. Queria colocar bastante textos de literatura. No entanto, a única coisa que impera na minha cabeça é passar na seleção do mestrado em Literatura e Cultura da UFBA. Se tudo der certo, espero, ainda publicar mais alguns poemas aqui. That's all, folk!

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Noticias do Reino de Jambom - Volta para casa

Lá no reino de Jambom, o escritor R Vidal finalmente volta para seu castelos. Dois anos se passaram desde que foi chamado para imitar Mayakosvy. No fundo, não era a dele, apesar de achar ter algum talento perdido na manga. O castelo está em tenhas de aranhas e um manto de pó grosso enterrava seu feudo. Tudo cinza e melancólico.R. Vidal arriou as malas. Respirou fundo. Pacientemente terá que remover a solidão de seus livros e colocar em ordem sua alegria. Agora será o momento de refletir e cuidar de seu castelo, para, quem sabe mais tarde, voltar a ter o brilho doutrora.

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Na ficção da vida civil, um quarto ainda tem de ser arrumado. Um pequeno castelo feito nas nuvens

domingo, 18 de setembro de 2011

Neo-erotismo ou soft-pornografia?


Neo-erotismo ou soft-pornografia?

RICHARD KERN ACTION


ACTION, de Richard Kern, é um livro de fotografia. Fotografias de nu feminino. Seriam fotografias eróticas? As primeiras fotos aparentemente apontam que sim: modelos fazendo caras e bocas em poses artísticas. Só que aos poucos, o fotógrafo ultrapassa os limites do erotismo convencional e, em situações um pouco mais explícitas, apresentam estas modelos nuas urinando, mastubando-se ou tendo contatos íntimos entre si. Explorando fetiches e sem temer quebrar barreiras, Kern retoma a velha questão: qual a diferença entre erotismo e pornografia? Ele caminha no fio da navalha para mostrar a fluidez destes conceitos, como a indicar o quão dúbio e traiçoeiro eles são. Se uma das fotos há a nudez de uma mãe com sua filha, em outra mostra o rosto da modelo com traços de espermas. Noutra, uma modelo está com a cabeça de um boneco dentro da vagina. Tudo direto, sem perder o bom gosto. Com fotos tiradas de mulheres comuns e acompanhado de CD-Rom com vídeoclips destas fotos, ACTION é um excelente livro para quem curte belas e intrigantes fotografias eróticas.

domingo, 28 de agosto de 2011

Fragmentos de um diario - Uma noite cafajeste

No fundo, é isso: você está sozinho em um sábado a noite. Resolve fazer seu jantar, então prepara (se achando um novo Adrià) aquele talharini al sugo, cujo tempero especial é um terço da garrafa de vinho tinto derramado no molho, outro terço é bebido enquanto você corta os temperos. Prepara a comida com carinho pois é o seu jantar e você está com fome. Cebola, alho, vinho, tomate, coentro, vinho, molho inglês, molho soyu, mais vinho, azeitonas, azeite e para completar... vinho. Tudo cortado bem cortadinho, devidamente marinado e depois batido no liquidificador. Fogo, pasta al dente e - voilà! Já é meia-noite. Ajeita-se a mesa, coloca o aparelho de som com aquele CD especial, com as melhores músicas de Tim Maia. Não se sabe porque, resolve desligar todas as luzes e acende as velas de um castiçal perdido no armário. Com a comida ainda fumegando, coloca-se mais uma taça de vinho (o que sobrou da garrafa, liga-se o som na faixa em que Tim Maia é mais romântico: "Azul da cor-do-mar", "Você", "These are the songs". E deixa o espírito viajar. Fora do apartamento, a metrópole ferve com seus pecados noturnas, alheia a estes fulgazes prazeres anônimos vividos cafajestemente por solitários...

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Quando Roma torna-se Jerusalem - a apresentação de Nabucco que envergonhou Berlusconi


Hoje, nada de mais. Apenas uma prova de como uma música (e no caso, erudita), consegue fazer toda a diferença...

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Cacau, Cravo e Dendê:

Cacau, Cravo e Dendê:
literatura valenciana em perspectiva
Salvador, 06 de agosto de 2011
O que falar sobre literatura valenciana?
Olá, eu sou Ricardo Vidal, natural de Valença (mas atualmente resido em Salvador), licenciado em Letras/Inglês pela UNEB, curso a especialização em Estudos Lingüísticos e Literários na Ufba, onde estudei inicialmente Jornalismo, sem concluir o curso e, last but not least, eu sou escritor. Acho importante esta apresentação inicial para situar melhor o ponto de partida da minha fala nesta mesa.
Quando recebi o convite dos meus amigos Profa. Taylane Nascimento e Adriano Pereira para participar desta mesa, ao mesmo tempo em que eu fiquei feliz (uma vez que estaria na minha cidade natal falando de algo que eu gosto), também fiquei preocupado: afinal, o que iria dizer aqui, nesta mesa em que estão presentes pessoas do porte da profa. Raimunda e Prof. Moacir e para uma platéia de estudantes e professores de Letras?
Via-me diante dum aparente problema paradoxal: de um lado, como disse a pouco, eu moro em Salvador, já faz quinze anos (uma vez que na época que concluí o científico na Paulo Freire não havia faculdades na minha terrinha, o que obrigava a um “exílio pela busca do saber”). E isso poderia me colocar como um estranho, alguém que não estivesse a par ou vivenciando a atual cena literária da minha cidade natal. Por outro lado, sei que a maioria dos autores são meus conhecidos, pessoas QUERIDAS como Mustafá Rosemberg, Profa. Rosângela Góes, Profa. Macária Andrade, a turma da Ocupação Cultural (do qual me considero, de certa forma, ser a minha turma), patrícios de MINHA CIDADE NATAL, o que poderia tornar meus comentários suspeitos por um comprometimento afetivo devido a esta proximidade. Algo como o que deve ter sentido Érico Veríssimo quando de suas palestras sobre literatura brasileira na Universidade da Califórnia em Berkeley, no meados dos anos 40 do século passado, ao fala dos escritores da geração de 30.
Contudo, vi que este problema poderia ser também uma solução para a minha fala: O fato de morar em outra cidade dar-me-ia uma visão de grupo desta literatura, com certo distanciamento para apreciar as obras. E a proximidade afetiva oferecer-me-ia a oportunidade de assumir uma perspectiva “egocêntrica”, de ver com os olhos de quem está dentro do furacão. Usando a metáfora de Érico Veríssimo, diria que meu avião voa em média altitude, para que eu possa ver tanto os contornos difusos da ilha como os detalhes ofuscantes. Assim, vou tentar orientar esta visão a partir da mescla de escritor apaixonado por Valença (o lado de dentro) com o de acadêmico de Letras (o lado de fora), para falar sobre a produção literária valenciana.
Três ingredientes valencianos
Mas, para falar de literatura valenciana, é preciso conceituá-la. Ela é mais do que uma literatura de base geográfica, feita por pessoas nascidas em Valença ou por seus residentes. Ou de base temática, que descreve APENAS seus encantos. Provisória e poeticamente, eu diria é uma literatura feita com três ingredientes: cacau, cravo e dendê.
O cacau é o que dá este gosto de sul da Bahia, interiorano, próximo a uma natureza luxuriante nos nossos textos. É uma literatura doce e negra como são as águas do rio Una antes de entrar na cidade; como esta imensidão de terra e mar descortinada nos pequenos morros que nos rodeiam, indicando bem a origem local e meta de ser universal. E é também o suor do escritor, que após a inspiração semear nossa mente, precisa trabalhar a palavra, a frase, para chão da folha/tela em branco frutifique o texto redondo, certo, próximo da perfeição, pois não se engane que poesia é só brisa! É também trabalho árduo e paciente de por em ordem o que a inspiração trouxe aos borbotões. Um exemplo deste artesanato poético prenhe das nossas belezas está nos poemas de Otávio Mota, como em que se lê versos “Rio que te quero rio-perene / todo doce / até o sal. / Águas que te quero límpidas / no teu leito / de sonhos ao mar”. Olhe o detalhe: verso maior ser seguido por dois versos menores e no jogo de contraste doce / sal.
O dendê é o seu lado vigoroso, intenso, quente. É lado recôncavo de nossa terra, culturalmente mais ligada a Salvador do que Ilhéus. É uma literatura sempre em ebulição, como uma moqueca de camarão recém saída do forno, pois nunca ficará parada na mesmice. Uma literatura marítima, que também sabe respirar ares cosmopolitas e faz da tradição um processo de renovação constante (como se observa na quantidade de escritores valencianos participando na Academia de Letras do Recôncavo, nas atividades da nossa própria Academia, a AVELA e, por que não dizer, já nos escritos do Cons. Zacarias). Como exemplo, um poema de Celeste Martinez: “Enfia teus dedos em hirto em minha garganta / e arranca o medo virulento / que ameaça as minhas células. / Se o medo, / mesmo assim, / insistir em não sair, / ESMAGA-O / com o martelo de Thot”. A poetisa usa visceralmente as palavras, foge dos lugares-comuns (como rimar “amor” e “dor” ou “coração” e “emoção”) e com um ritmo intenso, vai buscar no passado universal (no caso, Thot, o antigo deus egípcio da escrita) para falar de um sentimento moderno como o medo e a sua superação. Isto é dendê puro!
E o cravo aparece na nossa literatura como signo desta nossa valencianidade: uma baianidade própria e híbrida, que não é só os romances rurais de Jorge Amado nem a poesia barroca e ardente de Gregório de Matos. É isso tudo e vai além: além de Castro Alves, além de Machado, além de Shakespeare, para construir ícones próprios. É uma sutileza que nos diferencia dos demais pólos culturais do estado, por possui um perfume e um gosto que é só nosso. Como o som do arguidá, da zabiapunga ou nossos versos de Cadu Oliveira: “Toda a Valença é, portanto, um tear, / e, em seu pano grosso de aspecto rudimentar, / Amparo, a Bordadeira, virá aplicar fibra // Será linda a fazenda incrustada de pérola / do sururu que a valenciana catará. / Será forte como o braço de Pedro / quando puxa sua peça de pescar / Seria como se bichos-da-seda no bagaço de dendê cosessem casimira”. Creio que seria desnecessário comentar um trecho como este, basta retornar a métafora: Valença como um tear, em cuja urdidura está natureza (sururu), nosso passado (a fábrica de tecidos), o povo (bordadeira, Pedro), a tradição (Amparo) e um futuro (casimira cosida por bichos-da-seda a partir do bagaço do dendê).
Para completar a receita, eu diria que depois de misturar tudo no tacho, deixe a massa dá o ponto e a ponha para descansar. Com calma, tirar-se-á um bom texto daí, a ser saboreado tanto com vinho do Porto como por água de coco.
Primavera Fecunda e que vem de longe
Com estes três ingredientes, naturalmente observa-se que a literatura valenciana é muito fecunda e variada. Hoje, se formos a uma banca de revista (como a de Rangel, lá na Praça da Independência), podemos escolher livros de poesia (como os de Amália Grimaldi, Mustafá Rosemberg, Profas. Rosângela e Macária), Prosa ficcional (como os presentes na antologia “Novos Valencianos” e no livro “Encantos da Morte”, de Alfredo Gonçalves de Lima Neto), prosa memorialística (exemplo, Gentil Paraíso Filho), crônicas (exemplo, prof. Moacir Saraiva e Profa. Macária), teatro (como não lembrar do “Apocalipse Man” de Otávio Mota), ensaios historiográficos (Os livros dos professores Edgar Oliveira e Guto Moutinho, para mim, são fundamentais), além da imprensa atuante, capitaneado pelo semanário “Valença Agora”. Saliento que estamnos falando de produção nossa, não de autores importados de Salvador, São Paulo, Madrid ou New York. Não será por falta de opção que um estudante de Letras em Valença poderá dizer que desconhece esta literatura! E nela encontrar um material para fazer uma tese fecunda para o doutorado.
Claro, para esta abundância de autores, eu sou forçado a ver TAMBÉM o dedo das novas tecnologias de informação e comunicação, que facilitou (e muito!) a vida dos escritores, no que se concerne publicizar o trabalho. Friso no verbo: publicizar. Porque, para produzir literatura, a tecnologia quadrimilenar da escrita já mais do que suficiente (não obstante, em último caso, como no de Patativa de Assaré, até isso era dispensado, bastando o dom natural da língua). Agora, editar um livro, o trabalho é diferente: é preciso também editorar, artefinalizar, montar, fundir as matrizes, imprimir, paginar e costurar um livro. Assim, se vai mão-de-obra e dinheiro, fazendo que antigamente muitos livros mofassem inéditos no fundo da gaveta, pela falta de… dinheiro. Agora, entretanto, o computador facilitou a vida de um escritor, seja com a internet (mais precisamente os blogues), criando um outro suporte de divulgação de textos; seja facilitando o mecanismo de editoração. Basta um computador com um programa profissional de editoração, como Adobe Pagemaker, Adobe InDesign ou o Quarkpress (por favor, desconsiderem o pacote Corel Draw e programinhas amadores como Word, MS Publisher ou PrintArtist. Estamos falando de programas de gente grande!) e saber trabalhar com eles para o próprio escritor possa entregar na gráfica o arquivo pronto para imprimir. Eu mesmo agi assim para publicar meu livro “Estrelas no Lago”. Economizei um bom dinheiro sentado na minha casa, compondo o texto e fazendo a capa a partir de um foto minha. E ainda um representante da gráfica foi na minha residência pegar o CD com os arquivos eletrônicos e modelo impresso (O que em artes gráficas é chamado de “boneca”). Imaginem se fosse antigamente, antes do computador. Como seria trabalhar com um linotipo (que não é barato e nem fácil de mexer) para fazer a matriz fundida? Ou um fazer a metalogravura ou litogravura da capa? O meu livro não sairia. Além do que, a microinformática facilitou a vida dos gráficos, o que permite, por exemplo, fazer livro por demanda.
Falei da impressão facilitada pelo computador, mas vejamos como mais calma a internet. Falei dos blogues, que é só escrever e publicar instantaneamente na rede mundial de computadores, sem precisar mais do conhecimento avançado de edição em html, asp e java; e de postagem via FTP. Os blogues fazem com que a nossa literatura se dissemine com rapidez. Eu posto um poema ou conto meu em Salvador e está disponível urbi et orbe, para a cidade de Valença e para o mundo, inclusive podendo comentá-lo: Olha, seu texto está bom! Não, ele está uma m&rD@! Não gostei do final, poderia ser diferente. Deste modo o leitor pode conhecer mais o que se produz em Valença. Também tirar ao escritor um pouco da neurose de se publicar um livro – o está está lá, no ambiente digital, nas nuvens como se diz modernamente. Melhor que isso, os blogues permitem testar antes os textos junto ao público, ter um feedback que guiará na hora da seleção do que será impresso. Eu mesmo tive esta experiência, em publicar um conto no meu blogue e ter o retorno de uma leitora. E hoje está se tornando comum esta passagem, primeiro no mundo virtual para chegar ao mundo impresso. Não sei de experiências destes tipos aqui em Valença, ainda. Mas acredito que as próximas gerações de escritores valencianos deveram usar isso com mais frequência. No mais, sei que existem blogues bons de literatura e cultura valenciana, como o da Ocupação Cultural, A Caixa de Pandora (de Adriano Pereira), O de Araken Vaz Galvão, A Novidade (do Prof. Dr. Ruy Oliveira), A Casamata (de Aécio Flávio) e, se me permitem uma rápida propaganda, o meu blogue, Castelo do Bardo Celta www.bardocelta.blogspot.com.
Falando assim, da literatura valenciana, parece que ela é recente, uma explosão repentina do nada cujas novas tecnologias permitiram seu florescimento. Ledo engano! É interessante salientar que a literatura valenciana não é algo que surge agora. Se as novas tecnologias de informação e comunicação facilitaram nossas vidas como escritores, no que se refere a pu-bli-ci-za-ção, há também que pagar tributos aos que nos antecederam na lide literária. Falo considerando a tristeza em não existir a mais tempo em Valença uma faculdade de letras que pudesse se debruçar com mais afinco em obras como os ensaios e discursos do Conselheiro Zacarias (com destaque ao seu livro “Da Natureza e Limite do Poder Moderador”), nos romances sociais do nosso conterrâneo e médico anarquista Fábio Lopes dos Santos Luz (autor de “Os Emancipados” e “Ideólogo”), nos poetas que hoje jazem esquecidos, mas que foram publicados em jornais extintos, como o “Jornal do Baixo Sul” (início da década de 90), “O Aráivd”, “O Manacá” (ambos dos anos 70), “O Comércio” e “O Industrial” (estes, já que quase cem anos nas costas). Poetas como Valdo Sousa da Hora, cujos textos não chegaram a sair em livros, estão dispersos dentre noticias antigas e que mereceriam, por parte da academia, uma edição crítica. Quando disse que a pouco em tradição e renovação nas Letras da terra do Rio Una, é por reconhecer a primazia nestes autores que hoje passam como mudos e que abriram os caminhos para esta explosão que vivenciamos atualmente. Se hoje temos um jornal semanal e outros mensais, sites noticiosos como o Baixo Sul Notícias, e com ele esta produção literária de contos, crônicas, poemas, ensaios e romances, é porque em Valença já existe uma tradição de escrita e necessita ser resgatada. Imagine a FAZAG, por exemplo, lançando uma edição crítica dos romances de Fábio Luz? Os dividendos a serem ganhos mais do que se pode imaginar, isso eu garanto…
Perspectivas e futuro
Com estas raízes e com as facilidades, podemos ver que temos uma literatura muito rica sendo feita hoje em Valença. Quem realmente pode deixar marcas duradouras, só o tempo pode dizer. Mas já existem duas gerações de escritores valencianos dialogando entre si. Um grupo que compôs a antologia “Valenciando” e que está na gênese da AVELA e outro, oriundo da Ocupação Cultural, que está na antologia “Novos Valencianos”. Creio que isso é um alento para que possamos consolidar a nossa literatura. E o fato da FAZAG abrir suas portas para este Feira do Livro Valenciano, onde não só podemos mostrar nossas obras como podemos também refletir sobre a nossa produção.
Talvez, este é o desafio da nossa literatura daqui pra frente: consolidar não só um mercado consumidor dos livros de autores da nossa cidade como a própria literatura valenciana. Tradicionalmente a imprensa de nossa cidade sempre abriu as portas para nossas produções, permitindo que o povo conhecesse mais sobre o escrevemos. E aqui não posso de deixar de citar o exemplo do jornal Valença Agora, quando em fevereiro de 2007 lançou em livro o “Caderno de Cultura”, coletânea de artigos, crônicas e poemas publicados em suas páginas. Também há iniciativas como a Ocupação Cultural, em que não só escritores como demais artistas locais mostram o que Valença faz de melhor e mais avançado em cultura, além de instituições como a Academia Valenciana de Educação, Artes e Letras, A Fundação Cultural Euzedir e Arakem Vaz Galvão e a Casa de Cultura Maria Claudia Rodrigues / Macro que podem dar este suporte. E Arakem merece todas as salvas de aplausos pelo seu brilhante trabalho de organizar antologias de autores da terrinha, permitindo que muitas vozes possam navegar nas páginas impressas pelos mares da eternidade.
Quanto ao poder público, representado pela Prefeitura e pela Câmara Municipal, acho que eles que ainda estão um pouco fora de sintonia com os avanços vividos hoje pelas esferas nacional e municipal. Atualmente há uma mudança de paradigma no tratamento dado à cultura, em que antes (quando muito!) era vista como um apêndice para a indústria do turismo. Cultura hoje está começando a ser tratada como uma política de estado. Cabe a cada esfera cuidar de sua cota. E a literatura valenciana está na cota maior da prefeitura. Digo isso não achando que a cultura valenciana deve ser pajeada pela prefeitura, assumindo todas as despesas. Contudo, creio que sinto falta, aqui na minha cidade, de uma política pública municipal na área de cultura. Falo isso quando comparo o que é feito nas outras cidades. Não sei se há aqui, por exemplo, uma lei que determine a compra de parte da nossa produção literária para a formação de bibliotecas escolares da rede do município, ou de uma diretriz da Secretaria Municipal de Educação que sugerira aos professores a preferência aos autores locais na hora de indicar livros paradidáticos como leitura. O fato de hoje ter renascido a biblioteca pública Ruy Barbosa é algo a ser comemorado. Porém, creio que ela não deveria continuar como se fosse um mero apêndice acanhado do Centro de Cultura. Poderia ter uma sede própria, mais central, mais ampla e que pudesse ser outro centro cultural no município. Falta um Arquivo Público Municipal, onde um escritor de nossa pudesse ter subsídios para uma pesquisa. O Teatro Municipal, lá no Jardim Novo, situado em posição estratégica, continua jogado às traças. E lá poderia ser TAMBÉM um outro ponto de encontro de escritores, outro lugar para recitais e debates sobre literatura, como o é o Centro de Cultura Olívia Barradas. Não digo que devemos abandonar o Centro de Cultura, mas não acho que devemos se restringir só a ele. Já imaginaram como seria um recitar de poesia dentro da Câmara Municipal? Ou na Recretaiva? Isso, y otras cositas más que eu sinto falta da atuação do poder público local para consolidar nossa literária, para que o povo valenciano possa se orgulhar ainda mais dos escritores que temos.
Finally, eu creio que poderemos contar agora com os cursos superiores de Letras, como o da FAZAG, não só formando professores de literatura, como também críticos literários. Nós, que pertencemos a comunidade dos estudantes e formados em Letras, principalmente quem está no campo da licenciatura (e sinto a vontade em falar isso, pela minha formação ser uma Licenciatura em Letras/Inglês), estamos na linha de frente na formação de novos leitores. Serão as nossas aulas que irão ajudar a definir o gosto (ou não) dos estudantes pelo caminho da leitura. E para isso que precisamos apurar a visão crítica sobre os livros. Faço um convite para vocês, estudantes e professores, que voltem suas pesquisas e análises para os nós, os escritores valencianos. Destrinchem os nossos textos, vejam nossas falhas e nossos acertos, descubram outras leituras que mesmo nós sequer vislumbramos antes, ou diálogos incríveis, como o de nossa poesia pode ter com a poesia norte-americana de Allen Ginsberg ou com a poesia inglesa do período da restauração. Cito rapidamente um poema meu, “Canção para Setembro”, em que há citação sutil ao romance de H. G. Wells e a um poema de Bertold Brecht. Que outras conexões, como a de nossa prosa com a de H. P. Lovecraft, por exemplo, ainda não foram descobertas? Esta é uma seara que ainda não foi desbravada academicamente e quem primeiro adentra estará fundando caminhos. Fica o convite feito, para futuros artigos e monografias. Com este olhar crítico da academia (no caso, o ensino superior) poderemos criar um movimento que permita ter um ganho de qualidade para a nossa produção. É um diálogo que ainda está começando e que tenho esperança que será deveras frutífero.
Palavras finais
Bem, para finalizar, eu diria que hoje vivemos uma grande efervescência literária aqui em Valença. As facilidades que as atuais tecnologias de comunicação e informação nos deram ferramentas para publicizar nossa literatura feita à base de cacau, cravo e dendê. Valenciando neste Rio de Letras, cada vez mais Novos Valencianos estarão colocando seus escritos para fora. Disso eu tenho certeza! Obrigado pela atenção de todos, e caso haja interesse nesta minha fala, ela está disponível no meu blogue. Thanks so much!

sábado, 2 de julho de 2011

Nasce o sol ao 2 de julho

Dois de julho, independência do Brasil, ocorrida após batalhas aqui na Bahia. O Sol já estava a pino quando me levantei. Fui ver sala se o modem estava ligado. Voltei para meu quarto, para escrever no blogue, com meu tablet novinho em folha. A partir de agora, conquistei minha independência...

segunda-feira, 20 de junho de 2011

cronicas do reino de jambom interregno

Teias de aranhas reinam no castelo do bardo. Somente o o silencio, nado mais. Onde estara o dono, perguntam as sombras, para vento responder com um assobio melancolico. O reino de Jambom esta em nevoas...

Enquanto na ficcao da vida civil, ha mais a ilusao de se ser Mayakosvy.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Farewell Sunday - um micro-conto

Salvador, 30/05/20111 (02h50)

A lua cheia lá fora é um convite a fazer algo extraordinário. Escrever um romance. Se inscrever em algum projeto de trabalho voluntário. Voltar a faculdade e fazer um curso novo. Fazer uma viagem cultural até uma lugar interessante, como as ruínas de Tihuanaco. Mas hoje é noite de domingo e amanhã, o cotidiano medíocre da cidade grande triturará estes sonhos na mesma alienação de sempre...

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Nada mais que a verdade

O que dizer agora? Tanta correria com a minha vida civil, o que resta são planos adormecidos de romances e poemas, enquanto a cotidiano da metrópole suga-me para o aniquilamento existencial. Pela manhã de hoje, terei mais um dia de trabalho como funcionário comissionado; Ontem, fui o namorado apaixonado. E na ordem do dia, há a preparação para o mestrado. Quanto terei tempo para minhas coisas?

terça-feira, 22 de março de 2011

Requiem para uma Jovem

Réquiem para uma Jovem

(M.C.R., in memoriam)

Salvador, 22 de março de 2011

Todo pássaro nasceu para ser fogo.

Todo fogo nasceu para ser canção.

Toda canção nasceu para ser estrela.

Toda estrela nasceu para paixão.

E toda paixão nasceu para ser pássaro.

Os sonhos jamais foram o limite

Quando se aspira à Ígnea Flor que vive além do horizonte.

Contudo (talvez) faltou uma mão amiga

(talvez a minha

E isso dói muito)

Que, do Destino, o laço sombrio desamarra-se.

Teu grito mudo quebrou-se no Abismo,

Anunciando a Jornada precoce….

Do seu pássaro, então, sobrou a lembrança da luz,

E do fogo, o eco amargo na parede.

Sua canção não resplandece no infinito,

Nem a estrela floresce no coração.

Paixão, suas asas de anjo agora passeiam no horizonte,

Como uma saudade de lágrimas duras.

Vá, meu anjo, percorra as searas dos deuses

E declame teus versos de fogo na amplidão.

Ocupe os palcos de nuvens que por ventura tua sombra passar,

Que daqui ouviremos tua estrela cantar, sempre.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Silencioso Ruido

Silencioso Ruído
Salvador, 09 de junho de 2010 (02h13 AM)
Eu queria dizer de flores e luares
E de como os sonhos roubam dos diamantes
A natureza fulgaz das auroras.
Eu queria dizer sobre bem-amadas e viagens
Que os crepúsculos não trazem em si.
Eu queria dizer de sonetos e sonatas e serenatas
Que os foguetes alegram a cidade de Macau,
Enquanto as guirlandas de estrelas
Patinam no veludo do Tempo.
Eu queria dizer de elfos e fadas e centauros e djins
Que brincam sob os fogos azuis de Beltane.
Mas há na cidade um cheiro acre de silencioso ruído,
Um gosto ácido de desilusão e cinismo,
Um eclipse seco de amargura,
Que rouba de minha voz
As palavras que tanto gostaria de dizer em minhas canções.
E assim, sendo mais um tijolo na parede,
Minhas noites seguem opacas,
Sem luares ou flores
Que eu possa ninar a bem-amada.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

VAGAS PARA RAPAZES DE FINO TRATO - Valenca

HÁ VAGAS PARA RAPAZES DE FINO TRATO NO CINE VITÓRIA


Após um ensaio aberto para convidados realizado no final de 2010, a nova montagem d'OPECADO entra em cartaz nos dias 25, 26 e 27 de fevereiro, sempre às 20h, no Cine Vitória, em Valença.

A trama se desenvolve num quarto de pensão na capital baiana. Nele, estão Paco e Tonho, dois jovens sem qualquer afinidade aparente, que se veem obrigados a dividir o mesmo espaço. Tonho é o moço sonhador que deixa para trás a sua Valença, onde até então vivia sem muitas perspectivas, para realizar seus sonhos na capital. Paco é o soteropolitano porra-louca, desencantado e perturbador. Num jogo de estranhamento vs. sedução, dominação vs. cumplicidade, esperança vs. desengano, os personagens se envolvem numa trama tensa que ora os polariza, ora os aproxima.

Livremente inspirado em Dois Perdidos Numa Noite Suja, de Plínio Marcos, Há Vagas para Rapazes de Fino Trato resgata e dá novos contornos psicológicos à dupla criada pelo dramaturgo maldito, vivida nesta montagem por Adriano Pereira (Teatro Nu) e Cadu Oliveira (Geração Coca-Cola), que também assina o texto. O espetáculo é dirigido por Juliano Britto (A serpente, Esperança, Os Saltimbancos, Os Mortos )

ONDE: CINE TEATRO VITÓRIA
QUANDO: 25, 26 E 27/O2
Ingressos: R$ 10,00 e R$ 5,00 (meia)

Publicado no Jornal Valença Agora - Nº303 - edição de 17 a 23/02
http://adriano-pereira.blogspot.com

Biblioteca do Bardo Celta (Leituras recomendadas)

  • Revista Iararana
  • Valenciando (antologia)
  • Valença: dos primódios a contemporaneidade (Edgard Oliveira)
  • A Sombra da Guerra (Augusto César Moutinho)
  • Coração na Boca (Rosângela Góes de Queiroz Figueiredo)
  • Pelo Amor... Pela Vida! (Mustafá Rosemberg de Souza)
  • Veredas do Amor (Ângelo Paraíso Martins)
  • Tinharé (Oscar Pinheiro)
  • Da Natureza e Limites do Poder Moderador (Conselheiro Zacarias de Gois e Vasconcelos)
  • Outras Moradas (Antologia)
  • Lunaris (Carlos Ribeiro)
  • Códigos do Silêncio (José Inácio V. de Melo)
  • Decifração de Abismos (José Inácio V. de Melo)
  • Microafetos (Wladimir Cazé)
  • Textorama (Patrick Brock)
  • Cantar de Mio Cid (Anônimo)
  • Fausto (Goëthe)
  • Sofrimentos do Jovem Werther (Goëthe)
  • Bhagavad Gita (Anônimo)
  • Mensagem (Fernando Pessoa)
  • Noite na Taverna/Macário (Álvares de Azevedo)
  • A Casa do Incesto (Anaïs Nin)
  • Delta de Vênus (Anaïs Nin)
  • Uma Espiã na Casa do Amor (Anaïs Nin)
  • Henry & June (Anaïs Nin)
  • Fire (Anaïs Nin)
  • Rubáiyát (Omar Khayyam)
  • 20.000 Léguas Submarinas (Jules Verne)
  • A Volta ao Mundo em 80 Dias (Jules Verne)
  • Manifesto Comunista (Marx & Engels)
  • Assim Falou Zaratustra (Nietzsche)
  • O Anticristo (Nietzsche)