Sua Majestade, O Bardo

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Valença, Bahia, Brazil
Escritor, autor do livro "Estrelas no Lago" (Salvador: Cia Valença Editorial, 2004) e coautor de "4 Ases e 1 Coringa" (Valença: Prisma, 2014). Graduado em Letras/Inglês pela UNEB Falando de mim em outra forma: "Aspetti, signorina, le diro con due parole chi son, Chi son, e che faccio, come vivo, vuole? Chi son? chi son? son un poeta. Che cosa faccio? scrivo. e come vivo? vivo."

quarta-feira, 31 de maio de 2006

Escolhas

Escolhas

Salvador, 12 de abril de 2006 (23h51).

Disseram-me que devo contemplar a vida
Como um verme contempla o infinito à beira do abismo.
Ser tomado pelo espanto, dar às costas e voltar
Pelo mesmo visgo que andaram outros vermes.
Mas se a vida é o infinito na sua beleza,
Por que devo seguir a mesma trilha de vermes?
Por que eu devo ainda ser um verme?
Se estou à beira do abismo,
E a vida é cheia de possibilidades,
Deveria eu saltar e assumir meu posto de falcão
Para conquistar as nuvens e as galáxias
(ou ser um tubarão e dominar os oceanos abissais)
Mesmo que eu não tenha a certeza
Do que esteja no fundo do abismo,
Mesma que a trilha dos vermes seja segura
Por ser previsível,
Nada há de melhor
Que reinar no infinito.
Mesmo que o Sol derreta a cera de minhas asas,
E como Ícaro, eu caia no meio das sombras,
È ainda melhor tentar o salto na direção do abismo.
A visão que os falcões têm do mundo
È superior e mais gratificante:
Nela eu descortino os mistérios e evito as armadilhas,
Vejo o futuro por ver mais amplo a realidade.
E o que vêem os vermes se não o logro?
Prefiro naufragar, tentando ser um falcão
E me perder na amarga existência inútil dos vermes…

segunda-feira, 22 de maio de 2006

Noite de premiação pela Academia de Letras do Recôncavo – ALER

DESTAQUES

NOITE DE PREMIAÇÃO PELA ACADEMIA DE LETRAS DO RECÔNCAVO

Data: 21/05/2006 Hora: 00:25

Fonte: Página Um News

Academia de Letras do Recôncavo – ALER realizou na noite de 20 de maio último, a premiação aos poetas e poetisas vencedores do II concurso de Poesia da ALER, 2005, em que homenageava o poeta taperoense Oscar Pinheiro. A solenidade aconteceu no auditório da Faculdade de Ciências Educacionais - FACE, (completamente lotado), gentilmente cedido pelo Professor, Empresário e Sócio Benemérito da Academia de Letras do Recôncavo, Senhor Dário Loureiro Guimarães.

Ao ser dado início ao trabalho da noite festiva, o Senhor Presidente da Academia de Letras do Recôncavo – ALER, Almir de Oliveira, convidou para ao seu lado compor a mesa diversas personalidades presentes como podemos citar: Dário Loureiro Guimarães, Edmundo Lima, Danilo Evangelista, Bertolino de Jesus (Presidente do Poder Legislativo de Valença), Pedro Ribeiro (Presidente do Poder Legislativo de Saubara).

Concedida a palavra ao Senhor Edmundo Lima, que representava a família Pinheira, por razões de saúde de um dos seus membros. Também o Senhor Manoel Borges dos Santos, usou do momento e declamou a poesia Gabriela, que entre risos e aplausos agradou aos presentes.

O Presidente da Academia de Letras do Recôncavo – ALER, falou aos presentes dizendo da importância do concurso de poesia e anunciou os membros da comissão julgadora: Danilo Evangelista dos Santos de Santo Amaro, sendo este o presidente da comissão, Hélio Valadão Júnior, de Santo Antonio de Jesus, Judite Santana Barros, de Saubara, Manoel Borges dos Santos, de Muritiba e Onésimo Gomes, de Cruz das Almas.

Em seguida o Senhor Almir de Oliveira, Presidente da ALER, iniciou a premiação e fez questão de deixar bem claro que os sete distinguidos com a Menções Honrosas, seriam convidados para receber as suas respectivas menções por ordem alfabética do autor. Ecos – Autora Aline Oliveira da Silva – Salvador, Balança Patrimonial da Juventude – Autor José Moreira de Freitas – Salinas da Margarida, Soneto da solidão – autor José Ricardo da Hora Vidal – Filho de Valença, residente em Salvador – Chuva – Autor Luciano Diniz – Salvador, Sereia – Autor Ricardo de Oliveira – Ibitiara, Renascer – Autora Silbene de Jesus Ferreira – Saubara, A Vida – Autora Terezinha Teixeira Santos – Guananbí.

Continuando foi dada a premiação aos vencedores, por classificação. A terceira colocação geral coube a autora do poema Luz da Vida, da Cidade de Valença, residente no Bairro da Baixa Alegre – Luíza Alves do Nascimento, também o segundo lugar ficou para outra poetisa de Valença, residente no Bairro da Urbis, caminho 23, Edilena Lima dos Santos, já o primeiríssimo colocado, vencedor do II concurso de Poesia organizado pela Academia de Letras do Recôncavo – ALER, foi o poema O Poeta e a Roça, autor Renato Rocha, de Saubara, centro.

Almir de Oliveira, Presidente da ALER, convidou o Senhor Onésimo Gomes, para fazer os agradecimentos ao Mestre Dário Loureiro Guimarães. O agradecimento foi realizado, e ao mesmo tempo o orador prestou uma homenagem ilustrada num telão, com auxilio do data-show desde o nascimento, passando pelas escolas, mencionando nomes de alguns professores, na vida profissional fez referência que Dário trabalhando numa multinacional, guindou uma função após outra, chegando a diretoria. Onésimo Gomes, concluindo disse: “Bendito sejam Artur e Noemi, Bendito seja Valença que lhe serviu de berço. Naquele instante passou as mãos do Benemérito da Academia de Letras do Recôncavo, Professor Dário Loureiro Guimarães, uma placa pelos bons serviços prestados a ALER” onde todos de pé aplaudiram demoradamente.

O homenageado que é o pioneiro do ensino superior em Valença, visivelmente emocionado agradeceu, fazendo uma citação bíblica, que sua genitora sempre pedia para que fosse lida, desde a sua infância.Logo em seguida foram sorteados alguns exemplares do livro “Revista da Academia de Letras do Recôncavo – ALER, o qual foi custeado pelo Benemérito Professor Dário Loureiro Guimarães. O Presidente da Instituição, teceu algumas considerações e deu por encerrada a noite festiva”.

A imprensa falada esteve representada pelos radialistas Dorgival Lemos, pela Rádio Clube de Valença e Carlos Alberto, pela Valença FM, já a escrita só estava presente Gedel Lobão, pelo Jornal Página Um News.

Parabéns Empresários e Professor Dário Loureiro Guimarães, não só pela memorável noite de 20 de maio, mais também pela Faculdade de Ciências Educacionais – FACE, ter sido aprovada pelo MEC, sem restrições e com louvor. Ontem menino da Vila Operária, hoje empresário. “Bendito seja Dário Loureiro Guimarães”.

Gedel Lobão Página Um News.

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Fonte: http://www.paginaumnews.com.br/aler_premio.php

quinta-feira, 4 de maio de 2006

Entrega de Prêmios - II Concurso de Poesia da ALER

Entrega de Prêmios - II Concurso de Poesia da ALER
Ocorrerá no próximo dia 20 de maio, às 20 horas, no auditório da Faculdade de Ciências Educacionais (rua Maria Consuelo 123, Graça), a solenidade de entrega de prêmios do II Concurso de Poesias “Oscar Pinheiro”, promovido pela Academia de Letras do Recôncavo (ALER). Dentro os agraciados, está o jovem escritor baiano Ricardo Vidal, cujo “Soneto da Solidão” ganhou uma menção especial e fará parte da antologia composta com os poemas vencedores.

Local: Auditório da FACE (Rua Maria Consuelo 123, bairro da Graça, Valença, Bahia)
Data: 20 de maio de 2006
Horário: 20 horas.

Ode Improvisada pra minh'amada

Ode Improvisada pra Minh'amada

Salvador, 03 de maio de 2006

Minha Fabíola é linda,
Como noite de luar
Que surge atrás da serra
Num carrossel de estrelas
Belas para nos encantar.
Tua boca fulgura sonhos
De valsa num sorriso prateado,
Que fazem o poeta delirar
Ao sonhar com teus beijos
Doces como a flor do maracujá.
Teus olhos ternos de esmeralda
São como a ressaca do mar:
Envolve-nos com tua beleza
E malícia para dentro dele
Queremos nos afogar
Dentre tuas carícias e encantos.
Por isso que tu és a minha rainha,
Por quem morro e vivo por ti.
És a fada da lua, a sereia verde
Que me inspira todos os poemas,
E cujo sorriso avassalador
Eleva-me para além das tristezas.
Amo-te, sereia linda, sereia bela,
Sereia vinda das estrelas cadentes
E que ilumina o Brasil
Com teus encantos.
Vem, minha fada e sereia,
Vem pra Bahia de todos os sonhos,
Para que o poeta possa te encher
De beijos e carícias e amor!
Para juntos, cruzarmos o horizonte
E sermos felizes na eternidade dos sonhos...

quarta-feira, 19 de abril de 2006

Lamentos do Velho Druida

Lamentos do Velho Druida

Salvador, 30 de janeiro de 2000

“Estrela do crepúsculo (…) O que procura teu olhar na charneca?”
Verso ossiânico citado por Goethe em Werther.


(O Choro do Druida)

Oh! Grande mal se abatera na terra!
Não mais se acende as fogueiras de Beltane;
Não mais se colhe o visco dos carvalhos!
É o fim de Avalon!!

As velhas pedras, a hera se faz dona!
Não mais meus irmãos se reúnem
E saúdam a Grande Deusa Mãe!
É o fim de Avalon!!

Oh, mãe Morgana! Oh!, grande Merlim!
Onde estão as vossas forças, o vosso poder?
A ilha se perderas nas brumas para sempre!
É o fim de Avalon!!


IIº

(Oisím)

O velho bando já não mais se reúne
Debaixo do antigo carvalho.
Não mais o Fianna Éireann
Se encontram nas charnecas.

Oisím, onde se encontra Fingal?
De Ryno? De Alpim?
Onde se encontram os nossos irmãos?
A nossa Alegria?

O que foi feito de nossa Vida?



IIIº

(Cromlech)

Venho ao sagrado círculo de pedra;
De ancestrais tradições.
Sobre este antigo, velho cromlech
Coberto de hera,
Trago minhas parcas oferendas
A grã Deusa.

Venho ao sagrado e antigo henge
Trazer meu presente.
“Não mais os bardos se reúnem
“No Samh’in.
“Não mais, não mais se ateia
“O sacro fogo.

“O povo se esquecera dos vossos favores,
“Ó grande Deusa!
“Não mais se lembram dos feitos
“De Fingal e Oísin.
“Esqueceram o estandarte do dragão
“E de Excalibur.”

Venho, sob a luz da velha lua,
À esquecida
Mesa das minhas ancestrais tradições
E queridas visões
E pedir a velha e ignota deusa
A minha ida à Avalon.

Martelo dos Ídolos (Nietzscheniana opus 10)

Martelo dos Ídolos

(Nietzscheniana opus 10)

Salvador, 15 de maio de 2001

Meus versos são como tambores de guerra no tempo e na Realidade,
Martelando todos os ídolos e crenças;
Todas as Verdades e Dogmas;
Todos os Deuses e Filosofias.

Meu canto é dinamite no Parnaso,
Destruindo todos os conceitos.
Implodindo sonetos metrificados.
Dilacerando carnes de criança e corações.
Descartando todas as iniqüidades na poesia.
Não haverá de restar mias nada!

. . Só uma túnica inconsútil
. . Que envolverá a Vida
. . E lhe dará uma nova
. . aurora…

terça-feira, 18 de abril de 2006

Um Soneto ao Dous de Julho

Um Soneto ao Dous de Julho

02 de julho de 1996

…………………………
Uma voz se elevou clara e divina
Eras tu - liberdade peregrina
Esposa do porvir - Noiva do Sol! (…)

Eras tu que, com os dedos ensopados
No sangue dos avós mortos na guerra,
Sagravas livre a nova geração.
Tu que erguias………………………
……………………………………………
Um trapo de bandeira - n’amplidão.
Ode ao Dois de Julho - Castro Alves


Salve, Ilustre Povo da Bahia
Em sua festejada data.
Nunca da batalha, de medo fugia,
Em seu peito a coragem nunca falta.

Desconhecida lhe é a Cobardia,
Sua sede de Liberdade nunca se mata.
No Pirajá, um novo porvir surgia,
A melodia da Independência era cantada.

Dois de Julho, sobre as ruas da liberta cidade
Uma nova geração de bravos agora trilha,
Co’o archote de quem não teme a sorte.

Dois de Julho, fulge o sol forte;
Sobre os patriotas mortos brilha
O novo porvir, o porvir da Liberdade.

sexta-feira, 7 de abril de 2006

Balada Militar para Maiakóvisky

Balada Militar para Maiakósvy

00h42 Salvador, 23 de maio de 2003

Valente soldado,
Levante e vá!
O Brasil espera que cada um
Cumpra o seu dever.
Pegue sua pá e construa cidades,
Redes de computador
E semeei cultura
Pelo país afora.

Com teus braços
Edifique firme
Saber e Nação.
Pegue um livro e leia.
Discuta o que não entender.
Escreva se discordar.
Promova assaltos
Ao sábio cristalizado
E derrube (pré)conceitos.
O Brasil te espera.
Que cada um cumpra com o seu dever.

Se ti pedirem
que pegue em armas
que destrua barragens,
que mate o inimigo,
que aniquile inocente;
Esqueça! Desobedeça!
Ignoro este absurdo!
Finja-se de surdo!
Tu és um ser humano,
Não uma máquina.
Soldado – lembre-te:
O Brasil espera
Que cada um
Cumpra o seu dever:
O de fazer da pátria-mãe,
Um paraíso terreno…

quarta-feira, 5 de abril de 2006

Canção de Valença

Canção de Valença

7 de novembro de 1994

‘Minha terra tem palmeiras
Onde canta o sabiá.
As aves que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá’
Canção do Exílio — Gonçalvez Dias.

Valença tem camarão e dendezeiros
E a exuberante Serra do Abiá.
O rio Una, Candengo, Guaibim
- Só em Valença posso encontrar.

Valença, a decidida,
Das cidades é a mais garrida.
Terra deveras, assaz bela,
Única e divina aquarela.
Sírius na miríades de estrelas.

De suas plagas receberam
As reses primevas que formaram
Nosso nacional rebanho.
Nos tempos de antanho,
Fora tu, Valença decidida,
A Terra mãe de nossos
Imperiais estadistas.

Rogo-te Madona do Amparo!
Não me deixe dormir a campa,
Sem que reveja tua sacra colina,
O Guaibim e seu mar,
As morenas e a Serra do Abiá.

Walpurgisnachstraun

Salvador, 31 de outubro de 2002

“Figures dance around and aroundto
drums that pulse out echoes
of darknessmoving to the pagan sound
(…)
I can see a light in the distance
Trebling in the dark cloak of night.
Candles and lanterns are dancing, dancing
A waltz on All Soul’s Night”

All Soul’s Night – Loreena McKennet

Aqui afloram brumas, ali há exalações,
Surgem chamas do fumo, ardentes fluorescências.
Corta o ar um filete de luz em evoluções, (…)”
Fausto, 1ª parte – Goethe

Eu vejo luzes dançando nos pauis,
Fogos bailando céleres na escuridão.
As bruxas passeiam pelo mágico luar
Na Noite de Todas as Almas.

As corujas, os morcegos, gatos e leprechauns
Dançam em espiral em volta do caldeirão.
Os lêmures saem de seus túmulos negros
Na Noite de Todas as Almas.

Virgens desmaiam em transe em volta da fogueira,
Ogros surgem em meio aos vapores espectrais.
Duendes e bruxas e fadas celebram o Sabat
Na Noite de Todas as Almas.

Druidas colhem o agárico mágico em pleno Samh’in,
Cisnes encantados se metamorfoseiam em donzelas
Para amar e amar os jovens poetas enamorados
Na Noite de Todas as Almas.

Fogueiras de espíritos crepitam na clareia alva
E a lua cheia se embriaga com vinhos e tambores.
Sortilégios e demônios são evocados nas brumas
Durante a Noite de Todas as Almas.

Sombras e fantasmas surgem nas paredes
Do velho Henge; as chamas azuis, os incensos
Formam pilares da sagrada sabedoria de outrora
Na Noite de Todas as Almas.

Minh’alma vagueia livre, livre pela floresta,
Em conjunto com unicórnios, fadas e centauros.
Entrego-me a orgia inebriante dos sentidos
Na Noite de Todas as Almas.

Cinjo minha fronte co’os louros dos antigos bardos,
Sigo indolente entre os braços e os seios das bruxas,
Sinto fluir em meu corpo o doce feitiço pagão
Da Noite de Todas as Almas.

Sigo sozinho dentre as frias brumas na florestas,
Cantando meus versos bucólicos e lascivos,
Evocando deuses esquecidos, antigas magias
Durante a Noite de Todas as Almas.

Bruxas e Feiticeiros continuam dançando
Até que o sol surja no alto horizonte. Cansados,
Todos nós ficamos esperando a próxima
Noite de Todas as Almas.

Princesa Hebréia

Princesa Hebréia

"Como és bela, graciosa,
amada, cheia de encantos!
Teu porte se parece com o da palmeira,
de que teus seios são os cachos."
Cântico dos Cânticos 6,4;7,7-8 – Salomão

Princesa, filha de Sion, que lânguida descansa
Ao pé da velha fonte de Siloé.
Teus olhos nacarados encantam
O peregrino que veio além de Gaza
Para descansar a sombra de teus pés.

Princesa formosa, filha de Salomão, sou
O triste peregrino que veio do Poente,
O filho dos reis exilados de Tartessos,
Sou o teu escravo apaixonado,
Apaixonado pela filha morena do Oriente.

Ah, cândida filha de Israel! Por ti
Derrubaria dez mil muralhas de Jericó
Com minhas mãos nuas. Lutaria contra
Um exército de Golias, para o teu amor
Conquistar, filha de Abraão, Isaac e Jacó.

Por ti, serei poeta e guerreiro, tecelão
E imperador para ti agradar, princesa
De Jerusalém. Enamorei-me pelo sorriso
Teu, pelo teus cabelos negros e lisos,
Pela tua doçura recheada de Graça e Beleza.

Teu colo é refúgio do sol inclemente,
Teus lábios frescos tem o doce rubor
Do vinho distante. Beijá-los é sentir
A melodia etérea das harpas do David,
é sentir da brisa do crepúsculo o frescor.

As filhas de Moab e Edon são belas
E lascivas. É mui rica, suave e poderosa
A filha do faraó do Alto e Baixo Nilo.
Porém, Javé te fez ainda mais linda e rica.
Fez-te encantadora e inda mais virtuosa.

Princesa, filha de Salomão, que em Siloé
Refresca-as e repousa do sol de verão.
Como peregrino do teu amor venho
Para entregar meu coração a mais bela
Das mais belas princesas, filha do Rei de Sião.

Promontório da Aurora

Promontório da Aurora

(para Professor Jorge Aguiar)

Salvador, 27 de junho de 2002

Quem dantes ousou dobrar
O negro Promontório da Aurora,
O sombrio colosso que adentra as ondas
Como um tritão impávido, vencedor,
Que volta para triunfar novamente?
Ah! Negro promontório da aurora,
Última galáxia entre Deus e o desconhecido,
Tua sombra nos banha, com a doce promessa
De um futuro grandioso, sublime…
Tua pele de granito e ferocidade beija
O calor das furiosas vagas, o deus–tormenta,
Qu’inda guarda do velho Adamastor
O orgulho sagrado e os tesouros
Para aquele que ousar vencê-lo.
Tua espada – cometa que arrancaste do firmamento –
É a tua cólera soberba, teu desafio impertinente
Que ganha o infinito e vai atiçando
Nos homens a chama divina,
A centelha única, flamejante,
O qual impele a humanidade
A galgar os abismos e – a juntar-se a Deus…
Quem dantes ousou ultrapassar
O velho promontório, a muralha de tormentas
Que o Destino colocou na imensidade?
Não se iludam os que crêem ser fácil a empresa.
O sombrio penedo de quimeras
Sabe guardar suas lendas.
Tem que ter n’alma a fibra de um Vasco da Gama
Ou a perseverança de um Colombo ou Elcano.
Vários os que ficaram amaldiçoados
A ter suas naves, com as velas pandas,
A cruzar eternamente o promontório por subestimá-lo!
Vários foram os capitães que encontraram
Nos escolhos pontiagudos
Como presas do demônio o último
Porto de suas naves naufragadas
Por não serem dignos de enfrentá-lo!
Quantos marinheiros dormem no ventre de tuas ondas
– Colosso imaculado da Aurora, Cabo último da terra –
Por serem pigmeus ante a tua grandeza?
E quantos mais ousarão a ti desafiar
Para ser o dono de teu poder,
Para ser o senhor de tua glória e de teu ouro,
Que guardas em tuas entranhas?
Quantos, sublimes rochedo da aurora? Quantos?
Feliz daquele que te vencer, Colosso do fim do mundo!

quarta-feira, 22 de março de 2006

Ricardo Vidal na Revista Iararana # 08

Iararana - revista de arte, crítica e literatura, № 08.

Capa, página com dos vencedores do Prêmio Iararana de Poesia 2001/2002 e a página com os meus poemas premiados. Fiquei em 03º lugar. Esta edição da revista foi lançada também em Paris (França) e Budapeste (Hungria). Digamos que eu comecei minha carreira literária com o pé direito....

El Desdichado - español

El Desdichado

Salvador, 24 de octubre de 2002

“Je suis le tènèbreux - le veuf - l’inconsolè
Le prince d’Aquitaine à la tour abolie;
Ma seule étoile est morte - et mon luth constellè
Porte la soleil noir de la Melancolie”
El Desdichado – Gerald de Nerval

Soy el conde exilado de Galiza,
El rey sin reino y sin caballo.
Soy aquel que fue olvidado
Por la vida y por la muerte,
Soy la sombra gris del desdichado.

Besado fue por el negro soño muerto
Y por la vieja y mala quimera.
Mía carretera és sin vuleta, sin suerte,
Tuve perdida todas mías esperanzas,
Míos castillos, míos libros, mía honra.

No tengo más amores, los besos dorados
Que tenía en mía dulce juventud.
Hoy, tengo solamente la Soledad
Y la Hambre; la noche de lluvia como verdugo,
La desdicha de todavía estar vivo.

Lira Gallega - español

Lira Gallega
Hórreos
(Fonte: www.vigoenfotos.com - J. Albertos)

Salvador, 29 de mayo de 2003
(Salvador, 31 de marzo de 2004)

. Olas que vienen de Vigo,
Y que camina por l’alba agitada:
¿Donde anda mía amada?

. Olas que vienen de Vigo,
Y trillan cielos, leyendas y corazón:
¡Es mucho triste la inmigración!

. Olas que vienen de Vigo,
Corriendo lista en la azul inmensidad
¡Es mucha dolorosa la Soledad!

. Olas que vienen de Vigo,
Y traen mía canción en el viento,
Traen también el dolor, corriendo…

. Olas que vienen de Vigo,
Trayendo en l’alma la primavera,
E yo vivo llorando mías quimeras.

. Olas que vienen de Vigo,
Lejo yo dormiré en la campaña,
¡Nunca te olvidé, mía madre España!

Canto para Avalon - español

Canto para Avalon

11h49 Salvador, 22 de enero de 2000
(Salvador, 09 de abril de 2003)

Una isla olvidada en las nieblas,
Un paraíso perdido en el lago.
¡Allá me gustará de habitar!

Una isla misteriosa y hechizada,
Una isla gobernada por hadas,
¡Allá me gustará de quedar!

Una isla oculta de sueño y seguridad,
Inmortal reposo del sangre ancestral.
¡Allá me gustariá de vivir!

Isla oculta de eterna musica,
Tierra de los celtas y de las magía - ¡Avalon!
¡Allá donde iré morir!

La Colera de Aquiles - español

La Colera de Aquilles

Salvador, 18 de marzo de 2000
(02h01 Salvador, 09 de abril de 2003)

Nueve años estaba Troia sitiada,
Desde que el pomo de la Discordia lanzado
Fuera, haciendo intriga en el monte Olimpo
Y sembrando sangre en los campos griegos.

Si fue la vanidad de trés diosas
Y la hermosura de la hija de Jove qu causó
La madre de todas las batallas; hubo aun
Otra mujer que creó nueva disputa entre los griegos:

Tenendo el general-jefe Agamenon tomado
Del caudillo Aquiles la sierva Briseida, a quién
Habia cabido en el reparto de la pillaje,
Recusó Aquiles de lo seguir en el bloqueo.

Nascía la colera del valeroso guerrero,
Nascía la gloria y la fama del viejo Homero.

A Jangada Partiu

A jangada partiu

Praia do Guaibim, 24 de outubro de 1994 (21h09)

Evocação
Oh! Reino de Tétis e Netuno!
Quantas vezes serviste
De último e líqüido leito?

A jangada partiu!
Valentes nautas do Ceará
Singram o negro-verde mar
Enquanto a Luã beija
As cálidas ondas na praia.

A jangada partiu!
Mais uma vez foram
Colher os frutos das ondas,
Debaixo das imperiosas vagas
Em uma constante faina.

A jangada partiu!
O azul cristalino voga inclemente
nas areias da praia. As ardentias
Iluminam a doce senda, para
A célere jangada passar...

A jangada partiu!
Deixando Marias esperando,
Famílias a rezar aos santos e Iemanjá
Para que o pescador
Possa, vivo com Deus, voltar.

A jangada partiu!
"Amanhã, com certeza, vão chegar"
Desta vez, não voltaram.
Sem pescado, os valentes nautas
Ficaram para sempre no mar.

A Jangada partiu!
Mas ninguém voltou.
Sem o pescado de sustento,
Sem José, sem pai, sem marido,
Só a jangada cearense
Sozinha, do verde mar, regressou.

Exilium

Exilium
Fachada da Câmara Muncipal de Valença
Fotografia e Arte no Computador - Ricardo Vidal


Salvador, 15 de outubro de 1998

Tu choras, eu sei. A saudade não é
Fruto que se degusta sorridente
Quando, ao peito — e no peito mormente —
Encrava acampamento, bandeira e pé.

Sei que tua cidade, minha pátria
Tem ditosos campos, flores e cachoeiras;
Tem formosos amores, festas, brincadeiras;
- Cousas que aqui nos são contrárias.

Aqui a noite é sem lua, sem serenata,
Não encontramos bailes ao luar.
O Sol, cansado, é um mero carro a puxar
A claridade. Felicidade, aqui? Nada!!

A noite ainda procuro pelo luar
Um só sorriso, uma só risada
Que nos lembre aquelas serenatas.
Porém nada, só um triste soluçar.

Aqui há não um só dia, manhã
Que acordo sentido falta dos sabiás;
O Sol, duro, é antes ferro a gritar,
Diferente daquelas auroras de maçãs.

………………………………………………………………

E assim vivo, puxado pela saudade
De ti, Valença, doce e querida cidade.

Balada do Belo Amor

Balada do Belo Amor

Valença, 31 de maio de 1996 (00h35)

Brilhante centelha,
Cálida estrela,
Fogo eterno, luz.
Noite de febre.
Canto de cisne.

Beijo molhado,
Corpo suado,
Rubra dor, lágrima.
Vôo de pássaro.
Magia de crepúsculo.

Vento de tormenta,
Cheiro de menta,
Toque maroto, língua.
Flor de campina.
Banho de orvalho.

Festa celestial,
Brisa musical,
Brilho azulado, clarão.
Aurora encantada.
Poema romântico.

Verso ardente,
Soneto quente,
Ondas da praia, marulho.
Musica angelical.
Melodia de querubim.

Dourada nuvem,
Macia penugem,
Gosto de Outono, doce.
Luar de Primavera.
Sonho de Verão.
Sol de Inverno.

……………………………………………

Que é e será,
Move e moverá
Este mistério da Vida? Sonhos?
Nada mais que sempre
É tudo o AMOR.

Biblioteca do Bardo Celta (Leituras recomendadas)

  • Revista Iararana
  • Valenciando (antologia)
  • Valença: dos primódios a contemporaneidade (Edgard Oliveira)
  • A Sombra da Guerra (Augusto César Moutinho)
  • Coração na Boca (Rosângela Góes de Queiroz Figueiredo)
  • Pelo Amor... Pela Vida! (Mustafá Rosemberg de Souza)
  • Veredas do Amor (Ângelo Paraíso Martins)
  • Tinharé (Oscar Pinheiro)
  • Da Natureza e Limites do Poder Moderador (Conselheiro Zacarias de Gois e Vasconcelos)
  • Outras Moradas (Antologia)
  • Lunaris (Carlos Ribeiro)
  • Códigos do Silêncio (José Inácio V. de Melo)
  • Decifração de Abismos (José Inácio V. de Melo)
  • Microafetos (Wladimir Cazé)
  • Textorama (Patrick Brock)
  • Cantar de Mio Cid (Anônimo)
  • Fausto (Goëthe)
  • Sofrimentos do Jovem Werther (Goëthe)
  • Bhagavad Gita (Anônimo)
  • Mensagem (Fernando Pessoa)
  • Noite na Taverna/Macário (Álvares de Azevedo)
  • A Casa do Incesto (Anaïs Nin)
  • Delta de Vênus (Anaïs Nin)
  • Uma Espiã na Casa do Amor (Anaïs Nin)
  • Henry & June (Anaïs Nin)
  • Fire (Anaïs Nin)
  • Rubáiyát (Omar Khayyam)
  • 20.000 Léguas Submarinas (Jules Verne)
  • A Volta ao Mundo em 80 Dias (Jules Verne)
  • Manifesto Comunista (Marx & Engels)
  • Assim Falou Zaratustra (Nietzsche)
  • O Anticristo (Nietzsche)