Sua Majestade, O Bardo
- José Ricardo da Hora Vidal
- Valença, Bahia, Brazil
- Escritor, autor do livro "Estrelas no Lago" (Salvador: Cia Valença Editorial, 2004) e coautor de "4 Ases e 1 Coringa" (Valença: Prisma, 2014). Graduado em Letras/Inglês pela UNEB Falando de mim em outra forma: "Aspetti, signorina, le diro con due parole chi son, Chi son, e che faccio, come vivo, vuole? Chi son? chi son? son un poeta. Che cosa faccio? scrivo. e come vivo? vivo."
quarta-feira, 31 de outubro de 2007
Halloween - Dia das Bruxas
Boa Notícia
Acabo de retornar de Valença, onde passei um bom final de semana. E agora, ao receber a notícia, por E-mail, de que a Câmara Brasileira de Jovens Escritores (CBJE) escolheu meu poema "O Beijo" como um dos melhores de 2007, passando a integrar o Panorma Literário Brasileiro 2007/2008. Nem sei se irei dormor, depois dessa. É o segundo poema meu que foi escolhido para participar desta antologia. O primeiro foi o poema "Cântico dos Lírios", que depois de ser premiado pela Revista Iararana, também foi publicado no "Panorama Literário Brasileiro 2004/2005". Segue a lista com os vencedores
Lançamento: Dezembro de 2007
Prazo de reservas até 15 de novembro de 2007
Saiba como fazer suas reservas em http://www.camarabrasileira.com/p2a.htm
ALGUNS AUTORES SELECIONADOS (A lista no total tem 150 pessoas)
Bruna Longobucco (10/04/1978) - Belo Horizonte/MG. Graduada em Comunicação Social; bacharelanda em Direito. Poema: "Para compor um novo enredo" (recomendo entrar no site dela: www.brunalongobucco.com
Débora Villela Petrin (10/01/1966) - São Paulo/SP. Publicitária. Poema: "Coração"
Fábio Selva Stelzer (31/10/1979) - Castelo/ES. Zootecnista. Poema: "A Primavera de Praga"
Ivandilson Amado Santos (14/12/1958) - Alagoinhas/BA. Aposentado. Poema: "Felicidade"
José Ricardo da Hora Vidal (20/04/1978) - Salvador/BA. Estudante e Escritor. Poema: "O Beijo" - EU
sexta-feira, 12 de outubro de 2007
Article on Drug Addiction
Article on Drug Addiction
The drug addiction problem must not be viewed in a simplistic manner or as a mere contemporary social problem. On the contrary, it encompasses a complex cut which the impact on public health, economic relationships and the drug diversity itself should be taken into account within a wider social context.
The use of drugs has been present in human culture since its origins. How and when it has been used depends on the context. For instance, at a religious ceremony, mescaline in pre-Hispanic tribes in Mexico; as a stimulus to artist. creation, absinth, hashish etc; or as a medicine, like morphine. The social acceptability for drugs has varied according to the time, quantity and situation: it may range for complete disapproval – as it has been linked to underground, the case of marijuana in Brazil in the 30’s – to appreciation, if not, as na evidence of social status – the case of tobacco and wine. The implies that some drugs may be legalized or not. This is a dynamic factor. It may occur that in a same society a narcotic shifts from a legalized drug to an illegalized one, that is, from social tolerance to social intolerance or vice versa. To illustrate this, let us take the prohibition of alcohol beverages in the USA in 1920 by means of the Dry Law and its later revocation in 1923.
The use of drugs, due to these particularities, make them acquire a glamour and increase the interest in using drugs, and helps to hide its pernicious side. In the case of legalized drugs, their use is usually associated with the idea of social climbing, thus leading to an exaggerated drug use – as was the case of tobacco in the mid 60’s, when advertising connected ostensibly the idea of smoking to success, power, fame, seduction and social climbing. In the other case, the illegality itself is the cause of fascination and attraction to drugs. Thus, its consumption would be associated with a form of social reaction and protest, as it happened to the so-called “lost generation” of North American literature. This was an emblematic since the mere prohibition of alcohol led to the questioning of the limits of the socially acceptable by the writers of that generation and taking the excesses to the ultimate consequences.
If drugs have a “socially” explicable and comprehensible side, and depending on the amount taken, with innocuous or minimal social effects, this does not mean narcotics do not get their dark side, especially under high consumption. The addiction to drugs brings several problems, most of them heavily related to public health. Currently the addiction to drugs is reputed as pathology, and the user is someone who needs careful treatment. The main public health problems related to drugs are: the drug addicted physical and psychological decay, in several times leading to death, the deterioration within the core of the family and, as a consequence, a huge social damage, which can be directly viewed through the increasing of medical care and rehab and, indirectly, by means of the increasing of the violence, criminality, social instability, and higher public expenses.
If drugs cause (one could question?) such problems, why are not drugs totally banished? One could affirm which the answer is on its economic profitability. The drugs –lawful or unlawful– represent one of the greatest markets worldwide, mainly in the last 200 years – as The Opium War, where the British Raj used its military power to support the traffic of opium in the Chinese Empire. In the case of the lawful drugs, the taxes earned by the government could compensate public health expenses – even though public service campaigns about the addiction to drugs dangers and a probable indirect consumption control, such as specific laws or propaganda banishment. About the unlawful drugs, they are “free” from this indirect control, and become a field for criminal action, increasing public security problems. In some cases, the narcotic traffic, besides to give support to criminal activities, such as burglaries, raises what one could name “a parallel power”. A remarkable example is Colombia and its “cocaine cartels”, with a huge social acceptance and being more powerful than some local authorities, influencing politicians, judges, policemen to work on behalf of them. Thus, with a corrupt social structure, fighting the crime become ineffective.
All in all, the question of the drugs is more complex than it seems to be, going for beyond a mere health or police case. The lawful and unlawful narcotic trade profits attract men’s covetousness, regardless their social costs. There are also complex variables related to drugs consumption and society, such as acceptance, boundaries, social and cultural meanings. But, drugs? It is better avoiding.
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(Artigo apresentado para disciplina Inglês Avançado 02 e tido como o melhor escrito na citada disciplina. Tradução logo abaixo)
Artigo sobre vício de drogas
O problema dos vícios de drogas não deve ser visto de forma simplista, como um mero problema social da contemporaneidade. Pelo contrário uma complexa relação cultural em que devem ser levadas em conta os impactos na rede de saúde púbica, as relações econômicas e a própria diversidade das drogas dentro de um contexto social mais amplo.
O uso de drogas está presente na cultura humana desde suas origens. Diversos são usos das drogas e em contextos: como ato religioso (Por exemplo, a mescalina nos tribos pré-hispânica no México), como meios de sociabilidade (como o tabaco na Belle Époque), como ato de contestação (como o LSD nos anos 60) como apoio na criação artista (como o uso do absinto, haxixe e etc.) ou como medicamento (como no caso da morfina). Sua aceitação social varia com o tempo, quantidade e situação: pode variar da completa desaprovação – sendo associado muitas vezes à marginalidade, como no caso da maconha, no Brasil dos anos 30 – até apreciação, quando não, de exemplo de status social – como no caso no vinho e no fumo. Isso implica que algumas substâncias podem ser legalizadas ou não. Esse fator é dinâmico, podem numa mesma sociedade que um narcótico pode passar da legalidade para ilegalidade (ou seja, da tolerância social para intolerância social) ou vice-versa. Exemplo marcante disso foi o álcool nos EUA século XX, que resultou na (desastrosa) Lei Seca de 1920 e sua posterior revogação em 1923.
O uso das drogas, por contas destas particularidades, fazendo com que ganhem uma aura de glamour e aumentando mais o interesse para o uso das drogas, ajuda a mascarar o seu lado pernicioso. No caso das drogas legais, o uso costuma está associado à idéia de ascensão social, levando assim ao uso exagerado das drogas – como no caso do tabaco no meado dos anos 60, em que as propagandas associavam ostensivamente a idéia do fumo como o sucesso, poder, fama, sedução e ascensão social. Em outro caso, própria ilegalidade é causa de fascínio e atração da droga. Assim, seu consumo estaria associado a uma forma de reação e protesto sociais, como aconteceu com a chamada “geração perdida” da literatura norte-americana. Este fato foi emblemático porque a mera proibição do álcool levou o questionamento do limite do socialmente aceitável por parte dos escritores desta geração e levando os excessos até as últimas conseqüências.
Se a droga possui um lado que “socialmente” explicado e compreensível (?) e, dependendo da quantidade, com efeitos inócuos ou mínimos para a sociedade, isso não significa que os narcóticos (especialmente o consumo exagerado) tenham um lado sombrio. O vício provocado por ela cria vários problemas, dos quais os relacionados à saúde pública seja o mais flagrante. Modernamente o vício é considerado como uma patologia (toxicomania) e que o usuário é alguém que precise de tratamento. Dentre os principais problemas das drogas, em relação à saúde estão: a degradação psicofísica da pessoa do toxicômano, muitas vezes levando ao óbito do mesmo, a deterioração e desajustes familiares que os vícios provocam e, conseqüente, o alto custo social acarretado, representado diretamente pelas internações e tratamentos de reabilitação e, indiretamente, pelo aumento da violência, da criminalidade e da instabilidade do meio social e onerando ainda mais os gastos públicos.
Se as drogas (alguém poderia questionar), causam tais problemas, por que não são totalmente banidas? A resposta a esta pergunta está na rentabilidade econômica. As drogas (lícitas e ilícitas) são um dos maiores mercados existem no mundo, principalmente nos últimos 200 anos – como provoca a Guerra do Ópio, em que a Grã-Bretanha usou de sua força político-militar para garantir a tráfico do ópio no Império Chinês. No caso das drogas lícitas, os impostos auferidos pelo governo poderiam compensariam os gastos em saúde pública – não obstante as campanhas de esclarecimento sobre os efeitos perniciosos do vício e o eventual controle indireto do consumo, como as leis limitando ou banindo a propaganda. Já as drogas ilegais, “livres” deste controle indireto, acabam se tornando campo da atuação de grupos criminosos, provocando também problemas na esfera da segurança pública. Em alguns casos, o tráfico de narcóticos, além de financiar outras atividades criminosas como assaltos, faz com que surjam verdadeiros poderes paralelos. Exemplo disso é a Colômbia, em que os “cartéis de cocaína” muitas vezes tinham mais “legitimidade social” e poder de fato do que o próprio governo local, quando não estavam infiltrados na máquina estatal, com policiais, juízes e políticos corrompidos agindo em beneficio destes cartéis. Deste modo, com a estrutura social “viciada e corrompida”, o combate ao crime torna-se ineficaz.
Diante do exposto, a questão das drogas mostra-se mais complexa do que possa parecer, indo além de um simples caso de polícia ou de saúde. Os lucros auferidos pelo comércio (legal e ilegal) de narcóticos são grandes o suficiente para atiçar a cobiça humana, independente dos custos sociais que os mesmos acarretam. Também a relação sociedade e drogas envolvem complexas variáveis como aceitação, limites e significados sócio-culturais que o consumo de drogas possuem. Em todo caso; drogas, é melhor evitar.
quarta-feira, 26 de setembro de 2007
Luiz Gama: A Poesia Negra da Abolição
Luiz Gama: A Poesia Negra da Abolição
Luiz Gama ganhou fama como um dos mais intransigentes líderes dos movimentos abolicionista e republicano. Advogado das causas de liberdade e jornalista de língua ferina foi autor de versos que tanto denunciavam as mazelas sociais como cantou a beleza da musa negra.
De escravo a jornalista
Luiz Gonzaga Pinto da Gama nasceu em Salvador em 21 de junho de 1830. Mulato, filho de Luíza Mahin (principal liderança da Revolta dos Malês, em 1835) e de um fidalgo de origem portuguesa que participou da Sabinada em 1837. Mesmo tendo nascido livre, foi vendido aos dez anos e idade pelo próprio pai (para cobrir dívidas e jogos). Foi a última vez que viu sua família na Bahia.
Durante o período em que foi escravo, aprendeu a ler e a escrever. Em 1848, após fugir de seu senhor, conseguiu as provas d sua liberdade. Alistou-se na Guarda Nacional, chegando a ordenança de Conselheiro Furtado de Mendonça, então chefe de Polícia e professor da Faculdade de Direito de São Paulo. Conforme confessou mais tarde, do conselheiro guardou a gratidão pelas boas lições de letras e de civismo que recebera. Abandonando a carreira militar, entrou para o serviço público como amanuense (escrevente) da Secretaria de Polícia de São Paulo em 1856. Nesta época, tornou-se amigo do poeta e professor José Bonifácio, O Moço. Também se tornou autodidata em Direito e Humanidades.
Em 1859, publicou a primeira edição do seu livro "Primeiras Trovas Burlescas de Getulino". Posteriormente, dedicou-se exclusivamente à imprensa, donde pode fazer uma carreira brilhante e polêmica na defesa dos ideais republicanos, abolicionistas e liberais. Colaborou nos jornais O Cabrião, Radical Paulistano, Correio Paulistano, A República (órgão do Partido Republicano Paulista), O Polichinello (do qual foi proprietário) e A Província de São Paulo (atual Estado de São Paulo). Na primeira edição d’O Polichinello, expôs em versos a linha editorial que seria adotado pelo jornal. Daí em diante, o ex-escravo autodidata entrou em definitivo para a seleta República das Letras que regia o Brasil, até então dominada pela elite branca que tinha acesso à dita cultura erudita.
Após ser demitido de seu cargo na Secretaria de Polícia, passou a trabalhar como advogado provisionado, especializando em defender na justiça a libertação dos escravos. Em muitos casos, sequer cobrava seus honorários.
Membro fundador do Partido Republicano, líder incontesti da esquerda liberal radical (chegando a ser acusado de agitador a serviço da Iª Internacional Socialista - liderada por Karl Marx e Friedrich Engels), Luiz Gama faleceu em 24 de agosto de 1882. Morreu muito pobre, contudo, sendo um cidadão respeitado legando um nome honrado ao seu filho Caio Graco Pinto da Gama. Segundo os jornais da época, seu funeral foi o maior jamais visto na capital bandeirante. Nele se acotovelaram negros e brancos; abolicionistas ilustres e grandes senhores de escravos; conservadores, liberais, radicais e republicanos.
Orfeu de Carapinha
Sua produção literária limita-se a um único livro publicado, "Primeiras Trovas Burlescas de Getulino", além de poemas esparsos e artigos publicados nos jornais.
A primeira edição foi feita em São Paulo e constava ainda com dez pomas de José Bonifácio, o Moço - seu amigo e ilustre professor da Faculdade de Direito de São Paulo. Em 1861, foi publicada no Rio de Janeiro a segunda edição, correcta e augmentada (sic). O livro foi aclamado pela crítica literária da época.
A ousadia permeia os poemas de seu livro, a começar pela própria situação de negro-autor, numa época que timidamente o negro entrava como personagem secundário na literatura brasileira. Precursor da Negritude Literária, sua produção antecede e contrasta aos versos embranquecidos de Cruz e Souza, o nosso Cisne Negro do Simbolismo mundial, e a prosa engajada e suburbana do mulato Lima Barreto. Também faz o contraponto com os poemas de Castro Alves. Enquanto este cantava a abolição como condor apaixonado e apiedado pela situação do escravo; Luiz Gama açoitava com o riso e inteligência o preconceito racial e a escravidão.
Seu livro se caracteriza principalmente pelas sátiras, que se tornaram raras na nossa grande literatura, durante o século XIX. Em seus versos, retratava a política os costumes brasileiros da época com um humor ferino e inteligente. Na pele de Getulino, cuja lira é legítima descendente do Boca de Inferno Gregório de Matos, vai rindo a pretensa fidalguia branca das nossas elites, do preconceito racial, das mulheres escravas da moda, da Guarda Nacional (do qual já foi soldado), da política conservadora e monarquista do país – não poupando até a figura veneranda do Imperador D. Pedro II.
Ao mesmo tempo, demonstrava o orgulho de ser negro. Em seus versos, deixava claro ser um Orfeu de Carapinha. Também foi o primeiro a cantar nestas plagas a beleza da Musa de Guiné, da cor do azeviche, em pleno contraste à musa branca européia que dominava (e ainda domina) as nossas Letras. Isso pode ser atestado nos poemas “A Cativa” e “Meus Amores”. Essa consciência étnica avant a lettre encontra eco na própria trajetória de sua vida, filho de uma negra malê revolucionária, e único intelectual negro a autodidata brasileiro a sofrer as agruras da escravidão.
Outra ousadia de Luiz Gama está na linguagem adotada. Zombando do leitor quando se diz um poeta menor, ele alia um sólido conhecimento do vernáculo lusitano e das técnicas poéticas (fruto de suas constantes leituras) com as palavras e a alegria de origens africanas - como pode ser visto no poema “Lá Vai Verso”. Antecipa deste modo à Antropofagia Oswaldiana, ao colocar no plano literário o falar cotidiano do Brasil, que até só se encontrava, escondido, em alguns poemas satíricos e eróticos de Gregório de Matos, mas era totalmente desprezado pelos grandes literatos da época.
De seus poemas, o mais lembrado é “Quem sou eu”, mais conhecido como “A Bodarrada”. Obra-prima da sátira nacional, o poema desnuda com maestria a hipocrisia da sociedade, a listar quantos “bodes” (apelido depreciativo dados naquela época aos negros e mulatos) escondidos em trajes alvos de ovelha existiam (e existe) nas elites brasileiras.
Dentro da linha satírica, também merece nota os poemas “O Rei-cidadão” e “O Velho Namorado”. No primeiro, mostra as contradições do governo de Dom Pedro II, opondo a então imagem pública de governante democrático (com ares quase republicanos) e o que seria a realidade, a de um imperador que detinha sozinho todo o poder. No segundo, narra as desventuras de um velho que tenta cortejar uma jovem.
No plano lírico, encontramos belos poemas contra a escravidão “O Coleirinho” e “No Cemitério de São Benedito” e o pungente “Minha Mãe”, intermezzo afetivo de uma pena que sempre esteve à disposição na luta pela liberdade e da república - além dos já citados versos amorosos de “A Cativa” e “Meus Amores”.
"Primeiras Trovas Burlescas de Getulino", de Luiz Gama é um livro ímpar de nossa produção literária, leitura obrigatória para quem queria conhecer um outro lado da nossa literatura e pouco discutida nas escolas.
GAMA, Luiz. Primeiras trovas burlescas. Edição preprada por Lígia Fonseca Ferreira. São Paulo: Martins Fontes, 2000. (Coleção poetas do brasil).
terça-feira, 25 de setembro de 2007
Weblogs que eu recomendo
Estava eu a navegar distraidamente neste mar informacional chamado internet quando encontrei o weblogo da jornalista caboverdiana Margarida Fontes (Os Momentos). Um primeiro motivo para lê-lo é que eu já conhecia a autora (fomos colegas na Faculdade de Comunicação da UFBA, nos saudosos tempos da FACOM quando ela estava no campus do Canela). E não estranhei quando encontrei um blog interessante, uma delícia de leitura, falando da cultura e da vida deste país africano tão irmão do Brasil.
Bem, esta não fora a priemria vez que eu encontrei na internet blogs interessantes. Seja de ex-colegas da FACOM, seja de outros escritores que estão aproveitando as possibilidades deste que é o formato caçula da produção literária; normalmente eu encontro algumas pérolas que mereciam estarem impressa em livros.
Por isso que compartilho com meus poucos leitores algumas sugestões de Leituras:
- Os Momentos (http://odiaquepassa.blogspot.com) - Weblog de Margarida Fontes. Textos maravilhosos sobre uma país tão próximo e tão distante do Brasil.
- Silva Horrida / Guia de Cidades (http://www.silvahorrida.blogspot.com/) - weblog do jornalista e escritor baiano Wladimir Cazé. Também meus colega da FACOM, ele é autor dos livros de poesia "Microafetos" e "A filha do imperador que foi morta em Petrolina". Poemas sintéticos que dizem tudo com uma linguagem ímpar e repelta de surpresas.
- Palavras Cruzadas (http://www.palavrascruzadas.blogspot.com/) - Weblog do jornalista e escritor baiano-americano Patrick Brock. Também um ex-colega da FACOM, ele é autor dos livros de contos "Velhas Fezes" e "Textorama". Alternando contos realista com surrealista, Patrick desenvolve uma prosa moderna apresenta a realidade por outras nuances que não seja o óbvio.
- Vestígio da Senhorita B. (http://www.vestigiosdasenhoritab.blogspot.com/) - Weblog da contista baiana Renata Belmonte, autora de "Femininamente" e "O que não pode ser". Tive o prazer de conhecê-la durante os lançamentos da revista Iararana. Pelo blog, percebe-se o porquê desta jovem baiana está despontando na cena literária baiana contemporânea como uma de suas melhores escritoras.
- Blog Poesia e Prosa (http://paraisomartins.zip.net) - Weblog do poeta valenciano Ângelo Paraíso Martins, autor de "Veredas do Amor".
- Blog de Araken Vaz Galvão (http://arakenvaz.blogspot.com/) - Weblog do escritor valenciano Araken Vaz Galvão, membro da Academia de Letras do Recôncavo (ALER).
- Coluna de Adriano Pereira (http://colunadoadrianopereira.blogspot.com/) - Coluna que Adriano Pereira mantem no jornal A Voz da Região. Atualidades vista pela lentes afiadas deste jovem intelectual de Valença.
sexta-feira, 31 de agosto de 2007
Sessão - Quem já leu meu livro 01
Eu devo admitir que eu estou meio desligado... Logo eu que estudei comunicação, acabei esquecendo que a propaganda é alma do negócio. Em abril de 2006, quase às vesperas do meu aniversário, eu fui pra posse dos valencianos que foram eleitos para Academia de Letras do Recôncavo. A saber, Dr. Alfredo Neto, Arakem Vaz Galvão e Profa. Rosângela Figuereido (minha ex-professora de Literatura no curso Científico). Minha cidade já estava representada pelas pessoas do Sr. Ivamar Batista, Dr, Mustafá Rosenberg e Profa. Macária Andrade.
Semanas depois, procurando pelos autores de minha terra, encontrei a página de Profa. Macária no Microsof Lives Space. E lá, no álbum de fotos, eis que aparece as fotos dela, com meu livro na mão!!!! Copiei as fotos e me queci de colcoar isso no meu blog....
Bem, em todo caso, vem as fotos, apesar do atraso... E também espero que ela não fique zangada por colocar estas footos no meu blog...
Profa. Macária, Dr. Alfredo Neto, Dr. Mustafá Rosemberg, Sr. ArakenVaz Galvão e Esposa, no coquetel que se segui à posse dos novos
Imortais da ALER. Nas mãos de Profa. Macária, o meu livro "Estrelas no Lago".
Profa. Macária Andrade ao lado do Dr. Alfredo Neto. Nas mãos delas, o meu livro "Estrelas no Lago".
sexta-feira, 17 de agosto de 2007
Fragmentos de um Diário - Escritor em Crise
quinta-feira, 19 de julho de 2007
Lançamento de "A Infância do Centauro", de José Inácio V. de Melo
Introspecção (poema em prosa)
(Poema em Prosa)
Salvador, 19 de agosto de 2007
Hoje eu estou introspectivo. Não quero ver o Sol lá fora. Não quero ouvir a Nona Sinfonia de Beethoven. Não quero assistir Paula Picarelli apresentando “Entrelinhas” ou Giulla Gam em “Contos da Meia-noite” na TV Educativa da Bahia. Hoje eu não tenho sorriso nem poemas para bem-amada. Nem quero ver os beijos de Ingrid Bergman no cinema. Ando tão a flor da pele que só penso em ouvir Zeca Baleiro ou dormir pra nunca mais acordar. Ou nunca dormir, para não ter que sonhar com as quimeras e esfinges que me apavoram. Uma cena de beijo faz com que uma lágrima surja na minha face e deixe-me pensando nas fantasias romanescas que nunca tive. Um grito na noite faz com que meus nervos tremam e veja nas sombras a imagem de um vampiro. As frustrações e os fantasmas rodam no meu quarto e por isso que não quero dormir mais nele. Quero fugir, contudo não existe porta. O Labirinto de Creta se fecha e não sei quando o Minotauro irá me atacar. Não recebo mais as cartas de minha Vênus Catarinense. O ambiente em meu derredor exala pútridos bafejos de mediocridade e minh’alma sufoca. Quero a Lua, mas ela não aparece. Nenhuma estrela do crepúsculo me guia pela charneca e fico sem saber qual caminho devo seguir. O galo todo dia canta. Mas não ouço. Remédio. Sertralina. Clonazepan. Amitriplina. Coquetel amargo para que não estoure como Eduard Northon em “Clube da Luta” e dê vazão para minha autodestruição. O Mundo como Distopia eterna. O Amor como uma Sereia do Mal. A Vida como uma Esfinge famélica. Nada de sucesso. Nada de Paixões e patologias. Assistamos todo o Big Brother Brasil e vejamos como ele é pior que o Grande Irmão de George Orwell. 1984 e Metrópolis, já chegamos. E um furacão dentro de mim derruba cada uma de minhas esperanças. Divorcio entre mim e o mundo capitalista. Dúvidas. Não consigo mais ouvir uma música alegre que logo me irrita. Minha alma é cinza demais para que possa ouvir o "Trenzinho Caipira" de Villa-Lobos. Poemas? Só "Ahasverus e o Gênio" de Castro Alves, Sylvia Plath ou Lorde Byron – nada de Manuel Bandeira ou Homero. Filosofia? Nietzsche ou Schopenhauer – nada de Doutor Pangloss, Epicuro e conformismos teológicos. Minha viagem é sem vinho e não passa além do buraco-negro do meu umbigo. Como posso pensar no mundo se ele me oferece o amor como Dobrada à Moda do Porto – e fria?! E não querem que eu tenha razão… Querem-me que seja da companhia (que maçada), que seja tributado, protocolado, carimbado, registrado e com as devidas taxas pagas. Querem eu escreva uma carta laudatória ao senhor doutor advogado de minha província natal pelo lançamento de seu soneto medíocre num jornal local, dizendo como eu me enalteço-me gabando-lhe suas galimatias. Querem que eu tenha paciência e espere o mundo, quando este não o tem comigo e passa rápido para não ouvir minhas mazelas… Por isso que me fechei em mim mesmo. Depois decidirei se serei pessimista e cínico para suportar o mundo, ou se faço igual a Maiakósky e Stefan Zweig…
Fragmentos de Um Diário - Planos e Frustações
Mais um dia na minha crise criativa. Não estou conseguindo me concentrar em escrever, embora minha cabeça esteja pululando de idéias. Isto me mata mais do que alguém pode imaginar.
Das idéias que estouram na minha cabeça há: uma resenha do livro "Microafetos", de Wladimir Cazé; Um resenha do livro "Textorama", de Patrick Brock (ambos foram meus colegas na Faculdade de Comunicação da UFBA e pretendo publicar estas resenhas na revista Iararana); Um artigo sobre as Edições K; outro artigo, comparando o presidente Lula e Getúlio Vargas e a retomada de um projeto de livro (Cozinha Cafajeste dos Universitários) de conto relacionados com gastronomia... Um artigo falando sobre a vaia de Lula na abertura do XV Jogos Panamericanos eu abortei pela perda da atualidade... Também tenho uma vontade de fazer uma pesquisa mais ampla sobre a a relações da cultura contemporãnea e a sexualidade.
Onde residira esta crise? Primeiramente, uma depressão latente que explodiu com uma crise amorosa. Segundo, um desencontro na minha vida em que nos momentos que eu estou mais bem preparado pra escrever (ou seja, à noite, entre 20h00 e 01h00, com tudo calmo) nem sempre é o horário que eu tenho o computador disponível, uma vez que o mesmo fica no quarto do meu irmão e ele costuma hibernar antes das 20h00 - quando não está precisando do mesmo para os seus trabalhos. Terceiro, eu nunca aprendi a datilografar e não gosto muito de fazer manuscritos de prosa - cansa mais, a mão nem sempre acompanha o fluxo das idéias e um erro implica em descartar toda a folha. Manuscritos, só para poemas... Quarto, uma descrença muito forte em relação à vida. Quinto e último, um total divórcio que sinto entre minha alma e o ambiente em que vivo. Sou um tipo de homem talhado para viver em salões literários, vernissage, teatro, lançamento de livros - não em ficar numa casa assistindo o Domingão do Faustão ou discutir futebol numa forma chã. Só que eu não consegui a minha autonomia para tanto, nem meus pais percebem claramente que eu preciso disso com freqüência, não esporadicamente.
Isto faz com eu perca o meu élan vital para literatura e para a própria vida. Achar que todos os meus esforços nos estudos se limitam a uma vida simples/simplória, de convivência com pigmeus intelectuais e com provincianismos conformistas torna, no meu julgam, uma luta inglória e vã. De que adiantou ler o Gilgamesh, As Flores do Mal de Baudelaire ou o Cantar de mió Cid (este, em espanhol medieval), estudar Filosofia e Política se meus interlocutores não me compreenderam? Como ter fé na vida se todas minhas esperança se mostram frustradas? Fica eternamente desplugado das coisas que me interessam - como lançamento de filmes (mesmo os eróticos de Regina Poltergeist e Rita Cadillac), eventos, outras culinárias e dos vinhos? Por que eu devo acreditar que nunca viverei uma grande romance e me conformar com um casamento burocrático e pequeno-burguês? Com um emprego médio e ter um chefe idiota que só irá? Com a eterna preocupação de minha mãe com minha "aparência" ou minha "alimentação" ou a preocupação do meu pai para que eu durma antes das 21h00 para aproveitar melhor a luz solar (como se o dia tivesse coisas interessantes acontecendo)? Acho impossível querer sorrir e ver tudo com um otimismo ingênuo quando a vida se mostra amarga.
Bem, hoje é mais um dia. Com a faculdade em greve (adiando em mais alguns meses minha formatura), só me resta olhar as horas passando e provar mais uma vez o fel da vida enquanto mato o tempo na tela do computador.
quinta-feira, 5 de julho de 2007
Fragmentos de um diário (Crise Criativa)
Parodiando Machado de Assis....
(Chave: cap. CXXXVI - Inutilidade - de "Memórias Póstumas de Brás Cuba")
Fica o convite para (re)leitura de algum dos romances do Bruxo do Cosme Velho.
sábado, 30 de junho de 2007
Manifesto "Amazonia para Sempre"
Para os meus possíveis leitores, gostaria (se não for incômodo) que participem desta campanha. Basta entrar e assinar o manifesto. Grato.
Ricardo Vidal - escritor & fotógrafo
terça-feira, 5 de junho de 2007
As Harpas
As Harpas
(Dedicado à harpista Ana Míccolis, após assistir a seu recital)
Salvador, 15 de abril de 2007 - 23h40 AM
Como um borbulhar doce
De riacho brincando na primavera,
As harpas destilam as notas claras no palácio.
São límpidas as notas de dó, si, ré,
E o sol sustenido fulgura apolíneo
Nos dedos ágeis de Ana Míccolis,
Que colhem delicadamente nos fios da harpa
A alegria suave das canções e temas.
E assim conduzem a alma
D’audiência pelas nuvens atemporais do Elíseo.
Cada nota é um sonho
E cada melodia fatalmente descreve
No espaço, evoluções coloridas de desejos,
Como elfos enamorados
Passeando num crepúsculo âmbar.
Ah! Que doçuras azuladas é o sol das harpas
Quando imperam na sala do palácio, aclamadas
Borboletas de ternuras que pousam nos nossos ouvidos
Como expressão única da Arte e da beleza…
domingo, 3 de junho de 2007
Balada do Trovador Apaixonado
Balada do Trovador Apaixonado
Salvador, 04 de maio de 2007
Porque tu és bela como a aurora dos deuses
E doce como o coração materno meu coração
A ti ofertei devotamente. E como campeão
Medieval pus minha vida, engenho e paixão
A teu serviço, minha rainha e senhora.
E por te amar assim de forma tão profunda,
De uma forma assim sagrada e incomum,
Que faço de meus dias um penar constante.
Vivo feliz quando nos seus olhos esmeraldas
Um arco-íris de felicidade explode soberbamente.
E triste e ferido sigo se sua sombra uma lágrima
Derramar ternamente num segundo de melancolia.
Amo-te sincera e profundamente, minha rainha
Mesmo que meus atos oblíquos digam o contrário.
Amo-te desesperadamente e fico a esperar por tuas
Ordens como teu vassalo e teu amante.
E se minhas faces inflamam se, por ventura,
Outro campeão aparecer, como poderia
Eu abdicar minha rainha e namorada,
De forma simples, sem lutar até o fim?
Amo-te e por te derrubo mil mundos,
Cruzo todos os abismos, até desço os infernos
Se preciso for para te buscar, minha Amada,
Minha abelha-rainha, minha querida Fabíola.
Por ti jejuo dois mil dias, por ti canto
E só por ti minhas baladas e cantigas existem.
Tu és, Fabíola amada,
O sol de minha vida errante,
O gládio de minha honra,
O desejo que me inflama,
Os encantos de meu alaúde.
E só a ti que quero por esposa e amante,
Deusa e mãe, abelha e rainha…
Oferenda
Oferenda
Salvador, 24 de maio de 2002 (12h34 AM)
Em holocausto ofereço meu corpo
No altar do nosso imortal amor,
Para pedir a remissão de meus pecados.
Por todas as palavras inúteis,
Por todos os atos absurdos,
Por todos gestos incompreendidos,
Por todos os pensamentos amargos,
Por todas as lagrimas desperdiçadas,
Por todos os sorrisos abortados,
Por todos os beijos assassinados,
Por todos os olhares acres,
Pela nossa completa insensatez
Que nos privou das tardes a beira mar
E todos os afagos perdidos e agora necessitamos,
Peço o teu perdão.
Em holocausto me ofereço
Nas esperança de riso teu,
Conseguir a redenção deste exílio
Em que fui posto, longe de teus lábios,
Longe teus carinhos e de teu olhar.
A distância entre eu e o teu coração
é o inferno pútrido de desolação e terror.
Nenhum paul insalubre é mais amargo
Do que a sombra de nosso amor,
Vagando nas noites de verão
E na escuridão das nossas lembranças
Deste dias passados juntos.
Estas horas assombram-me
Como demônios azuis do passado.
O suave veneno doce destas recordações
Amargam-me meus olhos, como
Lêmures espectrais despertando nas tumbas.
Não há estrela no céu e no mar
Que não haja dirigido minhas súplicas.
Por ti, percorreria a via de Canossa,
Só para ter o teu perdão, e nada mais…
Cantiga para Condessa Distante II
Cantiga para Condessa Distante II
Salvador, 02 de dezembro de 2002
Os lábios teus que beijei
Ainda tenho os tenho guardado em meus versos.
O amor erótico daquela noite,
Eu os incrustei de jóias, ouro e marfim
E fiz um relicário de aurora.
Guardo-os aqui, em minh’alma,
Mesmo que as estrelas que o geraram
Já não mais existem e as fontes
Cristalinas que bebi, já secaram.
Hoje, mesmo que teus olhos
Dancem como girassóis no passado
E não mais me querem ver,
Nosso amor, ainda o guardo
Sem esperança e sem cura.
Guardo-o aqui, em meus versos,
Em minhas lágrimas de solitário,
Em meus suspiros melancólicos,
Em a esperança de ser feliz,
Sem a cura deste amor…
segunda-feira, 14 de maio de 2007
Experiências
Experiências
Salvador, 14 de maio de 2007.
Bem, querem que eu faça uma redação sobre minhas experiências nesta entrevista de emprego. Como não definiram limite de linhas, espero nem cansar nem parecer muito ambicioso com o texto.
No plano de vida profissional, minhas experiências profissionais são poucas: Trabalhei dois anos no IBGE. Mais tarde fiz estágio em assessoria de imprensa sindical como repórter, produtor, fotografo, diagramador, redator e revisor. Nas horas vagas eu fazia alguns bicos como fiscal de prova, fotógrafo, e diretor de arte, de domingo a domingo, onde fui o diretor de arte e braço-direito. Para finalizar, fiz curso de manutenção de computador (que nunca usei), fiz curso de comunicação instrumental pelo CEFET (antes mesmo de entrar na faculdade), participei de encontros na área de jornalismo e de Letras. E tenho conhecimento de línguas estrangeiras e sou autodidata em computador, especialmente a arte gráfica.
Mais as minhas maiores e melhores experiências – e que deveram ser úteis neste meu novo emprego – foram as que tive como ser humano. Já brinquei e brincando, eu criei meus reinos e castelos. Tive amigos – poucos, mas bons. Não subi em árvores, mas subi no guarda-roupa quando tinha seis anos pra comer sozinho uma caixa de bombom. Também aprendi a amar os estudos e os livros, pois não dói, descansa, diverte e é o maior tesouro que eu tenho na vida. E sempre eu tenho mais vontade em aprender, sem se cansar – e ensinar aos outros sempre eu puder, sem me fatigar.
Aprendi que incomoda muito quando os outros menosprezam nosso valor. Contudo, com um pouco de tempo e perseverança, os mesmos que nos menosprezaram serão os primeiros a reconhecer e divulgar as nossas qualidades. Aprendi também que não devo me deixar levar simplesmente pelo meio. Quando criança achava que nunca falaria com uma celebridade – quem diria que eu conversaria e faria parte da própria história, conversando de igual pra igual com ministros, deputados, intelectuais, escritores famosos e até com a filha de Che Guevara? Que ganharia prêmios de poesia e teria meus versos guardados em bibliotecas da Europa? Que eu escreveria livros e seria eu mesma uma celebridade para outras pessoas? No ginásio, eu dizia para todos que eu queria arqueólogo (como Indiana Jones) quando todos queriam ser médicos ou advogados. Todos riram de mim. E aprendi que da mesma forma que é duro nadar contra o rebanho, também é mais gratificante quando você faz as coisas certas com identidade e acaba triunfando. Com isso aprendi que devo acreditar nos sonhos, pois eles podem se tornar realidade. Aprendi também que eu não devo fazer uma faculdade pensando primeiro em dar uma satisfação pra sociedade – é um primeiro sinal de que sua vida terminará num fracasso. Aprendi que nestas horas o melhor é refletir muito e deixar um pouco o coração decidir. Depois que eu mudei para curso de Letras tudo melhorou pra mim e sei que serei um grande profissional na minha área. Porque a coisa que eu faço eu o faço com amor e colocado tudo de melhor de mim para que tudo ocorra certo.
Também essa história com meus colegas ensinou-me que devemos ter cuidado com os outros dizem. O importante é vermos o que ocorre em nossa volta, mas é importante olharmos pra nós mesmos. Aprendi que as coisas não são uniformes e as melhores oportunidades são nichos de mercados que ninguém percebe porque não estão no “mainstream”. E se nesses nichos couber minha personalidade, é aí que eu encontrarei o sucesso. Um sucesso não se restringirá a mim, mas a todos que estão em minha volta. Aprendi que não é o egoísmo a mola mestra do progresso, mas a responsabilidade social e felicidade pessoal.
Aprendi que a melhor maneira de estragar todo um trabalho em equipe é querer agir sozinho e no depois culpar os outros pelo fracasso. Trabalhar bem equipe é ter generosidade em auxiliar o próximo e ter humildade em pedir ajuda – deste modo, tudo dará certo no final. Aprendi o quanto vale ser um bom profissional. Mas isso não quer dizer eu deva abdicar de minha vida pessoal. Bons profissionais sabem que a vida está muita além de escritório e que existem ambições maiores do que o lucro e o cargo: ver um crepúsculo com alguém querido ou dormir tranqüilamente, sem preocupações, por exemplo. Lembrou do Conto de Natal, de Charles Dickens? Então saberá do que eu estou dizendo
Aprendi que não basta apenas a obedecer cegamente. Nem apenas a rebelar sem causa. Aprendi (as duras penas) que o importante é ter bom senso. Às vezes tudo não passa de uma questão de ponto de vista de como se resolver uma coisa e que maioria quer, no fundo, o melhor para todos. Aprendi que é difícil aceitar o diferente, mas que não é impossível. E é despindo-se dos pré-conceitos que veremos as diferenças são poucas e há possibilidade de vivermos em harmonia é maior. Aprendi que devo ceder sem perder a dignidade e que devo lutar sem ser vingativo.
Aprendi que eu não sou tão perfeito que possa me passar incólume do “Poema em Linha Recta” de Fernando Pessoa e não venha a cometer um erro homérico que desmanche num segundo todo um castelo que eu demorei a construir numa vida. E é nesta hora que eu devo ser em mente a lição do “Eclesiastes” do poema “Se…” de Rudyard Kipling. Parecem difíceis e são difíceis de por em prática quando temos um coração ferido. Mas só tenho esta vida e eu ainda quero aprender muito mais, ter mais experiência e nestes textos temos algumas dicas.
Não sei se aprendi a amar, mas isso é algo que estamos sempre aprendendo. Só sei que amei, chorei, sorri, sofri, dei a volta por cima, sofri de novo, fiz sofrer, voltei a amar, usei de todos os truques (surpreender com chuvas de rosas, deixar um poema dedicado para ela e escondido na sua bolsa, entregar um anel dentro de uma fruta) para conquistar uma mulher e continuo seguindo em frente na esperança de fazer a coisa certa.
Bem, este é um sumário muito simples e resumido de minhas experiências. Não tive muitas e me pergunto que possa, no fundo, ter vivido a mais bela vida (com exceção dos santos). Num mundo competitivo do mercado de trabalho, o grande diferencial que eu possa dar, com estas minhas experiências é a minha humanidade, a vontade de ajudar e realizar um bom trabalho..
quinta-feira, 3 de maio de 2007
Balada do Poeta Morto
Balada do Poeta Morto
Salvador, 08 de junho de 2003 (23h14/23h53)
Que cantar assim eu mais
Não sei, não posso, não devo.
Cantar como canta os deuses (vencidos)
Na nau azul da misericórdia;
Cantar com o coração desnudo
E romântico, puro como Sir Galahad
Em frente ao Sancto Graal de Cristo Nosso Senhor.
O mundo já não é mais dos poetas.
É da velocidade catatônica dos escritórios,
Do velho Futurismo reacionário de Marinetti,
É dos Gigabytes e dos Terawatts da mediocridade,
É da cifra de milhões de dólares e euros para guerras,
É do ouro luzindo falso no horizonte…
As amadas condessas da Lua já não amam
Os poetas jovens e apaixonados.
Amam os frios engenheiros e seus cálculos,
Seus castelos de pedra, cimento e números;
Os engenheiros que as traem com amantes
Enquanto as condessas mofam sozinhas no lar.
As Dulcinéias abandonaram o Burgo de Toboso
Para estudarem ciências jurídicas
E ganharem fama nos casos de divórcios
Entre a Musa e os Casanovas de subúrbios.
Meu olhar vergasta a planície cinza de Tebas:
Em que sonho eu te perdi,
Nobre ilha de Avalon?
Em que brumas eu me perdi de minha feliz pátria,
Pátria infeliz da poesia última de Ossian?
Em que escritório eu perdi
O navio para a ilha Barataria,
Último exílio de Don Quixote e Sancho Pança,
Fausto e Mefistófeles, Don Juan e Child Harold,
Ahasverus, Frankenstein, Gilgamesh e Werther?
Só sobrou a última quimera alada
A consolar-me nas profundas da noite sem luar
Com paraísos artificiais e mortais;
Eu – peregrino numa noite sem lua;
Eu – acaso da poesia, perdido nos trópicos;
Eu – filho deposto da cidadela de Tartessos desaparecida…
Em um turbilhão, ficarei odara,
Ficarei em êxtase.
Ah, se eu pudesse cantar,
Como cantei em meus dias felizes!
Quando nas margens de um riacho n’Arcádia,
As hamadríadas e a s fadas surgiam
Sensuais das moitas verdejantes,
Para coroar-me aedo junto ao Deus Pã…
Cantar como cantei, numa noite de tempestades e mistérios,
Os versos negros e ébrios
Da juventude romântica e condoreira…
Quando, do alto dos contra-fortes do Aconcágua,
Sonhei ser Napoleão sem Waterloo,
Sonhei ser Alexandre transpondo o Rio Ganges,
Sonhei ser o príncipe perfeito e sem mácula
– possuidor dos mistérios dos dragões
e dos tesouros das Minas de Ofir –
Que iria conquistar o castelo sanguíneo
Do amor de minha condessa amada.
Ah! Mas o mundo – O Mundo!
Velho invejoso a resmungar baixinho,
Não pertence aos jovens poetas!
Pertencem aos Economistas Alquimistas,
Na sua eterna ilusão de gerar ouro pelo chumbo;
E quanto mais procuram número perfeito,
Mais o ouro canta falso nas nuvens.
Pertencem aos homens robôs dos escritórios
Que servem de energia para a Matrix escondida
Que rege a reino da real ilusão.
O mundo pertence ao arauto das desgraças,
Aos magos que na caixa de cristal elétrico
Noticiam o crime nosso de cada dia
E com seus olhos infernais julgam
E condenam com azedume a imagem
Dos Cérberos selvagens forjados
Nos estaleiros deste mundo sem futuro.
E assim, cada manhã nasce mais plúmbea nas cidades sem horizontes,
E o mundo vai caminhando para sua extinção gradual,
Em passos lentos e seguros para o caos.
Não, o mundo não é mais dos poetas.
O coração das musas não é mais dos poetas
A felicidade não é mais do poeta.
O luar doirado e sangüíneo não é mais dos poetas.
E por isso, eu – que sou poeta –
Não mais vivo.
Não mais devo cantar
Não mais chorar posso…
Cidade de Valença - Poetrix
Feliz e amada cidade,
Sonhos de minha infância
E de minha felicidade.
Biblioteca do Bardo Celta (Leituras recomendadas)
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