Sua Majestade, O Bardo

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Valença, Bahia, Brazil
Escritor, autor do livro "Estrelas no Lago" (Salvador: Cia Valença Editorial, 2004) e coautor de "4 Ases e 1 Coringa" (Valença: Prisma, 2014). Graduado em Letras/Inglês pela UNEB Falando de mim em outra forma: "Aspetti, signorina, le diro con due parole chi son, Chi son, e che faccio, come vivo, vuole? Chi son? chi son? son un poeta. Che cosa faccio? scrivo. e come vivo? vivo."

domingo, 28 de agosto de 2011

Fragmentos de um diario - Uma noite cafajeste

No fundo, é isso: você está sozinho em um sábado a noite. Resolve fazer seu jantar, então prepara (se achando um novo Adrià) aquele talharini al sugo, cujo tempero especial é um terço da garrafa de vinho tinto derramado no molho, outro terço é bebido enquanto você corta os temperos. Prepara a comida com carinho pois é o seu jantar e você está com fome. Cebola, alho, vinho, tomate, coentro, vinho, molho inglês, molho soyu, mais vinho, azeitonas, azeite e para completar... vinho. Tudo cortado bem cortadinho, devidamente marinado e depois batido no liquidificador. Fogo, pasta al dente e - voilà! Já é meia-noite. Ajeita-se a mesa, coloca o aparelho de som com aquele CD especial, com as melhores músicas de Tim Maia. Não se sabe porque, resolve desligar todas as luzes e acende as velas de um castiçal perdido no armário. Com a comida ainda fumegando, coloca-se mais uma taça de vinho (o que sobrou da garrafa, liga-se o som na faixa em que Tim Maia é mais romântico: "Azul da cor-do-mar", "Você", "These are the songs". E deixa o espírito viajar. Fora do apartamento, a metrópole ferve com seus pecados noturnas, alheia a estes fulgazes prazeres anônimos vividos cafajestemente por solitários...

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Quando Roma torna-se Jerusalem - a apresentação de Nabucco que envergonhou Berlusconi


Hoje, nada de mais. Apenas uma prova de como uma música (e no caso, erudita), consegue fazer toda a diferença...

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Cacau, Cravo e Dendê:

Cacau, Cravo e Dendê:
literatura valenciana em perspectiva
Salvador, 06 de agosto de 2011
O que falar sobre literatura valenciana?
Olá, eu sou Ricardo Vidal, natural de Valença (mas atualmente resido em Salvador), licenciado em Letras/Inglês pela UNEB, curso a especialização em Estudos Lingüísticos e Literários na Ufba, onde estudei inicialmente Jornalismo, sem concluir o curso e, last but not least, eu sou escritor. Acho importante esta apresentação inicial para situar melhor o ponto de partida da minha fala nesta mesa.
Quando recebi o convite dos meus amigos Profa. Taylane Nascimento e Adriano Pereira para participar desta mesa, ao mesmo tempo em que eu fiquei feliz (uma vez que estaria na minha cidade natal falando de algo que eu gosto), também fiquei preocupado: afinal, o que iria dizer aqui, nesta mesa em que estão presentes pessoas do porte da profa. Raimunda e Prof. Moacir e para uma platéia de estudantes e professores de Letras?
Via-me diante dum aparente problema paradoxal: de um lado, como disse a pouco, eu moro em Salvador, já faz quinze anos (uma vez que na época que concluí o científico na Paulo Freire não havia faculdades na minha terrinha, o que obrigava a um “exílio pela busca do saber”). E isso poderia me colocar como um estranho, alguém que não estivesse a par ou vivenciando a atual cena literária da minha cidade natal. Por outro lado, sei que a maioria dos autores são meus conhecidos, pessoas QUERIDAS como Mustafá Rosemberg, Profa. Rosângela Góes, Profa. Macária Andrade, a turma da Ocupação Cultural (do qual me considero, de certa forma, ser a minha turma), patrícios de MINHA CIDADE NATAL, o que poderia tornar meus comentários suspeitos por um comprometimento afetivo devido a esta proximidade. Algo como o que deve ter sentido Érico Veríssimo quando de suas palestras sobre literatura brasileira na Universidade da Califórnia em Berkeley, no meados dos anos 40 do século passado, ao fala dos escritores da geração de 30.
Contudo, vi que este problema poderia ser também uma solução para a minha fala: O fato de morar em outra cidade dar-me-ia uma visão de grupo desta literatura, com certo distanciamento para apreciar as obras. E a proximidade afetiva oferecer-me-ia a oportunidade de assumir uma perspectiva “egocêntrica”, de ver com os olhos de quem está dentro do furacão. Usando a metáfora de Érico Veríssimo, diria que meu avião voa em média altitude, para que eu possa ver tanto os contornos difusos da ilha como os detalhes ofuscantes. Assim, vou tentar orientar esta visão a partir da mescla de escritor apaixonado por Valença (o lado de dentro) com o de acadêmico de Letras (o lado de fora), para falar sobre a produção literária valenciana.
Três ingredientes valencianos
Mas, para falar de literatura valenciana, é preciso conceituá-la. Ela é mais do que uma literatura de base geográfica, feita por pessoas nascidas em Valença ou por seus residentes. Ou de base temática, que descreve APENAS seus encantos. Provisória e poeticamente, eu diria é uma literatura feita com três ingredientes: cacau, cravo e dendê.
O cacau é o que dá este gosto de sul da Bahia, interiorano, próximo a uma natureza luxuriante nos nossos textos. É uma literatura doce e negra como são as águas do rio Una antes de entrar na cidade; como esta imensidão de terra e mar descortinada nos pequenos morros que nos rodeiam, indicando bem a origem local e meta de ser universal. E é também o suor do escritor, que após a inspiração semear nossa mente, precisa trabalhar a palavra, a frase, para chão da folha/tela em branco frutifique o texto redondo, certo, próximo da perfeição, pois não se engane que poesia é só brisa! É também trabalho árduo e paciente de por em ordem o que a inspiração trouxe aos borbotões. Um exemplo deste artesanato poético prenhe das nossas belezas está nos poemas de Otávio Mota, como em que se lê versos “Rio que te quero rio-perene / todo doce / até o sal. / Águas que te quero límpidas / no teu leito / de sonhos ao mar”. Olhe o detalhe: verso maior ser seguido por dois versos menores e no jogo de contraste doce / sal.
O dendê é o seu lado vigoroso, intenso, quente. É lado recôncavo de nossa terra, culturalmente mais ligada a Salvador do que Ilhéus. É uma literatura sempre em ebulição, como uma moqueca de camarão recém saída do forno, pois nunca ficará parada na mesmice. Uma literatura marítima, que também sabe respirar ares cosmopolitas e faz da tradição um processo de renovação constante (como se observa na quantidade de escritores valencianos participando na Academia de Letras do Recôncavo, nas atividades da nossa própria Academia, a AVELA e, por que não dizer, já nos escritos do Cons. Zacarias). Como exemplo, um poema de Celeste Martinez: “Enfia teus dedos em hirto em minha garganta / e arranca o medo virulento / que ameaça as minhas células. / Se o medo, / mesmo assim, / insistir em não sair, / ESMAGA-O / com o martelo de Thot”. A poetisa usa visceralmente as palavras, foge dos lugares-comuns (como rimar “amor” e “dor” ou “coração” e “emoção”) e com um ritmo intenso, vai buscar no passado universal (no caso, Thot, o antigo deus egípcio da escrita) para falar de um sentimento moderno como o medo e a sua superação. Isto é dendê puro!
E o cravo aparece na nossa literatura como signo desta nossa valencianidade: uma baianidade própria e híbrida, que não é só os romances rurais de Jorge Amado nem a poesia barroca e ardente de Gregório de Matos. É isso tudo e vai além: além de Castro Alves, além de Machado, além de Shakespeare, para construir ícones próprios. É uma sutileza que nos diferencia dos demais pólos culturais do estado, por possui um perfume e um gosto que é só nosso. Como o som do arguidá, da zabiapunga ou nossos versos de Cadu Oliveira: “Toda a Valença é, portanto, um tear, / e, em seu pano grosso de aspecto rudimentar, / Amparo, a Bordadeira, virá aplicar fibra // Será linda a fazenda incrustada de pérola / do sururu que a valenciana catará. / Será forte como o braço de Pedro / quando puxa sua peça de pescar / Seria como se bichos-da-seda no bagaço de dendê cosessem casimira”. Creio que seria desnecessário comentar um trecho como este, basta retornar a métafora: Valença como um tear, em cuja urdidura está natureza (sururu), nosso passado (a fábrica de tecidos), o povo (bordadeira, Pedro), a tradição (Amparo) e um futuro (casimira cosida por bichos-da-seda a partir do bagaço do dendê).
Para completar a receita, eu diria que depois de misturar tudo no tacho, deixe a massa dá o ponto e a ponha para descansar. Com calma, tirar-se-á um bom texto daí, a ser saboreado tanto com vinho do Porto como por água de coco.
Primavera Fecunda e que vem de longe
Com estes três ingredientes, naturalmente observa-se que a literatura valenciana é muito fecunda e variada. Hoje, se formos a uma banca de revista (como a de Rangel, lá na Praça da Independência), podemos escolher livros de poesia (como os de Amália Grimaldi, Mustafá Rosemberg, Profas. Rosângela e Macária), Prosa ficcional (como os presentes na antologia “Novos Valencianos” e no livro “Encantos da Morte”, de Alfredo Gonçalves de Lima Neto), prosa memorialística (exemplo, Gentil Paraíso Filho), crônicas (exemplo, prof. Moacir Saraiva e Profa. Macária), teatro (como não lembrar do “Apocalipse Man” de Otávio Mota), ensaios historiográficos (Os livros dos professores Edgar Oliveira e Guto Moutinho, para mim, são fundamentais), além da imprensa atuante, capitaneado pelo semanário “Valença Agora”. Saliento que estamnos falando de produção nossa, não de autores importados de Salvador, São Paulo, Madrid ou New York. Não será por falta de opção que um estudante de Letras em Valença poderá dizer que desconhece esta literatura! E nela encontrar um material para fazer uma tese fecunda para o doutorado.
Claro, para esta abundância de autores, eu sou forçado a ver TAMBÉM o dedo das novas tecnologias de informação e comunicação, que facilitou (e muito!) a vida dos escritores, no que se concerne publicizar o trabalho. Friso no verbo: publicizar. Porque, para produzir literatura, a tecnologia quadrimilenar da escrita já mais do que suficiente (não obstante, em último caso, como no de Patativa de Assaré, até isso era dispensado, bastando o dom natural da língua). Agora, editar um livro, o trabalho é diferente: é preciso também editorar, artefinalizar, montar, fundir as matrizes, imprimir, paginar e costurar um livro. Assim, se vai mão-de-obra e dinheiro, fazendo que antigamente muitos livros mofassem inéditos no fundo da gaveta, pela falta de… dinheiro. Agora, entretanto, o computador facilitou a vida de um escritor, seja com a internet (mais precisamente os blogues), criando um outro suporte de divulgação de textos; seja facilitando o mecanismo de editoração. Basta um computador com um programa profissional de editoração, como Adobe Pagemaker, Adobe InDesign ou o Quarkpress (por favor, desconsiderem o pacote Corel Draw e programinhas amadores como Word, MS Publisher ou PrintArtist. Estamos falando de programas de gente grande!) e saber trabalhar com eles para o próprio escritor possa entregar na gráfica o arquivo pronto para imprimir. Eu mesmo agi assim para publicar meu livro “Estrelas no Lago”. Economizei um bom dinheiro sentado na minha casa, compondo o texto e fazendo a capa a partir de um foto minha. E ainda um representante da gráfica foi na minha residência pegar o CD com os arquivos eletrônicos e modelo impresso (O que em artes gráficas é chamado de “boneca”). Imaginem se fosse antigamente, antes do computador. Como seria trabalhar com um linotipo (que não é barato e nem fácil de mexer) para fazer a matriz fundida? Ou um fazer a metalogravura ou litogravura da capa? O meu livro não sairia. Além do que, a microinformática facilitou a vida dos gráficos, o que permite, por exemplo, fazer livro por demanda.
Falei da impressão facilitada pelo computador, mas vejamos como mais calma a internet. Falei dos blogues, que é só escrever e publicar instantaneamente na rede mundial de computadores, sem precisar mais do conhecimento avançado de edição em html, asp e java; e de postagem via FTP. Os blogues fazem com que a nossa literatura se dissemine com rapidez. Eu posto um poema ou conto meu em Salvador e está disponível urbi et orbe, para a cidade de Valença e para o mundo, inclusive podendo comentá-lo: Olha, seu texto está bom! Não, ele está uma m&rD@! Não gostei do final, poderia ser diferente. Deste modo o leitor pode conhecer mais o que se produz em Valença. Também tirar ao escritor um pouco da neurose de se publicar um livro – o está está lá, no ambiente digital, nas nuvens como se diz modernamente. Melhor que isso, os blogues permitem testar antes os textos junto ao público, ter um feedback que guiará na hora da seleção do que será impresso. Eu mesmo tive esta experiência, em publicar um conto no meu blogue e ter o retorno de uma leitora. E hoje está se tornando comum esta passagem, primeiro no mundo virtual para chegar ao mundo impresso. Não sei de experiências destes tipos aqui em Valença, ainda. Mas acredito que as próximas gerações de escritores valencianos deveram usar isso com mais frequência. No mais, sei que existem blogues bons de literatura e cultura valenciana, como o da Ocupação Cultural, A Caixa de Pandora (de Adriano Pereira), O de Araken Vaz Galvão, A Novidade (do Prof. Dr. Ruy Oliveira), A Casamata (de Aécio Flávio) e, se me permitem uma rápida propaganda, o meu blogue, Castelo do Bardo Celta www.bardocelta.blogspot.com.
Falando assim, da literatura valenciana, parece que ela é recente, uma explosão repentina do nada cujas novas tecnologias permitiram seu florescimento. Ledo engano! É interessante salientar que a literatura valenciana não é algo que surge agora. Se as novas tecnologias de informação e comunicação facilitaram nossas vidas como escritores, no que se refere a pu-bli-ci-za-ção, há também que pagar tributos aos que nos antecederam na lide literária. Falo considerando a tristeza em não existir a mais tempo em Valença uma faculdade de letras que pudesse se debruçar com mais afinco em obras como os ensaios e discursos do Conselheiro Zacarias (com destaque ao seu livro “Da Natureza e Limite do Poder Moderador”), nos romances sociais do nosso conterrâneo e médico anarquista Fábio Lopes dos Santos Luz (autor de “Os Emancipados” e “Ideólogo”), nos poetas que hoje jazem esquecidos, mas que foram publicados em jornais extintos, como o “Jornal do Baixo Sul” (início da década de 90), “O Aráivd”, “O Manacá” (ambos dos anos 70), “O Comércio” e “O Industrial” (estes, já que quase cem anos nas costas). Poetas como Valdo Sousa da Hora, cujos textos não chegaram a sair em livros, estão dispersos dentre noticias antigas e que mereceriam, por parte da academia, uma edição crítica. Quando disse que a pouco em tradição e renovação nas Letras da terra do Rio Una, é por reconhecer a primazia nestes autores que hoje passam como mudos e que abriram os caminhos para esta explosão que vivenciamos atualmente. Se hoje temos um jornal semanal e outros mensais, sites noticiosos como o Baixo Sul Notícias, e com ele esta produção literária de contos, crônicas, poemas, ensaios e romances, é porque em Valença já existe uma tradição de escrita e necessita ser resgatada. Imagine a FAZAG, por exemplo, lançando uma edição crítica dos romances de Fábio Luz? Os dividendos a serem ganhos mais do que se pode imaginar, isso eu garanto…
Perspectivas e futuro
Com estas raízes e com as facilidades, podemos ver que temos uma literatura muito rica sendo feita hoje em Valença. Quem realmente pode deixar marcas duradouras, só o tempo pode dizer. Mas já existem duas gerações de escritores valencianos dialogando entre si. Um grupo que compôs a antologia “Valenciando” e que está na gênese da AVELA e outro, oriundo da Ocupação Cultural, que está na antologia “Novos Valencianos”. Creio que isso é um alento para que possamos consolidar a nossa literatura. E o fato da FAZAG abrir suas portas para este Feira do Livro Valenciano, onde não só podemos mostrar nossas obras como podemos também refletir sobre a nossa produção.
Talvez, este é o desafio da nossa literatura daqui pra frente: consolidar não só um mercado consumidor dos livros de autores da nossa cidade como a própria literatura valenciana. Tradicionalmente a imprensa de nossa cidade sempre abriu as portas para nossas produções, permitindo que o povo conhecesse mais sobre o escrevemos. E aqui não posso de deixar de citar o exemplo do jornal Valença Agora, quando em fevereiro de 2007 lançou em livro o “Caderno de Cultura”, coletânea de artigos, crônicas e poemas publicados em suas páginas. Também há iniciativas como a Ocupação Cultural, em que não só escritores como demais artistas locais mostram o que Valença faz de melhor e mais avançado em cultura, além de instituições como a Academia Valenciana de Educação, Artes e Letras, A Fundação Cultural Euzedir e Arakem Vaz Galvão e a Casa de Cultura Maria Claudia Rodrigues / Macro que podem dar este suporte. E Arakem merece todas as salvas de aplausos pelo seu brilhante trabalho de organizar antologias de autores da terrinha, permitindo que muitas vozes possam navegar nas páginas impressas pelos mares da eternidade.
Quanto ao poder público, representado pela Prefeitura e pela Câmara Municipal, acho que eles que ainda estão um pouco fora de sintonia com os avanços vividos hoje pelas esferas nacional e municipal. Atualmente há uma mudança de paradigma no tratamento dado à cultura, em que antes (quando muito!) era vista como um apêndice para a indústria do turismo. Cultura hoje está começando a ser tratada como uma política de estado. Cabe a cada esfera cuidar de sua cota. E a literatura valenciana está na cota maior da prefeitura. Digo isso não achando que a cultura valenciana deve ser pajeada pela prefeitura, assumindo todas as despesas. Contudo, creio que sinto falta, aqui na minha cidade, de uma política pública municipal na área de cultura. Falo isso quando comparo o que é feito nas outras cidades. Não sei se há aqui, por exemplo, uma lei que determine a compra de parte da nossa produção literária para a formação de bibliotecas escolares da rede do município, ou de uma diretriz da Secretaria Municipal de Educação que sugerira aos professores a preferência aos autores locais na hora de indicar livros paradidáticos como leitura. O fato de hoje ter renascido a biblioteca pública Ruy Barbosa é algo a ser comemorado. Porém, creio que ela não deveria continuar como se fosse um mero apêndice acanhado do Centro de Cultura. Poderia ter uma sede própria, mais central, mais ampla e que pudesse ser outro centro cultural no município. Falta um Arquivo Público Municipal, onde um escritor de nossa pudesse ter subsídios para uma pesquisa. O Teatro Municipal, lá no Jardim Novo, situado em posição estratégica, continua jogado às traças. E lá poderia ser TAMBÉM um outro ponto de encontro de escritores, outro lugar para recitais e debates sobre literatura, como o é o Centro de Cultura Olívia Barradas. Não digo que devemos abandonar o Centro de Cultura, mas não acho que devemos se restringir só a ele. Já imaginaram como seria um recitar de poesia dentro da Câmara Municipal? Ou na Recretaiva? Isso, y otras cositas más que eu sinto falta da atuação do poder público local para consolidar nossa literária, para que o povo valenciano possa se orgulhar ainda mais dos escritores que temos.
Finally, eu creio que poderemos contar agora com os cursos superiores de Letras, como o da FAZAG, não só formando professores de literatura, como também críticos literários. Nós, que pertencemos a comunidade dos estudantes e formados em Letras, principalmente quem está no campo da licenciatura (e sinto a vontade em falar isso, pela minha formação ser uma Licenciatura em Letras/Inglês), estamos na linha de frente na formação de novos leitores. Serão as nossas aulas que irão ajudar a definir o gosto (ou não) dos estudantes pelo caminho da leitura. E para isso que precisamos apurar a visão crítica sobre os livros. Faço um convite para vocês, estudantes e professores, que voltem suas pesquisas e análises para os nós, os escritores valencianos. Destrinchem os nossos textos, vejam nossas falhas e nossos acertos, descubram outras leituras que mesmo nós sequer vislumbramos antes, ou diálogos incríveis, como o de nossa poesia pode ter com a poesia norte-americana de Allen Ginsberg ou com a poesia inglesa do período da restauração. Cito rapidamente um poema meu, “Canção para Setembro”, em que há citação sutil ao romance de H. G. Wells e a um poema de Bertold Brecht. Que outras conexões, como a de nossa prosa com a de H. P. Lovecraft, por exemplo, ainda não foram descobertas? Esta é uma seara que ainda não foi desbravada academicamente e quem primeiro adentra estará fundando caminhos. Fica o convite feito, para futuros artigos e monografias. Com este olhar crítico da academia (no caso, o ensino superior) poderemos criar um movimento que permita ter um ganho de qualidade para a nossa produção. É um diálogo que ainda está começando e que tenho esperança que será deveras frutífero.
Palavras finais
Bem, para finalizar, eu diria que hoje vivemos uma grande efervescência literária aqui em Valença. As facilidades que as atuais tecnologias de comunicação e informação nos deram ferramentas para publicizar nossa literatura feita à base de cacau, cravo e dendê. Valenciando neste Rio de Letras, cada vez mais Novos Valencianos estarão colocando seus escritos para fora. Disso eu tenho certeza! Obrigado pela atenção de todos, e caso haja interesse nesta minha fala, ela está disponível no meu blogue. Thanks so much!

sábado, 2 de julho de 2011

Nasce o sol ao 2 de julho

Dois de julho, independência do Brasil, ocorrida após batalhas aqui na Bahia. O Sol já estava a pino quando me levantei. Fui ver sala se o modem estava ligado. Voltei para meu quarto, para escrever no blogue, com meu tablet novinho em folha. A partir de agora, conquistei minha independência...

segunda-feira, 20 de junho de 2011

cronicas do reino de jambom interregno

Teias de aranhas reinam no castelo do bardo. Somente o o silencio, nado mais. Onde estara o dono, perguntam as sombras, para vento responder com um assobio melancolico. O reino de Jambom esta em nevoas...

Enquanto na ficcao da vida civil, ha mais a ilusao de se ser Mayakosvy.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Farewell Sunday - um micro-conto

Salvador, 30/05/20111 (02h50)

A lua cheia lá fora é um convite a fazer algo extraordinário. Escrever um romance. Se inscrever em algum projeto de trabalho voluntário. Voltar a faculdade e fazer um curso novo. Fazer uma viagem cultural até uma lugar interessante, como as ruínas de Tihuanaco. Mas hoje é noite de domingo e amanhã, o cotidiano medíocre da cidade grande triturará estes sonhos na mesma alienação de sempre...

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Nada mais que a verdade

O que dizer agora? Tanta correria com a minha vida civil, o que resta são planos adormecidos de romances e poemas, enquanto a cotidiano da metrópole suga-me para o aniquilamento existencial. Pela manhã de hoje, terei mais um dia de trabalho como funcionário comissionado; Ontem, fui o namorado apaixonado. E na ordem do dia, há a preparação para o mestrado. Quanto terei tempo para minhas coisas?

terça-feira, 22 de março de 2011

Requiem para uma Jovem

Réquiem para uma Jovem

(M.C.R., in memoriam)

Salvador, 22 de março de 2011

Todo pássaro nasceu para ser fogo.

Todo fogo nasceu para ser canção.

Toda canção nasceu para ser estrela.

Toda estrela nasceu para paixão.

E toda paixão nasceu para ser pássaro.

Os sonhos jamais foram o limite

Quando se aspira à Ígnea Flor que vive além do horizonte.

Contudo (talvez) faltou uma mão amiga

(talvez a minha

E isso dói muito)

Que, do Destino, o laço sombrio desamarra-se.

Teu grito mudo quebrou-se no Abismo,

Anunciando a Jornada precoce….

Do seu pássaro, então, sobrou a lembrança da luz,

E do fogo, o eco amargo na parede.

Sua canção não resplandece no infinito,

Nem a estrela floresce no coração.

Paixão, suas asas de anjo agora passeiam no horizonte,

Como uma saudade de lágrimas duras.

Vá, meu anjo, percorra as searas dos deuses

E declame teus versos de fogo na amplidão.

Ocupe os palcos de nuvens que por ventura tua sombra passar,

Que daqui ouviremos tua estrela cantar, sempre.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Silencioso Ruido

Silencioso Ruído
Salvador, 09 de junho de 2010 (02h13 AM)
Eu queria dizer de flores e luares
E de como os sonhos roubam dos diamantes
A natureza fulgaz das auroras.
Eu queria dizer sobre bem-amadas e viagens
Que os crepúsculos não trazem em si.
Eu queria dizer de sonetos e sonatas e serenatas
Que os foguetes alegram a cidade de Macau,
Enquanto as guirlandas de estrelas
Patinam no veludo do Tempo.
Eu queria dizer de elfos e fadas e centauros e djins
Que brincam sob os fogos azuis de Beltane.
Mas há na cidade um cheiro acre de silencioso ruído,
Um gosto ácido de desilusão e cinismo,
Um eclipse seco de amargura,
Que rouba de minha voz
As palavras que tanto gostaria de dizer em minhas canções.
E assim, sendo mais um tijolo na parede,
Minhas noites seguem opacas,
Sem luares ou flores
Que eu possa ninar a bem-amada.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

VAGAS PARA RAPAZES DE FINO TRATO - Valenca

HÁ VAGAS PARA RAPAZES DE FINO TRATO NO CINE VITÓRIA


Após um ensaio aberto para convidados realizado no final de 2010, a nova montagem d'OPECADO entra em cartaz nos dias 25, 26 e 27 de fevereiro, sempre às 20h, no Cine Vitória, em Valença.

A trama se desenvolve num quarto de pensão na capital baiana. Nele, estão Paco e Tonho, dois jovens sem qualquer afinidade aparente, que se veem obrigados a dividir o mesmo espaço. Tonho é o moço sonhador que deixa para trás a sua Valença, onde até então vivia sem muitas perspectivas, para realizar seus sonhos na capital. Paco é o soteropolitano porra-louca, desencantado e perturbador. Num jogo de estranhamento vs. sedução, dominação vs. cumplicidade, esperança vs. desengano, os personagens se envolvem numa trama tensa que ora os polariza, ora os aproxima.

Livremente inspirado em Dois Perdidos Numa Noite Suja, de Plínio Marcos, Há Vagas para Rapazes de Fino Trato resgata e dá novos contornos psicológicos à dupla criada pelo dramaturgo maldito, vivida nesta montagem por Adriano Pereira (Teatro Nu) e Cadu Oliveira (Geração Coca-Cola), que também assina o texto. O espetáculo é dirigido por Juliano Britto (A serpente, Esperança, Os Saltimbancos, Os Mortos )

ONDE: CINE TEATRO VITÓRIA
QUANDO: 25, 26 E 27/O2
Ingressos: R$ 10,00 e R$ 5,00 (meia)

Publicado no Jornal Valença Agora - Nº303 - edição de 17 a 23/02
http://adriano-pereira.blogspot.com

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Ocupacao Cultural no Porto da Barra

A raiz tá no ponto
A colheita vai começar
pra torrar a farinha
é preciso o argüida...

Artistas valencianos desembarcam no Porto da Barra no próximo dia 05 de Fevereiro. Na Praia dos Livros, a partir das 17 horas, com presença do Grupo Argüidá (manifestação cultural da zona rural do Jiquiriçá) e lançamento dos livros Amor com Humor (Macária Andrade), Vivendo e lembrando (Francisco Neto) e Novos Valencianos (antologia de jovens escritores de Valença), a Ocupação Cultural realiza mais uma edição, desta vez na capital baiana.

O sarau poético musical pretende adentrar a noite e espraiar-se pelas areias da Barra mostrando o melhor da cultura valenciana.
Já confirmaram presença: Adriano Pereira, Chico Nascimento, Cadu Oliveira, Edegar Otacílio, Geilson de Britto, Gilberto Magalhães, Isaias Menezes, Jamile Menezes, Jhecy Coutinho, Juliano Britto, Macária Andrade, Otávio Motta, Ricardo Vidal, entre outros.

Os interessados em mostrar seu trabalho devem entrar em contato o quanto antes pois as vagas são limitadas.


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terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Fragmentos opus 30 - Oceanico


Somente uma página. Ponto de exclamação. Uma página branca, cibernética, marítima. Uma página que é um ponto de partida, porto de partida. Seguimento. Estação de chegada.
Somente uma semente alada, ao léu, jogada assim, alhures. Vírgula. Nada mais que uma possibilidade insône. Ou uma prosa poética em embrião, o Sandman de Neil Gailman tentando se libertar das correntes.
(Um parênteses a la Fernando Pessoa: todos os sonhos cabem numa Binômio de Newton, o que falta é uma metafísica para acendê-los...).
Somente uma reticência resistente. Uma vontade louca de se fazer ao mar e vencer as ressacas com o esporão de meu CSS Merrimack. Ter um oceano em fúria para sangrar com a tridente de Neptuno, singrar a deriva até o maelstron da existência. Fúrias e Tormentas. Scylla et Caríbdis. Uma prosa poética fragmentária como um schrapnel zundindo em direção ao infinito, vindo de uma fragata aérea, cheia de rosas e sangue. Una nau cruzando as nuvens de enxofre e insânia. Ah, todos os marujos juntos, cantando em homenagem a Santiago e Moby Dick. Rum e gaita, tempestades e trovões, isso que se faz uma noite terrível e tragicamente bela em alto-mar.
Somente um fogo-de-santelmo como farol. uma calmaria. A pomba branca descendo ao convés com um ramo de oliveira. Paz. sossego.
E por não haver mais sonhos, fecha-se a janela e o Amanhã canta tuas incerteza nas trevas...
Salvador, 25 de janeiro de 2011 (01h27 AM)

sábado, 8 de janeiro de 2011

Cronicas do Reino de Jambom - Seria Mayakosky?



Era madrugada do ano-novo de 2011 no Castelo. o escritor R. Vidal já havia se despedido da sarau do ano-bom e por isso estava exausto. Não fora a festa que o cansara (como poderia se cansar quando estava com a Senhorita B, Musa Isabel, Barão de Olho D'Água de Pai Mané, Condessa Karinina de la Luna e outros amigos?), mas o nascimento de mais um ano.
R Vidal foi até a sua torre, esperar o nascer do dia. Acendeu algumas velas e ficou olhando a sua escrivaninha. Neles, anda estavam os rascunhos dos cartazes do ano passado, misturado. Numa pasta esquecida na poltrona, estavam os poucos rabiscos poéticos. Ele sentia dúvida. Seria mesmo um Mayakósvky? Queria acreditar que sim: usar sua criatividade para ajudar o novo governo do Reino de Jambom, criar um país mais justo. Aliás, lutara tanto para ter um governo de esquerda, trabalhista, sobre a liderança de Don Ignácio... E eis que ele foi chamado para o governo, dar uma modesta contribuição no Departamento de Agitação e Propaganda. Também não era nada grande, porque ele não tinha ambição. Só que os dias nos estúdios não eram de alegria vermelha. Agitprop também era stress roxa, cansaço verde, riso amarelo para contornar os problemas. E para isso sacrificou alguns saraus e adiou o lançamento dos livros. E pensou no final de Mayakósky. Surgiram dúvidas e uma outra ambição, mas terrena e pessoal tomou conta de teu coração.
Por isso que 2010 foi um ano confuso e estressante e 2011 nascia como uma encruzilhada para o nosso escritor. Encruzilhada que na vida civil é mais complexa, com o concurso para professor, o namoro sério, a necessidade de entrar no mestrado e ter poemas novos pedindo para serem escritos.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Direto de Dom Macedo City

Car@s amig@s e leitores(as) do meu blogue:
Estou de férias do meu trabalho, mas não de minhas obrigações... Estou aqui em Dom Macedo Costa, na casa de minha namorada, estudando para o concurso do Estado da Bahia para provimento de professores do ensino básico. Em brfeve retorno a literatura e ao blogue. Até lá, Um feliz natal para todos!
Bo Nadal!
Merry Christmas!
Feliz Navidad!

domingo, 5 de dezembro de 2010

Lancamento da antologia Novos Valencianos

LIVRO COLETÂNEA DE ESCRITORES VALENCIANOS SERÁ LANÇADO EM DEZEMBRO PELA OCUPAÇÃO CULTURAL

Intitulado NOVOS VALENCIANOS, com apresentação e organização de Araken Vaz Galvão, chega às ruas, esse mês o livro coletivo dos artistas do projeto Ocupação Cultural.
O lançamento está previsto para o próximo dia 17 de dezembro, data em que se realiza a última edição do projeto, no Centro de Cultura de Valença. Quem está radiante de felicidade é o produtor, Adriano Pereira. Além de ser o autor dos textos que abrem o livro, o jovem está completando 28 anos, no dia do lançamento. “Será uma comemoração tripla, par mim, mas também para os artistas, pois estamos finalizando o 2 ano do projeto e lançando ao mesmo tempo 13 jovens escritores, a grande maioria artistas que se conheceram ou se fortaleceram na Ocupação” – arremata Pereira que aproveita para convocar todos os artistas e apoiadores do projeto para confirmarem sua presença.
O livro, composto de poesias, contos e ensaios em prosa, é dedicado ao ator Judson Santos Conceição. Com ilustrações de Jamile Menezes, nele escrevem, além de Adriano Pereira, Ricardo Vidal, Thyson Pereira, Cadu Oliveira, Isabela Brito, Maria Cláudia Rodrigues, Djafar Araújo, Geilson de Brito, Raony de Souza, Nayra Évine, Chico Nascimento, Jeu Guanabara e Cynara Novaes.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

palavras ao vento

Palavras ao vento

Era um poema. Ou um conto
Não sei...
Apenas uma vontade de escrever,
Jogar as palavras no branco papel,
Brincar com elas na tela,
Ver o curso nervoso, as teclas em fúrias,
Um não sei que de literatura.
Algum alimento para que o blog não seque de tristeza.
Era para ser um poema. Ou conto.
Um fragmento de diário.
Um capítulo sobre o reino encantado de Jambom.
Mas não poderia de ser mais nada,
Além de palavras ao vento...


Salvador, 18 de novembro de 2010 (12h48 AM)

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Memoria - um conto

Salvador, 16 de novembro de 2010
madrugada (IVhXXVII)

Já madrugada e o escriba ainda está frente do computador. A janela com o seu trabalho (atrasado) está baixa, pois o escriba estava a ver páginas do Orkut. Revia fotos de ex-colegas, amigos próximos que não encontravam a anos. Em algumas fotos a admiração e o espanto dava a tônica: Um esperado botão mirrado e inexpressivo desabrochou espetacularmente em uma orquídea sensual, Uma barriga saliente e decandente aos trinta, casamentos inimagináveis.

Ele olhava saudoso, quase melancólico, os caminhos que foi conduzido as pessoas. Alguns foram médicos que se perderam no mundo. Outros, bacharéis em Direito e Administração, ornavam seus diplomas de faculdades particulares com alguma pequena sinecura conquistada alhures. Quase todo casados e com fotos dos filhos, indicavam que seguiam o rumo do sucesso: casa própria, família constituída, carro do ano, alguma viagem na memória e o cotidiano calmo e pequeno-burguês que certamente será conduzido a uma aposentadoria simples e posterior esquecimento.

O leitor pode imaginar que em breve aquela sessão de nostalgia iria redundar em uma vontade de rever a turma. E foi o que aconteceu. O escriba ameaçou abrir o e-mail e tentar contactar alguém. Marcar um encontro. Talvez fosse melhor ir para a comunidade da antiga escola e deixar uma convocatória. Passou a sonhar acordado, pensando no que iria dizer aos colegas, uma pilhéria, uma comentário - quiça, flertaria com algumas ex-colegas (uma forma de voltar a adolescência e comer a maçã que ele havia desperdiçado).

A solidão da noite dourava ainda mais o passado que se julgava maravilhoso, cobrindo as máculas com um véu de jocosidade. Reencontrar os ex-colegas, que se não viam a mais de uma década, seria o ópio que precisava no momento. Nada de preocupação ou pernilongos. Apenas lembranças falsamente verdadeiras de um tempo que os adultos julgavam bom, porque já não são mais adolescentes ansiosos com a chegada da maturidade.

Só que o sono começou a vencer a saudade e a distância entre os ex-colegas era grande para se tentar algo. Mesmo que quisesse, aquela não seria o melhor horário para localizar alguém com quem não se conversa a muito tempo. É madrugada e há ainda um trabalho a terminar mais tarde, no escritório.

O escriba fechou todas as janelas (sem antes salvar algumas fotos de ex-colegas com trajes de praia) e se preparava para dormir. O sonho traz sempre lembranças melhores do que a memória...

sábado, 9 de outubro de 2010

Gliese 851c

Recentemente, li ma internet uma notícia qualquer sobre o exoplaneta no sistema Gliese 581. Por ele ser próximo ao tamanho da Terra, está na zona de órbita potencialmente apta a vida e relativamente perto de nós (40 anos-luz), não seria de estranhar que imagens sobre eles sejam procuradas na internet. Ora, em fevereiro de 2008 escrevi um poema sobre este planeta, ilustrada com uma imagem da Wikipedia. Com isso, percebi que parte dos últimos acessos devem a isso. Fica assim um pequeno registro.


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Câmbio, desligo. Fim da transmissão

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

8 de outubro e dois icones

Hoje é oito de outubro. Duas colegas de trabalho fizeram aniversário. Pelo Google, soube que hoje John Lennon completaria 70 anos, se estivesse vivo. Antigamente, alguém ainda lembraria que hoje é também a data em Che Guevara foi morto ou capturado na Bolívia, deixando a vida para forja um ícone eterno de um ideal, há 43 anos.
Curioso que duas figuras chaves da geração de 60 se encontrem numa mesma data. Um, nascia, outro morria. Um era inglês que emigrou para os EE.UU., músico, membro-fundador do mais famoso conjunto musical da história, pensador, pacifista, contestador, um "beatle". O outro é um argentino naturalizado cubano (embora se considerasse um cidadão do mundo), médico, revolucionário, teórico da guerrilha, contestador, um herói. Sendo famosos, com certeza um sabia da existência do outro, embora não se saiba se haveria admiração entre eles.
Mas em que esta lembrança haveria de interessar neste blog de literatura? Poderia fazer deste texto um pedaço de diário fala do que eles representam para mim, afinal meu pai é fã declarado dos The Beatles e eu, de Che. Ou fazer uma análise cultural dos dois (quiça um confronto? Ou semelhanças?). Mas o que me vem a mente agora é se valeria a pena falar deles ainda, em plena segunda década do terceiro milênio.
Querendo ou não, eles são ícones dos anos sessenta, duas faces do maio de 68. Quer pelo engajamento contra-cultural ou político, eles são referências desta geração - inclusive na estética da moda. E isso pode dar um ar datado a alguns de seus cultores, algo o do jovem rebelde de esquerda ou hippie eterno. E algumas das coisas que eles pregavam já foram superada: o modelo de comunismo defendido por Che foi soterrado quando Muro de Berlin caiu à esquerda. E a Guerra do Vietnam acabou sem que fosse dada uma chance a paz. O próprio mundo já deu muitas voltas e surgiram tantas coisas novas, como a internet, redes sociais eletrônicas, mudanças climáticas, celulares e ocorreram as eleições de Reagan, Thatcher, Hugo Chavez, Carlos Menen, Os dois Bush, Evo Morales, Collor, F(T)HC, Lula e Barack Obama e a subida ao poder dos xiitas no Irã e dos talibãs no Afeganistão. Aliás, falando em voltas, não deixam de se notar que, apesar de contestarem a ordem burguesas, eles foram deglutidos pelo próprio capitalismo, tornando-os produtos que diluem as mensagens de seus textos e exemplos, a imaginar, e.g., a foto de Che tirada por Alberto Korda estampando embalagens de vodka e cigarros.
Contudo, uma aura de perenidade cercam os dois. John Lennon, como músico, é um mestre. Listar as músicas compostas por ele (sejam sozinho, com Paul McCartney, ou com qualquer outro) que fizeram sucesso e ainda são lembradas pelos público seria em parte que fazer a lista dos grandes sucesso da segunda metade do século XX. Algumas, como "Imagine", são hinos que entraram definitivamente para o cancioneiro popular. Depois, sendo famoso, não deixou de usar sua fama para fins nobres, como a paz
Já a vida de Che Guevara, com suas peripécias e tomadas de decisões, fazem dele um personagem singular. Alguém que, formado em medicina, sai percorrendo a América Latina para conhecê-la e, levado por misto de senso de inconformismo e generosidade, alia-se a uma grupo de revolucionários vitoriosos e ser tornar apóstolo da revolução, renunciando a regalias, é por demais cativante. Não é a tôa que o próprio EE.UU. se rendeu, com a produção de filmes sobre a vida de um dos seus maiores críticos. Além do que, como escritor, ele possue seus méritos - basta ler o Diário da Guerrilha Boliviana.
No fundo, eles representam (de alguma forma) a utopia de um mundo melhor, pacífico e justo. E que ela é possível, quando se vai a luta.

Biblioteca do Bardo Celta (Leituras recomendadas)

  • Revista Iararana
  • Valenciando (antologia)
  • Valença: dos primódios a contemporaneidade (Edgard Oliveira)
  • A Sombra da Guerra (Augusto César Moutinho)
  • Coração na Boca (Rosângela Góes de Queiroz Figueiredo)
  • Pelo Amor... Pela Vida! (Mustafá Rosemberg de Souza)
  • Veredas do Amor (Ângelo Paraíso Martins)
  • Tinharé (Oscar Pinheiro)
  • Da Natureza e Limites do Poder Moderador (Conselheiro Zacarias de Gois e Vasconcelos)
  • Outras Moradas (Antologia)
  • Lunaris (Carlos Ribeiro)
  • Códigos do Silêncio (José Inácio V. de Melo)
  • Decifração de Abismos (José Inácio V. de Melo)
  • Microafetos (Wladimir Cazé)
  • Textorama (Patrick Brock)
  • Cantar de Mio Cid (Anônimo)
  • Fausto (Goëthe)
  • Sofrimentos do Jovem Werther (Goëthe)
  • Bhagavad Gita (Anônimo)
  • Mensagem (Fernando Pessoa)
  • Noite na Taverna/Macário (Álvares de Azevedo)
  • A Casa do Incesto (Anaïs Nin)
  • Delta de Vênus (Anaïs Nin)
  • Uma Espiã na Casa do Amor (Anaïs Nin)
  • Henry & June (Anaïs Nin)
  • Fire (Anaïs Nin)
  • Rubáiyát (Omar Khayyam)
  • 20.000 Léguas Submarinas (Jules Verne)
  • A Volta ao Mundo em 80 Dias (Jules Verne)
  • Manifesto Comunista (Marx & Engels)
  • Assim Falou Zaratustra (Nietzsche)
  • O Anticristo (Nietzsche)