Sua Majestade, O Bardo

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Valença, Bahia, Brazil
Escritor, autor do livro "Estrelas no Lago" (Salvador: Cia Valença Editorial, 2004) e coautor de "4 Ases e 1 Coringa" (Valença: Prisma, 2014). Graduado em Letras/Inglês pela UNEB Falando de mim em outra forma: "Aspetti, signorina, le diro con due parole chi son, Chi son, e che faccio, come vivo, vuole? Chi son? chi son? son un poeta. Che cosa faccio? scrivo. e come vivo? vivo."

terça-feira, 20 de março de 2012

Uma homenagem justa aos decanos da cultura valenciana

Uma homenagem justa aos decanos da cultura valenciana

por Ricardo Vidal
Escritor e Professor do Colégio Estadual Hermínio Manuel de Jesus (Bonfim). Licenciado em Letras/Inglês pela UNEB (Campus 1).

Na primeira quinzena de março, três instituições homenagearam dois decanos da intelectualidade valenciana: A UNEB / Campus XV e a Casa de Cultura Maria Claudia Rodrigues (MaCRo), através do "Por do Sol Unebiano", realizou uma palestra sobre literatura feminina em homenagem a profa. Macária Andrade no dia 15 de março. E na noite do dia 17, o Centro de Estudos Avançados de Defesa dos Direitos Humanos (CEADDH) fez um sarau lítero-musical para homenagear Dr. Mustafá Rosemberg. Felizmente estes eventos ocorreram estando ambos os homenageados vivos, permitindo que eles saibam do afeto que o povo de Valença tem por eles.

É importante que eventos e homenagens como estes sejam feitas enquanto estas pessoas ainda se encontram vivas. O legado que tanto Mustafá Rosemberg quanto Macária Andrade deixaram para Valença estão além da suas atuações profissionais nos setores da Saúde e da Educação, respectivamente. Suas produções e conquistas literárias (que elevam o nome da nossa cidade), suas lutas por uma Valença melhor e próspera e seus exemplos como pessoas e cidadãos os tornam eternos credores do afeto e admiração do povo valenciano e o maior erro que se haveria fazer é de celebrá-los depois de mortos.

Como educadora e formadora de várias gerações de valencianos, Macária Andrade já conquistara sua colocação como nome ilustre da região. Professora e diretora fundadora do então Ginásio Industrial Ministro Oliveira Brito (atual Colégio Estadual Gentil Paraíso Martins), dirigiu e ensinou várias escolas de 1º e 2º na cidade e lutou por para que nossa cidade pudesse sediar um curso superior. Seu sonho se transformou em realidade que a UNEB trouxe um dos campi para aqui. Contudo, se isso já não fosse suficiente, Macária é uma escritora de mão cheia: poetisa, contista e cronista, autora da letra do hino de nossa cidade. Sua literatura a fez merecedora de estar nos quadros da Academia de Letras do Recôncavo (ALER) e presidir a nossa Academia Valenciana de Educação, Letras e Artes (AVELA).

Mustafá Rosemberg, igualmente já estaria no Olimpo valenciano pela sua atuação como médico: cirurgião e médico ginecologista e obstetra, ele ocupou diversos cargos na Santa Casa de Misericórdia de Valença, idealizou e fundou o Núcleo de Orientação contra o Câncer e foi diretor da Associação de Proteção à Maternidade e Infância. E sempre cônscio de seu juramento na hora da formatura, faz da medicina ainda hoje um claro exemplo da prática amorosa ao ser humano (haja visto ter recebido recentemente o prêmio Melhores do Ano 2012, na categoria profissional liberal). Mas o humanista de coração adolescente que é Mustafá o fez também professor de inglês nos colégios de Valença, presidente do Rotary Clube, empreendedor e maçom da melhor estirpe. Mais ainda, orador talentoso, Mustafá é um poeta inspirado de alma alegre e generoso, que toda semana brinda o povo valenciano com os poemas publicados no Valença. Igualmente membro da ALER e da AVELA, não deixa de usar seus louros acadêmicos para prestigiar os artistas locais promissores.

Macária e Mustafá são hoje os decanos da intelectualidade valenciana. E se estes últimos eventos promovidos pelo UNEB, MaCRo e CEADDH ainda é muito pouco diante da grandeza deles, que elas sirvam também exemplo para outras homenagens em vidas todos os demais valencianos ilustres que continuam batalhando e engradecendo o nome da Industrial Cidade de Valença, a exemplo de Araken Vaz Galvão Macária Andrade e Mustafá Rosemberg, dentre tantos outros.

quarta-feira, 14 de março de 2012

UNEB e MaCRo promovem palestra em homenagem a Macaria Andrade


UNEB e MaCRo promovem palestra em homenagem à Macária Andrade



A Casa de Cultura Maria Cláudia Rodrigues (MaCRo) e a Universidade do Estado da Bahia (Campus XV / Valença) promovem nesta quinta-feira, dia 15 de março, às 17h, na sede da MaCRo (Praça Barão do Rio Branco, 8, São Félix), a palestra "A poética do feminino na poesia baiana: uma homenagem à escritora Macária Andrade". A palestra faz parte do projeto "Por do Sol Unebiano", que se realiza em conjunto com as atividades "Março Mulher", desenvolvida pela MaCRo para comemorar o Dia Internacional da Mulher.


Durante a palestra do Por do Sol Unebiano, serão analisados os elementos que caracteriza a literatura feminina como uma poética (modo específico de criação artística), utilizando exemplos da poesia escrita por autoras valencianas, especialmente nos textos de profa. Macária Andrade. O evento será conduzido por Ricardo Vidal, escritor e professor do Colégio Estadual Hermínio Manuel de Jesus, que é formado em Letras /Inglês pela UNEB, está concluindo a especialização em Estudos Literários na UFBA e possui pesquisa acadêmica sobre a literatura feminina na contemporaneidade.


O projeto Por do Sol Unebiano, que já está sua quarta edição, é uma atividade de extensão organizada pelos alunos de Pedagogia do Campus XV da UNEB, sob a tutela de Prof. Ms. Ruy D'Oliveira e com a participação da Profa. Esp. Taylane Nascimento. Ele visa fazer debates abertos à população com temas relevantes da atualidade. Normalmente realizada no auditório da universidade, este é a primeira vez que uma palestra será realizada fora da instituição, com o intuito de aproximar o saber produzido pela universidade com os interesses da população.


Beleza Roubada no MaCRo Cineclube

Na sexta-feira, dia 16 de março, às 17h, O MaCRo Cineclube o filme "Beleza Roubada", de Bernado Bertolucci. Com Jeremy Irons e Liv Tyler, a história fala de como uma garota norte-americana de 19 anos, que após o suicídio da mãe, parte para Itália em busca da identidade de seu pai e para rever seu namorado. Viagem esta que irá marcar definitivamente sua vida. O debate após a exibição do filme será conduzido por Nádia Ribeiro, estudante de psicologia da UFRB.


As atividades desenvolvidas pela MaCRo durante o "Março Mulher" contam com o apoio do UNEB - campus XV, CUT Bahia, Lojas Rio Mar, Aplb Sindicato, Secretarias Municipais de Cultura e de Promoção Social, Gráfica Prisma e Jornal Valença Agora, através do Projeto Deixe sua Marca.


Assessoria de Comunicação da MaCRo (Casa de Cultura Maria Cláudia Rodrigues)

sábado, 25 de fevereiro de 2012

90 anos da Semana de Arte Modena


Peço licença a profa. Eliana Mara para postar este clipe educativo, mostrando como o modernismo chegou ao Brasil via São Paulo. Também, fica como uma homenagem ao nonagésimo aniversário do evento. E, desde já, começa a contagem regressiva para o centenário. São Paulo 2022, aí vou eu!!!!!

sábado, 11 de fevereiro de 2012

As Ardentias

Baía de Todos os Santos (F.B Anna Nery), 14 de dezembro de 2011


Sonho com o mar.
Sonho com as ondas quebrando na Eternidade.
Sonho com os ventos navegando entre ardentias
Em meu barco de papel.
Lanço velas e esperanças ao largo,
Para me perder entre os horizontes além do horizonte.
Vogo como um velho marujo,
Que vence as garras de Neptuno a cada onda
Em que o oceano me envia como um sorriso aberto.
Sereias e delfins e leviatãs e tritões
Saúdam-me quando cavalgo as ardentias
Com meu barco, em busca de um farol.
Às vezes descanso em algum porto…
Mas não tarde!
O mar é uma noiva ciumenta que m’enfeitiça
E cujos braços eu sempre retornarei.

Sonho com o mar.
E é para além das margens do Oceano
Onde eu quero me deitar…

Cafe com o Autor ARAKEN VAZ GALVAO



O Ponto de Leitura "Bem Brasileiro - Por uma Cultura de Direitos", convida para mais uma edição do Café com o AutorO convidado  Araken Vaz Galvão. É o convidado desta edição, que falará sobre "A fantasia na Criação LiteráriaMeu Encontro com a Bíblia."
Araken Vaz Galvão é escritor, membro titular do Conselho Estadual de Cultura, da Academia de Letras do Recôncavo - ALER, Professor por notório saber (Honoris Causa) pela Faculdade de Ciências Educacionais e Autor de várias obras de Literatura e História, Diretor de cinema e autor teatral, com obras escrita em espanhol. Reside atualmente em Valença - Bahia.

Obras publicadas: "Valença, Memória de uma cidade – História"; "Crônicas de uma família Sertaneja – romance"; "Pargo e outras histórias – contos"; e das Antologias "Valenciando", "Rio de Letra" e "Trívio".


terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Bahia em Transe


Olhando com os olhos menos de militante e mais de intelectual, não há de se sentir um pouco como personagem de Jardel Filho no filme "Terra em Transe". Tudo bem, há mais boatos do fatos nesta histeria coletiva de falta de segurança. Tudo bem, concordo com a teses dos manifestantes e sei que o policial deve ser muito bem remunerado. Conheço razoavelmente filosofia e política para entender que, dialeticamente há uma diferença entre o ex-sindicalista, o o ex-deputado de oposição e o atual governador e que por isso não dá por aceitar a cobrança simplória sobre Jaques Wagner. E sei também que há muita guerra de informação, contra-informação e desinformação na disputa pela hegemonia social. Sei que há exageros e radicalizações bobas dentre os manifestantes, da mesma forma que reconheço alguns pecados do governo na gestão da crise. O bom senso diz que nem devemos demonizar a categoria (apesar dos excessos cometidos) nem culpar ou ridicularizar totalmente o governo. Sei que numa hora desta há muitos rancores que sob a tona. Contudo, a sensação do transe ainda persiste. Talvez, pela clareza política com que vejo isso e reconhecer que ainda falta muito para o povo brasileiro se politizar, esta sensação fica mais forte. Oxalá, o bom senso volte e através do diálogo, o atual governo do meu estado consiga vencer esta crise com o menos de desgaste possível.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

women not shamed to say what they think




The Valencian writer Ricardo Vidal will lecture on "Women without shame to write what they think" on 21th, January at 19:20 at the point of reading "Bem Brasileiro" in Valença-BA (Brazil). The event, sponsored Center for Advanced Study of Human Rights (CEADDH) is free, but with limited places. Registration by Internet, by http://ceaddh185.blogspot.com.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Palestra no ponto de leitura Bem Brasileiro


Literatura feminina é o tema de
palestra de Ricardo Vidal no CEADDH


O escritor valenciano Ricardo Vidal fará palestra “Mulheres sem vergonha… de escrever o que pensam” no dia 21 de janeiro, às 19h20, no ponto de leitura “Bem Brasileiro – Para uma Cultura de Direitos!”. O evento, promovido ONG Centro de Estudos Avançados de Defesa dos Direitos Humanos (CEADDH), é gratuito, mas com vagas limitadas. Inscrições pelo internet, pelo blogue http://ceaddh185.blogspot.com.

A palestra falará sobre a literatura de autoria feminina, com ênfase nas escritoras dos séculos XX e XXI. “Pretendo mostra na minha palestra uma visão sobre a literatura feminina que é densa e forte, distante do estereótipo que associa a escrita feminina com sentimentalismo barato e frívolo. Irei apresentar um leque de escritoras excelentes como Eliana Mara e Renata Belmonte. Escritoras que, além de escreverem bem, não tem vergonha de expressar seus pensamentos”, afirma o palestrante.

Sobre o palestrante
Ricardo Vidal é escritor e professor de literatura, autor do livro “Estrelas no Lago” (2004), premiado pela revista literária Iararana e pela Academia de Letras do Recôncavo. Participou de várias antologias de contos e poesias. A mais recente é a antologia “Novos Valencianos” (2010), que reúne a nova geração de escritores valencianos ligados à Ocupação Cultural. Ricardo Vidal é licenciado em Letras / Inglês pela UNEB e atualmente está concluindo a pós-graduação em Estudos Lingüísticos e Literários da UFBA, onde prossegue sua pesquisa sobre Erotismo na Literatura Feminina Contemporânea.

O que? Palestra “Mulheres sem vergonha… de escrever o que pensam.”
Quando? 21 de janeiro de 2012, às 19h20
Onde? Ponto de Leitura “Bem Brasileiro” (Av. Maçônica, 335 A, Graça. Valença - BA)

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Acompanhe RICARDO VIDAL nas redes sociais:
Blogue: “Castelo do Bardo Celta” (www.bardocelta.blogspot.com)
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Twitter: www.twitter.com/bardocelta

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Sexta Feira 13 - tentativa de microconto

Olhou para o calendário no canto de computador: Sexta-feira, 13 de janeiro. "O ano começou bem", pensou ele com os botões. Ele não era supersticioso, mas, (como bom baiano descendente de espanhol, um cético que respeitava os mistérios do mundo), prometeu evitar cruzar gato preto e andar por debaixo de escadas naquele dia. No Orkut, plantou bastante guiné e espada-de-são-jorge no jogo "Colheita Feliz". Bateu na madeira virtual do Facebook. Ficou mudo no Hotmail, no MSN Messenger e no ICQ, a fim de evitar mal-entendidos. Para isso, tinha uma boa desculpa: estava escrevendo uma palestra e, portanto, precisava de silêncio. E assim o dia foi morrendo modorrento por detrás dos prédios. Ao ver que nada de azarado poderia ocorrer naquele dia (e por que ocorreria?), nosso personagem anônimo foi trabalhar no seu blogue. Postava o texto na palestra no blogue quando um estourou ouvido lá fora antecedeu o momento  da tela do computador escurecer de vez: uma sobrecarga no transformador o fez perder todo o texto, que, ironicamente, ele havia se esquecido de salvar...

Salvador, sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Convivencia Academica


Convivência Acadêmica
(Ou, por que todos os cursos superiores
possuem sempre uma “diretoria” de alunos
)

Salvador, 22 de dezembro de 2011 (04h56 AM)

Para professoras Sonia Simon, Janaina
Weissheimer, Adelaide Oliveria, Undira
Fratel
e Igor Rossoni; e meus colegas
das “Diretorias” da Graduação (César,
 Antonio e Cristiano
) e da Especialização
 (Rudval, Roberta, Micheli, Vandelma,
Nabucodonossor, Dagoberto, Joelma e Rebecca
)



Dezembro de 2011, 2012 já está mostrando suas primeiras sombras, com esta mistura de esperança e ansiedade. Para mim, 2012 será a minha volta para casa. Fecho um ciclo e começo outro como professor. E parafraseando Goulart Gomes, se o meu terço que delira exulta em felicidades, o que meu outro terço que pondera tenta administrar aquelas perdas naturais de uma transição.
Como não existem (ainda) filiais da “Subway” e do “Rei do Mate” em Valença, já me dei por conformado. As visitas às Livrarias “Saraiva” e “Cultura” eu posso compensar com a internet. Contudo, se há algo que meu coração sentirá pesar serão as reuniões de “Diretorias” que eu deixarei de ir.
Para quem freqüentou um curso superior pensando além do diploma, sabe que as reuniões de “Diretoria” são os momentos mais pujentes daquilo que a educação superior pode melhor oferecer a alguém. É a Convivência Acadêmica, aquele doce exercício de intercâmbio de vivências, sensações, experiências e leituras ocorridas no ambiente acadêmico e que servem para o nosso crescimento humanístico.
Dito assim, dicionariescamente, pareço que estou complicando o conceito de aula. A aula é convivência acadêmica também. Mas transcende os limites da aula. É menos que a freqüência impecável e fria do que alguns calorosos bate-papos na cantina. É menos que um currículo sólido de que simples e sinceras trocas de impressões sobre textos. Pode ser os círculos de amizade que se leva pela vida. Mas pode ser também apenas laços de fraternidade formados em efêmeras rodas de conversas. Ele está no contínuo fluxo de saberes compartilhado que o ambiente da academia propicia, no tráfego de idéias dinâmico de conceitos. Deste modo que a aprendizagem se faz como algo coletivo, mais leve e menos doloroso: as angústias são compartilhadas da mesma forma que as descobertas. Um exemplo disso é quando penso que melhor do que respostas prontas, lá eu posso encontrar um cardápio de opções e bibliografias que eu possa digerir e regurgitar posteriormente como novo conhecimento.
Para mim, o mais gostoso da universidade nem sempre estava na aula em si, porém na possibilidade de conversar com o professor na cantina. Ou então, depois da aula, reunia eu com meus colegas (quiçá numa mesa de bar) para alguns minutos de prosa. Era um segundo tempo da aula, mais livre. Às vezes, até mais divertido. Era um momento de se aprofundar um tópico. Ou tratar de outro ponto mais interessante. Ou ainda, complementar aquilo que os limites formais de uma aula não permitiam. Ou o melhor de tudo, tratar o mesmo assunto, só que por um viés: profano, reverente, brincalhão, alternativo, irreverente, pervertido, intimista, crítico. Certa vez, fui tirar uma dúvida com uma professora no corredor. A conversa boa e fluida, cheia de digressões infinitivamente pessoais coordenados com esclarecimentos referentes aos tópicos que eu iria abordar em minha apresentação, esta conversa se prolongou que em determinado momento a professora me lembrou que eu perdia mais da metade da aula de outra professora. Sinceramente, eu não me considerei perdendo nada – ganhei mais com aquela conversa animada.
Como corolário desta convivência acadêmica está na formação da “diretoria”. É aquele grupo de colegas (às vezes, também com participação professores) que são formados por afinidades e levam o convívio para além da sala de aula. Pode parecer pretensiosa esta nomenclatura, mas reconheço que ela possui uma razão de ser: muitas vezes é quem mexe com o curso, direcionando e trazendo vida e cor para as aulas. E se ela se destaca então, aí mesmo que a coisa pega fogo! Lembro-me da “Diretoria” do meu tempo de graduação. Às vezes amados, às vezes invejados, fomos tidos como protegidos de uma professora, mas era o grupo mais cobiçado em se fazer parte nos seminários pela fama de apresentar bons trabalhos. Trabalhos estes que nos davam trabalho fazer, pois implicavam em se encontrar depois da aula, reuniões aos sábados, domingos e feriados e (principalmente) muitas horas secando a boca com reflexões e análises para se chegar a um produto final. Mas todo o suor gasto não nos incomodava porque fazíamos tudo de forma leve. Era a bendita convivência acadêmica que tornava a pesquisa e o estudo superior agradáveis.
Por isso que lamento um pouco aqueles que fazem, um curso superior apenas pensando no diploma. Engoliram a seco e deixaram de lado o molho que tempera a vida acadêmica. Por isso que se sentem irritados com um curso aparentemente indigesto. Mas se esta foi a escolha feita, aceitemo-la como legítima.
De minha parte, fico feliz em ter aproveitado esta convivência acadêmica nestes meus anos de graduação e especialização. Isso que eu levarei para Valença em 2012, além das lembranças e das amizades feitas. E sempre que possível, darei um jeito de participar de algumas destas reuniões de “Diretoria”. Afinal, haverá sempre novas experiências, sensações, conhecimentos e leituras a partilhar…

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Milagre da Multiplicação

Então a história seria esta: Acordaria, tomaria um banho na banheira e iria para o computador. Nesta hora haveria o milagre da multiplicação: um de mim mesmo faria pesquisa acadêmica sobre erotismo feminino e daria aula de literatura para garantir o emprego na universidade. Outro de mim leria os jornais e livros e depois escreveria ficção para garantir o contrato com a editora. Um outro de mim seria meu relações públicas e agendaria palestras e as aparições em eventos para garantir o meu nome na mídia. E no final na noite, todos se fundiriam em um só corpo e dormiria como uma estátua esquecida no jardim...

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Fragmentos de um diario

Nada de mais, apenas não aguento a espera pelo resultado do mestrado…

domingo, 6 de novembro de 2011

Os fabliaux de H Hilst



Os fabliaux de H. Hilst: Análise de alguns poemas do livro “Bufólicas”

Bufólicas, de Hilda Hilst, é uma coletânea de sete poemas narrativos em versos brancos e livres (com predomínio de redondilhas). Foi lançada em 1992 como uma reunião de poesias satíricas (a integrar o conjunto de livros "obscenos" que marcaram a produção literária de Hilda Hilst) que retomam o universo dos contos de fadas, para recontá-las dentro de uma perspectiva erótico-cômica. E tais quais as fábulas, os textos encerram com uma “moral” resultante e irônica.
O próprio título do livro Hilda Hilst indica o caráter em que se deve ler a obra: Bufólicas forma-se como um trocadilho com as palavras Bucólica e Bufo. Ou seja, já no início da leitura, nas quatro primeiras letras do título, está indicado para onde a autora quer levar: o lado do riso, do grotesco, da ironia. É como se um bufão entrasse no reino dos contos de fadas para perverter estas narrativas, virar pelo avesso a inocência infantil das histórias para instalar o carnaval dos sentidos, trazendo o que há de mais profano dentro dele. E na complementação do título, a autora já começa pregando uma peça do leitor: embora a palavra “bucólica” remeta a idéia de ambiente rural, ela não indicará um caminho da simplicidade e leveza que esta palavra “bucólica” geralmente é associada. Antes, ela remete aos fabliaux[1] do medievo francês, as narrativas curtas em versos octossílabos em que os vilões (moradores de vilas) são retratados comicamente em uma linguagem normalmente obscena, desnudando a estultice e a inocência destes vilões. Este clima de brincadeira maliciosa e ferina é reforçado com a epígrafe, o adágio latino Ridendo castigat mores.
Numa primeira leitura, “inocente”, poderia se depreender que Hilda Hilst voltou sua carga aos contos de fadas. Dois dos poemas narrativos são calcados em histórias clássicas: “A Chapéu”, cujos personagens da trama são paródias de “Chapeuzinho vermelho”, e “A cantora gritante”, em que são feitas referências às histórias da “A cigarra e a formiga”, de “Branca de Neve” e ao mito de Orfeu. Nos demais poemas os personagens se remetem a tipos universais destas histórias: a fada bondosa, a maga/bruxa má, o anão grotesco, o reizinho e a rainha, etc. Contudo, Hilda Hilst lhes atribui características e/ou situações de sexualidade grotesca, desviante, perversa – sensualidade vulgar que acaba provocando risos, bem ao gosto da tradição das fabliaux. Como lembra Alcir Pécora, no prefácio a segunda edição do livro, “As personagens são as de sempre, no gênero (…). O que muda é que todas são portadoras de anomalias nas genitálias e praticantes de grau diversos de bizarrias[2]”. Destes poemas, dois terão análise mais acurada neste trabalho: “A Cantora Gritante” e “A Chapéu”.
Em “A Cantora Gritante”, Hilda Hilst monta a narração amalgamando elementos de outras histórias cujo tema é a inveja. A protagonista da história chama-se Garganta Alva e destacava-se pela sua voz afinada e imaculada (presumidamente de soprano): “cantava tão bem / subiam-lhe as oitavas / tantas tão claras / na garganta alva[3]”. Tal era o encanto da voz da protagonista que provocava inveja nas mulheres da vizinhança, na medida em que deixavam seus maridos muitos excitados sexualmente todas as noites. Para tanto, elas resolvem calar a rival, maculando sua garganta com o “nabo” do jumento Fodão.
De Garganta Alva, Hilda Hilst apenas descreve sua voz, sempre usando palavras do campo semântico da Brancura: alva, clara. Esta escolha remeteria a figura da Branca de Neve dos irmãos Grimm. Também, pelo exercício da arte de cantar, se faz semelhante tanto a Cigarra das fábulas de Esopo e La Fontaine como ao herói grego Orfeu. Em contraposição, as mulheres das vizinhanças, que são descritas pela sua feiúra física: são mulheres “gordas consortes (…) curvadas, claudicantes / de xerecas inchadas[4]”. Deduz que estas mulheres seriam donas-de-casa, árduas formiguinhas em seus afazeres domésticos.
A ligação com a história da Branca de Neve também se verifica por ambas serem invejadas pelo seu encanto natural. Porém, a protagonista de “A cantora gritante” não gozará da mesma sorte da princesa do conto de fada. Tão pouco terá o desprezo da Cigarra, esfomeada durante o inverno. Será trágico (ou o quanto se pode ser trágico numa ópera-bufólica) como Orfeu, com o silenciamento forçado.
Brancura (imaculada?) inicialmente usada na descrição da protagonista ser contraposta por Hilda Hilst através da ambientação do clímax da história com palavras do campo semântico oposto: “certa noite… de muita escuridão / De lua negra e chuvas[5]”. E será perto do toco negro que a ação do “silenciamento forçado” da protagonista ocorre – Garganta Alva terá sua garganta estuprada (e maculada) pelo “nabo” de um jumento chamado Fodão.
Novamente Hilda Hilst brinca com as palavras e passa uma rasteira no leitor desatento: O jumento possui o nome do aumentativo. Deduz então que sua anatomia animalesca será proporcional ao seu nome, ou antes, desproporcional à sua vítima. Também se deduz que a Garganta Alva não é versada nas artes profundas da atriz Linda Lovelace…
Esta cena de bestialismo que encerra a narração também não deixa de mostra o jogo irônico utilizado pela autora. Se, através do mito de Orfeu, a música foi consagrada como meio para domar e acalmar bestas-fera (como Orfeu fez com as sereias e a Cérbero[6]), aqui, não só a música foi o ponto de partida da discórdia como fez que as mulheres da vizinhança mostraram-se mais cruéis, quase como foram, ao dilacerar Orfeu, as bacantes.
Na história “A Chapéu”, Hilda Hilst promove uma inversão dos pólos: se nas tramas originais de Perrault e dos Irmãos Grimm, o Lobo é um predador ativo e malicioso, masculino, que se opõem a dupla Vovó / Chapeuzinho Vermelho, presas passivas e inocentes, femininas; na recriação de Hilda Hilst, Lobão é explorado pela Avó Leocádia e sua neta Chapéu.
Se nos contos originais, a avó é desprovida de nome e comporta-se como uma personagem secundária, na narrativa de Hilst ela quem domina a situação. Sua posição já se encontra no nome: Leocádia. Leo, a Leoa, a líder, a rainha soberana em torno da qual gravitam as demais personagens. Apesar de não nomear a história, é ela quem primeiro aparece poema: “Leocádia era sábia”. Está sabedoria é que a fará explorar Lobão, tanto financeiramente (agindo como proxeneta, como se pode depreender na reclamação “Pois da última vez / Lobão deu pra três / E eu não recebi o meu quinhão![7]”) como sexualmente (como deixa subentendido ao final do poema, quando ela responde: “Às vezes te miro / E sinto que tens um nabo / Perfeito para meu buraco[8]”).
Já a neta de Leocádia é conhecida pelo seu apelido, Chapéu (sem o característico diminutivo e a cor vermelha). Se também não teria uma inocência infantil, como se observa nos versos “De vermelho só tinha a gruta / E um certo mel na língua suja[9]”, ela fica surpresa quando descobri o caso da avó com o personagem masculino, como se lê nos versos “AAAAII! Grita Chapéu / Enganaram-me! Vó Leocádia / E Lobão / Fornicam desde sempre / Atrás do meu fogão[10]”.
Em oposição ao par Chapéu/Leocádia, o personagem do lobo perde seu epíteto de mau e é chamado apenas de Lobão, estabelecendo uma ironia entre um nome do aumentativo e uma posição bem diminuta dentro do poema narrativo. Sem entrar na cena, é descrita pela Vó Leocádia como “uma bichona peluda” que serve de ganha-pão da dupla[11], que vai ser reforçada na reclamação já citada. Sua aparição mais “concreta” na ocorrerá na segunda metade do poema. Em contraste com o vocabulário chulo das duas personagens femininas, ele mostra uma linguagem mais afetada e um vocabulário quase parnasiano[12]. Ele claramente é posto como presa ante as duas, pelo comentário dele, presente nos versos “E por que tens, ó velha / Os dentes agrandados / Pareces de mim um arremedo!”, invertendo a ordem do diálogo clássico do conto de fadas.
Alcir Pécora, na introdução do livro, definiu o livro Bufólicas como “um exercício de estilo[13]”. Hilda Hilst exercita e atualiza o estilo das paródias fesceninas, do realismo mágico dos contos de fadas e das fabliaux, extraindo da (considerada) ‘baixa matéria-prima’ do erotismo já fronteiriço com a pornografia, pequenas pérolas de literatura e humor.


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Referências
ANÔNIMO. Pequenas fábulas medievais. Fabliaux dos séculos XIII e XIV. Estabelecimento do texto, tradução para o francês moderno e seleção de Nora Scott. Tradução para o português de Rosemary Costhek Abílio. São Paulo: Martins Fontes, 1995. (Coleção Gandhära).
BULFINCH, Thomas. Mitologia geral. A idade da fábula. Tradução de Raul L.R. Moreira e Magda Veloso. Belo Horizonte: Itatiaia, 1962. (Coleção Descoberta do mundo, vol. 21).
COMMELIN, Pierre. Mitologia grega e romana. 2. ed. Tradução de Eduardo Brandão. São Paulo: Martins Fontes, 1997. (Coleção Clássicos).
ESOPO. A Cigarra e as Formigas. In ESOPO. Fábulas. Tradução de Pietro Nassetti. São Paulo: Martins Claret, 2005. (Coleção A obra-prima de cada autor, vol. 182).
GRIM, Jacob e GRIM, Wilhelm. Branca de Neve. In GRIM, Jacob e GRIM, Wilhelm. Contos de grimm vol 1. A Bela Adormecida e outras história. Tradução de Zaida Maldonado. Porto Alegre: L&PM, 2010. (Coleção L&PM Pocket, vol. 256)
GRIM, Jacob e GRIM, Wilhelm. Branca de Neve. In Contos de Fadas: de Perrault, Grimm, Andersen & outros. Apresentação de Ana Maria Machado. Tradução de Maria Luiza X. de A. Borges. Rio de Janeiro: Zahar, 2010.
HAMILTON, Edith. Mitologia. Tradução de Jefferson Luiz Camargo. São Paulo: Martins Fontes, 1992.
HILST, Hilda. Bufólicas. 2. ed. São Paulo: Globo, 2009. (Coleção Obras Reunidas de Hilda Hilst).
LA FONTAINE. A Cigarra e a Formiga. In LA FONTAINE. Fábulas. Vários tradutores. 3. ed. São Paulo: Martins Claret, 2008. (Coleção A obra-prima de cada autor, vol. 200).
MÉNARD, René. Mitologia greco-romana. Tradução de Aldo Della Nina. São Paulo: Opus, 1991. 3 V.
PERRAULT, Charles. Branca de Neve. In Contos de Fadas: de Perrault, Grimm, Andersen & outros. Apresentação de Ana Maria Machado. Tradução de Maria Luiza X. de A. Borges. Rio de Janeiro: Zahar, 2010.
WILKINSON, Philip. Myths & legends. An illustrated guide to their origins and meanings. Londres / Nova York / Munique / Melbourne / Delhi: Dorling Kindersley, 2009.


[1] Fabliau (plural fabliaux) são pequenos poemas narrativos com versos de fundo cômico ou galante. Floresceu na França Medieval, entre os séculos XIII e XIV.
[2] PÉCORA, Alcir. Nota do organizador. IN HILST, Hilda. Bufólicas. 2. ed. São Paulo: Globo, 2009. (Coleção Obras Reunidas de Hilda Hilst). p. 8
[3] HILST, Hilda. A Cantora Gritante. IN HILST, Hilda. Bufólicas. 2. ed. São Paulo: Globo, 2009. (Coleção Obras Reunidas de Hilda Hilst). p. 29
[4] Idem, ibidem.
[5] Idem, p. 30
[6] Conforme relatam Pierre COMMELIN, Edith HAMILTON, Philip WILKINSON, Thomas BULFINCH e René MENARD em seus livros sobre mitologia clássica.
[7] HILST, Hilda. A Chapéu. IN HILST, Hilda. Bufólicas. 2. ed. São Paulo: Globo, 2009. (Coleção Obras Reunidas de Hilda Hilst). p. 23
[8] Idem. p. 24
[9] Idem. p. 23
[10] Idem. p. 24
[11] Idem. p. 23
[12] Ver a Introdução de Alcir PÉCORA da 2ª edição do livro Bufólicas, p. 9
[13] PÉCORA, Alcir. Nota do organizador. IN HILST, Hilda. Bufólicas. 2. ed. São Paulo: Globo, 2009. (Coleção Obras Reunidas de Hilda Hilst). p. 8

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Convite - Bienal do Livro da Bahia


ESCRITOR VALENCIANO PARTICIPA DA PRACA DE CORDEL E POESIA



ESCRITOR VALENCIANO PARTICIPA DA PRAÇA DE CORDEL E POESIA NA 10ª BIENAL DO LIVRO


No dia 1º de novembro, na X Bienal do Livro, no Centro de Convenções da Bahia, o escritor valenciano Ricardo Vidal é um dos participantes da Praça de Cordel e Poesia, juntamente com Vânia Melo e Caio Rudá de Oliveira. Na ocasião, Vidal conversa com o público, declama seus poemas e divulga a antologia “Novos Valencianos”, organizada por Araken Vaz Galvão.

Esta é a segunda vez Ricardo Vidal participa da Bienal do Livro, como poeta convidado. Em 2009, participou da Praça de Cordel e Poesia, dividindo o palco com João de Morais Filho e Nuno Gonçalves.

Realizado sob a responsabilidade do poeta José Inácio Vieira de Melo, a Praça do Cordel e Poesia é um dos momentos culturais da Bienal de Livro da Bahia, que reúne os principais poetas e cordelistas baianos da atualidade, como Wladimir Cazé, João de Morais Filho, Franklin Maxado, dentre outros.

Ricardo Vidal é escritor, autor do livro “Estrelas no Lago” e participou de várias antologias. A mais recente, “Novos Valencianos”, lançada em 2010, reúne a nova geração de escritores valencianos, que estão ligados ao projeto “Ocupação Cultural”. Ele é licenciado em Letras / Inglês e atualmente está cursando a especialização de Estudos Lingüísticos e Literários da UFBA.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Trick-or-treat

Só para não passar em branco: Feliz Dia das Bruxas
(Yo no creo en las brujas. Pero que ellas hay, hay!)

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Memorial Academico de Ricardo Vidal


Memorial Acadêmico – José Ricardo da Hora Vidal

1 “No descomeço era o verbo. / Só depois é que veio o delírio do verbo”

Eugênio Evtuchenko publicou sua Autobiografia Precoce quanto tinha 30 anos. Não escrevera o autor dos poemas “Estação Zima” e “Babi Yar” certamente estas memórias com a intenção de pleitear uma vaga no mestrado em alguma universidade soviética. Lembro-me deste fato, pois (além de gostar muito deste livro) aqui estou eu, com 33 anos de idade, escrevendo este memorial como requisito parcial para seleção do mestrado em Literatura e Cultura do Instituto de Letras da Universidade Federal da Bahia (ILUFBA), onde pretendo continuar minha pesquisa sobre Erotismo e Literatura Feminina Contemporânea. 

Por isso me apresento: Meu nome é José Ricardo da Hora Vidal. Sou escritor, licenciado em Letras (Habilitação em Língua Inglesa e Literaturas) pela Universidade do Estado da Bahia / campus 1 – com uma monografia sobre o erotismo e o voyeurismo no conto “Marianne”, de Anaïs Nin. Nasci em 20 de abril de 1978, na minha querida cidade de Valença (Bahia). Atualmente estou cursando da Especialização em Estudos Linguísticos e Literários no ILUFBA, onde estou escrevendo minha monografia sobre representações eróticas em três contos de Anaïs Nin.

2 Pena, Papel; Compasso Não!

Sou o primogênito de uma família de dois filhos. Meus pais cursaram até o nível médio: meu pai é formado em Contabilidade e Científico e minha mãe, em Magistério (embora nunca tenha exercido a profissão). Meus pais não tiveram uma formação erudita para que fossem intelectuais. Contudo, eles souberam o valor do estudo na vida de ser humano e fizeram o que estavam nas condições deles propiciar uma boa formação para eu e meu irmão, o que levou a nós dois hoje, termos concluído a graduação em nível. 

Do pré-escolar ao curso Científico, foi Valença que me deu régua e compasso. Na verdade, seria mais correto dizer que me deu Pena e Papel, uma vez que eu nunca fui muito bom em matemática… Conclui o ginásio no Colégio Social de Valença em 1992. Apesar de, durante o primário eu ser considerado um bom aluno, com notas altas, o meu ginásio estava entre o bom e o razoável: As boas notas em História e Geografia compensava as notas medianas em Matemática. Foi nesta época que eu estudei Inglês em um curso particular. As aulas eram ministradas por uma norte-americana reside na região, “Misses Nancy”. Eu gostava das aulas e, sendo eu neto de espanhol e vendo meu pai falar inglês e francês que eu passei a alimentar do desejo de aprender idiomas. Fiz o curso científico no Educandário Paulo Freire entre os anos de 1993 e 1995, onde me destaquei nas disciplinas de Literatura em Língua Portuguesa, História, Geografia e Filosofia (enquanto Física e Matemática continuavam a ser meu calcanhar de Aquiles…). Nesta época, passava a maior parte do meu recreio lendo os livros da biblioteca, motivo pelo qual ganhei, no ano de minha formatura, o prêmio “Aluno Destaque 1995” como o leitor mais assíduo. Também foi durante o curso Científico que fiz minha estréia como escritor: publiquei a crônica “Saudades” na antologia “Quase Escritores 94”, de textos de alunos do Educandário Paulo Freire. Até então, vale ressaltar, eu jamais precisei repetir uma série de meus anos de estudos. Também nesta época eu fui co-fundador e Diretor de Imprensa da União Municipal dos Estudantes Secundaristas de Valença (UMES-VA) e do Grêmio Estudantil Olga Benário Prestes (GEOBP), dos estudantes do Educandário Paulo Freire.

Ainda em casa, com a biblioteca modesta de meu pai (cerca de 50 volumes que ele comprou ainda na juventude), eu aprendi amar os livros. Através dela que eu entrei em contato os romances e contos de Júlio Verne, Alexandre Dumas (pai), Oscar Wilde, Mark Twain, Louisa May Alcott, Charles Dickens, Emílio Salgari, H.G. Wells e Orígenes Lessa. Mais tarde, quando eu cursava o ginásio, meus pais compraram as Enciclopédias “Didática de Informação e Pesquisa Escolar” (EDIPE) e “Barsa”, sendo que, da última, compraram durante anos as edições do “Livro do Ano” e “Ciência e Futuro” – livros que eu li e reli durante minha adolescência. Como não havia livros de poesia e teatro em casa, até os meus quinze anos eu orientei minhas leituras para o campo da História, Mitologia Greco-Romana e Dinossauros. Nesta época que sonhava em trabalhar como arqueólogo (uma “arqueologia” que, na minha então mente infantil, também incluiria Paleontologia e Paleografia…), para desespero de minha mãe, que não via com bons olhos a idéia de eu ser professor. Foi com a minha entrada no curso Científico (e, conseqüente, com o início das aulas de Literatura Brasileira e Filosofia) que comecei a mudar o rumo dos meus interesses. Foi a época em que eu li, através da biblioteca do meu colégio, Machado de Assis, José de Alencar, Goethe, Castro Alves, Álvares de Azevedo, Bernardo Guimarães, Fernando Pessoa, um volume de contos de Edgar Allan Poe, “Inocência” de Visconde de Taunay, “Cândido” de Voltaire, “As viagens de Gulliver” de Jonathan Swift, “Frankenstein” de Mary Shelley, “A Volta do Parafuso” de Henry James, “A insustentável leveza do ser” de Milan Kundera, e os paradidáticos sobre sexualidade, política, história, Oriente Médio e astronomia. Também a partir dos quinzes anos que eu comecei a ler com assiduidade a revista “Playboy” – e foi com as reportagens sobre comportamento humano que eu, mais tarde, passei a me interessar sobre o tema Erotismo e Cultura. 

No segundo semestre de 1995 eu fiz um curso de Comunicação Instrumental pelo recém-criado campus Valença do então Centro Federal de Educação Tecnológica da Bahia (CEFET/BA). Nesta época eu estava perto de concluir o ensino médio e iria me inscrever para fazer o vestibular. Inicialmente eu fiquei em dúvida: Por um lado, havia meu interesse e minha vontade de estudar História. Por outro lado, eu fizera um teste vocacional que apontava para Letras. E, indiretamente havia a cobrança de meus pais para eu escolhesse uma carreira universitária que fosse economicamente “rentável” (Pela vontade de minha mãe eu teria me formado em Direito…). Diante do impasse e motivado pelo curso que fizera no CEFET, resolvi escolher um curso que poderia ser a “síntese dialética” disso tudo: um curso superior onde eu pudesse de alguma forma estudar ao mesmo tempo História, Política, Literatura e Artes, e que tivesse de algum prestígio social (pelo menos, para minha família). Por que eu, ingenuamente, inscrevi-me para dois vestibulares em Comunicação: Jornalismo na UFBA e Relações Públicas na UNEB. Sobre a escolha das universidades, há uma coisa engraçada a contar: Meu pai só deixou fazer eu me inscrever nos vestibulares de universidades públicas por elas serem gratuitas, e não pela excelência do ensino…

3 Pernas e Cabeça na Academia

3.1 FACOM feita a facão
Concluí o ensino médio em 1995. Em 1996, aos 18 anos de idade, eu entrava para o curso de Jornalismo na Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (Facom/Ufba), que naquela época ainda ficava no campus Canela. Entre na segunda lista, para cursar o segundo semestre. E assim, estudei lá até o primeiro semestre de 2003, sem, contudo, concluir o curso. 

Às vezes, eu penso na minha experiência como “faconiano” como uma comédia de erros: Em primeiro lugar, tinha uma visão muito romântica e idealizada em relação ao jornalismo e que estava a centenas de milhares de trilhões de anos-luz de distância da realidade. Em segundo lugar, a falta em mim de perfil não só para o curso em si, para toda e qual área de ciências aplicadas. Em terceiro lugar, eu entrei numa época em que a Faculdade de Comunicação estava em plena ebulição, com a implantação do doutorado em Comunicação e Cultura, da nova habilitação em Produção em Comunicação e Cultura, reforma curricular e lutando por uma infra-estrutura melhor para o curso, uma vez que o prédio azul do campus Canela já não mais atendia às necessidades da faculdade. Em quarto lugar, Entrei com um escore baixo e, sem ter tido habilidade em melhorar minhas notas nos primeiros semestres, eu não conseguia vaga para muitas disciplinas-chave do curso e assim acabou criando uma gargalho que dificultava o avanço no curso. E, last, but not least, minha família se mudou para Salvador junto comigo e, sem terem vivência tanto acadêmica como em uma cidade grande, deram várias conselhos e orientações equivocadas (involuntariamente, seja dita a verdade). A verdade é que acabei fazendo um curso irregular, em que alternavam boas notas em “Oficina de Fotografia”, “Temas Especiais em Fotojornalismo” e “Programação Visual”, notas medianas em “Oficina de Assessoria de Comunicação” e “Comunicação e Política” e o completo fracasso em “Semiótica” e “Comunicação e Tecnologia”. Em decorrências das notas baixas, acabei abandonando o desejo de fazer parte de algum grupo de pesquisa dentro da universidade. E admito que, a um determinando ponto do curso, eu continuei a estudar jornalismo mais por teimosia de simplesmente terminar o curso do que realmente ou convicção de que eu ainda gostava do curso. E foi assim que, melancolicamente abandonei o curso no final do primeiro semestre de 2003, sem fazer os exames finais das disciplinas eu que estava cursando no momento, e nem comparecendo à matrícula no outro semestre. Foi uma das decisões mais difíceis que eu tomei na minha vida, pois teria que admitir um fracasso meu, exatamente, no terreno que eu me considerava bom.

Bem, falando assim eu posso parecer amargo e que estou carregando na impressão negativa dos anos que estudei na Facom, como se eles fossem apenas de infortúnio e tristeza. Contudo, ele não o foi apenas um mar amargo de lágrimas. Também houve seus momentos luminares, contribuíram para minha formação pessoal humanística. Eu soube tirar proveito das ofertas de disciplinas optativas e do próprio corpo docente da UFBA. Eu enriqueci minhas leituras, ampliando meu leque de autores. Foi quando comecei a ler Friedrich Nietzsche, Karl Marx, Vinícius de Moraes, Manuel Bandeira, Willian Shakespeare, Luiz Gama, Florbela Espanca, João Ubaldo Ribeiro, Umberto Eco (Ensaios e ficção), “Alcorão” (na tradução de Mansour Chalitta, anos antes da novela global “O Clone” trazer a cultura árabe para os holofotes da indústria cultural), “Bhavagad Gita” (tanto na tradução de Rogério Duarte como na de Bhaktivedanta Swami Prabhupada), A “Epopéia de Gilgamseh”, “História” de Heródoto, “Rubayyat” de Omar Khayyam, e Homero. Também comecei a ler meus primeiros livros eróticos, como o “Teresa Filósofa”, “O Amor Natural” de Carlos Drummond de Andrade, “O Amante de Lady Chatterley” de D.H.Lawrence, “Fire” de Anaïs Nin, “Ars amatoria” de Ovídio e “As Ligações Perigosas” de Choderlos de Laclos. Lia naquela época como um curioso, um amador que realmente ama a literatura e descobria um filão que, para mim, ainda era desconhecido.

Olhando para estes anos que se distanciam de minha vida, sinto que chega a hora dos noves-fora: Entrei imaturo na faculdade, saindo direto de aconchego da vida interiorana para o caos cosmopolita da capital do estado. Entrei na cova dos leões e demorei a aprender sobre a lide acadêmica, como não se perder nos meandros da universidade. Considero que eu entrei também em um período de turbulências – a faculdade onde estudava entrava em um período de expansão intelectual e física; o debate sobre o modelo neoliberal da gestão Fernando Henrique Cardoso / Paulo Renato fez com a comunidade universitária acirrasse os ânimos e respondesse com greves longas, o meu próprio processo de amadurecimento, onde tive que confrontar meu antigo aprendizado com os novos caminhos que minha vida tomava. 
Acredito que tive lucro nos meus anos de faconiano, em que fui abrindo a facão pela estrada tortuosa de minha vida: Não me formei jornalista, mas aprendi sobre narrativa jornalística. Descobrir que a minha vocação está na Área de Letras e para lá eu deveria migrar a minha vida acadêmica. Sedimentei em alguns campos do conhecimento e abrir os horizontes para outros. Estudei fotografia, porque eu gostava; e aprendi programação visual, que ainda hoje me é útil na minha vida pessoal (inclusive no ponto de vista pessoal). A minha passagem pelo jornalismo também facilitou meu entendimento sobre o novo campo da educomunicação. Também participei de dois eventos acadêmicos. Se a teimosia em continuar um curso que já não mais me agrada pode ser um defeito, a obstinação em querer sempre aprender e assim enfrentar as dificuldades imposta pode ser uma virtude no ensino superior. Foi o meu momento de crescimento pessoal e amadurecimento, em que eu me sentia realmente preparada para prosseguir nos estudos universitários. 

3.2 O idílio unebiano
Se mais de sete semestres como estudante eu servir ao Jornalismo, embora minha vocação era por outra área do conhecimento e só ela a lógica apontava onde eu deveria estudar, meti-me (tal e qual ao Jacob bíblico) a novamente submeter ao vestibular e assim servir por mais outros tantos semestres a um novo curso, pois, para tão curta vida, tão longa é a arte. Final de 2003 eu inscrevi-me em duas universidades estaduais. Letras/Inglês na UNEB Campus 1; Letras/Francês na UEFS. Nas duas eu passei em boas colocações: Primeiro lugar em Feira de Santana, segundo lugar para Salvador. Como eu já morava aqui, preferir estudar Inglês na UNEB. 

A princípio, pensei que vivia um deja-vù: O curso que eu entrei também passava por reforma curricular em que se abolia a habilitação dupla. No caso, que optara pelo curso noturno de Letras deveria estudar só Língua Inglesa e suas literaturas. Pensei que era karma. Segui em frente. Respirei fundo. Gritei meu alea jacta est e cruzei meu Rubicón particular e hoje pelo responder como César respondeu posteriormente aos senadores: Veni, vidi, vici! A experiência que tive na Facom, com seus os erros e acertos, ajudou-me a prevenir as armadilhas e fazer o curso com tranqüilidade e proveito, como se eu navegasse com mar de almirante e céu de brigadeiro. Em primeiro lugar, comecei fazendo um pequeno planejamento quanto a curso, enxergar quais disciplinas poderiam dificultar meu avanço e quais eu deveria extrair mais conhecimento para minha trajetória. Naturalmente, meu interesse maior estava no campo da Literatura, depois Tradução; sem, contudo, descuidar da parte de Lingüística e Didática

Naturalmente, minhas leituras nestes anos foram mais orientadas para autores anglo-americanos (principalmente os norte-americanos, como os contos Scott Fitzgerald, Ernest Hemingway, Sylvia Plath e a prosa de Anaïs Nin) e a literatura baiana contemporânea (José Inácio Vieira de Melo, de quem fui colega na Facom; Renata Belmonte, Állex Leila e Eliana Mara). Também passei a ler com mais atenção obras de crítica literária e cultural, como Antoine Compagnon, Silviano Santiago, Camille Paglia e Nelly Richard.

Graduei-me com a monografia “O Olhar de Marianne: um estudo sobre o voyeurismo em um conto de Anaïs Nin”, orientada pela professora Sônia Simon. Nela, eu discuto erotismo (sobre a visão de Alberoni e Octavio Paz), voyeurismo e exibicionismo (sob a óptica da psicanálise) narrativos da norte-americana Anaïs Nin, durante o segundo semestre letivo de 2009. O gênesis desta monografia começa ainda no primeiro semestre, com um pequeno comentário da professora Conceição Reis, numa aula sobre o medievo lusitano, sobre o fato de que as cantigas satíricas (marcadas pelo conteúdo erótico) eram pouco estudadas em relação às cantigas líricas. Concomitantemente, ocorreu lançamento de vários livros de temática erótica e de autoria feminina (como pode ser observado nas matérias de Ruth de Barros na revista “Playboy ”, Carlos Freire no jornal “Faro de Vigo ” e Simone Esmanhotto na revista “Cláudia ”). Quando eu comparei estes fatos com a leitura do prefácio de livro “Delta de Vênus” de Anaïs Nin, em que ela reflete sob o fato de que até então (década de 30 do século passado) não havia uma tradição feminina de literatura erótica ; notei que este seria um bom campo a ser estudado. E durante toda a graduação fui aprofundando minhas leituras em autores eróticos, como Ana Ferreira, Catherine Millet, os libertinos franceses (Marquês de Sade, Crebillion Fills, etc), Rachel Kramer Bussel, Tristan Taormino, Hilda Hilst e as novas autoras da chamada “Literatura de Prostituição”: Paula Lee, Vanessa de Oliveira, Raquel Pacheco, Diablo Cody e Brooke Magnani (sob o nome “Le Belle de Jour”), paralelamente eu fui lendo os teóricos, como Georges Bataille, Octávio Paz, Michel Foucault e Francesco Alberoni. Este último, com sua tese, de que homens vivenciam o erotismo de forma descontínua e as mulheres, de forma contínua, mostrou-me o que tinha o meu instrumental para a análise literária destas obras, o que culminou na minha monografia e na vontade de desdobrar estas pesquisas na pós-graduação.

3.3 Passos Seguintes…
Em maio de 2010 colei o grau de Licenciado em Letras.  Pensava em entrar logo no mestrado, quando minha orientadora sugeriu que eu fizesse, primeiro, uma especialização.

Ainda no segundo semestre de 2010, matriculei-me como aluno especial da disciplina “Teorias da Narrativa”, do Programa de Pós-graduação em Literatura e Cultura da UFBA. Fui mais com a intenção de aprofundar meus conhecimentos teóricos com narrativas para que eu melhor pudesse balizar o meu futuro projeto de mestrado. No final de 2010, soube que o curso de especialização em Estudos Lingüísticos e Literários da UFBA abrira inscrição. Inscrevi-me e desde abril deste ano que eu estou cursando as disciplinas finais do curso. Optei em seguir a área de Literatura, onde apresentarei uma monografia sobre representações eróticas em dois contos da escritora paulista Ana Ferreira. Paralelamente à especialização, estou cursando, como aluno especial, as disciplina “Literatura e Psicanálise”, no Programa de Pós-graduação em Estudos da Linguagem da UNEB – campus 1 e “Estudos da Narrativa”, do Programa de Pós-graduação em Literatura e Cultura da UFBA.

4 O hoje é dia de… atividades acadêmicas complementares! 

Além das aulas que assistir, eu participei de algumas atividades acadêmicas complementares, para melhor minha formação acadêmica e profissional.

Na Facom, participei como ouvinte do I COMBAHIA - Encontro sobre Novas Tecnologias de Comunicação, promovido pela FACOM 1997 e do I Congresso da REDECOM Bahia, promovido pela Rede de Escolas de Comunicação da Bahia em 2002. No primeiro evento, a discussão voltasse mais para uma internet ainda incipiente, ainda dominada pelas home-pages. Uma discussão interessante foi fotografia, quando se falava das montagens fotográficas. Já o segundo evento foi um congresso que reunia todas as faculdades de comunicação do estado da Bahia. Participei como ouvinte, mas como parte da disciplina “Oficina de Assessoria de Comunicação,” em que nós, estudantes, estávamos ajudando a assessorar o evento. 

Já no curso de Letras, participei como ouvintes dos seguintes eventos: Seminário de Cultura e Letra de Música, promovida pela UFBA em julho de 2006; Jornada de Estudos Canadenses, promovido pelo Núcleo de Estudos Canadenses (NEC) da UNEB em abril de 2008, I Seminário de Estágio de Letras da UNEB (SELETRAS), promovido pelo curso de Letras da UNEB em julho de 2008; 1º Fórum Baiano de Educação Especial, promovido pela Secretaria de Educação do Estado da Bahia (SEC) em setembro de 2008; videoconferência “Agora a História é outra: Consciência Negra na Educação da Bahia”, promovido pela SEC em novembro de 2008; “I Seminário Internacional Enlaçando Sexualidade", promovido pelo Núcleo de Estudos de Gêneros e Sexualidades Diadorim (NUGSEX DIADORIM) da UNEB, em julho de 2009. No SELETRAS, eu apresentei a comunicação oral “Sob o Signo de Toth: uso e tipos de textos no ensino da língua inglesa”, como resultado do meu trabalho na disciplina “Estágio I”. Nele, eu comparava o uso e os tipos de textos na rede estadual de ensino com um curso de língua inglesa.

Como membro da comissão organizadora, participei da Aula Temática “Literatura e Cultura Afro-Descendente, Negra e Africana” ocorrida na UNEB em abril de 2008 e da “II Videoconferência de Educomunicação”, organizada pela Coordenação de Novas Mídia e Tecnologias | Educomunicação da SEC, em julho de 2009. No primeiro, contamos a participação de Jaime Sodré Oliveira e José Carlos Limeira como palestrantes sobre literatura negra e cultura de matrizes africanas no Brasil, e de Tonho Matéria, que fez uma apresentação de toque de atabaque. Na segunda, Terezinha Fróes e Ismar Soares como palestrantes sobre Educomunicação, que é um campo multidisciplinar que traz para Educação alguns elementos da Comunicação Social, como a autoria na produção do conhecimento e empoderamento do aluno através do uso das tecnologias da comunicação para fins didáticos.

Durante o período em que curso a especialização, participei como ouvinte do “Curso Jorge Amado / I Colóquio de Literatura Brasileira”, co-promovido pela Academia de Letras da Bahia e pela Fundação Casa de Jorge Amado, em agosto de 2001; do “Curso Castro Alves / VI Colóquio de Literatura Baiana”, promovida pela Academia de Letras da Bahia em setembro de 2011 e do “II Seminário Internacional Enlaçando Sexualidade”, promovido pelo NUGSEX DIADORIM, em setembro de 2011. Neste último, eu apresentei a comunicação oral “O olhar de Marianne: Um estudo sobre o voyeurismo no conto de Anaïs Nin”, originária da minha pesquisa para a monografia de conclusão de curso.

Destes eventos que participei, o que mais contribuíram foram os Seminários Internacionais “Enlaçando Sexualidade”, em que pude entrar em contatos que as discussões sobre Erotismo, Cultura e Estudos de Gêneros. No primeiro, participei do enlace “Literatura, Comunicação e Mídia”, com discussões sobre autoria e representação feminina nas artes, pornografia feminista, sexualidade e mídia, etc. No segundo, participei do enlace “A produção artística de autoria feminina: escrita de mulher em foco”, em que se discutiu erotismo e literatura feminina, relação entre gênero e raça, subjetividade feminina na literatura, etc.

5 Carteira Assinada e contratos de trabalho

Basicamente, minha vida profissional está ligada ao serviço público. Comecei a trabalhar, oficialmente, em 2 de fevereiro de 2008, em regime de contrato temporário, na Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Lá, ocupei as funções de agente de pesquisa (nível médio) na Superintendência Estadual de Pesquisas Industriais, sendo posteriormente transferido para Centro de Processamento de Dados. Trabalhei lá durante dois anos (até janeiro de 2000), tempo máximo legal para minha permanência como servidor público lotado neste órgão. 

Três meses após ter terminado meu primeiro emprego, fui chamado para estagiar na assessoria de imprensa no Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Federal no Estado da Bahia (SINTSEF-BA). Fiquei lá de abril de 2000 até a primeira quinzena de janeiro de 2003. Neste período, ganhei experiência em redação de textos jornalísticos (press-releases, notícias e textos para o website), editoração, fotojornalismo e assessoria de comunicação. Nesta época, fui co-criador (junto com Marcílio Rocha Ramos, na época, meu supervisor) da logomarca e do projeto gráfico do jornal “AaZ”. Também publiquei neste jornal duas matérias de literatura: uma sobre Patativa do Assaré e um perfil do Machado de Assis como servidor público. Também fiquei co-responsável pelo boletim diário Via Direta. Nesta época que eu ganhei experiência como programador visual.

Depois que sair do SINTSEF-BA, fiquei sem trabalhar até 2009. Aproveitei o tempo para me dedicar aos estudos no curso de Letras. Quando já estava na fase final da graduação, escrevendo a minha monografia, voltei a trabalhar na Secretaria de Educação do Estado da Bahia (SEC). Convidado por Marcílio Rocha Ramos, que na época era coordenador Novas Mídias e Tecnologias | Educomunicação, eu fui trabalhar na implantação do projeto “Cinemação”: que era a produção de vídeos educacionais feitos pelos próprios alunos, usando telefones celulares, aplicando a metodologia de Paulo Freire das rodas de culturas. Lá fiquei de abril à setembro de 2009, com o cargo de Coordenador IV (Técnico em Educação).  Nesta época, fiz a arte da capa do DVD “TV Pendrive – Monitor Educacional” e fui um dos co-organizadores da II Videoconferência de Educomunicação da SEC.

Em setembro de 2009, fui convidado para trabalhar na Assessoria de Comunicação da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (SESAB), no núcleo de designer gráfico. Pedi demissão do meu cargo na SEC e assumir minhas funções na SESAB em outubro de 2009. Fiquei responsável pela arte dos materiais gráfico (panfletos, faixas, cartazes, logomarcas, banneres, etc.), elaboração de peças para internet (como ilustração das notícias e dos banneres eletrônicos), a diagramação do 2ª edição do boletim impresso “Você” e elaboração do boletim eletrônico semanal “Infosaúde”. Em agosto de 2001 eu pedi demissão, para que eu pudesse me dedicar exclusivamente para seleção do mestrado.

6 Colhendo os meus frutos: produção em C, T & A e Concursos

Desde adolescente que eu gosto de escrever. Resultado direto de minha paixão pela leitura e com um pouco de influência de meu tio Valdo Sousa da Hora, que era poeta e ator (amador), comecei a escrever meus primeiros versos aos 16 anos. Nesta mesma idade, como mencionado anteriormente, publiquei o meu primeiro texto, “Saudade” no livro “Quase Escritores”, antologia organizada pelo Educandário Paulo Freire da produção literária dos seus alunos e lançado na 1ª Literarte (Festival de Literatura e Artes). 

Em 2002, ganhei a Menção Especial (para autores baianos) no Concurso Iararana de Poesia, concurso nacional promovida pela revista “Iararana” de literatura, cultura e crítica. Como parte do prêmio, meus poemas “Entardecer no Inverno”, “Canto para Avalon” e “Cântico dos Lírios” foram publicados na 8ª edição da revista, que foi lançada também em Paris e Budapeste. No mesmo ano, o jornal valenciano “Costa do Dendê” publicou o poema “Entardecer no Inverno”.

Em 2004, lancei independentemente o meu primeiro livro de poesia, “Flores no Lago”. Além dos textos, eu fiz a foto e a arte da capa e editoração do livro. No mesmo ano, a Câmara Brasileira de Jovens Escritores (CBJE), na cidade do Rio de Janeiro, publicou meu conto na “Antologia de Contos de Autores Contemporâneos” e poemas nos 8° e 10° volumes da “Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos”. “Cântico dos Lírios”, que viria a ser republicado pela CJBE no “Panorama Literário Brasileiro 2004 POESIA”, em que reúne os 100 melhores poemas publicados no ano.

Pela CBJE, os seguintes textos meus foram publicados nas seguintes antologias: 34° e 56° volumes da “Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos”, dois volumes da “Sensualidade em prosa e verso”, “Livro de Ouro do Conto Brasileiro”, “Novos Talentos do Conto Brasileiro” e o 17° volume da “Antologia de Contos Fantásticos”. Os poemas “O Beijo”, “Sangue das Vinhas” foram republicados, respectivamente, “Panorama Literário Brasileiro 2007 POESIA” e “Panorama Literário Brasileiro 2009 POESIA”, dentre os melhores poemas do ano.

No ano de 2010, participei da antologia “Novos Valencianos”, organizada por Araken Vaz Galvão, que reuni a nova geração de escritores da cidade de Valença, que despontou no projeto “Ocupação Cultural”: sarau multimídia e oficina de idéia que acontece mensalmente nessa cidade desde março de 2009.

Em 2009, eu publiquei o texto “Vestígios Poéticos e Existenciais de Renata Belmonte” na revista eletrônica “Verbo21”, em que faço a resenha do romance “Vestígios da Senhorita B”. E desde 2007 que eu colaboro esporadicamente com poemas, artigos e resenhas para o jornal “Valença Agora”. E mantenho um blogue, chamado “Castelo do Bardo Celta”, que está no ar desde outubro de 2011, onde eu publico meus contos, poemas, artigos, crônicas e outros textos…

Além do prêmio Iararana, ganhei três menções honrosas (2005, 2007 e 2009) no Concurso de Poesia da Academia de Letras do Recôncavo, sendo que os meus poemas premiados foram publicados em mini-antologias, em que reuniam os dez melhores poemas de dez autores participantes do concurso. E em decorrência de em 2009, ter ganhado a menção especial no Concurso da ALER e de um dos poemas ter sido escolhido para o “Panorama Literário Brasileiro 2009 POESIA”, a Câmara Municipal de Valença deu-me uma Moção de Aplauso.

Além disso, acrescenta-se na minha lista de produção as duas comunicações orais “Sob o Signo de Toth: uso e tipos de textos no ensino da língua inglesa” e “O olhar de Marianne: Um estudo sobre o voyeurismo no conto de Anaïs Nin”, a monografia de conclusão de curso, “O olhar de Marianne: Um estudo sobre o voyeurismo no conto de Anaïs Nin”, três relatórios de estágio supervisionado (apresentados como requisito parcial apara avaliação nas disciplinas) e meus livros inéditos: “Flores do Outono”, “Sombras do Luar”, “Brumas do Lago”, Torre de Quimeras (livros de poesia), “Peregrino en una Noche sin Luna” (de poemas em espanhol e inglês), “Prosas Bárbaras” (miscelânea de ensaios, crônicas e artigos), “Polígonos – contos e estórias” (contos) e “As Corujas de Frei Ethereld” (peça de teatro).

Atualmente pleiteio uma vaga para aluno regular de mestrado pela Instituto de Letras da Universidade Federal da Bahia, no Programa de Pós-Graduação em Literatura e Cultura, com o intuito de ampliar e difundir mais a temática sobre Erotismo e Literatura Feminina Contemporânea, desmistificando assim o preconceito e estimulando maiores estudos sobre essa questão. Sempre fui um apaixonado pelos livros e pelo estudo, e com possível re-ingresso na Academia, desta vez no Curso de Mestrado permitirá aprimorar ainda e galgar novos espaços no ambiente social. 

Biblioteca do Bardo Celta (Leituras recomendadas)

  • Revista Iararana
  • Valenciando (antologia)
  • Valença: dos primódios a contemporaneidade (Edgard Oliveira)
  • A Sombra da Guerra (Augusto César Moutinho)
  • Coração na Boca (Rosângela Góes de Queiroz Figueiredo)
  • Pelo Amor... Pela Vida! (Mustafá Rosemberg de Souza)
  • Veredas do Amor (Ângelo Paraíso Martins)
  • Tinharé (Oscar Pinheiro)
  • Da Natureza e Limites do Poder Moderador (Conselheiro Zacarias de Gois e Vasconcelos)
  • Outras Moradas (Antologia)
  • Lunaris (Carlos Ribeiro)
  • Códigos do Silêncio (José Inácio V. de Melo)
  • Decifração de Abismos (José Inácio V. de Melo)
  • Microafetos (Wladimir Cazé)
  • Textorama (Patrick Brock)
  • Cantar de Mio Cid (Anônimo)
  • Fausto (Goëthe)
  • Sofrimentos do Jovem Werther (Goëthe)
  • Bhagavad Gita (Anônimo)
  • Mensagem (Fernando Pessoa)
  • Noite na Taverna/Macário (Álvares de Azevedo)
  • A Casa do Incesto (Anaïs Nin)
  • Delta de Vênus (Anaïs Nin)
  • Uma Espiã na Casa do Amor (Anaïs Nin)
  • Henry & June (Anaïs Nin)
  • Fire (Anaïs Nin)
  • Rubáiyát (Omar Khayyam)
  • 20.000 Léguas Submarinas (Jules Verne)
  • A Volta ao Mundo em 80 Dias (Jules Verne)
  • Manifesto Comunista (Marx & Engels)
  • Assim Falou Zaratustra (Nietzsche)
  • O Anticristo (Nietzsche)