Sua Majestade, O Bardo

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Valença, Bahia, Brazil
Escritor, autor do livro "Estrelas no Lago" (Salvador: Cia Valença Editorial, 2004) e coautor de "4 Ases e 1 Coringa" (Valença: Prisma, 2014). Graduado em Letras/Inglês pela UNEB Falando de mim em outra forma: "Aspetti, signorina, le diro con due parole chi son, Chi son, e che faccio, come vivo, vuole? Chi son? chi son? son un poeta. Che cosa faccio? scrivo. e come vivo? vivo."

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Surreal Delirio

Surreal Delírio

Valença, 23 de julho de 1996

Estive onde a música 
Cai como tempestade de estrelas, 
Mas a beleza de teu esculpido desejo 
Dentre serras e beijos, 
Fadas e coqueiros tragava-me 
.                                  em alegria, 
Quão fecundo era o teu amor! 
Nossos amor, paixão, carne doce 
Se resvalando no altar em que nossas juras 
Fingem-se um Vento burlando 
As faces róseas das gazetas em flor, 
Num triste bailado nas campinas púrpuras. 
Vagas luminosas, Teares acesos pela chama 
Do General Ludd em nova Roma da Modernidade. 
Beijos de patos dentre brigas de gansos , 
Cores de formas de luares do teu 
.                          rosto 
.                         quente 
.                              e 
.                           vago… 
Vestimenta de Arte, 
Armorial neerlandês a explodiam como cerejas 
E Fogos Chineses de um sombra na trevas, 
Amarga e solitária. 

……………………………………………………………

Uma árvore verde, 
Teu nome esculpido a sangue 
Relembra a mísera dama 
Que do leito do Mondego 
Foi encontrar a eternidade no palácio do Rei. 
Teu rosto pintado à lágrimas 
De uma aquarela invisível e muda. 
Meus versos cheiravam a mel, 
Claro e viscosos. Vivo.  
Mel doce como Visões dardejantes 
E almas alegres a bailar, 
A bailar pelo azul horizonte esmeraldino. 
Dançando uma música insana, 
No qual uma orquestra de cigarras, desafinada – longe 
Muito e longe que só um pulsar quase mudo chega 
–Abraços de anos-luz pelo vazio cósmico do universo– 
Embala violinos de guerra 
Com explosões monótonas… 
São os Sois de um novo Waterloo, 
O Amanhecer nas Costas da Normandia 1944. 

Sobre um Goethe suicida clama Santiago (o pastor–alquimista): 
“Às Pirâmides do Egito!” “Quatro Séculos de trevas e luz”
Vinte mil léguas submarinas de distância 
Separam a América de suaa Felicidade, 
E Cinco Milhões de Dólares: O Homem, de seu espírito. 

E um raio de sol encantado 
Refrata–se em um sorriso louco. Enigmático. 

………………………………………………………………

Elétron–volts de poesia pós–moderna. 
Força magna de crateras 
Mortas de um vulcão corso. 
E as vozes escarlates de sapos 
Que, nas charnecas, nas penumbras, 
Pergunta por ti, Ó velho Ossian – o precito, 
O Anunciador da Renascença 
Em que os antigos heróis voltam das tumbas 
E digladiam pela ancestral Ilha escondidas nas Brumas, 
  … Avalon! Avalon do Estandarte do Dragão! 
  Avalon dos Druidas e da Senhora do Lago!… 

………………………………………………………………

Uma mão flana na multidão de versos, 
Escritos nos Abismos da Loucura e do Oceano. 
São versos azuis como o Sol, 
Doces como Baudelaire, 
Macios como a frigidez dos nórdicos, 
Gráficos como as invenções da Arcádia
Estranhos como sonetos 
Arquitetados no Bauhaus de Weimar. 

Vogando pelo gelo do Volga, 
A velha Guarda aguarda 
A volta do relógio e da Esfinge.

………………………………………………………………

E a música, subindo, 
                    subindo,  
Sublimado pelo êxtase da essência humana, 
Carrega aos píncaros do Ipiranga 
O clarão mórbido das batalhas 
 sobre uma negra mortalha, 
   A Fênix renasce 
    … E VOA, 
                    ALTO, 
Alto como a alma humana 
Até sobrepujar a sombra da lua 
e voltar, 
.   descer suave, 
E repousar nas páginas 
.                    de um poema,  
E esquecendo as vertigens da poesia 
Selvática e estridentes, relaxa os olhos
Para dormir o sono sossegado dos justos 
E das criancinhas inocentes e ingênuas..

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Pequena Balada Boemia

Pequena Balada Boêmia
(Estação Poesia II)

Valença, 01º de agosto de 2013 (01h25)

De todos os sonhos, 
         Eu quero a verdade.
De todos as verdades, 
         Eu quero a dúvida.
De todos as dúvidas, 
         Eu quero a estrela.
E com as estrelas
         Eu destruirei a mediocridade.
Sonhos e estrelas, treze desejos
         Inauguro sobre o rio Una,
A magia nobre dos bardos 
         E das ninfas.
E eu fecundo como um Sátiro
         Feliz e jovem
As ilusões que inauguram 
         Auroras e Utopias.
Nessa estações de sabores e poesia
         Eu cravo minha bandeira
E com as dúvidas eu edifico
         Todas as verdades
Que trazem na alma a Valencianidade
         Dos poetas e boêmios.
Nessa estação de poesias e temperos,
         Dentre Mojitos e Sorriso.
Escrevo meus versos e verdades
         A conduzir-me dentre ritmos
Até os píncaros da eternidade...

terça-feira, 23 de julho de 2013

A Quinta Profecia

A Quinta Profecia

Valença, 16 de julho de 2013 (04h51AM)

Desculpe-me, mas não há vinho que resista
A Fernando Pessoa(s), depois das duas da manhã.
Mesmo que todas as ninfas estejam nuas
E esperando-me no leito,
Mesmo que todas as penas estejam alinhadas
A espera da inspiração,
Mesmo que todas as canções se enfileiradas
A espera da ordem de batalha,
Mesmo que todas as ideologias conspirem
A espera do arrebol,
A vida é um sonho doce que expulsa as tempestades.
A aurora está próxima 
E pinta de escarlate as utopias.
E por mais que as estrelas
Digam de revoluções e flores,
Ainda o gosto azedo do orvalho
Rasga o véu de um poema misterioso
Que instiga cruza o cabo Bojador.
Há um poema de Caierio, de Campos, de Reis,
E d'outros espectros semi-criados
Que nenhum centauro de fogo decifra.
E ainda assim leva as Pessoa(s)
A cruzarem um outro pilar de Jachin e Boaz.
Há mais mistérios e verdades
Sobre a ponte atlântica, que faz do rio Una
Um mar lusitano a receber todas as naus.
E o Tejo, irmão aquífero,
Abres-e em um grande abraço costeiro 
E vai derramando, derramando estas lágrimas de sal.
Então os heterônimos se levantam do tribunal além do tempo, 
E conclama ao gozo e reflexão.
E dessa verdade ctônica, observa-se
Os Leviatãs de gelo com suas várias espadas;
As Insônias amargas com suas tábuas da Leis;
OS novos Moisés a trazer poemas do Sinai;
As respostas para todas as utopias universais.
E sobre elas, uma estrela rouca paira nas consciências
Surge a vontade louca de se abrir os mares.
Mais do que todas as prosas,
Surge este poemas indecifráveis que prometem
Auroras e Alegrias e Levantes.
Surge uma ilha Baratária além do firmamento
Onde os anjos de fogo e fúria
Plantam sua morada com suas trombetas,
Enquanto os vinhos negros fecundam a felicidade.
Ah, auroras escarlates e cheias de vinho,
É dessa escola pagã que nascem as revoluções
E cortam o espaço com cometas e sonhos,
Colonizam corações com desejos e esperanças
E, como um farol negro na Eternidade,
Florescem rosas biancas tão forte,
Ressuscitam o Pessoa(s) em nossos corações,
Como uma outra aurora possível...

sábado, 20 de julho de 2013

Balada dos Sonhos e Utopias

Balada dos Sonhos e Utopias
(Estação Poesia I)

Valença, 20 de julho de 2013 (01h23 AM)


Sonhos de todas as treze estrelas,
Sonhos de todos dos treze delírios,
Sonhos de todas as treze fadas,
Sonhos que é a lua triste dos poetas
Nascendo no cantos víneos dos loucos.
Sonhos que fecundam doce e acidamente
As maravilhas do âmbar cinzento.
Sonhos que nascem das melodias grafite
E dizem dos pântanos cinza da Aurora;
Sonhos herméticos e assimétricos rompeando 
Dos quasares metafísicos de Marcelo Gleiser,
Sonhos que fundam Impérios e Utopias no infinito,
Sonhos que riscam a Inquisição medíocre do mapa
Para trazer o sorriso colorido da Liberdade;
Sonhos amarelos e amargos do luar boêmio.
E que nas cantigas dos bardos tupis,
Rasgam o vermelho revolucionário da esperança.
Sonhos que pintam a realidade com dureza
E que, nem com o aço de Stálin,
Forçam as portas kafkanianas da Lei.
Sonhos de uma estação gastronômica
(poesia de pratos e temperos harmônicos)
Que entram por uma casa verde
Para devorar as texturas dos queijos,
Sonhos de Engenharia, Jurisprudência e Amizade,
Que, na verdade profética dos vinhos,
Reconstróem a esperança humanística dos poemas.
Sonhos de um Direito que é a porta esquerda 
Por onde o povo ascende à cidadania plena.
Sonhos que funda liberdades e desejos
E que, na poesia noturna das rua,
Implodem as amarras burguesas da auroras
E instauram os desejos secretos da Humanidade Livre.
Sonhos e desejos, utopias vivas da realidade....

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Balada do Anjo Exterminador

Balada do Anjo Exterminador

Valença, 13 de julho de 2013

Não sei o que querem os arcanjos,
com suas asas de morfina e éter
E que pregam a Inquisição.
Só sei o que quer a Vida,
Só sei o que quer a Alma
(no seu cortejo carnavalesco)
aprendeu nas crônicas tupi-guarani de Galvão :
pequenos príncipes sem malícias,
os asteroides de plumas e alegrias,
as meretrizes doiradas e apaixonadas
os deuses revolucionários forjados nas ruas.
Quer o sacrossanto orgasmo ébrio das fadas
e o Sol noturno dos Elfos e Centauros.
Quer uma poesia nova e dura 
feita do vinho azul da Lua Nova,
Quer banquetes e bacanais sob as palmeiras,
Quer os sonetos ctônicos de Mustafá,
Quer o Labirinto do Fauno buñuelesco,
(caminhos doces e tortuosos no horizonte)
em que Minotauro já nasça derrotado.
Arcanjo de asas de morfina,
derrubem de teus pórticos esta Inquisição hipócrita
e faça no Hipódromo de Constantinopla
outra revolução mágica da esquerda sexual.
Façamos da Vida um teatro sem Vampiros,
com Índios galgando o Monte Castelo
para que as flechas derrubem a Mentira.
Arcanjos, arcanjos nossos de cada dia,
libertemos esse Lobisomem da Aurora
e deixe-o devastar a sociedade burguesa.
O Mundo precisa de novos jardins vermelhos
onde floresçam treze estrelas rubras e rosas biancas.
Arcanjo, deixe que meu coração lavre as valas
e, como um Mayakóvsky reencontrado nos Trópicos,
plantarei mais treze auroras, mais treze epifanias
nas searas furta-cor de Valença,
para que o rio Una, com suas ninfas filhas de Beauvoir,
distribua minhas bençãos e visões,
e como um Leviatã feroz e vingador,
o rio Una esmague Impérios e Dogmas.
Arcanjo profano de asas de Morfina e Éter,
é com a Aurora vermelha de treze Estrelas
que quero fundar uma novo sonho,
o sonho escarlates das Utopias nunca vencidas
E vencedora de todas as Inquisições e Hipocrisias....

domingo, 7 de julho de 2013

Serenata (não tão) Sintética

Serenata (não tão) Sintética

Valença, 20 de junho de 2013

Na sacada,
saquei
da sacola
violeta
A viola
enluarada,
para ensacar
visceralmente
A Lua
enamorada.

Balada dos Mestres

Balada dos Mestres

Valença, 19 de dezembro de 2012

Poesia de todas as noites
nativas,
nervosas,
navegantes;
Poesia de todos os erários
errantes,
erráticos, 
rastejantes;
Poesia nossa e necessária, 
fortuita,
roubada de um anelo de Zé Inácio,
furtada de uma canção de Vínicius
Que se transforma numa
Elegia eleita de Drummond,
és pedra perene em todos os caminhos de Bilac. 
Poesia noite grande, noigrandes,
sem matéria, sem métrica, sem messe
Nesses campos augustos 
e haroldos de Pignatári.
Poesia bandeira, 
poesia www.castro.alves.ba
que é colhida madura e jovem,
como um soneto de Mustafá 
rosembergueando
dentre as moças em flor-fada.
Poesia arlequim, prismática;
Poesia exponencial de Fernando, o Pessoa(s)
- heterônimo cíclico e ciclópico 
que reina em campos caeiros - 
É no hermetismo galego-lusitano 
da Bela Flor Espanca
que se nutrem luxuriosamente
os Otávios & Motas & Amálias & Grimaldis.
Poesia prosaica, poética prosa
Que Vaz como um Galvão arakenesco,
É a fada verde que encanta a morte
Em perpétuo socorro alfrediano-neto
Nessa viagem sem fim e sem volta
da Poesia sempre, infinita poesia.... 

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Fragmentos - Ceticismo e Esperanca

Não sei o que aconteceu, mas, olhando estas manifestações que acontecendo no Brasil, fico numa sensação estranha entre o ceticismo e a esperança.
O veterano do movimento estudantil e militante socialista que sou fica feliz em ver as manifestações. Na origem elas são justas e a repressão em São Paulo foi desproporcional. Bem, o resultado é que todo mundo (pelo menos, a maioria) passou para o lado dos manifestantes. E o uso das redes sociais para aglutinar/inflamar o movimento está correto. Sim, dá vontade de pegar a bandeira, desenhar cartaz e ir pra rua. Isso alimenta a esperança de que estamos mudando o país e o mundo.
Mas...
Vou ser sincero: protestar contra o que mesmo? São tantas bandeiras (algumas contraditórias), que fazem com que uma pessoa mais madura e crítica desconfie do que está acontecendo. O "filho da puta" (sem querer ofender as prostitutas com isso) do Marcos (in)Feliciano  ("# Marcos Feliciano não me representa!" só para não esquecer) aproveitou a cortina de fumaça levantada pelo gás lacrimogêneo que aprova a famigerada e mentirosa "cura gay". Ok! Nas manifestações o povo grita "Fora Feliciano!", "Contra o Estatuto do Nascituro!" e "Contra a cura gay!". E daí? Mesmo assim foi aprovado essa vergonha na Comissão de Direitos (?) Humanos (??) e Minorias (???) sem que o povo de Brasília estive no Congresso Nacional pressionando. E se for ao plenário, daqui a vários meses? O povo estará lá para se opor e fazer pressão? Não basta ocupar às ruas quando deixamos calhordas como este deputadozinho do PSC aprovar uma insanidade dessa. O povo está gritando contra a PEC do Ministério Público, mas será que está PEC realmente é justa ou apenas favorece para que o MP extrapole suas incumbências constitucionais? Sobre este assunto falo como amador, apenas com base no olhar crítico que me reservo ao direito de ter. O povo culpa Dilma e Alckmin. Será que são tão parecidos assim? O povo está contra a Copa do Mundo. Agora? Será que ela é tão ruim assim? Ou é apenas o velho discurso do-contra da 'coxinha' pequeno burguesa? E na mesma situação que se quer o fim das tarifas e universalidade nos transportes públicos, aparece alguém na multidão defendendo o Jair 'Bostanaro' para presidente! (Desculpem-me, mas ele e (in)Feliciano são dois deputados que não consigo respeitar e levar a sério). Grita-se contra a corrupção? Mas não é a mesma pessoa que molha a mão do guarda para escapar da blitz da Lei Seca no Trânsito? É quando menos nos deparamos, vemos um direita aplaudindo uma manifestação "de esquerda". Pensemos sobre estes fatos...
Essa infinidade de discursos e palavras de ordem fazem com que destile o um pouco de amargo ceticismo. Será que não estamos vendo um pouco de mimetismo nisso não? Estão corretos em dizer que a questão toda não é apenas pelos R$0,20. Ok! Mas, afinal de conta, então é pelo que? Cada a pauta mínima de reivindicações? Será que o Gigante realmente acordou ou é mais um esqueleto que uma geração está criando para guardar no armário (como é a lembrança dos "Cara-Pintadas" e o "16 de Maio" de minha geração)? Pergunto-me porque ano que vem será ano de eleição? Será que nomes como (in)Feliciano, Bostanaro e muito do baixo clero da Câmara dos Deputados serão reeleitos? Será que a Direita Religiosa vai ganhar espaço com o discurso falacioso do Deus, Pátria e Família? Preocupa-me quando já se começam a reclamar da presença de bandeiras partidárias no meio da manifestação... Melhor dizendo, estou vendo muita euforia nas manifestações, mas a falta de um foco, que, futuramente, pode levar a um certo fracasso do movimento, por não mudar radical a essência da política oligárquica, paternalista e excludente que existe no Brasil. Hoje estão nas ruas reclamando, mas nas urnas, será que os manifestantes irão votar no status quo que engessa hoje a atual administração democrática-popular do país? Ou que, num plebiscito, se deixa influenciar por um discurso irracional e emotivo para aprovar a Pena de Morte?
Ir para ruas é um ato político sim. Defendo! Liberdade de expressão e de opinião! Mas as passeatas não são apenas a diversão, o carnaval politizado. Também tem o momento sério e chato da reflexão e sinto falta disso. É como se uma certa lição do Maio de 68 ainda não foi devidamente aprendida: revoluções se fazem com ações de massas e ideias claras! O grito pelo grito em si, o ser contra o governo sem uma proposta alternativa é inócuo. É triste, mas é a realidade. Charles de Gaulle (nitidamente um líder conservador, no que pese sua atuação contra o Nazi-Fascismo na II Grande Guerra) voltou fortalecido depois das barricadas dos desejos, exatamente por os jovens só tinha isso - o desejo de mudança, sem saber o que. O Fora Collor tirou um presidente, mas manteve o esquema que o apoiava. E é este esquema que hoje mantem cativo qualquer projeto popular e de esquerda que queria mudar o Brasil pela via institucional, seja ele o PCB, o PT, o PDT, o PSB, o PSTU, o PC do B, o PSOL ou o PCO.
Sei que o final é amargo. Já vi várias "explosões sociais" no Brasil foram gatilho de mudanças anda a passos lentíssimos. Veja o caso de Collor, eleito para o Senado Federal e o resultado do #forasarney. Enquanto ficarmos somente no espontaneísmo das passeatas, sem uma contra-ideologia de esquerda que unifique e dê uma direção a esta ira santa das ruas, as coisas continuaram como sempre estão: Feudos inquebráveis nos meios de comunicação social, coronéis se perpetuando no poder, arrivistas se equilibrando entre discursos com palavras pseudo-progressistas para expressarem clichês que escondem ideias conservadoras, inércia e desilusão. O que me impede de aderir ao mais claro pessimismo é que, ainda assim, sempre há um broto que teima em nascer no solo árido e pedregoso, 10 anos depois do Impeachment de Collor, Lula foi eleito presidente do Brasil. Hoje temos Dilma. A Esperança já venceu o Medo, uma vez. Quem sabe, não vence de novo?

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Labirinto de Estrelas

Labirinto de Estrelas
(Para Maurício Sena, engenheiro e visionário e Kadu, advogado e revolucionário)

Valença; 30 de maio de 2013 (02h32 AM)

Noite de sonhos em espiral,
Onde uma gaita élfica sintoniza
A poesia etérea dos sonhos,
Que canta a filosofia em êxtase
E fala das melodias de Avalon.
É a poesia selvagem dos bardos,
É a lua lancinante e cheia,
É a alegria do vinho novo
Colhido na alma das montanhas,
É o canto secular e místico
Que cruza a clave de Sol
E ilumina o sidéreo chão das aves,
Poesia surreal e feminina,
Canção nômade dos espaço.
Canta este barco ébrio e lúcido
Das fadas punk e bossa nova,
Canta este doce amargo das sendas
E crava como um Leviatã antigo
O doce caminhar legionário
Na canção ímpar das esferas;
Nesta Estação saborosa dos Temperos
E canção ardente e sutil dos desejos.
E como Pitágoras, no seu Olimpo,
Traça com o compasso das estrelas
O justo hemisfério das verdes acácias
Sobre as colunas de Boaz e Jachin,
Descreve o mistério assimétrico
Que se constrói o universo negro da Existência…

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Poetica do Feminino na Literatura Valenciana


A poética do feminino na literatura valenciana: Considerações sobre “ser mulher” nos poemas de Celeste Martinez e Rosângela Góes

José Ricardo da Hora Vidal[1]

O presente trabalho pretende analisar criticamente os poemas de Celeste Martinez e Rosângela Góes na perspectiva da escrita feminina, segundo as discussões teóricas de Nelly Richards, Zilda de Oliveira Freitas, Lúcia Castello Branco, Cecil Jeanine Albert Zinani e Nelson de Oliveira. Procura-se mostrar com estes poemas da literatura valenciana, que a escrita feminina se caracteriza como uma poética do feminino, ou seja, um modo próprio e transgressor de criação lítero-artística. Palavras chaves: escrita feminina, poética do feminino, literatura valenciana.

Literatura Valenciana e Participação Feminina

A cidade de Valença, localizada na região do Baixo Sul da Bahia, vive desde os meados da primeira década do século XXI um surto de produção literária. Em contraste com os anos anteriores, em que a vida literária se restringia ao lançamento esporádico de um livro ou de algum evento festivo (normalmente organizado por alguma escola da cidade), atualmente ocorre uma produção regular de vários livros nos campos da ficção, da poesia, do teatro, da memorialística, da historiografia e do ensaio, escritos por vários autores. Além disso, existe um ambiente de produção, circulação e difusão literária, a ser observado no movimento jovem da "Ocupação Cultural" (com seus saraus performáticos realizados regulamente), o fortalecimento do jornal Valença Agora, que desde o princípio abriu espaços para a publicação de textos literários e a criação da Academia Valenciana de Educadores, Letras e Artes.

O marco desta "Supernova Valenciana", deste período fecundo de produção literária, está a publicação da antologia "Valenciando: antologia de escritores valencianos" em 2005, organizada por Araken Vaz Galvão, e que reúne a produção em prosa e versos de oito escritores de Valença (alguns inéditos em livros até então), dentre homens e mulheres. No rastro deste livro, seguiram-se a publicação de mais três antologias (uma das quais com autores jovens ligado à Ocupação Cultural e pertencentes a uma geração posterior dos escritores de "Valenciando"), além da publicação de livros solos de outros autores [2].

Na "Supernova Valenciana", observa-se a participação das várias mulheres escritoras, como Macária Andrade, poetisa, cronista, oradora e professora - autora da letra do Hino de Valença e autora de dois livros de poesia e prosa; Amália Grimaldi, poetisa, artista plástica e odontóloga - colunista no Valença Agora e autora de três livros de poesia; Rosângela Góes , escritora e professora - autora de um volume de poesia; Maria do Perpétuo Socorro, Maria Raimunda, poetisas e professoras - participantes da antologia "Rio de Letras"; e Celeste Martinez, escritora e artista plástica - participantes das antologias "Valenciando" e "Rio de Letras".  Logicamente, diante da presença de tantas mulheres na hodierna cena literária valenciana, não é de se estranhar que a reflexão sobre o "ser mulher" não deixa-se de aparecer nos textos. 

Esta reflexão se dará não num processo de autoria masculina, do "ser mulher" como objeto da observação masculina; mas na situação ativa da autoria feminina, em que a própria mulher se questiona e dialoga consigo mesma sobre a sua própria condição como ser ontológico. Este diálogo acabam evidenciando um aspecto sobre o que seria a escrita feminina, que não se apresentaria não como um mero "gênero literário" (como a "ficção científica"), com regras predefinidas a acomodar esta produção;  mas se apresentação enquanto uma "poética", como um processo maior de modo particular de criação artística - como observa Nelson de Oliveira em seu ensaio "Literatura feminina ou poética feminina?", publicado na revista eletrônica Cronópios.
Para entender como acontece este processo de poética do feminino na literatura valenciana, foram escolhidos dois poemas ("todas as mulheres fogem", de Celeste Martinez e, "Profissão Mulher", de Rosângela Góes), que problematiza, já nos títulos dos textos, a condição feminina. Em todos eles, as autoras poetizam criticamente sobre o que "ser mulher", não mais como no protótipo da "Amélia dona-de-casa-e-rainha-do-lar", mas como um ser pleno dentro de uma sociedade, que rasura as antigas formas de dominação patriarcalista.

Escrita feminina: gênero ou poética?

Para entender melhor o ponto a ser discutido, se faz necessário, primeiro, compreender o que a escrita feminina. Ao contrário do pode pensar o senso comum, a "escrita" tem gênero e este não se confunde com o gênero do autor. Conforme lembra Zilda de Oliveira Freitas, no seu ensaio sobre autoria feminina, "Na sociedade ocidental (…) a  dicotomia sexual é uma vivência inconfundível do fazer, do prazer, do saber, enfim, do ser[3]". Isso irá se refletir na no modo de produção literária, na medida como homens e mulheres se relacionam com o mundo através da língua.

Sendo a língua um dos elementos da socialização do ser humano, ela não mostrará "neutra", acima dos processos de dominação; Pelo contrário, ela se estabele como um meio da expressão / dominação do gênero masculino sobre o gênero feminino. Robin Lakoff, no seu texto "Linguagem e lugar da mulher" analisa este fato, quando fala que:

(…) As mulheres experimentam a discriminação linguistica de duas maneiras: no modo como são ensinadas a usar a linguagem e no modo como o uso geral as trata; Ambas tendem (…) a relegar as mulheres a certas funções subservientes: aquelas de objeto sexual, ou serviçal, e, portanto, certos itens lexicais têm significados quando aplicados aos homens e ouros às mulheres, constituindo uma diferença que não pode ser prevista, exceto com referência aos diferentes papeis que os sexos desempenham na sociedade[4]

Como exemplo desta dualidade de significado apresentado por Lakoff está no uso corrente, em língua portuguesa, das palavras "vagabundo" e "cachorro". O uso do feminino desses dois vocábulos para descrever uma mulher sempre tende a ser mais ofensivo e negativo do que o seu correspondente masculino o é para os homens, uma vez que não só a rebaixa como ser social (imprestável, improdutivo, desprezível) como a sua própria feminilidade, como alguém promíscua sexualmente e realçando sua condição de objeto sexual do homem, abaixo mais ainda da já inferior situação que as demais mulheres já possuem na sociedade machista. Esse uso da língua como um meio de dominação entre gêneros vai se aprofundando na formação da identidade de cada indivíduo. Não apenas por já criar um modus operandi da línguas distinto entre homens e mulher, enquadrando que fala de trivialidades ou quem fala de assuntos sérios e assim alijando das tomadas de decisões um ou outro gênero, como imagina Lakoff, Mais além disso, há quase que um apagamento da diferença, de um outro gênero na língua quando um gênero é usado como a forma universal de se referir à realidade. Como bem observa Nelly Richards, “O neutro da língua, sua aparente indiferença às diferenças, camufla o operativo de ter universalizado, à força, as marcas do masculino, para convertê-lo, assim, em representante absoluto do gênero humano[5]”. Esta discriminação do gênero feminino, que passaria a ser visto como um 'mero caso particular' do gênero masculino, 'legítimo' representante da totalidade dos seres humanos acaba implicando nos de como os discursos são feitos dentros dos espaços sociais. Assim, se dentro do espaço doméstico, particular, a mulher teria reservado um tipo de discurso próprio, o mesmo na se não no espaço público, local da tomadas das principais decisões sociais e por isso mesmo demarcado como reino do discurso masculino. Se no espaço doméstico existe a possibilidade de uma linguagem mais polida e sem lugar para explosições emocionais (que Lakoff atribui como uma das característica da fala feminina que a sociedade espera); no espaço público, esta fala feminina não terá vez, pois nao será forte o suficiente nos momentos de disputas que ocorrem nestes espaço. Diante das explosões emocionais que doravante possa ocorrer, a fala feminina, que ninca foi treinada oara isso, fenece e cede lugar ao discurso masculino, a muito treinado nesta lide, o que leva a afirmação de Cecil Jeanine Albert Zinani, que essa afirma que: "(…) a voz da mulher sempre foi silenciada, o que impediu desenvolver uuma linguagem própria"[6]. É a esta situação que Robin Lakoff fala em "bilinguismo" nas mulheres (em que, tendo que dominar um 'dialeto feminino' de uso privado e um 'dialeto neutro' de uso público, acaba sem ter certeza plena de estar usando a norma certa na ocasião correta) e que Zilda de O. Freitas aponta como o dilema das escritoras, entre “(…) utilizar o discurso masculino é pôr em risco sua feminilidade. Não utilizá-lo é expor-se ao ridículo  ao falar em público” [7]. Assim, a mulher escritora já se encontra numa situação de transgressão, de não só ser apropriar de um instrumento masculino criado para os propósitos masculinos como inscrever o corpo e a diferença feminina na língua e no texto.

Diante do fato de existe a diferença entre uma fala feminina para uma fala masculina, sobre a questão compreender como elas irão se mostrar dentro da literatura. Estando da mulher enquadrada dentro do supergrupo das minorias, enfrenta já o problema que estas literatura possuem: as definições comumente apresentadas são grosseiras e deselegantes, que dificultam um debate.

Uma definição corrente de Literatura Feminina limita-se a circunscrevê-la no ambiento do gênero de autor, ou seja, aquela escrita por mulheres. E, como resquícios da diferenciação de ocupação dos espaços sociais (como pode se depreender das observações Robin Lakoff e Zilda de Oliveira Freitas) esse modelo de definição preconizaria as seguintes características: discurso confessional sobre os fatos e os fenômenos da vida privada, sobre da rotina doméstica, sobre o relacionamento com os homens em geral e com a família em particular. A literatura de autoria feminina, assim colocada, apresenta, segundo Nelson de Oliveira, um caráter restritivo que NÃO abarca toda a questão. O "feminino" é uma categoria mais ampla dentro da escrita criativa, que chega até a ser independente do próprio sexo do autor. Esta definição mostra uma “chave monossexuada” para o feminino, que restringia o potencial transimbólico da criação, como fluxo de identidade e sentido. Em última análise, transforma a literatura feminina num gênero literário fechado similar à ficção científica ou literatura policial, com seus clichês pré-estabelecidos e padrões rígidos a serem esperados. No caso da literatura valenciana, a não-aplicabilidade desta definição fica patente quando se observa uma diversidade de expressão e nuances temáticas e que estão anos-luz de se restringir ao discurso confessional sobre a vida privada. A escrita de Macária Andrade é bem diferente da escritas das conterrâneas Celeste Martinez e Rosângela Góes, quando a universalidade da primeira está mais próximo das temáticas tradicionais da escrita "masculina" enquanto as últimas mostram-se mais críticas quando a condição feminina. E mesmo entre estas duas, ao expressar de forma contundente a condição feminina em seus versos, o fazem expressando modos diversos entre si. Se em Rosângela Góes há a preocupação de desconstruir a lógica masculina no plano do sentido, rearranjando o discurso na ótica feminina; Celeste Martinez radicalizar a lógica masculina na ordem da expressão, remexendo nos vocábulos para rasurar o discurso na direção feminina.

Diante da falibilidade da definição anterior que Nelson de Oliveira[8] apresenta uma definição mais ampla: Literatura Feminina seria uma "poética", ou seja, um modo de criação de literária aberto para expressão individual do autor. Seria como uma feminização da própria escrita, que mesmo não sendo exclusivamente restrita da mulher, mantém sempre uma certa relação com ser mulher. Esta escrita se traduziria como uma poética da transgressão ao discurso masculino dominante, apresentando-se como sua antítese dialética, ou pelo menos um meio de escape à dominância falocêntrica da língua. Em consonância ao proposto por Nelly Richard, que ver na feminização da escrita " uma erótica do signo" a extravasar o marco/retenção da significação masculina com seus excedentes rebeldes (corpo, gozo, heterogeneidade, libido, multiplicidade), desregulando a tese do discurso masculino[9], Nelson de Oliveira: compreende a literatura feminina como é a escrita do gozo, dos mistérios, da fantasia exacerbada, do mergulho no inconsciente, dos segredos e das confissões, da loucura, construída frequentemente em torno do silêncio. É a escrita dionisíaca e noturna que se choca com o apolíneo e ensolarado racionalismo masculino[10]. Lúcia Castello Branco apresenta como outras características da escrita feminina a procura de "fazer do signo a própria coisa e não uma representação da coisa"[11]. E como complemento as estas características, Cecil Jeanine Albert Zinani acrescenta que:

A linguagem centrada na perspectiva da mulher se caracteriza-se por estabelecer um código que instaura um processo enunciativo de caráter subversivo não só em termos de vocabulário como também de uma sintaxe específica que possa desconstruir o discurso masculino e estabelecer a diferença entre os sexos. (…) As estratégias utilizadas podem remeter para o significado original das palavras, revisar a constituição de vocábulos, especialmente através dos prefixos, reconceituar as metáforas utilizadas, recuperar as elipses. A leitura marginal concretiza-se, portanto, através de desvios que possibilitarão a percepção do Outro e a própria constituição desse Outro emergente em sujeito de um novo discurso. Ao se preocupar com a revelação da escrita feminina através das lacunas do texto, de certa forma, a autora recupera o princípio de que essa escrita revela-se através da história silenciada produzida pelo texto subjacente.[12]

A literatura feminina está no plano da poética porque não apresenta fórmulas definidas para amoldar o texto dentro de plano preconcebido, pois ela busca sempre extrapolar todas as bordas, ir além dos limites. Antes, trabalha no próprio plano do signo para atingir a essência do texto, rasurando uma ordem prévia do discurso dominante "masculino" para desvelar uma outra perspectiva transgressora, a do olhar da mulher. Por ser mais um tom (na acepção cromática e musical do termo) [13] transgressor do não-fálico (sem ser necessariamente oposta e simetricamente ao fálico) do que um simples gênero fechado que a literatura feminina não se restringe ao sexo do autor, pois ele ultrapassa, intersecciona e tangencia o autor para levá-lo a uma outra lógica de criação literária, de excessos e deslocamentos, que pode ser ao mesmo tempo prolixo e lacunar.

Para exemplificar este modelo da literatura feminina como um tipo de poética, serão analisados três poemas de suas poetisas valencianas.

“Profissão Mulher”: A poética do feminino em Rosângela Góes[14]

O poema de Rosângela Góes escolhido para análise dentro da perspectiva da literatura feminina com uma poética são "Profissão Mulher"[15], publicado inicialmente na antologia "Valenciando" e posteriormente aparecendo no livro "Coração na Boca", da autora. Neste poema reverbera um pouco do eco da famosa citação de Simone de Beauvoir. A mulher não se constitui por um determinismo biológico, mas numa "profissão", um constructo social que faz e refaz a cada dia, dentro de um caleidoscópio.

No dois primeiros versos do poema, a poetisa enumera algumas das profissões / arquétipos clássicos relacionadas com mulher dentro da sociedade patriarcal: "Lavadeira, costureira,parideira / atriz, imperatriz meretriz". No primeiro verso surge o arquétipo da figura maternal, ligado a ambiente simples e doméstico e com pouco ou nenhum retorno financeiro. São as mulheres que lavam e costuram para fora, profissões que as mulheres da classes populares normalmente tinha como (única) forma de sustento (permitida). Na terceira profissão, "parideira", Rosângela toca na ferida, ao rasurar a figura clássica da dona-de-casa. Longe da ser a decantada rainha do lar, a esposa é apresentada numa condição subalterna de fábrica de filhos para a sociedade, com sua sexualidade restringindo-se a função biológica da reprodução, sem desejos ou fantasias próprias. Em três substantivos polissílabos derivados de verbos, fica o retratado da mulher do povo, destinada a ser uma legião de serviçais submissa da sociedade, a ganhar muito pouco ou nada com seu trabalho pesado.

Em contraposição a mulher ordinária descrita no primeiro, o segundo verso mostra três "rupturas possíveis" do destino de santa esposa, mãe doce e dona-de-casa: a mulher artista, a mulher governante e a mulher "prostituta". É interessante salientar, de imediato, na relação que se estabelece entre as duas primeiras profissões "boas" com a terceira profissão, "ruim". Vivendo por um triz, a atriz e a imperatriz estabelecem entre se uma dupla relação dialética curiosa. Se, por um lado, parece indicar a advertência para que a mulher nunca rompa com a ordem natural do universo (machista), ao mostrar que a mulher que assume uma posição de relevo na sociedade (seja pela cultura, seja pela política) se equipara a uma decaída, prostituindo sua sacrossanta condição de esposa; por outro lado reconhece-se implicitamente que o verdadeiro poder da mulher está na sua sexualidade, no seu poder de sedução. A meretriz no final do verso, ombreia com o Trono e com o Palco, indicando onde está o calcanhar de Aquiles da sociedade machista. A prostituta 'impera' com o poder de sedução de seu corpo e faz cair a máscara da "ordem natural machista" da realidade, ao fazer eco as antigas hetairas e cortesãs (como Frinéia), cuja beleza e educação as faziam companheiras de artistas, filósofos e políticos. Esta redação remete ao que Cecil Zinani considera sobre escrita feminina, de reconceituar as metáforas e recompor as elipses dos textos, estabelecendo um processo enunciativo que subverte o léxico ao reconstituir o sentido original das palavras através de seus afixos, como está presente no primeiro versos dos poema: LAVAdeira, COSTUReira, PARIdeira, as ações domésticas associadas as mulheres de classes sociais mais humildes.

Diante desta suas possibilidades apresentadas nos dois primeiros versos, a poetisa começa o terceiro verso dialogando com a "Mulher" (na forma de vocativo), indicando outra possibilidade que a 'sociedade' não aventara: ter por destino o melhor do céu e da terra. E no primeiro verso da segunda estrofe inicia-se com uma pergunta provocativa: És rainha?", questionando explicitamente o reinado do lar. Este questionamento no plano discursivo continua, quando a autora fala  "Dize-o tu a ti mesma / se esse trono vale a pena", para logo depois contrapor a mulher a alternativa da:

"se o queres, se o preferes à delícia
de ser e descobrir nos próprios passos
o rastro do fracasso ou do universo
se tens na tua voz o teu cometa, ou teu algoz[16]

É neste ponto do poema que se apresenta a questão principal proposta pela poetisa: cabe a mulher a responsabilidade sua vida, ser ela o sujeito, e não um objeto. Este protagonismo em relação a vida, de ser mulher, implica que a mesma assuma uma postura séria, 'profissional', diante de sua existência. Cabe a mulher, e não mais ninguém descobrir se sua "voz" (com todo o simbolismo que esta palavra possui) irá elevar a mulher ao sucesso, como um cometa; ou ser sua própria algoz a decidir peremptoriamente qual nicho a mulher ocupar na vida e na sociedade.

O terceiro parágrafo remete aos possibilidades que a mulher tem para construir sua vida ("Escolhe o caminho, há tantos… / já os divisastes ou escolheste?"). Está claro no texto que qualquer que seja escolha pela mulher, ela nãos erá imune aos perigos, mas mesmo assim a poetisa insiste para a mulher que mesmo com os percalços é importante perseverar na escolha, pois ela mostrará que a mulher "verdadeira" por detrás das convenções sociais é ainda maior e, no entanto, estava abafada. Rosângela Góes, com estes versos finais ("(…) saber por si mesma / a mulher que havia e melhor não se sabia"), reconstituíssem através lacunas presentes na língua as histórias silenciadas das mulheres citado, fazendo que cada signo seja a própria coisa dentro do texto, não uma mera representação, um simulacro convencional da realidade.

Em Rosângela Góes, a poética do feminino se faz dentro do plano do sentidos. Ao questionar as arquétipos que a sociedade criou para enquadrar a mulher ("parideira", "meretriz", "rainha"), ela aponta as múltiplas possibilidades além deste quadro, uma mulher-sujeito, que saiba exercer com dignidade e consciência sua profissão de mulher.

“Todas as mulheres são universos”: A poética do feminino em Celeste Martinez[17]

Em contrapartida, o poema de Celeste Martinez, "Todas as mulheres fogem[18]", ganha força pela sua carga expressiva, com um uso radical das possibilidades dionisíacas da língua. Publicado na antologia "Valenciando", o poema se apresenta graficamente todo como alinhado ao centro (enquanto o "Profissão Mulher" segue uma diagramação mais tradicional, justificado à esquerda).

Sem um título formal, a autora o poema com um verso de forma marcante e declarativa: "Todas as mulheres fogem". Não é um indivíduo ou um grupo, mas a totalidades das mulheres realizam um ato que poderia interpretado como uma fraqueza ou covardia - fogem. Não lutam, não resistem apenas fogem. E a autora prossegue, justificando a atitude:

(…)
Ameaçadas,
entram na jaula.
Apagam a luz da realidade e rezam,
cantam hinos de misericórdia,
rogam milagres, (…)[19]

Nesta passagem a poetisa ao estereótipo das mulheres serem o "sexo frágil", ser fraco e dominado diante do homem, o "sexo forte" e dominante. E segundo ainda este raciocínio, a atitude esperada do fraco seria fugir da batalha e procurar um refúgio (como na religião). Contudo, a autora continua o poema, afirmando: "abortam paixões sonolentas / e sangram homens", o desmente esta visão de fraqueza. A força das mulheres não estaria no corpo físico apolíneo, mas nas fontes de sabedorias antigas, conjurando segredos nos mistérios dionisíacos, como o poema mostra. Apagar a luz da realidade e rogar por milagres é uma outra forma de luta que recusa a arena solar masculina. É nesse outro terreno, ao "sangrar homens".

O poema prossegue com uma linguagem eivada de fantasia exacerbada, apontado sempre para o tropos "Todas as mulheres", estabelecendo antíteses e metáforas sobre a condição feminina, como nos versos:

(…)
Todas pensam o "eu" livre
mas todas têm útero.
Todas têm mães e são madres
(…)
Todas as mulheres são pares.
Todas estão feridas e aguardam a chance do grito,
do canto,
do riso.
mas todas voltam para o quarto e por três estações ficam
preenchidas
(…)[20]

Nesta sequência se percebe a dualidade ("todas as mulheres são pares") que reina na figura feminina: a individualidades de ser elas, que lutam com garra ("todas estão feridas") pela chegada da oportunidade ("a chance do grito, / do canto, / do riso") com de se realizar como pessoa ; mas por terem "úteros" que estarão preenchidos durante três estações, as mulheres também se apresentam carregando uma outra vida, uma outra individualidade dentro de si e que depende desta mulher, fazendo que ela também se "desindividualize". Esta referência a maternidade conecta-se a antiga visão de que a geração da vida humana dentro da barriga da mulher é algo "mágico", similar a fertilidade da Terra Mãe Gaia.

O aspecto da dualidade que reside a figura feminina, segundo Celeste  Martinez, pode ser visto em mais pares de versos:

(…)
Todas são estátuas da liberdade
E calabouços de amor.
(…)
Todas as mulheres mentem
E falam verdades.
 (…)[21]

A primeira antinominia "liberdade / calabouço" se apresenta na configuração interessante: no superior se faz alusão a um dos mais conhecido ícones modernos que é Estátua da Liberdade de Nova York, como representação de um dos mais altos ideais contemporâneos. E a figura da mulher com encarnação ou das mais altas aspirações, como no quadro de Delacroix, "A liberdade conduzindo os povos", em que uma jovem mulher é quem conduz o povo insurreto para vitória sobre as barricadas; ou como a própria personificação da pátria, como nas figuras de "Britânnia", para o Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte; "Marianne" para França republicana; "Rodina-Mat" (Pátria Mãe) para União Soviética; e "Adelita" para o México revolucionário, dentre outras[22]. Se por um lado é a liberdade, no outro é a prisão, mas a prisão decorrente do amor, criando um aparente oximoro de combinar um sentimento positivo do Amor com a idéia negativa do cárcere. Se a mulher é o símbolo da liberdade, ela também pode ser a causa da prisão, segundo a poetisa.

A outra antinomia que Celeste Martinez apresenta é sobre relação verdade e mentira. Da mesma forma que Capitu, a de "olhos de cigana, obliqua e dissimulada", a famosa personagem machadiana que representam a perfídia e a mentira é do sexo feminino, há o contraponto clássico da Pitonísa, a sacerdotisa de Apolo que, em seu transe, transmite a verdade.

Os jogos simbólicos que a autora usa para expressar a condição feminina são mais eloquentes estão nos versos:

(…)
Só mulheres gozam
Só fêmeas parem
Só esposas são obedientes
Só amantes são eternas
Só VÊNUS amor
Só HELENA guerra.
Só CIRCE veneno
Só MEDUSA tormento.
 (…)[23]

Ao dissecar as diversas personas femininas possíveis, como a "mulher" que atinge o orgasmo, a "fêmea" responsável pela maternidade, a "esposa" enquadrada nas convenções sociais, a "amante" como um ideal sentimental que esteve/está/estará presente no imaginário humano; Celeste Martinez passa para os grandes jogos simbólicos da mitologia em sentindo decrescente no retrato do feminino, ao relacionar a eterna identidade entre a deidade "Vênus" e o sentimento do Amor (humano, terreno), a semi-deusa[24] "Helena" como a causa da Guerra de Tróia (e por extensão, de todos os conflitos); a feiticeira "Circe" com o conhecimento de filtros e poções e por fim, no monstro feminino da Medusa, que provoca o sofrimento da vítima ao petrificá-lo.


Esses exemplos reforçam o que Nelson de Oliveira considerar ser um dos aspectos da literatura feminina como a escrita dos mistérios, do mergulho no insconsciente e nos segredos. Outro aspecto que marca literatura feminina está, segundo Cecil Jeanine Albert Zinani na subversão da processo enunciativo tanto do nível léxico como na sintaxe. Esses aspectos podem ser notados mais claramente nos versos:

 (…)
(Todas) PECAM
PADECEM
(São) SUBVERSIVAS
SUBMERSAS
SUBALTERNAS (mulheres).
 (…)[25]

O uso dos parênteses e das letras em caixa alta pela autora abrem as possibilidades de leitura, ao permitir que o leitor recombine ao seu modo os sintagmas presentes, fugindo da tradicional organização linear do texto. Isso abre lacunas para que as entrelinhas respirem e assim permita que os subtextos fiquem mais evidentes diante do leitor. Assim, ao lado da leitura tradicional desses versos na ordem: "(Todas) PECAM / PADECEM / (São) SUBVERSIVAS / SUBMERSAS / SUBALTERNAS (mulheres)", há a possibilidade de separar as palavras dos parênteses "(Todas) (São) (mulheres)", para indicar que elas "PECAM", "PADECEM" e são " SUBVERSIVAS / SUBMERSAS / SUBALTERNAS". Ou ainda, que "(Todas) (São) (mulheres)" que PECAM, "(Todas) (São) (mulheres)" que PADECEM, "(Todas) (São) (mulheres) SUBVERSIVAS, "(Todas) (São) (mulheres)" SUBMERSAS, "(Todas) (São) (mulheres)" SUBALTERNAS.

Todas as mulheres de Celeste Martinez, enfim, são múltiplas e presentes, fracas e fortes para parirem homens e mulheres e assim, amarem homens e mulheres e mulheres…

Urbi et Orbi

O brilho da explosão dessa Supernova literária em Valença ainda está forte para ofuscar a visão de seus observadores. No bojo da publicação de tantos livros, fica humanamente impossível separar o joio do trigo e afirmar qual desses escritores realmente está destinado a imortalidade. Uma visão panorâmica mais confiável sobre essa cena literária talvez seja possível quando uma segunda geração de escritores valencianos tiverem maturidade acadêmica e artística suficiente para herdarem este legado. Contudo, dentre as diversas flores que estão desabrochando, alguns frutos futuros já são possíveis de ser entrevisto  Esta literatura não se restringe a ficar nas boas margens do rio Una e alguns destes escritores estão se destacando nos cenários regional e estadual na Bahia de todos os santos e orixás. Haverá alguém que conquistará a projeção nacional? Talvez isso possa acontecer, diante da qualidade do que se está sendo produzido por lá. Vá saber qual alquimia literária resultará esta mistura de dendê, cravo, cacau e camarão…

Para o campos dos estudos literários voltados a gênero e sexualidade, os resultados são mais palpáveis. As escritoras valencianas estão na linha de frente desta explosão literária, trazendo a sensibilidades da filhas de Eva para as letras locais. Deste modo, abri-se uma nova seara de estudos críticos, com escritoras cujas as obras ainda não tiveram a devida atenção crítica. Uma futura pesquisa de autoria feminina dentro das obras dessas autoras se faz necessário para que se possa melhor avaliar as já certas qualidades e possíveis os defeitos que estes escritos possam ter. E quiça, a luz desta fortuna crítica mais consolidada, novas escritoras valencianas possam surgir a levar adiante este legado que hora se apresenta para os leitores e as leitoras - inclusive numa erótica feminina genuinamente valenciana.

Mas, antes de encerrar esta análise, uma última observação necessária: Como esta pesquisa visava analisar duas autoras locais, alguém poderá estranhar a falta de cor local. Para alguém mais acostumada com as terras do rio Una, sentirá falta de referências ao Amparo, ao Guaibim, à serra do Abiá, ao dendê, aos mariscos e ao cravo. Antes, no poema de Celeste Martinez, encontra-se referências a mitologia clássica da Europa mediterrânea, o que poderia colocá-la como um poema produzido em qualquer lugar nas termas de Roma, nas esquinas de Seattle, nos bazares de Bagdad ou nas ruas de Hanói. Bem, talvez mostre que as mulheres valencianas estão conectadas com os sentimentos da demais mulheres do Globo e por isso escrevem das margens do rio Una para o Mundo…

Referências
BULFINCH, Thomas. Mitologia geral: A idade da fábula. Tradução de Raul L.R. Moreira e Magda Veloso. Belo Horizonte: Itatiaia, 1962. (Coleção Descoberta do mundo, vol. 21).
CASTELLO BRANCO, Lúcia. O que é escrita feminina. São Paulo: Brasiliense, 1991. (coleção Primeiros Passos v. 251)
COMMELIN, Pierre. Mitologia grega e romana. 2. ed. Tradução de Eduardo Brandão. São Paulo: Martins Fontes, 1997. (Coleção Clássicos).
FIGUEIREDO, Rosângela Góes de Queiroz. Coração na Boca. Salvador: Secretaria de Cultura e Turismo, EGBA, 2006. (Coleção Apoio)
FREITAS, Zilda Oliveira de. A literatura de autoria feminina. In: FERREIRA, Silvia Lucia e NASCIMENTO, Enilda Rosendo de (org). Imagens da mulher na cultura contemporânea. Salvador: NEIM/UFBA, 2002. Coleção Bahianas v.7,  pp 115-123.
HAMILTON, Edith. Mitologia. Tradução de Jefferson Luiz Camargo. São Paulo: Martins Fontes, 1992.
LAKOFF, Robin. Linguagem e lugar da mulher. In: FONTANA, Beatriz e OSTERMANN, Ana Cristina (org). Linguagem. Gênero. Sexualidade: clássicos traduzidos. São Paulo: Parábola Editorial, 2010. Coleção Lingua[guem] v.37,  pp 13-30.
MARTINEZ, Celeste. Todas as mulheres fogem. In: Vários Autores. Valenciando: antologia de escritores de Valença. Salvador: Secretaria de Cultura e Turismo, EGBA, 2005. (Coleção Apoio). Pags. 23-25.
MÉNARD, René. Mitologia greco-romana. Tradução de Aldo Della Nina. São Paulo: Opus, 1991. 3 V.
RICHARDS, Nelly. Diferença sexual, gênero e crítica feminista. In: RICHARDS, Nelly. Intervenções críticas: arte, cultura, gênero e política. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2002. (Série Humanitas v. 81), pp 125-172.
SAMUEL, Rogel. A crítica feminista. In: SAMUEL, Rogel. Novo manual de teoria literária. 5ª ed. Petrópolis: Vozes, 2010. pp 184-191.
ZINANI, Cecil Jeanine Albert. Identidade e Subjetividade. In: ZINANI, Cecil Jeanine Albert. Literatura e gênero: a construção da identidade feminina. Caxias do Sul: Educs, 2006, pp 19-48.
WILKINSON, Philip. Myths & legends. An illustrated guide to their origins and meanings. Londres / Nova York / Munique / Melbourne / Delhi: Dorling Kindersley, 2009.
OLIVEIRA, Nelson de. Literatura feminina ou poética feminina? Cronópios, Disponível em: <http://www.cronopios.com.br/site/artigos.asp?id=1836>. Acesso em: 10 de março de 2013, às 21h37.
ALACAZUM palavras pra entreter Disponível em: < http://alacazum.blogspot.com.br>. Acesso em: 20 de abrilde 2013, às 10h22.

Apêndice 01:
Profissão mulher,
de Rosângela de Góes Figueiredo


Lavadeira, costureira, parideira,
Atriz, imperatriz ou meretriz
Mulher, é teu destino ser melhor
o céu que te recorta em tanto azul
o chão que te ensina o caminhar

És rainha? Dize-o tu a ti mesma
se esse trono vale a pena
se o queres, se o preferes à delícia
de ser e descobrir nos próprios passos
o rastro do fracasso ou do universo
se tens na tua voz o teu cometa, ou teu algoz

Escolhe o caminho, há tantos...
já o divisaste ou escolheste?
Há riscos e percalços, desvios e cansaços.
Falsos ou reais, é preciso percorrê-los
e conhecê-los...
E conhecendo-os, saber por si mesma
a mulher que havia e melhor não se sabia.



Apêndice 02:
(Todas as mulheres fogem),
de Celeste Martinez


Todas as mulheres fogem
Ameaçadas entram na jaula.
Apagam a luz da realidade e rezam
Cantam hinos de misericórdia
Rogam milagres
Abortam paixões sonolentas
E sangram homens.
Todas pensam o “EU” livre
Mas todas têm úteros.
Todas têm mães e são madres
Face da mesma face
Todas as mulheres são pares.
Todas estão feridas
E aguardam a chance do grito
Do canto
Do riso
Mas todas voltam para o quarto
E por três estações ficam preenchidas.
Todas são estátuas da liberdade
E calabouços de amor.
Todas as mulheres vestem luto
Todas choram
Fingem o gozo
Matam o macho
E fazem aborto.
Todas as mulheres mentem
E falam verdades.
Todas são cruéis quando traídas
Quando iludidas
Quando menosprezadas.
Todas as mulheres matam
Um dia
Uma vida
Um amor
Uma chance
Um segundo de paixão.
E todas as mulheres envelhecem
Perdem o sabor
Ficam estéreis
Ressecadas e frias.
Todas as mulheres morrem
Por um fio – FILHO
Por uma ponte – HOMEM
E todas ressuscitam quando querem
Mas só algumas são virgens
Mártires.
Todas as mulheres são universos
Em terra
Em água
Em si
No talvez
Na certeza
Em sonho.
(Todas) PECAM
PADECEM
(São) SUBVERSIVAS
SUBMERSAS
SUBALTERNAS (mulheres)
Mas só algumas são damas
Rainhas
Esfinges
Um jogo.
Mulheres são
Mulheres vão
Mulheres não – COMEÇO.
Só mulheres gozam
Só fêmeas parem
Só esposas são obedientes
Só amantes são eternas
Só VÊNUS amor
Só HELENA guerra.
Só CIRCE veneno
Só MEDUSA tormento
Só mulheres parem HOMENS
E mulheres amam HOMENS
E mulheres
E mulheres...
E mulheres....


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[1]              Especialista em Estudos Lingüísticos e Literários pela UFBA. Licenciado em Letras Estrangeiras Modernas (Inglês) pela UNEB - campus 01. Professor de Língua Inglesa no Colégio Estadual Hermínio Manuel de Jesus (distrito do Bonfim / Valença / BA). Membro da Academia Valenciana de Educadores, Letras e Artes.  E-mail: ricardovidal@hotmail.com.br. Blogue: www.bardocelta.blogspot.com.
[2]              Após a antologia "Valenciando", foram publicados as antologias "Rio de Letras", "Trívio" e "Novos Valencianos", foram publicados três volumes de crônicas de Moacir Saraiva, três livros de Amália Rodrigues, dois volumes de memórias de Gentil Paraíso Martins Filho, o livro de poesia de Rosângela Góes, o segundo volume de poesia de Mustafá Rosemberg, um livro de crônica de Macária Andrade, o livro de contos de Alfredo Gonçalves de Lima Filho, o livro de conto e um livro de ensaios de Araken Vaz Galvão. Acrescenta-se a publicação da segunda edição do livro de Edgar Otacílio sobre a história local.
                Antes do "Valenciando", foram publicados dois livros de Araken Vaz Galvão (um romance e um sobre História da Valença), um livro de poesia de Mustafá Rosemberg, um livro misto de poesia e prosa de Macária Andrade, dois livros de Otávio Mota e um livro de poesia Ricardo Vidal, além de dois livros de historiografia valenciana (um escrito por Edgar Otacílio e outro de Augusto Moutinho) e uma brochura reunindo alguns dos artigos, crônicas e poesias publicados até então no jornal Valença Agora,. Com exceção dos livros de Otávio Mota (lançados nos anos 80 do século XX), os demais livros foram publicados entre 1999 e 2005.
[3]              Zilda de Oliveira Freitas. Literatura de Autoria Feminina. in SILVIA LUCIA FERREIRA e ENILDA ROSENDO DO NASCIMENTO. Imagens da mulher na cultura contemporânea. Salvador: NEIM/UFBA, 2002, p. 116.
[4]              Robin Lakoff. Linguagem e Lugar da Mulher in ANA CRISTINA OSTERMANN e BEATRIZ FONTANA. Liguagen. Gênero. sexualidade: clássicos traduzidos. São Paulo: Parábola, 2010, p. 14.
[5]              NELLY RICHARD. Intervenções críticas: Arte, Cultura, Gênero e Política. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2002, p. 131.
[6]              Cecil Jeanine Albert Zinani. Identidade e Subjetividade. in CECIL JEANININE ALBERT ZINANI Literatura e Gênero: A construção da identidade feminina. Caxias do Sul, RS: Educs, 2006, p. 25.
[7]              Zilda de Oliveira Freitas. Literatura de Autoria Feminina. in SILVIA LUCIA FERREIRA e ENILDA ROSENDO DO NASCIMENTO. Imagens da mulher na cultura contemporânea. Salvador: NEIM/UFBA, 2002, p. 118.
[8]              NELSON DE OLIVERIA. Literatura feminina ou poética feminina? Site Cronópios . Acesso em: 10 de março de 2013, às 21h37.
[9]              NELLY RICHARD. Intervenções críticas: Arte, Cultura, Gênero e Política. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2002, p. 133.
[10]             NELSON DE OLIVERIA. Literatura feminina ou poética feminina? Site Cronópios . Acesso em: 10 de março de 2013, às 21h37.
[11]             LÚCIA CASTELLO BRANCO. O que é escrita feminina. São Paulo: Brasiliense, 1991 (?), p. 21.
[12]                             Cecil Jeanine Albert Zinani. Identidade e Subjetividade. in CECIL JEANININE ALBERT ZINANI Literatura e Gênero: A construção da identidade feminina. Caxias do Sul, RS: Educs, 2006, p. 35-36.
[13]             LÚCIA CASTELLO BRANCO. O que é escrita feminina. São Paulo: Brasiliense, 1991 (?), p. 76.
[14]             Rosângela Góes de Queiroz Figueiredo nasceu em Valença em 1951, é escritora, professora e política, formada em Letras Vernáculas. Participou das antologias "Valenciando" e "Rio de Letras", além ter publicado seu livro "Coração na Boca". Também foi a idealizadora das antologias "Quase Escritores" e "Coração de Estudante", reunindo os textos dos alunos do Educandário Paulo Freire (colégio do qual foi diretora e proprietária). Foi Secretária Municipal de Educação e Secretária Municipal de Cultura e Turismo e duas vezes candidata a vice-prefeita de Valença. É membro das academias Valenciana de Educadores, Letras e Artes (AVELA) e de Letras do Recôncavo (ALER).
[15]             O poema citado no Apêndice 01, ao final do artigo.
[16]             ROSANGELA GÓES DE FIGUEIREDO. Coração na Boca. Salvador: Secretaria da Cultura e Turismo/EGBA, 2006, p. 21.
[17]             Celeste Maria de Queiroz Martinez nasceu em Valença em 1963, é escritora e artista plástica, formada em Pedagogia e especialista em Planejamento e Prática do Ensino Superior. Participou das antologias "Valenciando" e "Rio de Letras". Foi a roteirista do vídeo-documentário "Valença: Cidade Desejo" e é produtora e apresentadora do programa radiofônico "Alacazum - Palavras para Entreter".
[18]             O poema citado no Apêndice 02, ao final do artigo.
[19]             Celeste Martinez. (Todas as mulheres fogem). in ARAKÉN VAZ GALVÃO. Valenciando: Antologia de Escritores de valença. Salvador: Secretaria da Cultura e Turismo, 2005, p. 23.
[20]             Celeste Martinez. (Todas as mulheres fogem). in ARAKÉN VAZ GALVÃO. Valenciando: Antologia de Escritores de valença. Salvador: Secretaria da Cultura e Turismo, 2005, p. 23.
[21]             Celeste Martinez. (Todas as mulheres fogem). in ARAKÉN VAZ GALVÃO. Valenciando: Antologia de Escritores de valença. Salvador: Secretaria da Cultura e Turismo, 2005, p. 23.
[22]             Para mais esclarecimentos, ver WIKIPEDIA. Personificação nacional Site Wikipedia <http://pt.wikipedia.org/wiki/Personificação_nacional>. Acesso em: 16 de abril de 2013, às 11h08.
[23]             Celeste Martinez. (Todas as mulheres fogem). in ARAKÉN VAZ GALVÃO. Valenciando: Antologia de Escritores de valença. Salvador: Secretaria da Cultura e Turismo, 2005, p. 24-25.
[24]             Conforme pode ser atestado em mitólogos como Edith Hamilton (Mitologia), Thomas Bulfinch (Mitologia Geral), Pierre Commelin (Mitologia Grega e Romana), Renè Menard (Mitologia Greco-Romana), Philip Wilkison (Myths & Legends).
[25]             Celeste Martinez. (Todas as mulheres fogem). in ARAKÉN VAZ GALVÃO. Valenciando: Antologia de Escritores de valença. Salvador: Secretaria da Cultura e Turismo, 2005, p. 24.

Biblioteca do Bardo Celta (Leituras recomendadas)

  • Revista Iararana
  • Valenciando (antologia)
  • Valença: dos primódios a contemporaneidade (Edgard Oliveira)
  • A Sombra da Guerra (Augusto César Moutinho)
  • Coração na Boca (Rosângela Góes de Queiroz Figueiredo)
  • Pelo Amor... Pela Vida! (Mustafá Rosemberg de Souza)
  • Veredas do Amor (Ângelo Paraíso Martins)
  • Tinharé (Oscar Pinheiro)
  • Da Natureza e Limites do Poder Moderador (Conselheiro Zacarias de Gois e Vasconcelos)
  • Outras Moradas (Antologia)
  • Lunaris (Carlos Ribeiro)
  • Códigos do Silêncio (José Inácio V. de Melo)
  • Decifração de Abismos (José Inácio V. de Melo)
  • Microafetos (Wladimir Cazé)
  • Textorama (Patrick Brock)
  • Cantar de Mio Cid (Anônimo)
  • Fausto (Goëthe)
  • Sofrimentos do Jovem Werther (Goëthe)
  • Bhagavad Gita (Anônimo)
  • Mensagem (Fernando Pessoa)
  • Noite na Taverna/Macário (Álvares de Azevedo)
  • A Casa do Incesto (Anaïs Nin)
  • Delta de Vênus (Anaïs Nin)
  • Uma Espiã na Casa do Amor (Anaïs Nin)
  • Henry & June (Anaïs Nin)
  • Fire (Anaïs Nin)
  • Rubáiyát (Omar Khayyam)
  • 20.000 Léguas Submarinas (Jules Verne)
  • A Volta ao Mundo em 80 Dias (Jules Verne)
  • Manifesto Comunista (Marx & Engels)
  • Assim Falou Zaratustra (Nietzsche)
  • O Anticristo (Nietzsche)