Sua Majestade, O Bardo

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Valença, Bahia, Brazil
Escritor, autor do livro "Estrelas no Lago" (Salvador: Cia Valença Editorial, 2004) e coautor de "4 Ases e 1 Coringa" (Valença: Prisma, 2014). Graduado em Letras/Inglês pela UNEB Falando de mim em outra forma: "Aspetti, signorina, le diro con due parole chi son, Chi son, e che faccio, come vivo, vuole? Chi son? chi son? son un poeta. Che cosa faccio? scrivo. e come vivo? vivo."

domingo, 25 de maio de 2014

Canção do Farol Mudo

Canção do Farol Mudo

Valença; 24 de maio de 2014 (03h59)

Sobre um sol ruivo na imensidão,
Meu farol se calou.
Cansou da indiferença das ondas
E teimosia das Naus.
Nos novos códigos de seu silêncio,
Resolveu-se se rebelar:
Será um falo iracundo no horizonte,
Zombando da vida,
Enquanto sorrir ternamente para as estrelas…


Canção do Ninho de Amor

Canção do Ninho de Amor

Valença; 21 de maio de 2014 (21h23)

Sou um ninho de amor, cheio de estrelas,
O sonho cósmico que fecunda as mentes.
Deixo correr meu estro:
Serei um sátiro em meio às ninfas
E em uma cama sobre as galáxias
Repetirei os ritos flambados da Criação.

Sou um ninho de amor entre cometas,
Alcova ctônica onde descubro os mistérios.
Corro meus poemas altaneiros
Como uma lança turquesa lançada no infinito
E explodo minhas paixões e delírios
Através dos oceanos de orquídeas selvagens.

Sou um ninho de amor,
E Eros é o deus de minha alma,
Que transforma em alquimia
Todos os sonhos e desejos e estrelas…
Pois o poeta nutre-se do amor das esferas.


Balada Amarga

Balada Amarga

Valença; 24 de maio de 2014 (03h48)

Hoje o meu estro mergulhou em um oceano de amargura
E passou descrê na Humanidade. Sim, virei descrente…
Não há como olhar as estrelas sem ficar com vergonha de nós:
Vergonha de nossos pensamentos,
Vergonha de nossa mesquinhez,
Vergonha de nosso sorriso impróprio,
Vergonha de nosso choro contido,
Vergonha ter termos vergonha…
Penso, se acaso pudéssemos cavalgar um poema
E dar um giro nesse carrossel de cometas
Que são nossos sonhos, veríamos o verdadeiro tamanho
Que é a nossa humanidade…
Ah, como penso na riqueza dos exoplanetas
E no silêncio quântico da matéria escura!
Como penso na arte como a décima dimensão da matéria!
Como penso na filosofia como a quinta-essência do Tempo!
E tudo que ser humano possui é a sua pequenez.
E é gozado ver a contradição: Pegamos nossos foguetes
Para construir um universo de paz e ambições nobres
No qual espelhamos as nossas falhas…

Sim, musa, meu estro está ácido como a atmosfera de Vênus
E meus olhos amargos censuram a cretinice da ex-amada.
Sei que também tenho meus momentos de vilania,
Sei que também sou humano, demasiadamente humano nos meus erros…
E não me vanglorio quando rasgo a seda da realidade
E confesso que minhas quimeras moram no infinito.
E de lá do infinito ergo castelos de cristais e poeira,
Zarpo numa espaçonave de chocolate
E marinheiro de minhas dores, cravo minha bandeiras
Nos territórios perdidos da palavra ignota.
Sim, musa estelar com voz de uirapuru
E cabelo negro de uma Cleópatra hollywoodiana,
Sei que minha canção é um delta sideral do Okavango,
Bebeu nas fontes de Bandeira e Morais,
É filho bastardo de Nietzsche e das flores,
E que em nada há de ser sublime ou divina na sua pequenez.
Sei que a província é amada por ser meu exílio,
Meu eterno refúgio das sombras onde lanço minha nau.
Mas eu quero ser um Napoleão das páginas em branco.
Vestir a roupa de Átila e cruzar esse território de dragões,
Devastando as consciências tranquilas e as hipocrisias.
Quero ser o cataclismos do “coxinhas” cegos
A desafinar o coro dos conformados.
E com sabre de minha lira, farei cair em si
E desesperar e descabelar e descentrar
Tanta vida esnobe e vazia na Teia Mundial.

Mas não há como ser uma Poliana jogando o jogo do contente,
Quando todos os dias uma Sheherazade carnívora
Vomita sua virulência farisaica no ventilador.
Não, quando o rebanho insiste em nos levar para direita,
Por o Grande Irmão assim o quer por capricho.
Então minha crítica procura o cosmo para refúgio,
Na esperança de que um buraco-negro

Possa levar-me a um novo Big Bang…

domingo, 18 de maio de 2014

Canção a Moda Tatiba

Canção a Moda Tatiba
(para meus amigos Taciano e Isamara)

Valença; 17 de abril de 2014

Quero todos os temperos dessa vida
Misturado com centauros e estrelas,
Para que eu possa comer num banquete.
Quero todos os vinhos sentimentais
Derramados no cristal do olhar,
Para acompanhar meu petit gateau.
Quero todos os sabores e sonhos,
Todos os aromas e auroras,
Todos os pratos e poemas,
Reunidos numa única estação poesia.

              Quero degustar, dentre galáxias,
              As fadas verdes e o alecrim dourado
              Que nascem além do luar vermelho.
              Quero as papilas encantadas
              Com as novas alquimias tatibas.

Quero temperar com música a mocidade
E no meio da boa boemia, rasgar
O horizonte como um carrossel de delícias.
Quero fecundar o paladar com surpresas,
E no jambalaya, embriagarei o olhar.
Quero mojitos como cometas cubanos
Preenchendo o céu de veludo flambado,
Salpicado de pérolas e sorrisos.
Ah! Mágica Estação de delícias!
É com essas especiarias singulares
Que seguirei a vida como menestrel dos sabores…


Soneto a Moda Tatiba

Soneto a Moda Tatiba
(para meus amigos Taciano e Isamara)

Valença; 17 de abril de 2014

Com alho eu tempero o mistério
Que fará do prato uma sinfonia.
E com o curry, entro em sintonia
Para que o guisado fique feérico.

O molho, no fogo, acerta o ponto. Pronto!
Baila magistralmente o camarão na panela,
Dourando o abacaxi com sonhos de canela.
O segredo do jambalaya? Esse não conto…

A noite ganha novos aromas e sabores,
Quando chegam os namorats enamorados.
E o filé alto (que delícia!) convida ao pecado,

Os vinhos formam um caleidoscópio de olores
E o mojito lunar completa essa doce alquimia

De tempero e arte dessa singular Estação Poesia.

terça-feira, 29 de abril de 2014

Ode Patetica

Ode Patética

Ricardo Vidal
Salvador, 11 de setembro de 2003 
Meu coração é uma bandeira desfraldada
Em cima do infinito,
Que brada um grito aflito
Ao senhor dos céus, das terras e dos abismos.

É uma quimera suja solta no espaço-tempo,
A voar lenta e louca,
Com sua voz rude e rouca,
Pelas planícies sublimes de meus paroxismos.

É uma pantera a devorar tebanas esfinges,
Que se encontram perdidas
E jazendo esquecidas
Dentre os cometas arcanos da negra Alvorada.

Seja o que for, meu coração: tu, somente tu, 
Semente ou quimera,
Estandarte ou pantera,
Irás me acompanhar insigne até o misterioso Nada… 

sábado, 19 de abril de 2014

Rondó Marinho

Rondó Marinho

Vera Cruz, 15 de janeiro de 2014

Vamos ver o mar nesta manhã clara, ardente,
Veja com que carinho a praia quer beijar.
Elegante se forma em onda sorridente
Opulento, pomposo, na areia debruçar.
Noivado no Mar – Mustafá Rosemberg

O sorriso da sereia amanhece nas ondas,
Conduzindo o meu saveiro pela selvagem baía.
Sereias de pele de coral e olhos felinos,
Seus encantos são o farol negro onde deito meu cansaço,
São as pérolas raras que colho no sol nascente
Desse horizonte azul e morno tão puro.
Meu saveiro pescou no oceano mágico
De teus lábios um coração de raro coral
E, como um búzio de guerra de Krishna,
Anuncio nele, aos quatros ventos, o seu império.
Sereia, ao negro toque do agogô ancestral,
Quero navegar entre teus orgasmos felinos
E como meu tridente eu te levarei ao infinito.


Lições de Abril: revolução portuguesa e ditadura brasileira

Lições de Abril: revolução portuguesa e ditadura brasileira

Valença; 19 de abril de 2014 (00h56)

Duas datas em abril marcam profundamente a história política recente do Brasil e de Portugal, e que, nesse ano de 2014, leva a muitas reflexões sobre a importância de se construir uma democracia social e forte. Nessa sexta, dia 25, os portugueses comemoram os 40 anos da Revolução dos Cravos. E no primeiro de abril passados, os brasileiros relembraram os 50 anos do golpe que derrubou o governo constitucional de João Goulart e implantou a Ditadura Militar.
Em ambas as datas, a participação dos militares foi determinante para decidir o futuro político da nação. Mas, se no Brasil, a ação dos generais e almirantes levou a uma ditadura longeva e sanguinária; em Portugal aconteceu o inverso: o Movimento das Forças Armadas (MFA), formados majoritariamente por capitães, abriu o caminho para que o sol da democracia plural e republicana volta-se a nascer nas terras lusitanas.
Dez anos separam os dois fatos ocorridos. Em 1964, o crescente apoio popular para as reformas de base proposta por Jango, para o avanço necessário de nossas instituições democráticas encontrou forte resistência dos setores conservadores da sociedade brasileira. Assim, contando com suporte financeiro dos Estados Unidos, esses setores conspiraram com a nata do generalato e do almirantado brasileiro para a derrubada do presidente. Em 31 de março ocorreu a movimentação das tropas e no dia seguinte o Congresso Nacional declarou vaga a presidência da república (diga-se de passagem, de forma ilegal, haja vista que o presidente ainda se encontrava em território nacional). E, curiosamente, no dia da mentira, os golpistas declaram vitoriosa a (pseudo) Revolução “Redentora”. O resultado foram 25 anos de regime de exceção, com arrocho salarial, suspenção dos direitos humanos mais elementares, torturas, mortes e exílio de patriotas.
Já em 1974, os portugueses encontravam-se em um momento de crise. As torturas e a perseguição política, isolamento internacional, estagnação econômica e a guerra colonial na África levavam ao enfraquecimento do Estado Novo salazarista (regime fascista surgido em 1933, sucedendo a Ditatura Nacional surgida em 1926). Em resposta a essa situações, capitães reunidos no MFA deslocaram suas tropas durante a madrugada de 25 de abril para ocupar os pontos estratégicos de Lisboa. E durante todo dia, quando a população soube do levante, também aderiu à causa dos militares. Como sinal do caráter pacífico da revolução, passou-se a distribuir cravos vermelhos para os soldados, que os levavam dentro dos canos das espingardas. O governo ditatorial praticamente caiu sem resistência (exceto uma escaramuça por parte da política, os demais setores da burocracia ditatorial aceitaram apáticos à mudança de chefia da nação) e nos dois anos seguintes (conhecido como “Período Revolucionário em Curso”), Portugal viveu um rico período de liberdade e reorganização do Estado, com respeito a pluralidade ideológica. Houve a adoção de políticas sociais e democráticas avançadas, que culminaram, dentre outras coisas, no processo de independência em Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe. Dois anos depois, com a entrega da Constituição de 1976, os militares discretamente saíram da cena política, retornando à condição constitucional de servidores públicos no setor da defesa da república.
Diante desses dois fatos históricos, salta aos olhos o contraste na atuação das duas Forças Armadas. A doutrinação autoritária que os generais brasileiros conduziram o Brasil para três décadas perdidas em avanços sociais, com o sucateamento da educação, a falta de liberdade da ação sindical e a instalação de clima de terrorismo de Estado, que resultou em torturas e mortes de patriotas brasileiros que não concordaram com o regime de exceção. E sequelas desse período ainda hoje nós sentirmos, não apenas com a dificuldade da instalação das Comissões da Verdade (cuja apuração dos crimes cometidos pelo Estado visa à necessária pacificação histórica da nossa sociedade). A falta de educação política, aliados ao fisiologismo, à corrupção, ao personalismo ainda gracejam como câncer no nosso cenário político, são os frutos que ainda colhemos devido à Ditadura Militar.
Em contrapartida, os militares portugueses perceberam que seu papel profissional de servir na defesa do Estado implicava, em última análise, na defesa das liberdades e do bem estar do povo. Destituiu uma ditadura, quando era necessária, sem se apossar do poder para gerar outra quimera. No chamado Período Revolucionário em Curso, tiveram a sabedoria de permitir que a pluralidade ideológica voltasse a aflorar no seio da sociedade portuguesa, permitindo que tanto conservadores de diversos matizes, democrata-cristãos, liberais, socialistas e comunistas de todas as tendências pudessem participar no processo da elaboração de uma nova norma constitucional. E, evitando cair na tentação de monopolizar o poder, souberam sair de cena com serenidade, voltando a cumprir sua função primária de defesa.
Essa é a grande lição que o Abril de 2014 deixa: A democracia com justiça social ainda é o melhor regime que uma sociedade pode viver e, como valor perene, deve ser preservado. Conquistas como a entrada de Portugal na União Europeia e as atuais políticas sociais implantadas no Brasil só foram possível durante os períodos em que Democracia floresceu nos dois países. E mesmo que escândalos e crises possam ocorrer, devemos lutar para não ocorra novas intervenções militares na vida política nacional. Tanto no Brasil como em Portugal, o mais se precisa é de cravos vermelhos florindo em abundância, para adornar e fortalecer a Democracia.

Ricardo Vidal
Escritor e Professor, especialista em Estudos Literários pela UFBA. Membro da Academia Valenciana de Educação, Letras e Artes.

terça-feira, 11 de março de 2014

Odalisca Celeste

Odalisca Celeste

Valença; 11 de março de 2014 (04h04)

Quero, no meio de um serralho nas Arábias,
Ser teu sheik beduíno a vogar pelos oásis,
Cavalgar dentre as dunas de tua pele macia
E beijar minha odalisca de tez de tâmara.

Dentre sedas e mistérios, incensos e djins,
Quero deitar minha cabeça em teus seios
E entoar uma canção para os teus sorrisos
Nascerem como uma explosão de estrelas.

E com o luar doce a azul dentre as palmeiras,
Decifrarei os arabescos dos teus anelos pretos,
Poema que teus beijos acendem no horizonte.

Pérola circassiana a resplandecer nas galáxias,
Quero teus orgasmos felinos para que possa
Escrever teu nome nos pilares eternos d’aurora.


sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Soneto Nordestino de Sete Cabecas

Soneto Nordestino de Sete Cabeças

Valença; 21 de setembro de 2014 (00h41)

Pérola de cabelos de Avôhai dançando nas nuvens
E com olhos misteriosos de um frevo-mulher,
Perco-me nos labirintos dos seus anelos e miragens,
Carregados de um sertão de avatares e mistérios.

Procuro nas curvas de tua feminilidade um sonho
Doce, como eternas ondas de sorriso matutino,
Passando para além de um horizonte tristonho
E fundando carinhos verdes, de sol cristalino.

Nessa peleja com o dono do céu eu faço essa canção
Torta, mas de sincero afeto admirado de um poeta,
Armo a hipérbole de meus versos com riscos no chão.

A beira-mar eu galopo nesse martelo sincopado,
Ramalhando meus elogios como o Touro de Creta,
Para dizer-te que és a musa maior a acender meu fado.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

VINO ET FRATERNITAS - Manifesto do CLUBE BOEMIO

VINO ET FRATERNITAS - Manifesto do CLUBE BOÊMIO

Valença, 30 de janeiro de 2014 (02H16)

A chancelaria do CLUBE BOÊMIO, no uso de suas atribuições literárias e legais, propõe o seguinte manifesto, para consideração de seus membros, como um desejo e uma declaração de princípios a serem seguidos:

а) Considerando que o adágio latino In vino, veritas representa um axioma auto evidente, de que a verdade está na assunção de uma vida livre de dogmas, formada na necessidade crítica de se encarar a realidade;
б) Considerando que a fraternidade é a utopia final de todos os sonhos democráticos que animam a humanidade na sua busca por um futuro melhor e mais humano;
в) Considerando que o caminho real da utopia baseia-se na ideia de que a esquerda é o caminho da redenção humana, e que ser de esquerda implica ter um perene posicionamento crítico em relação à realidade;
г) Considerando que a igualdade e a liberdade são os portais necessários para a constituição de uma vida humanamente feliz e fraterna, esteticamente avançada e tolerante e harmonicamente saudável;
д) Considerando a unidade se encontra na diversidade de pensamentos, que não existe espaço para dogmas e a liberdade de seus membros exporem diversas possibilidades de se encarar o mundo é um direito inalienável; 

O Clube Boêmio etilicamente se manifesta nos seguintes termos, proclamando suas aspirações e seus nortes:

  1. O Clube Boêmio é uma fraternidade contínua e particular de amig@s que acreditam que a juventude é um estado perene de espírito, constituído pela perspectiva de mudança de se construir um mundo melhor, mais tolerante e menos reacionário. 
  2. Ninguém escolhe fazer parte do Clube Boêmio. O Clube Boêmio é quem escolhe quando alguém faz parte dessa fraternidade, no momento em que o indivíduo assume que o ato mais importante da existência é gritar contra um mundo caduco e hipócrita. 
  3. O Clube Boêmio reivindica o direito de não ser uma instituição. O Clube Boêmio existe de facto, não de jure.
  4. O Clube Boêmio é um estado de espírito cosmopolita à esquerda do tabuleiro social. Mesmo que os arautos do dogmatismo digam o contrário, nosso caminho é pela esquerda, porque nunca renunciaremos a uma visão crítica da realidade.
  5. A vida não se restringe a dogmas provincianos. A vida é um exercício perene da crítica sadia, que busca a dialética necessária de se construir um mundo e uma vida melhor e mais humana. Viver é refletir livremente. Viver é ser feliz sem a necessidade de dogmas.
  6. O Clube Boêmio não quer impor regras. Apenas que ter o direito de se reunir livremente e livremente encarar a vida como uma construção dialética, dinâmica e pessoal.
  7. O Clube Boêmio não reconhece autoridade, mas a alteridade. O Clube Boêmio é um espaço em todos aprendem com o outro a chegar a uma síntese harmônica e dinâmica da existência – tanto individual como coletiva.
  8. O Clube Boêmio não é um espaço para a embriaguez irresponsável. É um tempo responsável para uma reflexão livre, animados pela estética do bem beber. O Vinho não é o fim, mas o meio para se estabelecer uma sociabilidade crítica e alegre entre pares.
  9. A arte é o que anima o espírito de grupo do Clube Boêmio. Música, Cinema, Literatura, Filosofia e demais expressões do espírito humano são os meios que fazem do Clube Boêmio esse reservatório pulsante de vida e juventude.

Com base nesses princípios que existimos, como os alegres arqueiros amigos de Robin Hood, do major Policarpo Quaresma e do engenhoso fidalgo Don Quixote de la Mancha. E no vinho sempre estará a verdade!
E ouvindo Tim Maia e Jorge Ben(jor), sabemos que a manhã sempre nascerá rubra, como a esperança de se ter um dia melhor que o outro, e que o outro tem sempre algo a nos ensinar para sermos melhores. 
Mesmo que a espera seja difícil, continuamos esperando. Zazueira!
A felicidade crítica é a prova dos noves. Ser boêmio ou não ser, essa é a decisão. E nada mais tem o que se dizer, exceto: 
Boêmios, uní-vos! Saravá!

(para a aprovação do Comodoro e do Cônsul do Clube Boêmio)

sábado, 25 de janeiro de 2014

Balada Rubra dos Vinhos

Balada Rubra dos Vinhos
(para Otávio Mota, Adriano Pereira e outros revolucionários)

Valença, 25 de janeiro de 2014 (01h41)


Vinho! No vinho está a verdade e os versos!
Vinho, sangue em que os poetas descobrem teus cantos,
Vinho! Teu canto celestial eu entoo em minhas fibras
Como uma canção sem limites e sem fé.
Eu canto o vinho nobre das fadas apaixonadas,
O Vinho sem segredos e imaculado da aurora,
O vinho santo dos altares de minhas tristezas e incensos.
Vinho doce e azul, como uma sinfonia rascante,
Uma sinfonia nua de jasmins em orgias,
Uma sinfonia particular e sem volta,
Uma sinfonia ébria de signos sinestésicos,
Que funda uma nova Ilha Baratária sem Sancho Pança,
Uma ilha cheia de sonhos e altares rubros,
Uma província insonsa, mas cheia de desejos,
Uma terra única de símbolos e além da imaginação.
Galáxia de estrelas ébrias que é o farol metonímico dos jasmins doces
Onde o poeta crava teus sonhos como uma bandeira salgada,
Bandeira de teus sonhos e tuas luxúrias,
Chuva de nêutrons e fantasias, canções rubras e nuas,
Vinho delirante de fadas e jasmins,
Vinho dos sonhos boêmios,
Delírios e baladas surreais como o anjo de Buñuel,
Poemas tortos como Salvador Dalí,
Relógio de horas infinitas e tão cheias de vidas
E ainda assim enigmáticas, em uma hora triste e chuvosa,
Canção rubra onde a Revolução se faz atrasada e precisa,
Canção e balada morta como um beijo tarado e sem leme,
Quero na chuva noturna o gosto amargo dos mestres
Que descem o meu querido Rio Una de léguas e diamantes
E fundam no horizonte um paraíso ímpar e incolor,
Uma balada ébria e azeda, uma canção amorfa,
Um sonho de treze estrelas rubras que no carrossel escarlate,
Traz n’alma a marca feliz e marxista da revolução e dos sonhos,
A marca vermelha do vinho marxista e útopico,
A marca amarga dos pequenos príncipes sonhadores,
Engenheiros e profeta da utopia humana que forjam poetas e espaçonautas,
Quero que minha utopia seja sonhos e chuvas, engenho e arte,
Fé na balada ébria e boêmia,
Canção da música intangível da musa aérea,
Musa jovem e sem tanino selvagem,
Musa romântica e triste como o eco das ninfas pagãs,
Musa perdida em suas ilusões jovens onde Valença
Beberá os seios melancólicos da alvorada negra.
Musa, paixão vermelha do poeta morto,
Cravo em teus seios a profecia positivista de teus beijos,
Em tua aurora de treze arco-íris,
E meus sonhos ficaram alicerces na tua lágrima clara,
Estarei como um farol sombrio, gigante de granito e poemas,
Trazendo o porvir para corações surdos e materialistas,
Estrela morena e jovem da aurora,
Estrela âmbar e otavio-motaniana de meu sonhos,
Para fazer de Valença um paraíso vermelho,
Onde encerrarei a feliz-cidade dos poetas…


domingo, 19 de janeiro de 2014

Minimalismo cênico para maximizar os sofrimentos de uma órfã do rei

Minimalismo cênico para maximizar os sofrimentos de uma órfã do rei


O cenário se limita apenas a um pelourinho. A trilha musical é feita ao vivo, com músicos tocando instrumentos acústicos. No palco, duas atrizes vestidas de branco, vivem simultaneamente a protagonista da peça "Órfã do Rei", de Mena Abrantes. Originalmente escrita como um monólogo, a encenação torna-se um diálogo interno da personagem-título. As atrizes declamam o texto, mostrando as tristezas, solidão, angustias e desejos da protagonista - uma "órfã do rei", meninas criadas em conventos nos séculos XVI e XVII e que eram destinadas a se casaram com os exploradores portugueses que viviam nas colônias. Ainda criança, a órfã vive sua egotrip, vivenciando a perda do afeto familiar, a repressão de sua sexualidade e os conflitos de um casamento sem amor e com um estranho, ao mesmo tempo em que vivencia a violência e exploração presente no processo de colonização que Angola. As atrizes que vivem a protagonista anônima trabalham o minimalismo cênico para potencializar os sofrimentos que a órfã passa. A presença do pelourinho (que falicamente domina a cena) também serve para mostrar a violência e a sensualidade que irá dominar a psique da órfã. Mostra uma feminilidade subjugada pela sombra do cenário, reforçando om diálogo da musica ao vivo e as falas das atrizes. A falta de mais elementos na peça mostra o quanto esta órfã padece solitariamente, sem nenhum outro caminho de escape para a felicidade. Em frente a tanto sofrimento, não há como o público passar incólume diante do que ela sofre. Os choros mudos que se ouvem na plateia explodem em aplausos, diante de um teatro feito sem nenhuma piedade…

Órfã do Rei. Texto de Mena Abrantes. Direção de Isabelle Brito. Produção de Adriano Pereira. Elenco: Suelma Costa e Isabelle Brito. Músicos: Isaias Pereira, David Tróina e Raoni

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Poema para Sara

Poema para Sara

Valença; 16 de novembro de 2013
(à noite, no Kiosk de Pelegrini)

Bela como uma rosa navegando
Pelos beijos do rio noturno,
Bela como uma estrela africana
Que baila dentre diamantes.
Bela como um sonho apaixonado
De uma guerreira negra do Kalahari,
Bela como um orixá
Rasgando as carnes do Kilimanjaro,
Bela como são seus beijos inebriantes.

Bela como fada, carrossel de encantos,
Musa que prova e sara as feridas,
Musa eterna de todos os poemas
                      Rosa, Sara.

Romena

Romena

Valença; 16 de novembro de 2013
(à noite, no Kiosk de Pelegrini)

Em tuas ondas loiras de sereia
A noite se transforma em rosa.
Em teus olhos marinhos de musa
A noite se corou como uma deusa.

Em teu sorriso suave de estrela
A noite se fez carrossel de beijos.
Em teus lábios vermelhos de fogo
A noite navegou como um sonho.

Em teus encantos romenos de fada,
O sol nasceu em teus seios rosados,
Onde os poetas descobrem a felicidade.

Em teus encantos romenos de elfa,
Os poetas descobrem a doce música
Nascida dos beijos alfas dos vampiros.


Balada Gastronomica

Balada Gastronômica
(para Pelegrini e Adrianovsky)

Valença; 07 de dezembro de 2013

Quero comer o camarão
Do coração alegre de minha amada,
Quero comer os sonhos
De um singelo sanduíche platônico.
Quero meter meus dentes
E rasgar a noite como uma alta profecia,
Quero deglutir as estrelas
Como treze esperanças escarlates.
Quero digerir a utopias
Numa suave toada marioswaldiana.
Quero desossar
Os altos fariseus maquiavélicos,
Cortar lhes a carne
E dela fazer um guisado revolucionário!
Quero triturar
A pequena burguesia hipócrita
Num liquidificador,
E de sua mediocridade arrogante
Fazer um sarapatel
Temperado com pimenta e Libertação.
Quero um banquete
Em que se regurgite Tradição e Mentiras,
E antropofagicamente,
Beber novas constelações de canções.

Nessa orgia de sentidos,
Refundarei a minha aldeia sentimental.
Pegarei ervas finas,
Temperarei Valença e o meu doce Rio Una,
E escreverei com minha fome
Esse poema universal, imortal e coisa & tal…
(E que não será menos que a perfeição).


Balada Rebelde

Balada Rebelde

Valença; 07 de dezembro de 2013 (00h12)

Poesia ponte, poesia cantante
Que na praça se faz popular.
Poesia sagrada e profana
(Nossa Senhora nos Ampare!)
Que surge como canção de guerra
E entre as estrelas peregrinas,
Derruba as galimatias farisaicas
Dos arautos da mediocridade.
Poesia nossa e tão valenciana,
Poesia que reflete tuas ilusões
Nos olhos amargos da aurora.
Poesia fonte, poesia poente,
De uma luz morta no coração da praça,
É Poesia profecia, algaravia
Que desmente os falsos sacerdotes.
Poesia camarão, poesia sorvete
Que não planta nem fala abobrinhas,
Mas ara as mentes com sua voz trovão,
Poesia que serás sempre Libertação…


terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Viola de Minha Terra

Viola de Minha Terra

Vera Cruz (Praia do Sol); 21 de dezembro de 2013 (02h12)

Tenho a viola e todos os amores do mundo.
Tenho nos meus dedos o futuro de uma nação
E o sorriso de uma mulher,
As sementes de um sonho incerto
E as riquezas de minha pátria.
Tenho em meu sorriso uma seresta das estrelas
Que eu construí entre a enxada e as lágrimas.
E por ter minhas mãos abençoadas pela terra,
Minha viola teimosamente canta essa alegria dura.
Canto com meus dedos rachados pelo trabalho
E meus olhos sinceros, feliz por ser humano…

Era uma vez um tablet

Era uma vez um tablet que resolveu ressuscitar. Depois de misteriosamente deixar de funcionar (e por passar quase um ano esquecido dentro do armário), eis que, do nada, ressuscitou do limbo. Voltou a funcionar e assim o escritor retornou ao seu mister de brincar com as palavras...

Caminho entre as Ondas

Caminho entre as Ondas

Vera Cruz (Praia do Sol); 21 de dezembro de 2013 (01h39)

Pela madrugada encontrei o caminho que me levará ao sonho.
Esse caminho passa pelas ondas,
Morada das sereias celestes e das fadas marinhas.
Do abismo chegarei aos paraísos mágicos
E no firmamento plantarei as minhas quimeras
-­ Guardiãs dos segredos e dos elementos,
Das alegrias e dos tormentos.
Serei o bravo marujo sem porto ou sem medo
E nas ondas que cavalgo como centauro de sal,
Esfinge aquática e verde abissal.
Serei o bravo marujo
A seguir minha trilha infinita que levará aos sonhos.

Biblioteca do Bardo Celta (Leituras recomendadas)

  • Revista Iararana
  • Valenciando (antologia)
  • Valença: dos primódios a contemporaneidade (Edgard Oliveira)
  • A Sombra da Guerra (Augusto César Moutinho)
  • Coração na Boca (Rosângela Góes de Queiroz Figueiredo)
  • Pelo Amor... Pela Vida! (Mustafá Rosemberg de Souza)
  • Veredas do Amor (Ângelo Paraíso Martins)
  • Tinharé (Oscar Pinheiro)
  • Da Natureza e Limites do Poder Moderador (Conselheiro Zacarias de Gois e Vasconcelos)
  • Outras Moradas (Antologia)
  • Lunaris (Carlos Ribeiro)
  • Códigos do Silêncio (José Inácio V. de Melo)
  • Decifração de Abismos (José Inácio V. de Melo)
  • Microafetos (Wladimir Cazé)
  • Textorama (Patrick Brock)
  • Cantar de Mio Cid (Anônimo)
  • Fausto (Goëthe)
  • Sofrimentos do Jovem Werther (Goëthe)
  • Bhagavad Gita (Anônimo)
  • Mensagem (Fernando Pessoa)
  • Noite na Taverna/Macário (Álvares de Azevedo)
  • A Casa do Incesto (Anaïs Nin)
  • Delta de Vênus (Anaïs Nin)
  • Uma Espiã na Casa do Amor (Anaïs Nin)
  • Henry & June (Anaïs Nin)
  • Fire (Anaïs Nin)
  • Rubáiyát (Omar Khayyam)
  • 20.000 Léguas Submarinas (Jules Verne)
  • A Volta ao Mundo em 80 Dias (Jules Verne)
  • Manifesto Comunista (Marx & Engels)
  • Assim Falou Zaratustra (Nietzsche)
  • O Anticristo (Nietzsche)