Sua Majestade, O Bardo

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Valença, Bahia, Brazil
Escritor, autor do livro "Estrelas no Lago" (Salvador: Cia Valença Editorial, 2004) e coautor de "4 Ases e 1 Coringa" (Valença: Prisma, 2014). Graduado em Letras/Inglês pela UNEB Falando de mim em outra forma: "Aspetti, signorina, le diro con due parole chi son, Chi son, e che faccio, come vivo, vuole? Chi son? chi son? son un poeta. Che cosa faccio? scrivo. e come vivo? vivo."

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Gauderiando por ai - fragmentos de um diario


Gauderiando

Quem me dera se minha vida
Assim se resumi-se:
um amargo a tomar,
Poemas a escrever.
As mulheres, amar
E ouvir os meus CDs.
Fotografias fazer de coisas mil
Até que, quando cansar,
Sob o luar, tecer constelações de anil....

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Radio Atividade Livre


Rádio Atividade Livre

Valença, 29 de agosto de 2012 (à noite, na sede da MaCRo)


Rádio ondas livres.
Rádio ondas surreais.
Rádio ondas sonetos.
Rádio ondas verdes.
Rádio ondas tropi-hai-kais.
Rádio doce que não se cala,
Rádio que te quero sonho.
Rádio escarlate, mundial,
Rádio atividade constante.
Rádio ativa, solidária,
No deserto, rádio trovejante.
Rádio estrela, rádio galáxia,
Horizonte novo que amanhece.
Rádio sorriso de menino.
Rádio coração de estudante.
Rádio Soberana, popular,
Rádio do trabalho e do lar.
Rádio Maria’s e das cores,
Rádio primavera e das flores.
Rádio absyntho, fada verde,
Rádio racional, Ocidente, fractal!
Rádio Oriente, esotérica, transcendente.
Rádio una rio mar oceano,
Rádio de tantos planos.
Rádio rio corrente,
Una, elo, Rádio semente,
Rádio que quero ouvir sempre!

domingo, 23 de setembro de 2012

Requiem para MaCRo


Uma pessoa pinta uma flor de lótus na parede. Outra pessoa ensaia uns últimos passos de dança num palco que já não mais existe. Alguém escreve algo no seu computador, a espera de um sarau silencioso. Um casal fica nas cadeiras da platéia, olhando com nostalgia para uma sombra perdida no passado. Zeca Baleiro roda triste no aparelho de som, cantando um salmo serenamente angustiado de despedida, para um sonho que termina nesta noite do dia 19 de setembro de 2012. Neste momento de catarse, jovens e artistas vivenciam o fechamento melancólico da Casa de Cultura Maria Claudia Rodrigues (MaCRo).

Fundada em 15 de setembro de 2011, como homenagem a atriz e guerrilheira cultural Maria Claudia Rodrigues, a MaCRo funcionava na residência da homenageada. Neste um ano de atividade interrupta, a Casa de Cultura Maria Cláudia Rodrigues (filha natural da Ocupação Cultural) marcou a vida cultural da cidade. Realizou o "T3atro ATrois": experiência revolucionaria em que três espetáculos teatrais eram realizados simultaneamente: “Há vagas para rapazes de fino trato”, “Bororó” e “A Órfã do Rei”. Mais tarde, a peça "A Órfã do Rei" participou de um festival de teatro em Luanda (Angola) – ou seja, levando o nome da cultura valenciana para o mundo. Somando-se a isso, a MaCRo abrigou um curso de cinema ministrado por Araken Vaz Galvão, o Ritual da Lua Cheia (festejo new age realizada durante o plenilúnio); Uma oficina de máscara; um Curso de violão com Matheus Magyver e David Terra; Vernissage e Exposição das obras de Otávio Mota e Juliano Brito; O Cine Clube (em parceria com a UNEB) e uma edição do projeto "Por do Sol Unebiano" sobre literatura feminina. Além disso, em marco de 2012, abrigou o grupo argentino "Só Alegria". Em um ano rico, Valença viveu um clima raro de efervescência.

Valença tinha lá o seu espaço de experimentação, criação e existência artística. Era o espaço alternativo, onde as pessoas podiam livremente debater idéias e estéticas, sem preconceitos ou julgamento. Era o espaço underground da dialética e do pluralismo que nunca Valença tivera. Independente do credo religioso, político, estético ou filosófico, a MaCRo funcionava como uma trincheira cultural, um foco de alegria critica e que servia de contraponto ao status quo ideológico que impera em Valença. Local por excelência do debate sadio, era lá que os artistas jovens e jovens arteiros expressavam livremente seus pensamentos, sem medo nem censura (que, infelizmente espectro este ronda nossa cidade nestes últimos dias). Literatura, música, grafitti, teatro, filosofia, política, teologia ou apenas humor, tudo era falado, tudo era ouvido, tudo era sentido sem culpa e sem magoas.

Contudo, a MaCro fechou suas portas. Entrou em um estado de dormência, hiberna na espera de uma outra estação. Por quê? Falta de publico? Falta de dinheiro? Falta de clima propicio para um experimento como esse? Prefiro dizer que se fechou um ciclo. Em algum momento era preciso parar e colocar em ordem tantas as experiências e aprendizado. A Casa de Cultura Maria Claudia Rodrigues fecha as portas para entrar para a historia cultural de Valença. Mas os sonhos que a MaCRo representou continuam, esta certeza de que arte - ou melhor, a cultura - é um lugar de resistência e alegria, como uma melodia eterna perdida na brisa... Evoé, MaCRo, Evoé!

terça-feira, 28 de agosto de 2012

A Sombra da Censura sobre Valenca


A Sombra da Censura sobre Valença

Ricardo Vidal
Escritor e Professor, formado em Letras pela UNEB, ex-estudante de Jornalismo pela UFBA

No sábado passado, dia 25 de agosto, Valença testemunhou um acontecimento lamentável: a rádio comunitária Rio Una FM 87,9 teve a programação suspensa por 24h por ordem judicial, em decorrência de um processo movido por um dos candidatos a prefeito. Não irei comentar as razões da suspensão ou a estratégia (infeliz) do candidato, mas o perigo em si que este precedente abre contra a democracia em Valença.
No artigo 5 da “Constituição Cidadã” de 1988, dentre os direitos fundamentais garantidos pela República Federativa do Brasil, encontra-se as liberdades de expressão do pensamento e “da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independente de censura ou licença”. Em outras palavras, nossa pátria garante não só o livre acesso à informação como a realização do livre debate de idéias. E isso é essencial para cimentar a democracia: as ideologias e as estéticas devem se confrontar dialeticamente para que a sociedade possa definir seus rumos. E para que isso seja possível, os meios de comunicação precisam ser livres para agir responsavelmente e exercer seu papel de forma digna. Esta liberdade deve ser preservado com unhas e dentes principalmente no período eleitoral, em que toda a população é chamada para opinar sobre os rumos que á sociedade irá seguir nos próximos anos.
Qualquer interferência e/ou ingerência que leve ao cerceamento desta liberdade implica em retrocesso nos direitos mais fundamentais do ser humano. Deixo claro que não irei defender abusos desta liberdade e reconheço que todo cidadão deve procurar a justiça se sentir lesado em seu direito. Contudo, imagino que existam outros mecanismos eficazes que poderiam ter sido utilizados, sem a necessidade de se suspender do serviço de radiodifusão da “Rio Una FM”. Multas, direito de resposta, advertências. Fechar a rádio, só em último caso e em situações gravemente excepcionais – o que não foi o caso! Censurar uma rádio comunitária, retirando-a do ar, lança sobre a sociedade valenciana uma das piores chagas que matam a democracia: a sombra da censura.
Temo que a disputa eleitoral encubra a gravidade da situação em si. Mais do que uma simples disputa entre os candidatos A, B ou C, o que foi colocado em xeque é o próprio direito à livre expressão. Este ato abre um precedente terrível e que deveria ser evitado a qualquer custo: Agora, independente da situação usando de artifício legal certo, pessoas ou instituições estão passíveis de serem censuradas. Se um candidato pode tirar do ar uma rádio pela qual nutre antipatia; quem me garante que um espetáculo artístico não venha ser censurado no futuro, caso alguém não concorde com a estética? Quem me garante que um jornal não venha ser fechado se alguém não antipatizar um colunista? Os reflexos desta ação na sociedade já chegaram ao cúmulo de quer censurar até um estudante só porque ele colou um adesivo político no seu caderno particular. E se, da mesma forma que foi um adesivo político, quem me garante que qualquer referência uma crença ou filosofia ou estética que seja por alguém indesejada também não será censurada? O precedente, infelizmente, foi aberto. Lamento que as pessoas que tenham impetrado tão infeliz ação não perceberam o câncer social que estão brincando. Não perceberam que esta chaga pode se expandir e atingir toda a sociedade, inclusive eles mesmos. Chaga que custou (e ainda custa) tanto sangue para extirpa-lo da vida humana.
Repito: entendo que liberdade deve ser exercida com responsabilidade e que as regras devem ser seguidas. Para tanto, basta seguir o bom-senso. Contudo, atentar contras os direitos mais elementares do ser humano, manipulando as leis, isso nunca! Escrevo este artigo como um escritor, nascido na Bahia de Castro Alves e Jorge Amado (dois baianos que tanto amaram a liberdade e por ela lutaram) e que já estudou jornalismo na UFBA (onde aprendi a importância da comunicação livre), mais do que nunca, como um cidadão que, independente de minhas idéias, discorda veemente da ação. Assim como Voltaire, defenderei sempre o direito da pessoa dizer o que pensa, mesmo não concordando com o que foi dito. Calá-lo, nunca! E tenho dito!

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Canção para Minhas Musas


Canção para Minhas Musas

Valença; 18 de julho de 2012 (23h56)

Canção de todas as meretrizes e todas as amadas,
Não sei por que quero cantar este canto ébrio!
Canto porque o vinho existe e nada está completo
Nesta minha vida miseranda de poeta.
Canto porque vocês estão aí, com tuas pernas abertas
E lembram-me um passado inventado nos poemas!
Ah! Vejo-te agora candidatas, casadoiras, professoras,
Vejo-te cantando uma sinfonia em minha flauta vertebral!
Vejo-te alegres, cinzas, taumaturgas, traídas;
Vejo-te sem mim, mas em mim estão teus corpos
E teus perfumes e teus pecados tão bem gozados…
Vejo-te condessas e tristes em meus cantos,
Pois vós sóis amadas, mas não por um poeta!

Mas há uma lembrança boa em minha estrela
Que fulgura anil nos sonhos de Shangri-lá!
São lembranças de beijos escarlates na aurora
Ou de gemidos em um leito na memória.
E nestas lembranças eu fui homem e feliz!
Escala de sol de Nenhures, estrela bariônica
De infinito calor e luxúria, canto às lembranças
Das bem amadas anônimas que rasgaram minha blusa amarela
E com ela costuraram dez quilômetros de amanhecer.
Canto às bem-amadas que rasgaram minha carne
E deitaram-se famélicas na depressão no deserto de Neguev.
Canto às bem-amadas que desaparecem
Numa noite de temporal, noite sem Lua,
Noite em Luanda, por onde andará minha Lua?
Lua de orgasmos obscenos no céu arco-íris,
Diga-me: quantas bem-amadas ainda se lembram de mim?
Castelo de sonhos doloridos, sob nuvens construído,
Nesta sinfonia silenciosa canto a existência delas,
Que já me olvidaram em seus beijos e suas preces.
Mas, mesmo assim, nas trevas da noite, lembro-me
Como um arqueólogo que ama a poeira do passado…

Minhas bem-amadas, beijos de infinito,
De um pulsar azul emito meu grito,
Mayakóvisky perdido nas brumas do espaço…
Beijos, beijos e beijos, musas esquecidas de meu passado!

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Hic Sunt Dracones


Hic Sunt Dracones

Valença; 01° de agosto de 2012 (01h54)

Cuidado, além dos nossos olhos há o desconhecido!
O abismo surge ante nossos pés como um horizonte em trevas
E nenhum farol se ouve na terra dos dragões.
Todos os dias minha estrela mira esta muralha
E diante desta verdade medita: “Hic sunt dracones”.

Ir além do Bojador,
Dobrar a esperança,
Vencer o titã Adasmastor,
Eis o que todas as almas almejam e lutam.
Para isso foram feitas tuas mãos e teus olhos,
Tuas garras e tuas asas.
Vencer! Sonhar! Ser!
Não temer quando uma voz mais cautelosa
Sussurra dentre os dentes: “Hic sunt dracones”.

Entretanto há os que preferem ficar na praia:
Vêem as ondinas chamando para a vida.
No entanto, se recolhem ao rebanho
Que se aninha em volta da fogueira.
E o mais ignorante da manada eleva a voz
Para amedontrar: “Hic sunt dracones”.

Prefiro cortar as ondas com minha espada
E cavalgando no cometa de Cervantes
Irei para além do crepúsculo cítrico de Cthulhu,
Fincarei minha bandeira nesta terra estranha.
E mesmo lutando com dragões ou domando centauros,
Dentre fadas e elfos, estabelecerei morada
Nesta terra que todos fogem dizendo: “Hic sunt dracones”.

Templo


Templo

Valença; 01° de agosto de 2012 (02h18)

Luz da aurora e dos amores,
Rosa sanguínea e luminosa
Que nasce nos prados siderais,
Teu coração é o templo carmim
De onde ouço as mais belas sinfonias.

Luz dos horizontes e das paixões,
Em teus beijos eu fiz perene morada.
Neles sugo os carrosséis selvagens
Das supernovas de vinho e de desejo,
Templo violáceo de nosso amor.

Luz, luz insone de meus olhos
Matutinos, teus beijos são serafins
De Rivendell, cometas roubados
Do oceano no qual o cupido esculpiu
Um templo de marfim no orvalho.

Luz marinha, pelas sereias, encantada,
Sonho com teus carinhos trilhando
Minha alma e em teu colo de ametista,
Dormirei as poesias que tu escondes
No templo de fogo e mel de teus braços.

Luz eterna dos anéis de Saturno,
Silêncio azul que fala  e Carícia terna que seduz,
A saudade corta quando distante de ti
Minh’alma vaga triste alhures, esperando
O momento nos encontrar no nosso templo de luz.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Canção Negra para Valença


Canção Negra para Valença

Valença, 25 de julho de 2012 (02h00 AM)


Valença, minha musa querida e ultrajada,
Ouço teus lamentos e revolto-me!
Teus olhos, eu não quero vê-los tristes,
E para vingá-la, tomo um cometa como espada.

Espada de fogo e versos, com ela em punho,
Mil estrelas eu espalho para t’iluminar, Valença!

Mil sonhos eu colho em teu colo, Valença.
Assim como um poeta que te ver feliz.
Rasgo este crepúsculo sombrio como treze estrelas,
Treze cavalheiros negros da aurora que
Iluminarão as esperanças e elas irromperão
Noites infinitas de lágrimas e desilusão,
Irromperão a dor e inércia residente no mármore.
As lágrimas que minha cidade verteu
Não ficaram impunes, pois treze estrelas
Ouvem seu clamor e te libertarão Valença, minha Valença.

Canção Rosa para Valença


Canção Rosa para Valença
(para Profa. Salete, com todo carinho)

Valença, 25 de julho de 2012 (02h27 AM)


Valença, meu jardim estéril e amado,
Olhe para o horizonte e veja surgir
Tuas rosas corajosas. Veja tuas rainhas
E teus filhas cuidarem de tuas feridas.

Escarlate rosa nova, mãe e mestra,
Mil estrelas surgem para te acordar, Valença.

Saúdam-te as treze estrelas jovens cuja
Alvorada rompe teus grilhões com canções
Latentes que teu solo esconde como sementes.
Estrelas escarlates te acariciam, Valença,
Teus teares urdem a nova esperança rubra
E treze rosas te coroam, Valença, para tu seres feliz.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Cancão para se aquecer no inverno

Canção para se aquecer no Inverno


Valença; 10 de julho de 2012

O inverno chegou com lágrimas e cinza em Valença
Pelo vento frio sobre o rio Una.
Chegou e fincou longa morada. 
Um inverno sem amanhecer, eterna noite de tristeza.
Inverno de chuvas oblíquas e longas como as de Macondo.
Inverno que não quer ninguém bem.
Inverno que trazia medo e sepultava os sorrisos e a Lua.
Mas quem é o Senhor, Dom Inverno, para mandar em Valença?
Eu quero as estrelas, trezes estrelas rubras
Rasgando as nuvens sobre a minha cidade.
Quero sorrisos e beijos e arco-íris 
Nos trezes céus encantados de minha (feli)cidade.
Quero os trezes fogos de Beltane aquecendo os sonhos.
Os sonhos chegam para desafiar as chuvas
E irromperem o solo como semente boa de esperança.
Inverno, tu viste, mas tu voltarás para teu lugar,
Já hora de mais uma vez Valença sorrir e cantar,
Brilhar tuas treze poesias escarlates na aurora.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Palavras de Ordem!

Todo poder á Ocupação (Cultural)!
Sacanagem, vinho e Pão!

Uma homenagem à Velha Guarda Bolchevique da Cultura...

terça-feira, 26 de junho de 2012

Esperança


Esperança

Valença; 26 de junho de 2012 (22h59)

Vê? As estrelas ainda luzem no horizonte…
Faróis escarlates em trezes tons de alegria
Brilham para trazer a esperança em teus olhos.
Sei que os espinhos cínicos estão no caminho,
Atrapalhando nosso caminhar até a feli(cidade).
Sei que o mais fácil é desistir
E ser mais um no coro do rebanho.
Mas as estrelas brilham. E brilham alegres!
Ah, esperança rubra, de trezes flores vermelhas,
Deixe que teu manto cubra minha cidade
E faça o amanhecer escarlate trazer o progresso
Que tirará o cinza da tristeza e do abandono.
Deixe que meus sonhos floresçam no horizonte
E ilumine minha face. Estrelas, estrelas,
Trezes quimeras resplandecentes,
Vós soeis a esperança que ilumina os povos…

segunda-feira, 18 de junho de 2012

SOPA UM MICROCONTO


SOPA, UM MICRO-CONTO

Valença, 18 de junho de 2012 (23h14)

Deixe-me ver: o conto poderia começar dizendo que estou sozinho em minha casa, numa noite fria de lua-nova. Para quem morar só a casa sempre é muito grande e silenciosa - por isso fica mais fria ainda. Não ligo. O frio eu tiro de letra com as meias de lã e uma calça domingueira. O silêncio é bom. Mas, por vias da dúvidas, coloco um CD de ópera preferido. La Bohème. Fico na cozinha bebendo chá de camomila enquanto preparo uma versão rústica da Vichyssoise (substituindo o alho-poró por alho comum e gengibre micrometricamente cortados, e a pimenta branca pela pimenta calabresa). Que Silvio Lancellotti me perdoe as adaptações que fiz a partir da receita pescada em seu livro, mas tive que levar min ha alquimia com os ingredientes disponíveis. Depois de despejar o último paralelepípedo da batata no caldo fumegante, olho para minha xícara de chá já quase vazia. Momento de tensão. Poderia fazer neste ensaio de conto uma metafísica da existência ou sintetizar a poética da luta de classes nesta xícara quase vazia. Noite fria. Chá. Solidão. Sopa de Batata. Lua Nova. Ópera. Esses são os ingredientes para um bom conto moderno. A ópera em si já ajuda a fazer o clima boêmio. Mas nada disso importa, pois a única coisa que o eu personagem pensa é: "será que a sopa vai ficar gostosa? Pois eu estou com uma fome da muléstia..." Fecham-se as cortinas....

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Rosa Luminosa


Rosa Luminosa
Valença, 06 de junho de 2012


Rosa, flor do topázio das fadas, 
Teu hálito amanhece como um sorriso 
Cristalino de um arco-íris macio que beija 
O horizonte âmbar dentre as flores.
Teus olhos de rosas e ametista são fadas 
De absinto que dançam alegres nas pétalas
Aéreas onde os deuses fundam universos…
Rosa luminosa e suave, topázio quente,
O Luar das estações inscreve teu nome
Num círculo nacarado de jasmins,
Feito pelas mãos mágicas dos serafins,
Enquanto os Elfos da antiga Lothlórien
Cantam nas harpas célticas teus olhos de luz.
Mundos explodem alegres e flores chovem
Doces quando o brilho de teu olhar
Repousa docemente sobre a mágica rosa


Rosa, Rosa de Luz, Rosa de Fogo Etéreo,
Teu halo coroa em ti toda beleza do universo

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Estrela Valenciana


Estrela Valenciana
(para meu amigo Martiniano, feliz aniversário!)

Valença, 03 de junho de 2012

Uma estrela surge entre as ruas de Valença,
Como um profeta de treze novas alegrias.
Estrela negra, estrela escarlate,
Estrela de treze sorrisos sinceros,
Tua voz é por onde a esperança acorda
A boa gente valenciana para um novo porvir,
É a voz que rasga os trezes horizontes da feli(z)cidade
E que afugentará a tristeza e a inércia de tuas ruas.
Estrela que sonha, estrela que samba,
Estrela que age, estrela que luta,
Estrela que quero ver brilhar dentre os mármores,
Canta tua canção nova que Valença que ouvir;
Canta tuas treze poesias operárias
Para cidade acordar, sem medo de ser feliz…

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Outono II


Valença, 20 de maio de 2012 (06h08)

Treze rosas, treze tílias, treze edelweiss
Eu te ofereço dentro de um arco-íris,
Para que os jardins amanheçam doces
Nesta sinfonia de desejos que teu coração
Entoa quando nos amamos em nosso leito.

Treze risos, treze sonhos, treze beijos
Eu enfeito tua boca ávida de amor,
Enquanto treze estrelas dançando
Seu último brilho antes do amanhecer
Encontrar-nos enlaçados em nosso leito.

Treze vinhos, treze orgasmos, treze suspiros
As fadas espalham como orvalhos róseos
Que os marimbondos de fogo fecundam
Os sonhos carmim do luar macio de Rivendell,
Que irá nos cobrir suavemente em nosso leito.

Treze versos, treze canções, treze valsas
Esta Lua soberana tocará em seu violino
Sideral, quando os cometas trazem o cetim
Da poeira das estrelas cadentes, que irá
Ninar a fria noite de outono em nosso leito….

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Resolução


Valença, 17 de maio de 2012 (03h28)

Ao norte, a Ordem;
Ao sul, a cerca.
E eu, aqui, preso.
Ao norte, o Muro;
Ao sul, a certeza.
E eu, aqui, em silêncio.
Ao norte, a acomodação;
Ao sul, a mediocridade.
E eu, aqui, enclausurado.
No horizonte o desejo,
A possibilidade, o talvez…
E eu, aqui, parado.

Eu quero os trezes orgasmos,
O fogo perene, a liberdade!
Romper os grilhões do tédio,
Eu quero a ambição,
De voar na imensidão.
Eu quero estar dentre as estrelas,
Galgar o Mons Olympus,
Quero tocar o Sol com meus lábios,
Quer até (se for o caso do acaso)
Tombar com as asas de Ícaro,
Mas construir meus caminhos
Com os meus passos…

Nasci para ser Gigante
E conquistar os astros.
Ser ao Adamastor de granito
De minhas tormentas.
Ser o Senhor de minhas sendas,
O imperador de meu destino,
E autor da minha epopéia.

Sei que aqui
Também há a ternura,
Também há cobertura,
Também há a abertura.
Mas prefiro correr o risco
E ir atrás de minha lenda.
Que seja o rio ou o mar,
Que seja o deserto ou a serra,
Que seja a rosa ou espinho,
Que seja mesmo até a não-rosa!
Mal mas meu, com minhas mãos
Quero plantar as léguas
Que deslumbrarei meu caminho
E fundarei meus mils horizontes!


Não adianta o muro.
Não adianta a cerca,
Não adianta as grades,
Não adianta nem mesmo a seca,
Meus olhos estão firmes
E só sei que minh’alma
É livre e quer o além…

E mesmo que no Norte
Haja a Ordem ou a Certeza.
Mesmo que no Sul
Esteja o muro ou o Não
Sei que aqui não ficarei enclausurado.
Peregrino de meus sonhos,
Continuarei livre
E andando
E andando
E andando…

Canção do Sabiá


Valença, 17 de maio de 2012 (03h07)

Sabiá, jasmim alado do jequitibá,
Triste é o teu canto só na janela.
Tristes são teus bemóis, teu dó, teu fá,
Triste é o horizonte azul que esfacela
Distante, por detrás do vidro cor de âmbar.

Sabiá, tua cantilena é de saudades
Sinceras do velho e doce sertão.
Saudades de quem sonha a liberdade,
De voar alto, tão alto na imensidão,
Que toda alegria se resumiria nesta verdade.

Ah, meu sabiá amigo que te quero bem.
Dou-te abrigo, dou-te comida, dou-te carinho,
Dou-te até orquestra sem te cobrar um vintém!
Para que aqui se sintas em teu próprio ninho
E não te preocupes com tormenta que vem…

Mas, sabiá, sei que tua alma não nasceu
Para ficares em claustro ou ambiente mesquinho.
Tuas asas querem mais, querem o céu que é teu,
E muito mais que o velho e pequeno ninho…
Sabiá, para ti que o céu foi criado por Deus.

Por isso sabiá, olhe pela janela, para o horizonte.
As janelas estão abertas para teu vôo, sabiá!
Aproveite a oportunidade! Não te escondes
Em meio ao teu triste e ranzinza cantar.
Voe! Alto e veloz, voe feroz como pterodonte!

Voe como o albatroz! Voe como a águia ou o condor!
Do alto de teus talentos seja o alado profeta
Que transforma em melodia a alheia dor.
Dos corações apaixonados seja o estafeta,
Seja o alquimista a transmutar solidão em amor.

Sabiá, tu que nasceste para servir a Beleza,
Esqueça teu gueto de lamúrias e vá saudar
Tua liberdade. Para trás deixe a tristeza
Enterrada no passado e com teu cantar
Ilumine as trezes luas que regem a Natureza.

Segue livre teu caminho, meu doce sabiá,
Segue teu vôo em busca de tua estrela.
Mas não s’esqueça de quem ouvir cantar
Triste, com os olhos perdidos através da janela
De quem te admira por detrás do vidro cor de âmbar.

Descompasso


Valença, 10 de maio de 2012 (23h30)

No fundo eu sou uma criança e um ogro,
Labirinto onde se perdeu o homem maduro
E cujo coração parte-se com mil fagulhas.
Sou dois dragões de gelo e fogo a se degladiar
No horizonte impossível das rosas,
E cujos relâmpagos queimam inocentemente
Os jasmins que tanto amei no outono.
Trago nas palavras
Uma doçura que fere
E uma faca que afaga.

Sou um Gigante de vidro que desmorona
Com a primeira brisa do outono
E corta cegamente sem sentir a dor alheia.
Gigante, tu nunca fostes domado
E ainda vive como se um Jardim do Éden
Existe-se alhures no Himalaia.
Sabe que tuas pegadas esmagam
E que, quando tu queres, esmagam mesmo!
Mas nem sempre esmagas por quereres…
Ah, Gigante de vidro e vulcão,
Criança que perdeu o bonde na infância!

Labirinto de idades e emoções,
Assim meu coração corre pelos anos,
Lua e Sol que nunca se reconciliam
E a cada estação vai criando eclipses.
A cada estação vai moldando as fases
E neste vai e vem de emoções,
Meu coração. ele gira e gira e gira. E girando,
Pendem sobre o infinito a criança e o ogro…

terça-feira, 8 de maio de 2012

Outono


Valença, 02 de maio de 2012

Trezes estrelas brilham no outono,
Enquanto meus olhos deliram no horizonte.
Outono! Estação dos sonhos. Estação dos beijos…
Treze fogueiras acesas no infinito
Inscrito quando as folhas caem frias
Como o vento moleque nas campinas,
Que brinca com o sorriso morno e estelar
De tuas faces vermelhas.
Teus sonhos de feli(cidade)
São como frutos
Doces que explodem suas delícias
Numa fogueira perdida no outono.
Ah, como meus olhos crispam como pirilampos
Quando a noite cai como treze notas musicais,
Treze canções escarlates,
Treze beijos de quimeras,
No meio do horizonte sereno da madrugada…

Biblioteca do Bardo Celta (Leituras recomendadas)

  • Revista Iararana
  • Valenciando (antologia)
  • Valença: dos primódios a contemporaneidade (Edgard Oliveira)
  • A Sombra da Guerra (Augusto César Moutinho)
  • Coração na Boca (Rosângela Góes de Queiroz Figueiredo)
  • Pelo Amor... Pela Vida! (Mustafá Rosemberg de Souza)
  • Veredas do Amor (Ângelo Paraíso Martins)
  • Tinharé (Oscar Pinheiro)
  • Da Natureza e Limites do Poder Moderador (Conselheiro Zacarias de Gois e Vasconcelos)
  • Outras Moradas (Antologia)
  • Lunaris (Carlos Ribeiro)
  • Códigos do Silêncio (José Inácio V. de Melo)
  • Decifração de Abismos (José Inácio V. de Melo)
  • Microafetos (Wladimir Cazé)
  • Textorama (Patrick Brock)
  • Cantar de Mio Cid (Anônimo)
  • Fausto (Goëthe)
  • Sofrimentos do Jovem Werther (Goëthe)
  • Bhagavad Gita (Anônimo)
  • Mensagem (Fernando Pessoa)
  • Noite na Taverna/Macário (Álvares de Azevedo)
  • A Casa do Incesto (Anaïs Nin)
  • Delta de Vênus (Anaïs Nin)
  • Uma Espiã na Casa do Amor (Anaïs Nin)
  • Henry & June (Anaïs Nin)
  • Fire (Anaïs Nin)
  • Rubáiyát (Omar Khayyam)
  • 20.000 Léguas Submarinas (Jules Verne)
  • A Volta ao Mundo em 80 Dias (Jules Verne)
  • Manifesto Comunista (Marx & Engels)
  • Assim Falou Zaratustra (Nietzsche)
  • O Anticristo (Nietzsche)