Sua Majestade, O Bardo

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Valença, Bahia, Brazil
Escritor e Professor de Literaturas Anglófonas. Autor do livro "Estrelas no Lago" (Salvador: Cia Valença Editorial, 2004) e coautor de "4 Ases e 1 Coringa" (Valença: Prisma, 2014). Licenciado em Letras/Inglês pela UNEB-Campus Salvador. Falando de mim em outra forma: "Aspetti, signorina, le diro con due parole chi son, Chi son, e che faccio, come vivo, vuole? Chi son? chi son? son un poeta. Che cosa faccio? scrivo. e come vivo? vivo."

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

8 de outubro e dois icones

Hoje é oito de outubro. Duas colegas de trabalho fizeram aniversário. Pelo Google, soube que hoje John Lennon completaria 70 anos, se estivesse vivo. Antigamente, alguém ainda lembraria que hoje é também a data em Che Guevara foi morto ou capturado na Bolívia, deixando a vida para forja um ícone eterno de um ideal, há 43 anos.
Curioso que duas figuras chaves da geração de 60 se encontrem numa mesma data. Um, nascia, outro morria. Um era inglês que emigrou para os EE.UU., músico, membro-fundador do mais famoso conjunto musical da história, pensador, pacifista, contestador, um "beatle". O outro é um argentino naturalizado cubano (embora se considerasse um cidadão do mundo), médico, revolucionário, teórico da guerrilha, contestador, um herói. Sendo famosos, com certeza um sabia da existência do outro, embora não se saiba se haveria admiração entre eles.
Mas em que esta lembrança haveria de interessar neste blog de literatura? Poderia fazer deste texto um pedaço de diário fala do que eles representam para mim, afinal meu pai é fã declarado dos The Beatles e eu, de Che. Ou fazer uma análise cultural dos dois (quiça um confronto? Ou semelhanças?). Mas o que me vem a mente agora é se valeria a pena falar deles ainda, em plena segunda década do terceiro milênio.
Querendo ou não, eles são ícones dos anos sessenta, duas faces do maio de 68. Quer pelo engajamento contra-cultural ou político, eles são referências desta geração - inclusive na estética da moda. E isso pode dar um ar datado a alguns de seus cultores, algo o do jovem rebelde de esquerda ou hippie eterno. E algumas das coisas que eles pregavam já foram superada: o modelo de comunismo defendido por Che foi soterrado quando Muro de Berlin caiu à esquerda. E a Guerra do Vietnam acabou sem que fosse dada uma chance a paz. O próprio mundo já deu muitas voltas e surgiram tantas coisas novas, como a internet, redes sociais eletrônicas, mudanças climáticas, celulares e ocorreram as eleições de Reagan, Thatcher, Hugo Chavez, Carlos Menen, Os dois Bush, Evo Morales, Collor, F(T)HC, Lula e Barack Obama e a subida ao poder dos xiitas no Irã e dos talibãs no Afeganistão. Aliás, falando em voltas, não deixam de se notar que, apesar de contestarem a ordem burguesas, eles foram deglutidos pelo próprio capitalismo, tornando-os produtos que diluem as mensagens de seus textos e exemplos, a imaginar, e.g., a foto de Che tirada por Alberto Korda estampando embalagens de vodka e cigarros.
Contudo, uma aura de perenidade cercam os dois. John Lennon, como músico, é um mestre. Listar as músicas compostas por ele (sejam sozinho, com Paul McCartney, ou com qualquer outro) que fizeram sucesso e ainda são lembradas pelos público seria em parte que fazer a lista dos grandes sucesso da segunda metade do século XX. Algumas, como "Imagine", são hinos que entraram definitivamente para o cancioneiro popular. Depois, sendo famoso, não deixou de usar sua fama para fins nobres, como a paz
Já a vida de Che Guevara, com suas peripécias e tomadas de decisões, fazem dele um personagem singular. Alguém que, formado em medicina, sai percorrendo a América Latina para conhecê-la e, levado por misto de senso de inconformismo e generosidade, alia-se a uma grupo de revolucionários vitoriosos e ser tornar apóstolo da revolução, renunciando a regalias, é por demais cativante. Não é a tôa que o próprio EE.UU. se rendeu, com a produção de filmes sobre a vida de um dos seus maiores críticos. Além do que, como escritor, ele possue seus méritos - basta ler o Diário da Guerrilha Boliviana.
No fundo, eles representam (de alguma forma) a utopia de um mundo melhor, pacífico e justo. E que ela é possível, quando se vai a luta.

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