Sua Majestade, O Bardo

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Valença, Bahia, Brazil
Escritor e Professor de Literaturas Anglófonas. Autor do livro "Estrelas no Lago" (Salvador: Cia Valença Editorial, 2004) e coautor de "4 Ases e 1 Coringa" (Valença: Prisma, 2014). Licenciado em Letras/Inglês pela UNEB-Campus Salvador. Falando de mim em outra forma: "Aspetti, signorina, le diro con due parole chi son, Chi son, e che faccio, come vivo, vuole? Chi son? chi son? son un poeta. Che cosa faccio? scrivo. e come vivo? vivo."

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Article on Drug Addiction

Article on Drug Addiction

The drug addiction problem must not be viewed in a simplistic manner or as a mere contemporary social problem. On the contrary, it encompasses a complex cut which the impact on public health, economic relationships and the drug diversity itself should be taken into account within a wider social context.

The use of drugs has been present in human culture since its origins. How and when it has been used depends on the context. For instance, at a religious ceremony, mescaline in pre-Hispanic tribes in Mexico; as a stimulus to artist. creation, absinth, hashish etc; or as a medicine, like morphine. The social acceptability for drugs has varied according to the time, quantity and situation: it may range for complete disapproval – as it has been linked to underground, the case of marijuana in Brazil in the 30’s – to appreciation, if not, as na evidence of social status – the case of tobacco and wine. The implies that some drugs may be legalized or not. This is a dynamic factor. It may occur that in a same society a narcotic shifts from a legalized drug to an illegalized one, that is, from social tolerance to social intolerance or vice versa. To illustrate this, let us take the prohibition of alcohol beverages in the USA in 1920 by means of the Dry Law and its later revocation in 1923.

The use of drugs, due to these particularities, make them acquire a glamour and increase the interest in using drugs, and helps to hide its pernicious side. In the case of legalized drugs, their use is usually associated with the idea of social climbing, thus leading to an exaggerated drug use – as was the case of tobacco in the mid 60’s, when advertising connected ostensibly the idea of smoking to success, power, fame, seduction and social climbing. In the other case, the illegality itself is the cause of fascination and attraction to drugs. Thus, its consumption would be associated with a form of social reaction and protest, as it happened to the so-called “lost generation” of North American literature. This was an emblematic since the mere prohibition of alcohol led to the questioning of the limits of the socially acceptable by the writers of that generation and taking the excesses to the ultimate consequences.

If drugs have a “socially” explicable and comprehensible side, and depending on the amount taken, with innocuous or minimal social effects, this does not mean narcotics do not get their dark side, especially under high consumption. The addiction to drugs brings several problems, most of them heavily related to public health. Currently the addiction to drugs is reputed as pathology, and the user is someone who needs careful treatment. The main public health problems related to drugs are: the drug addicted physical and psychological decay, in several times leading to death, the deterioration within the core of the family and, as a consequence, a huge social damage, which can be directly viewed through the increasing of medical care and rehab and, indirectly, by means of the increasing of the violence, criminality, social instability, and higher public expenses.

If drugs cause (one could question?) such problems, why are not drugs totally banished? One could affirm which the answer is on its economic profitability. The drugs –lawful or unlawful– represent one of the greatest markets worldwide, mainly in the last 200 years – as The Opium War, where the British Raj used its military power to support the traffic of opium in the Chinese Empire. In the case of the lawful drugs, the taxes earned by the government could compensate public health expenses – even though public service campaigns about the addiction to drugs dangers and a probable indirect consumption control, such as specific laws or propaganda banishment. About the unlawful drugs, they are “free” from this indirect control, and become a field for criminal action, increasing public security problems. In some cases, the narcotic traffic, besides to give support to criminal activities, such as burglaries, raises what one could name “a parallel power”. A remarkable example is Colombia and its “cocaine cartels”, with a huge social acceptance and being more powerful than some local authorities, influencing politicians, judges, policemen to work on behalf of them. Thus, with a corrupt social structure, fighting the crime become ineffective.

All in all, the question of the drugs is more complex than it seems to be, going for beyond a mere health or police case. The lawful and unlawful narcotic trade profits attract men’s covetousness, regardless their social costs. There are also complex variables related to drugs consumption and society, such as acceptance, boundaries, social and cultural meanings. But, drugs? It is better avoiding.
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(Artigo apresentado para disciplina Inglês Avançado 02 e tido como o melhor escrito na citada disciplina. Tradução logo abaixo)

Artigo sobre vício de drogas

O problema dos vícios de drogas não deve ser visto de forma simplista, como um mero problema social da contemporaneidade. Pelo contrário uma complexa relação cultural em que devem ser levadas em conta os impactos na rede de saúde púbica, as relações econômicas e a própria diversidade das drogas dentro de um contexto social mais amplo.

O uso de drogas está presente na cultura humana desde suas origens. Diversos são usos das drogas e em contextos: como ato religioso (Por exemplo, a mescalina nos tribos pré-hispânica no México), como meios de sociabilidade (como o tabaco na Belle Époque), como ato de contestação (como o LSD nos anos 60) como apoio na criação artista (como o uso do absinto, haxixe e etc.) ou como medicamento (como no caso da morfina). Sua aceitação social varia com o tempo, quantidade e situação: pode variar da completa desaprovação – sendo associado muitas vezes à marginalidade, como no caso da maconha, no Brasil dos anos 30 – até apreciação, quando não, de exemplo de status social – como no caso no vinho e no fumo. Isso implica que algumas substâncias podem ser legalizadas ou não. Esse fator é dinâmico, podem numa mesma sociedade que um narcótico pode passar da legalidade para ilegalidade (ou seja, da tolerância social para intolerância social) ou vice-versa. Exemplo marcante disso foi o álcool nos EUA século XX, que resultou na (desastrosa) Lei Seca de 1920 e sua posterior revogação em 1923.

O uso das drogas, por contas destas particularidades, fazendo com que ganhem uma aura de glamour e aumentando mais o interesse para o uso das drogas, ajuda a mascarar o seu lado pernicioso. No caso das drogas legais, o uso costuma está associado à idéia de ascensão social, levando assim ao uso exagerado das drogas – como no caso do tabaco no meado dos anos 60, em que as propagandas associavam ostensivamente a idéia do fumo como o sucesso, poder, fama, sedução e ascensão social. Em outro caso, própria ilegalidade é causa de fascínio e atração da droga. Assim, seu consumo estaria associado a uma forma de reação e protesto sociais, como aconteceu com a chamada “geração perdida” da literatura norte-americana. Este fato foi emblemático porque a mera proibição do álcool levou o questionamento do limite do socialmente aceitável por parte dos escritores desta geração e levando os excessos até as últimas conseqüências.

Se a droga possui um lado que “socialmente” explicado e compreensível (?) e, dependendo da quantidade, com efeitos inócuos ou mínimos para a sociedade, isso não significa que os narcóticos (especialmente o consumo exagerado) tenham um lado sombrio. O vício provocado por ela cria vários problemas, dos quais os relacionados à saúde pública seja o mais flagrante. Modernamente o vício é considerado como uma patologia (toxicomania) e que o usuário é alguém que precise de tratamento. Dentre os principais problemas das drogas, em relação à saúde estão: a degradação psicofísica da pessoa do toxicômano, muitas vezes levando ao óbito do mesmo, a deterioração e desajustes familiares que os vícios provocam e, conseqüente, o alto custo social acarretado, representado diretamente pelas internações e tratamentos de reabilitação e, indiretamente, pelo aumento da violência, da criminalidade e da instabilidade do meio social e onerando ainda mais os gastos públicos.

Se as drogas (alguém poderia questionar), causam tais problemas, por que não são totalmente banidas? A resposta a esta pergunta está na rentabilidade econômica. As drogas (lícitas e ilícitas) são um dos maiores mercados existem no mundo, principalmente nos últimos 200 anos – como provoca a Guerra do Ópio, em que a Grã-Bretanha usou de sua força político-militar para garantir a tráfico do ópio no Império Chinês. No caso das drogas lícitas, os impostos auferidos pelo governo poderiam compensariam os gastos em saúde pública – não obstante as campanhas de esclarecimento sobre os efeitos perniciosos do vício e o eventual controle indireto do consumo, como as leis limitando ou banindo a propaganda. Já as drogas ilegais, “livres” deste controle indireto, acabam se tornando campo da atuação de grupos criminosos, provocando também problemas na esfera da segurança pública. Em alguns casos, o tráfico de narcóticos, além de financiar outras atividades criminosas como assaltos, faz com que surjam verdadeiros poderes paralelos. Exemplo disso é a Colômbia, em que os “cartéis de cocaína” muitas vezes tinham mais “legitimidade social” e poder de fato do que o próprio governo local, quando não estavam infiltrados na máquina estatal, com policiais, juízes e políticos corrompidos agindo em beneficio destes cartéis. Deste modo, com a estrutura social “viciada e corrompida”, o combate ao crime torna-se ineficaz.

Diante do exposto, a questão das drogas mostra-se mais complexa do que possa parecer, indo além de um simples caso de polícia ou de saúde. Os lucros auferidos pelo comércio (legal e ilegal) de narcóticos são grandes o suficiente para atiçar a cobiça humana, independente dos custos sociais que os mesmos acarretam. Também a relação sociedade e drogas envolvem complexas variáveis como aceitação, limites e significados sócio-culturais que o consumo de drogas possuem. Em todo caso; drogas, é melhor evitar.

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