Sua Majestade, O Bardo

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Valença, Bahia, Brazil
Escritor e Professor de Literaturas Anglófonas. Autor do livro "Estrelas no Lago" (Salvador: Cia Valença Editorial, 2004) e coautor de "4 Ases e 1 Coringa" (Valença: Prisma, 2014). Licenciado em Letras/Inglês pela UNEB-Campus Salvador. Falando de mim em outra forma: "Aspetti, signorina, le diro con due parole chi son, Chi son, e che faccio, come vivo, vuole? Chi son? chi son? son un poeta. Che cosa faccio? scrivo. e come vivo? vivo."

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Cacau, Cravo e Dendê:

Cacau, Cravo e Dendê:
literatura valenciana em perspectiva
Salvador, 06 de agosto de 2011
O que falar sobre literatura valenciana?
Olá, eu sou Ricardo Vidal, natural de Valença (mas atualmente resido em Salvador), licenciado em Letras/Inglês pela UNEB, curso a especialização em Estudos Lingüísticos e Literários na Ufba, onde estudei inicialmente Jornalismo, sem concluir o curso e, last but not least, eu sou escritor. Acho importante esta apresentação inicial para situar melhor o ponto de partida da minha fala nesta mesa.
Quando recebi o convite dos meus amigos Profa. Taylane Nascimento e Adriano Pereira para participar desta mesa, ao mesmo tempo em que eu fiquei feliz (uma vez que estaria na minha cidade natal falando de algo que eu gosto), também fiquei preocupado: afinal, o que iria dizer aqui, nesta mesa em que estão presentes pessoas do porte da profa. Raimunda e Prof. Moacir e para uma platéia de estudantes e professores de Letras?
Via-me diante dum aparente problema paradoxal: de um lado, como disse a pouco, eu moro em Salvador, já faz quinze anos (uma vez que na época que concluí o científico na Paulo Freire não havia faculdades na minha terrinha, o que obrigava a um “exílio pela busca do saber”). E isso poderia me colocar como um estranho, alguém que não estivesse a par ou vivenciando a atual cena literária da minha cidade natal. Por outro lado, sei que a maioria dos autores são meus conhecidos, pessoas QUERIDAS como Mustafá Rosemberg, Profa. Rosângela Góes, Profa. Macária Andrade, a turma da Ocupação Cultural (do qual me considero, de certa forma, ser a minha turma), patrícios de MINHA CIDADE NATAL, o que poderia tornar meus comentários suspeitos por um comprometimento afetivo devido a esta proximidade. Algo como o que deve ter sentido Érico Veríssimo quando de suas palestras sobre literatura brasileira na Universidade da Califórnia em Berkeley, no meados dos anos 40 do século passado, ao fala dos escritores da geração de 30.
Contudo, vi que este problema poderia ser também uma solução para a minha fala: O fato de morar em outra cidade dar-me-ia uma visão de grupo desta literatura, com certo distanciamento para apreciar as obras. E a proximidade afetiva oferecer-me-ia a oportunidade de assumir uma perspectiva “egocêntrica”, de ver com os olhos de quem está dentro do furacão. Usando a metáfora de Érico Veríssimo, diria que meu avião voa em média altitude, para que eu possa ver tanto os contornos difusos da ilha como os detalhes ofuscantes. Assim, vou tentar orientar esta visão a partir da mescla de escritor apaixonado por Valença (o lado de dentro) com o de acadêmico de Letras (o lado de fora), para falar sobre a produção literária valenciana.
Três ingredientes valencianos
Mas, para falar de literatura valenciana, é preciso conceituá-la. Ela é mais do que uma literatura de base geográfica, feita por pessoas nascidas em Valença ou por seus residentes. Ou de base temática, que descreve APENAS seus encantos. Provisória e poeticamente, eu diria é uma literatura feita com três ingredientes: cacau, cravo e dendê.
O cacau é o que dá este gosto de sul da Bahia, interiorano, próximo a uma natureza luxuriante nos nossos textos. É uma literatura doce e negra como são as águas do rio Una antes de entrar na cidade; como esta imensidão de terra e mar descortinada nos pequenos morros que nos rodeiam, indicando bem a origem local e meta de ser universal. E é também o suor do escritor, que após a inspiração semear nossa mente, precisa trabalhar a palavra, a frase, para chão da folha/tela em branco frutifique o texto redondo, certo, próximo da perfeição, pois não se engane que poesia é só brisa! É também trabalho árduo e paciente de por em ordem o que a inspiração trouxe aos borbotões. Um exemplo deste artesanato poético prenhe das nossas belezas está nos poemas de Otávio Mota, como em que se lê versos “Rio que te quero rio-perene / todo doce / até o sal. / Águas que te quero límpidas / no teu leito / de sonhos ao mar”. Olhe o detalhe: verso maior ser seguido por dois versos menores e no jogo de contraste doce / sal.
O dendê é o seu lado vigoroso, intenso, quente. É lado recôncavo de nossa terra, culturalmente mais ligada a Salvador do que Ilhéus. É uma literatura sempre em ebulição, como uma moqueca de camarão recém saída do forno, pois nunca ficará parada na mesmice. Uma literatura marítima, que também sabe respirar ares cosmopolitas e faz da tradição um processo de renovação constante (como se observa na quantidade de escritores valencianos participando na Academia de Letras do Recôncavo, nas atividades da nossa própria Academia, a AVELA e, por que não dizer, já nos escritos do Cons. Zacarias). Como exemplo, um poema de Celeste Martinez: “Enfia teus dedos em hirto em minha garganta / e arranca o medo virulento / que ameaça as minhas células. / Se o medo, / mesmo assim, / insistir em não sair, / ESMAGA-O / com o martelo de Thot”. A poetisa usa visceralmente as palavras, foge dos lugares-comuns (como rimar “amor” e “dor” ou “coração” e “emoção”) e com um ritmo intenso, vai buscar no passado universal (no caso, Thot, o antigo deus egípcio da escrita) para falar de um sentimento moderno como o medo e a sua superação. Isto é dendê puro!
E o cravo aparece na nossa literatura como signo desta nossa valencianidade: uma baianidade própria e híbrida, que não é só os romances rurais de Jorge Amado nem a poesia barroca e ardente de Gregório de Matos. É isso tudo e vai além: além de Castro Alves, além de Machado, além de Shakespeare, para construir ícones próprios. É uma sutileza que nos diferencia dos demais pólos culturais do estado, por possui um perfume e um gosto que é só nosso. Como o som do arguidá, da zabiapunga ou nossos versos de Cadu Oliveira: “Toda a Valença é, portanto, um tear, / e, em seu pano grosso de aspecto rudimentar, / Amparo, a Bordadeira, virá aplicar fibra // Será linda a fazenda incrustada de pérola / do sururu que a valenciana catará. / Será forte como o braço de Pedro / quando puxa sua peça de pescar / Seria como se bichos-da-seda no bagaço de dendê cosessem casimira”. Creio que seria desnecessário comentar um trecho como este, basta retornar a métafora: Valença como um tear, em cuja urdidura está natureza (sururu), nosso passado (a fábrica de tecidos), o povo (bordadeira, Pedro), a tradição (Amparo) e um futuro (casimira cosida por bichos-da-seda a partir do bagaço do dendê).
Para completar a receita, eu diria que depois de misturar tudo no tacho, deixe a massa dá o ponto e a ponha para descansar. Com calma, tirar-se-á um bom texto daí, a ser saboreado tanto com vinho do Porto como por água de coco.
Primavera Fecunda e que vem de longe
Com estes três ingredientes, naturalmente observa-se que a literatura valenciana é muito fecunda e variada. Hoje, se formos a uma banca de revista (como a de Rangel, lá na Praça da Independência), podemos escolher livros de poesia (como os de Amália Grimaldi, Mustafá Rosemberg, Profas. Rosângela e Macária), Prosa ficcional (como os presentes na antologia “Novos Valencianos” e no livro “Encantos da Morte”, de Alfredo Gonçalves de Lima Neto), prosa memorialística (exemplo, Gentil Paraíso Filho), crônicas (exemplo, prof. Moacir Saraiva e Profa. Macária), teatro (como não lembrar do “Apocalipse Man” de Otávio Mota), ensaios historiográficos (Os livros dos professores Edgar Oliveira e Guto Moutinho, para mim, são fundamentais), além da imprensa atuante, capitaneado pelo semanário “Valença Agora”. Saliento que estamnos falando de produção nossa, não de autores importados de Salvador, São Paulo, Madrid ou New York. Não será por falta de opção que um estudante de Letras em Valença poderá dizer que desconhece esta literatura! E nela encontrar um material para fazer uma tese fecunda para o doutorado.
Claro, para esta abundância de autores, eu sou forçado a ver TAMBÉM o dedo das novas tecnologias de informação e comunicação, que facilitou (e muito!) a vida dos escritores, no que se concerne publicizar o trabalho. Friso no verbo: publicizar. Porque, para produzir literatura, a tecnologia quadrimilenar da escrita já mais do que suficiente (não obstante, em último caso, como no de Patativa de Assaré, até isso era dispensado, bastando o dom natural da língua). Agora, editar um livro, o trabalho é diferente: é preciso também editorar, artefinalizar, montar, fundir as matrizes, imprimir, paginar e costurar um livro. Assim, se vai mão-de-obra e dinheiro, fazendo que antigamente muitos livros mofassem inéditos no fundo da gaveta, pela falta de… dinheiro. Agora, entretanto, o computador facilitou a vida de um escritor, seja com a internet (mais precisamente os blogues), criando um outro suporte de divulgação de textos; seja facilitando o mecanismo de editoração. Basta um computador com um programa profissional de editoração, como Adobe Pagemaker, Adobe InDesign ou o Quarkpress (por favor, desconsiderem o pacote Corel Draw e programinhas amadores como Word, MS Publisher ou PrintArtist. Estamos falando de programas de gente grande!) e saber trabalhar com eles para o próprio escritor possa entregar na gráfica o arquivo pronto para imprimir. Eu mesmo agi assim para publicar meu livro “Estrelas no Lago”. Economizei um bom dinheiro sentado na minha casa, compondo o texto e fazendo a capa a partir de um foto minha. E ainda um representante da gráfica foi na minha residência pegar o CD com os arquivos eletrônicos e modelo impresso (O que em artes gráficas é chamado de “boneca”). Imaginem se fosse antigamente, antes do computador. Como seria trabalhar com um linotipo (que não é barato e nem fácil de mexer) para fazer a matriz fundida? Ou um fazer a metalogravura ou litogravura da capa? O meu livro não sairia. Além do que, a microinformática facilitou a vida dos gráficos, o que permite, por exemplo, fazer livro por demanda.
Falei da impressão facilitada pelo computador, mas vejamos como mais calma a internet. Falei dos blogues, que é só escrever e publicar instantaneamente na rede mundial de computadores, sem precisar mais do conhecimento avançado de edição em html, asp e java; e de postagem via FTP. Os blogues fazem com que a nossa literatura se dissemine com rapidez. Eu posto um poema ou conto meu em Salvador e está disponível urbi et orbe, para a cidade de Valença e para o mundo, inclusive podendo comentá-lo: Olha, seu texto está bom! Não, ele está uma m&rD@! Não gostei do final, poderia ser diferente. Deste modo o leitor pode conhecer mais o que se produz em Valença. Também tirar ao escritor um pouco da neurose de se publicar um livro – o está está lá, no ambiente digital, nas nuvens como se diz modernamente. Melhor que isso, os blogues permitem testar antes os textos junto ao público, ter um feedback que guiará na hora da seleção do que será impresso. Eu mesmo tive esta experiência, em publicar um conto no meu blogue e ter o retorno de uma leitora. E hoje está se tornando comum esta passagem, primeiro no mundo virtual para chegar ao mundo impresso. Não sei de experiências destes tipos aqui em Valença, ainda. Mas acredito que as próximas gerações de escritores valencianos deveram usar isso com mais frequência. No mais, sei que existem blogues bons de literatura e cultura valenciana, como o da Ocupação Cultural, A Caixa de Pandora (de Adriano Pereira), O de Araken Vaz Galvão, A Novidade (do Prof. Dr. Ruy Oliveira), A Casamata (de Aécio Flávio) e, se me permitem uma rápida propaganda, o meu blogue, Castelo do Bardo Celta www.bardocelta.blogspot.com.
Falando assim, da literatura valenciana, parece que ela é recente, uma explosão repentina do nada cujas novas tecnologias permitiram seu florescimento. Ledo engano! É interessante salientar que a literatura valenciana não é algo que surge agora. Se as novas tecnologias de informação e comunicação facilitaram nossas vidas como escritores, no que se refere a pu-bli-ci-za-ção, há também que pagar tributos aos que nos antecederam na lide literária. Falo considerando a tristeza em não existir a mais tempo em Valença uma faculdade de letras que pudesse se debruçar com mais afinco em obras como os ensaios e discursos do Conselheiro Zacarias (com destaque ao seu livro “Da Natureza e Limite do Poder Moderador”), nos romances sociais do nosso conterrâneo e médico anarquista Fábio Lopes dos Santos Luz (autor de “Os Emancipados” e “Ideólogo”), nos poetas que hoje jazem esquecidos, mas que foram publicados em jornais extintos, como o “Jornal do Baixo Sul” (início da década de 90), “O Aráivd”, “O Manacá” (ambos dos anos 70), “O Comércio” e “O Industrial” (estes, já que quase cem anos nas costas). Poetas como Valdo Sousa da Hora, cujos textos não chegaram a sair em livros, estão dispersos dentre noticias antigas e que mereceriam, por parte da academia, uma edição crítica. Quando disse que a pouco em tradição e renovação nas Letras da terra do Rio Una, é por reconhecer a primazia nestes autores que hoje passam como mudos e que abriram os caminhos para esta explosão que vivenciamos atualmente. Se hoje temos um jornal semanal e outros mensais, sites noticiosos como o Baixo Sul Notícias, e com ele esta produção literária de contos, crônicas, poemas, ensaios e romances, é porque em Valença já existe uma tradição de escrita e necessita ser resgatada. Imagine a FAZAG, por exemplo, lançando uma edição crítica dos romances de Fábio Luz? Os dividendos a serem ganhos mais do que se pode imaginar, isso eu garanto…
Perspectivas e futuro
Com estas raízes e com as facilidades, podemos ver que temos uma literatura muito rica sendo feita hoje em Valença. Quem realmente pode deixar marcas duradouras, só o tempo pode dizer. Mas já existem duas gerações de escritores valencianos dialogando entre si. Um grupo que compôs a antologia “Valenciando” e que está na gênese da AVELA e outro, oriundo da Ocupação Cultural, que está na antologia “Novos Valencianos”. Creio que isso é um alento para que possamos consolidar a nossa literatura. E o fato da FAZAG abrir suas portas para este Feira do Livro Valenciano, onde não só podemos mostrar nossas obras como podemos também refletir sobre a nossa produção.
Talvez, este é o desafio da nossa literatura daqui pra frente: consolidar não só um mercado consumidor dos livros de autores da nossa cidade como a própria literatura valenciana. Tradicionalmente a imprensa de nossa cidade sempre abriu as portas para nossas produções, permitindo que o povo conhecesse mais sobre o escrevemos. E aqui não posso de deixar de citar o exemplo do jornal Valença Agora, quando em fevereiro de 2007 lançou em livro o “Caderno de Cultura”, coletânea de artigos, crônicas e poemas publicados em suas páginas. Também há iniciativas como a Ocupação Cultural, em que não só escritores como demais artistas locais mostram o que Valença faz de melhor e mais avançado em cultura, além de instituições como a Academia Valenciana de Educação, Artes e Letras, A Fundação Cultural Euzedir e Arakem Vaz Galvão e a Casa de Cultura Maria Claudia Rodrigues / Macro que podem dar este suporte. E Arakem merece todas as salvas de aplausos pelo seu brilhante trabalho de organizar antologias de autores da terrinha, permitindo que muitas vozes possam navegar nas páginas impressas pelos mares da eternidade.
Quanto ao poder público, representado pela Prefeitura e pela Câmara Municipal, acho que eles que ainda estão um pouco fora de sintonia com os avanços vividos hoje pelas esferas nacional e municipal. Atualmente há uma mudança de paradigma no tratamento dado à cultura, em que antes (quando muito!) era vista como um apêndice para a indústria do turismo. Cultura hoje está começando a ser tratada como uma política de estado. Cabe a cada esfera cuidar de sua cota. E a literatura valenciana está na cota maior da prefeitura. Digo isso não achando que a cultura valenciana deve ser pajeada pela prefeitura, assumindo todas as despesas. Contudo, creio que sinto falta, aqui na minha cidade, de uma política pública municipal na área de cultura. Falo isso quando comparo o que é feito nas outras cidades. Não sei se há aqui, por exemplo, uma lei que determine a compra de parte da nossa produção literária para a formação de bibliotecas escolares da rede do município, ou de uma diretriz da Secretaria Municipal de Educação que sugerira aos professores a preferência aos autores locais na hora de indicar livros paradidáticos como leitura. O fato de hoje ter renascido a biblioteca pública Ruy Barbosa é algo a ser comemorado. Porém, creio que ela não deveria continuar como se fosse um mero apêndice acanhado do Centro de Cultura. Poderia ter uma sede própria, mais central, mais ampla e que pudesse ser outro centro cultural no município. Falta um Arquivo Público Municipal, onde um escritor de nossa pudesse ter subsídios para uma pesquisa. O Teatro Municipal, lá no Jardim Novo, situado em posição estratégica, continua jogado às traças. E lá poderia ser TAMBÉM um outro ponto de encontro de escritores, outro lugar para recitais e debates sobre literatura, como o é o Centro de Cultura Olívia Barradas. Não digo que devemos abandonar o Centro de Cultura, mas não acho que devemos se restringir só a ele. Já imaginaram como seria um recitar de poesia dentro da Câmara Municipal? Ou na Recretaiva? Isso, y otras cositas más que eu sinto falta da atuação do poder público local para consolidar nossa literária, para que o povo valenciano possa se orgulhar ainda mais dos escritores que temos.
Finally, eu creio que poderemos contar agora com os cursos superiores de Letras, como o da FAZAG, não só formando professores de literatura, como também críticos literários. Nós, que pertencemos a comunidade dos estudantes e formados em Letras, principalmente quem está no campo da licenciatura (e sinto a vontade em falar isso, pela minha formação ser uma Licenciatura em Letras/Inglês), estamos na linha de frente na formação de novos leitores. Serão as nossas aulas que irão ajudar a definir o gosto (ou não) dos estudantes pelo caminho da leitura. E para isso que precisamos apurar a visão crítica sobre os livros. Faço um convite para vocês, estudantes e professores, que voltem suas pesquisas e análises para os nós, os escritores valencianos. Destrinchem os nossos textos, vejam nossas falhas e nossos acertos, descubram outras leituras que mesmo nós sequer vislumbramos antes, ou diálogos incríveis, como o de nossa poesia pode ter com a poesia norte-americana de Allen Ginsberg ou com a poesia inglesa do período da restauração. Cito rapidamente um poema meu, “Canção para Setembro”, em que há citação sutil ao romance de H. G. Wells e a um poema de Bertold Brecht. Que outras conexões, como a de nossa prosa com a de H. P. Lovecraft, por exemplo, ainda não foram descobertas? Esta é uma seara que ainda não foi desbravada academicamente e quem primeiro adentra estará fundando caminhos. Fica o convite feito, para futuros artigos e monografias. Com este olhar crítico da academia (no caso, o ensino superior) poderemos criar um movimento que permita ter um ganho de qualidade para a nossa produção. É um diálogo que ainda está começando e que tenho esperança que será deveras frutífero.
Palavras finais
Bem, para finalizar, eu diria que hoje vivemos uma grande efervescência literária aqui em Valença. As facilidades que as atuais tecnologias de comunicação e informação nos deram ferramentas para publicizar nossa literatura feita à base de cacau, cravo e dendê. Valenciando neste Rio de Letras, cada vez mais Novos Valencianos estarão colocando seus escritos para fora. Disso eu tenho certeza! Obrigado pela atenção de todos, e caso haja interesse nesta minha fala, ela está disponível no meu blogue. Thanks so much!

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