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Valença, Bahia, Brazil
Escritor e Professor de Literaturas Anglófonas. Autor do livro "Estrelas no Lago" (Salvador: Cia Valença Editorial, 2004) e coautor de "4 Ases e 1 Coringa" (Valença: Prisma, 2014). Licenciado em Letras/Inglês pela UNEB-Campus Salvador. Falando de mim em outra forma: "Aspetti, signorina, le diro con due parole chi son, Chi son, e che faccio, come vivo, vuole? Chi son? chi son? son un poeta. Che cosa faccio? scrivo. e come vivo? vivo."

domingo, 19 de janeiro de 2014

Minimalismo cênico para maximizar os sofrimentos de uma órfã do rei

Minimalismo cênico para maximizar os sofrimentos de uma órfã do rei


O cenário se limita apenas a um pelourinho. A trilha musical é feita ao vivo, com músicos tocando instrumentos acústicos. No palco, duas atrizes vestidas de branco, vivem simultaneamente a protagonista da peça "Órfã do Rei", de Mena Abrantes. Originalmente escrita como um monólogo, a encenação torna-se um diálogo interno da personagem-título. As atrizes declamam o texto, mostrando as tristezas, solidão, angustias e desejos da protagonista - uma "órfã do rei", meninas criadas em conventos nos séculos XVI e XVII e que eram destinadas a se casaram com os exploradores portugueses que viviam nas colônias. Ainda criança, a órfã vive sua egotrip, vivenciando a perda do afeto familiar, a repressão de sua sexualidade e os conflitos de um casamento sem amor e com um estranho, ao mesmo tempo em que vivencia a violência e exploração presente no processo de colonização que Angola. As atrizes que vivem a protagonista anônima trabalham o minimalismo cênico para potencializar os sofrimentos que a órfã passa. A presença do pelourinho (que falicamente domina a cena) também serve para mostrar a violência e a sensualidade que irá dominar a psique da órfã. Mostra uma feminilidade subjugada pela sombra do cenário, reforçando om diálogo da musica ao vivo e as falas das atrizes. A falta de mais elementos na peça mostra o quanto esta órfã padece solitariamente, sem nenhum outro caminho de escape para a felicidade. Em frente a tanto sofrimento, não há como o público passar incólume diante do que ela sofre. Os choros mudos que se ouvem na plateia explodem em aplausos, diante de um teatro feito sem nenhuma piedade…

Órfã do Rei. Texto de Mena Abrantes. Direção de Isabelle Brito. Produção de Adriano Pereira. Elenco: Suelma Costa e Isabelle Brito. Músicos: Isaias Pereira, David Tróina e Raoni

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