Sua Majestade, O Bardo

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Valença, Bahia, Brazil
Escritor e Professor de Literaturas Anglófonas. Autor do livro "Estrelas no Lago" (Salvador: Cia Valença Editorial, 2004) e coautor de "4 Ases e 1 Coringa" (Valença: Prisma, 2014). Licenciado em Letras/Inglês pela UNEB-Campus Salvador. Falando de mim em outra forma: "Aspetti, signorina, le diro con due parole chi son, Chi son, e che faccio, come vivo, vuole? Chi son? chi son? son un poeta. Che cosa faccio? scrivo. e come vivo? vivo."

quinta-feira, 26 de abril de 2007

Juventude Perdida - Crônica

Juventude Perdida

Salvador, 29 de agosto de 2003

O dia acorda cinza e melancólica, enquanto o mar verde–prateado saúda as últimas estrelas boêmias que teimam em ficar no céu. Na vitrola, o disco toca alucinadamente The Mamas & The Papas: California Dreamin’, Monday Monday, Creeque Alley. Eu estou sentado em minha mesa, em frente à janela. Na mesa estão as fotos da turma, quando éramos jovens.

Sei que quando jovens, nós sonhamos mudar o mundo. Sonhamos uma vida repleta de amor. Sonhamos o sucesso. Sonhamos sermos nós mesmos. Éramos os senhores do tempo e das tempestades. Cabelos revoltos, músicas no ar, calças jeans e computadores eram nossas armas. A estrela vermelha e a paixão eram nossos emblemas. A noite e a farra eram o nosso ambiente

Mas a fantasia não poderia ser para sempre. A cada ano que passava, novas demandas mudavam nossos planos. Os cabelos já não ficavam revoltos e não vestíamos mais calças jeans. Os músicos precisavam concluir o curso de arquitetura e os poetas estavam trabalhando como escriturários nos bancos. O dinheiro que financiava nossas noitadas fora desviados para as contas do fogão e da geladeira. A turma, nós não mais nos reunimos, pois tem que bater o ponto com as esposas, após sermos libertadas dos grilhões do escritório.
E todos os dias, então, as manhãs passam a nascer cinza e melancólica e a turma, a turma é só mais uma fotografia na mesa.

A vida é assim: A juventude sonhar em dominar o tempo. E o Tempo vence e soterra a juventude.

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