Sua Majestade, O Bardo

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Valença, Bahia, Brazil
Escritor e Professor de Literaturas Anglófonas. Autor do livro "Estrelas no Lago" (Salvador: Cia Valença Editorial, 2004) e coautor de "4 Ases e 1 Coringa" (Valença: Prisma, 2014). Licenciado em Letras/Inglês pela UNEB-Campus Salvador. Falando de mim em outra forma: "Aspetti, signorina, le diro con due parole chi son, Chi son, e che faccio, come vivo, vuole? Chi son? chi son? son un poeta. Che cosa faccio? scrivo. e come vivo? vivo."

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Triste Valença

Triste Valença

Valença, 09 de fevereiro de 2005 (02h03)

Triste cidade de Valença,
Quanto lamento tua sina!
Quanto lamento teu fado!
Ao olhar teu glorioso passado
E confrontando–o co’o presente ingrato,
Minhas lágrimas descem em negro
Caudal e meu coração s’enfurece.
Minhas lágrimas se unem ao rio Una
Como atabaques de guerra e clamam
Por ti, amada cidade natal.
Tu, que foste Níobe de pensadores e escritores,
Que viu teu filho conselheiro
Empunhar a douta espada liberal
E desafiar o trono do imperador
Ao clamar por mais liberdade;
Tu que respiraste o progresso imperial
E viu a utopia socialista florescer
Dentro de um país celeiro
De escravos, latifúndio e misérias;
Tu que fostes a Decidida
E teus filhos brilharam impávidos
Como cometas durante a noite de Pirajá;
E que foste também a Hospitaleira
Para salvar as vítimas de Hitler;
Não podes ser um fantasma refletido
Nas águas negras do teu Rio Una!
Teu Mercado Municipal foi mercado
Para morte no monturo de lixo da História.
Tua jovem prole vaga louca
Sem educação, sem filosofia nem guia.
Arrochado em enlatados culturais,
E seguem alienados atrás do barco dos insensatos.
Como podem estar dispersos
Tantas jovens forças que t’iluminariam,
Cidade querida e maltratada?
Como pode estar esquecida
Pelos teus próprios filhos?
Tanto tesouro natural,
Tanto criativo potencial
Ser disperso, mal gerido, mal cuidado?
Sem museu que te preserve do êxodo,
Sem ouro e progresso que te levante,
Sem teus estaleiros que fizeram História
E de onde partisse a tua nau do futuro,
Eu vejo alguns teimarem falidos feudos
E fecharem teus vôos pelo horizonte
Além das costas do Brasil e do Mundo.
Minha cidade, tuas pedras nas ruas
Estão sujas e terrivelmente nuas.
Sujas de provincianismo,
Sujas de abandono e desvalidos,
Nuas de homens de fibra
Que declare guerra à apatia
E te vista de notável ousadia
E que te queria ver crescer,
Valença querida.
Valença, Vulcano precisa te reconquistar,
Minerva precisa restabelecer seu trono
Em tuas praças e nos corações dos jovens,
Mercúrio precisa trazer mais mercadores de alhures
Para multiplicar tuas riquezas e teus talentos
De prata e sapiência,
Ceres precisa reaver sua foice
E ceifar de ti a ignorância
E plantar nos corações
De teus filhos o amor a ti,
O amor que emule e faça de minha Valença
A cidade mais bela e próspera do Universo…

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