Sua Majestade, O Bardo

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Valença, Bahia, Brazil
Escritor e Professor de Literaturas Anglófonas. Autor do livro "Estrelas no Lago" (Salvador: Cia Valença Editorial, 2004) e coautor de "4 Ases e 1 Coringa" (Valença: Prisma, 2014). Licenciado em Letras/Inglês pela UNEB-Campus Salvador. Falando de mim em outra forma: "Aspetti, signorina, le diro con due parole chi son, Chi son, e che faccio, come vivo, vuole? Chi son? chi son? son un poeta. Che cosa faccio? scrivo. e come vivo? vivo."

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Diários de Roma I – A Cidade Eterna


Diários de Roma I – A Cidade Eterna


Ricardo Vidal, 29 anos, escritor. Autor do livro “Estrelas no Lago”. Participou de várias antologias e foi menção honrosa nos concursos de poesia da revista Iararana (2002) e da ALER (2005 e 2007). Fundador e ex-diretor da UMES-Valença (1994-1996). Estuda Letras/Inglês na UNEB-Salvador.
Weblog: www.bardocelta.blogspot.com, E-mail: cve_livros@hotmail.com



Se for possível em algum momento de sua vida, amigo leitor, não deixe de visitar da cidade de Roma, na Itália para ver as ruínas do Coliseu e a Basílica de São Pedro no Vaticano. Mas não vá Roma apenas para ver as ruínas do Coliseu e a Basílica de São Pedro no Vaticano. O autor desta crônica esteve lá e garante que Roma tem mais tesouros do que estamos acostumados a ver.


Por alguma casualidade do destino, os deuses (ou os santos ou os demônios) fizeram da cidade às margens do Rio Tibre e flanqueada por sete colinas em um dos lugares mais belos e grandiosos do planeta Terra. Cada esquina, cada ruela, cada beco é um caminho que se abre para uma praça, uma fonte, uma igreja, uma monumento ou tudo isso junto em um só lugar. E parecem que eles estão lá para provar o quanto o ser humano pode se superar na construção da Beleza.


Observemos, por exemplo, o Coliseu – cujo verdadeiro nome é Anfiteatro Flávio. È uma construção magnífica situada ao lado do Arco de Constantino, do Monte Palatino e da entrada Via Sacra para os fóruns romanos. É uma elipse de tinha inicialmente dois andares visitáveis, com alguns trechos em que se conservam os revestimentos originais em mármore. Dificilmente alguém passará incólume ante a imponência deste trabalho arquitetônico feito numa época que se desconhecia concreto armado e guindastes. È olhar e deixar o queixo seguir a lei da gravidade, em total sinal de admiração.


Só que o Coliseu não é a única construção da Roma Antiga que impressiona. Com o mesmo ingresso do Coliseu pode-se ver as ruínas do Monte palatino – o monte onde nasceu Roma e que depois foi palácios de Césares. Ali se contempla ruínas mais soberbas e com mais opções de vista. Na fachada que se mira o vale do fórum republicano ergue-se o ainda verde “Orti Farnesiani” – o jardim e “Villa” da família Farnese. São alamedas com laranjeiras carregadas e cerejeiras em flor formando um cenário exuberante e convidativo para o namoro. No lado oposto, as ruínas da cabana de Rômulo (construção da pré-história romana cuja tradição atribui ao fundador mítico de Roma) e os palácios imperiais de Augusto, Lívia e da dinastia Flaviana observa o Circo Máximo (antigo estádio para corrida de bigas). No centro, o Museu Palatino guarda as relíquias de um império que já foi “caput mundi”.


Atravessamos o rio Tibre, chegamos ao Vaticano, sede da Santa Madre Igreja Católica Apostólica Romana. As colunas de Bernini na Praça de São Pedro abrem-se como braços da Basílica como pra acolher todos os turistas e peregrinas num abraço fraterno, convidando-os a conhecer os tesouros da Igreja. E o primeiro deste surge nas escadarias: as estátuas em mármore de São Paulo (a direita) e São Pedro (á esquerda). Ao entrar na Basílica, logo na primeira capela à direita vemos a famosa “Pietá” de Michelangelo. Como não se sensibilizar com dor de Nossa Senhora carregando o Jesus Cristo recém morto na cruz? Próxima a este evangelho em mármore está o monumento tumular da Rainha Cristina da Suécia – a rainha inteligente que amou a Filosofia e renunciou a coroa protestante quando de sua conversão ao catolicismo, sendo mais tarde imortalizada no cinema pela conterrânea Greta Garbo. A capela do Santíssimo Sacramento surge como um oásis para orações em meio á multidão de turistas – assim como a capela da Penitência, com seus múltiplos confessionários em diversas línguas. Sob cúpula de Michelangelo está a Cátedra de São Pedro, maravilhoso trabalho em mármore para o trono papal, erguido sobre a tumba do príncipe dos apóstolos. As imagens de São Longuinho, Santa Verônica e Imperatriz Santa Helena velam Sua Santidade nos seus ofícios divinos. No lado esquerdo da Basílica continua a série de monumentos funerários de rei e papas e capelas (como a do coro). Ao centro, está um corredor de colunas com várias estátuas de santos (e com especial emoção vi as imagens de São João Bosco, Santo Inácio de Loyola e Santa Teresa D’Ávila) velando o mármore do chão, com os nomes das maiores igrejas da Cristandade. No subsolo, o túmulo do São Pedro é guardado pelos túmulos de papas e reis – como os dos últimos Stuarts da Grã-Bretanha.


Se a Basílica de São Pedro convida a fé pela imponência e majestade, ao seu lado, a Igreja de N. S. Santana convida à fé pela paz e quietude. A pequena igrejinha redonda e longe da balburdia dos turistas serve como igreja paroquiana dos moradores do Vaticano. E por isso mesmo, por ser ignota das rotas turísticas que lá no coração da Santa Madre Igreja encontramos um lugar sereno de para sentir a toda verdade e bondade de Cristo, toda a grandeza e majestade de Deus.


Fora as igrejas e as ruínas, Roma ainda encanta pelas Fontes (como a de Trevi – imortalizada por Fellini, Marcelo Mastroiani e Anita Ekberg em “La Dolce Vita”), as praças (como a de Espanha, aos pés das escadarias que levam à Igreja da Trindade dos Montes e onde faleceu o poeta inglês John Keats), monumentos (como ao dedicado à Victor Emanuel II, fundador da Itália Moderna), os obeliscos egípcios, jardins e museus. Roma não é apenas uma capital européia ou uma cidade antiga. Roma é um lugar onde os olhos não se cansam de mirar as diversas belezas que o ser humano ergue aos longos do século e que os narizes não se cansam de respirar cultura


São tantas as maravilhas vistas que uma única crônica não basta para descrevê-la. Fica o convite para que os amigos leitores venham acompanhas meu périplo pela Cidade Eterna, que realizei na primeira quinzena de fevereiro deste ano.


Oceano Atlântico (Vôo 0083 da Air Europa), 12 de fevereiro de 2008

Um comentário:

barbie - uneb disse...

[b]OI...
PROVANDO QUE PASSEI AQUI!!
HAHÁ!
NUNCA MAIS TINHA PASSADO EM BLOG NENHUM!! MAS ESTOU ME REDIMINDO AGORA!!

=_='

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  • Valença: dos primódios a contemporaneidade (Edgard Oliveira)
  • A Sombra da Guerra (Augusto César Moutinho)
  • Coração na Boca (Rosângela Góes de Queiroz Figueiredo)
  • Pelo Amor... Pela Vida! (Mustafá Rosemberg de Souza)
  • Veredas do Amor (Ângelo Paraíso Martins)
  • Tinharé (Oscar Pinheiro)
  • Da Natureza e Limites do Poder Moderador (Conselheiro Zacarias de Gois e Vasconcelos)
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