Sua Majestade, O Bardo

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Valença, Bahia, Brazil
Escritor e Professor de Literaturas Anglófonas. Autor do livro "Estrelas no Lago" (Salvador: Cia Valença Editorial, 2004) e coautor de "4 Ases e 1 Coringa" (Valença: Prisma, 2014). Licenciado em Letras/Inglês pela UNEB-Campus Salvador. Falando de mim em outra forma: "Aspetti, signorina, le diro con due parole chi son, Chi son, e che faccio, come vivo, vuole? Chi son? chi son? son un poeta. Che cosa faccio? scrivo. e come vivo? vivo."

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Carta a Casa Branca



Carta à Casa Branca


23h52 Salvador, 12 de setembro de 2002


Tu me dizes que não fui solidário[1]
Quando tombaram os dois gêmeos
Nem por ter chorado pela fortaleza ferida.
Entretanto, onde estavas tu
Quando meus irmãos desapareceram
Nas trevas verde-oliva que cobriram A América Latina?
Onde estavas quando a Fome devastava Angola e Moçambique?
Tu foste solidário com os Vietnamitas do Norte
Que lutaram pela sua autodeterminação?


Tu choras teus mortos de 11 de setembro,
Sei que foi duro e trágico,
Mas quem dobrou o sino de finados
Pelos palestinos de Sabra e Chatila?
Pelos muçulmanos bósnios na Iugoslávia?
Pelos Hutus e Tutsis em Ruanda?
Pelos negros de Soweto e Somália?
Pelos torturados das ditaduras militares?
Quem chorou pelos timorenses na década de 90?
Pelos comunistas afeganes na década de 80?
Pelos guerrilheiros latino-americanos na década de 70?


Teus olhos baços de lágrimas acendem-se em volúpia de sangue
E prepara uma nova orgia de vinganças.
Nega tu o futuro para os NOSSOS infantes
E ainda ousas dizer que lutam pela democracia?
Ah, senhor presidente!
Ah, povo norte-americano!
Posso chorar pelos teus mortos
Mas, só depois de me solidarizar
Com os oprimidos pelo teu jugo.


[1] “O filme não se solidariza com a dor dos Estados Unidos” - Crítica de um espectador norte americano, após assistir o filme 11.09.01 (Onze Minutos, Nove Segundos e Uma Cena), exibida no programa Metrópolis (TV Cultura de São Paulo), em 12 de setembro de 2002

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