Sua Majestade, O Bardo

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Escritor e Professor de Literaturas Anglófonas. Autor do livro "Estrelas no Lago" (Salvador: Cia Valença Editorial, 2004) e coautor de "4 Ases e 1 Coringa" (Valença: Prisma, 2014). Licenciado em Letras/Inglês pela UNEB-Campus Salvador. Falando de mim em outra forma: "Aspetti, signorina, le diro con due parole chi son, Chi son, e che faccio, come vivo, vuole? Chi son? chi son? son un poeta. Che cosa faccio? scrivo. e come vivo? vivo."

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Sob o signo de Toth

SOB O SIGNO DE TOTH / Uso e tipos
de textos no ensino da língua inglesa

“Oh! Bendito o que semeia
Livros... livros à mão cheia...
E manda o povo pensar!
O livro caindo n'alma
É germe — que faz a palma,
É chuva — que faz o mar”
Castro Alves

O Papel do Texto. A presente comunicação surgiu como fruto do relatório apresentado na disciplina Estágio I, realizado sob a supervisão de Profa. Dra. Janaína Weissheimer, no final de 2006. A escolha inicialmente era para saber se eram usados textos escritos paradidáticos no ensino de língua inglesa. Contudo, achou-se de bom alvitre estender a pesquisa, observando antes se textos escritos (ênfase) ERAM USADOS na sala de aula para depois averiguar a tipologia dos textos usados. Contudo, por que pesquisar se os textos são usados?

Teoricamente, como o uso de um idioma envolve o uso das habilidades audiovisuais, aprender um idioma implicaria em aprender também a ouvir, a falar, a ler e a escrever. E da mesma forma que uma pessoa só aprende a falar bem se ela aprendeu a ouvir bem; ela também só escreverá bem se ela ler bem e muito. Como resultado desta tautologia, qualquer aulas de um idioma deveria fazer uso regular de livros didáticos e paradidáticos. Isso é, deveria ser a realidade na práxis do ensino de qualquer língua.

Para reforçar o uso dos textos no ensino de língua, há também a importância social que a escrita possui.. A escrita representou a primeira grande revolução tecnológica, a ponto de servir como marco zero da História e, durante muito tempo, o único suporte onde a fala pudesse viajar através do continuum espaço-tempo. Da mesma forma, a alfabetização ajudar a marcar as diferenças sociais. Exemplo está na exploração colonial na África e nas Américas, ideologicamente justificada porque estas populações autóctones, por serem ágrafas, não teriam “cultura” e assim, precisavam “tutelados” dos “civilizados” europeus… Se, como disse o filósofo inglês, Sir Francis Bacon, “Saber é poder”; saber ler e escrever torna-se contitio sine qua non par’ascensão social.

Contudo, se, por um lado há todos estes argumentos, o ensino da leitura e da escrita (ou seja, o uso de textos) é imperioso, especialmente no ensino de língua estrangeira, que aumentaria ampliar as fronteiras cognitivas do aluno; por outro lado não se pode negar que a recente revolução tecnológica que atingiu a comunicação, com o aparecimento da radiodifusão e da telemática, baseados numa audiovisualidade dinâmica e interativa, de certa forma quebra a hegemonia que a escrita tinha na sociedade. E seguindo estas tendências sociais, percebe-se que o ensino de línguas (principalmente a estrangeira) volta-se a agora para outras abordagens e metodologias menos livrescas e mais “comunicativas”, focadas (com certo exagero, diga-se de passagem) na oralidade.

Sendo assim, pegando o signo de Toth (o deus egípcio da escrita e do saber), a pesquisa, ao voltar sua análise para o uso dos textos num mundo multimídia, não só procurava, inicialmente, compreender o lócus desta ferramenta dentro da nova realidade como tentar apontar novas direções para seu uso dentro da sala de aula – mormente no ensino de língua inglesa. Para tanto, foi observado 10horas/aulas nas 07ª e 08ª série da rede estadual de ensino e 06 horas/aulas num curso particular de idiomas.

Big Crush da Galáxia de Gutenberg. Antes de entrar na discussão pedagógica propriamente dita do ensino de língua inglesa, é preciso entender que admirável mundo novo é esse que se apresenta na contemporaneidade.

Os modernos teóricos da comunicação, como Marshal McLuhan, Albino Rubim, Sérgio Bairon, André Lemos et caterva costumam chamar de Idade Mídia, ou seja, a era em que sociabilidade humana é perpassada principalmente pelas redes telemáticas e a comunicação de massa. É uma era caracterizada pelas multimídia, instantaneidade, televivência, interatividade, interfaces e audiovisualidade. Como diz Albino Rubim, no ensaio “Comunicação, Política e Sociabilidade Contemporâneas: subsídios para uma alternativa teórica”: A contemporaneidade apresenta como uma de suas marcas mais características a (oni) presença tentacular de comunicação midiática (…). Como um deus e sob as mais diversas formas, ela aparece na quase totalidade de lugares e tempos sociais. (…) Seu aparente imediatismo, sua instantaneidade e simultaneidade reinventam vivências, alteram percepções, sensibilidades e processos cognitivos. Isso pode observado, por exemplo, na convergência tecnologia que faz do telefone celular, hoje, também num aparelho de rádio e TV, tocador de MP3, câmara fotográfica, estação de acesso à internet etc. Ou nesta apresentação, com um computador apresentado simultaneamente imagens, texto e música. Mais multimídia, impossível!

Diante desta nova ordem mundial que Sérgio Mattos, no seu ensaio “Meios de Comunicação a serviço da Educação (pedagogia dos meios)” fala da importância de se incorpora as outras mídias além do livro na sala de aula, inclusive não só para integrar o aluno a este novo mundo como para facilitar a própria aprendizagem. Como ele mesmo diz: A utilização do rádio e da televisão em sala de aula tanto auxilia o professor no desempenho de sua função de ENSINAR, como ajuda o aluno no seu papel de APRENDER. Aliás, não é a toa que hoje surge o campo da Educomunicação, interface da Pedagogia e a Comunicação de Massa.

Dialética do Papiro e da Oralidade. Sendo, pode-se imaginar então a morte do texto como elemento didático? A Galáxia de Gutenberg, construída a partir da linearidade estática da escrita, entrou na fase de contração e caminharia para seu fim? A resposta é não. Pelo menos pr’alguns teóricos, como Christina Smart, Mark Augustine, Gail Ellis e Cheron Verster. Eles apresentam uma nova síntese, reabilitando o uso dos textos no ensino de uma língua.

Christina Smart escreveu dois ensaios, chamados “Uso de poemas para desenvolver habilidades receptivas” e “Uso de poemas para desenvolver habilidades produtivas”. Neles, ela defende o uso de poemas tanto para o desenvolvimento da leitura e da escrita, como da fala e da audição. Aliás, ela disse que “Poemas são, afinal, textos autênticos. Por isso são motivadores. São ricos em referencias culturais e criam muitas possibilidades de aprendizado”. Gail Ellis compartilhar mesma opinião, no ensaio “Estimulando os alunos a lerem”. Quando diz que “Motivação é um das chaves para o sucesso do aprendizado de um outro idioma” e que o uso de literatura autêntica como complemento ao material-base é uma das vias para motivar o adolescente.

Seguindo esta linha, Mark Augustine fala das vantagens do uso de poemas no ensino de língua estrangeira (no caso, através do haikai) e Cheron Verster propõem uma maior interação com textos, a partir de Atividades Dirigidas relacionadas com os mesmos.

Analisando as aulas. Essa é a teoria. Mas o que foi visto na prática o uso de textos, comparando as aulas regulares na rede pública de ensino e num curso particular de idiomas. As observações foram feitas entre o final de novembro e o início de dezembro de 2006. Em ambas as situações, os professores possuem o curso superior de Letras.

No curso de idiomas, as turmas eram menores, as salas de aulas em boas condições, com os alunos disposto em semicírculo, o ambiente estava bem equipado (computador conectado na internet nos corredores, salas com TV e DVD, etc). Também usava um método mais “moderno” (o áudio-lingual). Ora, mais no que foi observado, foi feito pouco uso do livro didático (menos de 15 minutos num total de 06 horas de observação). O resultado disso (que não pode deixar de ser notado) foram que as turmas estavam um pouco apáticas em relação à aula. Sem querer entrar no mérito da metodologia (o qual não estava no foco da pesquisa), considerando também que a observação não estudava motivação dos alunos (e assim não forma vistas outra variáveis) e apesar do talento e do esforço do professor em evitar a apatia do curso, a impressão passada foi que a repetição mecânica de frases prontas e a inexistência de um texto didático que ancorasse para aula deixavam os estudantes a deriva no mar multimidiático de informações. Também parece indicar a importância dos textos paradidáticos, com textos autênticos, na consolidação do ensino de uma língua estrangeira.

Já na escola pública, as turmas são maiores, salas de aulas em condição regular (como no caso de laboratório desativado que foi transformado sem ala de aula a toque de caixa), havia disposição irregular dos alunos, presença de poucos recursos didáticos, metodologia mais clássica (Gramática e Tradução). Os recursos didáticos praticamente se limitavam ao aparelho portátil de som, giz e quadro-negro. Praticamente todos os alunos não possuíam o livro didático indicado pela escola. Contudo, apesar das adversidades, estes alunos não só usaram mais textos (paradidáticos) e como mostraram mais criatividade.

A empolgação e conseqüente sucesso dos alunos da rede pública em atingir os objectivos propostos corroboraram a afirmação de Christina Smart de que o poema é um grande motivador, por serem, antes de qualquer coisa, textos autênticos. Também foi a oportunidade de que os alunos, ao utilizar a letra de música (que, sob certo aspecto, tem parentesco com o poema), pudessem exercitar tantos as habilidades receptivas e produtivas, retomando as idéias de Chiritna Smart nos ensaios “Using poems to develop productive skills” e “Using poems to develop receptive skills”. Ou seja, puderam ler o poema, recitá-lo, coreografá-lo e dramatizá-lo, interagir com o texto, estudar e exercitar a gramática.

Igualmente despertou nos alunos a criatividade de apresentar os trabalhos. Uma equipe dramatizou a música “More than Words” em mímica e depois explicou o conteúdo na letra, parafraseando texto. Outra equipe fez um jogral para apresentar a tradução da música “One last cry”. Uma terceira equipe cantou um trecho da música “Three little birds” de Bob Marley. Além da gramática, foi trabalhada a questão de tradução, sendo apresentado não só exercício de passar o idioma estrangeiro para o idioma nativo como também o inverso, fazer uma “back-translation” e comparar a tradução feita pelos alunos com o texto original.

Uma coisa que precisa ser observado é que, como a escolha das músicas ficou a cargo dos estudantes, isso comprovou a sugestão de Gail Ellis, quando sugere na primeira parte do artigo “Motivanting pupils to read”, quando ele diz que se deve envolver o educando na seleção dos textos, se possível. Isso deu a eles um “sense of ownership and resposanbility”, dando mais empenho para a realização do trabalho. Isso possibilitou que os textos ficassem mais próximos à realidade cultural do estudante, fazendo que a aprendizagem tornasse mais significativa.

Conclusões e inquietações. Apesar de ser reconhecida a importância do texto escrito e do exercício das habilidades da escrita e leitura durante o aprendizado, isso não quer dizer o texto escrito esteja presente sempre no ambiente educacional, tão pouco ocorre o exercício satisfatório das habilidades supracitadas. Como surpresa agradável, no que pese os problemas, foi no sistema público de ensino que se usou mais e de forma criativa os textos.


Como observação marginal, também foi na escola pública que se notou mais sensibilidade à arte. Não só a convergência do teatro e da dança, como a percepção da inter-relação da mesma com a literatura. Foi no meio de umas aulas que o estagiário em questão ouviu um comentário marginal na conversa entre alunas, na qual uma lembrou a outra que poema também é texto e que se poderia ser utilizado um na execução do trabalho final.

Isso demonstra que o engano de outro senso comum de que a literatura e o ensino prático de um idioma devem ser tratados como compartimentos estanques ou que os resultados podem ser muito aquém do esperado. Mark Augustine, no seu texto, demonstrou o sucesso de se utilizar poemas (no caso, o “Haikai-hokku”, forma típica e epigramática da poesia tradicional japonesa) no ensino de Inglês. Christina Smart apontou quanto os poemas podem ser úteis nos desenvolvimento das quatro habilidades lingüísticas – e isso foi corroborado pela observação. A arte é algo inerente à condição humana e, por mais que os espíritos pragmáticos possam negar, ela é importante no processo de formação do homem – como pode ser observado na aquisição do idioma.

Mas porque ainda se tem resistência em usar a literatura no ensino de uma língua estrangeira? Porque ela se apresenta ainda como uma Medusa que petrifica, apavora e imobiliza alguns professores? Algumas pistas poderiam ser levantadas: O nível e a variedade de leitura dos profissionais de ensino da língua, a formação literária do mesmo (o quanto ela é diminuída ou relegada em segundo plano em detrimento a uma maior formação lingüística e baseadas em métodos “científicos e certeiros” de ensino), a pouca abertura dos educadores em experimentar outros caminhos para manter a segurança de alguns métodos. Essas questões podem ser o ponto de partida para uma pesquisa futura na área de Literatura e Ensino de Idiomas.

Outro dado que se observa é a adaptação da Educação com a nova realidade gerada pelo avanço das tecnologias midiáticas. Não se podem negar que as mídias fundadas na audiovisualidade implicaram numa outra visão de mundo, similar ao impacto que a invenção da imprensa por Gutenberg gerou na sociedade feudal, baseada na oralidade. O mundo ver o nascimento de uma outra forma de sociabilidade, uma outra percepção de mundo, um novo paradigma, uma nova racionalidade, que alguns pensadores chamam de rizomática e multipolar. Cedo ou tarde a educação absorverá estas mudanças. Mas como será esse processo? Essa é outra linha de pesquisa, que poderia ser analisada no futuro.

Finalmente, este relatório deixou a semente de esperança de que literatura não é só apenas o deleite estético de alguns poucos iniciados. Ela tem um lugar importante no ensino de qualquer idioma e que a contemporaneidade ainda não está sabendo explorar. Os poetas concretistas (liderados por Décio Pignatari e os Irmãos Campos), nos anos 60, vislumbraram que a poesia deixaria de ser linear para que ela pudesse se adaptar ao nascente mundo cibernético da telas de TV. Eles puderam ver a revolução da informática e reinventaram seus poemas para caberem no “Power-point” e no HTML dinâmico. Por que não o aprendizado de um idioma não pode reivindicar esta nova literatura como seu instrumento de trabalho e assim se reinventar, tornando ainda mais agradável? Fica assim esta derradeira provocação.

Para finalizar, há essa citação de Castro Alves, que foram usados como epígrafe. Fica o convite para se semear livros na alma de um aluno. Livros que, como já dizia Monteiro Lobato, fazem partem na construção de um país.

Salvador, 24 de julho de 2008 (00h05/12h25)

BIBLIOGRAFIA
BULFINCH, Thomas. Mitologia geral – a idade da fábula. Trad. Raul L.R. Moreira e Magda Veloso. Belo Horizonte: Itatiaia, 1962. (Coleção descoberta do mundo. Vol. 21)
MCLUHAN, Marshall. Os meios de comunicação como extensões do homem. 10 ed. Trad. Décio Pignatari. São Paulo: Cultrix, 1995.
BAIRON, Sérgio. Multimídia. São Paulo: Global, 1995 (Coleção contato imediato)
RUBIM, Antonio Albino Canelas. Comunicação, política e sociabilidade contemporâneas: subsídios para uma alternativa teórica. In: RUBIM, Antonio Albino Canelas (Org.). Idade Mídia: Salvador: Edufba. 1995.
MATTOS, Sérgio. Meios de Comunicação a Serviço da Educação (Pedagogia dos Meios). In: RUBIM, Antonio Albino Canelas (Org.). Idade Mídia: Salvador: Edufba. 1995.
VERSTER, Cheron. Interacting with texts – Directed activities related to texts (DART’s). Disponível na página http://www.teachingenglish.org.uk/think/read/darts.shtml, acessada no dia 06 de janeiro de 2007, às 20h17
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SMART, Christina. Using poems to develop receptive skills. Disponível na página http://www.teachingenglish.org.uk/think/literature/poems_recep.shtml, acessada no dia 06 de janeiro de 2007, às 21h00
SMART, Christina. Using poems to develop productive skills. Disponível na página http://www.teachingenglish.org.uk/think/literature/poems_prod.shtml, acessada no dia 06 de janeiro de 2007, às 21h00
AUGUSTINE, Mark. Complete poetry resuscitation. Disponível na página http://www.teachingenglish.org.uk/think/literature/haiku.shtml, acessada no dia 06 de janeiro de 2007, às 21h21
VIDAL, Ricardo. Tempos de Mudança. Texto disponível na pagina http://bardocelta.blogspot.com/2006/08/tempos-de-reforma.html. Acessado em 26 de agosto de 2006 às 19h45.

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