Para os meus possíveis leitores, gostaria (se não for incômodo) que participem desta campanha. Basta entrar e assinar o manifesto. Grato.
Ricardo Vidal - escritor & fotógrafo
Sua Majestade, O Bardo
- José Ricardo da Hora Vidal
- Valença, Bahia, Brazil
- Escritor, autor do livro "Estrelas no Lago" (Salvador: Cia Valença Editorial, 2004) e coautor de "4 Ases e 1 Coringa" (Valença: Prisma, 2014). Graduado em Letras/Inglês pela UNEB Falando de mim em outra forma: "Aspetti, signorina, le diro con due parole chi son, Chi son, e che faccio, come vivo, vuole? Chi son? chi son? son un poeta. Che cosa faccio? scrivo. e come vivo? vivo."
sábado, 30 de junho de 2007
Manifesto "Amazonia para Sempre"
terça-feira, 5 de junho de 2007
As Harpas
As Harpas
(Dedicado à harpista Ana Míccolis, após assistir a seu recital)
Salvador, 15 de abril de 2007 - 23h40 AM
Como um borbulhar doce
De riacho brincando na primavera,
As harpas destilam as notas claras no palácio.
São límpidas as notas de dó, si, ré,
E o sol sustenido fulgura apolíneo
Nos dedos ágeis de Ana Míccolis,
Que colhem delicadamente nos fios da harpa
A alegria suave das canções e temas.
E assim conduzem a alma
D’audiência pelas nuvens atemporais do Elíseo.
Cada nota é um sonho
E cada melodia fatalmente descreve
No espaço, evoluções coloridas de desejos,
Como elfos enamorados
Passeando num crepúsculo âmbar.
Ah! Que doçuras azuladas é o sol das harpas
Quando imperam na sala do palácio, aclamadas
Borboletas de ternuras que pousam nos nossos ouvidos
Como expressão única da Arte e da beleza…
domingo, 3 de junho de 2007
Balada do Trovador Apaixonado
Balada do Trovador Apaixonado
Salvador, 04 de maio de 2007
Porque tu és bela como a aurora dos deuses
E doce como o coração materno meu coração
A ti ofertei devotamente. E como campeão
Medieval pus minha vida, engenho e paixão
A teu serviço, minha rainha e senhora.
E por te amar assim de forma tão profunda,
De uma forma assim sagrada e incomum,
Que faço de meus dias um penar constante.
Vivo feliz quando nos seus olhos esmeraldas
Um arco-íris de felicidade explode soberbamente.
E triste e ferido sigo se sua sombra uma lágrima
Derramar ternamente num segundo de melancolia.
Amo-te sincera e profundamente, minha rainha
Mesmo que meus atos oblíquos digam o contrário.
Amo-te desesperadamente e fico a esperar por tuas
Ordens como teu vassalo e teu amante.
E se minhas faces inflamam se, por ventura,
Outro campeão aparecer, como poderia
Eu abdicar minha rainha e namorada,
De forma simples, sem lutar até o fim?
Amo-te e por te derrubo mil mundos,
Cruzo todos os abismos, até desço os infernos
Se preciso for para te buscar, minha Amada,
Minha abelha-rainha, minha querida Fabíola.
Por ti jejuo dois mil dias, por ti canto
E só por ti minhas baladas e cantigas existem.
Tu és, Fabíola amada,
O sol de minha vida errante,
O gládio de minha honra,
O desejo que me inflama,
Os encantos de meu alaúde.
E só a ti que quero por esposa e amante,
Deusa e mãe, abelha e rainha…
Oferenda
Oferenda
Salvador, 24 de maio de 2002 (12h34 AM)
Em holocausto ofereço meu corpo
No altar do nosso imortal amor,
Para pedir a remissão de meus pecados.
Por todas as palavras inúteis,
Por todos os atos absurdos,
Por todos gestos incompreendidos,
Por todos os pensamentos amargos,
Por todas as lagrimas desperdiçadas,
Por todos os sorrisos abortados,
Por todos os beijos assassinados,
Por todos os olhares acres,
Pela nossa completa insensatez
Que nos privou das tardes a beira mar
E todos os afagos perdidos e agora necessitamos,
Peço o teu perdão.
Em holocausto me ofereço
Nas esperança de riso teu,
Conseguir a redenção deste exílio
Em que fui posto, longe de teus lábios,
Longe teus carinhos e de teu olhar.
A distância entre eu e o teu coração
é o inferno pútrido de desolação e terror.
Nenhum paul insalubre é mais amargo
Do que a sombra de nosso amor,
Vagando nas noites de verão
E na escuridão das nossas lembranças
Deste dias passados juntos.
Estas horas assombram-me
Como demônios azuis do passado.
O suave veneno doce destas recordações
Amargam-me meus olhos, como
Lêmures espectrais despertando nas tumbas.
Não há estrela no céu e no mar
Que não haja dirigido minhas súplicas.
Por ti, percorreria a via de Canossa,
Só para ter o teu perdão, e nada mais…
Cantiga para Condessa Distante II
Cantiga para Condessa Distante II
Salvador, 02 de dezembro de 2002
Os lábios teus que beijei
Ainda tenho os tenho guardado em meus versos.
O amor erótico daquela noite,
Eu os incrustei de jóias, ouro e marfim
E fiz um relicário de aurora.
Guardo-os aqui, em minh’alma,
Mesmo que as estrelas que o geraram
Já não mais existem e as fontes
Cristalinas que bebi, já secaram.
Hoje, mesmo que teus olhos
Dancem como girassóis no passado
E não mais me querem ver,
Nosso amor, ainda o guardo
Sem esperança e sem cura.
Guardo-o aqui, em meus versos,
Em minhas lágrimas de solitário,
Em meus suspiros melancólicos,
Em a esperança de ser feliz,
Sem a cura deste amor…
segunda-feira, 14 de maio de 2007
Experiências
Experiências
Salvador, 14 de maio de 2007.
Bem, querem que eu faça uma redação sobre minhas experiências nesta entrevista de emprego. Como não definiram limite de linhas, espero nem cansar nem parecer muito ambicioso com o texto.
No plano de vida profissional, minhas experiências profissionais são poucas: Trabalhei dois anos no IBGE. Mais tarde fiz estágio em assessoria de imprensa sindical como repórter, produtor, fotografo, diagramador, redator e revisor. Nas horas vagas eu fazia alguns bicos como fiscal de prova, fotógrafo, e diretor de arte, de domingo a domingo, onde fui o diretor de arte e braço-direito. Para finalizar, fiz curso de manutenção de computador (que nunca usei), fiz curso de comunicação instrumental pelo CEFET (antes mesmo de entrar na faculdade), participei de encontros na área de jornalismo e de Letras. E tenho conhecimento de línguas estrangeiras e sou autodidata em computador, especialmente a arte gráfica.
Mais as minhas maiores e melhores experiências – e que deveram ser úteis neste meu novo emprego – foram as que tive como ser humano. Já brinquei e brincando, eu criei meus reinos e castelos. Tive amigos – poucos, mas bons. Não subi em árvores, mas subi no guarda-roupa quando tinha seis anos pra comer sozinho uma caixa de bombom. Também aprendi a amar os estudos e os livros, pois não dói, descansa, diverte e é o maior tesouro que eu tenho na vida. E sempre eu tenho mais vontade em aprender, sem se cansar – e ensinar aos outros sempre eu puder, sem me fatigar.
Aprendi que incomoda muito quando os outros menosprezam nosso valor. Contudo, com um pouco de tempo e perseverança, os mesmos que nos menosprezaram serão os primeiros a reconhecer e divulgar as nossas qualidades. Aprendi também que não devo me deixar levar simplesmente pelo meio. Quando criança achava que nunca falaria com uma celebridade – quem diria que eu conversaria e faria parte da própria história, conversando de igual pra igual com ministros, deputados, intelectuais, escritores famosos e até com a filha de Che Guevara? Que ganharia prêmios de poesia e teria meus versos guardados em bibliotecas da Europa? Que eu escreveria livros e seria eu mesma uma celebridade para outras pessoas? No ginásio, eu dizia para todos que eu queria arqueólogo (como Indiana Jones) quando todos queriam ser médicos ou advogados. Todos riram de mim. E aprendi que da mesma forma que é duro nadar contra o rebanho, também é mais gratificante quando você faz as coisas certas com identidade e acaba triunfando. Com isso aprendi que devo acreditar nos sonhos, pois eles podem se tornar realidade. Aprendi também que eu não devo fazer uma faculdade pensando primeiro em dar uma satisfação pra sociedade – é um primeiro sinal de que sua vida terminará num fracasso. Aprendi que nestas horas o melhor é refletir muito e deixar um pouco o coração decidir. Depois que eu mudei para curso de Letras tudo melhorou pra mim e sei que serei um grande profissional na minha área. Porque a coisa que eu faço eu o faço com amor e colocado tudo de melhor de mim para que tudo ocorra certo.
Também essa história com meus colegas ensinou-me que devemos ter cuidado com os outros dizem. O importante é vermos o que ocorre em nossa volta, mas é importante olharmos pra nós mesmos. Aprendi que as coisas não são uniformes e as melhores oportunidades são nichos de mercados que ninguém percebe porque não estão no “mainstream”. E se nesses nichos couber minha personalidade, é aí que eu encontrarei o sucesso. Um sucesso não se restringirá a mim, mas a todos que estão em minha volta. Aprendi que não é o egoísmo a mola mestra do progresso, mas a responsabilidade social e felicidade pessoal.
Aprendi que a melhor maneira de estragar todo um trabalho em equipe é querer agir sozinho e no depois culpar os outros pelo fracasso. Trabalhar bem equipe é ter generosidade em auxiliar o próximo e ter humildade em pedir ajuda – deste modo, tudo dará certo no final. Aprendi o quanto vale ser um bom profissional. Mas isso não quer dizer eu deva abdicar de minha vida pessoal. Bons profissionais sabem que a vida está muita além de escritório e que existem ambições maiores do que o lucro e o cargo: ver um crepúsculo com alguém querido ou dormir tranqüilamente, sem preocupações, por exemplo. Lembrou do Conto de Natal, de Charles Dickens? Então saberá do que eu estou dizendo
Aprendi que não basta apenas a obedecer cegamente. Nem apenas a rebelar sem causa. Aprendi (as duras penas) que o importante é ter bom senso. Às vezes tudo não passa de uma questão de ponto de vista de como se resolver uma coisa e que maioria quer, no fundo, o melhor para todos. Aprendi que é difícil aceitar o diferente, mas que não é impossível. E é despindo-se dos pré-conceitos que veremos as diferenças são poucas e há possibilidade de vivermos em harmonia é maior. Aprendi que devo ceder sem perder a dignidade e que devo lutar sem ser vingativo.
Aprendi que eu não sou tão perfeito que possa me passar incólume do “Poema em Linha Recta” de Fernando Pessoa e não venha a cometer um erro homérico que desmanche num segundo todo um castelo que eu demorei a construir numa vida. E é nesta hora que eu devo ser em mente a lição do “Eclesiastes” do poema “Se…” de Rudyard Kipling. Parecem difíceis e são difíceis de por em prática quando temos um coração ferido. Mas só tenho esta vida e eu ainda quero aprender muito mais, ter mais experiência e nestes textos temos algumas dicas.
Não sei se aprendi a amar, mas isso é algo que estamos sempre aprendendo. Só sei que amei, chorei, sorri, sofri, dei a volta por cima, sofri de novo, fiz sofrer, voltei a amar, usei de todos os truques (surpreender com chuvas de rosas, deixar um poema dedicado para ela e escondido na sua bolsa, entregar um anel dentro de uma fruta) para conquistar uma mulher e continuo seguindo em frente na esperança de fazer a coisa certa.
Bem, este é um sumário muito simples e resumido de minhas experiências. Não tive muitas e me pergunto que possa, no fundo, ter vivido a mais bela vida (com exceção dos santos). Num mundo competitivo do mercado de trabalho, o grande diferencial que eu possa dar, com estas minhas experiências é a minha humanidade, a vontade de ajudar e realizar um bom trabalho..
quinta-feira, 3 de maio de 2007
Balada do Poeta Morto
Balada do Poeta Morto
Salvador, 08 de junho de 2003 (23h14/23h53)
Que cantar assim eu mais
Não sei, não posso, não devo.
Cantar como canta os deuses (vencidos)
Na nau azul da misericórdia;
Cantar com o coração desnudo
E romântico, puro como Sir Galahad
Em frente ao Sancto Graal de Cristo Nosso Senhor.
O mundo já não é mais dos poetas.
É da velocidade catatônica dos escritórios,
Do velho Futurismo reacionário de Marinetti,
É dos Gigabytes e dos Terawatts da mediocridade,
É da cifra de milhões de dólares e euros para guerras,
É do ouro luzindo falso no horizonte…
As amadas condessas da Lua já não amam
Os poetas jovens e apaixonados.
Amam os frios engenheiros e seus cálculos,
Seus castelos de pedra, cimento e números;
Os engenheiros que as traem com amantes
Enquanto as condessas mofam sozinhas no lar.
As Dulcinéias abandonaram o Burgo de Toboso
Para estudarem ciências jurídicas
E ganharem fama nos casos de divórcios
Entre a Musa e os Casanovas de subúrbios.
Meu olhar vergasta a planície cinza de Tebas:
Em que sonho eu te perdi,
Nobre ilha de Avalon?
Em que brumas eu me perdi de minha feliz pátria,
Pátria infeliz da poesia última de Ossian?
Em que escritório eu perdi
O navio para a ilha Barataria,
Último exílio de Don Quixote e Sancho Pança,
Fausto e Mefistófeles, Don Juan e Child Harold,
Ahasverus, Frankenstein, Gilgamesh e Werther?
Só sobrou a última quimera alada
A consolar-me nas profundas da noite sem luar
Com paraísos artificiais e mortais;
Eu – peregrino numa noite sem lua;
Eu – acaso da poesia, perdido nos trópicos;
Eu – filho deposto da cidadela de Tartessos desaparecida…
Em um turbilhão, ficarei odara,
Ficarei em êxtase.
Ah, se eu pudesse cantar,
Como cantei em meus dias felizes!
Quando nas margens de um riacho n’Arcádia,
As hamadríadas e a s fadas surgiam
Sensuais das moitas verdejantes,
Para coroar-me aedo junto ao Deus Pã…
Cantar como cantei, numa noite de tempestades e mistérios,
Os versos negros e ébrios
Da juventude romântica e condoreira…
Quando, do alto dos contra-fortes do Aconcágua,
Sonhei ser Napoleão sem Waterloo,
Sonhei ser Alexandre transpondo o Rio Ganges,
Sonhei ser o príncipe perfeito e sem mácula
– possuidor dos mistérios dos dragões
e dos tesouros das Minas de Ofir –
Que iria conquistar o castelo sanguíneo
Do amor de minha condessa amada.
Ah! Mas o mundo – O Mundo!
Velho invejoso a resmungar baixinho,
Não pertence aos jovens poetas!
Pertencem aos Economistas Alquimistas,
Na sua eterna ilusão de gerar ouro pelo chumbo;
E quanto mais procuram número perfeito,
Mais o ouro canta falso nas nuvens.
Pertencem aos homens robôs dos escritórios
Que servem de energia para a Matrix escondida
Que rege a reino da real ilusão.
O mundo pertence ao arauto das desgraças,
Aos magos que na caixa de cristal elétrico
Noticiam o crime nosso de cada dia
E com seus olhos infernais julgam
E condenam com azedume a imagem
Dos Cérberos selvagens forjados
Nos estaleiros deste mundo sem futuro.
E assim, cada manhã nasce mais plúmbea nas cidades sem horizontes,
E o mundo vai caminhando para sua extinção gradual,
Em passos lentos e seguros para o caos.
Não, o mundo não é mais dos poetas.
O coração das musas não é mais dos poetas
A felicidade não é mais do poeta.
O luar doirado e sangüíneo não é mais dos poetas.
E por isso, eu – que sou poeta –
Não mais vivo.
Não mais devo cantar
Não mais chorar posso…
Cidade de Valença - Poetrix
Feliz e amada cidade,
Sonhos de minha infância
E de minha felicidade.
domingo, 29 de abril de 2007
The Sea and the Lighthouse
The Sea and the Lighthouse
(Dedicated to Misses Janaína Weissheimer)
Salvador; February, 23th 2006 (02h54 AM)
The waves embrace luxuriously the crag
While the lighthouse look out the distance.
Giant of rocks and electricity, Immortal guard
Of storms, darkness, winds and tides,
The lighthouse shines.
Mermaids and tritons light the dream in waves
And stars on the horizon talk with the lighthouse.
The fishes, phlegmatic, drift in the sea ways.
The dew and the sea were the same tear,
The waves are sleeping.
The sea — the Nature created it liquid. And liquid,
Mother and cradle it was of all living creatures
The lighthouse was built solid by engineers
To protection of all ships, tides and fishes.
But they love themselves.
The lighthouse kisses the sea with its light
And the sea caresses the lighthouse with the waves.
The lighthouse was the security of the of the sea,
The sea was the life’s reason of the lighthouse,
Because they became just one.
* * * * * * * * *
So it is the life and the love in the Nature,
When a soul found another different soul.
Thesis and antithesis, both build together,
Dialectally a new and harmonious existence,
In perfect synthesis.
quinta-feira, 26 de abril de 2007
Reflexões sobre as Estrelas - um texto de 1994
Reflexões sobre as Estrelas
23 de agosto de 1994 (22:00h)
Contemplo admirado a uma estrela no firmamento. Engraçada ela piscando, suavemente, como se sua vida fosse só este bailado.
E nesta contemplação dos mistérios da natureza, nesta constelação de milagres e fantasias, o que eu vejo?
Um olho distante chorando, Um coração pulsando de amor, Um grito de protesto e luta, Flores argênteas no céu, Pingo de tinta esquecido por Deus, A luz de uma inspiração, O Riso celeste de algum anjo, O nome de minha amada…
E, enquanto uma torrente de metáforas vertiam caudalosas como o rio Amazonas, surgia, quase que no relâmpago fugidio, fulge — talvez — a mais singular da idéias: O que eu na verdade via era… um estrela com um planeta orbitando em volta, habitados por seres vivos dotados de algo com um que de inteligente e que, neste exato momento, alguém sonhador que também estivesse filosofando e, quiçá com pensamentos similares, observando, dentre as miríades de astros, estaria contemplando um ponto distante que nós humanos chamamos SOL.
Juventude Perdida - Crônica
Juventude Perdida
Salvador, 29 de agosto de 2003
O dia acorda cinza e melancólica, enquanto o mar verde–prateado saúda as últimas estrelas boêmias que teimam em ficar no céu. Na vitrola, o disco toca alucinadamente The Mamas & The Papas: California Dreamin’, Monday Monday, Creeque Alley. Eu estou sentado em minha mesa, em frente à janela. Na mesa estão as fotos da turma, quando éramos jovens.
Sei que quando jovens, nós sonhamos mudar o mundo. Sonhamos uma vida repleta de amor. Sonhamos o sucesso. Sonhamos sermos nós mesmos. Éramos os senhores do tempo e das tempestades. Cabelos revoltos, músicas no ar, calças jeans e computadores eram nossas armas. A estrela vermelha e a paixão eram nossos emblemas. A noite e a farra eram o nosso ambiente
Mas a fantasia não poderia ser para sempre. A cada ano que passava, novas demandas mudavam nossos planos. Os cabelos já não ficavam revoltos e não vestíamos mais calças jeans. Os músicos precisavam concluir o curso de arquitetura e os poetas estavam trabalhando como escriturários nos bancos. O dinheiro que financiava nossas noitadas fora desviados para as contas do fogão e da geladeira. A turma, nós não mais nos reunimos, pois tem que bater o ponto com as esposas, após sermos libertadas dos grilhões do escritório.
E todos os dias, então, as manhãs passam a nascer cinza e melancólica e a turma, a turma é só mais uma fotografia na mesa.
A vida é assim: A juventude sonhar em dominar o tempo. E o Tempo vence e soterra a juventude.
Tsunami - Poetrix
Tsunami
Teus olhos de ressaca e de menina
Arrebataram meu ser poético
E afogaram-me no teu orgasmo de felina.
De Repente - Poetrix
Numa noite limpa e estrelada,
A Lua acordou maravilhada
Para ouvir nas matas o Silêncio.
Cenas Urbanas - Poetrix
Cenas Urbanas
Salvador, 02 de setembro de 2005.
Cena Urbana I
Um barulho suspeito lá fora.
Medo. Seria um assaltante?
Um bêbado passa na rua, delirante.…
Cena Urbana II
Nos semáforos, crianças
Brincam seriamente com malabares,
Malabaristas precoces da miséria.
Cena Urbana III
Na metrópole ensandecida,
As pessoas correm, como suicidas,
Para ganhar (perder) a vida.
terça-feira, 10 de abril de 2007
Sete Doces Tentações Vidalianas
Sete Doces Tentações Vidalianas
Salvador, 10 de abril de 2007 (03h13)
Ontem à noite, eu entrei em epifania: Se não houve bastado a conversa com Profa. Sônia sobre a peça “Sonhos de Uma Noite de Verão” e as relações com as fogueiras de Beltane, Mitologia e Goethe, fui comer o ovo de páscoa caseiro que meu irmão caçula fizera (inclusive com capa em papel verde, minha cor predileta). Para entrar bem no clima, aproveitei pra assistir o filme “Chocolate”. Existe coisa melhor do que comer chocolate enquanto Juliette Binoche e Lena Olin fazem iguarias? Ver a atuação de Johnny Depp no cinema? E qual tal chocolate caseiro recheado com torrone?
Nisso eu deixei minha mente divagando: que outras tentações doces poderiam existir na vida? Então me lembrei dos grandes vinhos (como os Riesling alsacianos, os vinhos libaneses do Vale do Bekaa ou os Tokaji húngaros), nos perfumes, nos poemas que eu li e me encantei, nas melodias eternas dos mestres cantores. Foi como se o templo baudelllairiano de correspondências houve aberto suas portas e um turbilhão proustiano fosse detonado com os pedaços de chocolate que iam se derretendo na minha boca.
Bem, alguém poderia imaginar que isso deveria inspirar um poema, uma canção ou uma crônica. Mas me limitei a fazer uma lista de minhas tentações. Lista particular e como sempre, nunca definitiva e sujeita a controvérsias. Mas fica como uma lembrança deste ovo de páscoa. E quem quiser, faça sua lista pessoal de tentações… A minha é esta que segue:
01) Beber uma garrafa de vinho Oporto vintage numa tarde de outono, enquanto ler uma página de Nietzsche, Baudellaire, Rimbaud, Castro Alves, Maiakóvsky, Manuel Bandeira, Vinícus de Moraes, Fernando Pessoa(s) e Goethe.
02) Comer chocolate caseiro enquanto assiste o filme “Chocolate” – especialmente as cenas de Lena Olin e Juliette Binoche na cozinha, preparando iguarias com cacau.
03) Ver Sharon Stone cruzando as pernas em “Instinto Selvagem”, O strip-tease e as cenas picantes de Kim Basinger em “09 ½ Semanas de Amor”, A sessão de fotos de Sabina (Lena Olin) em “A Insustentável Leveza do Ser” e as aulas de literatura em “Sociedade dos Poetas Mortos”.
04) Comer a pizza Toscana, tamanho família, da Pizzaria Casa Verde em Valença. É um poema em massa esta pizza! Ou então, Casquinha de Siri Gratinada no kiosk 'Águas de Março' na Orla do Rio Una, bebendo "estalazóio"...
05) Ouvir Heitor Villa-Lobos (especialmente os choros e as bachianas), Johan Sebastian Bach, Piotr Tchaikovsky (escolhrias as suítes dos balés), a ópera “La Bohemè” de Puccini, Thelonius Monk, Edith Piaf, Madredeus e/ou Bossa Nova numa tarde de outono, bebendo vinho e lendo poemas.
06) Passear de calça jeans, casaco moleton e boina de veludo na orla marítima, numa tarde de outono nublada, fria e de ventos fortes, observando a ressaca do mar.
07) Fazer amor luxuriosamente sob o luar e depois dormir agarradinho num quarto perfumado de incenso de jasmim e com a chuva caindo lá fora. O fulgor dos relâmpagos é opcional.
(Acrescento mais esta oitava tentação: participar dos ritos pagãos da fogueira de Beltane – seria uma forma de resumir as sete tentações anteriores).
Coluna Lemos & Relemos - Ricardo Vidal
Coluna Lemos & Relemos - Jornal Valença Agora nº100
RICARDO VIDAL
A Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos, organizada pela editora carioca Câmara Brasileira de Jovens escritores conta agora com a participação do confrade valenciano RICARDO VIDAL, que incluiu o seu premiado poema “O Beijo”. A antologia faz parte de uma série de livros que tem objetivo em divulgar novos talentos do Brasil. Residindo em Salvador, RICARDO VIDAL estuda atualmente Letras-Inglês na Uneb. Com a publicação do seu rebento, intitulado “Estrelas no Lago” e com diversos prêmios na literatura, RICARDO VIDAL faz sua estréia nacional em grande estilo e faltando pouco para ingressar no mercado internacional. Talento é o que não falta ao poeta valenciano.
Fonte: http://www.ounet.com.br/noticias/mais/jornais/va/100/pg22.html
quinta-feira, 5 de abril de 2007
Poetisa
Poetisa
Salvador, 05 de abril de 2007 - 02h51 AM
No meio da conferência
Sobre autoria feminina,
O fã – muito admirado –
Corou-a com o brado:
“Minha Poeta Menina!”.
A homenageada – corada –
Dissimulou com um sorriso
A dúvida atroz que então surgia:
“Desconheço eu o que seja anatomia
Ou ‘poetisa’ é palavra em extinção?”.
segunda-feira, 26 de março de 2007
Cravos Demoráticos
Cravos Democráticos
(Dedicado à atriz e cineasta lusitana Maria de Medeiros, pelo seu pungente filme “Capitães de Abril”)
Salvador, 17 de março de 2007 - 01h00 AM
Uma democracia com cravos construíste,
Com cravos vermelhos, vermelhos
Sem sangue em excesso derramar.
Uma democracia com cravos ergueste
E que esparramou no ultramar.
Uma democracia com cravos cuidaste
Para que no futuro pudessem dizer:
“Portugal não se resumiu a Salazar”.
Também na minha terra tenho
Uma história triste para contar.
Um rei nunca coroado e brutal
Quis a primavera, dentre os dedos, sufocar
E muitas esperanças e muitos sonhos
Foram forçados pelos coturnos a se calar.
Democracia de cravos vermelhos,
Saúdo a vós, irmãos na história e no falar.
Em ambos os lados do Atlântico
Podem Brasil e Portugal comemorar:
Que os cravos deram longos e belos
Frutos no torrão a beira-mar…
quarta-feira, 14 de março de 2007
ESCRITOR VALENCIANO PARTICIPA EM ANTOLOGIA DE NOVOS TALENTOS
ESCRITOR VALENCIANO PARTICIPA
EM ANTOLOGIA DE NOVOS TALENTOS
(notícia do jornal Página Um News e Jornal Valença Agora)
O poema “O Beijo”, do escritor valenciano Ricardo Vidal, foi escolhido para participar do volume 34 da Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos, organizada pela editora carioca Câmara Brasileira de Jovens Escritores (CBJE). A antologia faz parte de uma série de livros que visa divulgar os novos talentos literários do país.
Esta é a terceira vez que Ricardo Vidal participa desta Antologia. Em 2004, ele publicou os poemas “O Farol e o Mar” e “Cântico dos Lírios” nos volumes 08 e 10, respectivamente. “Cântico dos Lírios” foi escolhido como um dos 100 melhores poemas publicados em 2004 pela CBJE. Ricardo Vidal também publicou o conto “Retrato de Família” no primeiro volume da Antologia de Contos de Autores Contemporâneos, da mesma editora.
AUTOR EM ASCENSÃO. José Ricardo da Hora Vidal nasceu na cidade de Valença em 1978, filho de Antônio José Conceição Vidal e Vilma da Hora Vidal. Estudou o ginásio no Colégio Social de Valença (1989-1992) e o curso Científico no Educandário Paulo Freire (1993-1995). Participou do movimento estudantil, sendo um dos fundadores da UMES-VA em 1994, onde foi Diretor de Imprensa. Desde 1996 reside em Salvador, onde foi estudar jornalismo na UFBA. Atualmente estuda Letras–Inglês na UNEB. Em 2004 publicou o seu primeiro livro, a coletânea de poemas chamada “Estrelas no Lago”.
Ricardo Vidal já ganhou prêmios de literatura, alguns de âmbito nacional. No ano passado foi menção honrosa no II Concurso de Poesia da Academia Letras do Recôncavo, com o poema “Soneto da Solidão”. Em 2002 foi o 03º lugar no Concurso Nacional de Poesia promovido pela revista literária Iararana. Edição desta revista, que publicou os poemas de Ricardo Vidal também foi lançada em Paris (França) e Budapeste (Hungria).
Ainda estudante do curso científico, Ricardo Vidal estreou na literatura, publicando a crônica “Saudades” no livro Quase Escritores, com textos dos alunos do Paulo Freire. Também tem textos publicados na internet, nos websites “Nave da Palavra”, “Usina de Letras”, “Sonetos.com.br”e “Neocodex”.
Ricardo Vidal trás o pendor para as artes desde o berço. Ele é bisneto de Maestro Barrinha (autor da música do Hino de Valença), sobrinho do poeta valenciano Valdo da Hora e primo do pintor Junior da Hora.
Salvador, 13 de março de 2007
Fonte: http://www.paginaumnews.com.br/ver.php?manchete=100
Fonte: http://www.rolandonaorla.com.br/ultimas13.php
Fonte: http://www.ounet.com.br/noticias/mais/jornais/va/99/pg11.html
terça-feira, 27 de fevereiro de 2007
Qual é a vocação turística de Valença?
Qual é a vocação turística de Valença?
Ricardo Vidal é escritor, autor de
Estrelas no Lago e estudante de
Letras / Inglês na UNEB – Salvador.
E-mail: bardocelta@bol.com.br
(Salvador, 05 de julho de 2004)
O município de Valença, acertadamente, elegeu o turismo como um dos caminhos mais seguros para alavancar o crescimento econômico; e conseqüentemente, financiar os projetos que garantam a inclusão e bem-estar social dentro do município.
Realmente, no mundo moderno, a área de serviços (o qual o turismo se inclui) é um dos setores da economia que mais cresce devido a uma razão simples: com o desenvolvimento tecnológico (mecanização dos campos, automação nas indústrias, informatização, etc) o ser humano passa a ter o seu tempo cada vez mais livre para se dedicar a outras atividades como os estudos, lazer e viagens… E é aí que entra o setor de serviços, com seus restaurantes, teatros, agências de viagens, hotéis entram, faturando e criando novos empregos exatamente sobre o lazer das pessoas.
Mas o turismo (enquanto atividade econômica) precisa ser pensado estrategicamente na esfera da administração pública. Sem pretender fazer um julgamento político deste ou aquele ex-mandatário, só se prendendo ao aspecto racional dos fatos, percebe-se que nos últimos anos a prefeitura equivocou-se quando se limitou a privilegiar o turismo de veraneio. Este turismo sazonal limita-se a parcos três meses, deixando hotéis praticamente ociosos nos nove meses restantes do ano e na dependência das condições climáticas (afinal, quem se aventura a tomar banho de mar em um dia chuvoso?). O campo de atuação no turismo é MUITO mais amplo. E não se limita apenas ter praias como atrativos: Praias existem em várias partes no mundo! O que verdadeiramente cativa o turista são outros fatores, como a cultura e a história locais. É este tipo de turismo que faz, por exemplo, que a Espanha receba mais turistas que o Brasil e que todos os dias os hotéis de Paris estejam lotados, faça sol, faça chuva, faça neve ou não.
A verdadeira vocação turística do município não está simplesmente na sua beleza natural (embora esta seja exuberante e paradisíaca) – está exatamente no seu povo, com seu folclore e sua história. É aí que encontra um filão praticamente ignorado e com ótimos retornos sócio-econômicos. A história de Valença é rica, mas inexplorada. Poucas pessoas sabem que o prédio onde hoje se encontra o Fórum Gonçalo Porto é a residência onde nasceu o Conselheiro Zacarias, um dos maiores estadistas do império brasileiro. O povoado de Sarapuí possui ruínas centenárias que jazem esquecidas no meio do mato. A Recreativa perde-se como atração turística, um lugar de rara beleza arquitetônica que serviu de primeiro banco de sangue do estado nos anos da Segunda Guerra Mundial. As ruínas da Fábrica Velha ficam desperdiçadas como parque histórico e natural.
Igualmente as particularidades da cultura de Valença vão sendo esquecidas. Manifestações como o Arguidá, a Zambiapunga, vão se perdendo cada vez mais. Enquanto em outros lugares, manifestações semelhantes são preservadas e mostradas com orgulho para os turistas (e para tanto, poder público e iniciativa privada unem-se e as patrocinam), aqui, nossa cultura popular é deixada ao deus-dará, como presa fácil para ser manipulada por este ou aquele político durante a eleição. Ou então míngua melancolicamente, até a mais completa extinção.
Se Valença quiser mesmo ser um pólo de atração turística, os gestores públicos devem mudar a atual concepção sobre o turismo e investir fortemente na cultura e educação. Já passou do tempo daqui ter um museu, uma galeria de arte, um centro folclórico onde se mostrar ao turista o que de melhor nós temos. Seus prédios antigos deveriam ser restaurados. Sua História e suas tradições devem ser preservadas para que todos possam conhecê-las – principalmente o povo que nela habita. A educação deve ser levada mais a sério, para que qualquer valenciano possa, orgulhosamente, dar informações seguras sobre nossos passado e tradições, como ocorre em São Cristóvão, em Sergipe. São investimentos cruciais que em médio e longo prazo reverterão em uma arrecadação maior para prefeitura aplicar em políticas públicas de inclusão e bem estar social.
Claro que existe um outro caminho, de deixar tudo como está: hotéis ociosos durante boa parte do ano, a prefeitura perdendo receita por falta de um maior afluxo de turista e o passado da cidade caindo no lixo da história.
Biblioteca do Bardo Celta (Leituras recomendadas)
- Revista Iararana
- Valenciando (antologia)
- Valença: dos primódios a contemporaneidade (Edgard Oliveira)
- A Sombra da Guerra (Augusto César Moutinho)
- Coração na Boca (Rosângela Góes de Queiroz Figueiredo)
- Pelo Amor... Pela Vida! (Mustafá Rosemberg de Souza)
- Veredas do Amor (Ângelo Paraíso Martins)
- Tinharé (Oscar Pinheiro)
- Da Natureza e Limites do Poder Moderador (Conselheiro Zacarias de Gois e Vasconcelos)
- Outras Moradas (Antologia)
- Lunaris (Carlos Ribeiro)
- Códigos do Silêncio (José Inácio V. de Melo)
- Decifração de Abismos (José Inácio V. de Melo)
- Microafetos (Wladimir Cazé)
- Textorama (Patrick Brock)
- Cantar de Mio Cid (Anônimo)
- Fausto (Goëthe)
- Sofrimentos do Jovem Werther (Goëthe)
- Bhagavad Gita (Anônimo)
- Mensagem (Fernando Pessoa)
- Noite na Taverna/Macário (Álvares de Azevedo)
- A Casa do Incesto (Anaïs Nin)
- Delta de Vênus (Anaïs Nin)
- Uma Espiã na Casa do Amor (Anaïs Nin)
- Henry & June (Anaïs Nin)
- Fire (Anaïs Nin)
- Rubáiyát (Omar Khayyam)
- 20.000 Léguas Submarinas (Jules Verne)
- A Volta ao Mundo em 80 Dias (Jules Verne)
- Manifesto Comunista (Marx & Engels)
- Assim Falou Zaratustra (Nietzsche)
- O Anticristo (Nietzsche)

